22 de setembro de 2017

8. Transplantado

— Tem certeza de que precisa fazer isso? — perguntou Anúbis.
— Ele é meu marido — respondeu Néftis simplesmente, como se fosse explicação suficiente.
Quando viu a testa franzida de Anúbis e a hesitação dele em sair de seu lado, pousou a mão no braço dele.
— Vai ficar tudo bem, Anúbis. Nosso destino está escrito nas estrelas e a minha luz não será extinta hoje.
Ao perceber que, mesmo assim, ele não se dispunha a sair do lado dela, foi Néftis que se afastou. Preparando-se, ela olhou para os céus apenas por um instante, pedindo em silêncio à mãe que zelasse por ela, que zelasse por todos eles, e então entrou na câmara.
— Seth? — chamou ela.
Não obteve resposta. Ela examinou o ambiente com cuidado, ciente de que ele estava ali. Um arrepio percorreu seus braços. Por fim, ela avistou um escorpião negro embaixo de uma cadeira. Ela se agachou.
— Ah, você está aqui.
A pequena criatura se agitou e seu corpo se transformou em um crocodilo cinzento com a grande boca aberta e depois em um javali de pelo eriçado. O animal sacudiu a cabeça e urrou, quase atingindo as pernas dela com suas presas perigosas, mas Néftis não se moveu. Não ergueu uma só sobrancelha.
Quando ele retornou à sua forma natural, ela perguntou:
— Quantas outras espécies você exterminou hoje para ser capaz de assumir a forma delas com tanta facilidade?
Seth cruzou os braços sobre o peito e suas narinas se dilataram.
— Vejamos — respondeu ele com uma mistura de orgulho e deboche. — Um hipopótamo peludo, o touro do deserto e o órix de cauda branca que, aliás, eu desfiz só para passar o tempo, e a culpa foi toda sua. Uma esposa não deve abandonar o marido na noite de núpcias.
— E um marido não deve cometer assassinato nessa data.
Os olhos de Seth fixaram-se nos dela.
— Você sabia o que eu ia fazer quando concordou em me acompanhar à celebração deles, não sabia, minha pequena visionária?
Néftis ficou olhando para ele com frieza, os lábios apertados em uma linha fina. Em vez de responder, ela perguntou:
— Você sente prazer em causar tanta destruição desnecessária?
Ele deixou escapar um pequeno suspiro e desviou o olhar.
Será que estou vendo arrependimento aqui?, ela se perguntou.
Ele falou em tom suave, mas havia uma dureza subjacente em seu tom:
— Apesar do que você possa pensar, não, destruição e caos não me trazem prazer. São meios para um fim. Há um propósito no que eu fiz. Mas você sabe disso melhor do que ninguém, não é, minha esposinha? — Seth agarrou o braço dela e a puxou para tirar-lhe o cabelo curto do rosto em um gesto bruto. — Aliás, não gostei do que você fez com o seu cabelo.
Ele apertou as palmas das mãos contra as bochechas dela e pressionou. Não com força bastante para machucá-la, mas de tal jeito que ela não conseguiria escapar dele.
O olhar de Seth passou para a boca de Néftis e, antes que ela pudesse reagir, ele a beijou. Os lábios dele se moviam contra os dela de maneira faminta, poderosa e dominadora. Ele pareceu surpreso quando ela correspondeu ao beijo. O gesto dele então se tornou mais suave e Néftis estremeceu com a ciência do que os dois poderiam ser, ou seriam, se o que as estrelas lhe disseram acontecesse. Mas então ele pôs fim àquilo de modo abrupto, afastando-se dela de maneira ríspida, como se ela fosse uma tentação da qual ele quisesse se manter o mais longe possível.
Uma ruga apareceu entre as sobrancelhas dele, mas desapareceu com um sorriso sarcástico, que contorceu seu rosto bonito, transformando-o em algo feio e cruel. Seth segurou o queixo da mulher.
— Então... Você vai dividir seus segredos comigo ou vou ter que tomá-los? Garanto que vai ser prazeroso para mim, de uma maneira ou de outra.
Néftis desvencilhou o queixo da mão dele e deu um passo para trás.
— Mas como você se desfez da sua máscara de charme com rapidez!
Com olhos faiscantes, ele disse:
— Você sabia o que eu era. Sempre soube. Acho que está na hora de pararmos de fingir que somos algo que não somos.
— Talvez você tenha razão — disse ela com um aceno recatado da cabeça.
Os olhos de Seth se fixaram nela como se ele estivesse lhe ordenando contar seus segredos. Ele se afastou alguns passos e então retornou.
— Diga-me o que você viu.
— Você não está pronto para saber de tudo o que vi.
— Está pensando em me desobedecer? — Seth a agarrou pelos braços e a puxou. — Estamos casados, Néftis — murmurou. — Submeter-se a seu marido anda lado a lado com fazer os votos. Você e suas visões pertencem a mim agora. E que minha esposa tão determinada não se esqueça de que casar foi ideia dela.
— Sim — admitiu Néftis. — Eu quis me casar com você.
Seth ergueu uma sobrancelha.
— Disso eu sei. O que não compreendo são seus motivos.
Néftis ficou quieta por um momento e, quando Seth a soltou, voltou a se afastar. Achou interessante que, apesar da resistência óbvia dele a ficar perto dela, continuava sempre voltando, como se não tivesse controle sobre aquilo.
Depois de refletir por um instante, ela soltou um suspiro baixinho.
— Você tem razão quanto a não haver mais energia suficiente nas Águas do Caos. O dom que você tem é importante e não deve ser desprezado. O seu poder é necessário para trazer equilíbrio. É tão importante para cuidar do cosmos quanto o de Amon-Rá.
Ele piscou, a surpresa evidente em seu rosto.
Rapidamente, ela continuou:
— Mas o seu poder, se usado da maneira incorreta, vai destruir todos nós. — Néftis mordeu o lábio inferior e então tomou uma decisão. Estendendo a mão, ela pegou a dele. — Seth, sinto muito por todo o sofrimento que você carregou e pela solidão que sentiu. Eu sei que você é um homem de grandes habilidades. Você é inteligente e passional, mas ultimamente sua paixão se transformou em obsessão e inveja.
O rosto de Seth ficou sem expressão e Néftis estremeceu.
— Você precisa saber que Osíris está vivo — disse ela, com coragem. Como ele não se moveu, ela prosseguiu: — Você não o destruiu como era sua intenção. Ísis criou um corpo novo para ele e a conexão entre os dois permitiu que ele retornasse. Eu sei que você o odeia. A risada trovejante dele lhe parece um deboche. Ver os dois juntos o faz sofrer. Você se sente diminuído quando ele está por perto. Também sei que acha que ama Ísis, mas, se visse os dois juntos, entenderia que ela só pode ser feliz com ele. Ela nunca vai sentir a mesma coisa por você.
— Ele está vivo?
Com olhos febris, Seth exigiu a confirmação dela.
— Está, mas esta não é a questão.
— E qual é a questão, cara esposa?
— A questão é que isso é bom. Você ainda não foi tão longe a ponto de não poder mais voltar. Amon-Rá vai perdoá-lo. O que você fez foi consertado. Eu consertei para você.
O sorriso que lançou a ele saiu forçado demais para ser natural.
Um músculo repuxou no maxilar dele e ela se apressou em concluir:
— Eu imploro a você, Seth: afaste-se desse caminho. Eu sei qual é a sua motivação. Você anseia por ser aceito. Ser respeitado, valorizado e amado. Você deseja a admiração que lhe foi negada por tanto tempo e quer sentir que suas opiniões são tão importantes quanto as dos outros. Você vai ter todas essas coisas. Eu prometo. Só precisa ter paciência para esperar.
— E por que devo esperar mais se já esperei tanto? Por que devo ter fé nas suas visões? Confiar em você? Principalmente se estou vendo muito bem que você não me estima tanto quanto aos outros. Você também se acha superior a mim. Não negue.
Néftis hesitou, sem saber o que dizer. Com cuidado e suavidade, ela prosseguiu:
— Você tem razão — confessou. — Apesar de eu não amar você como uma esposa deve amar um marido, as estrelas me mostraram que vai chegar o momento em que o amarei. Um dia nós vamos ser muito felizes juntos, o cosmos ficará em harmonia e você terá tudo que seu coração desejar. Certamente, com esse desfecho à vista, você poderá encontrar força dentro de si para ser paciente com os outros, para me dar tempo de me transformar na esposa de que precisa. Permita que Ísis e Osíris tenham a felicidade deles, marido.
Néftis ficou em silêncio diante do olhar dissimulado de Seth. Finalmente, ele falou:
— Minha noiva sincera — esticou os dedos para acariciar as penas dela —, quero agradecer por dividir seus sentimentos. Percebo que eles vêm do seu coração. Mas está errada. Suas visões a enganaram. Não a meu respeito. Todas as coisas que eu quero, claro, vão se realizar, mas isso não vai acontecer se eu ficar aqui parado, repousando sobre meus louros. Não quero mais saber de implorar por migalhas, favores e restos. A lição que o cosmos me ensinou seguidamente é que a única maneira de obter algo que eu quero é tomar essa coisa. Ninguém vai ser bondoso o bastante para me entregar nada de mão beijada. Então, sim, eu vou governar. O cosmos vai ficar em harmonia. E você vai se transformar na mulher de que eu preciso. Se eu tiver que moldá-la, transformá-la no que eu desejo, é o que farei.
Seth passou as pontas dos dedos de uma orelha a outra pelo maxilar dela.
— Você precisa saber que eu não a culpo, de jeito nenhum, por ter inveja dos meus sentimentos em relação a Ísis.
— Não. — Néftis sacudiu a cabeça. — Não é o que eu...
Seth se inclinou durante o protesto dela e a interrompeu:
— Mas deveria ter — murmurou no ouvido dela em tom sedutor. — Eu sempre vou desejar Ísis mais do que a você. Você vai saber o que é ser a segunda opção. A que ficou para trás. Ainda assim, você é poderosa, e a minha intenção é usar o seu poder como eu bem entender. Afinal de contas, por que eu deveria me contentar com uma esposa, uma deusa, se posso ter duas?
Lágrimas quentes fizeram os olhos de Néftis arderem enquanto ela tentava impedir que as palavras ofensivas dele se enraizassem em seu coração.
— Mas Osíris... — começou ela.
— Pode ser desfeito mais uma vez — disse ele em tom sarcástico. — Aliás, eu deveria agradecer a você. Desfazê-lo pela segunda vez vai se revelar um experimento interessante. Talvez agora eu adquira ainda mais do poder dele. — Seth tocou na ponta do nariz dela. — Os rumores sobre o meu poder já estão se espalhando. O povo de Heliópolis está começando a ter medo de mim. Logo vai perceber que sou o deus mais poderoso de todos. Vai esquecer Amon-Rá completamente.
— Você não é mais forte do que ele.
— Talvez ainda não seja. Mas, depois que eu desfizer todos os outros deuses, vamos ver quem terá o controle.
Néftis estremeceu. Seth sentiu prazer ao saber que ela também tinha medo dele. Assim era bem melhor. Não gostava de pensar que ela sabia mais do que ele. Jamais permitiria que ela pensasse que estava no controle.
— Claro — prosseguiu ele —, você sabe que devo castigá-la de maneira apropriada por ter agido pelas minhas costas. Simplesmente não tem cabimento Heliópolis inteira saber que eu não tenho autoridade sobre a minha mulher.
Néftis endireitou o corpo, rígida, enquanto ele traçava um círculo, com passos arrogantes, em volta dela, avaliando-a de todos os ângulos. A cor se esvaiu do rosto dela e seu lábio inferior tremeu. Ela sabia exatamente o que estava por vir. Tivera a esperança de que suas palavras pudessem convencê-lo a tomar uma atitude diferente, mas, no fundo do coração, sabia que não havia como desviá-lo de seus desejos. As pálpebras dela baixaram e ela fechou as asas ao redor de si como se para se proteger do que ele ia fazer.
Seth então murmurou as palavras que iriam transformá-la para sempre, e ela arquejou com a perda enquanto o processo ainda estava no começo. O corte foi brutal e preciso, a dor, mais psicológica do que física, e, no entanto, as terminações nervosas dela formigavam como se uma faca afiada ainda estivesse enfiada na pele. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela apertou a palma das mãos contra o rosto para aplacar os soluços que faziam todo o seu corpo tremer.
— Ora, ora — disse Seth com um olhar de pena enquanto tirava as mãos dela de seu rosto e enxugava suas lágrimas com gestos bruscos. — A culpa é toda sua, você sabe.
— Como pôde fazer isso? — perguntou Néftis, a voz falhando.
Os olhos dele faiscaram de indignação.
— Eu não queria fazer isso, Néftis. Você me forçou. É uma pena mesmo. — Inclinando-se para ela, ele murmurou: — As suas asas eram a única coisa que eu achava bonita em você.
A expressão dela embotou-se.
— Achei que alguém que sofreu tanto nas mãos dos outros teria mais compaixão.
Seth resmungou.
— Sim, bom... talvez, a partir de agora, você pense duas vezes antes de tentar me contrariar.
Virando-se, ele flexionou as mãos, sacudindo-as como se tivesse tocado em algo desagradável, e caminhou em direção à porta.
— Eu não contrariei você — retrucou Néftis baixinho enquanto ele se retirava. — Eu salvei você.
Se ele escutou o que ela disse, não demonstrou.
Néftis desmoronou no chão e foi ali que Amon-Rá a encontrou.
A expressão irada dele brilhou com a luz de mil sóis quando ele a ergueu nos braços.
— Ele vai morrer por isto — prometeu Amon-Rá.
Néftis pressionou a palma da mão no rosto dele.
— Não. Ele não pode morrer. Não por enquanto. Precisamos dele.
Com gentileza, Amon-Rá carregou seu corpo leve até um sofá. Em vez de acomodá-la ali, ele se sentou nas almofadas macias e a posicionou em seu colo. Os braços dele eram fortes e ela recostou o rosto em seu peito. Ele não falou até que ela parasse de chorar.
— Diga o que precisamos fazer — pediu.
— Ele vai atrás de Osíris — informou ela com a voz fraca. — Se nós o tirarmos das vistas de Seth, ele vai concentrar sua energia na perseguição a Ísis.
— Ele vai ameaçá-la — disse Amon-Rá. — Fará com que se curve a suas vontades.
— Você vai limitar o alcance dele. Se ele acreditar que é capaz de convencê-la apenas com seu charme, já será distração suficiente.
— E se ela ceder?
— Não vai ceder. O amor dela pelo marido é absoluto.
— Vamos torcer para que você tenha razão. Juntos, eles poderiam realizar os desejos de Seth.
— Os desejos de Seth não são os de Ísis.
Ela voltou o rosto para o dele e Amon-Rá sentiu um nó na garganta. Havia lágrimas nos cílios dela. Ele nunca a achara tão linda quanto naquele momento. Mesmo com o cabelo curto e sem as asas gloriosas, Néftis era adorável.
— E quais são os desejos dela? — perguntou Amon-Rá, a voz rouca.
— O mesmo de todas as mulheres — respondeu ela. — Um homem que a ame acima de tudo. Que se disponha a sacrificar tudo por ela.
— Você também merece um homem assim — disse ele.
Néftis ergueu a mão e traçou o arco da testa do grande deus com os dedos.
— E vou tê-lo um dia.
Amon-Rá franziu a testa. Queria que ela confiasse nele o bastante para contar o que sabia. Ela o arrancou de seus pensamentos ao dizer:
— Você precisa permitir que Ísis realize o outro desejo do coração dela.
— Que desejo é esse?
— Um filho.
— Não. — Ele sacudiu a cabeça. — Você sabe por que isso é proibido.
— Não importa. Ele precisa nascer.
— Ele?
— Sim. Quando Seth desfez Osíris, uma parte da energia dele se perdeu. O poder dele foi diminuído. Já não pode mais ser o deus que foi no passado. Se um bebê nascer, aquele pedaço de Osíris que Seth roubou vai ser dado à criança. — Virando-se nos braços de Amon-Rá, Néftis agarrou sua mão. — É correto e natural que os pais deem aos filhos algo de si.
— À medida que os poderes do bebê crescessem, os dos pais diminuiriam — retrucou Amon-Rá. — É possível que nem sobreviva ao nascimento. Mesmo com a força vital restante de Osíris, não há energia suficiente disponível para criar outro deus. Talvez, se ele fosse mortal... — a voz dele foi sumindo.
— Dois deuses não podem conceber uma criança mortal. Além disso, Ísis e Osíris vão sobreviver se você der à criança um pedacinho seu também.
Amon-Rá esfregou o queixo.
— O bebê vai servir de distração a Seth — completou Néftis. — Ele passará décadas incontáveis tentando retomar a energia que vai perder. Tentará desfazer o filho de Ísis e Osíris de todos os meios disponíveis, mas, com a força que você vai conceder ao novo deus, Seth não terá sucesso.
— Néftis, você tem certeza disso? — perguntou Amon-Rá , seus olhos faiscando com uma emoção tácita.
Ela sabia que a pergunta dele envolvia mais do que o futuro filho de Ísis.
Ela abriu um sorriso radiante.
— Com a sua ajuda, eu posso dar conta disso.
— Continuo sem entender por que foi necessário se casar com ele. Você não o ama — afirmou ele, mas, ainda assim, ela percebeu hesitação nas palavras dele, a pergunta subliminar.
— Não. Não o amo. Mas foi um meio para um fim.
— Então prometa que, no final, quando tudo terminar, isso vai lhe trazer felicidade.
Tomando a mão dele, ela a levou até seu rosto e depositou um beijo suave na palma.
— Prometo.
Delicadamente, ele acariciou seu lábio inferior com o polegar. Ela fechou os olhos, deliciando-se com a carícia cheia de ternura, então ele relaxou e a ajudou a se levantar.
— Vou precisar cuidar disso o mais rápido possível, então. Você me acompanha? — perguntou ele. — Quer dizer... se não estiver sentindo dor — acrescentou, olhando para suas costas, onde antes ficavam as lindas asas.
— Vou me acostumar. Além do mais, vai ajudar se eu estiver presente. Ísis vai precisar de mim.
— Você ainda vai conseguir se transformar em uma pipa?
Néftis sacudiu a cabeça com tristeza.
— O pássaro Benu vai ter que voar sozinho.
O maxilar de Amon-Rá se contraiu.
— Então o pássaro Benu vai ficar no chão até chegar o momento em que você possa voltar a se unir a ele.
— Talvez demore muito tempo. Não vai sentir falta de voar? — perguntou ela.
Ele se virou para ela com os olhos cheios de pesar e com o início terno de alguma outra coisa.
— Eu sentiria mais falta de ter você ao meu lado — respondeu ele.
A boca de Néftis curvou-se em um sorriso suave.
— Precisamos ir — disse ela.
Amon-Rá pegou a mão dela e a conduziu até sua câmara iluminada pelo sol, onde ela sabia que Ísis e Osíris estavam esperando. Com um aceno da mão, ele enviou uma convocação a Seth em um chamado que não dava margem a discussão.
Néftis sabia que quanto mais pudesse postergar a busca do marido por seu caminho de destruição, melhor. As estrelas sussurraram para ela que Wasret não nasceria antes da alvorada da última grande era e que somente ela teria o poder de desfazer o desfazedor. Até lá, Néftis tinha de desempenhar uma dança complicada, mover as peças no tabuleiro e manter Seth ocupado demais para notar a rainha mortal até que ela estivesse pronta para se erguer.

3 comentários:

  1. Me sentindo muito triste por Néftis...

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  2. Amom-Ra é apaixonado pela Nefis?

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  3. Quem acreditaria? Amom-Ra e Neftis! ♥️

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Boa leitura :)