24 de junho de 2017

Capítulo 66 - O nome de todos os nomes


eceoso mas determinado, Eragon avançou com Arya, Elva e
Saphira em direção ao estrado onde Galbatorix estava
descontraidamente sentado no trono.
Foi uma longa caminhada, tão longa que Eragon teve tempo para
ponderar numa série de estratégias, a maior parte das quais
descartou por serem pouco práticas. Sabia que a força, por si só,
não seria o suficiente para derrotar o rei; seria também necessária a
astúcia e era justamente isso que sentia que lhe faltava. A verdade é
que não tinham outra hipótese senão confrontar Galbatorix.
As duas filas de lanternas que conduziam ao estrado tinham
espaço suficiente entre si para os quatro caminharem lado a lado e
Eragon ficou satisfeito com isso, pois permitiria que Saphira lutasse
junto deles, se necessário.
Eragon continuou a estudar a câmara em redor, à medida que se
aproximavam do trono. Achou estranho que um rei recebesse os
seus convidados numa sala assim, pois, tirando o caminho
iluminado diante deles, grande parte do espaço estava escondido
numa escuridão insondável — mais inacessível que a das salas dos
Anões, por baixo de Tronjheim e de Farthen Dûr —. O ar estava
impregnado de um odor seco e almiscarado, algo familiar, embora
Eragon não o conseguisse situar.
— Onde está Shruikan? — perguntou ele num tom baixo.
Saphira farejou o ar.
Consigo cheirá-lo, mas não o oiço.
Elva franziu a sobrancelha.
— E eu não o consigo sentir.
Quando estavam a cerca de nove metros do estrado, pararam.
Por trás do trono havia espessas cortinas negras, de um material
aveludado, que se estendiam até ao teto.
Galbatorix estava oculto numa sombra que lhe escondia as
feições, mas depois inclinou-se para a luz e Eragon viu-lhe o rosto.
Era longo e esguio, com uma testa funda e um nariz semelhante a
uma lâmina. Os olhos eram duros como pedra e o branco, em
torno da íris, era pouco visível. Tinha uma boca fina e larga, com
uma ligeira curva descendente nos cantos, e uma barba e um
bigode aparados, negros como pez, à semelhança das roupas. Em
termos de idade, parecia estar na casa dos quarenta: no auge da
sua força, mas no início do declínio. Tinha rugas na testa e de
ambos os lados do nariz, a pele era bronzeada, e parecia magro,
como se apenas se alimentasse de carne de coelho e nabos durante
o inverno. Tinha ombros largos e atléticos, e uma cintura elegante.
Usava uma coroa de ouro avermelhado, ornamentada com todo
o tipo de jóias. A coroa parecia antiga — mais antiga do que a sala
—, pelo que Eragon se interrogou se esta não teria pertencido ao rei
Palancar, há muitas centenas de anos.
A espada de Galbatorix repousava no seu colo. Era uma espada
de Cavaleiro, era óbvio, mas Eragon nunca vira uma espada assim.
A lâmina, o punho e o guarda-mão eram totalmente brancos e a
pedra preciosa no pomo era transparente, como uma nascente na
montanha. Porém, no geral, Eragon sentiu que havia algo de
inquietante na espada. A cor — ou melhor, a ausência de cor —
lembrava-lhe um osso descolorado pelo sol. Era da cor da morte e
não da vida, e parecia muito mais perigosa do que qualquer nuance
de negro, por muito escura que fosse.
Galbatorix examinou-os, um por um, com o seu olhar penetrante
e incisivo.
— Com que então vieram matar-me — disse ele. — Bom, vamos
então começar? — Ergueu a espada e abriu os braços num gesto de
acolhimento.
Eragon afastou os pés e ergueu a espada e o escudo. Aquele
convite do rei inquietou-o. “Ele está a brincar connosco.”
Ainda agarrada à Dauthdaert, Elva avançou e começou a falar,
contudo nenhum som lhe saiu pela boca, e ela olhou para Eragon
com uma expressão alarmada.
Eragon tentou alcançar a mente dela, mas não conseguia sentir
os seus pensamentos. Era como se já não estivesse na sala.
Galbatorix deu uma gargalhada, voltou a poisar a espada sobre
o colo e recostou-se no trono.
— Achavas mesmo que eu não conhecia as tuas aptidões,
menina? Pensavas que conseguirias neutralizar-me com um truque
tão mesquinho e transparente? Não tenho dúvida de que as tuas
palavras poderiam molestar-me, mas só se eu as pudesse ouvir. —
Os seus lábios exangues curvaram-se num sorriso cruel, sem uma
pinga de humor. — Mas que tolice. É esta a dimensão do vosso
plano? Uma menina que não pode falar a menos que eu lhe dê
licença, uma lança mais apropriada para enfeitar uma parede do
que para levar para uma batalha e uma coleção de Eldunarís
parcialmente senis? Que lástima! Esperava mais de ti, Arya, e de ti,
Glaedr, mas suponho que as tuas emoções te embotaram, desde
que usei Murtagh para matar Oromis.
Dirigindo-se a Eragon, Saphira e Arya, Glaedr disse:
Matem-no. O dragão dourado parecia calmo, mas a sua
serenidade deixava transparecer uma raiva que se sobrepunha a
todas as outras emoções.
Eragon trocou um breve olhar com Arya e com Saphira, e os
três começaram a aproximar-se do estrado, enquanto Glaedr,
Umaroth e os outros Eldunarís atacavam a mente de Galbatorix.
Antes que Eragon conseguisse dar mais do que alguns passos, o
rei levantou-se do seu assento de veludo e gritou uma Palavra. A
Palavra reverberou na mente de Eragon e todo o seu ser pareceu
vibrar, como se um instrumento e um bardo lhe tivesse puxado uma
corda. Mas, apesar da intensidade da reação, Eragon não
conseguia lembrar-se da Palavra, pois esta desapareceu da sua
mente, deixando apenas o conhecimento da sua existência e da
forma como o afetara.
Galbatorix proferiu outras palavras depois, mas nenhuma parecia
ter o mesmo poder, e Eragon estava demasiado aturdido para
compreender o seu significado. Quando o rei proferiu a última
frase, uma força prendeu Eragon, detendo-o a meio de um passo, e
o choque arrancou-lhe um grito de surpresa. Ele tentou mexer-se,
mas era como se o seu corpo estivesse envolto em pedra.
Conseguia apenas respirar, olhar e como entretanto descobrira,
falar.
Eragon não entendia; as suas defesas deviam-no ter protegido
da magia do rei e não deixá-lo como se cambaleasse junto de um
grande abismo.
Ao seu lado, Saphira, Arya e Elva pareciam estar igualmente
imobilizadas.
Enraivecido pela facilidade com que o rei os apanhara, Eragon
uniu a mente aos Eldunarís, enquanto estes atacavam a consciência
de Galbatorix e sentiu que eles estavam a ser defrontados por
inúmeras mentes — todas elas de dragões — que cantarolavam,
murmuravam e guinchavam, num coro enlouquecido e dissonante,
carregado de tamanha dor e mágoa, que Eragon desejou afastarse,
receando que o arrastassem para essa loucura. Além disso eram
fortes, como se em vida a maioria fosse igual ou maior do que
Glaedr.
Os dragões adversários impossibilitavam um ataque direto a
Galbatorix. Sempre que Eragon julgava sentir o toque da mente do
rei, um dos dragões escravizados atirava-se à sua mente, forçandoo
a recuar — sempre a balbuciar palavras ininteligíveis. Combater os
dragões era uma tarefa difícil devido aos seus pensamentos
desordenados e incoerentes, mas dominar qualquer um deles era
como tentar conter um lobo raivoso. Além disso eram muitos,
muitos mais do que os Cavaleiros tinham escondido no Cofre das
Almas.
Antes que qualquer uma das partes conseguisse ficar em
vantagem, Galbatorix, que parecia totalmente insensível à luta
invisível, disse:
— Saiam, meus queridos, e venham conhecer os nossos
convidados.
Um rapaz e uma menina saíram de trás do trono, parando à
direita do rei. A menina parecia ter uns seis anos e o rapaz uns
oito ou nove. Eram bastante parecidos e Eragon deduziu que
fossem irmãos. Ambos usavam roupa de dormir. A menina estava
agarrada ao braço do rapaz, meio escondida atrás dele, e o rapaz
parecia assustado mas determinado. Enquanto lutava contra os
Eldunarís de Galbatorix, Eragon conseguia sentir a mente das
crianças — o seu terror e a sua confusão —, pelo que percebeu que
eram reais.
— Não é encantadora? — perguntou Galbatorix, erguendo o
queixo da menina com um longo dedo. — Tem uns olhos grandes e
um cabelo tão bonito. E ele? É ou não é rapazinho atraente? — E
poisou a mão no ombro do rapaz. — Dizem que as crianças são
uma bênção para todos nós, mas eu não partilho dessa convicção.
Pois sei, por experiência, que são tão cruéis e vingativas como os
adultos. Apenas lhes falta a força para submeter os outros à sua
vontade.
«Não sei se concordam comigo ou não; independentemente
disso, sei que vocês, Varden, se orgulham da vossa virtude. Veemse
como defensores da justiça e dos inocentes — como se alguém
fosse realmente inocente — e lutam para corrigir um mal ancestral,
como nobres guerreiros que são. Muito bem, então: vamos testar
as vossas convicções e ver se são o que dizem ser. Matarei estes
dois, a menos que interrompam o vosso ataque — e sacudiu o
ombro do rapaz —, ou se atrevam a atacar-me de novo... Na
verdade, bastará que me contrariem demasiado para que eu os
mate. — O rapaz e a menina pareceram ficar abalados com as
palavras, mas não tentaram fugir.
Eragon olhou para Arya e viu o desespero espelhado no seu
olhar.
Umaroth!, gritaram eles.
Não, rosnou o dragão branco, enquanto lutava com a mente de
outro Eldunarí.
Têm de parar, disse Arya.
Não!
Ele vai matá-los, disse Eragon.
Não! Não vamos desistir. Nunca!
Basta!, rugiu Glaedr. Há crias em perigo!
E mais haverá senão matarmos o Destruidor de Ovos.
Sim, mas este não é o momento, disse Arya. Esperem mais um
pouco e talvez consigamos descobrir uma forma de o atacar sem
pôr a vida destas crianças em risco.
E se não descobrirmos?, perguntou Umaroth.
Nem Eragon nem Arya conseguiram responder.
Nesse caso faremos o que for necessário, disse Saphira. Eragon
detestou a ideia, mas sabia que ela tinha razão. Não podiam pôr as
duas crianças à frente de toda a Alagaësia. Tentariam salvar o
rapaz e a menina, mas se isso não fosse possível, atacá-lo-iam.
Não tinham alternativa.
Quando Umaroth e os Eldunarís a quem ele se dirigira
abandonaram o ataque, contrariados, Galbatorix sorriu.
— Assim já está melhor. Agora podemos falar como seres
civilizados, sem nos preocuparmos com quem está a tentar matar
quem. — Bateu levemente na cabeça do rapaz e depois apontou
para os degraus do estrado. — Sentem-se. — As duas crianças
sentaram-se no último degrau, sem argumentar, tentando ficar o
mais afastados do rei. Depois, Galbatorix fez um gesto e disse: —
Kausta — e Eragon deslizou para a frente, tal como Arya, Elva e
Saphira, até ficarem junto da base do estrado.
Eragon continuava perplexo pelo fato de os seus feitiços não
estarem a protegê-los. Pensou na Palavra — fosse ela qual fosse — e
uma horrível suspeita ganhou forma dentro de si. Seguiu-se uma
sensação de desespero. Apesar de todos os seus planos, apesar de
todas as suas conversas, preocupações e sofrimento, Galbatorix
conseguira capturá-los tão facilmente como a uma ninhada de
gatinhos e se, a suspeita de Eragon se confirmasse, o rei era bem
mais temível do que supunham.
Ainda assim, não eles estavam totalmente indefesos, pois
continuavam senhores da sua mente, pelo menos de momento, e
tanto quanto lhe era dado entender, ainda poderiam usar magia...
de uma forma ou de outra.
O olhar de Galbatorix fixou-se em Eragon:
— Então, foste você que me deste todos estes problemas, Eragon,
filho de Morzan... há muito que você e eu nos devíamos ter
encontrado. Se a tua mãe não tivesse cometido a tolice de te
esconder em Carvahall, terias crescido aqui, em Urû’baen, como
uma criança da nobreza, com todas as riquezas e responsabilidades
inerentes, em vez de passares os dias a esgravatar na terra.
«Seja como for, você está aqui e tudo isso será enfim teu. São o teu
património, a tua herança e eu zelarei para que as recebas.
Pareceu estudar Eragon mais atentamente e continuou:
— És mais parecido com a tua mãe do que com o teu pai. Com
Murtagh passa-se o oposto. Mas isso pouco importa. Sejas
parecido com quem fores, é perfeitamente justo que você e o teu
irmão me sirvam, tal como os teus pais.
— Nunca! — reagiu Eragon, contraindo os maxilares.
Um sorriso fino surgiu no rosto do rei.
— Nunca? Veremos. — E desviou o olhar. — E tu, Saphira... De
todos os meus convidados você és quem mais me agrada ver.
Amadureceste maravilhosamente. Lembras-te deste sítio?
Lembras-te do som da minha voz? Passei muitas noites a falar
contigo e com os outros ovos que tinha ao meu cuidado, durante os
anos em que tentava consolidar a minha liderança do Império.
Lembro-me... lembro-me vagamente, respondeu Saphira e
Eragon transmitiu as suas palavras ao rei. Ela não queria comunicar
diretamente com o rei, nem ele o teria permitido. Manter as suas
mentes separadas era a melhor forma de se protegerem, não
entrando assim em conflito aberto.
Galbatorix acenou com a cabeça.
— E estou certo de que te lembrarás de mais, quanto mais tempo
permaneceres dentro destas paredes. Talvez não estivesses
totalmente consciente disso, na altura, mas passaste grande parte
da tua vida numa sala não muito longe daqui. Esta é a tua casa,
Saphira, o teu lugar é aqui. E é aqui que farás o teu ninho e porás
os teus ovos.
Saphira franziu os olhos e Eragon sentiu nela uma estranha
saudade misturada com um ódio ardente.
O rei prosseguiu:
— Arya Dröttningu parece que o destino tem sentido de humor,
pois aqui você está tu, tal como ordenei que te trouxessem há tanto
tempo atrás. O teu percurso foi circular mas, ainda assim, vieste de
livre vontade. Acho isso bastante divertido, você não?
Arya cerrou os lábios e recusou-se a falar.
Galbatorix riu baixinho.
— Confesso que há já algum tempo que és uma pedra no meu
sapato. Não fizeste tantos estragos como aquele desastrado
intrometido do Brom, mas também não ficaste de braços cruzados.
Poder-se-ia dizer que és a responsável por toda esta situação, pois
foste você que enviaste o ovo de Saphira a Eragon. Contudo, não
sinto inimizade por ti. Se não fosses tu, Saphira poderia não ter
nascido e eu poderia nunca ter conseguido descobrir os meus
últimos inimigos. Agradeço-te por isso.
«E você Elva, a menina com o selo de um Cavaleiro na testa.
Abençoada com a marca do dragão e os meios para perceber tudo
o que magoa ou poderá vir a magoar alguém. Como deves ter
sofrido nos últimos meses. Como deves desprezar as fraquezas dos
que te rodeiam, sendo forçada, a partilhar do seu sofrimento. Os
Varden aproveitaram-te mal. Hoje porei fim às batalhas que tanto
te têm atormentado e você não precisarás de voltar a suportar os
erros e as desventuras dos outros, prometo. De vez em quando, é
possível que eu recorra às tuas aptidões, mas de um modo geral,
poderás viver como entenderes e a paz estará contigo.
Elva franziu a sobrancelha, mas era óbvio que a oferta do rei a
tentara. “Ouvir Galbatorix podia ser tão perigoso como ouvir Elva”,
concluiu Eragon.
Galbatorix fez uma pausa, passando os dedos no punho da sua
espada, envolto em arame e fitando-os de pálpebras semicerradas.
Depois olhou para trás deles, em direção ao ponto onde os
Eldunarí flutuavam ocultos, e o seu estado de espírito pareceu
ensombrar-se.
— Transmite as minhas palavras a Umaroth, enquanto eu estiver a
falar com eles — disse ele. — Umaroth! Voltamos a encontrar-nos
em circunstâncias infelizes. Julgava que te tinha matado em
Vroengard.
Umaroth respondeu e Eragon começou a transmitir as suas
palavras:
— Ele diz que...
— ... que só mataste o seu corpo — rematou Arya.
— Isso é mais que óbvio — reagiu Galbatorix. — Onde foi que os
Cavaleiros te esconderam a ti e aos outros que estão contigo? Em
Vroengard ou noutro local? Os meus servos e eu examinámos
minuciosamente as ruínas de Doru Araeba.
Eragon hesitou em transmitir a resposta do dragão, pois tinha a
certeza que iria desagradar ao rei, mas não havia outra hipótese:
— Ele diz... que jamais partilhará essa informação contigo de sua
livre vontade.
As sobrancelhas de Galbatorix uniram-se.
— Ai não? Em breve mo revelará quer queira, quer não. — O rei
bateu suavemente no pomo da sua deslumbrante espada branca. —
Roubei esta espada ao seu Cavaleiro quando o matei — quando
matei Vrael —, na torre de vigia sobranceira ao Vale de Palancar.
Vrael tinha um nome próprio para a sua espada. Chamou-lhe
Islingr, “Portadora da Luz”, mas eu achei que Vrangr era mais...
adequado.
Vrangr queria dizer “torto” e Eragon concordou que seria o
nome que melhor se adequava à espada.
Um estrondo cavo ressoou atrás deles e Galbatorix voltou a
sorrir.
— Ah, ótimo, Murtagh e Thorn reunir-se-ão a nós daqui a pouco
e, nessa altura, poderemos resolver isto convenientemente. — Outro
ruído ecoou na câmara e depois ouviu-se um som semelhante a
uma rajada de vento, que parecia vir de todas as direções.
Galbatorix olhou por cima do ombro e disse:
— Foi bastante indelicado da vossa parte atacarem tão cedo. Eu
já estava acordado — pois levanto-me antes do amanhecer —, mas
despertaram Shruikan. Ele fica bastante irritado quando está
cansado e, quando se irrita, tem tendência a comer pessoas. Há
muito que os meus guardas aprenderam a não o perturbar enquanto
descansa. Teria sido bom que seguissem o seu exemplo.
Enquanto Galbatorix falava, as cortinas atrás do trono mexeramse
e levantaram-se em direção ao teto.
Perplexo, Eragon percebeu que estas eram, na verdade, as asas
de Shruikan.
O dragão negro estava enroscado no chão, com a cabeça perto
do trono. O volume gigantesco do seu corpo formava uma parede
demasiado íngreme e alta para ser escalada sem magia. As suas
escamas não tinham a radiância das de Saphira nem das de Thorn,
mas cintilavam com um brilho líquido. A cor escura tornava-as
quase opacas, o que lhes dava uma aparência sólida e robusta, que
Eragon nunca vira nas escamas de um dragão. Era como se
Shruikan tivesse escamas revestidas de pedra ou de metal, e não de
pedras preciosas.
O dragão era enorme. No início, Eragon teve dificuldade em
conceber que a forma que tinham diante deles era uma criatura
viva. Viu parte do pescoço musculoso de Shruikan e julgou estar a
olhar para o corpo do dragão; viu a parte lateral de uma das patas
traseiras e confundiu-a com uma tíbia; e a prega de uma asa
pareceu-lhe uma asa inteira. Só quando olhou para cima e viu os
espigões sobre a coluna do dragão, é que se apercebeu das
verdadeiras dimensões. Cada espinho era da largura do tronco de
um velho carvalho e as escamas em torno destes tinham trinta
centímetros de espessura, ou mais.
Depois Shruikan abriu um olho e fitou-os. As suas íris eram azuis
esbranquiçadas, da cor de um glaciar da montanha, e pareciam
extraordinariamente claras, em contraste como o negro das
escamas.
O gigantesco olho de pupilas fendidas saltitava de um lado para
o outro, estudando os seus rostos. Fúria e demência era tudo o que
se via no olhar do dragão. Eragon estava certo de que Shruikan os
mataria num ápice, se Galbatorix o permitisse.
Eragon sentiu vontade de fugir e de se esconder num buraco
fundo, ao ver a expressão daquele olho gigantesco, especialmente
pelo fato de se revelar tão evidentemente malévola. Era algo muito
semelhante ao que um coelho sentia, quando confrontado com uma
criatura enorme de dentes afiados.
Saphira rosnou junto dele e as escamas ao longo do seu dorso
ondularam e eriçaram-se como as penas do pescoço de uma ave.
Línguas de fogo surgiram nas enormes narinas de Shruikan, e
como que em resposta, ele rosnou também, abafando os sons de
Saphira e impregnando a sala de um rumor semelhante a uma
derrocada.
As duas crianças, que estavam no estrado, guincharam e
enrolaram-se num novelo, escondendo a cabeça entre os joelhos.
— Sossega, Shruikan — disse Galbatorix e o dragão negro voltou
a ficar em silêncio. As suas pálpebras desceram, mas não se
fecharam por completo e o dragão continuou a observá-los através
de uma fenda de escassos centímetros, como que à espera do
momento oportuno para atacar.
— Ele não gosta de ti — disse Galbatorix. — Mas também não
gosta de ninguém... não é, Shruikan? — O dragão resfolgou e um
cheiro a fumaça impregnou o ar.
Eragon voltou a sentir-se dominado pelo desespero. Shruikan
poderia matar Saphira com uma patada e, por muito grande que
fosse a sala, Saphira não conseguiria evitar o enorme dragão negro
durante muito tempo.
O seu desespero, deu lugar à raiva e à frustração e Eragon deu
um puxão às grilhetas invisíveis.
— Como consegues fazer isto? — gritou ele, contraindo todos os
músculos do corpo.
— Também gostaria de saber — disse Arya.
Os olhos de Galbatorix pareciam cintilar sob as saliências
escuras da testa.
— Não adivinhas, jovem elfo?
— Preferiria uma resposta a dar palpites — respondeu ela.
— Muito bem. Mas, primeiro, terão de fazer algo para que
possam saber que estou de fato a dizer a verdade. Terão ambos
de tentar lançar um feitiço e, depois, eu digo-vos. — Ao ver que
nem Eragon nem Arya se decidiam a falar, o rei fez um gesto com a
mão. — Vá lá, prometo que não vos castigarei. Agora,
experimentem... faço questão.
Arya foi a primeira.
— Thrautha — disse ela, num tom duro e grave. “Ela estava a
tentar lançar a Dauthdaert na direção de Galbatorix”, calculou
Eragon, contudo a arma permaneceu imóvel na sua mão.
Depois Eragon disse:
— Brisingr! — E pensou que a sua ligação com a espada talvez lhe
permitisse praticar a magia ao contrário de Arya. Mas para sua
deceção, a arma ficou igual, cintilando ligeiramente sob a luz
mortiça das lanternas.
O olhar de Galbatorix tornou-se mais intenso.
— Agora já deves ter percebido claramente a resposta, jovem
elfo. Demorei mais de um século a consegui-lo, mas descobri
finalmente o que pretendia: uma forma de dominar os feiticeiros de
Alagaësia. A busca não foi fácil; a maior parte dos homens teria
desistido por frustração. Ou medo, caso fossem suficientemente
pacientes, mas eu não, eu persisti, e através dos meus estudos
descobri o que há tanto desejava: uma tábua inscrita noutra terra e
noutra era, pelas mãos de alguém que não era elfo, anão, humano
nem Urgal. Nessa tábua estava inscrita uma certa Palavra — um
nome que os feiticeiros procuraram durante eras, sem outra
recompensa que não amargas deceções. — Galbatorix levantou um
dedo. — O nome de todos os nomes, o nome da língua antiga.
Eragon praguejou no seu íntimo. “Ele tinha razão. Era isso que o
Ra’zac me estava a tentar dizer”, pensou ele, ao recordar o que um
dos monstros, semelhantes a insetos, lhe tinha dito em Helgrind:
“Ele quassssse descobriu o nome... O verdadeiro nome.”
Por muito desanimadora que fosse a revelação de Galbatorix,
Eragon agarrou-se à evidência de que o nome não o poderia
impedir a ele, Arya — ou Saphira — de praticarem magia sem
recorrerem à língua antiga. Não que isso valesse de muito, pois as
proteções do rei certamente que o protegeriam a ele e a Shruikan
de quaisquer feitiços que fossem lançados. Ainda assim, se o rei
não soubesse que era possível praticar magia sem recorrer à língua
antiga, ou se soubesse mas pensasse que eles não sabiam, talvez
eles o conseguissem surpreender e distrair por alguns instantes,
embora Eragon não soubesse bem até que ponto isso lhes poderia
ser útil.
Galbatorix prosseguiu:
— Com esta Palavra posso reformular feitiços tão facilmente
como outro feiticeiro comanda os elementos. Todos os feitiços
dependerão de mim e eu não dependerei de ninguém, a não ser
daqueles que eu escolher.
“Talvez ele não saiba”, pensou Eragon, sentindo uma centelha de
determinação no seu íntimo.
— Usarei o nome dos nomes para subjugar todos os feiticeiros de
Alagaësia e ninguém lançará feitiços a não ser com a minha bênção,
nem mesmo os Elfos. Os feiticeiros do vosso exército estão a
descobrir essa verdade, neste preciso momento. Assim que se
aventuram a uma determinada distância, no interior de Urû’baen, os
seus feitiços deixam de funcionar convenientemente. Alguns dos
seus encantamentos falham por completo, ao passo que outros se
viram contra eles, acabando por afetar as vossas tropas e não as
minhas. — Galbatorix inclinou a cabeça e ficou com um olhar
distante, como se ouvisse alguém sussurrar-lhe ao ouvido. — Já
provocou bastante confusão nas fileiras.
Eragon resistiu ao desejo de cuspir no rei.
— Não faz mal — rugiu ele. — Descobriremos uma forma de te
deter.
Galbatorix parecia amargamente divertido.
— Ai sim? Como? E porquê? Pensa no que você está a dizer.
Travarias a primeira oportunidade de paz em Alagaësia para saciar
o teu exacerbado desejo de vingança? Permitirias que os feiticeiros
continuassem a fazer o que quisessem, por toda a parte,
independentemente do mal que causassem aos outros? Parece-me
de longe pior do que qualquer coisa que eu tenha feito. Mas isto
não passa de especulação inútil. Os melhores guerreiros dos
Cavaleiros não conseguiram derrotar-me e você você está longe de ser
como eles. Nunca tiveste qualquer hipótese de me derrotar.
Nenhum de vós.
— Eu matei Durza e matei os Ra’zac — ripostou Eragon. — Porque
não a ti?
— Eu não sou tão fraco como aqueles que me servem. Não
conseguiste sequer derrotar Murtagh, e ele não passa da sombra de
uma sombra. O teu pai, Morzan, era de longe mais poderoso do
que qualquer um de vocês e, nem mesmo ele conseguiu resistir ao
meu poder. Além disso — continuou Galbatorix, com uma
expressão cruel —, se pensas que destruíste os Ra’zac, você está
enganado. Os ovos de Dra-Leona não foram os únicos que eu tirei
aos Lethrblaka. Tenho mais escondidos noutro local. Em breve irão
chocar e os Ra’zac voltarão a caminhar pela terra para cumprir as
minhas ordens. Quanto a Durza, os Espetros são fáceis de criar e,
normalmente, não valem os problemas que dão. Como vês, não
ganhaste nada, rapaz... nada a não ser falsas vitórias.
O que Eragon mais detestava era a presunção e o ar de absoluta
superioridade de Galbatorix. A sua vontade era enfurecer-se com o
rei e amaldiçoá-lo de todas as formas possíveis e imaginárias, mas
para segurança das crianças conteve-se.
Têm alguma ideia?, perguntou ele a Saphira, Arya e Glaedr.
Não, disse Saphira. Os outros ficaram em silêncio.
Umaroth?
Apenas que devíamos atacar enquanto ainda é possível.
Durante um minuto ninguém falou. Galbatorix apoiou-se no
cotovelo, poisando o queixo sobre o pulso, e continuou a observálos.
O rapaz e a menina choravam baixinho aos seus pés. Em
cima, o olho de Shruikan continuava fixo em Eragon e nos que
estavam com ele, como uma enorme lanterna cor de gelo.
Depois ouviram as portas da câmara a abrirem-se e a fecharemse,
e o som de passos a aproximarem-se — os passos de um
homem e de um dragão.
Murtagh e Thorn depressa apareceram. Pararam junto de
Saphira e Murtagh fez uma vénia.
— Senhor.
O rei fez um gesto e Murtagh e Thorn subiram para o lado
direito do trono.
Ao ocupar a sua posição, Murtagh olhou para Eragon com
desdém. Depois, prendeu as mãos atrás das costas e olhou para o
lado oposto da câmara, ignorando-o.
— Demoraste mais do que eu esperava — disse Galbatorix num
tom enganadoramente brando.
Murtagh respondeu sem olhar:
— O portão estava mais danificado do que eu imaginava, senhor,
e os feitiços que colocastes nele dificultaram a reparação.
— Você está a insinuar que sou o responsável pelo teu atraso?
Murtagh contraiu os maxilares.
— Não, senhor, estava apenas a explicar-me. Parte do corredor
estava também bastante... sujo e isso atrasou-nos.
— Compreendo. Falaremos disso mais tarde, por agora há outros
assuntos para tratar. Para começar, está na hora de os nossos
convidados conhecerem o último membro do nosso grupo. Além
disso, já é mais do que tempo de iluminarmos convenientemente
esta sala.
Galbatorix bateu com a face da lâmina da espada num dos
braços do trono e gritou num tom de voz grave:
— Naina!
Centenas de lanternas acenderam-se ao longo das paredes da
câmara, banhando-a como uma luz quente, semelhante à das velas.
A sala mantinha-se escura nos cantos, mas Eragon conseguiu, pela
primeira vez, distinguir os detalhes em seu redor. Dezenas de
pilares e de entradas ladeavam as paredes e havia esculturas,
pinturas e arabescos dourados por toda a parte. Prata e ouro eram
os materiais mais utilizados e Eragon teve um vislumbre do brilho de
muitas jóias. Era uma espantosa exibição de riqueza, mesmo
quando comparada com as de Tronjheim e Ellesméra.
Momentos depois, reparou numa outra coisa: à sua direita, num
local onde a luz anteriormente não chegava, havia um bloco de
pedra cinzenta — talvez de granito —, com cerca de dois metros e
meio de altura. Acorrentada ao bloco, de pé, estava Nasuada, com
uma simples túnica branca. Ela fitava-os de olhos arregalados,
embora não pudesse falar, pois tinha uma mordaça. Parecia abatida
e cansada, mas de boa saúde.
Eragon foi percorrido por uma sensação de alívio, não
esperando encontrá-la viva.
— Nasuada! — gritou ele. — Você está bem?
Ela acenou com a cabeça.
— Ele obrigou-te a jurares-lhe lealdade?
Nasuada abanou a cabeça.
— Achas que eu permitiria que ela te dissesse, se o tivesse feito?
— interpelou Galbatorix. Ao olhar de novo para o rei, Eragon viu
Murtagh lançar um breve olhar de preocupação na direção de
Nasuada, e interrogou-se sobre o seu significado.
— E então, obrigaste? — insistiu Eragon, em tom de desafio.
— Por acaso, não. Decidi esperar até vos reunir a todos. Agora
que já o fiz, ninguém sairá enquanto não jurarem servir-me e
enquanto eu não souber o verdadeiro nome de cada um de vós. É
por isso que aqui estão. Não para me matar, mas para se curvarem
perante mim, acabando finalmente com esta desagradável rebelião.
Saphira rosnou e Eragon disse:
— Não vamos desistir. — Mesmo aos seus próprios ouvidos,
aquelas palavras soaram-lhe débeis e ineficazes.
— Então eles morrerão — respondeu Galbatorix, apontando para
as duas crianças —, e a vossa desobediência acabará por não
modificar nada. Parecem não entender que já perderam. Lá fora a
batalha não está a correr bem aos vossos amigos. Em breve, os
meus homens irão obrigá-los a render-se e esta guerra chegará ao
fim que lhe estava destinado. Lutem, se quiserem. Neguem o que
têm diante dos olhos, se isso vos consola. Mas nada do que fizerem
poderá alterar o vosso destino, nem o destino de Alagaësia.
Eragon recusava-se a acreditar que ele e Saphira tivessem de
passar o resto da vida às ordens de Galbatorix. Saphira sentia o
mesmo, pelo que a sua raiva se uniu à dele, destruindo o pouco que
lhes restava de receio e de cautela. Eragon disse:
— Vae weohnata ono vergarí, eka thäet otherúm. Nós vamos
matar-te, juro.
Por instantes, Galbatorix pareceu ficar irritado, mas depois
voltou a dizer a Palavra — bem como outras palavras na língua
antiga — e o voto que Eragon proferira pareceu perder todo o
significado. As palavras jaziam na sua mente como um amontoado
de folhas mortas, sem poder para as incitar ou inspirar.
O lábio superior do rei revirou-se num sorriso escarninho:
— Faz os juramentos que quiseres. Nenhum te comprometerá, a
menos que eu permita.
— Mesmo assim vou matar-te — murmurou Eragon, percebendo
que se continuasse a resistir, isso poderia custar a vida às duas
crianças. Mas Galbatorix tinha de ser morto e, se o preço a pagar
pela sua morte fosse a morte do rapaz e da menina, Eragon estaria
disposto a aceitá-lo. Sabia que iria odiar-se por isso e que veria o
rosto das crianças em sonhos, o resto da sua vida. Mas, se não
desafiasse Galbatorix, tudo estaria perdido.
Não hesites, disse Umaroth. Chegou o momento de atacar.
Eragon levantou a voz.
— Porque não queres lutar comigo? És cobarde ou demasiado
fraco para me defrontares? É por isso que te escondes atrás destas
crianças como uma velha assustada?
Eragon... disse Arya, em tom de advertência.
— Não sou o único que trouxe uma criança para aqui, hoje —
respondeu o rei, com as rugas mais acentuadas no rosto.
— Há uma diferença: Elva aceitou vir. Mas não respondeste à
minha pergunta. Porque não queres lutar? Será que passaste tanto
tempo sentado no trono a comer que te esqueceste de como usar
uma espada?
— Não irias querer lutar comigo, jovem — rosnou o rei.
— Então, prova-o. Liberta-me e enfrenta-me num combate
honesto. Mostra que és um guerreiro que ainda merece ser
reconhecido com tal. Ou vive com a evidência de que és um
cobarde lamechas que nem se atreve a enfrentar um único
adversário sem a ajuda dos seus Eldunarís. você mataste Vrael!
Porque haverias de me recear? Porque...
— Basta! — disse Galbatorix. Um rubor aflorara-lhe às faces
encovadas, mas entretanto o seu estado de espírito alterou-se
como mercúrio e ele arreganhou os dentes, num esgar apavorante,
semelhante a um sorriso, e bateu no braço da cadeira com os nós
dos dedos. — Eu não conquistei este trono aceitando todos os
desafios que me faziam, nem o conservei enfrentando os meus
inimigos num “combate honesto”. Terás ainda de aprender que não
interessa como se conquista a vitória, mas sim conquistá-la, jovem.
— Você está enganado. Interessa — ripostou Eragon.
— Recordar-te-ei isso depois de me jurares lealdade. Porém... —
Galbatorix bateu levemente no pomo da espada. — Uma vez que
insistes tanto em lutar, acederei ao teu pedido. — A centelha de
esperança que se acendera em Eragon desapareceu, ao ouvir
Galbatorix acrescentar: — Mas lutarás com Murtagh e não comigo.
Ao ouvir essas palavras Murtagh lançou um olhar furioso a
Eragon.
O rei cofiou a ponta da barba.
— Gostaria de saber, de uma vez por todas, qual é o melhor
guerreiro. Lutarão tal como estão, sem magia nem Eldunarís, até
que um se revele incapaz de prosseguir. Não podem matar-se um
ao outro — proíbo-o — mas, tirando a morte, permitirei quase tudo.
Creio que será bastante divertido, ver dois irmãos a lutarem entre
si.
— Irmãos não — corrigiu Eragon —, meios-irmãos. O meu pai era
Brom e não Morzan.
Pela primeira vez, Galbatorix mostrou-se surpreendido. Depois,
revirou o canto da boca para cima.
— Claro, eu devia ter percebido. Tens a verdade estampada na
cara, para quem souber vê-la. Nesse caso, este duelo fará ainda
mais sentido. O filho de Brom, contra o filho de Morzan. O destino
tem sentido de humor, é um fato.
Murtagh reagiu também com surpresa, mas controlou-se muito
bem para que Eragon percebesse se a informação lhe agradara ou
o aborrecera. De qualquer forma, Eragon sabia que ele tinha sido
apanhado desprevenido. A sua ideia era essa. Se Murtagh estivesse
perturbado seria muito mais fácil derrotá-lo e ele tencionava
derrotá-lo, independentemente do sangue que partilhavam.
— Letta — disse Galbatorix, fazendo um ligeiro movimento com a
mão.
Eragon cambaleou, quando o feitiço que o prendia desapareceu.
Depois o rei disse:
— Gánga aptr — e Arya, Elva e Saphira deslizaram para trás,
deixando um grande intervalo entre si e o estrado. O rei murmurou
mais algumas palavras e a maior parte das lanternas na sala
escureceram, tornando a área em frente ao trono o ponto mais
iluminado da sala.
— Anda — disse Galbatorix, dirigindo-se a Murtagh —, reúne-te a
Eragon. Vamos ver quem é o mais hábil.
Murtagh franziu a sobrancelha, encaminhou-se para um ponto a
vários metros de Eragon e desembainhou a espada — era como se a
lâmina vermelha já estivesse coberta de sangue. Depois ergueu o
escudo e agachou-se.
Eragon olhou de relance para Saphira e Arya e fez o mesmo.
— Agora, lutem! — gritou Galbatorix, batendo com as mãos.
Suado, Eragon aproximou-se de Murtagh, ao mesmo tempo que

este último se aproximava dele.

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