27 de setembro de 2017

Capítulo 5

E, COM ISSO, ROSE ME DEIXOU para se despedir dos outros.
Suas palavras me deixaram gelada. Por meio segundo, tive vontade de exigir uma reavaliação da missão. Queria insistir para que enviassem pelo menos meia dúzia de guardiões para ficarem ao lado de Jill, para o caso de os Moroi que a tinham atacado voltarem. Logo descartei a ideia. Um dos elementos principais para aquele plano dar certo era não atrair atenção. Desde que seu paradeiro ficasse em segredo, Jill estaria mais segura se conseguisse se misturar ao ambiente. Um esquadrão de guardiões dificilmente passaria despercebido, e poderia chamar a atenção da comunidade Moroi mais ampla. Estávamos fazendo a coisa certa. Enquanto ninguém soubesse que estávamos ali, tudo ficaria bem.
Claro que, se eu repetisse isso para mim mesma muitas vezes, se tornaria realidade. Mas... por que Rose havia feito aquela afirmação agourenta? Por que a presença de Eddie era necessária? Será que a missão realmente tinha sido promovida de “inconveniente” a “com risco de vida”?
Sabendo como Jill e Rose eram próximas, eu meio que esperava que a despedida delas fosse mais lacrimosa. Em vez disso, Jill teve mais dificuldade de dizer adeus a Adrian. Ela se jogou em cima dele em um abraço gigante, agarrando sua camisa com os dedos. A menina Moroi tinha permanecido em silêncio durante a maior parte da visita, apenas observando o resto de nós com aquele seu jeito curioso e nervoso. O máximo que tinha falado foi quando Lee tentara fazê-la abrir a boca antes. Sua demonstração de despedida também pareceu surpreender Adrian, mas a expressão irritada que estampava no rosto deu lugar a algo parecido com afeto, enquanto dava tapinhas sem jeito no ombro dela.
— Está tudo bem, minha pequena Belezinha. A gente vai se ver de novo logo.
— Eu queria que você viesse conosco — ela disse com a voz bem fraca.
Ele deu um sorriso torto para ela.
— Não queria, não. Talvez o restante deles possa passar despercebido por essa brincadeira de volta às aulas, mas eu seria expulso no primeiro dia. Pelo menos aqui não vou poder corromper ninguém... a menos que esse alguém seja Clarence e seu armário de bebidas.
— Eu vou manter contato — Jill prometeu.
O sorriso dele estremeceu e ele lançou para ela um olhar compreensivo, ao mesmo tempo surpreso e desconsolado.
— Eu também.
Aquele pequeno momento entre os dois me surpreendeu. Com a natureza leviana e arrogante dele e a timidez tão doce dela, eram uma dupla de amigos improvável. No entanto, havia óbvia afeição entre os dois. Não parecia ser de natureza romântica, mas guardava uma intensidade definitiva que eu não conseguia entender muito bem. Eu me lembrei da conversa que tinha escutado entre Abe e Adrian, em que Abe havia dito que era imperativo Adrian permanecer perto de Jill. Algo me dizia que havia uma conexão entre isso e o que eu testemunhava naquele momento, mas não tinha informações suficientes para juntar os pontos. Arquivei aquele mistério para mais tarde.
Foi triste me despedir de Rose, mas fiquei contente pela nossa separação também significar que eu iria me separar de Abe e Keith. Abe foi embora com suas observações tipicamente enigmáticas, e um olhar de sabichão para cima de mim, que não gostei nada. Deixei Keith na casa dele antes de seguir para Amberwood, e ele disse que me manteria a par dos acontecimentos. Sinceramente, fiquei imaginando que informações exatamente ele iria me passar, já que eu faria a maior parte do trabalho. Até onde eu sabia, ele realmente não tinha nada para fazer além de matar o tempo em seu apartamento no centro. Mesmo assim, valeu a pena me livrar dele. Nunca achei que ficaria tão contente em sair de carro com uma vampira e um dampiro.
Jill parecia perturbada no trajeto até a escola. Eddie, ao pressentir isso, tentou acalmá-la. Olhou para ela do banco da frente.
— Vamos voltar a ver Adrian logo.
— Eu sei — ela respondeu com um suspiro.
— E não vai acontecer mais nada de ruim. Você está a salvo. Eles não vão conseguir encontrar você aqui.
— Também sei disso — ela falou.
— Foi ruim mesmo? — perguntei. — O ataque, quero dizer. Ninguém precisa entrar em detalhes.
De canto de olho, vi Eddie dar uma olhada em Jill.
— Foi bem ruim — ele respondeu, sombrio. — Mas agora todo mundo está bem, e é isso que importa.
Nenhum deles disse mais nada, e eu logo entendi que não dariam mais nenhum detalhe. Eles agiam como se o ataque não tivesse sido grave, que já tinha ficado no passado, mas agiam de maneira evasiva demais. Algo que eu não sabia o que era — e que provavelmente os alquimistas desconheciam — tinha acontecido; algo que eles estavam se esforçando para manter em segredo. A minha intuição dizia que isso estava relacionado à presença de Adrian ali. Ele tinha mencionado uma “razão óbvia” para ter vindo a Palm Springs, e então Abe deu a entender que havia algum outro motivo camuflado, que o próprio Adrian não sabia qual era. Aquilo era meio irritante, tendo em vista que eu estava arriscando a minha vida ali. Como eles achavam que eu poderia fazer o meu trabalho de maneira adequada se insistiam naquele emaranhado de segredos?
Os alquimistas lidavam com segredos o tempo todo, e apesar do meu passado cheio de percalços eu ainda era alquimista o bastante para me ressentir quando me negavam respostas. Felizmente, eu também era alquimista o suficiente para caçar as respostas por conta própria.
Claro que eu sabia que interrogar Jill e Eddie naquele momento não ia me levar a lugar nenhum. Eu precisava ser simpática e permitir que se sentissem à vontade comigo. Eles podiam não alimentar a crença secreta de que os humanos são criaturas das trevas, mas isso não significava que já confiavam em mim. Eu não os culpava. Afinal de contas, sem dúvida eu também não confiava neles.
A noite já estava bem avançada quando chegamos a Amberwood. Keith e eu tínhamos dado uma olhada na escola antes, mas Eddie e Jill a absorveram com olhos arregalados. Na mesma medida em que a casa de Clarence tinha parecido antiquada, a escola era reluzente e moderna, formada por construções de estuque típicas da Califórnia e da arquitetura do sudoeste dos Estados Unidos. Palmeiras se espalhavam ao longo dos gramados verdejantes. Com a luz que ia desaparecendo no céu, ainda havia alunos andando em duplas e em grupinhos pelos diversos caminhos que serpenteavam pelo terreno.
Tínhamos passado em um fast-food no caminho para comprar comida, mas como já era tarde, Jill e eu teríamos de nos separar de Eddie. Com dezoito anos, por ter carro e “permissão dos pais”, eu tinha muita liberdade de ir e vir, mas precisava respeitar o horário de recolher como todos os outros alunos quando anoitecia. Eddie ficou incomodado em abandonar Jill, principalmente quando se deu conta de como estaria longe dela.
O terreno extenso da escola Amberwood era dividido em três campi: leste, oeste e central. O campus leste abrigava o alojamento das meninas; o oeste, o dos meninos. O central, que era o maior dos três, era onde se localizavam as instalações administrativas, acadêmicas e de recreação. Eles ficavam a mais ou menos um quilômetro e meio de distância um do outro, e havia um ônibus que circulava durante o dia para interligar os três, apesar de ir caminhando ser sempre uma opção para quem conseguia aguentar o calor.
Eddie já devia saber que não poderia ficar no alojamento feminino, mas acho que, se as coisas fossem do jeito que ele queria, dormiria ao pé da cama de Jill, como um cachorro fiel. Observar os dois era uma coisa fantástica. Eu nunca tinha visto um par de guardião e Moroi antes. Quando estive com Rose e Dimitri, eles estavam simplesmente tentando sobreviver — além do mais, os dois eram dampiros. Agora eu finalmente era capaz de ver o sistema em ação e compreendia por que o treinamento dos dampiros era tão severo. Para cumprir esse papel tão vigilante, tinha que ser assim. Até nos momentos mais rotineiros, Eddie sempre estava de olho no entorno. Nada escapava à sua atenção.
— O sistema de segurança aqui é bom? — ele questionou ao entrarmos no alojamento das meninas. Ele havia feito questão de checá-lo antes de ir para o dele. O saguão estava tranquilo àquela hora, e só havia um par de alunas por lá, carregando caixas e malas em uma mudança de última hora. Lançaram olhares curiosos para nós quando passamos, e eu tive que aplacar o nó de ansiedade que ia crescendo dentro de mim. Levando em conta todas as outras coisas que estavam acontecendo na minha vida, o lado social do ensino médio não devia me assustar — mas assustava. Os alquimistas não tratavam desse assunto em suas lições.
— A segurança é boa o bastante — eu disse em voz baixa ao me voltar para Eddie. — O pessoal aqui não está preocupado com assassinos vampiros, mas com certeza desejam manter seus alunos em segurança. Eu sei que há seguranças que patrulham o terreno à noite.
Eddie olhou feio para a responsável pelo alojamento, uma mulher corpulenta de cabelo grisalho que de sua mesa supervisionava o saguão.
— Você acha que ela tem algum tipo de treinamento em combate? Acha que seria capaz de dominar um intruso?
— Aposto que ela seria capaz de dominar um sujeito que tentasse entrar no quarto de uma menina — Jill brincou. Ela apoiou a mão no braço dele, o que lhe causou um sobressalto. — Relaxe. Este lugar é seguro.
Em alguns aspectos, a preocupação de Eddie era reconfortante e me fazia sentir segura. Ao mesmo tempo, eu não podia deixar de me perguntar mais uma vez por que ele se mostrava tão cauteloso. Ele estava presente no ataque que ninguém queria comentar. Ele conhecia as ameaças porque as tinha visto com seus próprios olhos. Se estava assim tão preocupado, mesmo agora, então qual era o tamanho do perigo que nós ainda corríamos? Os alquimistas tinham me levado a acreditar que, uma vez que estivéssemos escondidos em Amberwood, tudo ficaria bem e seria apenas uma questão de esperar. Eu tinha tido a mesma conversa com Rose e tentara convencê-la da mesma coisa. A atitude de Eddie dizia o contrário.
O dormitório que eu ia dividir com Jill era pequeno para os meus padrões. Quando criança, sempre tive um quarto só meu, e nunca precisei me preocupar em dividir o espaço ou o armário. Durante o tempo que passei em São Petersburgo, tive até um apartamento só para mim. Pelo menos a nossa única janela tinha uma vista completa para o pátio dos fundos do alojamento. Tudo dentro do quarto era reluzente e arejado, com móveis com acabamento de bordo que pareciam novos: camas, escrivaninhas e penteadeiras. Eu não tinha experiência com quartos de dormitório — mas pude deduzir, pela reação de Jill, que tínhamos conseguido um ótimo. Ela jurou que o quarto era maior do que o que ela tinha na escola dos Moroi, a Escola São Vladimir, e estava bem feliz.
Fiquei imaginando se ela não havia achado o quarto assim tão grande só porque nós tínhamos tão pouca coisa para colocar nele. Nenhuma de nós tinha podido trazer muita coisa com a partida tão apressada. A mobília conferia a tudo uma sensação calorosa e dourada, mas sem decoração pessoal ou outros toques o quarto poderia ter saído direto de um catálogo. A responsável pelo alojamento, a sra. Weathers, tinha ficado surpresa ao nos ver com tão pouca bagagem. As meninas que eu tinha visto chegando vinham a bordo de carros estourando de tão cheios. Fiquei torcendo para que não parecêssemos suspeitas.
Jill fez uma pausa para olhar pela janela enquanto nos preparávamos para ir para a cama.
— Aqui é tão seco — ela murmurou, mais para si mesma do que para mim. — O gramado é bem verde, mas é muito estranho não sentir a umidade no ar — ela deu uma olhada acanhada para mim. — Sou do tipo que tem domínio sobre a água.
— Eu sei — respondi, sem saber muito bem o que dizer. Ela estava se referindo aos dons mágicos que todos os Moroi possuíam. Cada Moroi era especializado em um elemento, que podia ser um dos quatro elementos físicos — terra, ar, água e fogo — ou o elemento mais intangível e psíquico do espírito. Quase ninguém trabalhava com este último, mas eu tinha ouvido dizer que Adrian era um dos poucos. Se Jill tivesse dificuldade para acessar sua magia, eu não ficaria desapontada. Assim como beber sangue, a magia era uma das atividades dos vampiros que serviam como um lembrete e jogavam na minha cara que essas pessoas com quem eu dava risada e fazia as refeições não eram humanas.
Se eu ainda não estivesse exausta pela viagem com Keith, provavelmente teria ficado acordada, agoniada por estar dormindo no mesmo quarto que uma vampira. Quando eu conheci Rose, nem conseguia ficar no mesmo recinto que ela. Nossa fuga conjunta caótica havia mudado isso um pouco e, no fim, eu consegui baixar a guarda. Naquele instante, um pouco desse antigo medo retornou na escuridão. Vampira, vampira. Com firmeza, disse a mim mesma que era apenas Jill. Eu não tinha nada com que me preocupar. No final, o cansaço venceu o medo e eu dormi.
Quando a manhã chegou, não pude evitar me examinar no espelho para ver se não havia nenhuma marca de mordida ou outro sinal de dano causado por vampiro. Quando terminei, imediatamente me senti uma boba. Com a dificuldade que Jill estava tendo para acordar naquele momento, não fazia sentido imaginar que ela me atacaria sorrateira no meio da noite. Do jeito que as coisas estavam, tive dificuldade de fazê-la sair pela porta a tempo da orientação. Ela estava tonta de sono, com os olhos vermelhos, e ficava reclamando de dor de cabeça. Imaginei que não precisaria me preocupar com ataques noturnos da minha colega de quarto.
Ainda assim, ela conseguiu se levantar e se arrumar. Deixamos o alojamento e fomos ao encontro de Eddie, que estava reunido com mais dois alunos novos, perto de uma fonte no campus central. A maior parte dos alunos parecia ser do primeiro ano, como Jill. Só uns poucos tinham a mesma idade que eu e Eddie, e fiquei surpresa de ver como ele conversava com facilidade com quem estava ao seu redor. Por causa do comportamento vigilante que tinha demonstrado no dia anterior, achei que estaria com a guarda mais armada, que seria menos capaz de estabelecer relações sociais normais — mas ele se encaixou na turma direitinho. Porém, enquanto caminhávamos, eu o vi observando o entorno disfarçadamente. Ele podia estar fazendo papel de aluno — como eu —, mas continuava sendo um dampiro.
Ele nos dizia que ainda não tinha conhecido seu colega de quarto quando um sujeito sorridente com olhos bem azuis e cabelo meio ruivo veio na nossa direção.
— Oi — ele disse. De perto, dava para ver um monte de sardas. — Você é Eddie Melrose?
— Sou sim... — Eddie tinha se virado para trás com eficiência de guardião, pronto para dar conta de uma ameaça em potencial. Quando viu o recém-chegado, ficou totalmente imóvel. Seus olhos se arregalaram um pouco e o que quer que pretendesse dizer se esvaiu.
— Eu sou Micah Vallence. Sou seu colega de quarto. E também seu líder de orientação — ele apontou com a cabeça para os outros alunos que conversavam e sorriu. — Mas eu queria vir aqui primeiro dar um oi, já que só cheguei hoje de manhã. A minha mãe esticou nossas férias o máximo possível.
Eddie ainda estava olhando fixamente para Micah, como se tivesse visto um fantasma. Também avaliei o garoto, imaginando o que eu estava deixando passar. Ele me parecia normal. Seja lá o que estivesse acontecendo, Jill também não estava a par, porque olhava para Micah com uma expressão absolutamente normal, sem alarme ou surpresa.
— Prazer em conhecer — Eddie finalmente disse. — Estas são as minhas, hã, irmãs... Jill e Sydney.
Micah deu um sorriso para cada uma de nós. Ele tinha um jeito que me deixava à vontade, e deu para perceber por que tinha sido escalado como líder de orientação. Fiquei me perguntando por que Eddie estava agindo de um modo tão estranho.
— Em que série vocês estão? — ele nos perguntou.
— Último ano — eu disse. Ao me lembrar da história do nosso disfarce, completei: — Eddie e eu somos gêmeos.
— Eu estou no primeiro ano — Jill falou.
Ao olhar para a nossa “família”, percebi que Eddie e eu provavelmente podíamos passar por irmãos com bastante facilidade. Nossos tons de pele eram semelhantes e, é claro, havia o fato de nós dois parecermos humanos. Ainda que um humano não fosse olhar para Jill e necessariamente dizer “vampira!”, ela possuía certos traços que a destacavam como fora do comum. Seu tipo físico e sua palidez criavam um contraste marcante em relação a mim e Eddie.
Se Micah reparou na ausência de semelhança familiar, não deixou transparecer.
— Está nervosa para começar o ensino médio? — ele perguntou a Jill.
Ela sacudiu a cabeça e retribuiu o sorriso.
— Estou pronta para o desafio.
— Bom, se precisar de alguma coisa, é só falar — ele disse. — Agora eu preciso dar início a essa festa. Falo com vocês mais tarde.
Pela maneira como a atenção dele se concentrou unicamente nela, ficou óbvio que o “se precisar de alguma coisa” era dirigido a Jill, e as bochechas vermelhas dela mostravam que ela também tinha percebido. Ela sorriu e olhou nos olhos dele por um momento, então desviou o olhar, acanhada. Eu teria achado aquilo fofo, se não representasse uma perspectiva preocupante. Jill estava em uma escola cheia de humanos. Namorar um deles estava completamente fora de questão, e garotos como Micah não podiam ser incentivados. Eddie pareceu não se incomodar com o comentário, mas isso porque ainda parecia incomodado com Micah de maneira geral.
Micah pediu ao nosso grupo que prestasse atenção e deu início à orientação. A primeira parte era simplesmente uma volta pelo terreno. Fomos andando atrás dele, entrando e saindo de ambientes com ar-condicionado, enquanto ele nos mostrava os prédios importantes. Ele explicou o sistema de ônibus e nós embarcamos em um deles para ir ao campus oeste, que era quase uma imagem espelhada do leste. Meninos e meninas tinham permissão de entrar no alojamento uns dos outros, com certas limitações, e ele explicou essas regras também, causando alguns resmungos. Ao me lembrar da temível sra. Weathers, fiquei com pena de qualquer garoto que tentasse desrespeitar as regras do alojamento.
Ambos os alojamentos tinham seu próprio refeitório, que qualquer aluno podia usar, e nosso grupo de orientação almoçou enquanto ainda estávamos no campus oeste. Micah se juntou aos meus “irmãos” e a mim, dando-se ao trabalho de conversar com cada um de nós. Eddie respondeu com educação, assentindo e fazendo perguntas, mas seus olhos ainda pareciam vagamente assombrados. Jill no começo ficou acanhada, mas assim que Micah começou a brincar com ela, acabou se soltando.
Que engraçado, pensei. A facilidade de adaptação de Eddie e Jill era maior do que a minha. Eles estavam em um ambiente estranho, com uma raça diferente, mas ainda entre coisas familiares, como refeitórios e vestiários. Eles logo entraram nos papéis e nos procedimentos sem dificuldade. Enquanto isso, apesar de ter viajado e vivido no mundo todo, eu me sentia deslocada naquele ambiente que para todas as outras pessoas era muito comum.
Independente disso, não demorou muito para eu entender como a escola funcionava. Os alquimistas eram treinados para observar e se adaptar e, apesar de a escola ser uma coisa estranha para mim, logo entrei na rotina. Eu também não tinha medo de falar com as pessoas — estava acostumada a puxar papo com desconhecidos e encontrar explicações para escapar de alguma situação complicada. Mas tinha uma coisa que eu sabia que precisava desenvolver.
— Ouvi dizer que a família dela talvez se mude para Anchorage.
Estávamos no almoço de orientação, e duas garotas do primeiro ano perto de mim conversavam sobre uma amiga delas que não tinha aparecido naquele dia.
Os olhos da outra menina se arregalaram.
— Sério? Eu iria morrer se tivesse que me mudar para lá.
— Não sei — refleti, remexendo a comida no prato. — Com tantos raios uv aqui, Anchorage na verdade poderia fornecer maior expectativa de vida. Não é preciso usar tanto protetor solar, então parece ser uma solução mais econômica também.
Pensei que o meu comentário tinha sido útil, mas, quando ergui os olhos, vi que as duas olhavam fixamente para mim, boquiabertas. Era óbvio, pelo jeito que elas me olhavam, que eu não podia ter feito um comentário mais bizarro.
— Acho que eu não devia dizer tudo que me vem à cabeça — murmurei para Eddie.
Estava acostumada a ser direta em situações sociais, mas me ocorreu que simplesmente dizer “é, total!” provavelmente teria sido a resposta correta. Eu tinha poucos amigos da minha idade e estava sem prática.
Eddie sorriu para mim.
— Não sei não, irmãzinha. Você é bem divertida do jeito que é. Continue assim.
Depois do almoço, nosso grupo voltou para o campus central, onde nos separamos para ter reuniões com conselheiros acadêmicos e elaborar o horário de aulas. Quando me sentei com a minha conselheira, uma mulher toda animada chamada Molly, fiquei surpresa de ver que os alquimistas tinham enviado históricos escolares de uma instituição fictícia na Dakota do Sul. Eram até bem consistentes com o que eu tinha estudado em casa.
— As suas notas e provas a colocaram nas nossas classes mais adiantadas de matemática e de inglês — Molly disse. — Se você se sair bem, poderá receber créditos para a faculdade — pena que não vai ter como eu ir para a faculdade, pensei com um suspiro. Ela folheou algumas páginas no meu arquivo. — Agora, não estou vendo nenhum registro de línguas estrangeiras aqui. É exigência de Amberwood que todos aprendam pelo menos uma língua.
Ops. Os alquimistas tinham pisado na bola com o meu histórico escolar falso. Na verdade, eu havia estudado várias línguas. O meu pai se assegurou de que eu tivesse aulas desde muito pequena, já que um alquimista nunca sabe onde vai parar. Ao examinar a lista de línguas oferecidas em Amberwood, hesitei e fiquei me perguntando se devia mentir. Então decidi que realmente não queria aturar aulas de conjugações e tempos verbais que já tinha aprendido.
— Eu já sei falar todas estas — disse a Molly.
Ela ficou me olhando sem acreditar.
— Todas estas? Há cinco línguas aqui.
Eu assenti e completei, para tentar ajudar:
— Mas eu só estudei japonês durante dois anos. Então acho que posso aprender mais.
Molly continuou com cara de quem não estava acreditando.
— Está disposta a fazer testes de proficiência?
E, assim, acabei passando o resto da tarde fazendo provas de línguas estrangeiras. Não era daquele jeito que eu queria passar o meu tempo, mas achei que valeria a pena depois — os testes eram facílimos.
Quando eu finalmente terminei todas as cinco línguas, três horas depois, Molly me fez sair apressada para tirar as medidas para o meu uniforme. A maior parte dos alunos novos já tinha passado por lá, então ela estava preocupada que a mulher que tirava as medidas já tivesse ido embora. Eu me apressei o máximo possível pelos corredores sem chegar a correr, e quase dei um encontrão com duas meninas que dobravam uma esquina.
— Ah! — exclamei, sentindo-me uma idiota. — Sinto muito... estou atrasada para tirar as medidas para o uniforme...
Uma delas deu uma risada gostosa. Ela tinha a pele escura, corpo atlético e cabelo ondulado.
— Não se preocupe com isso — ela falou. — Acabamos de passar pela sala. Ela ainda está lá.
A outra menina tinha cabelo loiro um tom mais claro que o meu, preso em um rabo de cavalo. As duas tinham a segurança tranquila das pessoas que sabiam se virar naquele mundo. Elas não eram alunas novas.
— A sra. Delaney sempre demora mais do que pensa com as medidas — a loira disse em tom de quem sabe das coisas. — Todo ano, é a... — o queixo dela caiu, suas palavras se congelaram por alguns momentos. — Onde... onde você conseguiu isso?
Eu não fazia ideia do que ela estava falando, mas a outra menina logo notou e se inclinou mais perto de mim.
— Que demais! É isso que estão fazendo este ano?
— A sua tatuagem — a loira explicou. Devo ter continuado com cara de quem não estava entendendo nada. — Onde você fez isso?
— Ah. Isso — meus dedos tocaram a bochecha sem prestar atenção. — Foi, hum, na Dakota do Sul. De onde eu vim.
As duas meninas pareceram decepcionadas.
— Acho que é por isso que nós nunca vimos — disse a morena. — Achei que a Nevermore estivesse fazendo algo novo.
— Nevermore? — perguntei.
As meninas trocaram olhares silenciosos e alguma mensagem foi transmitida entre elas.
— Você é nova, certo? Como se chama? — a loira perguntou. — Eu sou Julia. Esta é Kristin.
— Sydney — eu disse, ainda curiosa.
Julia tinha voltado a sorrir.
— Almoce com a gente na ala leste amanhã, certo? Vamos explicar tudo.
— Tudo sobre o quê? — perguntei.
— É uma longa história. Por enquanto, só vá ver a Delaney — Kristin completou e começou a se afastar. — Ela fica até mais tarde, mas não vai ficar ali para sempre.
Quando elas se foram, eu continuei o meu caminho — bem mais devagar —, imaginando que história era aquela. Será que eu tinha acabado de fazer amigas? Eu realmente não tinha certeza de como devia me comportar em uma escola assim, mas a conversa toda tinha parecido bem esquisita.
A sra. Delaney estava começando a guardar suas coisas quando eu cheguei.
— Que tamanho você usa, querida? — ela perguntou ao me ver à porta.
— PP.
Ela me mostrou diversas peças: saias, calças, blusas e suéteres. Duvidei que os suéteres tivessem muita utilidade, a menos que uma tempestade de neve apocalíptica e sobrenatural se abatesse sobre Palm Springs. Amberwood não se importava muito com a combinação que os alunos usassem, desde que as peças viessem da linha de roupas aprovada. As cores eram vinho, cinza-escuro e branco, e eu até achei que ficavam bem juntas.
Ao me ver abotoar uma blusa branca, a sra. Delaney estalou a língua:
— Acho que você precisa de P.
Eu fiquei paralisada com um botão meio abotoado na mão.
— Eu uso PP.
— Ah, sim, você cabe neste tamanho, mas olhe só as mangas e o comprimento da saia. Vai ficar mais confortável com P. Experimente estas peças — ela me entregou uma pilha nova e então deu risada. — Não fique com esta cara horrorizada, menina! Usar P não é nada de mais, você continua sendo um palito — ela deu palmadinhas em sua barriga grande. — Cabem três de você nas minhas roupas!
Apesar dos meus protestos, fui mandada embora com as roupas tamanho P. Voltei de ônibus para o dormitório, arrasada, e encontrei Jill deitada na cama, lendo. Ela se sentou ereta quando cheguei.
— Oi, estava mesmo imaginando o que tinha acontecido com você.
— Eu me atrasei — disse com um suspiro. — Está se sentindo melhor?
— Estou, sim. Muito melhor — Jill observava enquanto eu guardava os uniformes. — Eles são bem horrorosos, não são? Nós não usamos uniformes na São Vladimir. Vai ser a maior chatice usar a mesma coisa todos os dias.
Eu não queria dizer a ela que, por ser alquimista, eu provavelmente ia usar roupas parecidas com aquelas de todo modo.
— Que tamanho deram para você? — perguntei para mudar de assunto. Eu sentia uma espécie de avidez por punição.
— PP.
Uma pontada de irritação percorreu o meu corpo quando pendurei meus uniformes no armário, ao lado dos dela. Eu me senti enorme em comparação. Como é que esses Moroi eram tão magros? Genética? Dieta de sangue com poucos carboidratos? Talvez fosse porque todos eles eram muito altos. Só sabia que, sempre que passava um tempo perto deles, me sentia inchada e desajeitada, e ficava com vontade de comer menos. Quando terminei de desfazer as malas, Jill e eu comparamos nossos horários. Não foi surpresa ver que, levando em conta a diferença de séries, nós não tínhamos quase nada em comum. A única coisa que compartilhávamos era a aula de educação física, que juntava todos os anos. Os alunos tinham que frequentar aquela aula todos os semestres, já que estar em forma era considerado parte da experiência escolar completa. Talvez eu pudesse perder alguns quilos e voltar para o meu tamanho normal.
Jill sorriu e devolveu o meu horário.
— Eddie foi lá e exigiu ficar na mesma classe de educação física que nós, porque é basicamente a única que podemos fazer juntos. Mas ela entra em conflito com a aula de espanhol dele, e não permitiram. Acho que ele não vai conseguir passar um dia letivo inteiro sem checar se eu estou viva. Ah, e Micah está conosco na educação física.
Fui para a minha cama pisando firme, ainda irritada por causa dos uniformes. As palavras de Jill chamaram a minha atenção.
— Ei, você sabe por que Eddie pareceu ficar incomodado com Micah?
Jill sacudiu a cabeça.
— Não, e não tive oportunidade de perguntar, mas também reparei... principalmente no começo. Depois, quando você estava fazendo as suas provas e nós esperávamos os uniformes, Eddie pareceu se acalmar. Um pouco. Mas, de vez em quando, eu via que ele estava olhando de um jeito estranho para Micah.
—Você não acha que ele pode considerar Micah perigoso, acha?
Jill deu de ombros.
— Ele não pareceu perigoso para mim, mas não sou guardiã. Se Eddie achasse que ele representa algum tipo de ameaça, acredito que iria agir de outra maneira. Com mais agressividade. Ele parecia mais estar nervoso perto de Micah. Quase, mas não exatamente, com medo. E isso é o mais estranho de tudo, porque os guardiões nunca parecem amedrontados. Não que Eddie seja tecnicamente um guardião. Mas você sabe o que eu quero dizer.
— Sei, sim — respondi sorrindo, apesar das minhas intenções mal-humoradas. Aquela divagação natural e meiga me animou um pouco. — Como assim, Eddie não é tecnicamente guardião? Ele não foi designado para proteger você aqui?
— Foi, sim — Jill respondeu enquanto brincava com um de seus cachos castanho-claros. — Mas... bom, é meio esquisito. Ele se meteu em algum tipo de confusão com os guardiões por ajudar Rose e por, hum, matar um cara.
— Ele matou aquele Moroi que atacou Vasilisa, certo? — Isso tinha sido mencionado no meu interrogatório.
— É — Jill respondeu, perdida em suas próprias lembranças. — Foi em legítima defesa, e em defesa de Lissa, mas todo mundo ficou chocado por ele ter matado um Moroi. Os guardiões não podem fazer isso, mas até aí, os Moroi também não podem atacar uns aos outros. Mas, bom, ele recebeu suspensão. Ninguém sabia o que fazer com ele. Quando eu fui... atacada, Eddie ajudou a me proteger. Depois, Lissa disse que era uma estupidez deixá-lo sem trabalhar se ele podia ser útil, e levando em conta que também havia um Moroi por trás do ataque, ela disse que todo mundo ia ter que se acostumar com a ideia de ter alguns Moroi como inimigos. Hans, o guardião encarregado na corte, finalmente concordou e mandou Eddie vir comigo, mas eu acho que, oficialmente, o cargo de Eddie ainda não foi restituído. É estranho — Jill tinha feito todo o discurso sem pausa e então parou para retomar o fôlego.
— Bom, tenho certeza de que tudo vai ser resolvido — eu disse, tentando tranquilizá-la. — E parece que ele vai ganhar pontos por manter uma princesa viva.
Jill me lançou um olhar afiado.
— Não sou princesa coisa nenhuma.
Eu franzi a testa e tentei me lembrar das complexidades da lei dos Moroi.
— O príncipe ou a princesa é o integrante mais velho da família real. Como Vasilisa é a rainha, o título passa para você, certo?
— No papel — Jill respondeu e desviou o olhar. O tom dela era difícil de decifrar, uma mistura estranha que parecia ser amargor e pesar. — Eu não sou princesa, não de verdade. Sou apenas alguém que por acaso tem parentesco com a rainha.
A mãe de Jill tinha sido amante de Eric Dragomir, pai de Vasilisa, por um curto período, e mantivera a existência de Jill em segredo durante anos. O fato tinha sido trazido às claras recentemente, e eu desempenhei um papel importante para ajudar Rose a localizar Jill. Com toda a confusão na minha própria vida, além da ênfase sobre a segurança de Jill, eu não tinha passado muito tempo imaginando como ela tinha se adaptado ao seu novo status. Devia ser uma tremenda mudança de estilo de vida.
— Tenho certeza de que é mais do que isso — eu disse com gentileza. Fiquei imaginando se ia ter que passar muito tempo fazendo papel de terapeuta para Jill durante a missão. A perspectiva de realmente reconfortar uma vampira ainda me parecia muito estranha. — Quero dizer que você é obviamente importante. Todo mundo se esforçou muito para que você ficasse aqui em segurança.
— Mas é mesmo por mim? — Jill perguntou. — Ou é para ajudar Lissa a manter o trono? Ela mal falou comigo desde que descobriu que éramos irmãs.
Aquela conversa estava se desviando para águas nada confortáveis, para questões pessoais com as quais eu nem sabia lidar. Não podia imaginar como seria estar no lugar de Vasilisa ou de Jill. A única coisa que parecia certa era que não devia ser fácil para nenhuma delas.
— Tenho certeza de que ela gosta de você — eu disse, apesar de não ter certeza nenhuma. — Mas deve ser estranho para ela... principalmente com todas as outras mudanças na vida dela também. Dê um tempo a ela. Concentre-se no que é importante primeiro: ficar aqui e continuar viva.
— Você tem razão — Jill disse. Ela voltou a se deitar na cama e ficou olhando para o teto. — Estou nervosa com amanhã; ficar perto de tanta gente, tendo aula o dia inteiro. E se repararem? E se alguém descobrir a verdade a meu respeito?
— Você foi ótima na orientação — garanti a ela. — Só não mostre os seus caninos. E, além do mais, eu sou boa em convencer as pessoas de que elas não viram o que acham que viram.
A expressão agradecida no rosto dela me lembrou, de um jeito desconfortável, de Zoe. Elas eram tão parecidas em tantos aspectos, tímidas e cheias de incertezas — e, no entanto, extremamente impetuosas e desesperadas para provar o seu valor. Eu tinha tentado proteger Zoe — e, aos olhos dela, só falhei. Naquele momento, estar com Jill fazia me sentir em conflito. Em certos aspectos, eu podia compensar o que não tinha sido capaz de fazer por Zoe. No entanto, quando eu pensava nisso, uma voz baixinha interior ficava dizendo: Jill não é sua irmã. Ela é uma vampira. Isto aqui é trabalho.
— Obrigada, Sydney. Fico contente que você esteja aqui — ela sorriu, e a culpa só se contorceu mais fundo dentro de mim. — Sabe, eu meio que tenho inveja de Adrian. Ele acha tão chato ficar na casa do Clarence, mas não precisa se preocupar em conhecer gente nova nem se acostumar com uma nova escola. Ele só fica lá assistindo tv, jogando sinuca com o Lee, dormindo até tarde... parece fantástico — ela suspirou.
— Suponho que sim — eu disse, um pouco surpresa com tantos detalhes. — Como é que você sabe tudo isso? Você... falou com ele depois da nossa partida? — A ideia parecia improvável enquanto eu falava. Eu tinha passado a maior parte do dia com ela.
O sorriso desapareceu do rosto dela.
— Ah, não. Quer dizer, só supus que é isso que está acontecendo. Ele mencionou algumas coisas antes, só isso. Desculpe. Estou sendo melodramática e falando bobagem. Obrigada por me escutar... realmente faz com que eu me sinta melhor.
Dei um sorriso contido e não disse mais nada. Não conseguia superar o fato de que estava começando a simpatizar tanto com uma vampira. Primeiro Rose, e agora Jill? Não importava o quão adorável ela fosse. Eu precisava manter a nossa relação estritamente profissional para que nenhum alquimista pudesse me acusar de me apegar a ela. As palavras de Keith ecoaram na minha cabeça: adoradora de vampiros...
Isso é ridículo, eu pensei. Não havia nada de errado em ser legal com uma pessoa que estava sob os meus cuidados. Era normal, estava muito longe de ficar “próxima demais” deles. Certo? Coloquei minhas preocupações de lado e me concentrei em terminar de desfazer as malas e pensar sobre a nossa nova vida ali. Eu sinceramente torcia para que o dia seguinte fosse correr tão bem quanto eu havia garantido a Jill que correria.
Infelizmente, não foi assim.

5 comentários:

  1. Talvez o restante deles possa passar despercebido por essa brincadeira de volta às aulas, mas eu seria expulso no primeiro dia. Pelo menos aqui não vou poder corromper ninguém... SEMPRE ELEEEE ADRIANNNN

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  2. Micah não é um dos dampiros que Eddie e Rose conheceram em uma viagem que fizeram?

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    1. Não acho que não, e acho que Eddie tá estranho porque Micah lembra muito Mason... ����

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  3. É mta loucura minha ou o Adrian e a Jill tem um laço igual a Rose e a Lissa?????

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    1. Também estou desconfiada disso!! Adorei, o Adrian é meu personagem favorito, ele merece e precisa de alguém que se conecte de verdade com ele. Pra ajudar ele a ser á pessoa foda que ele pode ser ♡

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Boa leitura :)