13 de outubro de 2017

Capítulo 10

NA MANHÃ SEGUINTE, procurei a sra. Terwilliger antes da aula para fazer um resumo das aventuras do dia anterior. Ela ficou debruçada na mesa, bebericando um cappuccino enquanto eu falava. Sua expressão foi ficando cada vez mais sombria à medida que a história avançava.
— Hum, que pena — ela disse. — Fico contente que você tenha encontrado a garota, mas não teremos outra pista sobre Veronica até a próxima lua cheia. Até lá, pode ser tarde demais.
— Não tem nenhum outro feitiço de clarividência que a gente possa usar? — perguntei.
— Não — ela respondeu. — A maioria avisaria Veronica que estou procurando por ela. Tem um que pode me mascarar... mas talvez não consiga penetrar o escudo que ela está usando para se esconder.
— Vale a pena tentar, não? — perguntei. O sinal tocou e os alunos começaram a entrar na sala. Ela me abriu um sorriso enquanto se endireitava.
— Ora, srta. Melbourne, nunca pensei que ouviria uma sugestão dessas vinda de você. Mas tem razão. Vamos conversar sobre isso mais tarde. Tem uma coisa que queria mostrar a você.
Meu instinto antimagia começou a apitar... mas então parou. Em algum momento, contra a minha vontade, eu tinha sido envolvida naquilo tudo. Agora estava preocupada demais com as outras vítimas de Veronica para dar atenção aos meus medos de sempre. Aos olhos dos alquimistas, usar magia era ruim. Aos meus, era pior deixar inocentes correndo perigo.
Sem ter de combater mais nenhuma situação de perigo, senti o dia passar rápido. Quando encontrei a sra. Terwilliger para nosso estudo independente, ela estava com suas coisas arrumadas, esperando que eu chegasse.
— Viagem de campo — ela me disse. — Precisamos trabalhar nisso em casa. — Um olhar melancólico perpassou seu rosto. — Pena que não podemos passar no Spencer’s.
Cafeína e magia não se misturavam, o que era um bom motivo para ficar longe da segunda. Comecei a dizer que, como eu não faria nenhuma magia, não tinha as mesmas restrições. Um momento depois, achei que seria maldade. A sra. Terwilliger tinha problemas suficientes com uma irmã sedenta por sangue à solta. Não precisava de piadinhas para completar.
Os gatos estavam esperando na porta quando chegamos à casa dela, o que foi um pouco assustador. Nunca tinha visto todos juntos e contei treze. Não pude deixar de imaginar se o número era proposital.
— Preciso dar comida para eles antes — ela me disse enquanto os bichanos se atropelavam aos seus pés. — Depois começamos.
Fiz que sim, sem dizer nada, achando que era um bom plano. Se aqueles gatos não recebessem comida logo, era provável que se voltassem contra nós e estávamos em menor número.
Depois que a comida os distraiu, descemos até a oficina. Não havia muito que eu pudesse fazer além de observar. Normalmente, a pessoa que fazia o feitiço tinha de realizar todo o trabalho sozinha. Ajudei com algumas medições, mas só. Eu já tinha visto a sra. Terwilliger lançar alguns feitiços rápidos e extravagantes, mas nunca nada daquela magnitude. Logo ficou claro que era uma façanha e tanto. Ela não tinha nada para se ligar a Veronica, nenhum fio de cabelo ou foto. O feitiço exigia que a pessoa usasse uma imagem mental de quem estava buscando. Os outros componentes, ervas e óleos, ajudavam a fortalecer a magia, mas a maior parte do trabalho cabia à sra. Terwilliger. Assistir à preparação dela despertou sentimentos contraditórios dentro de mim. Ansiedade era um, claro, mas também um fascínio secreto em ver alguém com a força dela lançar um feitiço.
Quando tudo estava em seu devido lugar, ela declamou o encantamento. Tive que abafar um grito quando senti a onda de poder que irrompeu dela. Nunca tinha sentido o poder de outra pessoa antes, e a intensidade quase me fez cair. A sra. Terwilliger estava olhando fixamente para um ponto alguns metros à sua frente. Depois de um longo momento, um ponto brilhante surgiu no ar. Ele foi aumentando até se transformar num disco plano e tremeluzente, que pairou como um espelho. Dei um passo para trás, com um pouco de medo de que fosse se expandir e consumir o cômodo todo. Por fim, o disco se estabilizou. Um silêncio tenso reinou na oficina enquanto ela contemplava aquela superfície brilhante. Um minuto se passou e, então, o disco oval foi diminuindo até desaparecer. Exausta, a sra. Terwilliger se segurou na lateral da mesa para não desabar. Ela estava suando muito e lhe dei o suco de laranja que tínhamos preparado antes.
— A senhora viu alguma coisa? — perguntei. Eu não tinha visto nada, mas talvez só quem lançasse o feitiço pudesse ver o que ele revelava.
— Não — ela respondeu. — O feitiço não conseguiu entrar em contato com a mente dela. A barreira que ela criou deve ser muito forte.
— Então não podemos fazer nada até o mês que vem. — Senti um frio na barriga. Até aquele momento, não havia notado quanto queria que aquele feitiço funcionasse. Boa parte da minha vida envolvia solucionar problemas, e me sentia perdida quando ficava sem alternativas.
— Você e Adrian podem continuar alertando as outras meninas — a sra. Terwilliger me disse. O rosto dela estava recuperando a cor. — Assim pelo menos reduzimos a velocidade de Veronica.
Olhei a hora no meu celular. O feitiço havia levado mais tempo do que eu imaginara.
— Acho que não dá pra fazer outra viagem de ida e volta até Los Angeles hoje. Amanhã falo com ele, e tentamos acabar com a lista.
Depois que me convenci de que ela não desmaiaria por exaustão mágica, fiz menção de sair. Ela me deteve quando eu estava prestes a passar pela porta.
— Sydney?
Olhei para trás, subitamente apreensiva. O problema de tantas pessoas me chamarem por apelidos era que, quando alguém dizia meu nome verdadeiro, normalmente significava que algo sério estava para acontecer.
— Sim?
— Nós falamos sobre avisar as outras, mas não se esqueça de cuidar de você mesma também. Continue estudando o livro. Aprenda a se proteger. E nunca deixe de usar o amuleto.
Toquei a granada, escondida sob a blusa.
— Sim, senhora. Vou me cuidar.
No caminho de volta para a escola, recebi a mensagem prometida de Marcus, pedindo que o encontrasse num fliperama ali perto. Eu conhecia o lugar e uma vez tinha ido ao campo de minigolfe que ficava ao lado, então não foi difícil chegar até lá. Marcus estava esperando por mim junto à porta e, felizmente, Sabrina não estava por perto com uma arma.
Nunca tinha frequentado fliperamas na vida e não entendia muito bem a graça deles. Não combinavam muito com os padrões de criação do meu pai. Era uma sobrecarga sensorial para a qual eu não estava preparada. O ar estava cheio do aroma de pizza ligeiramente queimada. Crianças e adolescentes animados corriam de um jogo para o outro. E, por todos os lados, tudo parecia piscar e apitar. Pestanejei, pensando que talvez meu pai estivesse certo em evitar esses lugares.
— É aqui que vamos discutir atividades secretas? — perguntei, incrédula.
Ele me abriu um daqueles sorrisos de estrela de cinema.
— Não é um lugar fácil para as pessoas espionarem você. Além disso, faz anos que não jogo Skee-Ball. Aquele jogo é demais.
— Que jogo?
— Como assim? — Foi legal pegar Marcus de surpresa outra vez, mesmo por uma coisa tão trivial. — Você não sabe o que está perdendo. Me empreste um dinheiro para as fichas e eu mostro pra você. — Pelo jeito, ser um líder renegado e fugitivo não pagava muito bem.
Ele logo encontrou as máquinas de Skee-Ball. Comprei um monte de fichas e entreguei para ele.
— Fique à vontade.
Ele imediatamente colocou uma ficha e atirou sua primeira bola. Ela caiu completamente fora dos aros e Marcus fez uma careta.
— Você não perde tempo — comentei.
Os olhos dele estavam concentrados no jogo enquanto fazia seu segundo lançamento, que errou de novo.
— É uma tática de sobrevivência. Quando você passa tanto tempo fugindo... sempre escondido... bom, aproveita esses momentos de liberdade. E quando sai com garotas bonitas também.
— Como sabe que estamos livres? Como pode ter tanta certeza de que os alquimistas não estão me seguindo? — perguntei. Na verdade, tinha quase certeza de que não estava sendo seguida e só queria testá-lo.
— Porque eles teriam aparecido naquele primeiro dia.
Ele tinha razão. Pus as mãos na cintura e tentei ser paciente.
— Quanto tempo você vai jogar? Quando vamos poder conversar?
— Podemos conversar agora. — Sua bola seguinte acertou o aro de dez pontos, e ele comemorou. — Posso conversar e jogar ao mesmo tempo. Vai perguntando. Revelarei o máximo de segredos surpreendentes que puder.
— Não é fácil me surpreender. — Mas não perderia aquela oportunidade. Olhei ao redor, mas ele tinha razão. Ninguém conseguiria nos escutar num lugar barulhento como aquele. Na verdade, mal conseguíamos ouvir um ao outro. — O que você fez para ser expulso dos alquimistas?
— Não fui expulso. Eu saí. — A partida acabou, e ele inseriu mais uma ficha. — Por causa de uma Moroi.
Congelei, sem conseguir acreditar no que tinha ouvido. Marcus Finch havia começado uma grande rebelião... porque tinha se envolvido com uma Moroi? Era muito próximo da minha própria situação. Como não disse nada, ele se virou para mim e examinou meu rosto.
— Ah, não, nada desse tipo — ele disse, se dando conta do que eu estava pensando. — Nem eu faria uma coisa dessas.
— Claro que não — eu disse, torcendo para conseguir esconder meu nervosismo. — Quem faria?
Ele voltou ao jogo.
— Nós éramos amigos. Fui mandado para Atenas, onde ela morava com a irmã.
Isso desviou minha atenção.
— Atenas? Você foi para Atenas? É um dos lugares para onde eu queria ir. Em vez disso, me mandaram pra São Petersburgo, mas eu sempre tinha a esperança de que, talvez, pudessem me transferir para a Grécia. Ou mesmo para a Itália. — Eu estava quase balbuciando, mas ele não pareceu notar.
— Qual é o problema de São Petersburgo? Além do grande número de Strigoi...
— O problema é que não é Atenas nem Roma. Meu pai pediu especificamente para e u não ser mandada para nenhum desses lugares. Ele achou que eu ficaria muito distraída.
Marcus parou outra vez e me examinou longamente. Havia compaixão em seu rosto, como se toda a minha história e meu drama familiar estivessem passando diante dos seus olhos. Eu não queria que ele sentisse pena de mim e desejei não ter falado nada. Limpei a garganta.
— Então, me conte sobre essa menina em Atenas.
Ele entendeu a deixa.
— Como estava dizendo, ela era minha amiga. Muito engraçada. Sério, cara. Ela me fazia rolar de rir. A gente passava a maior parte do tempo juntos, mas você sabe que isso é meio recriminado.
Quase ri. “Meio” era um eufemismo. Alquimistas não deveriam interagir com Moroi a menos que fosse absolutamente necessário para questões profissionais ou relacionadas a deter ou esconder os Strigoi. A minha missão fugia um pouco das regras, visto que exigia que eu falasse com Jill quase diariamente.
— Enfim — ele continuou. — Alguém percebeu e recebi muita atenção indesejada. Mais ou menos na mesma época, comecei a ouvir uns boatos de que alguns alquimistas estavam prendendo alguns Moroi à força. E até que alquimistas estavam interagindo com guerreiros.
— Como assim? Impossível. Nunca trabalharíamos com aqueles lunáticos. — A ideia de prisioneiros Moroi era absurda, mas foi a segunda parte que realmente me deixou pasma. Nem conseguia imaginar. Seria como dizer que os alquimistas estavam trabalhando com alienígenas.
— Foi o que pensei. — Ele lançou outra bola, parecendo extremamente satisfeito consigo mesmo quando conseguiu trinta pontos. — Mas continuei ouvindo rumores; então, comecei a fazer perguntas. Muitas perguntas. E, bom, foi então que as coisas começaram a desandar. Fazer perguntas nunca pega bem, ainda mais se você incomoda.
Pensei na minha própria experiência.
— É verdade.
— Então, foi nessa época que saí. Ou melhor, fugi. Estava vendo os sinais. Tinha ultrapassado um limite e sabia que era só uma questão de tempo até me mandarem uma passagem só de ida para a reeducação. — Começou outra partida e ele me chamou com um gesto. — Quer tentar?
Estava tão atordoada com o que ele havia dito que dei um passo à frente e peguei uma bola. Os alquimistas eram lógicos, organizados e racionais. Eu sabia que alguns gostariam de fazer mais para combater os Strigoi, mas não era possível que estivessem trabalhando com fanáticos armados.
— Stanton me disse que só toleramos os guerreiros. Que só ficamos de olho neles.
— Foi o que me falaram também. — Ele me observou enquanto eu me preparava para a jogada. — Demora um tempo pra aprender, aliás. Você pode levar alguns...
Lancei a bola e acertei o aro de cinquenta pontos. Marcus não conseguiu falar nada por alguns segundos, perdendo a presunção de antes.
— Você disse que nunca tinha jogado! — exclamou.
— E é verdade. — Acertei outra no aro de cinquenta pontos.
— Então como você está fazendo isso?
— Não sei. — Cinquenta pontos de novo. — É só pensar no peso da bola e na distância até o aro. Não é tão difícil. É meio sem graça, na verdade.
Marcus ainda estava assombrado.
— Você é algum tipo de superatleta?
Quase ri de desprezo.
— Não precisa ser atleta pra jogar isso.
— Mas... não... — Ele olhou para os aros, então para mim, e então de volta para os aros. — É impossível. Eu jogo isso desde criança! Meu pai sempre me levava ao parque de diversões no verão e eu passava pelo menos uma hora jogando toda vez.
— Talvez devesse ter passado duas. — Lancei outra bola. — Agora me conte mais sobre os guerreiros e os alquimistas. Você conseguiu alguma prova?
Ele demorou vários momentos até conseguir retomar a conversa.
— Não. Tentei. Até me aproximei dos guerreiros por um tempo... foi assim que conheci Clarence. Meu pessoal descobriu alguns podres dos alquimistas e salvou outro Moroi dos guerreiros, mas nunca conseguimos fazer uma conexão entre os dois grupos. — Ele fez uma pausa dramática. — Até agora.
Peguei a bola seguinte. Aquela atividade comum estava me ajudando a analisar suas palavras chocantes.
— O que aconteceu?
— Foi sorte, na verdade. Tem um cara trabalhando com a gente agora que acabou de sair dos alquimistas e romper a tatuagem — ele explicou. Ele falava como se não fosse nada de mais, mas eu ainda não conseguia me livrar da sensação incômoda que a ideia de “romper a tatuagem” me causava. — Ele tinha ouvido uma coisa que batia com outra que Sabrina descobriu. Agora só precisamos conseguir evidências que liguem as duas.
— Como vão conseguir isso?
— Na verdade, é você quem vai conseguir.
Ele falou isso enquanto eu estava atirando outra bola. Ela passou longe, ultrapassando os arcos e até a máquina. Então bateu na parede e caiu perto de algumas meninas, que levaram um susto. Marcus foi atrás da bola e deu um sorriso de desculpas, e elas responderam que não tinha sido nada demais. Assim que foram embora, murmurei para Marcus:
— O que você disse?
— Você me ouviu. Quer entrar pro grupo? Quer romper a tatuagem? — Era irritante como ele estava convencido. — Então isso faz parte do processo.
— Nunca disse que queria fazer essas coisas! — sussurrei. — Só queria descobrir mais sobre eles.
— E aposto que adoraria saber se existem facções alquimistas trabalhando com os guerreiros.
Marcus estava certo. Eu realmente queria muito saber.
Ele segurou minha mão.
— Sydney, sei que é muita coisa para absorver. Não culpo você por estar em dúvida, e é exatamente por isso que preciso de você. Você é inteligente. Observadora. Você questiona. E, assim como aconteceu comigo, esses questionamentos ainda vão causar problemas pra você, se é que já não causaram. Saia agora, enquanto pode, do seu jeito.
— A gente acabou de se conhecer! Não vou fugir do grupo que me criou. — Soltei minha mão da dele. — Estava disposta a ouvir o que você tinha a dizer, mas agora você foi longe demais.
Dei meia-volta e parti em direção à porta, sem querer ouvir mais nada. No entanto, as palavras dele fervilhavam dentro de mim. Apesar de eu ter sido absolvida depois de meu envolvimento com Rose, minha ficha ainda devia estar suja. E, apesar de não ter insistido em saber mais sobre Marcus Finch, será que o simples fato de mencioná-lo não tinha deixado Stanton desconfiada? Quanto tempo levaria até que eles suspeitassem de mim?
Abri as portas e saí sob a luz fulgurante do sol, que afugentou as sombras do que eu tinha acabado de ouvir. Marcus estava logo atrás de mim e tocou meu ombro.
— Sydney, desculpa. Não estou tentando assustar você — ele disse, agora sem aquela atitude petulante. Ele parecia completamente sincero. — É só que percebo uma coisa em você... uma coisa com a qual me identifico. Acho que estamos do mesmo lado, queremos as mesmas coisas. Nós dois nos aproximamos dos Moroi e queremos ajudá-los, sem que mintam para nós ou nos usem.
Olhei para ele, desconfiada.
— Continue.
— Por favor, ouça o que temos a dizer.
— Foi o que acabei de fazer.
— Você me ouviu — ele corrigiu. — Quero que conheça os outros e ouça as histórias deles também. Eles vão contar o que enfrentaram. Vão falar sobre isto. — Ele apontou para a tatuagem em seu rosto. — E, quando ouvir mais sobre aquela tarefa... bom, acho que vai querer nos ajudar com isso também.
— Ah, sim. O grande mistério que vai desvendar uma conspiração entre alquimistas e guerreiros. — Ele continuou sério, o que me incomodou mais do que se tivesse revelado de repente que tudo não passava de uma grande piada. — E agora? Você vai chamar os outros e vamos todos passar um dia no fliperama?
— Não — ele respondeu. — Seria muito arriscado. Vou juntar todo mundo em outro lugar e então digo a você onde nos encontrar, mas vai ser de última hora de novo. Não posso arriscar que nos descubram.
— Não posso partir numa grande viagem — avisei. — Ninguém liga muito quando vou a Los Angeles, mas atravessar o estado vai atrair a atenção indesejada de que você estava falando.
— Eu sei, eu sei. Vai ser perto. Só preciso garantir que seja seguro. — Sua animação tinha voltado. — Você vai? Conversará com a gente?
Por mais que não quisesse, estava curiosa. Ainda que me recusasse a acreditar numa conexão entre guerreiros e alquimistas, queria descobrir que pistas aquelas pessoas acreditavam ter. Também queria ver esse grupinho misterioso dele. Como Adrian os tinha chamado? Marcus e os Vingadores? E, claro, tinha a tatuagem. Marcus vivia se referindo aos segredos dela, mas ainda não havia me dado detalhes.
— Vou — respondi, finalmente. — Com uma condição.
— Pode falar.
— Quero levar uma pessoa comigo — eu disse. — Juro que ele é de confiança. Depois que Sabrina apontou uma arma pra mim, você deve imaginar por que estou um pouco nervosa de ver seu clubinho.
Marcus parecia prestes a aceitar, mas de repente recuou.
— Não é aquele Adrian, é?
— Não, não. Quem eu quero levar é um dampiro. Ninguém interessado em entregar vocês para os alquimistas, ainda mais se realmente estiverem trabalhando para proteger os Moroi. Você diz que tem um bom pressentimento em relação a mim, certo? Então precisa confiar quando digo que não precisa se preocupar com ele. Ele só iria para eu me sentir um pouco mais segura.
— Você é que não tem por que se preocupar — Marcus disse. — Não vamos machucá-la.
— Quero acreditar nisso. Mas não tenho tanta confiança quanto você.
Ele não disse nada de imediato e então desatou a rir.
— Nada mais justo. Leve seu amigo. — Ele apertou minha mão, como se estivéssemos fechando um ótimo negócio. — Entro em contato com você para passar os detalhes. Você não vai se arrepender, Sydney. Prometo.

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