27 de setembro de 2017

Capítulo 10

Capítulo 10
FOI BEM AÍ QUE O MEU TELEFONE TOCOU e me salvou do incômodo de não saber o que fazer com Jill. Eu atendi sem nem conferir o identificador de chamadas.
— Srta. Melbourne? Preciso dos seus serviços imediatamente.
— Professora? — perguntei, surpresa. A voz frenética da sra. Terwilliger não era o que eu esperava. — Qual é o problema?
— Preciso que você vá buscar um cappuccino com calda de caramelo do Spencer’s para mim. Não tem como eu acabar de traduzir este documento se você não for.
Havia um milhão de respostas que eu podia dar a isso, sendo que nenhuma delas era muito educada, por isso eu usei a lógica mais óbvia.
— Acho que não posso — eu disse.
— Mas você tem permissão para sair do campus, não tem?
— Bom, tenho, professora, mas está quase na hora do toque de recolher. Não sei onde fica o Spencer’s, mas acho que não consigo voltar a tempo.
— Bobagem. Quem é a responsável pelo seu dormitório? A tal da Weathers? Vou ligar para ela e pedir uma exceção para você. Estou trabalhando em uma das salas da biblioteca. Venha me encontrar aqui.
Apesar da minha devoção pessoal ao café, pedir uma “exceção” ao toque de recolher da escola me parecia um tanto excessivo para uma coisa dessas. Eu não gostava de desrespeitar as regras. Por outro lado, eu era a assistente da sra. Terwilliger. Por acaso isso não fazia parte das minhas funções? Os velhos instintos de alquimista de obedecer às ordens se instalaram.
— Bom, acho que sim, professora...
Ela desligou e eu fiquei olhando para o telefone, chocada.
— Preciso sair — disse a Jill. — Espero voltar logo. Talvez volte bem logo mesmo, porque eu ficaria surpresa se ela se lembrasse de ligar para a sra. Weathers.
Ela nem ergueu os olhos. Dei de ombros, peguei meu laptop e um pouco de lição de casa, para o caso de a sra. Terwilliger se lembrar de mais alguma coisa que eu precisasse fazer.
Com café em jogo, a memória da minha professora funcionou, e descobri que de fato tinha permissão para sair quando desci. A sra. Weathers até me explicou como chegar ao Spencer’s, um café a alguns quilômetros de distância. Eu comprei o cappuccino, imaginando se ela ia me reembolsar, e também comprei algo para mim. Os atendentes da biblioteca de Amberwood pegaram no meu pé quando eu entrei com bebidas, mas quando expliquei minha tarefa, eles me deixaram entrar e ir para as salas dos fundos. Parece que o vício da sra. Terwilliger era famoso.
A biblioteca estava surpreendentemente agitada, e logo deduzi por quê. Depois de uma certa hora, todas as noites, meninos e meninas eram expulsos do dormitório uns dos outros. A biblioteca ficava aberta até mais tarde, por isso era o lugar certo para interagir com o sexo oposto. Também havia muita gente que estava lá para estudar, incluindo Julia e Kristin.
— Sydney! Aqui! — Kristin chamou em um sussurro.
— Livre-se da professora Terwilliger — Julia completou. — Você consegue.
Ergui o café quando passei por elas.
— Estão de brincadeira? Se ela não consumir sua cafeína logo, não vou ter como escapar dela. Eu volto, se puder.
Ao seguir o meu caminho, vi um grupinho de alunos que se aglomerava ao redor de alguém — e ouvi uma voz conhecida e irritante. A de Greg Slade.
Curiosa a contragosto, caminhei até a beirada do grupo. Slade exibia algo no antebraço: uma tatuagem.
O desenho em si não era nada de mais. Era uma águia voando, o tipo de arte que qualquer estúdio de tatuagem tinha em estoque e copiava em massa. O que chamou a minha atenção foi a cor. Era toda feita em um tom prata metálico chamativo. Um tom metálico daqueles não era fácil de conseguir, não com aquele brilho e aquela intensidade. Eu conhecia as substâncias químicas que faziam parte da minha tatuagem dourada, e a fórmula era complexa e composta de vários ingredientes raros.
Slade fazia uma tentativa nada convincente de manter a voz baixa — afinal de contas, tatuagens eram proibidas por lá —, mas era óbvio que ele estava adorando toda aquela atenção. Eu observei em silêncio, feliz por outras pessoas fazerem algumas das minhas perguntas no meu lugar. Claro que essas perguntas só me deixaram com mais dúvidas.
— Esta é mais brilhante do que as que eles costumavam fazer — um dos amigos dele observou.
Slade virou o braço para fazer a luz refletir.
— É uma coisa nova. Dizem que estas são melhores do que as do ano passado. Não sei bem se é verdade, mas não foi barata, isso eu posso dizer.
O amigo que tinha comentado sorriu.
— Você vai descobrir nos testes.
Laurel — a garota ruiva que tinha demonstrado interesse por Micah — esticou a perna ao lado de Slade e revelou um tornozelo fino enfeitado com uma borboleta desbotada. Não havia nada metálico ali.
— Talvez eu retoque a minha, quem sabe para o baile de volta às aulas, se conseguir o dinheiro com os meus pais. Você sabe se as celestiais também melhoraram este ano? — Ela jogava o cabelo de um lado para o outro enquanto falava. Pelo que eu tinha observado no pouco tempo que tinha passado em Amberwood, Laurel era muito vaidosa com o cabelo e se assegurava de jogá-lo por cima do ombro no mínimo a cada dez minutos.
Slade deu de ombros.
— Não perguntei.
Laurel reparou que eu estava olhando.
— Ah, oi. Você não é a irmã da Garota Vampira?
Meu coração parou.
— Vampira?
— Vampira? — Slade repetiu.
Como é que ela descobriu? O que eu iria fazer? Eu tinha acabado de começar a fazer uma lista mental de todos alquimistas para quem precisava ligar quando uma das amigas de Laurel soltou uma risada.
Laurel olhou na direção delas e soltou uma gargalhada, então se virou de novo para mim:
— É o apelido que nós demos para ela. Nenhum ser humano poderia ter a pele tão pálida assim.
Eu quase desabei de tanto alívio. Era uma piada — que se aproximava dolorosamente da verdade, mas ainda assim uma piada. No entanto, Laurel não parecia ser alguém que eu devia confrontar, e seria melhor para todos nós se a piada logo fosse esquecida. Reconheço que soltei o primeiro comentário distraído que me veio à mente.
— Olhe, tem coisa pior. Quando eu vi você pela primeira vez, não achei que alguém pudesse ter o cabelo tão comprido ou tão ruivo. Mas não é por isso que eu fico falando sobre apliques ou tintura.
Slade quase se dobrou ao meio de tanto rir.
— Eu sabia! Sabia que era falso!
Laurel ficou quase tão vermelha quanto seu cabelo.
— Não é! É de verdade!
— Srta. Melbourne?
Eu me sobressaltei com a voz atrás de mim e vi a sra. Terwilliger ali, olhando para mim, surpresa.
— Você não ganha crédito para bater papo, principalmente quando o meu café está em jogo. Venha.
Eu me afastei, cabisbaixa, apesar de quase ninguém ter notado. Os amigos de Laurel estavam se divertindo demais tirando sarro dela. Eu esperava ter acabado com as piadas de vampiro. Mesmo assim, não conseguia tirar a imagem da tatuagem de Greg da cabeça. Deixei meus pensamentos voarem para o mistério de quais componentes seriam necessários para aquela cor prateada. Eu achava que tinha descoberto — pelo menos, tinha pensado em uma possibilidade —, e queria ter acesso aos ingredientes dos alquimistas para fazer algumas experiências. A sra. Terwilliger pegou o café, agradecida, quando chegamos a uma pequena sala de trabalho.
— Graças a Deus — ela disse depois de tomar um gole comprido. Ela apontou com a cabeça para o meu. — Esse aí é de reserva? Excelente ideia.
— Não, professora — eu disse. — É meu. Quer que eu comece a trabalhar nisto? — Uma pilha de livros conhecidos estava na mesa; eu já os tinha visto na sala de aula. Eram partes centrais da pesquisa dela, e ela tinha me dito que uma hora eu teria que fazer resumos e documentá-los para ela. Peguei o que estava no alto da pilha, mas ela me deteve.
— Não — ela disse, e se dirigiu para uma pasta grande. Ela folheou papéis e remexeu materiais de escritório variados até pegar um livro com a capa velha de couro. — Faça este aqui.
Peguei o livro.
— Posso trabalhar lá fora?
Minha esperança era voltar para a área principal de estudo e poder falar com Kristin e Julia.
A sra. Terwilliger refletiu.
— Não vão deixar você tomar café lá fora. É melhor deixar ele aqui.
Vacilei, pensando se o meu desejo de conversar com Kristin e Julia se sobrepunha ao fato de que a sra. Terwilliger iria tomar o meu café antes de eu voltar. Resolvi correr o risco e me despedi do meu café com pesar ao levar os meus livros e apetrechos para a biblioteca.
Julia olhou para o livro surrado da sra. Terwilliger com desdém.
— Isso aqui não está em algum lugar na internet?
— Provavelmente não. Acho que ninguém nem sequer olha para este aqui desde antes de a internet ter sido inventada. — Abri a capa. Um monte de poeira se espalhou pelo ar. — Muito antes.
Kristin tinha uma lição de matemática aberta a sua frente, mas não parecia muito interessada nela. Ela batucou com uma caneta na capa do livro, sem prestar muita atenção.
— Então, você viu a tatuagem do Slade?
— É difícil não ver — disse e peguei meu laptop. Olhei por cima do computador. — Ele ainda está lá se exibindo.
— Fazia um tempão que ele queria fazer uma, mas nunca teve dinheiro — Julia explicou. — No ano passado, todos os grandes atletas se tatuaram. Bom, todos menos Trey Juarez.
— Trey quase não precisa de uma — Kristin observou. — Ele é bom de verdade.
— Agora ele vai precisar... se quiser se equiparar a Slade — Julia disse.
Kristin sacudiu a cabeça.
— Mesmo assim, ele não vai fazer. Ele é contra. Tentou dedurar quem fez para o sr. Green no ano passado, mas ninguém acreditou nele.
Eu olhei de uma para a outra, mais perdida do que nunca.
— Ainda estamos falando de tatuagens? Sobre Trey “precisar” de uma ou não?
— Você realmente ainda não descobriu? — Julia perguntou.
— É o meu segundo dia — observei, frustrada. Lembrei que estava em uma biblioteca e falei mais baixo. — As únicas pessoas que realmente conversaram comigo foram Trey e vocês duas... e vocês não falaram muita coisa.
Pelo menos elas foram graciosas o bastante para parecerem acanhadas com isso. Kristin abriu a boca, fez uma pausa e então pareceu mudar o que ia dizer.
— Tem certeza que a sua não faz nada?
— Positivo — menti. — Como é que uma coisa dessas é possível?
Julia deu uma olhada na biblioteca e se contorceu na cadeira. Ela ergueu a camisa um pouco para mostrar a parte de baixo das costas — e a tatuagem desbotada de uma andorinha voando. Satisfeita por eu ter visto aquilo, ela se virou para a frente mais uma vez.
— Eu fiz essa na semana de férias de primavera... e foi a melhor semana sem aulas da minha vida.
— Por causa da tatuagem? — perguntei, descrente.
— Quando eu fiz, não era assim. Era metálica... não igual à sua. Nem à de Slade. Era mais parecida com...
— Cobre — Kristin ajudou.
Julia pensou a respeito e assentiu.
— É, tipo dourado-avermelhado. A cor só durou uma semana e, enquanto durou, foi fantástico. Tipo, eu nunca me senti tão bem. Foi a melhor coisa da minha vida.
— Juro, tem algum tipo de droga naqueles celestiais — Kristin disse. Ela tentava falar como se não aprovasse, mas detectei um tom de inveja.
— Se você fizesse uma, iria entender — Julia disse a ela.
— Celestiais... eu ouvi aquela menina ali falar disso — eu disse.
— Laurel? — Julia perguntou. — É, é como as cor de cobre são chamadas. Porque elas fazem com que você se sinta do outro mundo — ela parecia quase envergonhada pelo próprio entusiasmo. — Que nome idiota, hein?
— É essa que Slade fez? — perguntei, atordoada com o que se desenrolava à minha frente.
— Não, a dele é de aço — Kristin respondeu. — Essas dão tipo uma força atlética. Tipo, você fica mais forte, mais rápido. Coisas assim. Elas duram mais do que as celestiais... tipo duas semanas. Às vezes, três, mas o efeito diminui. Chamam de aço porque são fortes, acho. E talvez porque elas contenham aço.
Não é aço, eu pensei. É um composto de prata. A arte de usar metal para inserir certas propriedades na pele era algo que os alquimistas haviam aperfeiçoado havia muito tempo. O ouro era absolutamente o melhor, e por isso nós o usávamos. Outros metais — quando formulados da maneira adequada — atingiam efeitos parecidos, mas nem prata nem cobre eram tão eficientes na inserção quanto o ouro. A tatuagem de cobre era fácil de entender. Um grande número de substâncias para elevar o humor ou drogas podiam ser combinadas com esse metal para efeito de curto prazo. A prata era mais difícil de entender — ou, melhor, os efeitos da prata. O que elas descreviam parecia um tipo de esteroide atlético. Será que prata era capaz de fazer isso? Eu precisava conferir.
— Quantas pessoas têm essas tatuagens? — perguntei a elas, maravilhada. Não dava para acreditar que tatuagens tão complicadas faziam tanto sucesso ali. Eu também estava começando a entender como os alunos daquela escola realmente eram ricos. Só os materiais deviam custar uma fortuna, isso sem mencionar os supostos efeitos colaterais.
— Todo mundo — Julia respondeu.
Kristin corrigiu.
— Nem todo mundo. Mas eu já economizei quase todo o dinheiro.
— Eu diria que pelo menos metade da escola já experimentou pelo menos uma celestial — Julia disse, e lançou um olhar de consolo para a amiga. — Depois dá para mandar retocar... mas, mesmo assim, custa caro.
— Metade da escola? — repeti, incrédula. Olhei ao redor, imaginando quantas camisas e calças escondiam tatuagens. — Isso é uma loucura. Não acredito que uma tatuagem possa fazer coisas assim — eu esperava estar sendo convincente em esconder o quanto de fato eu sabia.
— Faça uma celestial — Julia disse com um sorriso. — Daí você vai acreditar.
— Onde vocês fazem?
— É um estúdio chamado Nevermore — Kristin disse. — Mas eles são seletivos, e não é fácil fazer uma. — Não tão seletivos assim, pensei, se metade da escola já tinha feito. — Ficaram bem mais cautelosos depois que Trey tentou denunciar.
Lá estava o nome de Trey mais uma vez. Agora fazia sentido ele desdenhar tanto da minha tatuagem quando nós nos conhecemos. Mas fiquei me perguntando por que ele se importava tanto — o suficiente para tentar fechar a loja. Essa não era apenas uma discordância casual.
— Será que ele acha injusto? — levantei a hipótese, diplomática.
— Acho que ele só tem inveja porque não tem dinheiro para fazer uma — Julia disse. — Ele tem uma tatuagem, sabe? É um sol nas costas. Mas é só uma tatuagem preta, normal... não é dourada como a sua. Eu nunca vi nada parecido com a sua.
— Então foi por isso que vocês acharam que a minha me deixava inteligente — eu disse.
— Isso poderia ter sido muito útil nas provas finais — Julia disse, esperançosa. — Tem certeza de que não é por isso que você sabe tanta coisa?
Eu sorri, apesar de estar pasma com o que tinha acabado de descobrir.
— Bem que eu queria. Podia fazer com que fosse mais fácil ler este livro. Coisa que eu, aliás, devia estar fazendo — completei e olhei para o relógio.
Era sobre sacerdotes e magos greco-romanos, uma espécie de apanhado detalhando vários tipos de encantos e rituais com os quais eles trabalhavam. Não era um material de leitura terrível, mas era longo. Eu achava que a pesquisa da sra. Terwilliger era mais concentrada em religiões de massa daquela época, por isso o livro parecia ser uma escolha estranha. Talvez ela estivesse querendo incluir uma seção sobre práticas de magia alternativas. Independente disso, quem era eu para questionar? Se ela pedisse, eu faria.
Permaneci mais tempo do que Kristin e Julia na biblioteca, porque tinha que ficar até a sra. Terwilliger decidir ir embora, o que aconteceu só quando a biblioteca fechou. Ela pareceu contente por eu ter avançado tanto nas anotações e disse que queria o livro todo pronto em três dias.
— Sim, professora — disse de modo automático, como se eu não tivesse mais nenhuma outra aula naquela escola. Por que eu sempre concordava sem pensar?
Voltei para o campus leste com os olhos vermelhos de tanto trabalhar e exausta com a ideia da lição de casa que ainda faltava fazer. Jill estava dormindo pesado, coisa que tomei como uma pequena bênção. Eu não ia precisar enfrentar seu olhar de acusação nem descobrir como lidar com o silêncio constrangedor. Eu me preparei para ir para a cama rápido e sem fazer barulho, e caí no sono quase assim que encostei no travesseiro.
Acordei por volta das três com um som de choro. Eu me sacudi para afastar a sonolência e consegui distinguir Jill sentada na cama, com o rosto enterrado nas mãos. Enormes soluços trêmulos acometiam seu corpo.
— Jill? — eu perguntei, incerta. — Qual é o problema?
Com a luz fraca que vinha de fora, vi Jill erguer a cabeça e olhar para mim. Incapaz de responder, ela só sacudiu a cabeça e voltou a chorar mais uma vez, agora mais alto.
Eu me levantei e fui me sentar na beirada da cama dela. Eu não conseguia abraçá-la ou tocá-la para reconfortar. Ainda assim, me senti péssima. Eu sabia que aquilo devia ser culpa minha.
— Jill, eu sinto muito. Jamais devia ter ido falar com Adrian. Quando Lee mencionou você, eu devia ter feito com que ele parasse e dito que falasse com você se estivesse interessado, em primeiro lugar... — as palavras saíram todas confusas.
Quando olhei para ela, só pude pensar em Zoe e em suas acusações terríveis na noite em que eu parti.
De algum jeito, minha ajuda sempre surtia o efeito contrário.
Jill fungou e conseguiu soltar algumas palavras antes de desabar no choro mais uma vez.
— Não... não é isso...
Fiquei olhando para as lágrimas dela impotente, frustrada comigo mesma. Kristin e Julia me consideravam inteligente de maneira sobre-humana. No entanto, garanto que qualquer uma delas teria sido capaz de reconfortar Jill cem vezes melhor do que eu.
Estendi a mão e quase dei tapinhas no braço dela — mas recuei no último momento.
Não, eu não podia fazer isso. A voz de alquimista dentro de mim, aquela que sempre me alertava para manter distância dos vampiros, não permitia que eu tocasse em uma vampira de maneira tão pessoal.
— Então, o que foi? — eu finalmente perguntei.
Ela sacudiu a cabeça.
— Não é... Não posso contar... Você não iria entender.
Com Jill, eu pensei, várias coisas podiam estar erradas. A incerteza de sua posição real. As ameaças contra ela. Ser mandada para longe da família e dos amigos, presa entre humanos sob o sol perpétuo. Eu realmente não sabia por onde começar. Na noite passada, havia um terror congelante e desesperado em seu olhar quando ela acordara.
Mas aquilo era diferente. Era pesar. Vinha do coração.
— O que posso fazer para ajudar? — perguntei, finalmente.
Ela demorou alguns momentos para se recompor.
— Você já está fazendo demais — ela conseguiu dizer. — Nós todos apreciamos... de verdade. Principalmente depois do que Keith disse para você. — Será que não havia nada que Adrian não tinha contado para ela? — E sinto muito... sinto muito por ter sido tão maldosa com você antes. Você não merecia aquilo. Só estava tentando ajudar.
— Não... não peça desculpas. Eu causei a maior confusão.
— Não precisa se preocupar, sabe? — ela completou. — Com Micah. Eu compreendo. Só quero ser amiga dele.
Eu sabia que ainda não estava conseguindo ajudá-la a se sentir melhor. Mas eu tinha que reconhecer que me pedir desculpas pelo menos parecia distraí-la daquilo que a tivesse feito acordar com tanta dor.
— Eu sei — respondi. — Não devia ter me preocupado com você.
Ela me garantiu mais uma vez que estava bem, sem mais explicações a respeito do motivo pelo qual tinha acordado chorando. Eu sentia que devia ter me esforçado mais para ajudar, mas, em vez disso, voltei para a minha própria cama. Não ouvi mais soluços pelo resto da noite, mas, quando acordei algumas horas depois, dei uma olhadinha nela. Mal dava para enxergar suas feições à luz do amanhecer. Ela estava lá deitada, com os olhos arregalados, olhando para o nada, com uma expressão assombrada no rosto.

4 comentários:

  1. Oi Karina! O capitulo 11 está junto com o 10!!! Eu acho que é por aqui que se fala sobre essas coisas, mas se não for desculpe!!!

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  2. Está repitindo. Tem o capítulo 11 junto com o 10, e depois vem o 11 sozinho.

    Karina, obg por postar todos esses livros aqui. São maravilhosos!

    Ass.: Mutta Chase Herondale 😊😊😊

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  3. depois desse capitulo, a minha quase certeza sobre um laco entre jill e adrian, virou certeza, sinto que ela morreu naquele ataque e ele trouxe ela de volta

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Boa leitura, E SEM SPOILER!