19 de outubro de 2017

Capítulo 2

Sydney

EU NÃO IMAGINAVA QUE UMA INICIAÇÃO SECRETA num clã de bruxas fosse começar com um chá.
— Querida, me passa o biscoitinho?
Peguei rápido o prato de porcelana da mesa de centro e entreguei para Maude, uma das bruxas mais velhas do grupo e a anfitriã, que havia nos oferecido a casa naquela noite. Estávamos sentadas num círculo de cadeiras dobráveis em sua sala de estar impecável e a sra. Terwilliger, minha professora de história, comia um sanduíche de pepino ao meu lado. Eu estava nervosa demais para falar qualquer coisa e só fiquei bebendo chá enquanto as outras conversavam sobre assuntos triviais. Maude estava servindo chá de ervas, então não precisei quebrar o acordo de cafeína com Adrian. Mas não acharia ruim ter uma desculpa caso ela só estivesse servindo chá preto.
Éramos sete ao todo e, embora permitissem qualquer quantidade de candidatas merecedoras no grupo, todas pareciam especialmente contentes por ter um número primo. Dava sorte, Maude insistiu. Vez ou outra, Pulinho colocava a cabeça para fora e depois entrava correndo debaixo dos móveis. Como nenhuma bruxa ficava surpresa com callistanas, eu o havia deixado livre naquela noite.
Alguém começou a falar dos prós e contras das iniciações de inverno em comparação às de verão e me distraí. Pensei em como estariam as coisas na mansão de Clarence. Desde setembro, era eu a responsável por levar Jill para seus fornecimentos, e era estranho (e um pouco triste) estar ali enquanto todos se divertiam juntos. Com uma pontada de preocupação, lembrei de repente que não havia planejado o jantar. Adrian seria apenas o motorista, então não tinha dito mais nada a ele. Será que Zoe teria assumido o controle? Provavelmente não. Reprimi meus instintos maternais que diziam que todos morreriam de fome. Claro que alguém seria capaz de pedir comida.
Pensar em Adrian me trouxe de volta as memórias doces da nossa tarde juntos. Mesmo horas depois, eu ainda sentia os lugares em que ele tinha me beijado. Respirei fundo e tentei me concentrar, com medo de que minhas futuras irmãs percebessem que magia era a última coisa na minha cabeça. Na verdade, naqueles dias, parecia que tudo era a última coisa na minha cabeça, exceto ficar seminua com Adrian.
Tinha me orgulhado a vida toda de preferir, estoicamente, a mente ao corpo, e estava meio surpresa que alguém tão cerebral como eu pudesse se acostumar à atividade física com tanta rapidez. Às vezes me dizia que era um instinto natural. Mas tinha que admitir a verdade: meu namorado era incrivelmente atraente, mesmo sendo vampiro, e eu não conseguia tirar as mãos dele.
Percebi então que tinham me feito uma pergunta. Relutante, parei de pensar em quando Adrian desabotoou minha camisa e me virei para a bruxa. Levei um tempo para lembrar o nome dela: Trina. Tinha vinte e poucos anos e era a pessoa mais nova ali depois de mim.
— Desculpe, não ouvi — falei.
Ela sorriu.
— Eu disse que você faz alguma coisa com vampiros, não é verdade?
Ah, eu fazia várias coisas com um vampiro em particular, mas claro que não era isso que ela queria dizer.
— Mais ou menos — respondi, evasiva.
A sra. Terwilliger riu.
— Os alquimistas guardam muito bem seus segredos.
Algumas bruxas assentiram. Outras só me olharam com curiosidade. O mundo mágico das bruxas não se cruzava com o dos vampiros. A maioria deles, de ambos os lados, nem sabia uns dos outros. Descobrir sobre Moroi e Strigoi tinha sido uma surpresa para algumas ali, o que significava que os alquimistas estavam fazendo um bom trabalho. Pela reação delas, ficou claro que já haviam se deparado com coisas místicas e sobrenaturais suficientes para aceitar que criaturas mágicas bebedoras de sangue andavam pela Terra e que existiam grupos como os alquimistas escondendo essa informação a sete chaves.
As bruxas aceitavam o paranormal tranquilamente. Os alquimistas nem tanto. O grupo em que eu havia sido criada achava que humanos precisavam ficar livres da magia para manter a alma pura. Em outros tempos, eu também tinha acreditado nisso, e pensado que criaturas como vampiros não podiam ser amigos. Nessa época eu também achava que os alquimistas falavam a verdade. Agora eu sabia que havia pessoas na organização que mentiam tanto para os humanos como para os Moroi e que chegariam a extremos para proteger seus próprios interesses, doesse a quem doesse. Com os olhos abertos para a verdade, não podia mais obedecer de maneira cega aos alquimistas, embora tecnicamente ainda trabalhasse para eles. Entretanto, também não estava em rebelião (como meu amigo Marcus), visto que algumas de suas doutrinas originais ainda mereciam crédito.
No fim das contas, a verdade era que eu estava trabalhando por conta própria.
— Sabe com quem você deveria conversar? Se ela quiser falar com você, pelo menos? Inez. Ela teve vários encontros com aqueles monstros. Não os vivos, os mortos — disse Maude. Ela havia reconhecido imediatamente o lírio na minha bochecha que me identificava (para aqueles que sabiam o que procurar) como alquimista. Era uma tatuagem feita de sangue vampírico e outros componentes que nos davam parte da capacidade de cura e resistência deles, ao mesmo tempo que nos impedia de discutir questões sobrenaturais com pessoas que não conheciam o mundo mágico. Pelo menos, era o que a minha costumava fazer.
— Quem é Inez? — perguntei.
Várias bruxas começaram a rir baixinho.
— Acho que a mais poderosa da nossa ordem, pelo menos neste lado do país — Maude disse.
— Neste lado do mundo — a sra. Terwilliger corrigiu. — Ela tem quase noventa anos e já viu e fez coisas que a maioria de nós nem consegue imaginar.
— Por que não está aqui? — perguntei.
— Ela não faz parte de nenhum clã — outra bruxa, chamada Alison, explicou. — Tenho certeza de que já participou de um, mas pratica por conta própria desde… sei lá, desde que ouvi falar dela. É difícil para ela andar por aí agora, então passa a maior parte do tempo sozinha. Mora numa casa antiga perto de Escondido e quase nunca sai.
Clarence surgiu na minha cabeça.
— Acho que conheço uma pessoa com quem se daria bem.
— Ela lutou contra muitos Strigoi no passado — Maude comentou. — Deve conhecer alguns feitiços que podem ser úteis para você. E as histórias que tem sobre eles… Era uma lutadora e tanto. Lembro que contou sobre um que tentou beber o sangue dela. — A bruxa estremeceu. — Mas parece que não conseguiu e ela aproveitou para acabar com ele.
Congelei enquanto erguia a xícara.
— Como assim, não conseguiu?
Maude deu de ombros.
— Não lembro os detalhes. Talvez ela tivesse algum feitiço de proteção.
Senti meu coração acelerar enquanto uma lembrança sombria me voltava à mente. No ano anterior, eu tinha caído na armadilha de uma Strigoi que queria beber meu sangue. Ela não conseguiu, teoricamente porque o gosto era ruim. O motivo ainda era um mistério, que alquimistas e Moroi tinham deixado de lado quando surgiram outras questões mais importantes. Mas eu não tinha esquecido. Era algo que vivia me incomodando, a pergunta sem resposta sobre o que em mim a havia repelido.
A sra. Terwilliger, acostumada às minhas expressões, adivinhou meus pensamentos.
— Se quiser conversar com ela, posso arranjar um encontro entre vocês. — Seus lábios se abriram num sorriso. — Mas não garanto que consiga tirar alguma coisa útil dela. Ela tem um jeito muito… peculiar de revelar as coisas.
Maude ironizou:
— Não era bem nessa palavra que eu estava pensando, mas a sua é mais gentil. — Ela olhou para um relógio de pêndulo ornado e pôs a xícara na mesa. — Bom, então. Vamos começar?
Eu me esqueci de Inez e até de Adrian conforme o medo tomava conta de mim. Em menos de um ano, tinha me afastado muito da doutrina alquimista que antes governara minha vida. Não via nada de mal em me relacionar com vampiros agora, mas, vez por outra, lembrava de avisos contra a magia.
Tentei me fortalecer com o pensamento de que evitar magia era um caminho que eu já havia superado e que ela só era má se usada para o mal. Membros do Stelle, como esse grupo se denominava, juravam não ferir ninguém com seus poderes, a menos que fosse para se proteger ou proteger outras pessoas.
Realizamos o ritual no quintal de Maude, um terreno grande com palmeiras e flores de inverno. Fazia uns dez graus lá fora, agradável se comparado com o fim de janeiro em outras partes do país, mas um tempo para se usar jaqueta em Palm Springs. Ou melhor, manto. A sra. Terwilliger havia me dito que não importava o que eu vestisse naquela noite, pois me dariam o que fosse necessário. E pelo visto o necessário era um manto composto de seis retalhos de veludo em cores diferentes. Eu me senti como uma gata-borralheira quando o joguei sobre os ombros.
— Esse é nosso presente para você — a sra. Terwilliger explicou. — Cada uma costurou e contribuiu com um retalho. Você vai usar esse manto sempre que tivermos uma cerimônia formal. — As outras vestiam mantos parecidos com quantidades diferentes de retalhos, dependendo de qual tinha sido o número de bruxas no clã quando foram iniciadas.
O céu estava limpo e sem estrelas, e a lua cheia brilhava como uma pérola reluzente contra a escuridão. Era a melhor hora para fazer magia.
Percebi então que as árvores no quintal estavam dispostas em círculo. As bruxas formaram uma roda dentro dele, diante de um altar de pedra equipado com velas e incenso. Maude indicou que eu deveria me ajoelhar no centro, em frente a ela, enquanto assumia uma posição perto do altar. Uma brisa se agitava ao nosso redor e, embora eu costumasse pensar em bosques enevoados quando imaginava rituais arcanos, as palmeiras altas e o ar fresco pareciam certos também.
Eu tinha relutado em entrar para o grupo e a sra. Terwilliger precisou me garantir centenas de vezes que eu não estaria jurando fidelidade a nenhum deus primitivo. “Você vai fazer um juramento à magia”, ela havia me explicado. “À busca do conhecimento mágico e ao uso dela para o bem. Na verdade, é um voto intelectual. Parece uma coisa que você toparia.”
E topei. Então me ajoelhei diante de Maude e o ritual começou. Ela me consagrou aos elementos, primeiro andando ao meu redor com uma vela para representar o fogo. Depois borrifou água na minha testa. Pétalas de violeta amassadas foram usadas no lugar da terra e uma baforada de incenso invocou o ar. Algumas tradições usavam uma lâmina para esse elemento e foi bom saber que esse não era o caso.
Os elementos eram o coração da magia humana, e da magia vampírica também. Mas, assim como os Moroi, as bruxas não falavam do espírito. Essa era uma magia redescoberta recentemente e poucos Moroi a usavam. Quando tinha perguntado à sra. Terwilliger sobre isso, ela não conseguira me dar uma boa resposta. Sua melhor explicação era que a magia humana era tirada do mundo exterior, onde residiam os elementos físicos. O espírito, ligado à essência da vida, ardia dentro de todos nós, portanto já estava presente. Pelo menos era o palpite dela. O espírito era um mistério para os usuários de magia humana e vampírica, e seus efeitos eram temidos e desconhecidos — e era por isso que eu não dormia à noite, preocupada já que Adrian não conseguia ficar longe dele.
Quando Maude acabou com os elementos, disse:
— Faça seu juramento.
O juramento era em italiano, pois aquele clã tinha suas raízes no mundo romano medieval. A maior parte do que jurei estava de acordo com o que a sra. Terwilliger me dissera, uma promessa de usar magia com prudência e ajudar minhas irmãs. Eu havia decorado as palavras fazia um tempo e as pronunciei com perfeição. Enquanto falava, sentia uma energia arder dentro de mim, uma consciência agradável da magia e da vida que irradiava em torno de nós. Era doce e estimulante, e me perguntei se era essa a sensação do espírito. Quando terminei, levantei os olhos e o mundo pareceu mais claro e brilhante, com muito mais beleza e maravilha do que as pessoas comuns podiam ver. Mais do que nunca, acreditei que não havia mal na magia, a menos que você fosse atrás do mal.
— Qual é o seu nome entre nós? — Maude perguntou.
— Iolanthe — respondi prontamente. Significava “rosa púrpura” em grego e me ocorreu quando lembrei das várias vezes em que Adrian me contara sobre as faíscas roxas na minha aura.
Ela estendeu as mãos e me ajudou a levantar.
— Seja bem-vinda, Iolanthe. — Então, para minha surpresa, me deu um abraço carinhoso. As outras, saindo do círculo agora que o ritual havia terminado, também me abraçaram. A sra. Terwilliger foi a última. Ela me segurou por mais tempo do que as outras, e mais surpreendente do que tudo que eu tinha visto naquela noite foram as lágrimas em seus olhos.
— Você vai fazer coisas magníficas — ela disse com firmeza. — Estou muito orgulhosa de você, mais do que ficaria de qualquer filha.
— Mesmo depois de eu botar fogo na sua casa? — perguntei.
Ela retomou o ar irônico:
— Talvez exatamente por isso.
Eu ri e o clima sério se transformou em celebração. Voltamos para a sala, onde Maude trocou o chá por vinho quente, agora que a magia havia terminado. Não bebi, mas o nervosismo já havia passado fazia tempo. Eu estava leve e contente… e o mais importante era que, sentada ouvindo as histórias delas, senti que pertencia àquele lugar, uma coisa que nunca havia experimentado entre os alquimistas.
Meu celular tocou na bolsa, bem quando a sra. Terwilliger e eu estávamos finalmente nos preparando para sair. Era minha mãe.
— Desculpe — eu disse. — Preciso atender.
A sra. Terwilliger, que havia bebido mais vinho do que todas as outras, fez um aceno e se serviu de mais um copo. Ela ia pegar carona comigo, então não tinha por que se apressar. Atendi a caminho da cozinha, não muito surpresa por minha mãe estar ligando. Sempre nos falávamos e ela sabia que o fim de tarde era uma boa hora para conversar comigo. Mas, quando começou a falar, havia uma urgência em sua voz que deixou claro que aquela não era uma chamada de rotina.
— Sydney? Você falou com Zoe?
Meu alarme mental disparou.
— Hoje à tarde não. Aconteceu alguma coisa?
Minha mãe respirou fundo.
— Sydney… seu pai e eu estamos nos separando. Vamos nos divorciar.
Por um momento, o mundo girou e me apoiei no balcão da cozinha para manter o equilíbrio. Engoli em seco.
— Entendo.
— Sinto muito — ela disse. — Sei que você não estava esperando por isso.
Pensei um pouco.
— Não… não exatamente. Quer dizer, acho que… enfim, não é uma grande surpresa.
Certa vez, ela havia me dito que meu pai era mais relaxado na juventude. Era difícil imaginar, mas obviamente ela havia se casado com ele por algum motivo. Ao longo dos anos, ele foi ficando frio e rígido, lançando-se na causa alquimista com uma devoção que ganhou prioridade sobre todas as coisas na sua vida, inclusive as próprias filhas. Havia se tornado ríspido e cabeça-dura, e eu percebera fazia tempo que, aos olhos dele, eu era mais uma ferramenta para o bem maior do que uma filha.
Minha mãe, por sua vez, era engraçada e afetuosa, sempre disposta a demonstrar carinho e ouvir quando precisávamos dela. Tinha um sorriso contagiante… por mais que não andasse sorrindo muito nos últimos tempos.
— Sei que vai ser difícil emocionalmente para você e Carly — ela disse. — Mas não vai afetar tanto a vida de vocês.
Ponderei a escolha de palavras dela. Eu e Carly.
— Mas Zoe…
— É menor de idade e, mesmo trabalhando para os alquimistas, ainda está legalmente sob a tutela dos pais. Ou de um deles. Seu pai quer pedir guarda exclusiva para manter Zoe onde está. — Houve uma longa pausa. — Pretendo disputar com ele. E, se vencer, vou trazer sua irmã para morar comigo e ver se ela consegue levar uma vida normal.
Eu estava perplexa. Não conseguia imaginar o tipo de batalha que ela estava propondo.
— Precisa ser tudo ou nada? Vocês não podem ter guarda conjunta?
— Seria o mesmo que entregar minha filha nas mãos dele. Seu pai a controlaria… psicologicamente, quero dizer. Você é adulta. Consegue tomar suas próprias decisões e, mesmo tendo definido seu caminho, a forma como segue esse caminho é diferente. Você é você, ela é mais…
Ela não terminou a frase, mas eu entendi. Ela é mais parecida com ele.
— Se eu conseguir a custódia, vou mandar Zoe para uma escola comum e tentar garantir uma vida normal para ela, se não for tarde demais. Você deve me odiar por isso… por tirar sua irmã da causa de vocês.
— Não — respondi rápido. — Acho que… acho que é uma ótima ideia. — Se não for tarde demais.
Pude ouvir que ela estava com a voz um pouco embargada e me perguntei se estava contendo as lágrimas.
— Teremos de ir ao tribunal. Ninguém vai falar dos alquimistas, inclusive eu, mas vai haver muita discussão sobre adequação e análise de caráter. Zoe vai testemunhar… você e Carly também.
E foi então que entendi por que ela disse que aquilo seria difícil.
— Vocês querem que a gente escolha um de vocês.
— Quero que falem a verdade — ela disse com firmeza. — Não sei o que seu pai quer.
Eu sabia. Ele iria querer que eu falasse mal da minha mãe, que dissesse que ela era incapaz, apenas uma dona de casa que consertava carros por fora e não podia se comparar a um acadêmico sério como ele, que oferecia a Zoe todo tipo de experiências culturais e educacionais. Ele iria querer que eu fizesse isso pelo bem dos alquimistas. Iria querer que fizesse isso porque sempre conseguia as coisas do seu jeito.
— Amo você e apoio o que achar certo. — A coragem na voz da minha mãe era de partir o coração. Ela teria que lidar com mais do que complicações familiares. Os contatos alquimistas se estendiam por toda parte. Era possível que chegassem até o sistema jurídico. — Eu só queria que você ficasse preparada. Tenho certeza de que seu pai vai querer conversar com você também.
— Sim — eu disse, melancólica. — Não tenho dúvida. Mas e agora? Você está bem? — Zoe à parte, o divórcio seria uma mudança enorme na vida da minha mãe. O casamento dela podia ter se tornado difícil, mas eles haviam ficado juntos durante quase vinte e cinco anos. Sair de um relacionamento desses exigiria uma grande adaptação, independentemente das circunstâncias.
Senti que ela estava sorrindo.
— Estou bem. Estou na casa de uma amiga. E trouxe Cícero comigo.
Pensar que ela tinha levado o gato me fez rir, apesar da gravidade da conversa.
— Pelo menos tem companhia.
Ela riu também, mas havia uma fragilidade em seu tom.
— E minha amiga precisa de uns ajustes no carro dela, então juntamos o útil ao agradável.
— Bom, fico contente, mas se precisar de alguma coisa, qualquer coisa mesmo, dinheiro ou…
— Não se preocupe comigo. Cuide de você… e de Zoe também. É o mais importante agora. — Ela hesitou.
— Não falei com ela ainda… ela está bem?
Estava? Pensei que dependia do conceito de “bem”. Minha irmã estava empolgada em aprender o ofício alquimista tão jovem, mas era arrogante e fria com meus amigos, como todos os outros alquimistas. Além disso, era uma sombra constante pairando sobre minha vida amorosa.
— Está ótima — tranquilizei minha mãe.
— Bom saber — ela disse, claramente aliviada. — Que bom que você está com ela. Não sei como ela vai receber a notícia.
— Tenho certeza de que vai entender seus motivos.
Era uma mentira, claro, mas eu não podia falar a verdade para minha mãe: que Zoe resistiria com unhas e dentes durante o processo todo.

Um comentário:

  1. Meu Deos... O que falar de Zoe que mal apareceu, mas como posso escrever isso em palavras amenas, ela é uma chata antipática e basicamente, odeio ela... Mas espero que com o passar do tempo ela melhore e se torne uma pessoa melhor, e eu odeie menos ela...

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Boa leitura :)