30 de agosto de 2017

Nota do autor

Cinco livros. Nunca pensei que eu faria cinco livros sobre Sherlock Holmes como um adolescente, mas eu fiz, e não há mais para onde correr. Haverá pelo menos mais um e, possivelmente, seguindo os desejos da Macmillan Children’s Books, mais outros três depois disso. Tenho que trazer Sherlock Holmes de volta da China inteiro, o que pode levar algum tempo, e então tenho que, de alguma forma, resolver o problema da Câmara Paradol.
E, é claro, o que aconteceu com Virgínia – como isso afetou Sherlock? (Aqueles de vocês que leram algumas das histórias de Conan Doyle, é claro, sabem a resposta para essa pergunta).
Arthur Conan Doyle, que escreveu as histórias de Sherlock Holmes originais, nos disse que Sherlock era (pelos seus vintes e poucos anos) um espadachim expert, pugilista, lutador de artes marciais, químico, ator e violinista. Eu consegui, nos cinco livros que escrevi sobre o início da vida de Sherlock até agora, lançar a base para o boxe, sua atuação, suas artes marciais e sua forma de tocar violino. Ainda tenho que fazer algum trabalho sobre a espada e seu amor por química, e isso tem que ser em dois livros diferentes.
Como de costume, tentei fazer o livro tão preciso quanto possível, de modo que, em vez de confiar no que eu achava sobre como era a China na década de 1860 (amplamente baseado em uma antiga série japonesa de TV passando-se na China chamada de The Water Margin e que foi mostrado, mal dublado, no Reino Unido enquanto eu crescia), eu li uma quantidade enorme de livros sobre o assunto na tentativa de obter a atmosfera correta. Alguns desses são livros modernos olhando para a China de mais de cem anos atrás, enquanto outros foram escritos por pessoas que viajaram no extremo oriente mais ou menos nesse período exato.
O mais útil dos livros modernos foram, apenas a título de interesse:
The Opium War: Drugs, Dreams and the Making of China, por Julia Lovell (Picador, 2011). Um livro absoluta e brilhantemente escrito e exaustivamente pesquisado sobre o hipócrita e vergonhoso jogo duplo que caracterizou o relacionamento da Grã-Bretanha com a China. Infelizmente, ela fez uma crítica injustificada do personagem fictício do Fu Manchu nos últimos capítulos – eu sempre amei Fu Manchu – mas, fora isso, é imaculado.
The Scramble for China: Foreign Devils in the Qing Empire, 1832–1914 por Robert Bickers (Allen Lane, 2011). Esta é uma boa, embora idiossincrática, história escrita sobre as relações do Oeste com a China.
Chinese Characters by Sarah Lloyd (HarperCollins, 1987). Este brilhante livro é, em face disso, um diário de viagem do tempo Sarah Lloyd na China, mas é também uma meditação sobre os chineses, a história chinesa, o persona chinês e todo esse tipo de coisas, e tudo escrito em prosa clara, mas poética. Li esse porque muito da China de hoje, especialmente os campos e fazendas, não são muito diferentes da forma como era no tempo de Sherlock. Vale a pena a leitura.
Os livros mais úteis do período foram:
Lady’s Captivity Among Chinese Pirates, por Fanny Loviot (Museu Marítimo Nacional, 2008) – um suposto relato verdadeiro de uma senhora da era vitoriana que viajou da Inglaterra para a América e, em seguida, para a China, e teria sido capturado por piratas. Como os eventos podem ser realmente factuais é um assunto para debate...
Acredite ou não, a doença desfiguradora sofrida pelo Sr. Arrhenius é real. Eu não ousaria fazer algo tão bizarro. É chamada argiria, e você pode procurá-la na internet e até mesmo ver fotos de pessoas que sofrem com isso. Mais e mais pessoas hoje em dia estão tomando prata para tentar afastar doenças, por isso argiria poderia muito bem ser algo em crescimento.
USS Monocacy foi um navio de guerra americano real que esteve atracado no Extremo Oriente no final dos anos 1860 e início dos anos 1870. Ele fez a viagem até o rio Yangtzé em uma expedição de mapeamento por volta da época em que se passa este livro (na verdade, posso ter aproximado por um ou dois anos, pela causa da trama). O navio foi construído em 1864, e permaneceu em serviço até 1903, quando foi vendido para um empresário japonês. Henry Francis Bryan foi seu capitão por alguns anos. Ele se tornou o governador de Samoa.
E o que mais? Os animais que Sherlock se depara durante suas aventuras no rio Yangtzé são reais – o boto do rio Yangtzé (ou Baiji) e o jacaré do Rio Yangtzé. O Baiji está em declínio no momento, graças à pesca e à poluição no rio. Pode até ser extinto. Ah, e uma nota para os verdadeiros sherlockianos aqui: o Gloria Scott nesta história não é o mesmo mencionado na história de Arthur Conan Doyle “A tragédia do Gloria Scott”. Esse barco foi afundado em 1855 em seu caminho para a Austrália. Não, este é um Gloria Scott diferente. Por que um Gloria Scott diferente? A resposta é simples, porque eu queria chamá-lo pelo nome de outro navio mencionado nas histórias de Conan Doyle – o Matilda Briggs – mas eu me lembrei do nome errado, e quando percebi que tinha lembrado errado, era tarde demais para mudá-lo. É tão simples (e tão estúpido) como isso.
Uma nota sobre a pronúncia chinesa, enquanto estamos nessa parte. E os nomes chineses também. No tempo de Sherlock, a maneira como os sons chineses foram convertidos para o inglês era conhecido como o sistema Wade-Giles (a língua chinesa tem sons que não existem no inglês). Ele foi desenvolvido por Thomas Francis Wade, um embaixador britânico na China que publicou o primeiro livro do chinês para o inglês em 1867. O sistema foi aperfeiçoado em 1912 por Herbert Allen Giles (daí vem o Wade-Giles). O sistema Wade-Giles foi substituído pelo sistema Pinyin na década de 1950. O problema é que os dois sistemas podem dar resultados bastante diferentes da mesma palavra chinesa. Por exemplo, a cidade conhecida como Pequim no sistema Wade-Giles de repente se tornou Beijing no sistema Pinyin (você pode ver que eles tem sons semelhantes, mas não são o mesmo). Da mesma forma, Mao Tse-tung, com a China entre 1949 e 1976, de repente se tornou Mao Zedong. Eu usei largamente o sistema Wade-Giles neste livro, em vez de o sistema Pinyin, porque é o único com que Sherlock e Cameron Mackenzie estariam familiarizados.
Isso, infelizmente, dá a alguns dos nomes dos personagens chineses (Wu Chung, Wu Fung-Yi) um som antiquado (Wu Chung, seria Wu Zhong no sistema Pinyin, enquanto Wu Fung-Yi teria sido bastante semelhante a Wu Feng-Yi). Nomes chineses têm o sobrenome em primeiro lugar, por isso, enquanto Sherlock Holmes é o filho de Siger Holmes, Wu Fung-Yi é o filho de Wu Chung (mulheres chinesas da época mantinham seus próprios nomes, razão pela qual Tsi Huen não tem um Wu em qualquer lugar.) Tudo certo? (Você pode ser testado sobre isso mais tarde). Em um livro anterior eu falei um pouco sobre dinheiro na Inglaterra vitoriana. Na China do período imperial tardio (que é quando este livro acontece) o Imperador mantinha um sistema de moedas de prata e cobre. As moedas de cobre eram chamadas cash (embora provavelmente não seja daqui que a palavra cash, “dinheiro” em inglês, venha). O sistema de prata tinha várias moedas: o tael, o mace, o candareen e o li. (Se você alguma vez encontrar-se no fim da China Imperial, lembre-se que 1 tael = 10 mace = 100 candareens = 1.000 li – um sistema decimal.)
Então, onde é que tudo isto nos deixa? Bem, Sherlock tem que chegar em casa, é claro. Ele, sem dúvida, terá todos os tipos de aventuras no caminho (acho que ele provavelmente vai acabar no Japão por vários meses, e talvez na Índia), mas essas histórias nunca poderão ser contadas – ou não contadas por mim, pelo menos. Acho que o próximo livro – o sexto – terá lugar na Inglaterra, e imagino que envolverá a Câmara Paradol novamente (e, talvez, marcar o reaparecimento de um vilão das histórias anteriores). Uma coisa é certa, no entanto – quando Sherlock chegar em casa, estará mais velho e mais sábio, e muito mais triste.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)