3 de outubro de 2017

Capítulo 19

— ELA NÃO IA SAIR DA CIDADE? — lembrei.
— Só amanhã.
Percebi que ele estava certo. Na conversa da noite anterior, Sonya havia dito que partiria em dois dias.
— Você tem certeza de que ela desapareceu mesmo? — perguntei. — Talvez só tenha... saído.
— Belikov está aqui, e ele está histérico. Disse que ela não voltou para casa ontem à noite.
Quase deixei o telefone cair. Ontem à noite? Sonya já estava desaparecida havia tanto tempo? Fazia quase vinte e quatro horas.
— Como ninguém notou até agora? — perguntei.
— Não sei — Adrian disse. — Você pode vir para cá, Sydney? Por favor?
Quando ele me chamava pelo primeiro nome, me desarmava. Sempre levava as coisas a outro grau de gravidade, ainda que essa situação não precisasse de nenhuma ajuda para isso. Sonya. Desaparecida havia vinte e quatro horas. Pelo que sabíamos, ela já nem estaria viva se tivesse sido pega por aqueles malucos com espadas.
O rosto de Brayden expressava um misto de incredulidade e desapontamento quando disse a ele que precisava ir embora.
— Mas você... Assim... — Foi um dos raros momentos em que perdeu a fala.
— Sinto muito — eu disse, sinceramente. — Ainda mais depois de ter me atrasado e arruinado o passeio no museu. Mas é uma emergência familiar.
— Sua família tem um monte de emergências, hein?
Nem me fale, pensei. Em vez de dizer isso, porém, continuei a pedir desculpas:
— Mil desculpas. Eu... — Quase cheguei a dizer que compensaria depois, mas já havia dito isso na festa do Dia das Bruxas. Aquela noite era para ser a compensação. — Sinto muito mesmo.
A casa de Adrian era perto o bastante para eu ir a pé, mas Brayden insistiu em me levar de carro, já que o sol estava se pondo. Não foi nada difícil aceitar.
— Uau — Brayden disse, quando estacionou ao lado prédio. — Belo Mustang.
— Pois é. É um exemplar de 1967 — respondi automaticamente. — Ótimo motor. É do meu irmão. Ele mudou de lugar de novo! Espero que não tenha ido muito longe com o carro... Uau. O que é aquilo?
Brayden seguiu meu olhar.
— Um Jaguar?
— Claro. — O carro preto lustroso estava estacionado na frente ao Mustang. — De onde será que ele surgiu?
Brayden não sabia, claro. Depois de mais alguns pedidos de desculpa e uma promessa de que entraria em contato, saí. Não houve nenhuma tentativa de beijo, de tão desapontado que ele estava com o fim do nosso encontro, e de tão preocupada que eu estava com Sonya. Tanto é que esqueci completamente de Brayden enquanto caminhava para o prédio. Eu tinha problemas maiores.
— É do Clarence — Adrian disse, ao abrir a porta.
— Hein? — perguntei.
— O Jaguar. Pensei que você quisesse saber. Ele deixou Belikov vir com ele já que Sonya estava com o alugado. — Ele me deu passagem para entrar, meneando a cabeça em desalento. — Você acredita que o carro estava trancado na garagem o tempo todo que morei com ele? Ele disse que esqueceu que tinha! E eu lá, sendo obrigado a andar de ônibus.
Em outras circunstâncias eu teria dado risada, mas, ao ver a expressão de Dimitri, todo bom humor desapareceu. Ele caminhava de um lado para o outro da sala como um animal aprisionado, irradiando frustração e ansiedade.
— Eu sou um idiota — ele murmurou. Não entendi se estava falando sozinho ou com a gente. — Não percebi que ela saiu ontem à noite e depois passei metade do dia achando que ela estava cuidando do jardim.
— Você tentou ligar pra ela? — Eu sabia que era uma pergunta idiota, mas precisava começar em termos lógicos.
— Sim — Dimitri disse. — Ela não atende. Por via das dúvidas, chequei duas vezes se o voo dela não tinha sido alterado, e depois ainda conversei com Mikhail para ver se ele sabia de alguma coisa. Ele não sabia de nada. Tudo o que consegui foi preocupá-lo.
— Ele tem motivos para se preocupar — murmurei, sentada à beira do sofá. Nada de bom podia ter acontecido. Sabíamos que os guerreiros estavam obcecados com Sonya, e agora ela havia desaparecido depois de sair sozinha.
— Acabei de descobrir que ela veio ver vocês — Dimitri acrescentou. Ele parou de andar e nos encarou. — Ela disse alguma coisa que dava a entender para onde estava indo?
— Não — respondi. — A conversa... não terminou muito bem entre nós.
Dimitri assentiu.
— Adrian deu a entender a mesma coisa.
Levantei os olhos para Adrian e pude ver que, assim como eu, ele não queria entrar no assunto.
— Nós tivemos uma discussão — ele admitiu. — Ela estava tentando forçar Sydney a participar de uns experimentos, e Sydney recusou. Como Sonya continuou insistindo, me meti na conversa e ela acabou indo embora. Não disse para onde ia.
O rosto do Dimitri ficou ainda mais sombrio.
— Então qualquer coisa pode ter acontecido. Ela pode ter sido pega aqui na frente. Ou pode ter ido a algum lugar e ter sido raptada depois.
Ou ela pode estar morta. Nos termos em que o Dimitri estava falando, ela ainda estaria viva, mas eu não tinha tanta certeza. Os caçadores que haviam nos atacado no beco pareciam muito determinados a matá-la ali mesmo. Se ela não voltara para casa na última noite, eram grandes as chances de que eles a tivessem encontrado. Vinte e quatro horas era um tempo longo demais para manter uma “criatura das trevas” viva.
Estudando o rosto do Dimitri, percebi que ele tinha consciência de tudo isso. Apenas estava trabalhando em cima da esperança de que tínhamos chance de fazer algo, de que não estávamos de mãos atadas.
Resoluto, Dimitri caminhou em direção à porta.
— Preciso avisar a polícia.
— Comunicar o desaparecimento? — Adrian perguntou.
— Isso e, o que é mais importante, arranjar um mandado de busca para o carro. Se ela tiver sido sequestrada... — Ele hesitou, reprimindo o medo que rondava a todos nós. — Se ela está presa em algum esconderijo, vai ser muito difícil localizar o cativeiro. Mas é muito mais difícil esconder um carro do que uma mulher. Se a polícia divulgar a descrição do carro, podemos ter alguma pista se ele aparecer. — Fez menção de abrir a porta e então voltou a nos encarar. — Vocês têm certeza de que não se lembram de nada que possa ajudar?
Adrian e eu repetimos que não. Dimitri saiu, dando instruções desnecessárias para que o avisássemos imediatamente se lembrássemos de alguma coisa ou se, por algum milagre, Sonya aparecesse. Assim que saiu, soltei um suspiro e disse:
— É culpa minha.
Adrian me encarou, surpreso.
— Por que você diz isso?
— Sonya veio até aqui, saiu de casa quando não devia, por minha culpa. Por culpa do meu sangue. Vai saber o que teria acontecido se eu não tivesse recusado? Talvez com uma diferença de alguns minutos os caçadores não estariam mais por perto. Ou talvez, se ela não estivesse tão nervosa, poderia ter conseguido se defender melhor. — Mil lembranças rodaram na minha cabeça. Sonya fazendo o lírio crescer para mim. Sonya conversando com a rainha em favor de Adrian. Sonya mostrando fotos dos vestidos de dama de honra. Sonya trabalhando com diligência para deter os Strigoi e se redimir. Tudo aquilo poderia estar perdido.
— Talvez, talvez, talvez. — Adrian sentou perto de mim no sofá. — Você não pode pensar desse jeito e, poxa, não pode ficar se culpando pelos atos de um grupo de marginais loucos.
Sabia que ele estava certo, mas não me senti nem um pouco melhor.
— Preciso ligar para os alquimistas. Temos contatos na polícia também.
— Pode ser uma boa ideia — ele disse, sem muito entusiasmo. — É só que tenho um mau pressentimento com esses caras. Mesmo se... bem, se ela estiver viva, não sei como poderemos encontrá-la. Não temos nenhuma solução mágica e miraculosa.
Congelei.
— Ai, meu Deus.
— Que foi? — ele perguntou e me encarou, preocupado. — Você lembrou de alguma coisa?
— Sim... mas não o que você está pensando. — Fechei os olhos e respirei fundo. Não, não, não. A ideia que passou pela minha cabeça era maluca. Não devia nem considerar aquela possibilidade. Dimitri estava certo. Precisávamos nos focar em métodos normais e concretos de localizar a Sonya.
— Sage? — Adrian tocou meu braço de leve, e me sobressaltei ao sentir seus dedos contra a minha pele. — Você está bem?
— Não sei — respondi baixinho. — Acabei de ter uma ideia maluca.
— Bem-vinda ao meu mundo.
Desviei o olhar, em conflito sobre que decisão tomar. Aquilo que estava considerando... algumas pessoas poderiam dizer que não era muito diferente do que eu já havia feito antes. Mesmo assim, tudo se resumia à linha tênue entre fazer algo por escolha própria e fazer porque era obrigada. Não havia dúvida ali. Aquilo era uma escolha. Um exercício do livre-arbítrio.
— Adrian... e se eu tiver um jeito de encontrar Sonya, mas ele for contra tudo o que acredito?
Ele levou alguns segundos para responder.
— Você acredita em trazer Sonya de volta? Se sim, não vai estar contra tudo o que acredita.
Por mais distorcida que fosse, aquela lógica me deu o empurrão de que precisava. Peguei o celular e disquei um número para o qual quase nunca ligava, embora recebesse mensagens e ligações dele o tempo todo. Fui atendida depois de dois toques.
— Sra. Terwilliger? É a Sydney.
— Srta. Melbourne. O que posso fazer por você?
— Preciso encontrar a senhora. É meio urg... Não, nada de meio. É urgente. A senhora está na escola?
— Não. Por incrível que pareça, eu volto pra casa de vez em quando. — Ela fez uma pausa e então acrescentou: — Mas... claro que você é bem-vinda aqui.
Não sei por que aquilo me deixou incomodada. Afinal, passava muito tempo na casa de Clarence. Sem dúvida, a vasta mansão de um vampiro era muito pior do que a casa de uma professora do ensino médio. Claro, a professora em questão também era uma bruxa, então não sabia ao certo se deveria esperar um típico apartamento de classe média ou uma casa feita de doces.
Engoli em seco.
— Você tem tantos livros de feitiços em casa quanto na escola?
Adrian arqueou a sobrancelha ao ouvir a palavra “feitiços”.
A sra. Terwilliger hesitou por muito mais tempo dessa vez.
— Sim — ela disse. — Até mais.
Ela me passou o endereço e, antes mesmo que eu pudesse desligar, Adrian disse:
— Vou com você.
— Você nem sabe aonde estou indo.
— Verdade — ele disse. — Mas a falta de informações nunca me impediu antes. Sei que tem alguma coisa a ver com Sonya, e isso já basta. Além disso, você parece estar morrendo de medo. Não vou deixar você ir sozinha de jeito nenhum.
Cruzei os braços.
— Já enfrentei coisas muito mais assustadoras e, até onde eu sei, você não tem que me “deixar” fazer nada. — Porém, havia tanta preocupação em seu rosto que eu sabia que não podia recusar... Até porque realmente estava com um pouco de medo. — Você tem que me prometer que não vai contar a ninguém o que vamos fazer. Ou sequer o que virmos lá.
— Caramba. O que está acontecendo, Sage? — ele perguntou. — Estamos falando de sacrifício animal ou coisa assim?
— Adrian — adverti, baixinho.
Ele voltou a ficar sério.
— Prometo. Nenhuma palavra, a menos que você diga o contrário.
Não precisei estudar seu rosto para saber que podia confiar nele.
— Tudo bem, então. Mas, antes, preciso da sua escova de cabelo.
A sra. Terwilliger morava em Vista Azul, o mesmo bairro nobre onde ficava Amberwood. Para minha surpresa, a casa realmente não parecia nada fora do comum. Era pequena mas, tirando isso, parecia muito com as outras casas antigas do bairro. O sol já havia se posto quando chegamos, e eu sabia que faltava pouco para o toque de recolher da escola. Quando ela nos convidou para entrar, encontrei um interior um pouco mais parecido com o que eu tinha em mente. Claro, havia uma TV e móveis modernos, mas a decoração também incluía algumas velas e estátuas de vários deuses e deusas. O aroma de incenso indiano pairava no ar. Contei pelo menos três gatos nos primeiros cinco minutos e não tinha dúvidas de que havia mais.
— Srta. Melbourne, bem-vinda. — A sra. Terwilliger olhou para Adrian com interesse. — E boas-vindas para o seu amigo também.
— Meu irmão — corrigi, incisiva. — Adrian.
A sra. Terwilliger, que sabia sobre o mundo dos Moroi, abriu um sorriso.
— Sim. Claro. Você frequenta a Carlton, certo?
— Sim — Adrian respondeu. — Foi a senhora que me ajudou a entrar, não é? Obrigado.
— Bem — a sra. Terwilliger disse, dando de ombros —, sempre fico feliz em ajudar alunas talentosas, ainda mais quando são tão dedicadas em me trazer café. Agora, qual é o assunto tão urgente que fez vocês virem até aqui no meio da noite?
Meus olhos já estavam fixos em uma estante enorme na sala de estar, com as prateleiras atulhadas de livros velhos com capa de couro, do mesmo tipo em que ela sempre me fazia trabalhar.
— A senhora... a senhora tem algum feitiço que possa ajudar a localizar uma pessoa? — perguntei, sentindo uma pontada de dor a cada palavra. — Eu sei que eles existem. Já passei por alguns durante as minhas pesquisas. Mas estava pensando que talvez a senhora poderia recomendar algum.
A sra. Terwilliger riu baixinho, e desviei o olhar.
— Ora, ora, se este não é um bom motivo para uma visita noturna. — Estávamos na sala de jantar e elapuxou uma cadeira entalhada para sentar. Um dos gatos roçou a perna dela. — Existem vários feitiços de localização, sem dúvida, mas nenhum está exatamente no seu nível. E por “seu nível” me refiro à sua recusa constante de praticar ou se aperfeiçoar.
Franzi a testa.
— Tem algum que a senhora possa fazer?
Ela meneou a cabeça.
— Não. Este problema é seu. É você quem tem que fazer. Você precisa.
— Mas não se estiver além da minha capacidade! — protestei. — Por favor. Esse é um assunto de vida ou morte. — Além disso, eu não queria sujar as minhas mãos com a magia. Já era humilhante demais pedir aquilo a ela.
— Fique calma. Eu não a obrigaria a fazer se não achasse que fosse capaz — ela disse. — Mas, para funcionar, é imperativo ter alguma coisa que nos ligue à pessoa que estamos procurando. Existem feitiços em que isso não é necessário, mas esses definitivamente estão além das suas capacidades.
Tirei a escova de Adrian da bolsa.
— Como um fio de cabelo?
— Exatamente — ela disse, claramente impressionada.
Havia me lembrado de quando Adrian reclamou que Sonya vivia usando seus utensílios pessoais. Por mais que, pelo visto, ele limpasse a escova regularmente (e, para ser sincera, não esperava nada menos de alguém que passava tanto tempo mexendo no cabelo), ainda restavam alguns fios ruivos nela. Com cuidado, puxei o mais longo dos que estavam enrolados nas cerdas e o segurei no alto.
— O que preciso fazer? — perguntei. Estava me esforçando para me manter firme, mas minhas mãos tremiam.
— É o que nós vamos descobrir. — Ela se levantou e entrou na sala de estar, onde vasculhou as prateleiras.
Adrian se voltou para mim.
— Ela está falando sério? — Ele fez uma pausa e reconsiderou. — Você está falando sério? Feitiços? Magia? Digo, não me entenda mal. Eu bebo sangue humano e controlo a mente das pessoas. Mas nunca tinha ouvido falar nisso.
— Nem eu, até um mês atrás. — Suspirei. — E, infelizmente, estou falando sério. Pior: ela acha que eu tenho jeito pra coisa. Você lembra quando uma das Strigoi no seu apartamento pegou fogo?
— Vagamente, mas sim. Afastei tudo da cabeça e nunca pensei muito nisso. — Ele franziu a testa, perturbado pela lembrança. — Eu estava meio desligado por causa da mordida.
— Aquilo não foi um acidente casual. Foi... magia. — Apontei com a cabeça para a sra. Terwilliger. — E eu fui a responsável.
Seus olhos se arregalaram.
— Você é tipo uma humana mutante? Como uma usuária de fogo? E falo “mutante” como um elogio, você sabe. Eu não teria uma opinião pior sobre você.
— Não é como a magia dos vampiros — eu disse. Parte de mim achava que eu deveria ficar grata por Adrian ainda ser simpático com uma “mutante” como eu. — Não é uma conexão interna com os elementos. Segundo ela, alguns humanos conseguem usar magia extraindo-a do mundo. Parece maluquice, mas... eu consegui botar fogo numa Strigoi, afinal.
Pude notar que Adrian ainda estava absorvendo tudo aquilo quando a sra. Terwilliger voltou. Ela colocou sobre a mesa um livro com capa de couro vermelho e folheou até encontrar o que queria. Esticamos o pescoço para ler.
— Não está na nossa língua — Adrian disse, prestativo.
— É grego, nada de mais — retorqui, passando os olhos pela lista de ingredientes. — Não parece precisar de muita coisa.
— É porque grande parte do feitiço é a sua concentração mental — a sra. Terwilliger explicou. — É mais complicado do que parece. Vai levar pelo menos algumas horas.
Vi o horário no relógio de pêndulo ornamentado.
— Eu não tenho algumas horas. Falta pouco para o toque de recolher.
— Ah, isso não é problema — a sra. Terwilliger respondeu e, pegando o celular de cima da mesa, discou um número de cabeça. — Oi, Desiree? É a Jaclyn. Sim, tudo bem. Obrigada. Estou em casa agora com a Sydney Melrose, que está me ajudando num projeto importantíssimo. — Quase revirei os olhos. Pelo jeito ela sabia perfeitamente meu sobrenome quando precisava dele. — Infelizmente, acho que vai passar da hora do toque de recolher do alojamento e estava pensando se você faria a gentileza de permitir uma prorrogação. Sim... sim, claro. Mas é muito importante para o meu trabalho e, convenhamos, o histórico dela é exemplar; não precisamos nos preocupar com ela, a srta. Melrose não faz o tipo que abusaria desses privilégios. Sem dúvida é uma das alunas mais confiáveis que eu conheço. — Ao ouvir isso, Adrian abriu um sorriso irônico.
Mais trinta segundos e eu estava livre do toque de recolher.
— Quem é Desiree? — perguntei, assim que a sra. Terwilliger desligou.
— A responsável pelo seu alojamento. Weathers.
— Sério? — Pensei na corpulenta e maternal sra. Weathers. Nunca teria imaginado que seu primeiro nome fosse Desiree. Era um nome que eu associava a mulheres mais atraentes e sedutoras. Talvez ela tivesse uma vida mais chocante fora da escola, que não conhecíamos. — Então, eu tenho a noite toda livre?
— Não sei se podemos exagerar — a sra. Terwilliger respondeu. — Mas temos tempo o bastante para esse feitiço, sem dúvida. Não posso fazê-lo por você, mas posso ajudar com os ingredientes e instrumentos.
Peguei o livro, esquecendo meu medo conforme examinava a longa lista. Detalhes como aqueles me levavam de volta à minha zona de conforto.
— A senhora tem todos?
— Claro.
A sra. Terwilliger nos levou por um corredor que saía da cozinha, por onde pensei que chegaríamos aos quartos. Conforme seguíamos, pude até entrever uma cama num dos cômodos, mas nosso destino final era algo completamente diferente: uma oficina. Parecia uma mistura de esconderijo de bruxa com laboratório de um cientista maluco. Parte do cômodo tinha equipamentos muito modernos: provetas, uma pia, bicos de gás etc. O resto parecia vindo de outra época: frascos de óleos e ervas desidratadas ao lado de pergaminhos e caldeirões de verdade. Vasos de plantas cobriam o peitoril da janela escura. Havia mais dois gatos ali, que certamente não eram os mesmos que eu tinha visto na sala.
— Parece um caos — a sra. Terwilliger disse. — Mas ouso dizer que está bastante organizado, até mesmo para os seus padrões.
Depois de olhar mais atentamente, percebi que ela estava certa. Todos os frascos e plantas tinham rótulos e estavam em ordem alfabética. Os vários instrumentos também estavam identificados, com o tamanho e o material especificados. No centro da sala, havia uma grande mesa de pedra lisa, onde pus o livro, com cuidado para não perder a página de que precisava.
— E agora? — perguntei.
— Agora, você começa — ela disse. — Quanto mais você fizer por conta própria, mais forte será sua relação com o feitiço. Claro, pode me chamar se tiver algum problema com os ingredientes ou com as instruções. Fora isso, quanto mais foco e concentração você colocar nisso, melhor.
— Onde a senhora vai ficar? — perguntei, assustada. Por mais que não gostasse da ideia de trabalhar com ela naquele laboratório escuro e assustador, gostava menos ainda de pensar em ficar lá sozinha.
Ela apontou para o lugar de onde tínhamos vindo.
— Ah, logo ali. Vou fazer sala para o seu “irmão”, já que é extremamente necessário que você faça isso sozinha.
Fiquei ainda mais nervosa. Havia protestado contra o pedido de Adrian de ir até lá, mas agora o queria por perto.
— Posso tomar um café, pelo menos?
Ela riu, divertindo-se.
— Normalmente eu diria que sim, ainda mais se estivesse fazendo algum trabalho pesado, como um amuleto ou uma poção. Mas como você vai usar o poder da mente, a magia vai funcionar muito melhor se seus pensamentos estiverem livres de qualquer substância que afete seu estado mental.
— Cara, isso me lembra de alguma coisa — Adrian murmurou.
— Tudo bem, então — eu disse, decidindo ser firme. — Preciso começar logo. Sonya está esperando. — Supondo que ela ainda estivesse viva.
A sra. Terwilliger saiu, avisando-me para chamá-la no último estágio do feitiço. Adrian se deteve mais um minuto para falar comigo.
— Você tem certeza de que está bem com tudo isso? Quer dizer, pelo que conheço de você e dos alquimistas... Bem, achei que não fosse ficar nada bem em relação isso.
— E não estou — concordei. — Como eu disse, isso vai contra tudo em que acredito, tudo o que me ensinaram. É por isso que você não pode contar nada a ninguém. Você ouviu a indireta dela sobre eu não praticar? Ela está no meu pé há muito tempo, querendo que eu desenvolva minhas “habilidades mágicas”, e eu continuo recusando, porque acho isso errado. Então ela me obriga a pesquisar livros de feitiços para o estudo independente, esperando que eu aprenda por osmose.
— Isso é errado — ele disse, meneando a cabeça. — Você não precisa fazer isso. Você não precisa fazer nada que não quiser.
Abri um sorrisinho.
— Bem, eu quero encontrar Sonya. Então preciso fazer isso, sim.
Ele retribuiu o sorriso.
— Está bem. Mas eu vou ficar ali fora, tomando um chazinho com os gatos dela ou seja lá o que for que ela tem em mente. Se precisar de mim, grite. Se quiser ir embora, nós vamos. Eu tiro você deste lugar, custe o que custar.
Senti alguma coisa apertar no meu peito e, por um instante, todo o universo se reduziu ao verde dos seus olhos.
— Obrigada.
Adrian saiu e fiquei sozinha. Bem, quase. Um dos gatos continuou por ali; ele tinha o pelo preto e brilhante e os olhos amarelados. Deitado em uma das prateleiras mais altas, me observava, curioso, como se duvidasse que eu realmente conseguiria fazer aquilo funcionar. Éramos dois.
Por um momento, não consegui me mexer. Estava prestes a realizar magia por vontade própria. Todos os protestos e discussões que havia tido com a sra. Terwilliger eram palavras ao vento agora. Comecei a tremer e me senti sem ar. Então pensei em Sonya. A doce e corajosa Sonya, que havia dedicado tanto tempo e energia para fazer o que achava certo. Eu não tinha o direito de fazer menos que o possível.
Como tinha dito para a sra. Terwilliger, o feitiço era simples. Não exigia metade das etapas do amuleto de fogo. Precisava deixar a água ferver no caldeirão de cobre e acrescentar vários ingredientes, a maioria deles óleos transparentes que precisavam ser medidos com um cuidado minucioso. Logo o ar ficou pesado com os aromas de bergamota, baunilha e heliotrópio. Algumas etapas tinham a mesma redundância ritualística que eu já conhecia. Por exemplo, precisava colher treze folhas de menta frescas de uma das plantas dela, jogando uma por vez enquanto as contava em grego. Em seguida, depois de ficarem em infusão por treze minutos, precisava retirá-las, uma a uma, com uma colher de pau feita de jacarandá.
Antes de sair, a sra. Terwilliger havia me dito para me manter focada, pensando, ao mesmo tempo, nas etapas do feitiço e no objetivo final que pretendia atingir. Portanto, voltei os pensamentos para Sonya e a necessidade de encontrá-la, torcendo para que isso funcionasse. Quando finalmente terminei as etapas iniciais, vi que já havia passado quase uma hora. Nem tinha notado. Limpei o suor da testa, surpresa por ter transpirado tanto por causa do vapor que enchia o ambiente. Fui até onde a sra. Terwilliger e Adrian estavam, sem saber em que estranha atividade os encontraria. Estavam, porém, numa situação bem trivial, assistindo à TV. Ambos levantaram os olhos quando me aproximei.
— Pronto? — ela perguntou.
Fiz que sim.
— Está com cheiro de chá — Adrian comentou, enquanto me seguiam até a oficina.
A sra. Terwilliger examinou o pequeno caldeirão e aprovou com a cabeça.
— Parece excelente. — Não sabia como ela podia dizer isso só com uma simples olhadela, mas não tinha alternativa senão acreditar nela. — Agora, a clarividência em si envolve uma travessa de prata, certo? — Ela olhou para a prateleira de louças e apontou para algo. — Ali. Use aquilo.
Retirei uma travessa perfeitamente redonda com cerca de trinta centímetros de diâmetro. Era lisa e sem nenhum ornamento; havia sido tão polida que refletia praticamente como um espelho. Podia ter passado sem essa, já que meu cabelo e minha maquiagem deixavam evidente todo o cansaço daquele dia. Perto de qualquer outra pessoa, me sentiria constrangida. Coloquei a travessa na mesa e joguei um copo do líquido do caldeirão na superfície prateada. Todos os outros ingredientes haviam sido retirados e o líquido exibia uma transparência perfeita. Quando parou de ondular, o efeito de espelho retornou. A sra. Terwilliger me entregou um pequenino pote de incenso de gálbano, que segundo o livro deveria ser queimado durante o último estágio.
Com uma vela, acendi a resina, fazendo subir um aroma acre de ervas que contrastava com o perfume doce do líquido.
— Ainda está com o fio de cabelo? — a sra. Terwilliger perguntou.
— Claro. — Coloquei o fio sobre a superfície translúcida. Parte de mim queria ver algo acontecendo, como fumaça ou faíscas, mas havia lido as instruções e sabia que não aconteceria nada disso. Coloquei um banco ao lado da mesa, onde me sentei, permitindo que observasse o líquido de cima. — Agora eu fico olhando?
— Agora você fica olhando — ela confirmou. — Sua mente precisa estar ao mesmo tempo concentrada e aberta. Você precisa pensar nos componentes do feitiço, na magia que possuem e no seu desejo de encontrar essa pessoa. Ao mesmo tempo, precisa manter uma clareza de mente perfeita para se manter concentrada nessa sua tarefa sem desviar o foco.
Abaixei os olhos para o meu reflexo e tentei fazer todas aquelas coisas que ela tinha acabado de descrever. Nada aconteceu.
— Não estou vendo nada.
— Claro que não — ela respondeu. — Não passou nem um minuto. Falei pra você que este é um feitiço avançado. Pode levar um tempo para dominar por completo a força e o poder necessários. Mantenha-se concentrada na tarefa. Estaremos esperando.
Os dois saíram. Cravei os olhos na água, querendo saber o que ela queria dizer com “um tempo”. Antes, estava animada pela aparente simplicidade do feitiço. Agora, queria que houvesse mais ingredientes para misturar ou mais encantamentos para declamar. Essa magia avançada, que dependia da força de vontade e da energia mental, era muito mais difícil, principalmente por ser intangível. Eu gostava do concreto. Gostava de saber exatamente do que precisava para fazer algo acontecer. Causa e efeito.
Mas aquilo? Era apenas olhar e olhar, torcendo para me “manter concentrada” na tarefa, “sem desviar o foco”. Como poderia saber se estava fazendo aquilo certo? Mesmo se alcançasse esse estado, poderia levar um tempo para que aquilo de que precisava se manifestasse. Tentei não pensar nisso ainda. Sonya. Sonya era tudo que importava agora. Toda a minha força de vontade devia se concentrar no resgate dela.
Fiquei repetindo isso a mim mesma enquanto os minutos passavam. Toda vez que tinha certeza de que devia parar e perguntar à sra. Terwilliger o que fazer, forçava-me a continuar fitando a água. “Sonya. Sonya. Pense em Sonya.” E, mesmo assim, nada acontecia. Por fim, quando a dor nas costas tornou insuportável continuar sentada, me levantei para me alongar. Começava a ter cãibra em todos os músculos. Voltei para a sala; quase uma hora e meia havia se passado.
— Alguma coisa? — a sra. Terwilliger perguntou.
— Não — respondi. — Devo estar fazendo alguma coisa errada.
— Você está com a mente focada? Pensando nela? Em encontrá-la?
Eu estava cansada de ouvir falar sobre “foco”. Meu antigo medo da magia dava lugar à frustração.
— Sim, sim e sim — respondi. — Mas ainda não está funcionando.
Ela deu de ombros.
— E é para isso que temos uma prorrogação do toque de recolher. Tente outra vez.
Adrian me lançou um olhar solidário e fez menção de dizer alguma coisa, mas achou melhor ficar quieto. Eu estava quase saindo, mas um pensamento perturbador me deteve.
— E se ela não estiver viva? — perguntei. — Pode ser por isso que não está funcionando?
— Não — a sra. Terwilliger disse. — Você veria alguma coisa mesmo se ela não estivesse viva. E... bem, você iria saber.
Voltei para a oficina e tentei novamente, com os mesmos resultados. Quando fui falar outra vez com a sra. Terwilliger, vi que ainda não havia passado mais nem uma hora.
— Estou fazendo alguma coisa errada — insisti. — Ou isso ou fiz alguma besteira no estágio inicial. Ou então esse feitiço realmente está além das minhas capacidades.
— Se bem conheço você, o feitiço está impecável — ela disse. — E, não, ele não está além da sua capacidade, mas só você tem o poder de fazer acontecer.
Estava cansada demais para pensar na filosofia esotérica sem nexo dela. Eu me virei sem dizer uma palavra e me arrastei de volta para a oficina. Ao chegar, descobri que tinha sido seguida. Levantei os olhos para Adrian e suspirei.
— Sem distrações, lembra? — eu disse.
— Eu não vou ficar — ele disse. — Só queria ter certeza de que você está bem.
— Sim... Quer dizer, sei lá. Tão bem quanto dá para ficar com isso tudo. — Apontei para a travessa de prata. — Talvez realmente precise que você me tire daqui.
Ele pensou por um instante e fez que não com a cabeça.
— Não acho que seja uma boa ideia.
Eu o encarei, incrédula.
— O que aconteceu com aquele Adrian que dizia que não sou obrigada a fazer nada que não quiser? E que me defendia tão nobremente?
A sombra de um dos seus típicos sorrisos marotos passou pelo rosto dele.
— Aquilo valia quando você não queria fazer isso porque ia contra todas as suas crenças. Agora você já ultrapassou essa linha, e parece que seu único problema é um pouco de pessimismo e falta de fé em si mesma. E, sinceramente, isso é bobagem.
— Um pouco de pessimismo?! — exclamei. — Estou olhando para essa travessa de água há duas horas! É quase uma e meia da madrugada. Estou exausta, quero café, e todos os músculos do meu corpo estão latejando. Ah, e eu estou quase vomitando por causa daquele incenso.
— Isso tudo é um saco — ele concordou. — Mas acho que me lembro de ouvir você dando um sermão para todos nós um dia desses, sobre ter que aguentar as dificuldades para fazer o que é certo. Você está dizendo que não consegue fazer isso para ajudar Sonya?
— Faria qualquer coisa para ajudar Sonya! Quer dizer, qualquer coisa dentro da minha capacidade. E não acho que esse seja o caso.
— Sei não — ele ponderou. — Fiquei um bom tempo conversando com Jackie. Ela me deixa chamá-la assim, sabia? Mas, enfim, descobri um monte de coisas sobre esse negócio de magia humana. Dá pra fazer de tudo com isso.
— É errado — resmunguei.
— E, mesmo assim, aqui está você, com o poder de encontrar Sonya nas mãos. — Adrian hesitou e, em seguida, tomando uma decisão, deu um passo à frente e colocou as mãos nos meus ombros. — Jackie me disse que você é uma das pessoas com mais talento natural para isso que ela já encontrou na vida. Ela disse que, com um pouquinho de prática, um feitiço como este vai ser fichinha pra você, e tem certeza de que é capaz de fazê-lo agora. E eu acredito nela. Não porque possua provas de que você tem algum talento mágico, mas porque já vi como cuida de todas as outras coisas. Não vai fracassar nisso. Você nunca fracassa em nada.
Estava tão exausta que pensei que desataria a chorar. Queria desabar e que ele me levasse embora dali, como havia me prometido antes.
— Esse é o problema. Eu nunca fracasso, mas tenho medo de que fracasse agora. Não sei como é fracassar. E isso me deixa apavorada. — Ainda mais porque a vida de Sonya depende de mim.
Adrian levantou a mão e contornou o lírio na minha bochecha com o dedo.
— Você não precisa descobrir como é fracassar hoje, porque não vai fracassar. Você consegue. E eu vou ficar aqui o tempo que precisar, tudo bem?
Respirei fundo e procurei me acalmar.
— Tudo bem.
Assim que ele saiu, voltei para o meu banquinho e tentei ignorar o cansaço do corpo e da mente. Pensei no que ele havia dito, que eu não fracassaria. Pensei na confiança que depositava em mim. E, sobretudo, pensei em Sonya. Pensei em como estava desesperada para ajudá-la.
Todas essas coisas se alvoroçavam dentro de mim enquanto eu olhava fixamente para o líquido cristalino e para o fio de cabelo que boiava sobre ele: uma linha vermelha em meio a toda aquela prata. Parecia uma faísca de fogo, uma faísca cujo brilho foi se intensificando diante dos meus olhos até tomar uma forma mais definida, um círculo com linhas estilizadas irradiando dele. Um sol, percebi. Alguém havia pintado um sol laranja numa tabuleta de madeira pendurada em uma grade de ferro. Apesar da má qualidade do material, o artista havia tido muito cuidado ao pintá-lo, estilizando os raios e tomando cuidado para que tivessem comprimentos uniformes.
A grade em si era feia e industrial, e avistei o que parecia ser uma caixa de força presa a ela. A paisagem era estéril e amarronzada, mas as montanhas ao fundo indicavam que ainda era nos arredores de Palm Springs, numa área semelhante àquela em que Wolfe morava, fora da cidade e longe da vegetação. Através da cerca, atrás da tabuleta, avistei uma construção grande e larga...
— Ai!
A visão sumiu enquanto minha cabeça batia no chão — eu havia caído do banco.
Com dificuldade, consegui me sentar, mas minhas forças não me permitiam mais nada. O mundo estava girando ao meu redor, e sentia náuseas e o estômago vazio. Não soube dizer se haviam passado três segundos ou três horas quando ouvi o som de passos e vozes. Com seus braços fortes, Adrian me levantou. Me apoiei na mesa enquanto ele erguia o banco e me ajudava a sentar. A sra. Terwilliger tirou a travessa de prata da minha frente e, no lugar, pôs um prato simples com queijo e biscoitos salgados. Logo depois, trouxe também um copo de suco de laranja.
— Coma isso — ela disse. — Você vai se sentir melhor.
Eu estava tão fraca e desorientada que não hesitei. Comi e bebi como se não me alimentasse havia uma semana, enquanto Adrian e a sra. Terwilliger aguardavam, pacientes. Foi só quando limpei o prato que percebi o que havia comido.
— Queijo e suco de laranja? — resmunguei. — É gordura e açúcar demais a essa hora da noite!
— Que bom que não ficou nenhuma sequela — Adrian caçoou.
— Pode ir se acostumando se for usar muito a magia — a sra. Terwilliger advertiu. — Feitiços podem esgotar você. Não é raro a pressão cair depois deles. O suco de laranja vai virar seu melhor amigo.
— Nunca vou me acostumar porque não vou... — Perdi o fôlego conforme as imagens que havia visto na travessa de prata voltavam a se formar na minha mente. — Sonya! Acho que eu vi onde ela está! — Descrevi o que tinha visto, embora nenhum de nós tivesse ideia de onde aquele lugar ficava ou o que era.
— Tem certeza que era um sol normal? Com raios? — Adrian perguntou. — Porque pensei que os caçadores usassem aquele sol dos antigos alquimistas, o círculo com o ponto.
— Eles usam, mas esse definitivamente era... Ai, meu Deus. — Levantei o olhar para Adrian. — Precisamos voltar para Amberwood. Agora.
— Não depois de tudo isso — a sra. Terwilliger disse. Ela estava usando sua voz rígida de professora. — O feitiço exigiu mais de você do que eu esperava. Durma aqui e vou tomar as providências para que tudo seja esclarecido com a Desiree e a escola amanhã.
— Não. — Eu levantei e senti minhas pernas começarem a fraquejar, mas, no fim, aguentaram o peso do meu corpo. Adrian me envolveu com seu braço como apoio, visivelmente descrente na minha recuperação. — Preciso voltar pra lá. Acho que sei como podemos descobrir onde fica esse lugar.
Adrian estava certo sobre o sol que eu tinha acabado de descrever: não era o mesmo desenho da espada ou do folheto dos alquimistas. Não era o símbolo antigo. O sol da minha visão era uma versão mais moderna, e aquela não era a primeira vez que eu o via.
O sol da minha visão era exatamente igual ao da tatuagem de Trey.

2 comentários:

  1. Meu querido Trey... Não quero que ele esteja envolvido nessa organização, e se estiver, quero que ele saia logo!!!

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  2. Sabiaaaa!
    Ele ficava muito desconfortável com a tatuagem.

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