3 de junho de 2017

Capítulo 57 - A sombra do fim

[Em revisão]

A
quela altura, Blödhgarm e seus companheiros elfos já haviam se juntado a Eragon e Saphira no pátio, mas o Cavaleiro os ignorou e procurou Arya. Quando a avistou, correndo ao lado de Jörmundur, que estava em seu cavalo de batalha, saudou-a e brandiu a espada para atrair sua atenção. Arya percebeu o chamado e apressou-se, sua passada tão graciosa quanto a de uma gazela. Desde a última vez em que haviam estado juntos, ela adquirira um escudo, um elmo completo e uma cota de malha. O metal de sua armadura brilhava com a mesma luminosidade acinzentada que permeava a cidade. Assim que ela parou, Eragon informou: — Saphira e eu vamos entrar no castelo por cima e tentar capturar lady Lorana. Você quer vir conosco? Arya concordou balançando firmemente a cabeça. Saltando do chão para uma das pernas dianteiras de Saphira, Eragon alcançou a sela. Arya seguiu seu exemplo um instante após e se sentou logo atrás dele, as argolas de sua cota de malha pressionando as costas dele. Saphira abriu as asas aveludadas e alçou voo, deixando Blödhgarm e os outros elfos olhando para cima com fisionomias frustradas. — Você não deveria abandonar seus guardas assim — murmurou Arya no ouvido esquerdo de Eragon. Ela o abraçou por trás e segurou com firmeza quando Saphira rodopiou acima do pátio. Antes que pudesse responder, Eragon sentiu o toque da imensa mente de Glaedr. Por um momento, a cidade abaixo desapareceu, e viu e sentiu apenas o que o dragão dourado via e sentia.
Pequenas-flechas-pungentes-como-marimbondos atingiram sua barriga quando ergueu-se acima das cavernas-de-madeira espalhadas dos bípedes-de-orelhas-redondas. O ar estava tranquilo e firme abaixo de suas asas, perfeito para o voo que precisava realizar. Em suas
costas, a sela roçou em suas escamas quando Oromis mudou de posição. Glaedr colocou a língua para fora e saboreou o estimulante aroma de sangue-derramado-com-gosto-de-carne-cozida-e-madeira-queimada. Estivera naquele lugar muitas vezes antes. Em sua juventude, era chamado de um outro nome que não Gil’ead, e, a época, os únicos habitantes eram os elfos-de-língua-rápida-e-riso-obscuro e os amigos dos elfos. Suas visitas anteriores sempre foram prazerosas, mas era doloroso lembrar os dois companheiros-de-ninho que haviam morrido aqui, assassinados pelos Renegados-de-mente-deformada. O sol-preguiçoso-de-um-olho-só pairava acima do horizonte. Para o norte, Isenstar-grande-água era um lençol ondulante de prata reluzente. Abaixo, a manada dos orelhas-pontudas comandada por Islanzadí estava parada em torno da cidade-formigueiro-arrasado. Suas armaduras brilhavam como gelo esmagado. Uma fumaça azulada sobrepunha toda a área, espessa como a névoa fria da manhã. E do sul, o pequeno-Thorn-nervoso-de-garras-cortantes batia suas asas em direção a Gil’ead, berrando seu desafio para todos ouvirem. Murtagh-filho-de-Morzan estava sentado sobre ele, e em sua mão direita, Zar’roc brilhava como uma garra. Lamento preencheu Glaedr quando avistou as duas infelizes crias. Gostaria que ele e Oromis não tivessem de matá-los. Mais uma vez, pensou, dragão deve lutar contra dragão e Cavaleiro deve lutar contra Cavaleiro, e tudo por causa daquele Galbatorix-destruidor-de-ovos. De mau humor, Glaedr acelerou seu voo e arreganhou as garras em preparação para esfacelar seus inimigos que estavam a caminho. Eragon sentiu unia chicotada na cabeça quando Saphira guinou para o lado e descaiu alguns metros antes de se reequilibrar. Você também viu aquilo?, perguntou ela. Sim. Preocupado, Eragon olhou para o alforje, onde estava escondido o coração dos corações de Glaedr, e imaginou se ele e Saphira não deveriam tentar ajudar Oromis e o dragão dourado. Mas ficou seguro ao lembrar que havia inúmeros feiticeiros entre os elfos. Seus professores não necessitariam de ajuda. — Qual é o problema? — quis saber Arya, sua voz alta no ouvido de Eragon. Oromis e Glaedr estão a ponto de enfrentar Thorn e Murtagh, respondeu Saphira.
Eragon sentiu Arya enrijecer atrás dele. — Como vocês sabem? — Explico depois. Só espero que não sejam feridos. — Eu também — concordou Arya. Saphira voou bem acima do castelo e então planou para baixo com asas silenciosas e aterrissou sobre o pináculo da mais alta torre. Quando Eragon e Arya saltaram sobre o telhado íngreme, Saphira dirigiu-se a eles: Encontro vocês na câmara abaixo. A janela aqui é pequena demais para mim. E decolou, a lutada de ar atingindo-os como um golpe. Eragon e Arya se abaixaram sobre a borda do telhado e pularam para uma estreita saliência de pedra dois metros abaixo. Ignorando a queda vertiginosa que o esperava se escorregasse, o Cavaleiro avançou gradualmente pela saliência até uma janela em forma de cruz, onde entrou numa grande sala quadrada com uma coleção de bestas e estrados com pesadas balistas. Se alguém estava na sala quando Saphira aterrissou, já não estava mais. Arya escalou a janela depois dele. Ela inspecionou a sala, então fez um gesto indicando as escadas no canto e seguiu nesta direção, suas botas de couro silenciosas sobre o chão de pedra. À medida que a seguia, Eragon sentiu uma estranha confluência de energias abaixo deles e também as mentes de cinco pessoas cujos pensamentos estavam próximos a ele. Cauteloso em relação a um ataque mental, Eragon ensimesmou-se e se concentrou em recitar um fragmento de poesia élfica. Tocou Arya rio ombro e sussurrou: — Deveríamos ter trazido Blödhgarm conosco.
Juntos, os dois desceram as escadas, fazendo todo o esforço para ficar em silêncio. A próxima sala da torre era muito maior do que a anterior. O pé-direito tinha mais de nove metros de altura, e nele estava pendurada uma lanterna de vidro facetado. Uma chama amarela queimava em seu interior. Centenas de quadros cobriam as paredes: retratos de homens barbados em belos trajes e mulheres sem expressão sentadas ao lado de crianças com dentes afiados e achatados; paisagens marinhas soturnas e assoladas pelo vento representavam marinheiros afogados; e cenas de batalha representando humanos chacinando bandos de grotescos Urgals. Uma fileira de altas
persianas de madeira na parede ao norte abria-se para uma varanda com uma balaustrada de pedra. Do lado oposto à janela, perto da parede, estava uma coleção de pequenas mesas redondas repletas de pergaminhos, três cadeiras acolchoadas e duas enormes urnas de cobre com buquês de flores secas. Uma mulher robusta, de cabelos grisalhos e usando um vestido azul-lavanda estava sentada em urna das cadeiras. Possuía uma forte semelhança com vários homens nos quadros. Um diadema de prata adornado com jade e topázio podia ser visto sobre sua cabeça. No centro da sala estavam os três magos que Eragon vislumbrara antes na cidade. Os dois homens e a mulher estavam um de frente para o outro, os capuzes de suas túnicas jogados para trás e seus braços estendidos de cada lado, de modo que as pontas dos seus dedos se tocassem. Moviam-se em uníssono, murmurando uni encantamento familiar na língua antiga. Uma quarta pessoa estava sentada no meio do triângulo: um homem trajado do mesmo estilo, mas que não dizia nada, apenas fazia careta, como se estivesse sentindo dor. Eragon invadiu a mente de um dos feiticeiros, mas o homem estava focado em sua tarefa, e o Cavaleiro não conseguiu acessar sua consciência, incapaz de subordiná-lo à sua vontade. O homem nem parecia notar o ataque. Arya deve ter tentado a mesma coisa, pois ela franziu o cenho e sussurrou: — Foram bem treinados. — Você sabe o que eles estão fazendo? — murmurou ele. Ela balançou a cabeça. Então, a mulher com o vestido azul-lavanda levantou os olhos e avistou os dois agachados nos degraus de pedra da escada. Para a surpresa de Eragon, a mulher não gritou por ajuda. Apenas colocou um dedo sobre os lábios e então fez um gesto. Eragon trocou olhares perplexos com Arya, — Pode ser uma armadilha — sussurrou ele. — Muito provavelmente — concordou ela. O que devemos fazer? — Saphira está chegando? — Sim.
— Então vamos cumprimentar nossos anfitriões. Combinando os passos, desceram os degraus restantes e adentraram a sala sem tirar os olhos dos absortos magos. — A senhora é lady Lorana? — perguntou Arya com uma voz suave assim que pararam diante da mulher. Ela inclinou a cabeça. — Sim, bela cita. — Ela voltou o olhar na direção de Eragon: — E você é o Cavaleiro de Dragão de quem nós temos ouvido muito falar recentemente? Você é Eragon Matador de Espectros? — Sou — respondeu Eragon. Uma expressão de alívio apareceu no rosto distinto da mulher. — Ah, tinha esperança de que você apareceria. Você deve detê-los, Matador de Espectros. — E fez um gesto na direção dos magos. — Por que a senhora não ordena que se rendam? — sussurrou Eragon. — Não posso — respondeu Lorana. — Obedecem somente ao rei e a seu novo Cavaleiro. Fiz um juramento a Galbatorix, não tive escolha quanto a isso, portanto, não posso erguer um dedo contra ele ou seus criados. Do contrário eu mesma já teria providenciado sua destruição. — Por quê? — quis saber Arya. — O que a senhora teme tanto? A pele em volta dos olhos de Lorana ficou enrugada. — Eles sabem que não podem conter os Varden na atual situação, e Galbatorix não enviou reforços para nós. Então, estão tentando, não sei como, criar um Espectro na esperança de que o monstro se volte contra os Varden e espalhe tristeza e confusão nas fileiras inimigas. Eragon foi tomado de horror. Não conseguia imaginar ter de enfrentar outro Durza. — Mas um Espectro poderia igualmente se voltar contra eles e contra todos em Feinster, assim como contra os Varden. Lorana assentiu.
— Não se importam. Desejam apenas causar o máximo de dor e
destruição que puderem antes de morrer. São insanos, Matador de Espectros. Por favor, você tem de detê-los, pelo bem do meu povo! Assim que ela parou de falar, Saphira aterrissou sobre a varanda do lado de fora da sala, quebrando a balaustrada com seu rabo. Deslocou as persianas com um único golpe da pata, quebrando as molduras como se fosse madeira velha. Então, empurrou sua cabeça e ombros na câmara e rosnou. Os magos continuaram cantando, parecendo não notar sua presença. — Céus — lamentou Lorana, agarrando os braços da cadeira. — Certo. — Eragon sacou Brisingr e focou os magos, Saphira fez o mesmo pela direção oposta. O mundo girou em torno dele e, mais uma vez, estava enxergando através dos olhos de Glaedr. Vermelho. Preto. Lampejos de amarelo vibrante. Dor... Dor-de-entortar-ossos em sua barriga e no ombro de sua asa esquerda. Dor como não sentia há mais de cem anos. Então, alívio quando Oromis-parceiro-de-sua-vida curou seus ferimentos. Glaedr reequilibrou-se e procurou Thorn. O pequeno-dragão-picanço-vermelho em mais forte e mais rápido do que Glaedr previra, devido à interferência de Galbatorix. Thorn golpeou o flanco esquerdo de Glaedr, seu lado fraco, onde perdera sua perna dianteira. Giraram um em volta do outro, desabando em direção ao chão-achatado-e-duro-que-arrebenta-asas. Glaedr mordia e rasgava e arranhava com seus pés traseiros, tentando submeter o dragão menor. Você não me superará, fedelho, disse para si. Eu já era velho antes de você nascer. Garras-brancas-em-forma-de-adaga rasgaram Glaedr nas costelas e na parte inferior. Flexionou seu rabo e golpeou Thorn-rosnador-de-dentes-longos na perna, penetrando-o na coxa com um ferrão em seu rabo. O combate há muito já exaurira os escudos-invisíveis-de-encantamentos dos dois, deixando-os vulneráveis a todo tipo de ferimento.
Quando o chão rodopiante estava a apenas alguns metros de distância, Glaedr respirou fundo e jogou a cabeça para trás. Enrijeceu o pescoço e a barriga e liberou o denso-fluido-de-fogo das profundezas de seu estômago. O fluido entrou em combustão ao se
combinar com o ar em sua garganta. Escancarou as mandíbulas e inundou o dragão vermelho com fogo, engolfando-o em um casulo flamejante. A torrente de chamas-rodopiantes-e-famintas-para-agarrar-algo produziu uma comichão na parte interna das bochechas de Glaedr. Selou a garganta, encerrando o fluxo de fogo quando ele e o dragão-de-garras-cortantes-que-guincha-e-se-contorce se separaram. De suas costas, Glaedr ouviu Oromis dizer: — A força dos dois está desaparecendo. Posso ver pela postura. Com mais alguns minutos, a concentração de Murtagh falhará e serei capaz de assumir o controle de seus pensamentos. Ou, se preferirmos, os matamos com uma espada e com uma de suas presas. Glaedr rosnou em concordância, frustrado por ele e Oromis não ousarem se comunicar com suas mentes, como normalmente faziam. Alçando voo sobre o vento-quente-da-terra-cultivada, voltou-se para Thorn, cujos membros pingavam sangue purpúreo. Então, rosnou e se preparou para lutar mais uma vez. Eragon mirou o teto, desorientado. Estava deitado de costas na torre do castelo. Ajoelhada ali perto estava Arya, preocupação estampada em seu rosto. Ela o pegou com um braço e o ajudou a se levantar, equilibrando-o quando cambaleou. Do outro lado da sala, Eragon viu Saphira balançar a cabeça, e sentiu como da própria estava confusa. Os três magos ainda estavam em pé com seus braços estendidos, se movendo lentamente e cantando na língua antiga. As palavras do encantamento soavam com uma força incomum e continuavam audíveis muito tempo além do normal. O homem que estava sentado aos pés do trio agarrou os joelhos, todo o seu corpo tremendo enquanto sacudia a cabeça de um lado para o outro. — O que aconteceu? — perguntou Arya, em um tom baixo, porém tenso. Ela trouxe Eragon para mais perto de si e baixou ainda mais a voz. — Como você consegue saber o que Glaedr está pensando tão longe daqui e com sua mente fechada até mesmo para Oromis? Perdoe-me por tocar cm seus pensamentos sem permissão, Eragon, mas estava preocupada com seu bem-estar. Que tipo de laço você e Saphira têm com Glaedr? — Mais tarde — respondeu ele, e endireitou os ombros.
— Oromis lhe deu algum amuleto ou algum outro objeto que permite que você contate Glaedr? — Eu levaria muito tempo para explicar. Mais tarde. Prometo. Arya hesitou, e então assentiu. — Vou lembrar a promessa. Juntos, Eragon, Saphira e Arya avançaram na direção dos magos e atacaram cada um em separado. Um som metálico preencheu a sala quando Brisingr foi desviada antes de atingir seu alvo, torcendo o ombro de Eragon. Da mesma maneira, a espada de Arya bateu em unia proteção, assim como a pata dianteira direita de Saphira. Suas garras chiaram no piso de pedra. Concentre nesse aqui — gritou Eragon, e apontou para o feiticeiro mais alto, uni homem pálido com uma barba desgrenhada. — Depressa, antes que consigam convocar algum espírito! Eragon ou Arya poderiam ter tentado enredar ou exaurir as proteções dos feiticeiros com. encantamentos próprios, mas usar magia contra outro mago é sempre uma proposta perigosa, a menos que a mente esteja sob seu controle. Nem Eragon nem Arya queriam arriscar serem mortos por uma proteção que ainda ignoravam. Atacando alternadamente, Eragon, Saphira e Arya cortaram, golpearam com as espadas e agrediram o feiticeiro barbudo por quase um minuto. Nenhum dos golpes atingiu o homem. Então, finalmente, depois de um ínfimo indício de fraqueza, Eragon sentiu alguma coisa recuando sob a força de Brisingr, e a espada continuou seu caminho e arrancou a cabeça do feiticeiro. O ar em frente a Eragon brilhou vividamente. No mesmo instante, sentiu um súbito esgotamento de sua força à medida que suas proteções o defendiam de um encantamento desconhecido. O assalto cessou depois de alguns segundos, deixando-o tonto e com a cabeça leve. Seu estômago roncava. Fez uma careta e se fortificou com a energia do cinto de Beloth, o Sábio. A única reação que os outros dois magos exprimiram em função da morte do companheiro foi aumentar a velocidade da invocação. Uma espuma amarela estava grudada nos cantos de suas bocas, saliva voava de seus lábios e a brancura dos seus globos oculares estava visível; ainda assim não faziam nenhuma tentativa de fugir ou de atacar.
Passando para o feiticeiro seguinte — um homem corpulento com anéis nos polegares —, Eragon, Saphira e Arya repetiram o procedimento que haviam utilizado com o primeiro mago: alternando golpes até obterem sucesso em superar suas proteções. Foi Saphira quem matou o homem, arremessando-o para cima com um movimento de suas garras. Ele atingiu a escada e teve o crânio esfacelado no canto de um degrau. Dessa vez não houve retaliação mágica. Assim que Eragon se moveu na direção da feiticeira, um emaranhado de luzes multicoloridas invadiu a sala através das persianas quebradas e convergiram sobre o homem sentado no chão. Os espíritos cintilantes brilhavam com uma nervosa virulência. Começaram, então, a circundar o homem, formando uma parede impenetrável. Ele levantou os braços, como se estivesse se protegendo, e gritou. O ar zuniu e chiou com a energia que irradiava das esferas tremeluzentes. Um sabor amargo, parecido com ferro, revestiu a língua de Eragon, e sua pele ardeu. Os cabelos da feiticeira arrepiaram-se. Do lado oposto ao dela, Saphira sibilou e arqueou as costas. Cada músculo de seu corpo ficou rígido. Um raio de medo atravessou Eragon. Não!, pensou, sentindo-se enjoado. Não agora. Não depois de tudo por que passamos. Ele estava mais forte do que quando enfrentara Durza em Tronjheim, mas também estava muito mais ciente de como um Espectro podia ser perigoso. Somente três Cavaleiros, em toda a história, haviam sobrevivido a um ataque de um Espectro: Laetri, a elfa, Irnstad, o Cavaleiro, e ele próprio, e não tinha confiança de que pudesse repetir o feito. Blödhgarm, onde está você?, Eragon gritou com sua mente. Precisamos de sua ajuda! Então, tudo em volta de Eragon desapareceu e somente enxergou: Brancura. Pura brancura. A água-do-céu-fria-e-macia era um bálsamo nos membros feridos de. Glaedr depois do sufocante calor do combate. Ele batia as asas, dando boas-vindas afina cobertura de umidade que se acumulava cm sua lingua-seca-e-pegajosa.
Golpeou novamente o ar e água-do-céu se dividiu diante dele, revelando o sol-brilhante-que-queima-as-costas e a terra-desorganizada-verde-e-marrom. Onde está ele?, Glaedr imaginou. Balançou a cabeça, em busca de Thorn. O pequeno-dragão-picanço-vermelho voara bem acima de Gil’ead, mais alto do que qualquer pássaro normalmente voaria, onde o ar era rarefeito e a respiração fumaça-de-água.
— Glaedr, atrás de nós! — Oromis gritou. Glaedr girou o corpo, lento demais. O dragão vermelho se chocou contra seu ombro esquerdo, desequilibrando-o. Rosnando, Glaedr envolveu sua perna dianteira restante na cria-feroz-que-morde-e-arranha e procurou arrancar a vida do corpo agonizante de Thorn. O dragão mais jovem rugiu e escapou em parte do abraço de Glaedr, enterrando suas garras no peito do dragão dourado. Glaedr arqueou seu pescoço, enterrou seus dentes na perna esquerda traseira de Thorn e, assim, o manteve preso, embora o dragão vermelho se enroscasse e desse chutes como um gato selvagem fechado. Sangue-quente-e-salgado inundou a boca de Glaedr. Quando começaram a cair vertiginosamente, Glaedr ouviu o som de espadas atacando escudos, com Oromis e Murtagh trocando uma série de golpes. Thorn estava trêmulo de agonia, e Glaedr vislumbrou Murtagh-filho-de-Morzan. Glaedr achou que o humano parecia assustado, mas não estava totalmente certo. Mesmo após tantos anos de união com Oromis, ele ainda tinha dificuldade em decifrar as expressões dos bípedes-sem-chifre, com seus rostos suaves e neutros e a falta de rabo. O som de metal contra metal cessou, e Murtagh gritou: — Maldito seja por não ter se mostrado antes! Maldito seja! Você poderia ter nos ajudado! Você poderia ter... — Ele parecia ter engasgado por um instante. Glaedr grunhiu quando uma força invisível interrompeu abruptamente a queda em que se encontravam, quase o soltando da perna de Thorn, e em seguida ergueu os quatro céu acima, mais e mais alto, até a cidade-formigueiro-arrasado virar uma pequena mancha e o próprio Glaedr ter dificuldades para respirar no ar rarefeito. O que o fedelho está fazendo?, Glaedr imaginou, preocupado. Está tentando se matar? Então, Murtagh voltou a falar, e quando o fez, sua voz estava mais possante e profunda do que antes, e ecoava como se estivesse em um corredor vazio. Glaedr sentiu as escamas em seu ombro formigarem ao reconhecer a voz de seu antigo inimigo. — Quer dizer que sobreviveram, Oromis e Glaedr — disse Galbatorix. Suas palavras eram redondas e suaves, como as de um orador profissional, e o tom era enganadoramente amigável. — Há muito tempo desconfio de que os elfos poderiam estar escondendo um dragão ou um Cavaleiro de mim. É gratificante poder confirmar minhas suspeitas.
— Desapareça, vil traidor de juramentos! — gritou Oromis. — Você não deveria
ter nenhuma satisfação vinda de nós! Galbatorix gargalhou. — Que saudação mais dura. É pena, Oromis-elda. Os elfos esqueceram sua famosa cortesia ao longo do último século? — Você não merece mais cortesia do que um lobo raivoso. — Ah, Oromis. Lembre-se do que me disse quando eu estava diante de você e dos outros Anciões: “Raiva é um veneno. Vocês devem purgá-la de suas mentes ou, do contrário, ela corromperá suas principais virtudes.” Você deveria seguir seu próprio conselho. — Você não consegue me confundir com sua língua viperina, Galbatorix. Você é uma abominação, e cuidaremos para que você seja eliminado, mesmo que isso custe nossas vidas. — Mas por que deve ser assim, Oromis? Por que deve me confrontar? Fico triste por você ter permitido que seu ódio distorcesse sua sabedoria, pois você era um homem sábio, Oromis, talvez o mais sábio membro de toda a nossa ordem. Você foi o primeiro a reconhecer a loucura que estava devorando minha alma, e foi você que convenceu os outros Anciões a negar meu pedido de um outro ovo de dragão. Isso foi bastante sábio de sua parte, Oromis. Inútil, mas sábio. E, de alguma maneira, você conseguiu escapar de Kialandí e Formora, mesmo depois de ser derrotado por eles. E, então, escondeu-se até que todos os seus inimigos, exceto um, tivessem morrido. Isso também foi muito sábio da sua parte, elfo. Galbatorix fez uma breve pausa em seu discurso.
— Não há necessidade de continuar lutando contra mim. Admito de livre e espontânea vontade que cometi terríveis crimes na minha juventude, mas aqueles dias já passaram faz muito tempo. E quando reflito acerca do sangue que derramei, minha consciência fica atormentada. Mesmo assim, o que você faria comigo? Não posso desfazer meus atos. Agora, minha grande preocupação é garantir a paz e a prosperidade do Império que domino e governo. Você não consegue enxergar que perdi minha sede por vingança? A raiva que me conduziu por tantos anos se queimou até virar cinza. Faça essa pergunta a si, Oromis: quem ê responsável pela guerra que varreu a Alagaësia? Eu não sou. Os Varden provocaram esse conflito. Eu teria ficado contente de governar meu povo e deixar os elfos, os anões e os surdanos com seus próprios planos. Mas os Varden não podiam deixar nada em paz. Eles escolheram roubar o ovo de Saphira. São eles que cobrem a terra com montanhas de corpos. Não eu. Você já foi sábio, Oromis, pode ser sábio novamente. Desista de seu ódio e junte-se a mim em Ilirea. Com você do meu lado, podemos dar um fim a esse conflito e inaugurar uma era de paz que durará mil anos ou mais.
Glaedr não ficou convencido. Apertou com mais força suas garras-de-esmagar-e-retalhar, fazendo com que Thorn uivasse. O ruido-de-dor pareceu incrivelmente alto após o discurso de Galbatorix. Oromis retrucou num tom claro e firme. — Não. Você não pode nos fazer esquecer suas atrocidades com um bálsamo de mentiras adocicadas. Solte-nos! Você não possui os meios para nos reter aqui muito mais tempo. E recuso essa barganha sem sentido com um traidor como você. — Rá! Você é um velho decrépito e idiota — devolveu Galbatorix, e sua voz adquiriu um tom zangado e duro. — Você deveria ter aceitado minha oferta. Teria uma posição proeminente entre meus escravos. Vou fazê-lo lamentar sua devoção insana a sua assim chamada justiça. E você está errado. Posso manter vocês aqui o quanto desejar, porque fiquei tão poderoso quanto um deus e não existe nenhuma criatura que possa me deter! — Você não vencerá — afirmou Oromis. — Até mesmo deuses não duram para sempre. Ao ouvir isso, Galbatorix proferiu um hediondo juramento. — Sua filosofia não me conterá, elfo! Sou o maior dos magos, e logo serei maior ainda. A morte não me levará. Você, entretanto, morrerá. Mas antes sofrerá. Vocês dois sofrerão além da imaginação. Então, matarei você, Oromis, e tomarei seu coração dos corações, Glaedr, e você me servirá até o fim dos tempos. — Jamais! — exclamou Oromis. E Glaedr ouviu novamente o retinir de espada contra armadura. O dragão dourado havia excluído Oromis de sua mente durante o combate, mas seus laços iam além do pensamento consciente, de modo que sentiu quando seu Cavaleiro ficou rígido, incapacitado pela dor lancinante em seu osso-ferido-e-nervo-putrefato. Alarmado, Glaedr soltou a perna de Thorn e tentou chutar para longe o dragão. Thorn uivou com o impacto, mas permaneceu onde estava. O encantamento de Galbatorix mantinha os dois no lugar — incapazes de se mover mais do que alguns metros para qualquer direção.
Outro retinir metálico pôde ser ouvido acima, e então Glaedr viu Naegling cair ao seu lado. A espada dourada lampejou e cintilou ao desabar em direção ao chão. Pela primeira vez, a garra fria do medo atacou Glaedr. A maior parte da energia-volitiva— do -mundo de Oromis estava estocada na espada, e suas proteções estavam ligadas à lâmina. Sem ela, ele ficaria indefeso.
Glaedr se jogou contra os limites do encanto de Galbatorix, lutando com todo o seu poder para se libertar. Apesar de seus esforços, contudo, não conseguiu escapar. E assim que Oromis começou a se recuperar, Glaedr sentiu Zar’roc dilacerando Oromis do ombro aos quadris. Glaedr uivou. Uivou como Oromis uivara quando ele perdera sua perna. Uma força inexorável se acumulou dentro da barriga de Glaedr. Sem parar para ponderar se seria possível, empurrou Thorn e Murtagh com uma rajada de magia, fazendo-os voar como se fossem folhas levadas pelo vento. Então, fixou as asas junto ao corpo e mergulhou na direção de Gil’ead. Se conseguisse chegar com rapidez suficiente, Islanzadí e seus feiticeiros poderiam ser capazes de salvar Oromis. Mas a cidade estava muito distante. A consciência de Oromis estava vacilando. .. sumindo... desaparecendo... Glaedr injetou sua própria força no corpo arruinado de Oromis, tentando sustentá-lo até que chegassem ao chão. Mas, apesar de toda a energia que forneceu a Oromis, não conseguiu parar o sangramento, o terrível sangramento. Glaedr... solte-me, murmurou Oromis com a mente. Um instante depois, com uma voz mais fraca ainda, sussurrou: Não se lamente. E então, o parceiro da vida inteira de Glaedr ingressou no vazio. Ele se foi. Ele se foi! ELE SE FOI! Escuridão. Vazio. Glaedr estava sozinho. Uma névoa carmesim descendeu sobre o mundo, pulsando em uníssono. Ele abriu as asas e tomou o caminho de volta, em busca de Thorn e seu Cavaleiro. Não os deixaria escapar. Ele os pegaria e os estraçalharia e os queimaria até que os tivesse erradicado da face da terra.
Glaedr localizou o dragão-picanço-vermelho mergulhando em sua direção, rosnou sua mágoa e dobrou sua velocidade. O dragão jovem desviou no último instante, na tentativa de
se colocar ao lado do dragão dourado, mas não foi rápido o suficiente para escapar de Glaedr, que investiu e mordeu e dilacerou os últimos centímetros de seu rabo. Uma torrente de sangue espirrou da extremidade amputada. Ganindo de agonia, o dragão vermelho ziguezagueou e surgiu subitamente atrás de Glaedr, que começou a girar o corpo para encará-lo. Mas o dragão menor foi bem rápido, bem ágil. Glaedr sentiu urna dor aguda na base do crânio, e então sua visão fraquejou e sumiu. Onde estava? Estava sozinho. Estava sozinho e no escuro. Estava sozinho e no escuro, e não conseguia se mover ou enxergar. Podia sentir as mentes de outras criaturas próximas, mas não eram as mentes de Thorn e Murtagh, mas de Arya, Eragon e Saphira. E então, Glaedr percebeu onde estava, e o verdadeiro horror da situação desabou sobre ele, e uivou para a escuridão. Uivou e uivou, e se entregou a sua agonia, não se importando com o que o futuro poderia trazer, pois Oromis estava morto, e ele estava só. Só! Com um sobressalto, Eragon recobrou a consciência. Estava enrascado sobre si mesmo. Lágrimas inundavam seu rosto. Arfando, se levantou do chão e procurou Saphira e Arya. Levou alguns instantes para entender o que via. A feiticeira que Eragon esteve a ponto de atacar estava deitada diante dele, morta por um único golpe de espada. Os espíritos que ela e seus companheiros haviam convocado não estavam mais visíveis. Lady Lorana ainda estava sentada na cadeira. Saphira lutava para se levantar no lado oposto da sala. E o homem que estivera sentado no chão em meio aos outros três feiticeiros, agora estava em pé ao seu lado, segurando Arya pelo pescoço.
A cor desaparecera da pele do homem, deixando-o branco como osso. Seus cabelos, antes castanhos, agora eram de um vermelho vivido, e quando ele olhou para Eragon e sorriu, o Cavaleiro viu que seus olhos estavam avermelhados. Em todas as características de sua aparência e postura, o
homem lembrava Durza. — Nosso nome é Varaug — anunciou o Espectro. — Tenham medo de nós. Arya o chutou, mas seus golpes pareciam não surtir efeito. A pressão fervente da consciência do Espectro atormentava a mente de Eragon, tentando quebrar suas defesas. A força do ataque imobilizou-o. Ele mal conseguia repelir a invasão do Espectro, quanto mais andar ou brandir uma espada. Por algum motivo, Varaug era ainda mais forte do que Durza, e Eragon não tinha certeza de quanto tempo ainda poderia suportar o poder do Espectro. Percebeu que Saphira também estava sendo atacada. Ela estava sentada rígida e imóvel, com os dentes à mostra, furiosa. As veias na testa de Arya pulsavam, e seu rosto estava vermelho e roxo. Sua boca estava aberta, mas ela não respirava. Com a palma de sua mão esquerda, golpeou o cotovelo do Espectro e quebrou a junta com um estalido. O braço de Varaug ficou bambo e, por um momento, os pés de Arya roçaram o chão, porém logo os ossos do braço do Espectro voltaram ao lugar e ele a ergueu mais alto ainda. — Vocês morrerão — rosnou Varaug. — Vocês todos morrerão por nos aprisionar nesse barro duro e frio. Saber que as vidas de Arya e Saphira estavam em perigo despiu Eragon de todas as emoções, exceto uma implacável determinação. Com os pensamentos tão afiados e límpidos como um caco de vidro, investiu contra a consciência fervente do Espectro. Varaug era muito poderoso, e os espíritos que residiam nele eram diferentes demais entre si para Eragon superar e controlar, de modo que procurou isolar o Espectro. Cercou a mente de Varaug com a sua: sempre que Varaug tentava alcançar Saphira ou Arya, Eragon bloqueava o raio mental, e sempre que o Espectro tentava mover seu corpo, Eragon contra-atacava o impulso com um comando seu.
Duelavam na velocidade do pensamento, combatendo em todas as direções ao longo do perímetro da mente do Espectro, que era uma paisagem tão confusa e incoerente que Eragon temia ficar louco se a olhasse por muito tempo. Eragon investia com o máximo de energia em seu duelo com Varaug, esforçando-se para prever cada movimento do Espectro, mas sabia que aquela disputa só poderia terminar com sua própria derrota. Por mais rápido que
agisse, Eragon não conseguia antecipar os inúmeros movimentos de inteligência do Espectro. A concentração de Eragon por fim fraquejou, e Varaug aproveitou a oportunidade para penetrar ainda mais a mente de Eragon, emboscando-o... trespassando-o... suprimindo seus pensamentos até que ele não pôde fazer mais nada além de mirar o Espectro com uma raiva muda. Um formigamento lancinante tomou conta de seus membros quando os espíritos começaram a percorrer seu corpo, atacando cada um de seus nervos. — Seu anel está cheio de luz! — exclamou Varaug, seus olhos arregalados de prazer. — Bela luz! Vai nos alimentar por um bom tempo! Então, rosnou de raiva quando Arya agarrou seu pulso e quebrou-o em três partes. Ela se livrou do aperto antes que o Espectro pudesse se curar, e caiu no chão, arfando. Varaug tentou chutá-la, mas ela rolou para longe. Saiu em busca de sua espada. Eragon tremeu ao lutar para se livrar da opressiva presença do Espectro. A mão de Arya se fechou sobre o punho de sua espada. Um grito sem palavra escapou do Espectro. Ele partiu para enfrentar a elfa e os dois rolaram no chão, lutando pelo controle da arma. Arya gritou e golpeou a cabeça de Varaug com o botão do cabo da espada. O Espectro ficou zonzo por um instante, e Arya cambaleou para trás e se levantou. Num átimo, Eragon se livrou de Varaug. Sem se importar com sua própria segurança, retomou o ataque à consciência do Espectro. Seu único pensamento era detê-lo por alguns instantes. Varaug apoiou-se sobre um joelho, e então fraquejou quando Eragon redobrou seus esforços. — Pegue-o! — gritou Eragon. Arya atacou, seus cabelos negros esvoaçantes... E ela golpeou o Espectro no coração.
Eragon recuou e desemaranhou-se da mente de Varaug no exato momento em que o Espectro rechaçava Arya. Puxando a lâmina de seu corpo, abriu a boca e proferiu um trêmulo e penetrante lamento que despedaçou os
painéis de vidro da lanterna acima. Correu na direção de Arya, mas parou quando sua pele ficou transparente, revelando as dezenas de espíritos cintilantes aprisionados nos confins de sua carne. Os espíritos latejaram, crescendo, e a pele de Varaug se abriu pelas fibras entre os músculos. Com uma última explosão de luz, os espíritos rasgaram Varaug ao meio e fugiram da sala da torre, atravessando as paredes, como se a pedra não tivesse substância. A pulsação de Eragon voltou lentamente ao normal. Então, sentindo-se muito velho e muito cansado, foi até Arya, que estava encostada em uma cadeira, com uma das mãos massageando o pescoço. Ela tossiu, cuspindo sangue. Como ela se sentia incapaz de falar, Eragon colocou sua mão sobre a dela e disse: — Waíse heill. — À medida que a energia para aliviar os ferimentos da elfa fluía de Eragon, suas pernas enfraqueceram e ele precisou se apoiar na cadeira. — Melhor? — perguntou ele, assim que o encantamento terminou seu trabalho. — Melhor — sussurrou Arya, e o brindou com um leve sorriso. Ela fez um gesto na direção de onde estivera Varaug. — Nós o matamos... Nós o matamos, e ainda sim sobrevivemos. — Ela parecia surpresa. — Pouquíssimos até hoje mataram um Espectro e sobreviveram. — Isso é porque lutaram sozinhos, não juntos, como nós. — Não, não lutaram como nós. — Tive você para me ajudar em Farthen Dûr e você teve a mim para ajudá-la aqui. — Sim. — Agora vou ter de chamar você de Matadora de Espectros. — Somos ambos... Saphira os espantou liberando um lamento longo e magoado. Ainda lamentando, arranhou as garras no chão, revolvendo e rachando as pedras. Seu rabo chicoteava de um lado para o outro, arrebentando os móveis e as soturnas pinturas na parede. Eles se foram!, ela disse. Eles se foram! Eles se foram para sempre!
— Saphira, o que há de errado? — exclamou Arya. Como Saphira não respondia, Arya repetiu a pergunta para Eragon. Odiando as palavras que pronunciava, Eragon informou: — Oromis e Glaedr estão mortos. Galbatorix os matou. Arya cambaleou como se tivesse sido atingida por um golpe. — Oh. — Ela agarrou as costas da cadeira com tanta força que suas juntas ficaram esbranquiçadas. Lágrimas encheram os olhos puxados e se derramaram pelas bochechas e pelo rosto. — Eragon. — Ela se aproximou e o pegou no ombro e, quase por acidente, ele acabou abraçando-a, Eragon sentiu seus próprios olhos ficando molhados. Trincou a mandíbula num esforço para manter a compostura. Se começasse a chorar, sabia que não conseguiria mais parar. Ele e Arya permaneceram abraçados por um longo tempo, um consolando o outro. Então, Arya se afastou. — Como aconteceu? — Oromis teve um de seus ataques, e enquanto ficou paralisado, Galbatorix usou Murtagh para... — A voz de Eragon parou, e ele balançou a cabeça. — Conto tudo depois para você e para Nasuada. Ela precisa saber disso, e não quero ser obrigado a descrever o evento mais de uma vez. Arya assentiu. — Então vamos nos encontrar com ela.

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