8 de agosto de 2017

Notas históricas

O MUSEU ONDE SHERLOCK FOI atacado por uma ave de rapina se baseia em minhas lembranças do museu Passmore Edwards em Stratford, East London. Lembro-me de ter sido levado lá em excursões escolares no início da década de 1970, e minha principal lembrança é da quantidade de animais empalhados espalhados pelos vários salões vitorianos (isso e o cheiro de mofo). Desde então, descobri que John Passmore Edwards (1823-1911) foi jornalista e dono de um jornal britânico cujos legados resultaram na construção de setenta importantes edifícios (principalmente hospitais, bibliotecas, escolas, casas de repouso e galerias de arte), além de onze fontes de água potável e trinta e dois bustos de mármore. Um verdadeiro filantropo vitoriano.
A Ferrovia Necrópoles realmente existiu. Só os vitorianos poderiam ter pensado em manter uma ferrovia somente para os mortos. Para ser justo, se os egípcios tivessem ferrovias, provavelmente também teriam pensado nisso, mas só os vitorianos teriam cobrado valores diferentes por passagens de primeira, segunda e terceira classes para os caixões. Encontrei pela primeira vez uma menção à Ferrovia Necrópoles em um livro sobre as coisas que se escondem sob as ruas de Londres e desde então tenho procurado mais detalhes em outros livros semelhantes. Os importantes são:
• London Under London: A Subterranean Guide, de Richard Trench e Ellis Hillman (John Murray, 1993)
• Underground London: Travels Beneath the City Streets, de Stephen Smith (Abacus, 2005)
• Necropolis: London and its Dead, de Catharine Arnold (Pocket Books, 2005)
O King’s Theatre em Whitechapel é baseado em grande medida no Theatre Royal, em Stratford. Eu fazia teatro amador quando estava na escola, e algumas das nossas apresentações aconteceram no Theatre Royal. Ele foi construído em 1888, e passei muito tempo vagando pelos bastidores, absorvendo aquela atmosfera.
A temporada de Sherlock e Mycroft na Rússia foi, surpreendentemente, muito difícil de pesquisar. A maioria dos livros de história sobre o país concentra-se na revolução russa (1917), nos anos da União Soviética (focando principalmente Lênin, Trotsky e Stálin), e no período posterior ao fim da URSS. Os meados do século XIX são uma espécie de vácuo. No final, decidi abordar esse período por outro ângulo, pela Guerra da Crimeia (1853-1856), mas descobri tarde demais um livro com citações de escritores russos daquele período, e os entremeei em uma espécie de documento descritivo. Pelo bem da informação, os livros eram:
• A Brief History of the Crimean War, de Alexander Troubetzkoy (Robinson, 2006)
• Literary Russia: A Guide, de Anna Benn e Rosamund Bartlett (Gerald Duckworth & Co, 2007)
Admito com certa vergonha que a Wikipédia forneceu muitos detalhes sobre o czar, sua polícia secreta e a compra do Alasca. Tarde demais descobri alguns números do London Illustrated News da década de 1850 on-line. Alguns tinham relatos de um jornalista que havia viajado a Moscou, e tomei emprestadas algumas de suas descrições da cidade e seus habitantes.
O conde Piotr Andreievitch Chuvalov era uma pessoa de verdade, e realmente comandava a Terceira Seção, que era mesmo a polícia secreta do czar. Chuvalov passou algum tempo na França, local onde teria conhecido Mycroft Holmes. O príncipe Iusupov também era uma pessoa real, e um conhecido patrono das artes.
E, em uma nota não histórica, posso aproveitar os pensamentos de Sherlock no último capítulo e revelar que o próximo livro – que provavelmente terá o título de Tempestade de fogo – contará (entre outras coisas) como Sherlock vai por fim confrontar a desagradável Sra. Eglantine.
Até lá...

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Boa leitura :)