24 de junho de 2017

Capítulo 73 - Peças em um tabuleiro

Quando chegou a Urû’baen com Saphira, Eragon ficou surpreendido ao descobrir que Nasuada lhe devolvera o nome
de Ilirea, por respeito à sua história e ao seu legado.
Ficou também consternado ao saber que Arya partira para
Ellesméra, na companhia de Däthedr e de muitos outros elfos da
alta nobreza, e que levara consigo o ovo de dragão verde que
tinham encontrado na cidadela.
Deixara-lhe uma carta com Nasuada, na qual lhe explicava que
precisava de acompanhar o corpo da mãe de regresso a Du
Weldenvarden, para lhe fazer um enterro digno. Em relação ao ovo
de dragão, escrevera:
... e porque Saphira te escolheu a ti, um humano, como seu
Cavaleiro, é perfeitamente justo que o próximo Cavaleiro seja um
elfo, se o dragão dentro do ovo concordar. Quero dar-lhe essa
possibilidade sem mais demoras.
Já passou tempo de mais dentro da casca e uma vez que há
muitos mais ovos noutro local — não vou dizer onde — espero que
não penses que agi por presunção ou preconceito exacerbado a
favor da minha raça. Consultei os Eldunarís sobre este assunto e
eles concordaram com a minha decisão.
Seja como for, já não é meu desejo continuar a ser embaixatriz
dos Varden, agora que Galbatorix e a minha mãe mergulharam no
vazio. Prefiro voltar a assumir a tarefa de transportar um ovo de
dragão pelo território, tal como fiz com Saphira. É claro que
continuamos a precisar de um embaixador entre as nossas raças,
por isso Däthedr e eu nomeámos um jovem elfo chamado Vanir
para me substituir. Conheceste-o durante a tua estadia em
Ellesméra. Ele revelou o desejo de saber mais sobre o povo da tua
raça e parece-me ser um motivo tão bom como qualquer outro
para que lhe seja concedido esse lugar — isto é, desde que não se
revele totalmente incompetente.
A carta tinha mais algumas linhas, mas Arya não mencionava
quando voltaria, nem mesmo se regressaria à zona oeste de
Alagaësia. Eragon ficou satisfeito pelo fato de ela se preocupar o
suficiente com ele para lhe escrever, mas desejou que tivesse
esperado que eles regressassem antes de partir. Sem ela, parecia
haver um buraco no seu mundo e, embora tivesse passado algum
tempo com Roran, Katrina e com Nasuada, o vazio doloroso que
sentia parecia não passar. Isso, aliado ao fato de sentir
constantemente que Saphira e ele estavam apenas a passar tempo,
deixou-o com uma sensação de desprendimento. Muitas vezes era
como se estivesse a observar-se a si mesmo fora do corpo, como
um estranho. Entendia a causa dos seus sentimentos, mas não lhe
ocorria outra cura senão o tempo.
Durante a última viagem lembrara-se que poderia remover de
Elva os últimos vestígios da bênção que acabara por se revelar uma
maldição, associando o nome dos nomes ao fraseado na língua
antiga. Por isso foi ter com a menina ao grande palácio de
Nasuada, onde esta agora vivia, e transmitiu-lhe a sua ideia,
perguntando-lhe o que ela pretendia.
Ela não reagiu com a satisfação que ele esperava, mas ficou
sentada, de olhos pregados no chão, com uma expressão
carregada. Durante quase uma hora não disse uma palavra e
Eragon ficou sentado à sua frente, a aguardar, sem reclamar.
Depois, ela olhou-o e disse:
— Não, prefiro ficar como estou... Sinto-me grata por te teres
lembrado de perguntar, mas isto é grande parte de mim pelo que eu
não posso abrir mão. Sem a minha aptidão para sentir a dor dos
outros não passaria de um bicho raro — uma miserável aberração,
sem outro préstimo que não satisfazer a curiosidade reles daqueles
que aceitaram ter-me por perto, daqueles que toleram a minha
presença. Com esta aptidão continuo a ser uma aberração, mas
também posso ser útil, ser dona de um poder que os outros temem
e controlar o meu próprio destino, algo que muita gente do meu
sexo não pode. — Fez um gesto para o quarto ornamentado onde
dormia. — Aqui, posso viver confortavelmente — viver em paz — e,
ao mesmo tempo, continuar a fazer algo de útil, ajudando Nasuada.
O que me restaria, se me despojasses da minha aptidão? O que
faria? O que seria? Removeres o teu feitiço não seria uma bênção,
Eragon. Não, ficarei como estou e suportarei as provações do meu
dom de livre vontade. Mas, agradeço-te.
Dois dias depois de ele e Saphira aterrarem na cidade que dava
agora pelo nome de Ilirea, Nasuada voltou a mandá-los partir,
primeiro para Gil’ead e depois para Ceunon — as duas cidades que
os Elfos tinham conquistado — para que Eragon usasse, mais uma
vez, o nome dos nomes para eliminar os feitiços de Galbatorix.
Tanto Eragon como Saphira acharam a visita a Gil’aed
desagradável, pois lembrava-lhes a altura em que os Urgals tinham
capturado Eragon, por ordem de Durza, assim como a morte de
Oromis.
Eragon e Saphira dormiram três noites em Ceunon. Era uma
cidade diferente de todas as outras que tinham visto. Os edifícios
eram feitos, em grande parte, de madeira, com telhados íngremes,
cobertos de tabuinhas que — nas casas maiores — se distribuíam em
várias camadas. Muitos dos topos dos telhados estavam decorados
com uma escultura estilizada de uma cabeça de dragão e as portas
eram entalhadas ou pintadas com intrincados padrões semelhantes
a nós.
Quando partiram, foi Saphira que sugeriu um desvio. Não teve
de se esforçar muito para convencer Eragon, pois este concordou
de bom grado, logo que ela lhe explicou que essa viagem não iria
demorar muito.
De Ceunon, Saphira voou para Oeste, ao longo da Baía de
Fundor: uma extensão de água salpicada de cristas brancas.
Corcundas cinzentas e negras de grandes peixes de mar, rompiam
as ondas como pequenas ilhas coriáceas, projetando jatos de água
dos opérculos e erguendo as caudas bem alto no ar, antes de
voltarem a deslizar para as profundezas silenciosas do oceano.
Atravessaram a Baía de Fundor, enfrentando ventos frios e
tempestuosos e, depois, as montanhas da Espinha, cujos nomes
Eragon conhecia, viajando até ao Vale de Palancar, pela primeira
vez desde que tinham partido com Brom para perseguir os Ra’zac,
aparentemente há uma eternidade.
Eragon sentiu-se em casa, quando o aroma do vale lhe chegou.
O cheiro dos pinheiros, dos salgueiros e das bétulas recordava-lhe
a infância e o frio cortante prenunciava a chegada do inverno.
Aterraram nas ruínas carbonizadas de Carvahall e Eragon
vagueou ao longo das ruas inundadas de vegetação e de ervas
daninhas, de ambos os lados.
Uma matilha de cães selvagens saiu a correr de um aglomerado
de bétulas, ali perto. Ao verem Saphira pararam. Depois rosnaram,
ganiram e fugiram para se esconder. Saphira rosnou e deixou
escapar uma baforada de fumaça, mas não fez qualquer gesto para os
perseguir.
Um pedaço de madeira queimada estalou debaixo do pé de
Eragon, ao arrastar a bota sobre um amontoado de cinzas. A
destruição da vila deixou-o melancólico. Mas a maior parte dos
aldeões que tinha escapado estavam vivos e Eragon sabia que eles
iriam reconstruir Carvahall e fazer dela um sítio melhor do era.
Porém, os edifícios entre os quais crescera tinham desaparecido
para sempre. A sua ausência exacerbava nele a ideia de que o seu
lugar já não era no Vale de Palancar e os espaços vazios onde
antigamente se erguiam, alimentavam-lhe uma sensação de que
nada ali batia certo, como se vivesse um sonho em que tudo
estivesse desequilibrado.
“O mundo está desconjuntado”, murmurou ele.
Eragon fez uma pequena fogueira junto do local onde ficava a
taberna de Morn e preparou uma grande panela de guisado.
Enquanto comia, Saphira vagueou pelas imediações, farejando tudo
o que achava interessante.
Depois Eragon levou a panela, a tigela e a colher até ao Rio
Anora e lavou-os na água gelada. Acocorou-se na margem rochosa
e ficou a observar a coluna branca e nevoenta ao cimo do vale: as
Cataratas de Igualda, que se erguiam a uma altura de quatrocentos
metros, antes de desaparecerem sobre uma saliência de pedra, no
alto da Montanha de Narnmor. E recordou a noite em que
regressara da Espinha com o ovo de Saphira na mochila, sem saber
o que os esperava a ambos, nem sequer o que iriam ser.
— Vamos embora — disse ele a Saphira, reunindo-se a ela, junto
do poço desmoronado, no centro da vila.
Não queres visitar a tua quinta?, perguntou-lhe ela, enquanto ele
subia para o seu dorso.
Ele abanou a cabeça.
— Não. Prefiro pensar nela como era e não como está agora.
Ela concordou. Contudo, voou para Sul, com o acordo tácito de
Eragon, seguindo o mesmo caminho que tinham tomado ao
partirem do Vale de Palancar. Durante o percurso, Eragon teve um
vislumbre da clareira onde outrora se erguia a sua casa, mas estava
tão distante e encoberta pelas sombras que ele fingiu acreditar que
a casa e o celeiro poderiam manter-se intactos.
No extremo Sul do vale, uma coluna de ar ascendente
transportou Saphira até ao pico de Urgard, a grande montanha
despida de vegetação, onde ficava o torreão em ruínas que os
Cavaleiros tinham construído para vigiar Palancar, o rei louco. O
torreão fora em tempos conhecido como Edoc’sil, mas agora
chamava-se Ristvak’baen ou o “Sítio da Mágoa”, pois fora aí que
Galbatorix matara Vrael.
Nas ruínas do torreão, Eragon, Saphira e os Eldunarís que
estavam com eles prestaram homenagem à memória de Vrael.
Umaroth estava particularmente taciturno, mas disse:
Obrigado por me trazeres aqui, Saphira. Nunca pensei ver o
local onde o meu Cavaleiro morreu.
Depois, Saphira abriu as asas, lançou-se do torreão e afastou-se
do vale, sobrevoando as planícies verdejantes.
A meio caminho de Ilirea, Nasuada contatou-os através de um
dos feiticeiros dos Varden, ordenando-lhes que se reunissem a um
grande grupo de guerreiros que enviara da capital em direção a
Teirm.
Eragon ficou satisfeito por saber que era Roran que comandava
os guerreiros e que nas suas fileiras estavam Jeod e Baldor — que
recuperara a mobilidade da mão depois dos Elfos a unirem ao seu
braço — bem como alguns dos outros aldeões.
Para surpresa de Eragon, o povo de Teirm não quis render-se,
nem mesmo depois de os libertar dos seus juramentos de lealdade
a Galbatorix. E, embora fosse óbvio que os Varden, se quisessem,
poderiam conquistar a cidade com a ajuda de Saphira e de Eragon,
Lorde Risthart, o governador de Teirm, ainda exigiu que lhe
concedessem a independência como cidade-estado, com liberdade
para escolher os seus próprios governantes e promulgar as suas
próprias leis.
Depois de vários dias de negociações, Nasuada concordou com
os seus termos, desde que Lorde Risthart — à semelhança de Orrin —
lhe jurasse lealdade como rainha suprema e aceitasse acatar as suas
leis acerca de feiticeiros.
Depois de Teirm, Eragon e Saphira acompanharam os guerreiros
ao longo da estreita costa, em direção ao Sul, até chegarem à
cidade de Kuasta. Repetiram o processo de Teirm mas, ao
contrário desta, o governador de Kuasta rendeu-se, concordando
reunir-se ao novo reino de Nasuada.
Eragon e Saphira voaram depois sozinhos para Narda, no
Norte, obtendo da cidade o mesmo voto de lealdade, antes de
regressarem a Ilirea onde ficaram durante algumas semanas, num
palácio junto do de Nasuada.
Assim que o tempo lhes permitiu, Eragon e Saphira
abandonaram a cidade e foram ao castelo onde Blödhgarm e os
outros feiticeiros vigiavam os Eldunarís que tinham resgatado a
Galbatorix, reunindo-se aos esforços dos Elfos para curarem as
mentes dos dragões. Fizeram alguns progressos, mas foi um
processo lento e alguns dos Eldunarís reagiram mais depressa do
que outros. Mas Eragon estava preocupado, pois muitos já não
davam valor à vida, ou estavam de tal forma perdidos nos labirintos
das suas mentes que era quase impossível comunicar com eles de
forma inteligível, mesmo para os dragões mais velhos, como Valdr.
Para evitar que as centenas de dragões enlouquecidos dominassem
aqueles que os tentavam ajudar, os Elfos mantinham a maior parte
dos Eldunarís numa espécie de transe, optando por interagir apenas
com alguns de cada vez.
Eragon colaborara também com os feiticeiros de Du Vrangr
Gata para despojar a cidadela dos seus tesouros. Grande parte do
trabalho recaiu sobre ele, pois nenhum dos outros feiticeiros tinha
os conhecimentos nem a experiência necessária para lidar com
muitos dos objetos encantados que Galbatorix deixara. Mas
Eragon não se importava, visto que lhe agradava explorar a
fortaleza danificada e descobrir os segredos escondidos no seu
interior. Galbatorix colecionara uma imensidão de maravilhas ao
longo do último século, algumas mais perigosas do que outras, mas
todas interessantes. A preferida de Eragon era um astrolábio que se
se aproximasse do olho permitia ver as estrelas, mesmo durante o
dia. Eragon guardou segredo da existência dos artefatos mais
perigosos, partilhando-o apenas com Saphira e Nasuada, na
medida em que considerou demasiado arriscado permitir que
outros soubessem.
Nasuada deu uso imediato ao tesouro de riquezas que tinham
recuperado da cidadela, alimentando e vestindo os seus guerreiros,
e reconstruindo as defesas das cidades que tinham conquistado
durante a invasão do Império. Além disso, doou cinco coroas de
ouro a todos os seus súbditos: uma quantia insignificante para os
nobres, mas uma verdadeira fortuna para os agricultores mais
pobres. Eragon sabia que esse gesto lhe permitira conquistar o
respeito e a lealdade, de uma forma que Galbatorix jamais
entenderia.
Recuperaram também várias centenas de espadas de Cavaleiros:
espadas de todas as cores e feitios, forjadas por humanos e Elfos.
Tinha sido uma descoberta emocionante. Eragon e Saphira
transportaram pessoalmente as armas para o castelo onde os
Eldunarís estavam, antecipando o dia em que seriam de novo
necessárias aos Cavaleiros.
Rhunön ficaria satisfeita por saber que grande parte das suas
obras tinha sobrevivido.
Havia também centenas de pergaminhos e livros que Galbatorix
colecionara e que os Elfos e Jeod ajudaram a catalogar, pondo de
parte aqueles que continham segredos sobre os Cavaleiros ou
sobre o funcionamento interno da magia.
Enquanto organizavam o enorme tesouro de conhecimento de
Galbatorix, Eragon estava sempre à espera que encontrassem
alguma referência ao local onde o rei escondera o resto dos ovos
dos Lethrblaka. Contudo, as únicas referências aos Lethrblaka ou
aos Ra’zac que viu estavam em obras dos Elfos e dos Cavaleiros,
de há várias décadas atrás, nas quais debatiam a ameaça escura da
noite e o que fazer em relação a qualquer inimigo que não pudesse
ser detetado com qualquer tipo de magia.
Sabendo que podia falar abertamente com Jeod, Eragon deu
consigo a interpelá-lo com regularidade, confidenciando-lhe tudo o
que se passara com os Eldunarís e os ovos, e chegando mesmo a
relatar-lhe o processo de descoberta do seu verdadeiro nome, em
Vroengard. Falar com Jeod era consolador, especialmente pelo
fato de ser um dos poucos que conhecera Brom suficientemente
bem para lhe poder chamar amigo.
De uma forma algo abstrata, Eragon achava interessante
observar o que se ia passando a nível da governação e da
reconstrução do reino que Nasuada erguera dos restos do Império.
Gerir um país tão grande e diversificado exigia um esforço
tremendo e a tarefa nunca parecia estar terminada, pois havia
sempre algo mais que tinha de ser feito. Eragon sabia que teria
abominado as exigências do cargo, mas Nasuada parecia florescer
com elas. A sua energia jamais esmorecia e parecia saber sempre
como resolver os problemas com que se deparava. Dia após dia,
via o seu prestígio aumentar entre os emissários, funcionários,
nobres e plebeus com quem lidava, embora não soubesse ao certo
até que ponto se sentia realmente feliz, e isso preocupava-o.
Viu a forma como julgara os nobres que tinham trabalhado com
Galbatorix — de livre vontade ou não —, e aprovou a justiça e a
clemência que demonstrou, bem como os castigos imputados
sempre que necessário. Despojou a maioria das suas terras, títulos
e de uma boa parte das suas riquezas mal adquiridas, mas não os
mandou executar, o que Eragon apreciou.
Estava a seu lado quando ela concedeu a Nar Garzhvog e ao
seu povo vastas extensões de terra, ao longo da costa norte da
Espinha, bem como as planícies férteis entre o lago Fläm e o Rio
Toark, onde quase ninguém vivia atualmente, e também aprovou.
Nar Garzhvog jurara lealdade a Nasuada como sua rainha
suprema, tal como o rei Orrin e Lorde Risthart, contudo o enorme
Kull disse:
— O meu povo concorda com isto, Senhora Vigia-da-Noite, mas
tem sangue espesso e memória curta pelo que não se deixará
prender eternamente por palavras.
Nasuada respondeu-lhe num tom frio:
— Você está a insinuar que o teu povo quebrará a paz? Deverei
concluir que as nossas raças voltarão a ser inimigas?
— Não — respondeu Garzhvog, abanando a sua enorme cabeça.
— Não é nossa intenção combater-te, pois sabemos que Espada de
Fogo nos mataria, mas... quando os nossos jovens crescerem, vão
desejar afirmar-se em combate. Se não houver batalhas, eles irão
provocá-las. Lamento, Vigia-da-Noite, mas não podemos mudar o
que somos.
Eragon ficou perturbado com a conversa — Nasuada também — e
passou várias noites a pensar nos Urgals, na tentativa de descobrir
uma solução para aquele problema.
As semanas foram passando e Nasuada continuou a enviar
Eragon e Saphira a várias localidades dentro de Surda e do seu
reino, usando-os frequentemente como seus representantes, junto
do rei Orrin, de lorde Risthart e dos outros nobres e grupos de
soldados em todo o território.
Para onde quer que fossem, eles procuravam um local que
pudesse servir de lar aos Eldunarís nos séculos vindouros e de local
de nidificação e campo de treino para os dragões escondidos em
Vroengard. Havia áreas na Espinha que pareciam promissoras, mas
a maioria estava demasiado perto de humanos ou de Urgals, ou
ficava tão a Norte que Eragon achou que seria terrível viver aí
durante o ano inteiro. Além disso, Murtagh e Thorn tinham seguido
para Norte, e Eragon e Saphira não queriam arranjar-lhes mais
problemas.
As Montanhas Beor seriam perfeitas, mas parecia pouco
provável que os Anões vissem com bons olhos a ideia de ter
centenas de dragões esfomeados a nascer dentro dos limites do seu
reino. Qualquer que fosse o local para onde se dirigissem, nas
Beors, estariam sempre a um breve voo de uma ou mais cidades
dos Anões, e não seria nada bom se um jovem dragão começasse
a atacar os rebanhos de Feldûnost dos Anões — o que Eragon
considerou bastante provável, pelo que conhecia de Saphira.
Os Elfos certamente que não se importariam que os dragões
vivessem numa das montanhas de Du Weldenvarden, ou perto, mas
ainda assim Eragon receava a sua proximidade das cidades dos
Elfos. Além disso, desagradava-lhe a ideia de colocarem os
dragões e os Eldunarís dentro do território de qualquer raça, pois
ao fazê-lo dariam a impressão de estar a favorecer essa raça em
particular. Os Cavaleiros do passado nunca o tinham feito e — no
seu ponto de vista — os Cavaleiros do futuro também não o
deveriam fazer.
O único local suficientemente distante de todas as vilas e
cidades, e que nenhuma raça reclamara até à data, era o lar
ancestral dos dragões: o coração do Deserto de Hadarac, onde se
erguiam as Du Fells Nángoröth, as Montanhas Malditas. Eragon
achava que seria um excelente local para fazer criação. Porém,
tinha três inconvenientes. Primeiro: no deserto não conseguiriam
encontrar comida suficiente para alimentar os jovens dragões.
Saphira teria de passar grande parte do seu tempo a transportar
veados e outros animais selvagens para as montanhas. Além disso,
logo que as crias começassem a crescer teriam de voar sozinhas, o
que as levaria a aproximarem-se de territórios dos humanos, Elfos
ou Anões. Segundo: qualquer pessoa medianamente viajada — e
mesmo que não o fosse — sabia onde ficavam as montanhas. E
terceiro: Não era muito difícil alcançar as montanhas, especialmente
no inverno. As duas últimas situações eram as que mais o
preocupavam e compeliam-no a interrogar-se se seriam realmente
capazes de proteger os ovos, as crias e os Eldunarís
convenientemente.
Seria melhor se estivéssemos no alto de um dos picos das
Montanhas Beor, onde apenas um dragão pode chegar, disse ele a
Saphira. Aí ninguém poderia surpreender-nos, a não ser Thorn,
Murtagh ou outro feiticeiro.
Outro feiticeiro, tipo todos os Elfos em Alagäesia, não? Além
disso estaria sempre frio!
Julgava que o frio não te incomodava.
E não me incomoda, mas também não quero viver na neve todo
o ano. Glaedr disse-me que a areia é melhor para as escamas.
Ajuda a poli-las e mantém-nas limpas.
Mmm.
O tempo estava a arrefecer de dia para dia. As árvores perdiam
as folhas e os bandos de aves partiam para Sul, para passar o resto
do ano. E assim o inverno desceu sobre a terra. Era um inverno
cruel e agreste e, durante muito tempo, foi como se toda a
Alagaësia estivesse adormecida. Aos primeiros sinais de neve, Orik
regressou com o seu exército às Montanhas Beor e todos os Elfos
que ainda estavam em Ilirea — exceto Vanir, Blödhgarm e os seus
dez feiticeiros — partiram para Du Weldenvarden. Os Urgals tinham
ido semanas antes. Os últimos a partirem foram os meninos-gatos,
que simplesmente pareceram sumir-se. Ninguém os viu partir e, no
entanto, um dia todos tinham desaparecido, exceto um homemgato,
anafado, chamado Olhos Amarelos, que ficava sentado numa
almofada perto de Nasuada, a ronronar, a dormir, ou a ouvir tudo
o que se passava na sala do trono.
Ao caminhar pelas ruas, com farrapos de neve a flutuarem,
Eragon achou a cidade deprimentemente vazia sem os Elfos nem os
Anões.
Nasuada continuava a mandá-lo a ele e Saphira em missões,
mas nunca os enviou a Du Weldenvarden, o único local onde
Eragon queria ir. Não havia quaisquer notícias dos Elfos acerca de
quem tinham escolhido como sucessor de Islanzadí e sempre que
averiguava, Vanir limitava-se a dizer:
— Não somos um povo precipitado. Nomear um novo monarca
é um processo difícil e complexo para nós. Logo que saiba o que
os nossos conselhos decidiram, dir-vos-ei.
Há muito tempo que Eragon não via Arya nem tinha notícias
dela, levando-o a pensar em usar o nome da língua antiga para
contornar as proteções de Du Weldenvarden e poder comunicar
com ela ou, pelo menos, espiá-la por vidência. Contudo, sabia que
os Elfos não ficariam satisfeitos com a intrusão e receava que Arya
não gostasse que ele a contactasse dessa forma, sem um motivo
urgente.
Por isso optou por lhe escrever uma pequena carta,
perguntando-lhe como estava e contando-lhe parte do que ele e
Saphira tinham andado a fazer. Deu a carta a Vanir e este
prometeu-lhe que faria o necessário para que ela fosse
imediatamente enviada a Arya. Eragon tinha a certeza de que Vanir
cumpriria a sua palavra — pois tinham falado na língua antiga —, mas
não recebeu qualquer resposta de Arya e, à medida que as luas
cresciam e minguavam, começou a pensar que ela decidira acabar
com a amizade entre ambos, por qualquer motivo que ele ignorava.
A ideia magoou-o terrivelmente, o que o fez concentrar-se mais no
trabalho que Nasuada lhe dera, para esquecer o sofrimento.
Durante o pino do inverno, quando a saliência suspensa sobre
Ilirea estava já orlada de pingentes de gelo, semelhantes a espadas,
e a neve funda se amontoava sobre a paisagem circundante,
quando as estradas estavam quase intransitáveis e a comida
começava a escassear à mesa, Nasuada foi alvo de três atentados,
tal como Murtagh avisara que poderia acontecer.
Os atentados foram hábeis e bem pensados, e o terceiro — em
que o plano era deixar cair uma rede cheia de pedras em cima dela
— por pouco não tinha sido bem-sucedido. Nasuada sobreviveu
graças às proteções de Eragon e à presença protetora de Elva, mas
o último ataque valeu-lhe diversas fraturas.
Durante o terceiro atentado, Eragon e os Falcões Noturnos
conseguiram matar dois dos atacantes de Nasuada — cujo o número
exato continuava a ser um mistério —, mas os restantes escaparam.
Eragon e Jörmundur fizeram o possível e o impossível para
garantir a segurança de Nasuada daí em diante, voltando a
aumentar o número de guardas ao seu serviço e fazendo-a
acompanhar, pelo menos, de três feiticeiros para onde quer que ela
fosse. Nasuada também estava mais cautelosa e Eragon viu nela
uma dureza que não lhe conhecia.
Nasuada não sofreu mais ataques à sua pessoa, mas um mês
depois de o inverno começar a amainar e de as estradas voltarem a
estar desimpedidas, um conde deposto, que reunira várias centenas
de antigos soldados do Império, começou a lançar ataques contra
Gil’ead e a assaltar viajantes nas estradas das imediações.
Ao mesmo tempo, uma outra rebelião ligeiramente maior,
comandada por Tharos o Lesto, de Aroughs, começava a ganhar
corpo a Sul.
As insurreições não passaram de contratempos, ainda assim
demoraram vários meses a reprimir e resultaram em alguns
combates surpreendentemente selváticos, ainda que Eragon e
Saphira tentassem resolver a questão pacificamente, sempre que
possível. Depois das batalhas em que já tinham participado,
nenhum estava propriamente sequioso de sangue.
Pouco depois de terminarem as insurreições, Katrina deu à luz
uma menina grande e saudável, com uma madeixa de cabelo ruivo
no alto da cabeça, o mesmo cabelo ruivo da mãe. A rapariguinha
berrava alto — como nunca na vida Eragon ouvira — e tinha uns
dedinhos de ferro. Roran e Katrina deram-lhe o nome de Ismira, tal
como a mãe de Katrina, e a alegria no rosto de ambos era tal
sempre que olhavam para ela, que Eragon também sorria.
No dia seguinte ao nascimento de Ismira, Nasuada convocou
Roran à sala do trono e surpreendeu-o, ao conceder-lhe o título de
conde bem como o domínio de todo o Vale de Palancar.
— Desde que você e os teus descendentes se continuem a revelar
capazes de o governar, o vale é teu — disse ela.
Roran baixou a cabeça e respondeu:
— Obrigado, Majestade. — Eragon percebeu que a oferta
significava quase tanto para Roran como o nascimento da filha, pois
o que mais prezava a seguir à sua família era a sua casa.
Nasuada também tentou dar vários títulos e terras a Eragon, mas
este recusou-os, dizendo:
— Ser Cavaleiro é o suficiente. Não preciso de mais nada.
Alguns dias mais tarde, quando Eragon estava com Nasuada no
seu escritório a examinar um mapa de Alagaësia e a discutir
assuntos de alguma relevância para todo o território, ela disse:
— Agora que as coisas se mantêm de certa forma mais estáveis,
acho que está na altura de abordarmos o papel dos feiticeiros em
Surda, Teirm e no meu reino.
— Ah sim?
— Sim. Ponderei no assunto durante bastante tempo e tomei uma
decisão: formar um grupo muito semelhante ao dos Cavaleiros, mas
só para feiticeiros.
— E o que fará esse grupo?
Nasuada tirou uma pena de cima da secretária e rolou-a entre os
dedos.
— Repito, um papel muito semelhante ao dos Cavaleiros: viajar
pelo reino, para manter a paz; resolver disputas legais e, acima de
tudo, vigiar os seus colegas feiticeiros, para evitar que estas usem
as suas aptidões malevolamente.
Eragon franziu a sobrancelha.
— Porque não reservar esse papel aos Cavaleiros?
— Porque só daqui a muitos anos é que voltaremos a ter
Cavaleiros e, mesmo então, não serão suficientes para dar atenção
a todos os magos insignificantes ou bruxa esquivas... Ainda não
encontraste um local para criares os dragões, pois não?
Eragon abanou a cabeça. Tanto ele como Saphira estavam cada
vez mais impacientes, mas, até então, nem eles nem os Eldunarís
tinham conseguido chegar a acordo acerca de um local. Tornava-se
um motivo de fricção entre eles, pois as crias de dragão tinham de
sair dos ovos o mais depressa possível.
— Bem me parecia. Temos de fazer isto, Eragon, e não podemos
dar-nos ao luxo de esperar. Vê a destruição que Galbatorix
semeou. Os feiticeiros são as criaturas mais perigosas do mundo,
mais perigosas ainda que os dragões, e têm de ser
responsabilizados, caso contrário ficaremos sempre à sua mercê.
— Achas mesmo que conseguirás recrutar magos suficientes para
vigiarem todos os outros feiticeiros aqui e em Surda?
— Acho que sim, se fores você a mobilizá-los, razão pela qual quero
que comandes este grupo.
— Eu?
Ela acenou com a cabeça.
— Quem mais o poderia fazer? Trianna? Eu não confio totalmente
nela, nem ela tem a força necessária. Um elfo? Não. Tem de ser
alguém da nossa raça. você sabes o nome da língua antiga, és um
Cavaleiro e tens a sabedoria e autoridade dos dragões a apoiar-te.
Não me ocorre ninguém melhor para comandar os feiticeiros. Falei
com Orrin acerca disto e ele concorda.
— Custa-me a acreditar que a ideia lhe agrade.
— Não lhe agrada, mas entende que é necessário.
— Será mesmo? — Eragon arranhou o canto da secretária, com
um ar perturbado. — Como tencionas vigiar os feiticeiros que não
pertencem a este grupo?
— Esperava que tivesses algumas sugestões. Talvez com feitiços
e espelhos de vidência, para que possamos seguir os seus passos e
monitorizar o seu uso de magia, não vão eles utilizá-la em seu
proveito à custa dos outros.
— E se o fizerem?
— Nesse caso obrigamo-los a redimirem-se do seu crime e
forçamo-los a abdicar da magia na língua antiga.
— Os juramentos na língua antiga não impedem necessariamente
ninguém de usar magia.
— Eu sei, mas é o melhor que se pode arranjar.
Ele acenou com a cabeça.
— E se um feiticeiro se recusar a ser vigiado? O que fazemos?
Não estou a ver muitos a aceitarem que os espiem.
Nasuada suspirou e poisou a pena.
— Essa é a parte difícil. O que farias no meu lugar, Eragon?
Nenhuma das soluções em que ele pensou era muito agradável.
— Não sei...
Ele ficou com uma expressão triste.
— Nem eu. É um problema difícil, doloroso e confuso, e seja qual
for a minha decisão, alguém acabará por se prejudicar. Se não fizer
nada, os feiticeiros continuarão livres para manipular os outros com
os seus feitiços. Se os forçar a submeterem-se a vigilância, muitos
irão odiar-me por isso. Mas certamente que concordarás que é
preferível proteger a maioria dos meus súbditos à custa de alguns.
— A ideia não me agrada — murmurou ele.
— A mim também não.
— Você está a falar em submeter todos os feiticeiros humanos à tua
vontade, independentemente de quem sejam.
Ele nem pestanejou sequer.
— Para o bem da maioria.
— E as pessoas que apenas conseguem ouvir pensamentos e
nada mais? Isso também é uma forma de magia.
— Essas também. O risco de abusarem do poder que têm
continua a ser muito alto. — Nessa altura, Nasuada suspirou. — Eu
sei que não é fácil, Eragon, mas por muito difícil que seja é algo que
temos de resolver. Galbatorix era louco e mau, mas tinha razão
acerca de uma coisa: os feiticeiros têm de ser controlados, mas não
como ele pretendia. Temos, contudo, de fazer alguma coisa e eu
acho que o meu plano é a melhor solução. Se conseguires pensar
noutra, uma forma de impor a ordem aos feiticeiros, ficaria
encantada, de contrário esta é a única solução que temos e eu
preciso da tua ajuda para a pôr em prática... Aceitas
responsabilizares-te por este grupo, pelo bem do país e para o bem
da nossa raça?
Eragon demorou a responder, mas finalmente disse:
— Se não te importas, gostaria de pensar um pouco no assunto.
Além disso, preciso de consultar Saphira.
— Claro, mas não demores muito, Eragon. Já estou a fazer
preparativos e em breve precisarei de ti.
A seguir, Eragon não foi diretamente para junto de Saphira e
vagueou pelas ruas de Ilirea, ignorando as vénias e as saudações
das pessoas por quem passava. Sentia-se... intranquilo, tanto com
a proposta de Nasuada como com a vida em geral. Ele e Saphira
estavam inativos há demasiado tempo. Era altura de mudar e as
circunstâncias já não lhes permitiriam esperar. Tinham de decidir o
que iam fazer e, qualquer que fosse a sua decisão, afetaria o resto
das suas vidas.
Passou várias horas a caminhar e a pensar nos seus laços e nas
suas obrigações. Ao fim da tarde, voltou para junto de Saphira e
trepou para o seu dorso sem falar.
Ela saltou do pátio do palácio e voou bem alto, por cima de
Ilirea, tão alto que conseguiam ver centenas de quilômetros em
todas as direções. E aí ficou, a voar em círculos.
Falaram sem palavras, partilhando o estado de alma. Saphira
sentia muitas das suas preocupações, mas não estava tão
preocupada como ele acerca das suas ligações com os outros. Para
ela, o mais importante era proteger os ovos, os Eldunarís, e fazer o
que estava certo para ele e para ela. Contudo, Eragon sabia que
não podia ignorar o efeito que as suas escolhas teriam, tanto
política como pessoalmente.
Por fim ela disse:
O que havemos de fazer?
O ar debaixo das suas asas abrandou e Saphira mergulhou.
Ou melhor, a questão é, como sempre foi o que temos de fazer.
E não disse mais nada, mas nessa altura virou e começou a descer
em direção à cidade.
Eragon apreciou o seu silêncio. A decisão seria mais difícil para
ele do que para ela, pelo que tinha de pensar no assunto sozinho.
Quando aterraram no pátio, Saphira tocou-lhe ao de leve com o
focinho e disse:
Se precisares de falar, eu estarei aqui.
Nessa noite, quando o quarto crescente apareceu junto do
penhasco sobre Ilirea, Eragon estava encostado aos pés da cama a
ler um livro sobre as técnicas de fabrico de selas dos primeiros
Cavaleiros. Subitamente, um movimento ao canto do olho — como
a ondulação de uma cortina — chamou a sua atenção.
Levantou-se, de repente, e desembainhou Brisingr.
Através da janela aberta, viu um navio de três mastros, feito de
erva entrançada. Sorriu e embainhou a espada. Esticou a mão e o
navio flutuou pelo quarto e aterrou na palma da sua mão,
inclinando-se para o lado.
O navio era diferente do que Arya construíra durante as viagens
que tinham feito juntos pelo Império, depois de Roran resgatar
Katrina de Helgrind. Tinha mais mastros e também tinha velas feitas
de lâminas de erva. Embora a erva estivesse murcha e acastanhada
não secara inteiramente, o que o levou a pensar que fora colhida
apenas há um ou dois dias.
Atado ao meio do convés havia um quadrado de papel,
dobrado. Eragon removeu-o cuidadosamente, com o coração a
martelar-lhe o peito, e desdobrou o papel no chão. Estava escrito
em hieróglifos da língua antiga e dizia:
Eragon.
Decidimo-nos finalmente em relação ao novo líder e eu estou a
caminho de Ilirea para organizar uma apresentação oficial a
Nasuada, mas gostaria de falar contigo e com Saphira. Esta
mensagem deve chegar às tuas mãos quatro dias antes da lua cheia.
Por favor, encontra-te comigo um dia depois de a receberes, no
extremo este do Rio Ramr. Vem sozinho e não digas a ninguém
onde vais.
Arya
Eragon sorriu. O timing dela tinha sido perfeito. O navio chegara
exatamente quando ela pretendia. Depois o seu sorriso dissipou-se
quando ele releu a carta mais algumas vezes. Arya estava a
esconder algo, era mais do que óbvio. Mas o quê? Porquê
encontrarem-se em segredo?
“Talvez Arya não concorde com o próximo líder dos Elfos”,
pensou ele. “Ou talvez haja outro problema.” Embora Eragon
estivesse ansioso por vê-la de novo, não podia esquecer como ela
o ignorara tanto a si como a Saphira. Calculou que todos aqueles
meses fossem insignificantes para Arya, mas não podia deixar de se
sentir magoado.
Esperou até os primeiros vestígios de sol surgirem no céu e
apressou-se a descer para acordar Saphira e dar-lhe as notícias.
Ela estava tão curiosa como ele, talvez até tão entusiasmada quanto
ele.
Eragon selou-a e os dois saíram da cidade, dirigindo-se para
Nordeste, sem prevenir ninguém dos seus planos, nem mesmo
Glaedr ou os outros Eldunarís.

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