26 de setembro de 2017

Divulgação: Herdeira de sangue

Sinopse:
Mel Mihaykova perdeu a mãe quando tinha apenas 7 anos de idade. Criada sozinha pelo pai, um homem gentil e protetor, ela confia e o ama acima de qualquer coisa. Um dia porém, ao acordar e encontrar sua casa cheia de sangue e duas espadas sinistras, suas convicções começam a mudar. Seria o pai culpado das mortes brutais que tem ocorrido na cidade? E quanto a própria mãe? Seria essa a razão da culpa por trás dos olhos azuis iguais aos dela? Fatalidades e perdas insuperáveis levam Mel a um universo do qual nunca imaginou, um passado que não conhecia e uma verdade que mudará para sempre a sua vida. " Sangue é vida. Sangue é poder! E é no sangue que tudo começa".

Categorias: ficção, suspense, aventura, história original
Autora: Thais dos Santos

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Prólogo


   O som estrondoso indicava uma grande cachoeira, mas na verdade se tratava de um filete de água constante dentro da rocha sólida da caverna que desaguava em um pequeno riacho. A caverna como esperado era escondida de olhos curiosos, mesmo que fosse uma terra há muito esquecida. De longe era apenas um aglomerado de montanhas enormes, mas para aqueles que conheciam a região, havia uma variedade razoável de cavernas, depressões e grutas, claro, não estávamos ali para apreciar a beleza selvagem, nem para descobrir abrigos naturais.
   O pequeno grupo de mulheres, algumas idosas, outras jovens e também duas meninas que não deviam ter mais que 10 anos, caminhavam descalças firmes e constantes pelo chão úmido. Eu já havia estado ali várias vezes antes, a princípio como serva, depois, quando meu talento apareceu, como aprendiz.
   Hoje, no entanto, tudo era diferente.
   A começar pelas vestes. Normalmente usávamos túnicas longas de seda preta e saias de seda também pretas. Hoje, estávamos vestidas apenas com um manto com capuz branco e uma máscara vermelha ornamentada com ouro cobrindo todo o rosto. A matriarca liderava o grupo, um candelabro antigo com três velas, nossa única fonte de luz. Nossa guia.
   Chegamos a uma câmara ampla, o som de água pingando em algum lugar próximo era o único som, a água, e os gemidos abafados pela mordaça da jovem virgem presa sobre o altar de pedra no centro da sala. Seus olhos se arregalaram quando nos viu entrar, então os ruídos se tornaram mais altos, mais desesperados.
   A matriarca caminhou em sua direção e parou atrás de sua cabeça, os dedos finos acariciando o rosto suado da jovem, que se agitou ainda mais, como se pudesse fugir disso. Nossa líder acenou com a mão livre e as outras formaram um círculo pequeno em volta do altar, eu permaneci no lugar, na entrada da câmara. Só sairia dali quando me fosse permitido. 
   - Irmãs! - Exclamou a matriarca, a voz abafada e grave pela máscara. - Saudações! 
   - Saudações! - Disseram as outras em unissono enquanto levavam as duas mãos ao coração. 
   - Hoje, como vocês sabem, é um dia muito feliz para nós! Nossa irmã, enfim reclamará seu lugar como parte da Irmandade! Foram anos e anos de servidão, então vários anos mais como aprendiz, mas essa noite tudo mudará. Hoje, nossa irmã receberá sua recompensa. Será plena, como nós. Todas  concordam que ela mereceu a oportunidade? 
   - Sim, concordamos. - Responderam as outras levando apenas uma mão ao coração dessa vez. No altar, a virgem ainda se debatia. Um animal encurralado a caminho do abate.
   - Comecemos então! 
   Elas deram as mãos, selando de vez a jovem naquele círculo de morte. Uma música antiga, entoada em outro idioma preencheu a atmosfera abafada da caverna. Elas começaram a andar em volta do altar, passos lentos e firmes, a canção num ritmo ardente, as meninas encarando fascinadas a presa que se rendia ao som inebriante,  os braços e pernas ficando imóveis sobre a pedra manchada. Os olhos vitreos fixados em mim. 
   Duas das mulheres soltaram as mãos, formando uma corrente que se abria atrás do altar, me dando passagem. E permissão. 
   - Sua hora chegou, abrace a oportunidade e receba sua bênção. - Falou a matriarca, a voz ainda carregada pelo outro idioma.
   Meus passos eram firmes, apesar de lentos. Não por medo do que estava pretes a fazer, ou dúvida, mas simplesmente por respeito às idosas, que tiveram que esperar muito mais que eu pela oportunidade. 
   Parei na frente da nossa líder, que agora ocupava o lugar atrás do abdômen da jovem. Eu não podia ver seu rosto quando estendeu uma toalha de seda branca em minha direção, mas sabia que por trás da máscara ela sorria, assim como eu sorri quando aceitei o pedaço de pano que continha o objeo que mudaria minha vida.
   Com mãos firmes desenrolei a adaga curta, feita dos metais mais finos da terra, o cabo sozinho uma joia, encrustado com diamantes e sáfiras. A jovem ainda extasiada me encarava quando cravei a lâmina infernal em seu coração. E assim permaneceu quando o arranquei de seu peito aberto e comi, pedaço por pedaço, manchando permanentemente o tecido branco do manto.
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