8 de julho de 2017

Divulgação: Delphine


Sinopse:
Dois meses. Esse é o intervalo entre o aniversário de dezoito anos de Delphine Adamatti, e o seu casamento. O ano é 2.243, exatos cem anos depois do início da guerra, e 75 anos depois do lançamento do vírus que reduziu drasticamente a população mundial. Os sobreviventes foram obrigados a lidar com outro desafio: seus filhos, que herdavam o vírus. A solução encontrada? Casamentos arranjados, a cada geração, pais compatíveis geravam crianças mais saudáveis.       
Como todos que conhece, Delphine é fruto de um desses casamentos arranjados, mas, ao contrário da maioria, ela não herdou o vírus. Geneticamente pura, uma luz em meios as trevas, esperança de dias melhores. Mas, em meio a alta sociedade, e com a proximidade de seu compromisso, nada acontece como deveria. Delphine se vê cada vez mais cercada de segredos e conspirações.  Dois meses, é tudo o que tem, além de certezas cada vez mais incertas.  Compatibilidade é segurança, segurança é privilégio... Privilégio é felicidade. Mas algo não parece se encaixar, e ela tem cada vez menos tempo para tomar uma decisão. "Nem tudo que reluz é ouro." diz o ditado, e ele nunca pareceu tão verdadeiro.

Categorias: distopia, ficção, romance, história original
Autora: Ana Mar

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Prólogo

 O meu vestido era azul. Talvez seja uma forma estranha de começar este relato. Mas, em algum momento, você irá concordar comigo: não há forma mais adequada de fazê-lo. Passei as mãos pelo tecido liso do vestido. No espelho, podia ver como se ajustava a meu corpo. Me dava algumas curvas que eu não tinha e destacava meus pontos fortes… não sou perfeita, mas fui ensinada que eles são muitos. Meu corpo é lindo, e por que eu pensaria o contrário? A ciência, e o meu título estão ai para lembrar a todos disso. Eu tenho algo raro, e isso me torna tão bela quanto importante.

 Muitas mulheres matariam para estar no meu lugar. Minhas irmãs esfaqueariam umas às outras para ter o que eu tenho. Sorrio para o rosto no espelho, os traços que são um perfeito equilíbrio entre a força e a delicadeza me tornam  imponente como uma imperatriz, o tipo de rosto que nasceu para se destacar, o tipo de rosto que nasceu para ser adorado.

  Há dois séculos, as pessoas diriam que fui abençoada com um belo rosto. Atualmente, porém, todos são conhecedores da verdade: não há força sobrenatural por trás disso. Não uma divindade, tudo é ciência. Minha genética é resultado de muito estudo, um código minuciosamente escrito. A maioria das pessoas não tem essa mesma sorte.

  Mas eu tenho, e não há motivo para modéstia. Eu sou especial, e estou plenamente consciente disto.

  Meu nome é Delphine Adamatti, você já deve tê-lo ouvido antes. Por que não teria ouvido? Ser quem sou, é um fardo tanto quanto uma honra. Minha existência, ao contrário da de todas as outras pessoas, tem um significado. É por isso que hoje, estou usando esse vestido azul. Azul, para lembrar a todos de que sou capaz de algo que a maioria deles não pode sequer sonhar em ter: Eu posso gerar uma vida.

  Uma vida. Não as formas defeituosas e inúteis que as outras mulheres geram.

 Por causa de pessoas como eu, a raça humana prevalece. Eu nasci para evitar a extinção. 
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2 comentários:

  1. Parece otimo! ansiosa por ele :D

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  2. Amei... parece que vai ser uma leitura incrivel

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Boa leitura :)