27 de setembro de 2017

Capítulo 12

QUANDO SAÍMOS PARA O ENCONTRO em grupo ou passeio em família ou seja lá o que fosse, Lee não parava de pedir desculpas pelo pai.
— Sinto muito — ele disse, e se largou arrasado no banco de trás do Pingado. — Não dá mais para fazer com que ele recupere a razão. Tentamos dizer a ele que Tamara foi morta pelos Strigoi, mas ele se recusa a acreditar. Ele não quer saber. Não pode se vingar de um Strigoi. Eles são imortais. Invencíveis. Já um caçador de vampiros humano... De algum modo, na cabeça dele, é algo que ele poderia perseguir. E, se isso não for possível, ele pode se concentrar em como os guardiões se recusam a ir atrás desses caçadores de vampiros inexistentes.
Eu mal ouvi Eddie balbuciar:
— Os Strigoi não são assim tão invencíveis.
Pelo espelho retrovisor, vi o rosto de Jill cheio de compaixão. Ela estava sentada entre Lee e Eddie.
— Mesmo que seja uma fantasia, talvez seja melhor assim — ela sugeriu. — Isso lhe dá conforto. Quer dizer, mais ou menos. Ter algo concreto para detestar é o que permite que ele aguente. Senão, simplesmente iria se entregar ao desespero. Ele não faz mal a ninguém com suas teorias. Acho que ele é um amor — ela tomou fôlego daquele jeito que fazia quando falava muito de uma vez só.
Os meus olhos estavam na estrada, mas pude jurar que vi Lee sorrindo.
— Isso foi legal da sua parte — ele disse a ela. — Eu sei que ele gosta de ter você por perto. Vire aqui.
Essa última frase ele disse para mim. Lee estava me dando as instruções do caminho desde que havíamos saído da casa de Clarence. Tínhamos acabado de sair de Palm Springs propriamente dita, e nos aproximávamos do Resort e Campo de Golfe Desert Gods, cuja aparência era muito impressionante. Mais instruções nos levaram até o Centro de Minigolfe Mega-Fun, ao lado do resort. Procurei um lugar para estacionar e ouvi Jill engolir em seco quando avistou a glória que coroava o campo de golfe. Ali, no centro de um aglomerado de gramados com decoração cafona, havia uma grande montanha falsa com uma cachoeira artificial caindo do alto.
— Uma cachoeira! — ela exclamou. — É fantástico.
— Bom — Lee disse —, eu não iria assim tão longe. É feita de água que é bombeada sem parar, e tem só Deus sabe o que nessa água. Quer dizer, eu é que não iria tentar beber ou nadar nela.
Antes mesmo que o carro parasse, Adrian já tinha saído e acendia um cigarro. Nós tínhamos discutido no caminho, apesar de eu dizer três vezes que o Pingado era um carro estritamente para não fumantes. Logo todos nós também saímos, e eu fiquei imaginando no que eu tinha me metido enquanto nos dirigíamos à entrada.
— Na verdade, eu nunca joguei minigolfe — comentei.
Lee parou e ficou olhando fixamente para mim.
— Nunca?
— Nunca.
— Como isso pode ser possível? — Adrian perguntou. — Como é possível você nunca ter jogado minigolfe?
— A minha infância foi meio fora do comum — eu disse finalmente.
Até Eddie parecia incrédulo.
— A sua? Eu fui praticamente criado em uma escola isolada no meio do nada, em Montana, e até eu já joguei minigolfe.
Dizer que eu tinha sido educada em casa não servia de desculpa dessa vez, por isso só deixei para lá. Na verdade, o negócio é que a minha infância foi mais concentrada em equações químicas do que em diversão e recreação.
Quando começamos a jogar, eu logo peguei o jeito. Minhas primeiras tentativas foram bem ruins, mas eu logo compreendi o peso do taco e como manobrar os ângulos de cada campo. A partir daí, foi bem fácil calcular a distância e a força para dar tacadas certeiras.
— Inacreditável. Se você tivesse jogado desde criança, provavelmente ia ser profissional agora — Eddie me disse quando eu enfiei a bola na boca aberta de um dragão. A bola saiu rolando pela parte de trás, desceu por um tubo, bateu em um muro e caiu no buraco. — Como você faz isso?
Dei de ombros.
— É pura geometria. Você também não é assim tão ruim — observei ao ver a tacada dele. — Como você faz?
— Eu só alinho e bato na bola.
— Muito científico.
— Eu só confio no meu talento natural — Adrian disse ao chegar com passos gingados à Toca do Dragão. — Quando se tem tanto assim à disposição, o perigo é ter demais.
— Isso não faz absolutamente nenhum sentido — Eddie falou.
A resposta de Adrian foi fazer uma pausa e pegar um cantil prateado do bolso de dentro do casaco. Ele desenroscou a tampa e deu um gole rápido antes de se inclinar para dar sua tacada.
— O que foi isso? — exclamei. — Não pode beber álcool aqui.
— Você ouviu o que a Belezinha disse antes — ele retrucou. — É fim de semana.
Ele ajeitou a bola e deu a tacada. Ela foi direto para o olho do dragão, ricocheteou e voltou na direção de Adrian. Depois rolou e parou aos pés dele, quase no mesmo lugar de onde tinha saído.
— Talento natural, hein? — Eddie perguntou.
Eu me inclinei para a frente.
— Acho que você quebrou o olho do dragão.
— Ficou igualzinho ao Keith — Adrian disse. — Achei que você iria gostar, Sage.
Olhei feio para ele, imaginando se havia mais algum significado oculto por trás daquilo. De maneira geral, Adrian pareceu surpreso com a própria gracinha. Eddie entendeu mal a minha expressão.
— Isso foi inapropriado — ele disse a Adrian.
— Desculpe, pai — Adrian deu mais uma tacada e conseguiu não aleijar nenhuma estátua dessa vez. Com mais duas tacadas, ele acertou a bola na mira. — Pronto. Três.
— Quatro — Eddie e eu dissemos em uníssono.
Adrian olhou para nós, incrédulo.
— Foram três.
— Está se esquecendo da primeira — eu disse. — A que cegou o dragão.
— Aquilo foi só aquecimento — Adrian argumentou. Ele estampou um sorriso no rosto que, acredito, tinha a esperança de me encantar. — Vamos lá, Sage. Você compreende a maneira como a minha mente funciona. Você disse que eu era brilhante, lembra?
Eddie olhou para mim, surpreso.
— Disse mesmo?
— Não! Eu nunca disse isso. — O sorriso de Adrian era de enfurecer. — Pare de dizer isso para todo mundo.
Como eu era responsável pela ficha de pontos, marquei a jogada dele como sendo de quatro tacadas, apesar das reclamações subsequentes. Comecei a avançar, mas Eddie ergueu a mão para me deter, com os olhos cor de avelã olhando por cima do meu ombro.
— Não vá ainda — ele disse. — Precisamos esperar Jill e Lee.
Segui o olhar dele. Os dois tinham mergulhado numa conversa profunda desde a nossa chegada, tanto que tinham se atrasado e estavam bem atrás de todos nós. Mesmo enquanto discutia comigo e com Adrian, Eddie sempre conferia onde ela estava — e o nosso entorno. A maneira como ele fazia várias coisas ao mesmo tempo era impressionante. Até então, Jill e Lee só tinham estado um buraco atrás de nós. Agora eram quase dois, e isso era longe demais para Eddie permitir que ela ficasse fora de sua vista. Por isso, nós esperamos até que o casal distraído chegasse à Toca do Dragão.
Adrian deu mais um gole em seu cantil e sacudiu a cabeça, maravilhado.
— Você não tinha com o que se preocupar, Sage. Ela foi direto para cima dele.
— Não graças a você — me irritei. — Não acredito que você contou para ela todos os detalhes da minha visita naquela noite. Ela ficou tão brava comigo por eu ter interferido com você, Lee e Micah pelas costas dela.
— Eu não falei quase nada para ela — Adrian argumentou. — Só disse para ela ficar longe daquele humano.
Eddie deu uma olhada em nós dois.
— Micah?
Eu troquei o peso do corpo de um pé para o outro, sem jeito. Eddie não sabia que eu tinha tomado iniciativas.
— Lembra quando eu pedi para você dizer algo a ele? E você se recusou? — Então contei a ele como tinha buscado ajuda com Adrian e acabei descobrindo o interesse que Lee tinha por Jill. Eddie ficou boquiaberto.
— Como é que você não me contou nada disso? — ele questionou.
— Bom — eu disse, imaginando se tudo que eu fizesse sempre resultaria na ira de um Moroi ou de um dampiro. — Não era da sua conta.
— A segurança de Jill é sempre da minha conta! Se tem algum cara que gosta dela, eu preciso saber.
Adrian deu risada.
— Será que Sage devia ter passado um bilhete para você durante a aula?
— Não há nada de errado com Lee — eu disse. — Ele obviamente a adora e, se estiver com ele, ela nunca vai estar sozinha.
— Nós não sabemos com certeza se não há nada de errado com ele — Eddie disse.
— E Micah por acaso é cem por cento confiável? Você checou o histórico dele ou algo assim? — perguntei.
— Não — Eddie respondeu, parecendo envergonhado. — Eu simplesmente sei. É uma sensação que eu tenho a respeito dele. Não tem problema ele passar um tempo com Jill.
— Tirando o fato de ele ser humano.
— Não ia acontecer nada sério entre eles.
— Você não tem como saber disso.
— Já chega, vocês dois — Adrian interrompeu. Jill e Lee tinham finalmente chegado ao início da Toca do Dragão, o que significava que nós podíamos avançar. Adrian baixou a voz. — Essa discussão é inútil. Quer dizer, olhe para eles. Aquele humano está fora de questão.
Eu olhei. Adrian tinha razão. Jill e Lee estavam muito envolvidos. Alguma parte de mim cheia de culpa ficou imaginando se eu devia me esforçar mais para cuidar de Jill. Fiquei tão aliviada por ela estar interessada em um Moroi que nem parei para pensar se ela devia mesmo namorar alguém. Será que quinze anos era idade suficiente? Eu não namorava quando tinha quinze anos. Bom, na verdade, eu nunca tinha namorado.
— Há uma diferença de idade entre eles — admiti, mais para mim mesma.
Adrian caçoou.
— Pode acreditar, já vi diferença de idade. A deles não é nada.
Ele se afastou e, alguns momentos depois, Eddie e eu nos juntamos a ele. Eddie manteve sua vigília simultânea a Jill, mas dessa vez fiquei com a impressão de que o perigo que ele vigiava estava bem ao lado dela. A risada de Adrian soou à nossa frente.
— Sage! — ele chamou. — Você tem que ver isto.
Eddie e eu chegamos ao próximo campo e ficamos olhando, surpresos. Então eu caí na risada. Tínhamos chegado ao Castelo do Drácula.
Um castelo enorme, preto e cheio de torres, guardava o buraco a certa distância. Havia um túnel no meio dele com uma ponte estreita por onde a bola devia passar. Se a bola caísse pela lateral antes de chegar ao castelo, voltava para o ponto inicial. Um boneco animado do conde Drácula ficava ao lado do castelo. Ele era de um branco puro, com olhos vermelhos, orelhas pontudas e cabelo penteado para trás. Com gestos meio desajeitados, ele ficava erguendo os braços para exibir sua capa em forma de morcego.
Nas proximidades, um alto-falante tocava bem alto uma música misteriosa de órgão. Eu não conseguia parar de dar risada. Adrian e Eddie olharam para mim como se nunca tivessem me visto.
— Acho que nunca tinha ouvido a risada dela — Eddie disse a ele.
— Com certeza não era a reação que eu estava esperando — Adrian refletiu. — Eu estava contando com um terror absoluto, a julgar por seu comportamento anterior de alquimista. Não achei que você gostasse de vampiros.
Ainda sorrindo, fiquei observando o Drácula sacudir a capa para cima e para baixo.
— Isso aqui não é um vampiro. Não é de verdade. E é por isso que é tão engraçado. É a pura cafonice de Hollywood. Os vampiros de verdade são aterrorizantes e antinaturais. Isso aqui? Isso é hilário.
Ficou claro, pela expressão deles, que nenhum dos dois estava entendendo por que aquilo tinha tanto apelo ao meu senso de humor. Mas Adrian se ofereceu para tirar uma foto com o meu celular quando eu pedi. Fiz uma pose ao lado do Drácula e estampei um sorriso enorme no rosto. Adrian conseguiu tirar a foto bem quando o Drácula erguia a capa. Quando eu conferi a foto, fiquei feliz de ver que tinha saído perfeita. Até o meu cabelo tinha saído bom.
Adrian acenou com a cabeça em aprovação à foto antes de me entregar o celular.
— Certo, até eu sou capaz de admitir que ficou bem bonitinha.
Eu me peguei analisando o comentário excessivamente. O que ele quis dizer com “até ele era capaz de admitir”? Que eu era bonitinha para uma humana? Ou que eu tinha atendido a algum padrão de beleza em sua avaliação? Momentos depois, me forcei a parar de pensar nisso. Deixe para lá, Sydney. Foi um elogio. Aceite.
Jogamos pelo resto do campo e finalmente fomos dar na cachoeira em si. Aquele foi um buraco especialmente desafiador, e eu demorei para calcular a minha tacada — não que fosse necessário. Eu estava ganhando de todo mundo com bastante facilidade. Eddie era o único que chegava perto. Ficou claro que Jill e Lee nem estavam prestando atenção ao jogo, e no que dizia respeito a Adrian e seu talento natural... bom, eles ocupavam a última posição com solidez.
Eddie, Adrian e eu ainda estávamos na frente dos outros dois, por isso ficamos esperando por eles perto da cachoeira. Jill praticamente correu na direção dela quando teve oportunidade, admirando-a com olhos encantados.
— Ah — ela disse, sem fôlego. — Isso é maravilhoso. Não vejo tanta água assim há dias.
— Lembre-se do que eu disse a respeito do nível de toxinas — Lee brincou. Mas era óbvio que ele tinha achado a reação dela uma graça. Quando olhei para os outros dois, vi que eles compartilhavam dos mesmos sentimentos. Bom, não eram exatamente os mesmos. A afeição de Adrian era obviamente a de um irmão. Mas a de Eddie... era difícil de decifrar, meio que uma mistura das outras duas. Talvez fosse um tipo de afeto de guardião.
Jill fez um gesto na direção da cachoeira e, de repente, parte da água se separou da cascata que caía. Essa porção tomou a forma de uma trança e se contorceu alto no ar, formando espirais, antes de se despedaçar em um milhão de gotas que caíram como uma névoa por cima de nós todos. Eu olhava para aquilo com os olhos arregalados e paralisada, mas as gotas que me atingiram me despertaram.
— Jill — eu disse em uma voz que mal reconheci como sendo minha. — Nunca mais faça isso.
Jill, com os olhos brilhantes, mal me notou ao fazer outra porção de água dançar no ar.
— Não tem ninguém por aqui para ver, Sydney.
Não era por isso que eu estava tão aborrecida. Não tinha sido isso que me enchera de tanto pânico que eu mal conseguia respirar. O mundo estava começando a girar, e eu fiquei com medo de desmaiar. Um medo frio e envolvente tomou conta de mim, medo do desconhecido. Do antinatural. As leis do meu mundo tinham acabado de ser rompidas. Aquilo era magia de vampiro, algo estranho e inacessível aos humanos — inacessível porque era proibido, uma coisa com que nenhum mortal devia se meter. Eu só tinha visto magia sendo usada uma vez, quando duas vampiras usuárias de espírito tinham se voltado uma contra a outra, e eu nunca mais quis ver aquilo. Uma tinha forçado as plantas da terra a fazerem seu encanto, enquanto a outra usava a telecinesia para lançar objetos com a intenção de matar. Tinha sido apavorante, e apesar de o alvo não ser eu, me senti encurralada e esmagada diante de um poder tão de outro mundo.
Aquele foi um lembrete de que essas não eram pessoas divertidas para ter como companhia. Eram criaturas completamente diferentes de mim.
— Pare com isso — eu disse, sentindo o pânico crescer. Eu tinha medo da magia, tinha medo que me tocasse, medo do que podia fazer comigo. — Não faça mais isso!
Jill nem me escutou. Ela sorriu para Lee.
— Você é do ar, certo? Consegue criar neblina por cima da água?
Lee enfiou as mãos nos bolsos e desviou o olhar.
— Ah, bom, acho que não é boa ideia. Quer dizer, estamos em público...
— Vamos lá — ela implorou. — Não vai dar nenhum trabalho para você.
Ele na verdade parecia nervoso.
— Não, agora não.
— Não me venha com essa você também — ela deu risada. Acima dela e à sua frente, aquela água endemoniada continuava rodando, rodando, rodando...
— Jill — Adrian disse com um tom de voz rude, que eu nunca tinha escutado. Aliás, eu não me lembrava de alguma vez ter escutado o nome verdadeiro dela saindo da boca dele. — Pare.
Foi a única coisa que ele disse, mas foi como se uma onda tivesse passado por Jill. Ela se encolheu e as espirais de água desapareceram, desabando em gotículas.
— Tudo bem — ela disse com ar confuso.
Houve um momento constrangedor, e então Eddie disse:
— Precisamos andar logo, senão vamos perder o toque de recolher.
Lee e Jill foram dar suas últimas tacadas e logo já estavam dando risada e flertando mais uma vez. Eddie continuou a observá-los com sua maneira preocupada. Só Adrian prestava atenção em mim. Percebi que ele era o único que realmente entendia o que tinha acontecido. Seus olhos verdes me examinavam, sem vestígio de seu humor amargo de sempre. Mas eu não me deixei enganar. Eu sabia que devia haver alguma observação espertinha por vir, para caçoar da minha reação.
— Você está bem? — ele perguntou baixinho.
— Está tudo bem — eu disse e me virei para o outro lado. Não queria que ele visse o meu rosto. Ele já tinha visto demais, já tinha visto o meu medo. Eu não queria que nenhum deles soubesse como eu tinha medo. Ouvi quando deu alguns passos na minha direção.
— Sage...
— Me deixe em paz — soltei, ríspida. Fui apressada em direção à saída do campo, certa de que ele não iria me seguir. Tinha razão. Esperei até que eles terminassem a partida e usei o tempo que tive sozinha para me acalmar. Quando eles me alcançaram, eu tinha quase certeza de ter apagado a maior parte das emoções do rosto. Adrian continuava me olhando com preocupação, e eu não gostei nada daquilo, mas pelo menos ele não disse mais nada sobre meu ataque de nervosismo.
Sem surpresa nenhuma para ninguém, a pontuação final mostrava que eu tinha ganhado e Adrian tinha ficado em último. Lee tinha ficado em terceiro, e isso parecia incomodá-lo.
— Eu costumava ser melhor — ele balbuciou, com a testa franzida. — Costumava ser perfeito nesse jogo. — Levando em conta que ele tinha passado a maior parte do tempo prestando atenção em Jill, achei que terceiro lugar tinha sido um desempenho bem respeitável.
Deixei Lee e Adrian em casa primeiro, depois quase não consegui fazer com que Eddie, Jill e eu chegássemos a Amberwood a tempo. Àquela altura eu já estava mais ou menos de volta ao normal, não que alguém fosse notar. Jill flutuava em uma nuvem quando entramos no nosso dormitório, falando sem parar sobre Lee.
— Eu não fazia ideia de que ele viajava tanto! Talvez ele já tenha visitado ainda mais lugares do que você, Sydney. Ele fica me dizendo que vai me levar a todos eles, que vamos passar o resto da vida viajando e fazendo tudo que a gente quiser. E ele faz todo tipo de aula na faculdade porque não tem certeza em que quer se formar. Bom, não tanto assim neste semestre. Ele está com o horário leve para poder passar mais tempo com o pai. E para mim isso é bom. Para nós, quer dizer.
Segurei um bocejo e assenti, cansada.
— Isso é ótimo.
Ela fez uma pausa de onde estava, procurando um pijama na cômoda.
— Aliás, queria pedir desculpa.
Congelei. Eu não queria uma desculpa pela magia. Eu nem queria me lembrar de que aquilo tinha acontecido.
— Por ter gritado com você na outra noite — ela prosseguiu. — Você não me empurrou para cima do Lee. Eu nunca devia ter acusado você de interferir. Ele realmente sempre gostou de mim, e, bom... ele é o máximo, de verdade.
Soltei a respiração que estava segurando e tentei dar um sorriso fraco.
— Fico contente que você esteja feliz.
Ela retomou toda alegre as suas tarefas, e ficou falando sobre Lee até eu sair para ir ao banheiro. Antes de escovar os dentes, fiquei parada na frente da pia e lavei as mãos e os braços vez após outra, esfregando com a maior força possível para lavar as gotas mágicas de água, que eu jurava ainda ser capaz de sentir.

3 comentários:

  1. Eu sabia que a aversão da Sidney era grande, mas não sabia que era desse tamanho... Vou confessar, isso me irrita muito, eu sei que eles foram criados pra pensar desse jeito, mas mesmo assim me dá uma raiva!!! Mas se a Sidney que é mais "mente aberta" é desse jeito, só dá pra imaginar o que se passa na cabeça dos outros alquimistas que não como ela... Triste...

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  2. É muito difícil mudar uma tradição, são fundamentos muito enraizdife.Não dá pra criticar a Sydney... Além do mais todo mundo tem medo do diferente;alguns mais, outros menos, medos diferentes, mas é assim mesmo. É um caminho a percorrer.

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    1. Como enraizado virou enraizdife? Hauehauea
      Mas é isso aí, Carla, concordo!

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Boa leitura :)