3 de outubro de 2017

Capítulo 12

QUANDO CHEGUEI AO RESTAURANTE, Brayden estava sentado à mesa com o laptop.
— Cheguei mais cedo — ele explicou. — Pensei em adiantar um pouco as lições. Fez o que tinha que fazer?
— Na verdade, sim. Estava pesquisando uns cursos de defesa pessoal. Você não vai acreditar o que eu encontrei.
Sentei ao lado dele na mesa para poder usar o laptop. Como sempre, ele cheirava a café. Cheguei à conclusão de que nunca me cansaria daquilo. Mostrei-lhe o site que havia encontrado antes de ir para lá. O site parecia ter sido feito dez anos antes e era decorado por vários GIFs animados. Escola de Defesa Wolfe — Malachi Wolfe, instrutor.
— Sério? — Brayden perguntou. — Malachi Wolfe?
— Ele não tem culpa do nome dele — eu disse. — E, veja, ele recebeu vários prêmios e recomendações. — Alguns eram relativamente recentes, mas a maioria era de alguns anos atrás. — E esta é a melhor parte.
Cliquei num link intitulado “Próximos cursos”. Malachi Wolfe tinha uma agenda muito cheia, mas havia uma parte promissora. No dia seguinte ele começaria a dar um curso de um mês de duração, com aulas semanais.
— Este não é exatamente o tipo de instrutor que eu tinha em mente — admiti —, mas as aulas já estão para começar.
— Não é um curso longo — Brayden acrescentou. — Mas pode dar uma base boa. Por que o interesse repentino?
A imagem do beco me veio na cabeça, com os quatro vultos na escuridão, e minha sensação de impotência ao ser jogada contra a parede. Minha respiração começou a acelerar e tive de me lembrar que não estava mais lá. Estava num restaurante iluminado, com um garoto que gostava de mim. Estava em segurança.
— É só uma coisa que acho importante as mulheres saberem — justifiquei. — Apesar de... ser aberto tanto para homens quanto para mulheres.
— Isso foi uma indireta para eu me inscrever? — A princípio pensei que ele estava falando sério, mas ao me virar para ele vi que estava sorrindo.
— Se você quiser — respondi, abrindo um sorriso. — Na verdade, eu estava pensando no... meu irmão. Ele também queria fazer.
— Acho melhor eu não me inscrever, embora eu queira fazer artes marciais como eletiva na faculdade. — Brayden fechou o laptop, e voltei para o outro lado da mesa. — Enfim, sua família é muito próxima. Não sei se deveria me intrometer.
— Talvez seja melhor mesmo — concordei, pensando que ele não sabia nem metade da história.
O jantar foi bom, assim como a conversa que se seguiu, sobre termodinâmica. Mas apesar de o assunto ser extremamente interessante, me peguei divagando muito. A todo momento precisava me reconcentrar no que Brayden estava falando. O ataque e o comentário espontâneo de Adrian sobre caçadores de vampiros haviam me dado muito o que pensar.
Mesmo assim, ficamos no restaurante bastante tempo, tanto que, quando saímos, já estava completamente escuro. Eu não havia estacionado muito longe, tampouco num lugar muito deserto, mas de repente a ideia de caminhar sozinha no escuro me causou arrepios. Brayden estava falando algo sobre voltar a me ver na festa quando notou minha expressão.
— Que foi? — ele perguntou.
— Eu... — Lancei o olhar rua abaixo. Dois quarteirões. Era essa a distância que me separava do carro. Havia pessoas na rua. E, mesmo assim, eu me sentia sufocando. — Você me acompanha até o carro?
— Claro — ele disse sem pensar duas vezes.
Mas me senti humilhada durante todo o caminho. Conforme tinha dito a Eddie e Adrian, não costumava precisar da ajuda dos outros. Precisar de alguém para algo tão simples como aquilo era especialmente humilhante. Rose não precisaria de escolta, pensei. Até mesmo Angeline não precisaria. Ela provavelmente esmurraria meia dúzia de pedestres só para não perder a prática.
— Está entregue — Brayden disse quando chegamos ao Pingado. Fiquei pensando se ele estaria me achando ridícula por precisar de escolta.
— Obrigada. Vejo você no sábado?
Ele assentiu.
— Tem certeza de que quer me encontrar lá? Posso buscar você, se quiser.
— Sei disso. E eu não me importaria de ir no seu carro. Sem ofensas, Pingado. — Dei um afago de consolação no carro. — Mas preciso levar meus irmãos. Fica mais fácil assim.
— Tudo bem — ele disse. O sorriso que me deu parecia tímido, em contraste com sua confiança prévia em assuntos acadêmicos. — Mal posso esperar para ver sua fantasia. Consegui a minha numa companhia de teatro. Claro que não é uma reprodução perfeita de um traje ateniense, mas foi o melhor que pude encontrar.
Tinha quase esquecido que havia deixado minha fantasia nas mãos da Lia. Brayden não era o único interessado em ver o que eu iria vestir.
— Também estou ansiosa — eu disse.
Após alguns instantes, comecei a estranhar por que ele ainda não tinha ido embora. Ainda estampava a mesma timidez e incerteza no rosto, como se estivesse reunindo coragem para dizer algo. Só que, como vim a descobrir, falar não era exatamente o que ele queria. Com uma grande demonstração de bravura, ele deu um passo à frente e me beijou. Foi bom, mas de novo não foi nada impressionante.
Pela expressão em seu rosto, porém, ele parecia ter sido enviado às alturas. Por que eu não tinha a mesma reação? Talvez estivesse fazendo alguma coisa errada. Será que eu tinha algum problema?
— Vejo você no sábado — ele se despediu.
Fiz uma nota mental para pesquisar sobre reação a beijos depois.
Voltei para o alojamento em Amberwood e mandei uma mensagem para Adrian enquanto entrava. Tem um curso de defesa pessoal que começa amanhã à noite. Setenta e cinco dólares. Apesar de ter demonstrado interesse na noite anterior, eu não botava muita fé de que ele tinha se livrado o suficiente da depressão para se dispor a fazer algo assim. Nem sabia se ele ainda estava frequentando o curso de arte. Um minuto depois, chegou a resposta: Estarei lá. E, logo depois: Vc pode me arranjar a grana?
Jill também estava entrando no alojamento, nós duas em cima da hora do toque de recolher. Ela sequer me notara, e parecia cismada e pensativa.
— Ei — gritei. — Jill?
Ela parou no meio do saguão e pestanejou, surpresa por me ver.
— Ah, oi. Estava com o namorado?
— Não sei se já o chamaria assim — respondi.
— Quantas vezes vocês saíram?
— Quatro.
— Ele vai levar você à festa?
— A gente combinou de se encontrar lá.
Ela deu de ombros.
— Pra mim, estão namorando.
— Pra mim, você está citando o guia de namoro da Kristin e da Julia.
Ela voltou a sorrir, mas não por muito tempo.
— Acho que é o senso comum mesmo.
Examinei-a, ainda tentando entender o que a estava deixando daquele jeito.
— Você está bem? Parece incomodada com alguma coisa. É... por causa de Adrian? Ele ainda está chateado?
Por um momento, estava mais preocupada com Adrian do que com ela.
— Não — ela disse. — Quer dizer, sim. Mas ele está um pouco melhor. Está animado com a ideia de fazer o curso de defesa pessoal com você.
O laço sempre me impressionava. Tinha mandado a mensagem para Adrian havia menos de um minuto.
— Animado? — perguntei. Aquela parecia uma reação muito forte.
— É uma distração. E o melhor que ele pode fazer quando está nesse estado é se distrair — ela explicou. — Mas ele ainda está triste. Ainda está deprimido por causa do pai.
— Não devia tê-lo levado a San Diego — murmurei, mais para mim mesma do que para ela. — Se tivesse me recusado, ele não teria conseguido ir.
Jill parecia cética.
— Não sei... Acho que ele teria encontrado um jeito, com ou sem você. O que aconteceu entre eles aconteceria mais cedo ou mais tarde.
Sua sabedoria era surpreendente.
— É que me sinto péssima por ver Adrian assim — comentei.
— O humor dele varia constantemente. Sempre foi assim — Jill disse, com o olhar distante. — Ele parou de beber um pouco, por minha causa. Mas isso abre espaço para... bem, é difícil explicar. Você sabe que o espírito pode enlouquecer as pessoas, certo? Então quando ele está triste desse jeito e fica sóbrio, se torna vulnerável.
— Você quer dizer que Adrian está ficando louco?
Aquela não era uma complicação para a qual eu estivesse preparada.
— Não, não exatamente. — Ela mordiscou o lábio enquanto procurava as palavras. — Ele só fica um pouco disperso... de um jeito esquisito. Você vai entender quando vir. Ele meio que faz sentido, meio que não. Fica alheio, divagando. Mas não como eu. Tem um... não sei dizer... um quê meio místico. Mas não é exatamente mágico. É como se... como se ele perdesse o controle por um tempo. Nunca dura muito, e como eu disse, você vai perceber quando vir.
— Acho que já vi acontecer... — eu disse, arrebatada pela lembrança de um momento pouco antes de Sonya e Dimitri chegarem à cidade. Eu estava na casa de Adrian e ele me olhou de um jeito estranho, como se fosse a primeira vez que prestava atenção em mim. Pensar naquilo ainda me dava arrepios.
Meu Deus, Sage. Os seus olhos. Como foi que eu nunca reparei neles? A cor... como ouro derretido. Eu poderia pintá-los.
— Mocinhas? — A sra. Weathers estava à mesa dela, guardando as coisas para a noite. — Está na hora de ir para o quarto.
Assentimos, resignadas, e subimos a escada. Ao chegarmos ao andar de Jill, a interrompi antes que pudesse entrar.
— Ei... se o problema não é o Adrian, então o que estava incomodando você lá embaixo? Está tudo bem?
— Hum? Ah, aquilo. — Ela corou, de seu jeito fofo. — Sim. Acho que está tudo bem. Não sei. Micah... me beijou hoje. Pela primeira vez. E acho que fiquei um pouco surpresa com o que senti.
Fiquei admirada por eles nunca terem se beijado antes e imaginei que devia ficar contente por isso. As palavras dela repercutiram dentro de mim.
— Como assim? Você achou muito menos emocionante do que esperava? Como se só estivesse tocando os lábios de alguém? Como se estivesse beijando um primo?
Ela me olhou, confusa.
— Não. Que loucura. Por que você pensaria isso?
— Hum, só estava chutando.
De repente me senti uma idiota. Por que só comigo beijar era assim?
— Na verdade, foi muito bom. — Seu olhar parecia distante. — Quer dizer, quase. Eu não consegui me deixar envolver tanto quanto queria porque estava muito preocupada com os caninos. É fácil escondê-los quando estou rindo ou conversando com alguém. Mas não durante um beijo. E tudo em que eu pensava era: “O que eu vou dizer se ele perceber?”. Então comecei a lembrar do que você e todo mundo disseram. Que essa história com Micah não era uma boa ideia e que não daria para manter as coisas sem contato físico pra sempre. Eu gosto dele, sabe. Gosto muito. Mas não o bastante para arriscar expor os Moroi... ou colocar a Lissa em risco.
— É uma atitude muito nobre.
— Acho que sim. Mas não quero terminar com ele agora. Micah é muito legal... e adoro todos os amigos que fiz graças a ele. Acho que vou esperar pra ver no que vai dar... Mas é difícil. Isso valeu como alerta.
Ela parecia muito triste ao entrar no dormitório.
No caminho para o meu, me senti mal por ela... mas ao mesmo tempo aliviada. Vinha me preocupando com aquele relacionamento entre ela e Micah, com medo de que logo enfrentaríamos uma situação dramática: ela se recusando a desistir dele porque aquele amor era tão grande que transcenderia as raças. Em vez disso, devia ter confiado mais nela. Ela não era tão imatura como eu às vezes imaginava. Jill entenderia a verdade e resolveria a situação por conta própria.
Suas palavras sobre Adrian grudaram na minha cabeça, particularmente quando, na noite seguinte, o busquei em casa para nossa primeira aula de defesa pessoal. Ele entrou no carro com uma atitude jovial, sem parecer deprimido ou louco. Estava, como notei, muito bem vestido, com roupas que teriam sido uma excelente escolha para a visita ao pai. E também reparou na minha roupa.
— Nossa, acho que nunca vi você usando uma coisa tão... casual.
Estava com uma calça de ginástica verde-oliva e uma camiseta de Amberwood.
— A descrição do curso dizia para usar roupas confortáveis... conforme mandei por mensagem para você — comentei, com um olhar significativo para sua camisa de seda.
— Esta camisa é muito confortável — ele me garantiu. — Além disso, não tenho nenhuma roupa de exercício.
Ao dar partida no carro, a mão esquerda de Adrian chamou minha atenção. A princípio, pensei que estivesse sangrando, mas então percebi que era tinta vermelha.
— Você voltou a pintar — eu disse, radiante. — Pensei que tivesse parado.
— É, Sage. Não dá para assistir às aulas de pintura e não pintar.
— Pensei que tivesse parado de ir às aulas também.
— Quase parei — ele disse, me olhando de canto. — Mas então lembrei que tinha convencido uma garota de que, se ela me desse uma chance e me colocasse naquele curso, eu faria tudo direitinho. Bem feito pra mim.
Abri um sorriso e acelerei o carro.
Havia saído com antecedência para termos tempo de cuidar da matrícula. Quando liguei para a Escola de Defesa Wolfe mais cedo naquele dia, um homem agitado havia me dito para aparecer com o pagamento em dinheiro, porque estávamos muito em cima da hora. O endereço era uma casa afastada do centro, instalada em um terreno vasto sem nenhum verde para amenizar o clima. O deserto dominava ali, dando à casa uma aparência triste e desolada. Se não fosse pelo WOLFE gravado na caixa de correio, acharia que estávamos no lugar errado.
— Esse é o tipo de lugar que vemos nos filmes — Adrian disse —, quando as vítimas ingênuas encontram assassinos em série.
— Pelo menos ainda está claro — falei. Desde a noite no beco, a escuridão havia se tornado uma ameaça inteiramente nova para mim. — Não pode ser tão ruim.
Adrian abriu a porta do carro.
— É o que nós vamos descobrir.
Tocamos a campainha e fomos recebidos pelo som de latidos e passos acelerados. Recuei, incomodada.
— Detesto cachorros mal adestrados — sussurrei para Adrian. — Eles precisam se comportar e andar na linha.
— Assim como as pessoas na sua vida, né? — Adrian zombou.
A porta se abriu e demos de cara com um senhor de cinquenta e poucos anos, com uma barba loira desgrenhada, vestindo bermuda e uma camiseta da banda Lynyrd Skynyrd. Para completar, ele usava um tapa-olho.
— Impressionante — ouvi Adrian murmurar. — Superou meus sonhos mais loucos.
Fiquei assustada. Aquele tapa-olho me fez pensar no olho de vidro de Keith, que por sua vez me lembrou do meu envolvimento no “acidente” em que ele o conseguiu. Não era algo que eu gostasse de lembrar, o que me fez imaginar quais eram as chances de ter dado de cara com outro homem de um olho só. Ele empurrou os cachorros de lado — aparentemente de uma raça mestiça de Chihuahua —, que por pouco não conseguiram escapar antes de ele fechar a porta.
— Pois não? — perguntou.
— Nós... estamos aqui para o curso. De defesa pessoal. — Achei necessário especificar, afinal, vai que ele também ensinasse a cuidar de cães e navegar os sete mares. — Meu nome é Sydney; este é Adrian. Eu liguei hoje de manhã...
— Ah, sim, sim — ele assentiu, coçando a barba. — Você trouxe o dinheiro? Só aceito dinheiro vivo.
Tirei do bolso cento e cinquenta dólares e lhe entreguei. Por força do hábito, quase pedi um recibo, mas achei melhor não. Ele enfiou o dinheiro no bolso da bermuda.
— Está bem. Vocês estão dentro. Vão em frente e esperem na garagem até os outros chegarem. A porta lateral está aberta.
Ele apontou para uma grande construção de aparência industrial, duas vezes maior do que a casa, do outro lado do terreno. Sem esperar para ver se iríamos obedecer, ele se esgueirou para dentro, onde estavam seus cães barulhentos.
Fiquei aliviada ao ver que a parte interna da garagem era a única coisa que parecia legítima. Havia colchonetes no chão e espelhos em algumas paredes. Uma televisão e um videocassete ficavam num carrinho, ao lado de uma pilha de fitas empoeiradas sobre defesa pessoal. Um pouco mais desconcertante eram alguns itens da decoração, como um par de nunchakus, arma composta por dois bastões pequenos ligados por uma corrente, que estava pendurada na parede.
— Não toque nisso! — adverti Adrian ao vê-lo seguir naquela direção. — Não é prudente mexer nas coisas de um cara daqueles.
Adrian não encostou.
— Você acha que a gente vai aprender a usar isso?
— A descrição do curso não dizia nada sobre armas. Só sobre defesa pessoal básica e combate corpo a corpo.
— Por que vir até aqui, então? — Adrian perguntou, caminhando até um expositor de vidro que continha vários tipos de socos-ingleses. — Esse é o tipo de coisa que Castile faz o dia inteiro. Ele poderia ter nos ensinado.
— Queria alguma coisa mais acessível — expliquei.
— Como o capitão McBermudaTropical? Aliás, onde você encontrou esse cara?
— Na internet. — Sentindo que precisava defender minha busca, acrescentei: — Ele era muito bem recomendado.
— Por quem? Pelo capitão Gancho?
Não consegui segurar o riso.
O resto da turma foi chegando aos poucos ao longo da meia hora seguinte. A primeira foi uma senhora de uns setenta anos. A segunda, uma mulher que havia acabado de dar à luz seu quarto filho e decidira que precisava “aprender a protegê-los”. As duas últimas mulheres da turma tinham vinte e poucos anos e usavam camisetas com slogans feministas radicais. Adrian e eu éramos os mais jovens ali. E ele era o único homem — além do instrutor, que pediu para ser chamado simplesmente de Wolfe.
Estava começando a ter um mau pressentimento, especialmente quando a aula começou. Nós seis nos sentamos no chão enquanto Wolfe, apoiado em um dos espelhos, nos encarava.
— Se vocês estão aqui — começou —, provavelmente já querem aprender a usar aquilo — ele disse, apontando para os nunchakus.
Vislumbrei o rosto do Adrian pelo espelho, cuja expressão dizia: Sim, é exatamente isso que eu quero aprender.
— Bem, é uma pena — Wolfe disse. — Vocês nunca vão usar. Pelo menos não neste curso. Ah, não nego que eles tenham sua utilidade. Salvaram minha vida mais de uma vez quando eu caçava no Alasca há alguns anos. Mas se prestarem atenção no que vou ensinar a vocês, nunca precisarão de um desses. Afinal, não temos alces raivosos aqui em Palm Springs.
A que tinha acabado de ter um filho levantou a mão.
— Você usou nunchakus contra um alce?
Os olhos de Wolfe escureceram.
— Usei todo tipo de coisa contra aquele canalha. Mas não é esse o ponto agora... Ouçam o que vou dizer. Com um pouco de bom senso, vocês não precisam de armas. Ou punhos. Você — ele disse, para a minha surpresa apontando para mim, me encarando com seu olhar caolho de aço. — O que eu disse quando você chegou?
Engoli em seco.
— Para dar o dinheiro, senhor.
— E depois?
— Para esperarmos aqui.
Ele assentiu, satisfeito — então, aparentemente, minha resposta óbvia estava certa.
— Estamos a três quilômetros de qualquer outra casa e a quase um quilômetro da rodovia. Você não me conhece e, convenhamos, este lugar parece saído de um filme de terror com assassinos em série. — Pelo canto do olho, vi Adrian me lançando um olhar triunfante. — Mandei vocês entrarem numa construção distante com pouquíssimas janelas. Vocês entraram. Olharam em volta ao virem para cá? Examinaram os arredores antes de entrar? Verificaram as saídas?
— Eu...
— Não, claro que não — ele interrompeu. — Ninguém nunca faz isso. E essa é a primeira regra de defesa pessoal. Não presuma nada. Você não precisa viver morrendo de medo de tudo, mas saiba o que está ao seu redor. Sejam espertos. Não entrem incautos em becos ou estacionamentos escuros.
E, a partir daí, não despreguei os olhos dele.
Wolfe era surpreendentemente bem preparado. Trouxe inúmeras histórias e exemplos de agressões, que me faziam pensar que os humanos eram as criaturas mais perversas no mundo, não os vampiros. Ele nos mostrou imagens e diagramas de lugares perigosos, destacando suas vulnerabilidades e dando conselhos muito práticos que deveriam ser óbvios para a maior parte das pessoas — mas não eram. Quanto mais ele falava, mais idiota eu me sentia pelo que tinha acontecido com Sonya. Se aqueles homens quisessem mesmo atacá-la, teriam encontrado um jeito, de uma maneira ou de outra. Mas havia milhões de coisas que eu poderia ter feito para ser mais cuidadosa e, quem sabe, evitar o confronto que aconteceu naquela noite. Essa ideia se mostrou uma parte importantíssima da filosofia de Wolfe: evitar o perigo em primeiro lugar.
Mesmo quando finalmente passamos a discutir alguns golpes básicos, a ênfase era em usá-los para poder fugir, não para ficar e tentar derrotar o agressor. Ele nos deixou praticar alguns golpes na última meia hora de aula, formando pares para trabalharmos juntos contra um boneco, já que não queríamos machucar uns aos outros.
— Graças a Deus — Adrian disse, quando começamos os exercícios como parceiros. — Pensei que tinha vindo para um curso de luta para aprender a não lutar.
— Mas ele tem razão — eu disse. — Se der para evitar a briga, tanto melhor.
— E se não der? — Adrian perguntou. — Como com seus amiguinhos espadachins? O que você faz quanto está numa enrascada?
Dei um tapinha em nosso boneco inexpressivo.
— Essa é a função disto.
O principal golpe que Wolfe havia nos ensinado era como se livrar de uma chave de braço se alguém nos agarrasse por trás. Ele tinha algumas técnicas que não eram muito mais complexas do que cabecear ou pisotear.
Adrian e eu nos revezamos como agressor enquanto a vítima praticava as manobras — em câmera lenta e quase sem contato físico com o parceiro. Era para isso que serviam os bonecos. Eu era uns dez centímetros mais baixa do que Adrian e portanto uma agressora bem improvável, o que nos fazia rir toda vez que eu lhe dava um golpe. Wolfe nos repreendeu por não estarmos sendo suficientemente sérios, mas nos elogiou por termos aprendido as técnicas rápido.
Isso me deixou tão convencida que, quando Adrian virou as costas para pegar água, me movi furtivamente atrás dele e lancei os braços em volta de seu pescoço. Wolfe havia nos ensinado como se livrar daquele tipo de chave de braço e, sinceramente, pensei que Adrian tivesse visto que eu estava atrás dele e que desviaria antes mesmo que eu encostasse nele. Aparentemente não. Ele congelou e, por um momento, paramos no tempo. Eu sentia a seda da camisa dele roçando minha pele e o calor de seu corpo. O perfume remanescente da colônia caríssima que ele usava pairou no ar ao meu redor. Incrivelmente, não cheirava a cigarro. Eu sempre dizia que a colônia não poderia valer o quanto ele gastava com ela, mas, naquele momento, eu reconsiderei. Era maravilhosa.
Estava tão absorta por aquela sobrecarga sensorial que fui pega completamente de surpresa quando ele me empurrou.
— O que você está fazendo? — esbravejou.
Pensei que ele ficaria impressionado com meu ataque surpresa, mas não havia nem aprovação nem bom humor em seu rosto. Meu sorriso se desfez.
— Testando se você conseguia lidar com um ataque surpresa. — Meu tom era hesitante. Não sabia o que tinha feito de errado. Ele parecia desconfortável. Quase angustiado. — Qual é o problema?
— Nenhum — ele respondeu, áspero. Por um instante, seus olhos se fixaram nos meus com uma intensidade que me fez perder o ar. Então ele desviou o olhar, como se não suportasse olhar para mim. Me senti mais confusa do que antes. — Nunca pensei que veria o dia em que você fosse colocar os braços em volta de um vam... de alguém como eu.
Mal notei que ele quase deixara passar a palavra “vampiro” em público. O que ele disse me sobressaltou. Ele tinha razão: eu o havia tocado sem nem mesmo pensar sobre isso — e não num aperto de mão formal como de costume. Claro que estávamos no contexto do curso, mas sabia que, meses antes, não teria feito isso em hipótese alguma. Tocá-lo agora parecia perfeitamente natural. Teria sido esse o motivo para ficar angustiado? Será que estava preocupado com a minha relação com os alquimistas?
Wolfe passou por nós.
— Bom trabalho, garota. — Em seguida, deu um tapa nas costas de Adrian que quase o fez cair para a frente. — Você estava completamente despreparado para ela.
Isso pareceu deixar Adrian ainda mais aflito, e pude jurar que o ouvi murmurando: “Com certeza”.
Parte da presunção de Adrian voltou durante o trajeto de volta, mas ele ainda estava pensativo e em silêncio. Fiquei tentando entender mais essa mudança de humor.
— Precisa passar no Clarence para se alimentar?
Talvez a aula o tivesse exaurido.
— Não — ele disse. — Não quero atrasar você. Mas, talvez... você possa vir no fim de semana e vamos todos juntos para lá?
— Tenho a festa no sábado — eu disse, me justificando. — E acho que Sonya vai levar Jill para a casa do Clarence amanhã, depois da aula. Acho que ela pode pegar você também.
— Acho que sim — ele respondeu. Ele parecia desapontado, mas um dia não era tanto tempo assim para esperar pelo sangue. Talvez ele estivesse com medo de que Sonya voltasse a chamá-lo para os experimentos, o que não seria uma má ideia, pensei. De repente, ele abandonou a postura relaxada e se endireitou. — Por falar em Sonya... fiquei pensando uma coisa agora há pouco. Uma coisa que Wolfe disse.
— Ora, ora, Adrian. Então você estava prestando atenção?
— Não comece, Sage — ele advertiu. — Wolfe é maluco, e você sabe disso. Mas quando estava discorrendo suas palavras de sabedoria, ele mencionou aquilo sobre não dar informações pessoais a estranhos, e sobre como as vítimas costumam ser escolhidas antes da agressão. Lembra?
— Sim, eu estava lá — respondi. — Não faz nem uma hora.
— Certo. Então. Aqueles homens que atacaram você e Sonya pareciam saber que ela era uma vampira... Do tipo errado, mas ainda assim. O simples fato de terem aparecido com uma espada significa que eles tinham feito uma pesquisa. Quer dizer, é possível que eles a tenham visto na rua um dia, por acaso, e pensaram: “Ah, uma vampira”. Mas talvez eles já a estivessem seguindo por um tempo.
Tenham visto na rua... Prendi a respiração enquanto mil peças se encaixavam na minha cabeça de uma só vez.
— Adrian, você é um gênio.
Ele se sobressaltou.
— Hein? O que você disse?
— Uma semana antes do ataque, Sonya e eu saímos para buscar comida e encontramos um cara aleatório que afirmou conhecê-la do Kentucky. Ela ficou bem inquieta, porque durante todo o tempo que esteve lá ela era Strigoi e, claro, não tinha muitos amigos humanos.
Adrian levou alguns instantes para digerir a história.
— Então... você quer dizer que eles já estavam pesquisando Sonya havia um tempo.
— Na verdade, foi você quem disse isso.
— Certo. Porque eu sou um gênio. — O silêncio voltou a reinar enquanto avaliávamos as implicações da situação de Sonya. Quando Adrian voltou a se pronunciar, seu tom não era nada brincalhão. — Sage... Ontem à noite, você não respondeu minha mensagem sobre caçadores de vampiros.
— Os alquimistas não têm registros sobre caçadores de vampiros modernos — respondi automaticamente. — Meu pai me disse uma vez que, de vez em quando, alguns humanos descobrem a verdade. Pensei que o ataque contra ela fosse alguma coisa assim, e não um grupo organizado ou uma conspiração.
— Existe a possibilidade remota de que, de algum jeito, em algum ponto, os alquimistas deixaram passar alguma coisa? E o que você quer dizer exatamente por “moderno”?
A história dos alquimistas estava quase tão incrustada em mim quanto as crenças que regiam nossos atos.
— Há muito tempo, tipo, na Idade Média, quando os alquimistas estavam se formando, muitas facções tinham ideias diferentes sobre como lidar com os vampiros. Nenhuma acreditava que os humanos deviam ter contato com eles. Os que, tempos depois, formaram meu grupo concluíram que a melhor maneira de lidar com os Moroi era simplesmente mantê-los longe dos humanos. Mas havia outros que não gostavam dessa ideia: eles achavam que a melhor maneira de manter os humanos em segurança era erradicando os vampiros, de todos os meios possíveis.
Mais uma vez estava me baseando em fatos, minha velha armadura. Se eu pudesse encontrar alguma maneira racional de descartar a possibilidade de que um grupo de caçadores de Moroi realmente existisse, não precisaria reconhecer as implicações disso.
— Então eles eram caçadores de vampiros — Adrian ressaltou.
— Sim, mas eles fracassaram. Eram vampiros demais, contando Moroi e Strigoi, contra um grupo tão pequeno como aquele. Acho que os últimos registros que temos são da Renascença. Os caçadores acabaram desaparecendo.
Até eu podia ouvir a insegurança na minha voz.
— Você disse que a espada tinha símbolos alquimistas nela.
— Símbolos antigos.
— Antigos o suficiente para serem do tempo em que o tal grupo dissidente estava se dissolvendo?
— Sim — respondi com um suspiro. — O suficiente.
Queria fechar os olhos e me afundar no assento. Minha armadura começava a rachar. Ainda não tinha certeza absoluta de que podia aceitar a ideia de caçadores de vampiros, mas não podia descartar essa possibilidade.
Pelo canto do olho, conseguia ver Adrian me examinando.
— Por que o suspiro?
— Porque eu devia ter ligado essas coisas antes.
Ele parecia muito satisfeito por eu ter reconhecido.
— Bem, mas você não acredita em caçadores de vampiros. É realmente difícil acreditar que eles possam representar uma ameaça real quando se vive num mundo baseado em dados e fatos concretos, não é? E como eles poderiam ter passado despercebidos por vocês durante tanto tempo?
Depois que Adrian me dera a semente, a ideia já estava germinando na minha cabeça.
— Porque, se eles existirem, só estão matando Strigoi. Se algum grupo estivesse acabando com os Moroi, seu povo já teria notado. Os Strigoi não são tão organizados e, mesmo se notassem, não reportariam esses assassinatos para nós de maneira alguma. Além disso, os Strigoi vivem morrendo pelas mãos de Moroi e dampiros. Se mais alguns aparecessem mortos, eles culpariam vocês... Isso se alguém descobrisse, porque basta descartar o corpo de um Strigoi em plena luz do sol que ninguém nunca vai descobrir que ele esteve lá.
Respirei aliviada com essa conclusão. Se esse grupo de pessoas realmente existisse, elas não estavam matando Moroi. Mesmo assim, caçar Strigoi era perigoso. Apenas os alquimistas sabiam lidar direito com a destruição daqueles demônios e manter as mortes em segredo da maioria dos humanos.
— Você poderia perguntar a outros alquimistas sobre os caçadores? — Adrian indagou.
— Não, não por enquanto. Consigo fuçar uns arquivos, mas nunca poderia trazer isso à tona oficialmente. Eles se manteriam firmes à mesma teoria do meu pai, de que foi apenas um grupo aleatório de humanos esquisitos. E me dispensariam, rindo da minha cara.
— Sabe quem não iria rir da sua cara?
— Clarence — dissemos ao mesmo tempo.
— Taí uma conversa pela qual não estou ansiosa — eu disse, abatida. — Mas, querendo ou não, ele realmente pode saber alguma coisa. E essa paranoia dele pode ser útil. Por exemplo, toda aquela segurança que ele quer instalar em casa. Se esse grupo realmente tiver enfiado na cabeça que precisa ir atrás de Sonya, ela pode estar correndo muito mais perigo do que imaginávamos.
— Precisamos falar com Belikov. Ele é muito bom em proteger as pessoas. E não vai dormir se o convencermos de que ela está em perigo, o que parece bem provável depois do ataque com a espada.
Notei que, pela primeira vez, Adrian havia falado de Dimitri sem nenhuma amargura. Na verdade, o elogio soava sincero. Ele realmente acreditava na capacidade de Dimitri. No entanto, não comentei nada sobre isso. Para Adrian superar o ódio que sentia por Dimitri, ele precisaria ir aos poucos e sem nenhuma ajuda externa.
Deixei Adrian na casa dele com planos para conversarmos depois. Assim que cheguei a Amberwood, a sra. Weathers me chamou.
O que será dessa vez?, pensei. Estava me preparando para ouvir que Angeline tinha botado fogo em alguma coisa. Mas, em vez disso, o rosto da sra. Weathers estava plácido e até agradável, então me atrevi a esperar pelo melhor.
— Chegou uma coisa para você, querida — ela disse. Do pequeno gabinete atrás de sua mesa, ela retirou dois cabides com roupas envoltas num saco com zíper. — Uma baixinha agitada deixou isso aqui.
— Lia — eu disse, pegando os cabides, curiosa para ver o que tinham dentro. — Obrigada.
Estava prestes a ir embora quando a sra. Weathers continuou a falar.
— Mais uma coisa. A sra. Terwilliger deixou isto para você.
Tentei manter a expressão neutra. Já estava com tarefas da sra. Terwilliger até o pescoço. O que seria dessa vez? A sra. Weathers me entregou um grande envelope, do tamanho de um livro, em que estava escrito: Isto não faz parte dos estudos. Talvez você não odeie. Voltei a agradecer a sra. Weathers e segui meu caminho para o quarto. Depois de colocar os sacos com as roupas na cama sem abrir, rasguei o envelope de imediato. Algo no bilhete dela me incomodara.
Não fiquei surpresa ao ver que se tratava de outro livro de feitiços. O que me surpreendeu foi o fato de aquele ser diferente dos outros livros que ela costumava me passar para os estudos. Era recente, moderno. Não havia o nome da editora, então imaginei que fosse uma publicação independente, mas estava claro que tinha sido impresso e encadernado nos últimos anos. Era espantoso. Propositalmente, nunca havia perguntado à sra. Terwilliger sobre seus amigos bruxos ou sobre o estilo de vida deles, mas sempre supus que eles lessem aqueles velhos livros empoeirados que ela me dava para traduzir e copiar. A ideia de que pudessem estar trabalhando por conta própria em livros novos e atualizados nunca havia me passado pela cabeça — embora devesse.
Contudo, não tive tempo para me culpar, não depois de ver o título do livro: A adaga invisível: Feitiços práticos de ataque e defesa. Ao folheá-lo, vi que os feitiços eram exatamente como o título sugeria, mas escritos em um estilo mais moderno do que eu estava acostumada. Havia referências às origens de cada um, que variavam muito, mas sua eficácia dos feitiços era sempre a mesma. Todos podiam ser lançados em pouquíssimo tempo, ou então poderiam ser feitos previamente e produziriam efeitos destrutivos imediatos, como o amuleto de fogo.
Era exatamente o tipo de feitiço sobre o qual eu tinha perguntado à sra. Terwilliger.
Furiosa, enfiei o livro de volta no envelope. Que audácia a dela tentar me atrair desse jeito! Será que ela achava que aquilo compensaria tudo o que me fez passar? A sra. Weathers ainda devia estar lá embaixo, e eu estava quase decidida a deixar o livro com ela dizendo que me enviaram por engano. Ou eu poderia simplesmente deixar na escrivaninha da sra. Terwilliger logo na manhã seguinte. Desejei nem ter aberto o envelope. Devolvê-lo à remetente fechado teria sido uma reafirmação poderosa de que ela não me convenceria a entrar em nenhum grupo de magia só porque encontrara um tópico do meu interesse.
No entanto, a sra. Weathers sabia da minha ligação com a sra. Terwilliger e, caso eu tentasse devolvê-lo ainda naquela noite, ela simplesmente diria para eu entregá-lo à sra. Terwilliger na manhã seguinte. Então eu teria de ficar com aquilo até de manhã de qualquer jeito. Me consolei pegando uma fita adesiva. Afinal, se não tinha como voltar atrás e não abrir o envelope, pelo menos havia algo psicologicamente reconfortante em lacrá-lo novamente.
Porém, quando comecei a desenrolar a fita, minha mente me levou de volta à noite com Adrian e Wolfe. Wolfe havia me acalmado um pouco com seus lembretes constantes de que, em sua maioria, os ataques eram fortuitos e causados por descuidos da vítima. Saber daquilo e aprender a que deveria me atentar me fizera sentir no controle da situação. Ele havia mencionado alguns ataques de caráter mais premeditado ou pessoal, mas esses obviamente não eram seu foco. Entretanto, eles me lembraram da conversa com Adrian. E se as histórias de Clarence fossem verdadeiras? E se os caçadores de vampiros realmente existissem? Sabíamos que o ataque contra Sonya não tinha sido por acaso, mas se ela realmente estava lidando com uma facção que existia desde a Idade Média... então meus temores e os de Adrian estavam certos. Eles iriam atrás dela novamente, e não se deteriam mesmo que evitássemos estacionamentos escuros e isolados ou caminhássemos com confiança.
Olhei para o envelope e decidi que era melhor não lacrar por enquanto.

Um comentário:

  1. Apesar desse capítulo todo ser muito intenso, essas partes ainda me fizeram dar umas risadas:
    "Até mesmo Angeline não precisaria. Ela provavelmente esmurraria meia dúzia de pedestres só para não perder a prática."
    "— Você usou nunchakus contra um alce?
    Os olhos de Wolfe escureceram.
    — Usei todo tipo de coisa contra aquele canalha. Mas não é esse o ponto agora... "

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Boa leitura :)