30 de outubro de 2017

Capítulo 10

Sydney

A GRAVIDEZ DE OLIVE SINCLAIR já não era a novidade mais surpreendente do momento.
Ou pelo menos tinha uma forte concorrente em nível de esquisitice.
Ficamos parados e constrangidos no meio da trilha enquanto passarinhos cantavam alegremente ao nosso redor, tornando essa inesperada revelação familiar ainda mais surreal. Até mesmo Rose, que quase sempre tinha o que dizer, estava sem palavras. O Moroi Rand Ivashkov pestanejou ao ver Dimitri, como se estivesse diante de um fantasma.
Parte da arrogância de Rand diminuiu e ele deu um passo para trás, apreensivo.
— Olha só que coisa. É você, Dimka. — Ele lambeu o lábio e tentou sorrir. — Você está muito bem para alguém que era um morto-vivo até pouco tempo, não? — Ele encarou o resto de nós, esperando que ríssemos da piada. Continuamos em silêncio.
Dimitri se voltou para Lana.
— Ele está causando algum problema? — o dampiro perguntou com educação. — Estão com dificuldades de tirá-lo daqui? Vai ser um prazer fazer isso por vocês.
— A gente sabe se virar — ela retrucou delicadamente. Como se invocadas por um sinal silencioso, Mallory e outra dampira, que parecia uma segurança, surgiram na trilha atrás de Lana. Mallory não agia mais como uma fã extasiada. Naquele momento, sua postura era tão formidável quanto a de qualquer guardiã que eu já conhecera.
Rand relaxou um pouco.
— Viu? Não precisa se precipitar.
Lana fixou o olhar nele.
— Isso não significa que você é bem-vindo aqui.
— Ei — ele disse, retomando a confiança. — Tenho todo direito de estar aqui. Vim visitar Elaine. Ela é uma residente. Ela pode receber visitas.
— Ela pode receber as visitas que eu autorizar — Lana corrigiu, com as mãos no quadril. — E já falei que não quero você bebendo aqui.
Ele ergueu a mão num gesto aparentemente apaziguador.
— Certo, não vou tomar mais nenhuma gota. Juro. Mas você não pode me expulsar agora… não com meu filho e meu sobrinho aqui. Essa é quase uma reunião familiar.
Rose finalmente recuperou a voz e se dirigiu a Dimitri.
— Jura? Esse cara? Tem certeza?
Eu estava tão incrédula quanto ela.
Dimitri manteve o olhar frio fixo no tio de Adrian.
— Absoluta. Mas achava que ele estivesse vadiando pela Europa.
Rand balançou a cabeça.
— Faz anos que não vou pra lá. No trabalho que Nate me arranjou falaram que não precisavam mais dos meus serviços de consultor. Como Olena está?
— Nunca mais repita o nome da minha mãe na minha frente — Dimitri grunhiu.
— Jura? — Rose repetiu. — Esse cara?
A menção da mãe de Dimitri e do pai de Adrian, que nunca tinha ouvido ser chamado de Nate, chamou a atenção para a revelação mais surpreendente de todas. O queixo de Adrian caiu quando ele também se tocou.
— A gente… isso quer dizer que… a gente é primo? — ele exclamou, voltando-se para Dimitri.
Os olhos de Rose se arregalaram ainda mais.
Perto de nós, Olive se mexeu, constrangida, e colocou a mão na lombar, com uma expressão de dor. Por mais inesperado que fosse esse drama familiar para nós, imaginei que, para ela, não era nada interessante perto de tudo que estava acontecendo em sua vida.
Dimitri se aproximou na hora e segurou o braço dela.
— Você está cansada. Não precisa ficar aqui em pé aturando tudo isso. Vou levar você de volta. — Ele começou a conduzir Olive na direção da cabana de Diana, mas parou para lançar um olhar a Lana. — A decisão do que vai fazer com ele é sua, mas eu teria o maior prazer de me livrar dele, se você quiser.
— Deixa que nós cuidamos disso — ela respondeu.
Dimitri concordou e levou Olive embora, como um cavaleiro de conto de fadas bizarro. Rose pareceu dividida, sem saber se ia com eles ou ficava, e finalmente decidiu seguir a dupla pela trilha. Lana se voltou para mim e para Adrian.
— Vocês se responsabilizariam por ele se ficasse?
— Meu tio? — Adrian perguntou. — De jeito nenhum. Faz anos que não o vejo. Não sei nada sobre ele.
— Ah, qual é? — Rand gritou. — Nós somos da mesma família. E Lana, você não pode me expulsar. O sol vai se pôr daqui a pouco. Houve relatos de alguns Strigoi na região esta semana.
Pensei que ele estava exagerando por benefício próprio, mas a expressão grave de Lana mostrou que não.
— Tudo bem. Você pode passar a noite na área de hóspedes na frente da comunidade.
Ela apontou para as cabanas particulares.
— Não tem por que se preocupar. Aposto que Elaine…
— Área de hóspedes — Lana repetiu mais alto. — Ou pode sair agora.
Rand soltou um suspiro dramático, como se estivesse sofrendo um inconveniente terrível, e não recebendo uma enorme gentileza.
— Certo. Pelo menos você me leva até lá, Adrian? Depois pode voltar para a dampira que engravidou.
Adrian fechou a cara mas não o corrigiu. Lana já estava indo embora, sem deixar outra escolha para mim e Adrian além de caminhar com Rand. Mesmo assim, notei as guardas nos seguindo a uma distância respeitosa enquanto caminhávamos até a entrada da comunidade. Lana não iria deixar Rand sem vigilância.
— Como vai seu pai? — Rand perguntou, amigável. — E sua mãe?
— Eles se separaram — Adrian respondeu. — Pensei que você soubesse.
— Nate não fala mais comigo. Ninguém fala. Preciso conseguir todas as informações por fofocas de segunda mão. — Ele parecia terrivelmente incomodado com isso. Deu para ver que era o tipo de pessoa que sentia muita pena de si mesmo.
— Talvez você devesse pensar a respeito disso — Adrian retrucou. — Se “ninguém” fala com você, talvez o problema não sejam eles. Talvez seja você.
Ele lançou um olhar para Adrian de soslaio.
— Não banca o certinho. Já falei, ouvi muito de você. Você e sua… esposa humana. — Rand parou de repente ao se tocar. Seu olhar pousou em mim, depois se voltou para Adrian. — Espera aí… Ela? A alquimista? E vocês estão assim… em público? Sem nenhuma vergonha?
Adrian manteve uma calma extraordinária.
— O nome dela é Sydney. E não temos por que ter vergonha. Humanos e Moroi casavam antigamente. Ainda casam entre os Conservadores. Eu e Sydney nos amamos. É tudo que importa.
Rand balançou a cabeça, incrédulo.
— Bom, então bem-vinda à família, Sydney. Pelo menos assim não sou o foco dos escândalos. — Ele virou para Adrian. — Mas vou te contar: nossa tia deve estar se revirando na tumba.
— Acho que ela não veria problema nenhum. Eu a conheço muito bem — Adrian disse. Um momento depois, pareceu perceber o que tinha falado. — Quer dizer, a conhecia muito bem. — Eu o observei com atenção, tentando descobrir se tinha sido um ato falho. Desde que ele admitira para mim que ouvia a voz da tia na cabeça, se recusava a explicar com que frequência ela falava com ele. Sem parecer abalado, ele manteve a atenção em Rand. — Por que você não foi ao funeral dela?
Rand deu de ombros e diminuiu o passo até pararmos diante de uma cabana em que estava escrito HÓSPEDES.
— Não gosto de funerais. Além disso, não dava tempo de voltar quando fiquei sabendo. Estava na Europa quando aconteceu.
— Rússia? — perguntei. Eu tinha passado bastante tempo na Rússia e estava certa de que lembraria de ter visto alguém tão detestável quanto Rand Ivashkov nos círculos Moroi.
— França — Rand respondeu. — Faz tempo que não vou para a Rússia.
— Você foi pra lá pelo menos uma vez — Adrian apontou. — Se Dimitri realmente é seu filho.
Rand se empertigou.
— Ele é, e estive lá várias vezes. Mas aquela família nunca teve consideração por mim, então não fui mais.
Adrian o encarou com desconfiança.
— Jura? É só isso a história? Apesar de durão, Dimitri é o tipo de pessoa que perdoa fácil. Acho que não tem como não ser, depois de já ter sido Strigoi. Mas com você ele estava furioso.
Rand desviou o olhar.
— Eu e a mãe dele já não nos dávamos muito bem. Os meninos exageram com esse tipo de coisa, só isso. — Ele subiu o degrau da entrada da cabana. — Vocês vão entrar? É bom já escolher o quarto antes que os outros homens que vão passar a noite aqui apareçam.
— Não vamos ficar aqui — Adrian disse.
Rand apontou para o horizonte, que escurecia.
— Vocês vão ficar. Essa é a única hospedaria da comunidade. Onde mais ficariam?
Eu e Adrian nos entreolhamos. Passar a noite não estava nos nossos planos.
— Não aqui — ele disse, decidido. — Não com você.
— Pode me desprezar o quanto quiser, mas fiz o melhor que podia nas minhas circunstâncias — Rand disse, com raiva. — Nunca me encaixei, nunca segui as regras e eles foram me rejeitando, um a um. Isso vai acontecer com você, espera só pra ver. É o preço de ter casado com ela. Você perdeu tudo que poderia alcançar, que poderia se tornar como um Ivashkov. Daqui a pouco vai descobrir como é ter que ir de um lugar para o outro sem rumo.
— Precisamos ver como nossos amigos estão — Adrian falou para ele, pegando meu braço e me levando embora. — Bom encontrar você.
— Você mente muito mal, rapaz — Rand gritou pra gente.
— Ele está certo? — perguntei baixinho depois de nos afastarmos um pouco da cabana de hóspedes.
— Que minto mal? Não, minto superbem.
Parei de repente, obrigando-o a parar também. Já estava escuro e a única luz vinha dos lampiões posicionados em lugares estratégicos ao longo do caminho principal do acampamento.
— Adrian, estou falando sobre o que ele disse sobre mim… Custei tão caro pra você? A gente sempre fala sobre eu ter me afastado dos humanos, mas você desistiu da vida como nobre para…
— Sydney — Adrian me interrompeu, segurando meu rosto entre as mãos. — Nunca, nunca pense desse jeito. Não me arrependo de nada que enfrentamos juntos. Estar com você é a melhor coisa que poderia ter me acontecido, a única decisão perfeita que tomei nessa minha vida atrapalhada e sem juízo. Faria tudo de novo para ficar ao seu lado. Nunca duvide disso. Nunca duvide do que sinto por você.
— Ai, Adrian — eu disse, deixando que ele me envolvesse em seus braços, surpresa com a emoção que crescia dentro de mim.
Ele me apertou com força.
— Eu te amo. Na verdade, eu é que não acredito em tudo que você fez para ficar comigo. Você mudou toda a sua vida por mim.
— Minha vida não tinha nem começado até eu conhecer você — eu disse a ele, com as palavras carregadas de sentimento.
Adrian recuou e me encarou com atenção por trás das sombras que cobriam seu rosto.
— Quando você vê alguém como ele, como o tio Rand, você fica com medo? De que eu possa virar alguém assim?
Senti meus olhos se arregalarem.
— Não — eu disse, decidida. — Você não é nada parecido com ele.
Percebi pela expressão de Adrian que ele não tinha tanta certeza e corria o risco de entrar numa das suas terríveis depressões. Seu uso recente do espírito com Charlotte sem dúvida o deixara muito mais vulnerável. Adrian podia não ter dúvidas em relação a mim e ao nosso amor, mas o futuro que Rand previra, com nós dois indo de um lugar para o outro sem ter onde ficar, poderia muito bem se tornar realidade. Isso me assustava e provavelmente assustava Adrian também. Observei enquanto ele tentava, com muito esforço, expulsar esses pensamentos sombrios e assumir uma expressão mais alegre.
— Bom, vendo pelo lado positivo, acho que posso comemorar por ter ganhado um novo parente.
Quase tinha me esquecido dessa revelação inesperada sobre ele e Dimitri.
— Isso é verdade mesmo? Como você nunca soube disso antes?
Adrian balançou a cabeça, melancólico, e voltou a andar.
— Pelo que ouvi falar das “atividades” do tio Rand, é bem possível que ele tenha algumas dezenas de filhos bastardos pelo mundo. Por que não Dimitri?
— Achei estranho Dimitri nunca ter comentado nada sobre isso antes — falei.
— Também achei — Adrian admitiu, quando chegamos perto da cabana de Diana. — Mas, pra falar a verdade, nunca nem passou pela minha cabeça que ele tinha um pai. Ele parece o tipo de cara que já nasceu adulto. Se um dia eu tivesse que imaginar o pai dele, acho que seria uma versão grisalha de Dimitri, com casaco e tudo.
Dei risada e parei atrás dele na entrada da cabana. Alguém gritou para entrarmos quando batemos na porta, e encontramos Rose e Dimitri sentados na salinha. Pelo visto, Diana tinha saído. Olive estava deitada num sofá simples, com o rosto pálido.
— Ele foi embora? — Dimitri perguntou. Seu tom deixou claro a quem se referia.
Eu e Adrian sentamos num banco de madeira.
— Não — respondi. — Ele vai ficar na cabana de hóspedes e acha que nós também vamos.
— Consigo pensar em uma dezena de torturas que eu preferia sofrer a passar uma noite sob o mesmo teto que ele — Dimitri disse, sério.
— Tenho certeza que não vai ser necessário — Adrian comentou.
— Olive falou que a gente pode passar a noite aqui — Rose explicou. — Se não se importarem em dormir no chão.
— Considerando a outra opção, sem problema. — Adrian fixou o olhar em Dimitri. — Quando você pretendia me contar que somos uma grande família feliz?
Uma expressão angustiada passou pelo rosto de Dimitri.
— Juro que não sabia.
Adrian ergueu as mãos.
— Qual é? Você tem o quê? Duas ou três irmãs? Está na cara que ele ficou um bom tempo com vocês. Nunca passou pela sua cabeça que Rand Ivashkov poderia ser parente de outro Ivashkov que você conhecia?
Uma faísca de ódio brilhou nos olhos de Dimitri.
— Ele nunca nos disse o nome completo. Era só Randall pra nós. Sabíamos que era um nobre americano que viajava a negócios com frequência. Nunca fazíamos perguntas. Minha mãe gostou dele… por um tempo.
— Ele falou que já não se davam muito bem — eu disse —, que vocês não tinham consideração por ele.
A faísca nos olhos de Dimitri virou uma chama.
— Nós não tínhamos consideração? Ele batia na minha mãe quando bebia e não conseguia o que queria.
Adrian deixou o tom brincalhão de lado.
— E o que aconteceu depois? — perguntou com a voz suave.
Dimitri não respondeu, mas Rose sim.
— Dimitri bateu de volta.
Ficamos em silêncio até ouvirmos um movimento de Olive no sofá. Ela estava escutando a conversa, com o rosto enrugado de desconforto. Adrian a observou com um olhar que eu já conhecia muito bem, ao mesmo tempo focado e distraído. Ele estava analisando a aura dela. Eu tinha brigado com ele sobre visão de aura por um tempo, mas acabei desistindo. Para ele era tão natural que metade das vezes nem percebia que estava fazendo. Segundo Sonya, usava muito pouco espírito, então passei a brigar só por usos maiores.
— Como você está? — Adrian perguntou para Olive, preocupado.
— Não estou me sentindo bem — ela respondeu. Passou a mão na barriga. — Um pouco de dor. Tenho dor desde o começo da gravidez.
— Suas cores estão todas espalhadas… diferente de antes. É quase como se fossem duas auras misturadas. — Adrian ergueu as sobrancelhas de repente. — Você está em trabalho de parto?
Ela foi pega de surpresa com a ideia… mas também ficou com medo.
— Eu… eu não sei. A dor está pior do que o normal, mas ainda falta mais de um mês para…
As badaladas de um grande sino ecoaram pelo ar. Rose e Dimitri levantaram imediatamente.
— O que foi isso? — ela perguntou.
Dimitri tirou uma estaca de prata do cinto.
— Alerta de Strigoi. Há o mesmo sistema em Baia. — Ele correu para a porta com Rose logo atrás. Antes de sair, apontou para a lareira. — Acendam o fogo. Se aparecer algum Strigoi, tentem jogá-lo nas chamas.
Ele não explicou como exatamente faríamos isso — com força bruta ou com o espírito de Adrian — e os dois foram embora antes que eu pudesse perguntar. Eu e Adrian nos entreolhamos até que a nova ameaça nos fez reagir. Com um simples feitiço, dobrei o tamanho das chamas da lareira. O fogo era nossa melhor arma contra os Strigoi e, embora eu pudesse invocá-lo do nada, ter uma fonte pronta poderia ser útil para mim e Adrian.
Olive soltou um grito quando as chamas cresceram. Virei para ela. Seu rosto se contorceu de dor e sua mão estava pousada na barriga.
— Você está bem?
— Acho… acho que talvez o bebê esteja nascendo — ela exclamou.
Adrian ficou pálido.
— Você quer dizer agora ou num futuro próximo?
A pergunta era tão ridícula que, por um momento, ela parou de prestar atenção na dor.
— Sei lá! Nunca tive um filho antes!
Adrian me encarou.
— Então… hum, você sabe como fazer isso, né? Como fazer um parto?
— Como assim? — perguntei, em pânico. — Por que eu saberia?
— Porque você é boa em tudo — ele disse. — Só sei o que vi em filmes. Esquentar água. Rasgar lençóis.
Como sempre, me apeguei à lógica para me acalmar.
— Daria para ferver água para esterilizar. Mas os lençóis? Isso não é muito…
Um grito do lado de fora me interrompeu. Adrian se posicionou de maneira protetora na frente de Olive e invoquei uma bola de fogo. Ficamos encarando a janela escura em silêncio, sem entender o que estava acontecendo. Ouvimos alguém falando alto e outro grito, o que deixou minha imaginação a mil.
— Queria que Neil estivesse aqui — Olive murmurou.
— Eu também — concordei, pensando que me sentiria muito melhor se ele estivesse parado na porta com uma estaca de prata.
Adrian apertou a mão de Olive.
— Vai ficar tudo bem. Eu e Sydney vamos te proteger. Nada vai passar por aquela porta a menos que a gente queira.
Naquele exato momento, a porta se abriu e Rand Ivashkov entrou, afobado.
— O que está acontecendo lá fora? — perguntei.
Ele trancou a porta e afundou numa cadeira.
— Strigoi. Dimitri me mandou vir ficar com vocês. — Ele lançou um olhar constrangido para o estado de Olive. — Caso precisassem de ajuda.
— Não precisamos, a menos que você tenha uma formação médica secreta que escondeu da família — Adrian retrucou.
— Tem quantos Strigoi lá? — perguntei.
Rand balançou a cabeça.
— Não sei direito. Provavelmente poucos, senão já estaríamos todos mortos. Mas mesmo em pequena quantidade podem causar muito estrago se forem pra cima de você.
Olive soltou outro grito de dor e voltamos a encará-la.
— Outra contração — comentei.
— Pelo menos demorou alguns minutos. Talvez ele espere até tudo isso acabar — Olive respondeu.
— Ele? Você sabe se é menino? — Adrian perguntou.
— Não com certeza — ela admitiu. — Mas tenho um pressentimento.
— Acredito em pressentimentos — Adrian disse, sério.
Ouvimos outro grito e tentei criar uma distração para Olive. Podia não saber tudo sobre trabalho de parto, mas um estresse desses não devia fazer bem para uma mulher grávida.
— Que nome você vai dar pra ele? — perguntei.
Adrian seguiu meu exemplo.
— Adrian Sinclair soa muito bem — ele disse.
Os olhos de Olive, cheios de medo, vigiavam a porta e a janela, mas seus lábios se curvaram num sorriso com a piada.
— Declan.
— É um belo nome irlandês — elogiei.
— Combinaria — Adrian admitiu. — Declan Adrian Sinclair.
— Declan Neil — ela corrigiu.
Me perguntei como Neil se sentiria ao saber que o filho de outro recebera seu nome. No caos infinito que havia se instaurado depois da nossa chegada, não houve oportunidade para conversar com Olive sobre as circunstâncias que a tinham levado à comunidade. E, na tensão da nossa vigília, parecia improvável discutir esse assunto tão cedo. A conversa foi se esgotando com o tempo. Só podíamos observar e esperar. Os sons lá fora acabaram e eu não sabia se devia ficar tranquila ou mais assustada ainda. Igualmente perturbadoras eram as contrações cada vez mais frequentes de Olive. Me perguntei se não deveríamos ferver água, afinal.
A porta se abriu de novo e quase lancei a bola de fogo antes de perceber que era Rose. Seu rosto estava sujo de sangue e terra.
— Matamos todos — ela disse. — Do nosso lado não houve mortos, mas muitas estão feridas. A médica não está aqui, então, Adrian, a gente queria saber se você poderia…
Ela não terminou, mas entendi o que queria. Adrian também. Ele se virou para mim, com uma expressão comovida.
— Sydney…
— Ela falou que ninguém morreu — interrompi.
— Alguém pode estar quase morrendo — ele rebateu. — Ainda mais se a médica está fora do acampamento.
Voltei a olhar para Rose.
— Tem gente correndo risco de vida?
Ela hesitou.
— Não sei. Mas tem gente em péssimo estado. Vi muito sangue na enfermaria.
Adrian começou a avançar em direção à porta.
— Então vou ajudar. — Ele parou para encarar Olive. — Ela também precisa de alguém. Agora. O bebê está nascendo. Sydney…
— Não, eu vou com você. Posso ajudar com primeiros socorros — eu disse, embora minha verdadeira motivação fosse ficar de olho em Adrian. — Rose, você pode ajudar Olive? Ou trazer alguém que possa?
A cara de Rose deixou claro que ela se sentia tão despreparada quanto eu, mas ela assentiu.
— Vou tentar encontrar alguém que saiba o que fazer. Deve ter bastante gente que ajudou em situações assim por aqui. Mas, Sydney, você tem certeza que quer ir? Tem um alquimista a caminho para ajudar a destruir os corpos.
— Um alquimista? — Olive exclamou.
Fiquei paralisada e, de repente, senti um novo tipo de pânico.
— A caminho?
— Ele ainda não chegou — Rose assegurou. — Acho que o nome dele é Brad, Brett ou alguma coisa assim. O posto dele é perto de Marquette.
— Não se arrisque — Adrian me falou. — Fique aqui.
Hesitei, mesmo sabendo que era a coisa mais inteligente a fazer. Seria idiota me arriscar agora depois de tudo que tinha feito para não ser recapturada pelos alquimistas. No entanto, também tinha medo do que poderia acontecer se deixasse Adrian usar o espírito sozinho. Balancei a cabeça.
— Brad ou Brett ainda não está aqui. Me escondo quando ele chegar.
A expressão de Adrian me mostrou que ele não gostava do plano, mas Olive falou antes que eu tivesse chance.
— Ele é como você? — ela perguntou, mais preocupada do que eu imaginara. — Um ex-alquimista?
— Não, isso é improvável — respondi. — Ele deve ser do tipo analítico padrão que acha que vampiros são aberrações da natureza.
Olive pareceu ainda mais assustada e lembrei do medo dela quando me viu antes.
Rose abriu um sorriso tranquilizador.
— Sei que eles nem sempre são os mais simpáticos, mas esse daí pode ajudar com a limpeza. Não se preocupe. Vai ficar tudo bem. Enquanto isso vou buscar alguém para ajudar com o bebê. — Ela fixou um olhar duro em Rand. — Espera aqui com ela até chegar mais alguém. Vocês dois, venham.
Eu e Adrian a seguimos pela comunidade mal iluminada e senti um pavor completamente diferente do que tinha sentido durante o ataque Strigoi. Os lampiões ao longo do caminho faziam tudo parecer ainda mais sinistro. Vimos poucas evidências dos Strigoi até chegarmos à cabana de Lana, para onde os feridos tinham sido levados. Havia uma dezena de dampiras lá, feridas e ensanguentadas, mas sendo cuidadas da melhor maneira possível. Dimitri correu até nós quando chegamos.
— Obrigado por ajudar — ele disse. — Sei que é difícil pra você.
— Não é nem um pouco difícil, na verdade — Adrian respondeu.
— Adrian — avisei. — Use com moderação. Cuide só daquelas realmente em estado crítico.
Ele olhou ao redor, observando todas as dampiras em macas improvisadas. Rose tinha razão: havia muito sangue. Gemidos de dor enchiam o ar.
— Como vamos conseguir escolher quem merece a cura? — Adrian perguntou em voz baixa. — Ainda mais considerando que todas lutaram para nos manter em segurança.
— Vou ajudar a escolher — eu disse.
Dimitri apontou para o outro lado da sala.
— As em pior estado estão lá atrás. O que você puder fazer já ajuda. Preciso sair de novo. Parece que um Strigoi fugiu e está na floresta. Nós vamos atrás dele.
— Vou com você — Rose disse prontamente.
Dimitri tocou o rosto dela por um segundo.
— Preciso de você aqui, ajudando Sydney e Adrian.
— Depois você ajuda a gente — eu falei. — É melhor ir buscar alguém para ajudar Olive agora.
Rose ergueu as sobrancelhas ao ouvir isso e saiu correndo para encontrar Lana. Eu e Adrian nos dedicamos a cuidar dos feridos. Tentei chamar a atenção dele de novo para o uso exagerado da magia, mas não foi fácil. Ele só conseguia focar no sofrimento ao seu redor e no quanto queria remediar aquilo tudo. Ele deu início às curas usando o espírito de maneira generosa. Pelo menos começou com as pacientes críticas que Dimitri havia indicado. Enquanto isso, dei meu melhor usando minhas habilidades básicas na esperança de que Adrian visse que não precisava usar o espírito em todas elas. Fiz curativos nos cortes e dei água. Até falei algumas palavras de estímulo. A maioria das pacientes estava consciente e me esforcei para manter o bom humor, tranquilizando-as que tudo ficaria bem. Vez ou outra parava para dar uma olhada em Adrian.
Mallory estava entre as feridas. Ela e outra guarda estavam muito mal porque perderam muito sangue. Mallory também tinha várias costelas quebradas, além de alguns ferimentos internos, segundo a leitura de aura que Adrian fez. Aparentemente, um Strigoi havia arrancado um pedaço de carne entre o ombro e o pescoço dela, e o sangue jorrava do ferimento, apesar das tentativas de estancá-lo. Ela era uma das poucas inconscientes e parecia difícil acreditar que, até algumas horas atrás, estava tietando Rose e Dimitri.
Adrian fez dela sua prioridade, restaurando sua saúde quase completamente. Fiquei feliz por ela, mas incomodada com o poder que aquilo devia ter exigido. Sem dizer uma palavra, Adrian passou para a próxima paciente.
Quando ele estava no meio da cura, Rose veio correndo até mim.
— Mandei uma pessoa ficar com Olive. Mas você precisa vir comigo para o andar de cima agora. O alquimista está prestes a entrar.
Terminei o curativo que estava fazendo e alertei Adrian uma última vez. Ele assentiu e fiquei sem saber se tinha ouvido o que falei. Mas não havia tempo para ficar mais, não com a chance de o alquimista prestes a entrar desfazer tudo que eu e Adrian tínhamos conseguido para conquistar minha liberdade. Meu coração batia rápido enquanto eu seguia Rose para o segundo andar da cabana. Soltei um suspiro aliviado quando chegamos. Era praticamente um sótão, mas me manteria escondida das pessoas lá embaixo. Infelizmente, também me manteria longe do que estava acontecendo.
— Rose — eu disse quando ela começou a descer —, você precisa garantir que Adrian não…
Uma dampira surgiu de repente na entrada e chamou Rose com urgência. Eu as vi conversando em sussurros preocupados do outro lado da porta. Rose pareceu angustiada e me observou de soslaio, depois seguiu a dampira rumo ao andar de baixo. Fiquei sozinha por quase uma hora, sem nada para fazer além de andar de um lado para o outro, preocupada com o que estava acontecendo. Finalmente, Diana subiu para me avisar que o alquimista tinha ido para outra área do acampamento e que eu poderia descer, já que ele não tinha motivos para voltar à enfermaria.
Não perdi tempo e obedeci. Fiquei chocada ao ver que quase todas as dampiras que antes estavam feridas no chão já estavam de pé, parecendo saudáveis. Adrian terminava uma cura e fiquei observando, boquiaberta, sem conseguir acreditar no que estava vendo.
— Adrian… o que você fez?
Ele demorou alguns momentos para virar na minha direção e, quando virou, mal pude acreditar em como estava diferente. Parecia tão mal quanto as pacientes antes: pálido, suado, com os olhos vítreos. Segurei seu braço, com medo que ele desmaiasse de exaustão.
— Quantas você curou? — murmurei.
Ele engoliu em seco e observou ao redor, sem expressão.
— Eu… não sei. O máximo que consegui…
Apertei sua mão, tomada por um misto de raiva e medo.
— Adrian! Você não precisava fazer isso! — Notei que algumas pessoas ao redor que antes só tinham machucados leves, alguns arranhões ou hematomas não possuíam nenhuma marca agora. Virei para ele, incrédula. — Foi um desperdício de energia! Quase todas essas pessoas teriam se curado sozinhas.
Ele pareceu recuperar um pouco a consciência.
— Eu podia ajudá-las… Então por que não? Depois que comecei, foi muito difícil parar… Que mal tem?
Antes que conseguisse processar isso, Rose veio até nós com uma expressão grave.
— Gente, tem uma coisa que vocês precisam saber. Olive sumiu.
Estava tão focada no esgotamento de Adrian que achei que tivesse ouvido errado.
— Como assim “sumiu”?
— Ela atacou Rand por trás e o deixou inconsciente. Depois fugiu antes que Lana chegasse lá para fazer o parto.
Mesmo aturdido, Adrian conseguiu focar nessa reviravolta improvável.
— Olive… derrubou alguém… em trabalho de parto? Como?
— Não faço ideia — Rose disse, com tristeza. — Mas ela sumiu… Acho que fugiu para a floresta.
— Para a floresta — Adrian repetiu. Ele pareceu ganhar uma nova energia ao entrar em pânico. — Em trabalho de parto. No escuro. Aquele Strigoi ainda está solto?
A expressão de Rose respondeu por ela e Adrian foi correndo até a porta, comigo logo atrás.
— Precisamos ir — ele disse. — Precisamos encontrá-la agora.
Rose tentou nos impedir.
— Adrian, não é seguro…
Dimitri entrou na cabana de repente.
— Nós a encontramos. Encontramos todos. Você precisa vir, Adrian. Precisa vir agora.
Nós todos o seguimos sem questionar e sofri para acompanhar o ritmo dos outros com seus passos rápidos.
— Vocês encontraram o Strigoi? — ela gritou quando passamos pelo centro da comunidade.
— Sim. Ali. — Dimitri apontou para duas dampiras arrastando um cadáver. Elas o levaram para onde três outros corpos estavam empilhados. Um humano ajoelhado perto deles jogava o conteúdo de um pequeno frasco sobre os corpos. O alquimista. Me posicionei de forma que Rose ficasse entre nós. Felizmente, ele estava concentrado em seu trabalho.
— Então o que aconteceu? — Rose perguntou.
— Ele alcançou Olive antes — Dimitri explicou. — Ela já havia tido o bebê, no meio da mata. Ela o escondeu lá. Também o encontramos. Ele está bem… Pequeno, mas bem.
Eu e Adrian ainda estávamos tão chocados com os acontecimentos que não conseguimos falar nada, mas Rose estava pronta para perguntar mais:
— Por que estamos indo até ela? Por que não a trouxeram pra cá?
Dimitri nos guiou para fora da comunidade rumo a uma área arborizada.
— Fiquei com medo de tirá-la do lugar. Achei que seria melhor deixá-la onde estava até Adrian curá-la.
Adrian franziu as sobrancelhas.
— Pessoal… não sei se ainda tenho espírito suficiente pra isso. Se vocês puderem estabilizá-la até eu me recuperar… ou se ela não estiver tão mal…
Dimitri não respondeu enquanto atravessávamos as profundezas da mata, mas sua expressão indicava que ela estava realmente mal. Senti um frio na barriga ao perceber as implicações.
Finalmente chegamos a uma clareira na floresta. Lana e outras duas dampiras estavam lá segurando lanternas. Fomos correndo até elas e encontramos Olive encostada numa árvore, com uma trouxinha no braço. Quando vi de perto, entendi por que tinham ficado com medo de tirá-la dali. Seu rosto estava tão pálido que ela poderia ser confundia com uma Strigoi. O braço que não segurava o bebê fora quase arrancado. Seu rosto parecia ter sido batido contra algo e havia sangue por toda parte, em todo lugar. Seus olhos estavam fechados, sua respiração rasa.
Adrian a observou por alguns momentos e depois balançou a cabeça, com uma expressão de desespero.
— Não consigo — ele murmurou, quase chorando. — Não consigo nem ler a aura dela. Estou sem… estou sem magia.
Os cílios de Olive tremularam ao som da voz dele.
— É o… é o Adrian?
Ele ajoelhou ao lado dela.
— Ei, não se esforce. Você precisa descansar até eu conseguir recuperar minha magia e curar você.
Com dificuldade, ela soltou uma risada rouca e um pequeno fio de sangue escorreu de seus lábios.
— Nenhuma magia me salva mais, nem mesmo a sua.
— Não é verdade. Só preciso me recuperar.
— Não há tempo — ela disse com a voz rouca. — Mas eu preciso… conversar com você. A sós.
— Olive, você precisa descansar — Adrian insistiu, mas as palavras soaram vazias. Nós dois sabíamos que não havia mais tempo. A vida dela estava se esvaindo diante dos nossos olhos.
O bebê começou a chorar.
— Vão — Dimitri ordenou aos outros. Para mim e para Adrian, ele disse: — Deem o conforto que puderem a ela.
Assenti de leve, mas tudo que conseguia fazer era tentar não chorar.
— Pega — Olive disse, quando os outros saíram. Ela empurrou o bebê para Adrian.
Tinha quase certeza de que Adrian nunca havia segurado um bebê na vida, mas o recém-nascido se acalmou quando foi envolvido pelos braços dele. Me aproximei para enxergar melhor. Ele era tão minúsculo que não parecia de verdade. Tinha uma penugem escura na cabeça e ergueu os olhos surpreendentemente alertas para nós. Estava enrolado no casaco de alguém e Adrian tentou embalá-lo devagar.
— Prontinho. Bem-vindo, Declan. Declan Neil Sinclair.
— Raymond — Olive disse. Ela parou para tossir mais sangue. — Declan Neil Raymond.
— O sobrenome do Neil — eu disse.
— Vocês precisam levá-lo para Neil — ela nos disse. — Depois que eu morrer.
— Não fala assim — Adrian disse, com a voz de quem estava se esforçando para não chorar.
Com o braço que não estava ferido, ela agarrou a manga de Adrian.
— Você não entende. Ele é filho do Neil. Neil é pai dele.
Discutir genética dampírica parecia inútil considerando o estado dela. Talvez ela estivesse tão fora de si que acreditava mesmo que Neil fosse o pai. Talvez estivesse falando metaforicamente. Pelo que vira na Corte, Neil a amava tanto que era provável que adotasse o bebê de qualquer jeito.
— Claro — eu disse gentilmente, querendo apenas acalmá-la.
Ela estava perdendo a força rápido, mas uma faísca de raiva se acendeu nos olhos dela.
— Não, estou falando sério. Ele é filho do Neil. Nunca dormi com mais ninguém.
— Olive — Adrian disse, delicadamente —, isso é impossível.
— Não — ela repetiu. Ela fechou os olhos e, por um momento, temi o pior. Então seus olhos se reabriram, trêmulos. — Só dormi com Neil. E uma única vez. Quando descobri… fiquei tão assustada. Não sei o que aconteceu… Deve ter a ver com o fato de eu ter sido restaurada, com todo o espírito que havia em mim. Fiquei com muito medo de que alguém, como os Moroi ou os alquimistas, descobrissem e tirassem o bebê de mim. Fizessem experiências nele, como Sonya faz. Então me escondi. Me escondi de todos. Inclusive de Charlotte. — A voz dela vacilou ao dizer o nome da irmã e ela parou para respirar, o que parecia cada vez mais difícil.
O que ela estava dizendo era impossível. Dois dampiros não tinham como conceber um dampiro. Era contra as regras fundamentais do mundo. No entanto, se ela acreditava nisso… De repente lembrei do pânico dela ao me ver e, depois, ao descobrir que outro alquimista estava a caminho.
— Foi por isso que você fugiu — eu disse. — Você ficou com medo do alquimista.
Ela assentiu levemente e abriu os olhos de novo.
— Você sabe como eles são. Eu não sei como isso foi possível, mas eles iam querer saber. Eles o levariam embora. Por favor, Adrian. Sydney. Não deixem. Nem as autoridades Moroi. Mantenham o bebê em segredo até ele chegar a Neil. Depois Neil vai escondê-lo. Neil vai mantê-lo em segurança. Mas prometam pra mim… — Seus olhos se fecharam e sua cabeça pendeu para o lado. — Prometam pra mim… que vão… manter Declan… em segurança…
— Fica com a gente — Adrian insistiu. Minha visão estava turva pelas lágrimas. — Mais um pouquinho. O espírito está voltando. Sei que está.
Declan se mexeu nos braços de Adrian e começou a chorar de novo. Os olhos de Olive se abriram um pouco e ela sorriu.
— Tão fofo — ela disse baixinho. Suas pálpebras se fecharam de novo e seu corpo tombou para a frente, sem forças.
— Pronto — Adrian exclamou. — Voltou. Uma faísca de espírito. Suficiente para ver as auras.
Segurei seu braço e senti as lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Adrian…
— A do bebê é tão brilhante — Adrian disse. Seu rosto também estava coberto de lágrimas. — Feito uma estrela. Mas a dela… não tem nada. Não tem mais aura pra ver…

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