30 de agosto de 2017

Capítulo quatorze

SHERLOCK CAIU PARA TRÁS, chocado, enquanto a criatura que estava escondida a seu lado alavancou-se para fora da lama na margem do rio em quatro patas curtas que terminavam em garras ferozes.
Seus olhos eram pequenos e estreitos, e eles olhavam para Sherlock sem emoção, como fragmentos de pedra. Atrás das patas traseiras seu corpo se estreitava em uma cauda longa e plana que tinha a metade de seu comprimento. Cristas que pareciam afiadas como fios de navalha corriam de ambos os lados da cauda.
Era um réptil de algum tipo. Sua pele era marcada por ranhuras profundas, e se pendurava abaixo dele em montes e dobras. Sua cabeça era plana, como uma pá. Duas narinas abriam-se em sua fronte, mais acima, para poder respirar enquanto deitado na água, Sherlock deduziu. Era obviamente um caçador, e um que estava à espera, invisível. Da ponta do focinho à extremidade da cauda, tinha aproximadamente o mesmo tamanho de Sherlock, mas parecia ser formado por músculos em sua totalidade.
Todos esses detalhes Sherlock pegou na fração de segundo que a criatura levou para usar sua cauda e se movimentar na direção dele. Ele esticou os braços, tentando pegar a coisa no ar. Suas mãos agarraram o focinho do bicho e pressionaram sua boca fechada. Metade dos dentes parecia ainda estar fora da boca, apontando em todas as direções. Ele podia ouvir os sopros de ar através de suas narinas, sentir o cheiro de sua respiração – carne apodrecida e peixe. As garras dianteiras do animal rasgavam seu tórax, tirando sangue e espetando, enquanto as garras traseiras forçavam para avançar sobre o terreno. Sua cauda musculosa chicoteava contra a lama numa tentativa de empurrá-lo para mais perto de Sherlock. As cristas afiadas ao longo de sua cauda chocavam-se contra a as pernas do garoto, rasgando a carne e deixando linhas de agonia ardente em seu rastro.
Sherlock se contorceu, forçando a criatura a virar de modo que esta ficasse debaixo dele. Suas mãos ainda seguravam a mandíbula fechada, e ele forçou-a para baixo na lama, manobrando seu corpo de modo a ficar com o joelho em seu focinho, mantendo as mandíbulas fechadas, e o outro joelho prendendo sua cauda. O bicho se contorcia embaixo dele, mas Sherlock se certificou de que ficasse preso. Por um tempo, de qualquer maneira.
Ele olhou para o barco, entrando em pânico. Arrhenius e sua filha olhavam para a margem. Eles tinham, obviamente, ouvido alguma coisa da luta, mas não visto. O mais incrível era que a criatura não fazia quase nenhum som algum exceto o sopro de sua respiração pelas narinas. Qualquer outro animal latiria, rosnaria, guincharia ou faria outro tipo de som, mas este parecia incapaz ou sem vontade de fazer barulho enquanto lutava.
Com uma ação rápida, Sherlock colocou todo o seu peso no soco mais forte que conseguiu, mirando a lateral do pescoço da criatura. Ela se contorceu debaixo dele por um tempo, depois ficou imóvel. Por um momento glorioso Sherlock pensou ter matado o bicho, mas depois percebeu que ainda podia sentir suas laterais em movimento: ele ainda respirava. Sherlock deveria tê-lo atordoado – ou talvez o bicho estivesse apenas se fingindo de morto, esperando que fosse libertado.
— Vá e veja o que está fazendo esse barulho. — A voz do Sr. Arrhenius flutuava do barco abaixo. — Se for um dos garotos, mate-o. Então volte para o barco deles e recupere o injetor de veneno. Não posso me dar ao luxo de aquilo ser descoberto. Depois use-o para matar os outros. Desta vez, faça direito.
A menina correu para a borda do barco. Ela movia-se como um animal de quatro patas – mãos e pés em contato com o convés. Ela saltou e, quando chegou à margem, passou a correr subitamente sobre duas pernas, usando as mãos para empurrar os juncos para fora do caminho. Ela parecia desesperada para se provar para ele. Ele era o quê? Seu pai?
Sherlock ainda não conseguia acreditar.
O olhar de Sherlock se deslocava entre a menina que se aproximava e a criatura presa embaixo dele. Ele não conseguia descobrir o que era o melhor a fazer, como escapar.
Podia ouvir o silvo das canas se movimento para que a menina passasse. Ela estaria com ele em pouco tempo, e mesmo sem o injetor de veneno, seria capaz de rasgar sua garganta com as unhas fortes de seus dedos. E ela, bem – ele não tinha visto mais misericórdia nos olhos dela do que vira nos olhos da criatura sobre a qual estava ajoelhado. Mas se ele deixasse de segurar a criatura reptiliana para defender-se da menina, o animal quase certamente se viraria contra ele e o atacaria. Ele poderia segurá-la com uma mão, o que significava que podia alcançar o injetor de veneno em seu bolso.
Ele fez a única coisa que podia. No fundo de sua mente, ele ouviu a voz de Amyus Crowe dizendo: “Se a vida lhe der limões, Sherlock, faça uma limonada. Use o que tem à mão para obter vantagem. Coisas que parecem ser problemas podem na verdade ser soluções para outros problemas.”
Ainda segurando o focinho do réptil, ele deslizou a outra mão por baixo e agarrou sua pata. Tirou o joelho de cima da cauda do bicho. Este imediatamente começou a lutar. Antes que ele pudesse se esquivar de seu aperto, ele usou toda a sua força para içá-lo no ar. A criatura resistiu e se contorceu, mas ele aguentou firme.
As canas se separaram e a menina apareceu. Seus dentes estavam à mostra e a língua negra, estendida. Seus olhos brilhantes fixaram-se em Sherlock e ela rosnou.
Então ele jogou o réptil nela.
O bicho tentou virar no ar para mordê-lo, porém Sherlock o atirara com muito força e bem longe para o bicho conseguir alcançá-lo. Ele atingiu a menina em cheio no rosto. Chocada, ela caiu de costas, com as mão agarrando o réptil para contê-lo. Sentindo algo quente ao seu redor, a criatura se virou e tentou mordê-la. Ela agarrou seu focinho com uma mão, garras lutando contra garras.
Pelo o que Sherlock conseguia ver no rosto dela, ela não estava com medo, ou mesmo surpreendida. Estava totalmente focada em derrotar essa nova ameaça.
Os dois – a menina e réptil – desapareceram entre as canas.
Sherlock podia ouvir os sons contínuos de sua luta, ficando cada vez mais fracos à medida que rolavam pela margem do rio em direção à água. Houve um som de água respingando, e então, uma série de movimentos na água. Depois houve silêncio.
Sherlock se levantou e olhou para o rio. Ele não podia ver a menina, ou o réptil, mas podia ver o Sr. Arrhenius. O homem estava se movimentando, preparado para zarpar. Ele se virou e olhou para Sherlock.
— Você e o jacaré do rio parecem ter resolvido um problema para mim — ele falou alegremente. — Ela estava começando a ser mais uma responsabilidade do que uma vantagem.
— O que você querendo fazer é loucura! — Sherlock gritou. — Não percebe quantas pessoas morrerão?
Arrhenius deu de ombros enquanto o barco adentrava mais no rio.
— Eu não me importo. Estou sendo bem pago para isso. Meus empregadores se importam menos ainda. Afinal de contas, eles dirigem minas onde pessoas morrem o tempo todo, e fábricas onde trabalhadores respiram venenos que a cada dia encurtam suas vidas. Enquanto eles estiverem lucrando, a morte é apenas um infeliz subproduto de seus negócios. — Ele tirou o chapéu. — Você tem sido um adversário interessante. Creio que não nos encontraremos mais.
— Eu o impedirei! — Sherlock gritou. — Eu vou pará-lo.
— Cuidado com a picada da cobra, meu jovem. — Arrhenius avisou. Ele colocou o chapéu de volta na cabeça eu voltou-se para checar a vela.
Descontroladamente, Sherlock mergulhou para o rio. Se ele chegasse até Arrhenius, se pudesse de alguma forma impedir o homem de partir, então talvez o navio não explodisse. Arrhenius parecia ter dito à garota que ele tinha que chegar ao local onde a explosão aconteceria – provavelmente o mesmo lugar onde o governador da província embarcaria no navio – e dar um sinal. Lama agarrava-se aos seus pés e ele quase caiu duas vezes enquanto tentava correr na água rasa, mas era tarde demais. O barco de Arrhenius estava já no rio em rápido movimento. Havia uma brisa matutina soprando da costa, e as velas de Arrhenius a capturaram e foram impelidas para frente.
Sherlock bateu com o punho na perna em frustração. Tão perto e tão longe.
Hesitando apenas por um momento, ele se virou e subiu para a margem novamente. Quando chegou ao caminho que usara para chegar até ali, correu de volta para onde havia deixado Cameron e Wu Fung-Yi. Não havia nenhum sinal da menina. Se ela tivesse sobrevivido à luta com o réptil, então deve ter fugido, procurando pelo pai ou por um abrigo.
Sherlock tentou se sentir culpado pelo que tinha feito – lutado com uma menina! – mas não podia. Havia algo de muito errado com ela. Ela era mais animal do que garota, e provavelmente estava melhor sem Arrhenius. Sherlock tinha a sensação de que ela sobreviveria, não importa quais fossem as circunstâncias.
Ele se perguntou qual seria o nome dela. Parecia algo tão trivial, mas era difícil pensar nela como uma pessoa sem realmente sabê-lo.
Levou apenas alguns minutos para chegar ao barco. Ele derrapou pela margem e saltou para o convés. Os dois garotos esperavam por ele.
— O que aconteceu? — perguntou Cameron.
— Vou contar quando tivermos partido, nós estamos em uma corrida — disse Sherlock, ofegante. — Precisamos içar a vela e subir o rio o mais rápido possível.
— Você está ferido — Cameron observou, vendo os arranhões sangrentos no peito, rosto e pernas de Sherlock.
— Vamos nos preocupar com isso mais tarde. Precisamos nos mover.
Conforme Sherlock arrematava, Cameron se esforçou para levantar a vela e Wu Fung-Yi assumiu o leme. Sherlock cuspiu a história tanto quanto pôde.
— Arrhenius precisa dar um sinal para o falso cozinheiro a bordo do Monocacy — Sherlock concluiu conforme o barco adentrava no rio e a vela pegava a brisa. — Se ele não estiver lá, a bomba não explodirá.
— Por que ele precisa dar um sinal, em primeiro lugar? — Wu falou da parte traseira do barco. — Não bastaria colocar os explosivos para que explodissem?
Sherlock pensou por um momento.
— O Monocacy é um navio grande. Sabemos que os explosivos estão armazenados em falsos barris de água, o que significa que provavelmente estão armazenados perto da cozinha, no fundo do navio, onde o cozinheiro chefe pode manter um olho neles. Ele terá que acender um estopim a fim de desencadear a explosão. Não terá como saber, escondido no interior do navio, quando o governador terá subido a bordo. Ele precisará de alguém de fora do navio para lhe dizer quando acender o pavio – o que significa que ele estará, provavelmente, olhando através de uma escotilha, à espera do sinal.
— Mas por que outra pessoa não poderia fazê-lo? — perguntou Cameron, olhando por cima do ombro para Sherlock. — Por que tem que ser o Sr. Arrhenius?
Sherlock deu de ombros.
— Talvez Arrhenius não confie em mais ninguém. Ou talvez eles queiram restringir o número de pessoas que estão envolvidas com a conspiração – afinal, quanto gente souber, maior a chance de serem delatados, e este serviço em particular precisa ser mantido em grande segredo para funcionar.
— Há uma coisa que não entendo — disse Cameron. — Qual era o papel do meu pai nisso? Ele era um dos conspiradores, ou descobriu sobre isso de alguma outra maneira?
Sherlock meditou.
— Ele era, obviamente, parte dela, mas também, obviamente, teve uma mudança de pensamento. Talvez fosse trabalho dele viajar rio acima para onde o Monocacy estará ancorado e dar o sinal. Lembro-me de vê-lo conversando com Arrhenius no jantar em sua casa. Arrhenius parecia com raiva. Talvez tenha sido quando ele revelou que não tomaria parte na conspiração. Acho que ele decidiu que não poderia tolerar a perda das vidas que resultaria da explosão. Então Arrhenius fez que fosse assassinado, porém ele teve que tomar seu lugar e dar o sinal.
— Então ele foi um herói, no final? — perguntou Cameron em voz baixa. — Ele tentou fazer a coisa certa?
— Sim — disse Sherlock. — Ele tentou.
Eles seguiam livremente pelo rio agora. O sol ainda não era visível acima do horizonte, mas as estrelas tinham desaparecido e o próprio céu estava azul agora, em vez de negro. O rio já se enchia de outros barcos conforme as pessoas aproveitavam a oportunidade para começar suas atividades bem cedo.
— Qual barco pertence a Arrhenius? — perguntou Wu.
Ambos, Sherlock e Cameron, vasculharam o rio para tentar encontrá-lo.
— Impossível dizer — Cameron respondeu. — Ainda está escuro, e as outras embarcações estão longe demais. Se o plano é tentar interceptá-lo, acho pouco provável conseguirmos. Ele tem vantagem sobre nós, e não sabemos qual barco é o dele.
Sherlock cerrou os punhos em frustração. Sua única chance era impedir Arrhenius de enviar o sinal, mas eles não conseguiam vê-lo, e nem alcançá-lo, então que chance eles teriam?
USS Monocacy explodiria, as pessoas morreriam, e ele não podia fazer nada para detê-lo. Sentia-se tão impotente.
Sherlock notou um barco em particular que flutuava fora da multidão principal. Era longo e fino, e feito de madeira pintada em vermelho brilhante. As bordas do barco eram decoradas com tinta dourada, e na frente havia uma cabeça esculpida de dragão, com dentes afiados e narinas dilatadas e, estranhamente, fios de barba penduradas sob o queixo. Dez homens estavam no barco, oito deles manejando os remos, um operando o leme na parte traseira, enquanto o décimo sentava-se na parte da frente virado para os homens com um tambor entre os joelhos.
— O que é aquilo? — Sherlock perguntou, apontando.
Cameron olhou.
— É chamado de Barco Dragão — ele explicou. — Toda aldeia tem um. Eles correm um contra o outro em festivais.
— São rápidos? — Sherlock perguntou.
— Muito — Wu falou da parte de trás do barco. — Veja os músculos dos remadores.
Sherlock olhou para o Barco Dragão. Os braços dos remadores eram mais robustos do que suas pernas.
— O que eles fazem aqui?
— Estão praticando — Wu respondeu. — Eles praticam todas as manhãs antes de ir para o trabalho nos campos. Um grande festival se aproxima.
— Nos leve até lá. Quero falar com eles.
Wu ajustou o leme para levá-los até o Barco Dragão, enquanto Sherlock e Cameron enrolavam sua vela para que não passassem por eles direto. Os remadores e o homem do tambor olharam para eles com curiosidade.
— Precisamos da sua ajuda — Sherlock chamou. — Precisamos subir o rio o mais rápido possível.
Os homens apenas o encararam.
— Eu posso pagar — ele falou. Ele olhou para Cameron, que assentiu. — Quanto querem para nos levar?
Os homens discutiram brevemente. O homem no tambor falou por todos:
— Cinco cash.
— Concordo — disse Sherlock, não tendo muita certeza de quanto isso era em moedas, mas sabendo que eles precisavam de ajuda.
— Para cada um.
Sherlock olhou para Cameron novamente.
— De acordo — o menino suspirou.
— Não podemos simplesmente deixar o barco de meu tio aqui à deriva! — Wu falou do leme.
Sherlock assentiu.
— Vamos deixar três dos remadores a bordo. Eles podem levá-lo para a margem. Podemos recuperá-lo mais tarde. Isso deixará espaço para nos sentarmos. Mas teremos que remar, temo.
Cameron deu de ombros.
— Será uma experiência nova. Minha vida no momento parece estar cheia de novas experiências.
Dentro de poucos minutos, os três haviam trocado de lugar com os remadores, e o barco do tio de Wu se dirigia para margem. Os outros barcos se desviavam deles.
Sherlock olhou para o remo. Era largo na base, com um cabo longo. Ele o ergueu experimentalmente, em seguida, olhou para o tocador de tambor. O homem estava nu da cintura para cima, e era musculoso como os remadores. Seu cabelo preto estava pendurado atrás das costas em uma trança.
— Quando estiver pronto — disse Sherlock.
O baterista sorriu para ele, então deliberadamente trouxe a baqueta para baixo contra o tambor. Um profundo dumm!, vibrou através do barco. Ele bateu novamente com a outra baqueta – dumm!. Os remadores estavam prontos. Quando o terceiro dumm! sacudiu os ossos de Sherlock, todos os remadores se inclinaram para frente e empurraram seus remos na água.
Sherlock, Cameron e Wu se juntaram a eles.
O barco foi atirado para frente, espuma branca espirrando acima dos remos.
O homem que segurava o leme levou-os na direção dos barcos que subiam o rio. Sherlock foi surpreendido com a rapidez com que ganhavam velocidade. Eles passavam por outros barcos, e Sherlock teve vislumbres de rostos congelados em expressões que variavam de aborrecimento a surpresa. Eles estavam viajando facilmente três ou quatro vezes mais rápido que os outros barcos. No começo, ele tentou buscar pelo Sr. Arrhenius, mas tudo começou a diluir em um fluxo contínuo de imagens a partir do qual era difícil distinguir qualquer coisa em particular. Sherlock rapidamente caiu em uma rotina exaustiva no remo. Os músculos de seus braços e ombros queimavam com o exercício inesperado. Ele sentia a carne cortada em seu peito pingando como que fogo líquido.
A água salpicava em seu rosto, e ele lambia os lábios tentando conseguir um pouco de umidade para seu corpo. O som do tambor tornou-se um pulsar latejante em seus ouvidos: Dumm! Dumm! Dumm!
Ele olhou por cima do ombro para onde Cameron estava sentado atrás dele. O rosto do amigo estava rígido, sua mandíbula cerrada, o olhar passando por Sherlock aparentemente sem realmente reconhecê-lo.
Depois de um período de tempo que poderia ter sido minutos ou horas, ele ouviu a voz de Wu Fung-Yi chamando seu nome.
— Sherlock! Sherlock!
— O quê? — ele respondeu, balançando a cabeça para limpá-la do enevoamento.
— O que é aquilo lá na frente?
Sherlock procurou, mudando o foco dos remadores a sua frente. Além dos remos do Barco Dragão e passando pela cabeça de madeira esculpida do próprio dragão, ele viu uma grande roda saindo da água.
— É o Monocacy! — sua voz estava rouca. — Nós temos que chegar lá! Diga-lhes para seguirem para o navio!
Monocacy estava parado perto da margem do rio. Estava preso a um cais de madeira. Montes se elevavam bruscamente das bordas do rio. Do outro lado estavam ruínas do que parecia ser um velho forte militar com uma torre e algumas paredes ainda de pé, mas o resto em escombros.
O Barco Dragão fez o seu caminho através da água, indo para o USS Monocacy. Os marinheiros a bordo perceberam sua aproximação e miraram suas armas no Barco Dragão.
Sherlock acenou para o tocador de tambor na frente do barco diminuir o ritmo e levá-los a uma parada a cerca de cem metros do navio. Ele baixou o remo e levantou-se com cautela, sentindo o barco feito pedra debaixo dele. Sherlock se esforçou para manter o equilíbrio, se caísse na água agora, não tinha certeza de que seus braços teriam força suficiente para impedi-lo de afundar.
— Meu nome é Sherlock Holmes — ele gritou em inglês através da água para os marinheiros. — Sou um cidadão britânico. Preciso falar com o capitão Bryan urgentemente.
— Não se aproxime! — uma voz respondeu de volta. — Se fizer isso, abriremos fogo!
— É imperativo que eu fale com o capitão Bryan!
O fato de que ele sabia o nome do capitão, obviamente, impressionou os marinheiros. Eles conferenciaram entre si e, eventualmente, alguém de maior patente respondeu.
— Meu nome é tenente MacCrery. Qual é a sua mensagem? — ele gritou para baixo de sua posição no convés do Monocacy.
— Explosivos foram escondidos a bordo! — Sherlock gritou.
— O quê?
— Há uma bomba a bordo de seu navio!
Os marinheiros conferenciaram de modo mais frenético, então:
— Você disse que há uma bomba a bordo deste navio?
— Foi exatamente o que eu disse.
— Venha para a lateral do cais. Mas com cuidado; há armas apontadas para você. Qualquer sinal de problema e nós atiramos!
Sherlock fez um gesto para os remadores levarem o barco até o cais. Eles, obviamente, não conseguiram entender o que tinha sido dito, mas sabiam que havia armas apontadas para eles, e eles estavam nervosos. Sherlock podia ouvir a discussão baixa atrás dele ao longo das fileiras que deveria ser sobre pedirem mais dinheiro.
O Barco Dragão aproximou-se do cais. Sherlock esperou até que eles estivessem ao lado da estrutura de madeira, em seguida, pegou uma escada que estava presa em sua lateral. O USS Monocacy se elevava acima dele como um penhasco de um branco sujo.
— Avisarei o capitão Bryan — ele disse para Cameron e Wu. — Vocês dois mantenham-se atentos ao Sr. Arrhenius. Ele não pode estar muito longe atrás de nós, e eu odiaria vê-lo dar o sinal enquanto eu estiver a bordo.
— O que fazemos se o virmos? — perguntou Wu.
— Soem o alarme — Sherlock sugeriu. — E então vão atrás dele.
— Ele matou meu pai — Cameron apontou severamente. — E o pai dele também. Consigo pensar em uma série de coisas que quero dizer a ele quando encontrá-lo.
— Não façam nada... drástico — Sherlock recomendou. — Pode ser que precisemos dele vivo para corroborar nossa história. Se pudermos trazê-lo a bordo do navio, duvido que ele seja capaz de dar o sinal ao homem com os explosivos. — Ele olhou para o navio e o grupo de marinheiros que esperava por ele. — Desejem-me sorte. Esta pode ser a conversa mais importante e mais difícil da minha vida.
— Se Arrhenius estiver aqui e não o acharmos — acrescentou Cameron — pode ser também a mais curta.

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