23 de junho de 2017

Capítulo 9 - Brutalmente para a luz


Ouviu-se um grito alto, agudo e estridente quase inumano, em tom e intensidade.
Eragon contraiu-se com se alguém o tivesse picado com uma agulha. Passara grande parte do dia a ver homens a lutarem e a morrerem — matando ele próprio dezenas deles — contudo, não conseguia evitar a sua preocupação ao ouvir os gritos de angústia de Elain. Os ruídos que fazia eram de tal forma horríveis que começou a interrogar-se se ela sobreviveria ao parto. Junto dele, de cócoras ao lado do barril que lhe servia de assento, Albriech e Baldor, remexiam nas folhas esfarrapadas de erva entre os sapatos. Os seus dedos grossos desfiavam meticulosamente cada tira de folha e caule, antes de agarrar na seguinte. Tinham a testa suada e brilhante, e os olhos estavam carregados de raiva e de desespero. De vez em quando, olhavam um para o outro e fitavam a tenda onde a sua mãe estava, do outro lado do trilho, mas para além disso estavam de olhos pregados no chão, alheios a tudo o que os rodeava.
Roran permanecia a alguns metros de distância, sentado num barril tombado, que oscilava sempre que ele se mexia. Reunidas à beira do trilho lamacento, estavam várias dúzias de pessoas de Carvahall, na sua maioria homens amigos de Horst e dos filhos, cujas mulheres ajudavam a curandeira Gertrude a tratar de Elain.
Saphira agigantava-se sobre todos eles. Tinha o pescoço arqueado como um arco de flechas esticado, a ponta da cauda estremecia como se estivesse a caçar, e a língua cor de rubi não parava de ondular para dentro e para fora da boca, como que a provar o ar em busca de odores que pudessem fornecer-lhe alguma informação sobre Elain e a criança por nascer.
Eragon massajou um músculo dorido no antebraço esquerdo. Há várias horas que esperavam e o crepúsculo estava a aproximar-se. Os objetos projetavam longas sombras negras em direção a Este, como se estivessem a tentar alcançar o horizonte. O ar arrefecera.
Mosquitos e donzelinhas de asas rendilhadas do Rio Jiet, esvoaçavam para trás e para diante em torno deles. Outro grito rasgou o silêncio.
Os homens remexeram-se desconfortavelmente, fazendo depois gestos para afastar a má sorte e murmurando uns com os outros num tom de voz baixo, destinado apenas aos companheiros mais próximos, mas que Eragon conseguia ouvir claramente. Sussurravam acerca da gravidez difícil de Elain. Alguns argumentavam, num tom solene, que se ela não desse à luz em breve, seria tarde demais tanto para ela como para a criança.
Outros diziam coisas tipo:
— É difícil para um homem perder uma esposa mesmo nos seus melhores momentos, quanto mais aqui, num momento destes.
Ou então:
— É uma pena, lá isso é verdade...
Alguns atribuíam a culpa dos problemas de Elain aos Ra’zac, ou aos incidentes que tinham ocorrido durante a viagem dos aldeões até ao acampamento dos Varden, e mais do que um teceu comentários desconfiados pelo fato de autorizarem Arya a ajudar no parto:
— Ela é um elfo e não um ser humano — disse Fisk, o carpinteiro.
— Devia ficar com os da sua espécie e não meter o nariz onde não é chamada. Quem sabe o que ela realmente quer?
Eragon ouviu isso e muito mais, mas escondeu as suas reações e ficou na sua paz, pois sabia que os aldeões iriam sentir-se desconfortáveis se percebessem quão apurada se tornara a sua audição. O barril por baixo de Roran estalou, quando este se inclinou para a frente.
— Achas que devíamos...
— Não — disse Albriech.
Eragon aconchegou-se no seu manto. O frio começava a penetrar-lhe nos ossos, mas não se iria embora até que o suplício de Elain terminasse.
— Olha — disse Roran, subitamente entusiasmado.
Albriech e Baldor viraram a cabeça ao mesmo tempo.
Do outro lado do trilho, Katrina saiu da tenda com um molho de panos sujos. Antes da pala da entrada se voltar a fechar, Eragon viu de relance Horst e uma das mulheres de Carvahall — não sabia ao certo quem — ao fundo do catre onde Elain estava deitada.
Sem olhar uma vez que fosse para os que a observavam, Katrina encaminhou-se quase a correr para a fogueira onde a mulher de Fisk, Isold e Nolla ferviam panos para serem reutilizados.
Roran mudou de posição e o barril estalou mais duas vezes. Em parte, Eragon esperava vê-lo seguir Katrina, mas ele ficou onde estava, tal como Albriech e Baldor. Tanto eles como o resto dos aldeões seguiam atentamente os movimentos de Katrina.
Eragon fez uma careta ao ouvir mais um grito de Elain rasgar o ar, um grito não menos excruciante que o anterior.
Depois alguém afastou a entrada da tenda uma segunda vez e Arya saiu disparada, de braços nus e cabelo desgrenhado. O cabelo flutuou-lhe em torno do rosto ao correr na direção dos onze guardas de Eragon, que estavam à sombra atrás de um pavilhão próximo. Falou durante alguns momentos com um deles, num tom insistente, uma mulher elfo, de rosto fino, chamada Invidia, regressando depois apressadamente pelo mesmo caminho.
Percorrera apenas alguns metros, quando Eragon a apanhou.
— Como está a correr? — perguntou.
— Mal.
— Porque está a demorar tanto? Não podes ajudá-la a dar à luz mais depressa?
A expressão de Arya, já de si tensa, tornou-se ainda mais severa.
— Podia. Podia ter-lhe tirado a criança do ventre com um cântico, na primeira meia hora, mas Gertrude e as outras mulheres apenas me deixam usar os feitiços mais simples.
— Isso é um absurdo! Porquê?
— Porque a magia as assusta... porque eu as assusto.
— Então diz-lhes que não tens más intenções. Di-lo na língua antiga e elas não terão outro remédio senão acreditar em ti.
Ela abanou a cabeça.
— Só iria piorar as coisas. Iriam pensar que eu estava a enfeitiçálas contra a sua vontade e mandavam-me embora.
— Certamente que Katrina...
— Foi graças a ela que consegui lançar alguns feitiços.
Elain voltou a gritar.
— Não te deixam ao menos aliviar-lhe a dor?
— Mais do que já aliviei, não.
Eragon virou-se em direção à tenda de Horst.
— Ai sim? — rugiu ele entredentes.
Uma mão fechou-se em torno do seu braço esquerdo e segurouo.
Intrigado voltou a olhar para Arya para lhe pedir uma explicação. Ela abanou a cabeça.
— Não faças isso — disse ela.— São costumes ancestrais. Se interferires, vais enfurecer e embaraçar Gertrude, e virar muitas das mulheres da tua aldeia contra ti.
— Não quero saber disso!
— Eu sei, mas acredita em mim: neste momento o melhor que tens a fazer é esperar com os outros. — E largou-lhe o braço, como que enfatizando o seu ponto de vista.
— Não posso ficar aqui parado a deixá-la sofrer!
— Escuta. É melhor que fiques. Eu ajudarei Elain como puder, prometo, mas não entres ali. Irás arranjar conflitos e causar raiva onde não são necessários... Por favor.
Eragon hesitou e rosnou de indignação, atirando os braços ao ar, ao ouvir Elain gritar de novo.
— Está bem — disse, inclinando-se para Arya —, mas aconteça o que acontecer não deixes que ela ou a criança morram. Não me interessa o que tenhas de fazer, mas não as deixes morrer.
Arya sondou-o com um olhar sério.
— Jamais permitiria que uma criança sofresse — disse ela, retomando a marcha.
Ao vê-la desaparecer dentro da tenda de Horst, Eragon regressou ao local onde Roran, Albriech e Baldor estavam reunidos, voltando a sentar-se no seu barril.
— Então? — perguntou Roran.
Eragon encolheu os ombros.
— Estão a fazer tudo o que podem. Temos de ser pacientes... é tudo.
— Ela parecia ter um pouco mais do que isso a dizer — disse Baldor.
— O significado era o mesmo.
A cor do sol foi-se modificando, à medida que se aproximava da linha final de terra, passando de laranja a vermelho, e as poucas nuvens esfarrapadas que restavam no céu, a Oeste, resquícios da tempestade que passara há horas atrás, adquiriram tons semelhantes. Bandos de andorinhas picavam voo por cima das suas cabeças, devorando traças, moscas e outros insetos que pairavam no ar.
Com o passar do tempo, os gritos de Elain foram diminuindo gradualmente de intensidade, passando de gritos estridentes a gemidos baixos e entrecortados, que arrepiaram os pelos da nuca de Eragon. Desejava, acima de tudo, libertá-la do seu tormento, mas não teve coragem de ignorar o conselho de Arya, por isso ficou onde estava, remexendo-se, roendo as unhas contundidas e trocando breves palavras, pouco espontâneas, com Saphira.
Quando o sol tocou na terra, alargou-se ao longo do horizonte como uma gema gigante a rebentar da sua pele. Os morcegos começaram a misturar-se com as andorinhas, produzindo ruídos indistintos e frenéticos ao baterem as asas semelhantes a cabedal.
Os seus guinchos estridentes eram quase insuportavelmente agudos para Eragon.
Depois Elain deu um guincho que abafou todos os outros ruídos nas imediações, um guincho que Eragon esperava nunca mais voltar a ouvir.
Seguiu-se um silêncio breve mas profundo que terminou com o choro sonoro e entrecortado de um recém-nascido, no interior da tenda — a ancestral fanfarra que anunciava a chegada de um novo ser ao mundo. Ao ouvi-lo, Albriech e Baldor fizeram um largo sorriso, tal como Eragon e Roran. Vários homens que esperavam, aclamaram.
Mas o seu júbilo pouco durou. No instante em que o último viva cessou, as mulheres que estavam dentro da tenda começaram a carpir. Era um lamento angustiante e Eragon sentiu-se gelar de pavor, pois sabia o que significavam aqueles lamentos: que se dera uma tragédia da pior espécie.
— Não — disse ele, incrédulo, saltando do barril. — Ela não pode estar morta. Não pode... Arya prometeu.
Como que em resposta ao seu pensamento, Arya atirou para trás a pala da tenda e correu na direção dele, saltando pelo trilho com passos incrivelmente longos.
— O que aconteceu? — perguntou Baldor, quando ela parou.
Arya ignorou-o e disse.
— Anda, Eragon
— O que aconteceu? — exclamou Baldor, furiosamente, agarrando Arya pelo ombro. Num rasgo aparentemente instantâneo de movimento, ela agarrou-lhe no pulso e torceu-lhe o braço atrás das costas, forçando-o a dobrar-se como um aleijado, e o rosto dele contorceu-se de dor.
— Se queres que a tua irmã recém-nascida viva, afasta-te do caminho e não interfiras! — E largou-o com um empurrão que o fez cair desamparado nos braços de Albriech. Depois virou-se e voltou a encaminhar-se para a tenda de Horst.
— O que aconteceu? — perguntou Eragon, ao reunir-se a ela.
Arya encarou-o de olhos flamejantes.
— A criança é saudável, mas nasceu com um lábio fendido.
Foi então que Eragon entendeu o motivo da explosão de dor das mulheres. As crianças amaldiçoadas com um lábio fendido raramente conseguiam sobreviver; eram difíceis de alimentar e, mesmo que os pais as conseguissem alimentar, sofriam miseravelmente, pois eram ostracizadas, ridicularizadas e nunca seriam um parceiro conveniente para casar. Na maior parte dos casos era preferível para todos que a criança nascesse morta.
— Tens de a curar, Eragon — disse Arya.
— Eu? Mas eu nunca... Porque não tu? você sabes mais acerca de curas do que eu.
— Se eu modificar a aparência da criança as pessoas vão dizer que eu a roubei e a substitui por outra. Eu sei das histórias que a tua espécie conta a meu respeito, Eragon — conheço-as demasiado bem. Fá-lo-ei se for necessário, mas a criança sofrerá para o resto da vida. você és o único que a pode salvar de tal destino.
O pânico apossou-se dele. Não queria ser responsável pela vida de outra pessoa, pois era já responsável por muitas.
— Tens de a curar — disse Arya, num tom enérgico. Eragon lembrou-se como os elfos prezavam a vida das suas crianças e a das crianças de todas as raças.
— Ajudas-me, se eu precisar?
— Claro.
Tal como eu, disse Saphira. Seria sequer preciso perguntares?
— Certo — disse Eragon, agarrando no punho de Brisingr, já decidido. — Eu faço-o.
Eragon encaminhou-se para a tenda com Arya ligeiramente atrás, abrindo caminho através das pesadas palas de lã. A fumaça das velas fez-lhe arder os olhos. Cinco mulheres de Carvahall estavam reunidas junto à parede e os seus lamentos atingiram-no como um golpe físico. Baloiçavam-se como que em transe, repuxando as roupas e arrepelando os cabelos enquanto carpiam.
Horst estava ao fundo do catre a discutir com Gertrude, de rosto afogueado, inchado e marcado da exaustão. A rotunda curandeira, por seu lado, segurava um volume embrulhado em tecido contra os seios, volume esse que Eragon concluiu conter a criança — embora não pudesse ver o seu rosto — pois algo se torcia e chorava dentro dele, fazendo ainda mais barulho. As faces redondas de Gertrude estavam transpiradas e brilhantes, e ela tinha o cabelo colado à pele. Os seus antebraços nus estavam manchados de vários fluidos. Katrina estava a ajoelhada numa almofada redonda, à cabeceira do catre, a limpar a testa de Elain com um pano húmido.
Eragon mal reconheceu Elain; estava com o rosto abatido e tinha olheiras escuras sob os olhos que pareciam deambular, incapazes de se focar. Um fio de lágrimas escorria-lhe sobre as têmporas, do canto de cada olho, desaparecendo por baixo das madeixas de cabelo emaranhado. Abria e fechava a boca, murmurando palavras ininteligíveis. Um lençol manchado de sangue cobria-lhe o resto do corpo.
Nem Horst nem Gertrude repararam em Eragon até ele se aproximar. Eragon crescera desde que abandonara Carvahall, mas Horst era ainda uns dez centímetros mais alto do que ele. Ao olharem ambos para ele, uma centelha de esperança iluminou a expressão sombria do ferreiro.
— Eragon! — disse, batendo com a mão pesada no ombro deste e encostando-se a ele como se os acontecimentos o tivessem deixado quase incapaz de se aguentar de pé. — Soubeste? — Não era realmente uma pergunta, mas Eragon, acenou com a cabeça. Horst olhou de relance para Gertrude — um olhar breve e fugaz — e depois a sua enorme barba, semelhante a uma pá, começou a mover-se de um lado para o outro, ao mexer o maxilar. Depois, a língua apareceu entre os lábios, ao humedecê-los. — Podes... podes fazer alguma coisa por ela?
— Talvez — disse Eragon. — Vou tentar.
Eragon estendeu os braços. Após um momento de hesitação, Gertrude depositou o volume morno nos seus braços e recuou, com um ar perturbado.
Enterrado nas pregas de tecido, estava o pequeno rosto enrugado da rapariguinha. Tinha a pele vermelha escura, os olhos inchados e fechados e parecia fazer caretas, omo se tivesse zangada devido aos recentes maus-tratos — uma reação perfeitamente razoável, na opinião de Eragon. Contudo, a sua característica mais surpreendente era a grande abertura que se estendia da narina esquerda até meio do lábio superior, através da qual se via a pequena língua cor-de-rosa. Era como uma lesma macia e húmida e estremecia de vez em quando.
— Por favor — disse Horst. — Há alguma forma de...
Eragon encolheu-se ao ouvir as mulheres carpirem num tom particularmente estridente.
— Não consigo trabalhar aqui — disse ele.
Ao virar-se para sair, Gertrude disse atrás dele:
— Eu vou contigo. Ela tem de ficar com algum de nós, alguém que saiba cuidar de uma criança.
Eragon não queria Gertrude a pairar em torno dele, enquanto tentava corrigir o rosto da rapariguinha, e estava a ponto de lhe dizer justamente isso quando se lembrou do que Arya lhe dissera acerca de bebés trocados. Alguém de Carvahall, alguém em quem o resto dos aldeões confiassem, deveria testemunhar a transformação da rapariguinha para que mais tarde pudessem assegurar às pessoas que a criança era a mesma.
— Como querias — disse, contendo as suas objeções.
Ao sair da tenda, o bebé contorceu-se nos seus braços e deixou escapar um grito lamentoso. Do outro lado do trilho, os aldeões apontavam e Albriech e Baldor avançaram na direção dele. Eragon abanou a cabeça e eles pararam onde estavam, seguindo-o com os olhos e a impotência estampada no rosto.
Arya e Gertrude colocaram-se de ambos os lados de Eragon, enquanto este atravessava o acampamento em direção à sua tenda. Saphira seguia-os, fazendo tremer o chão sob as suas patas. Os guerreiros que surgiam no caminho desviavam-se rapidamente para lhes dar passagem.
Eragon esforçava-se por caminhar o mais suavemente possível, evitando agitar a criança. Um forte aroma a mofo parecia agarrado à rapariguinha, como o cheiro do chão da floresta num dia quente de verão.
Estavam praticamente a chegar ao seu destino quando Eragon viu Elva, a criança-feiticeira, à beira do caminho, entre duas filas de tendas, com uma expressão circunspecta, olhando-o com os seus grandes olhos violeta. Usava um vestido negro e púrpura, com um longo véu de renda dobrado sobre a cabeça, revelando a marca prateada em forma de estrela, semelhante ao seu gedwëy ignasia, que tinha na testa.
Não disse uma palavra nem tentou empatá-lo ou detê-lo. Porém, Eragon entendeu o aviso; a sua presença era uma repreensão. Já antes interferira com o destino de uma criança, com consequências calamitosas. Não podia cometer tamanho erro de novo, não só pelo mal que causaria, mas porque se o fizesse, Elva tornar-se-ia sua inimiga. Apesar de todo o seu poder, Eragon temia Elva. A sua aptidão para sondar a alma das pessoas e adivinhar tudo o que as afligia e as perturbava — e prever tudo o que estava prestes a magoá-las — tornava-a um dos seres mais perigosos de Alagaësia.
“Aconteça o que acontecer”, pensou Eragon ao entrar na tenda escura, “eu não quero molestar esta criança.” Ao dizê-lo, sentiu uma renovada determinação em lhe dar uma hipótese de viver uma existência que as circunstâncias lhe teriam negado.


3 comentários:

  1. "Enterrado nas pregas de tecido, estava o pequeno rosto enrugado da rapariguinha." hahahah, achei engraçado isso, já que costuma hoje em dia ser um palavrão na sociedade.

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  2. "parecia fazer caretas, omo(como) se tivesse"

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  3. Chamar a criança de rapariguinha, dizer que não quer molestar a criança. O português mesmo sendo a língua que nos falamos tem uma diferença incrível dependendo da região em que foi adaptada O.O

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Boa leitura :)