24 de junho de 2017

Capítulo 52 - O mundo inteiro num sonho

Nasuada riu para o céu estrelado em torno dela e caiu na direção
de uma fenda de luz branca e cintilante, milhares de metros mais
abaixo.
O vento fustigava-lhe os cabelos e a camisa de dormir ondulava
descontroladamente, com as mangas esfarrapadas a açoitá-la como
chicotes. Enormes morcegos negros, encharcados, aglomeravam-se
em torno dela, mordendo-lhe as feridas com dentes cortantes que
ardiam como gelo.
E ainda assim ela ria.
A fenda alargou-se e a luz envolveu-a, cegando-a durante um
minuto. Quando a visão clareou, ela deu consigo de pé, no Salão
da Profetisa, a olhar para si mesma, presa à laje cor de cinza. Junto
do seu corpo inerte estava Galbatorix: alto, de ombros largos, com
uma sombra no lugar do rosto e uma coroa de fogo escarlate na
cabeça.
Ele virou-se para ela e estendeu-lhe a mão enluvada.
— Vamos, Nasuada, filha de Ajihad, esquece o teu orgulho e
jura-me lealdade que eu dar-te-ei tudo o que sempre desejaste.
Ela fez um ruído displicente e atirou-se a ele de mãos esticadas,
mas antes que conseguisse destroçar-lhe a garganta, o rei
desapareceu numa nuvem de névoa negra.
— O que eu quero é matar-te! — gritou ela para o teto.
A voz de Galbatorix ecoou na câmara, vinda de todas as
direções ao mesmo tempo:
— Então é aqui que ficarás até que entendas o erro da tua atitude.
— Nasuada abriu os olhos. Continuava na laje, com os pulsos e os
tornozelos acorrentados, e os ferimentos da larva carnívora a
latejarem, como se nunca tivessem parado de lhe doer.
Ela franziu a sobrancelha. “Estaria inconsciente, ou teria acabado de
falar com o rei? Era tão difícil de perceber quando...”
A um canto da câmara, viu a ponta de uma trepadeira verde a
irromper entre os azulejos pintados, rachando-os. Outras
trepadeiras apareceram junto da primeira, perfurando do exterior,
espalhando-se pelo chão e cobrindo-o de apêndices serpenteantes.
Ao vê-los rastejar na sua direção, Nasuada começou a rir. “Será
que só consegue imaginar isto? Tenho sonhos mais estranhos quase
todas as noites.”
Como que em resposta ao seu desdém, a laje por baixo dela
derreteu-se para o chão e os filamentos ondulantes cercaram-na,
enrolando-se em torno dos seus membros e prendendo-os mais
firmemente do que quaisquer grilhetas. A sua visão toldava-se, à
medida que as trepadeiras, por cima dela, se multiplicavam, e a
única coisa que conseguia ouvir era o ruído das plantas a roçarem
umas nas outras: um ruído seco e deslizante, como o de areia a cair.
O ar em seu redor tornou-se sufocante e quente, e pareceu-lhe
sentir dificuldade em respirar. Se não soubesse que as trepadeiras
eram apenas uma ilusão, poderia ter entrado em pânico. Em vez
disso, cuspiu para a escuridão, amaldiçoando o nome de
Galbatorix. Não era a primeira vez que o fazia, nem seria a última,
tinha a certeza disso, mas recusava-se a dar-lhe o prazer de saber
que ele a tinha apanhado de surpresa.
Luz... Raios dourados de sol projetavam-se sobre uma série de
colinas ondulantes, salpicadas de campos e vinhedos. Ela estava à
beira de um pequeno pátio, por baixo de uma latada, carregada de
glórias floridas da manhã, cujas trepadeiras lhe pareciam
desconfortavelmente familiares. Usava um lindo vestido amarelo.
Tinha um cálice de vinho de cristal na mão direita e o sabor
almiscarado a cerejas do vinho, na língua. Soprava uma brisa ligeira
de Oeste. O ar estava quente e reconfortante, e cheirava a terra
lavrada.
— Ah, aí você está você — disse uma voz atrás de si. Ela virou-se e viu
Murtagh a caminhar na sua direção, vindo de uma grande
propriedade. Tinha um cálice de vinho na mão, tal como ela. Usava
meias negras e um gibão de cetim, grená, debruado com tubulações
douradas. Tinha uma adaga com jóias embutidas, pendurada no
cinto decorado com tachas. Usava o cabelo mais comprido do que
o habitual e parecia mais descontraído e confiante que nunca. Isso e
a luz no seu rosto davam-lhe uma aparência surpreendentemente
atraente — nobre até.
Reuniu-se a ela, debaixo da latada, e poisou-lhe uma mão no
braço. O gesto parecia descontraído e íntimo.
— Minha descarada, abandonaste-me com o Lorde Ferros e as
suas histórias intermináveis. Demorei meia hora a desembaraçar-me
dele. — Depois fez uma pausa, olhou-a mais de perto e ficou com
uma expressão preocupada.
— Sentes-te doente? Você está com um rosto macilento.
Nasuada abriu a boca mas não conseguiu proferir uma palavra.
Não sabia como reagir.
Murtagh franziu a testa.
— Tiveste outro ataque, não foi?
— N-não sei... não me lembro como vim aqui parar, ou... — E
calou-se ao ver a dor nos olhos de Murtagh, embora ele se tivesse
apressado a escondê-la.
A mão dele deslizou até ao fundo das suas costas, contornandoa
para olhar a paisagem montanhosa. Esvaziou o cálice com um
movimento rápido e depois disse em voz baixa:
— Eu sei que isto é confuso para ti... e já não é a primeira vez
que acontece, mas... — Respirou fundo e abanou ligeiramente a
cabeça. — Qual é a última coisa de que te lembras? Teirm?
Aberon? O cerco de Cithrí?... O presente que te dei naquela noite
em Eoam?
Uma terrível sensação de incerteza apossou-se dela.
— Urû’baen — sussurrou ela. — O Salão da Profetisa. São essas
as minhas últimas memórias.
Por instantes sentiu a mão dele tremer contra as suas costas, mas
o seu rosto não deixou transparecer qualquer reação.
— Urû’baen — repetiu ele, asperamente, olhando-a. — Nasuada...
passaram oito anos desde Urû’baen.
“Não” pensou ela, “não pode ser.” E, no entanto, tudo o que via
e sentia parecia tão real. Os movimentos do cabelo de Murtagh,
despenteado pelo vento, o cheiro dos campos, o toque do vestido
contra a pele — tudo parecia estar no devido lugar. Mas se ela
estava realmente ali, por que motivo Murtagh não a tranquilizara,
tocando-lhe na mente, como antes fizera? Ter-se-ia esquecido? Se
tinham passado oito anos, talvez já não se lembrasse da promessa
que lhe fizera há tanto tempo atrás, no Salão da Profetisa.
— Eu... — começou ela por dizer, mas depois ouviu uma mulher
chamá-la:
— Senhora!
Olhou por cima do ombro e viu uma criada corpulenta a
aproximar-se apressadamente, vinda da propriedade, com a parte
da frente do avental a esvoaçar.
— Senhora — disse a criada, com reverência. — Lamento
incomodar-vos, mas as crianças contavam com a vossa presença
para os verdes encenar a peça para os convidados.
— Crianças? — sussurrou Nasuada, voltando a olhar para
Murtagh, e viu lágrimas a cintilarem-lhe nos olhos.
— Sim — disse ele —, crianças. Quatro, todas elas fortes,
saudáveis e alegres.
Ela estremeceu de emoção. Foi mais forte do que ela. Depois
levantou o queixo.
— Mostra-me o que esqueci, mostra-me porque me esqueci.
Murtagh sorriu-lhe, com um ar aparentemente orgulhoso.
— O prazer será todo meu — disse e beijou-a na testa. Pegou no
seu cálice e entregou ambos os copos à criada. Depois pegou-lhe
nas mãos, fechou os olhos e curvou a cabeça.
Instantes depois, sentiu uma presença, a tocar-lhe na mente e foi
então que percebeu: não era ele. Jamais poderia ser ele.
Furiosa com o logro e pela perda do que jamais iria acontecer,
libertou a mão direita da de Murtagh, agarrou na adaga e enterroulhe
a lâmina no flanco, gritando:
Em El-harím vivia um homem, um homem de olhos amarelos!
Que me disse: cautela com os sussurros, porque sussurram
mentiras!
Murtagh olhou-a com uma expressão curiosamente vazia e
depois desapareceu diante dela. Tudo em redor de si — a latada, o
pátio, a propriedade, as colinas com os vinhedos — desapareceu e
Nasuada deu consigo a flutuar num vazio, sem luz nem som. Tentou
prosseguir a ladainha, mas a garganta não produziu qualquer som.
Não conseguia sequer ouvir o latejar da pulsação nas suas veias.
Depois sentiu a escuridão distorcer-se e...
Caiu sobre as mãos e os joelhos. Pedras aguçadas arranhavamlhe
as palmas das mãos. Piscou os olhos enquanto eles se
adaptavam à luz, levantou-se e olhou em redor.
Névoa e serpentinas de fumaça pairavam ao longo de um campo
árido, semelhante às Planícies Flamejantes.
Estava mais uma vez com a camisa de dormir e descalça.
Algo rugiu atrás dela. Virou-se e viu um Kull de três metros e
meio de altura, a brandir um bastão do seu tamanho, revestido de
ferro. Ouviu outro rugido à esquerda e viu um segundo Kull, e
quatro Urgals mais pequenos. Depois duas figuras corcundas,
encapuçadas irromperam da névoa esbranquiçada, correndo na
direção dela, a chilrear e a acenar com as suas espadas em forma
de folha. Embora nunca as tivesse visto antes, sabia que eram
Ra’zac.
Voltou a rir-se. Agora Galbatorix estava apenas a tentar castigála.
Ignorando os inimigos que se aproximavam — que sabia jamais
poder matar e dos quais jamais poderia escapar — sentou-se no
chão de pernas cruzadas e começou a cantarolar uma velha canção
de anões.
As tentativas iniciais de Galbatorix para a enganar tinham sido
subtis e poderiam muito bem tê-la enganado, se Murtagh não a
tivesse avisado antecipadamente. Para manter a ajuda de Murtagh
em segredo, ela fingiu ignorar que Galbatorix estava a manipular a
sua perceção da realidade. Mas, independentemente do que visse
ou sentisse, não permitiria que o rei a compelisse a pensar naquilo
em que não podia pensar ou, bem pior, a jurar-lhe leadade.
Desafiá-lo nem sempre se tinha revelado fácil, mas ela agarrarase
aos seus rituais de pensamento e discurso e, através deles,
conseguira frustrar os intentos do rei.
A primeira ilusão fora de uma outra mulher, Rialla, que se reunira
a ela no Salão da Profetisa como companheira de cárcere. A
mulher dizia estar secretamente casada com um dos espiões dos
Varden, em Urû’baen, e que fora capturada ao levar-lhe uma
mensagem. Aparentemente, durante uma semana, Rialla tentou
agradar a Nasuada e convencê-la, de forma indireta, que a
campanha dos Varden estava condenada ao fracasso, que os seus
motivos para lutar eram um equívoco e que era perfeitamente justo
e adequado que se submetessem à autoridade de Galbatorix.
A princípio, Nasuada não se apercebera de que a própria Rialla
era uma ilusão, deduzindo que Galbatorix estivesse a distorcer as
palavras da mulher, ou talvez a interferir com as suas emoções,
para a tornar mais suscetível aos argumentos de Rialla.
Com o arrastar dos dias, vendo que Murtagh não a visitava nem
a contactava, Nasuada começou a recear que ele a tivesse deixado
à mercê de Galbatorix. A ideia angustiou-a mais do que gostaria de
admitir e ela deu consigo quase sempre preocupada com isso.
Depois começou a pensar por que motivo Galbatorix não viera
torturá-la durante a semana e ocorreu-lhe que, se tivesse passado
esse período, os Varden e os Elfos já teriam atacado Urû’baen e
Galbatorix teria certamente falado no assunto, nem que fosse para
se gabar. Além disso, o comportamento algo estranho de Rialla,
associado a uma série de lacunas inexplicáveis na sua memória, a
contenção de Galbatorix e o silêncio persistente de Murtagh — pois
não acreditava que ele faltasse à sua palavra — convenceu-a de que
Rialla era uma aparição — por muito estranho que parecesse — e
que o tempo já não era o que parecia.
Ficou abalada ao perceber que Galbatorix conseguia deturpar o
número de dias que ela julgava terem passado e abominou a ideia.
A sua noção do tempo tornara-se vaga durante o cativeiro, de
qualquer modo conseguia manter uma certa consciência da
passagem dos dias. Perder isso e desligar-se do tempo, significava
ficar ainda mais à mercê de Galbatorix, uma vez que ele conseguia
prolongar ou abreviar as suas experiências de acordo com a sua
conveniência.
Ainda assim, Nasuada continuou determinada a resistir à
coerção de Galbatorix, por muito tempo que lhe parecesse estar a
passar. Se tivesse que suportar cem anos na cela, suportá-los-ia.
Ao revelar-se imune aos sussurros insidiosos de Rialla — e
confrontar, finalmente, a mulher por ser uma cobarde e uma
traidora —, a ficção fora removida da sua cela e Galbatorix passara
a outro estratagema.
Depois disso, as fraudes tornaram-se cada vez mais elaboradas
e improváveis, embora nenhuma infringisse as leis da lógica nem
fosse antagónica ao que ele já lhe mostrara, pois o rei continuava a
tentar mantê-la alheia à sua interferência.
Os seus esforços culminaram quando Galbatorix pareceu levá-la
da câmara, para uma cela numa masmorra, num outro ponto da
cidadela, onde ela julgou ver Eragon e Saphira acorrentados.
Galbatorix ameaçara matar Eragon, a menos que ela lhe jurasse
lealdade. Quando ela recusou, para desagrado — e aparente
surpresa — de Galbatorix, Eragon gritou um feitiço que os libertou
aos três. Depois de um breve duelo, Galbatorix fugiu — algo que
Nasuada duvidava que ele o fizesse na realidade — e Eragon,
Saphira e ela tentaram escapar da cidadela.
Tinha sido uma experiência bastante arrojada e excitante, e ela
sentiu-se tentada a descobrir como as coisas iriam terminar. Mas,
nessa altura, achou que já tinha colaborado o suficiente com o logro
de Galbatorix, agarrando-se à primeira discrepância em que
reparou — a forma das escamas, em torno dos olhos de Saphira — e
usando-a como desculpa para fingir aperceber-se de que o mundo
em seu redor não passava de uma ilusão.
— você prometeste não me mentir enquanto eu estivesse no Salão
da Profetisa! — gritara ela para o ar. — O que é isto senão uma
mentira, seu traidor?
Galbatorix ficou terrivelmente irado com a sua descoberta.
Ouviu um rugido digno de um dragão do tamanho de uma
montanha e ele pôs de parte toda a subtileza, sujeitando-a a uma
série de tormentos bastante imaginativos.
Quando a última das aparições se desfez e Murtagh a contatou
para lhe dizer que poderia de novo confiar nos seus sentidos,
aquele toque da sua mente deixou-a mais feliz do que nunca.
Nessa noite, ele foi ter com ela e passaram horas, sentados, a
conversar. Ele informou-a acerca dos avanços dos Varden — que
estavam prestes a chegar à capital — e acerca dos preparativos do
Império, dizendo-lhe que julgava ter descoberto uma forma de a
libertar. Quando ela insistiu para que lhe desse mais detalhes ele
recusou, dizendo:
— Preciso de mais um dia ou dois para ver se vai resultar. Mas
há uma maneira, Nasuada, anima-te!
A sua honestidade e preocupação encorajaram-na. Mesmo que
nunca conseguisse fugir, sentiu-se feliz por saber que não estava
sozinha no cativeiro.
Depois de lhe relatar algumas das coisas que Galbatorix lhe tinha
feito e a forma como ela frustrara os seus planos, Murtagh riu-se.
— você revelaste-te um desafio maior do que ele imaginava. Há
muito que ninguém lhe dava tanta luta. Eu certamente que não dei...
Percebo um pouco do assunto, mas sei que é muito difícil criar
ilusões credíveis. Qualquer feiticeiro competente poderá dar-te a
ilusão de estares a flutuar, de sentires frio ou calor ou de veres uma
flor crescer diante de ti. Qualquer um poderá conseguir criar
pequenas coisas complexas, ou grandes coisas simples, mas é
necessária uma grande concentração para manter essas ilusões. Se
a tua atenção vacilar, a flor poderá subitamente ter quatro pétalas
em vez de dez, ou desaparecer por completo. Os detalhes são o
mais difícil de reproduzir. A natureza está repleta de detalhes, mas a
nossa mente consegue apenas reter parte deles. Se alguma vez não
souberes se o que você está a ver é real, repara nos detalhes. Procura
evidências terrenas que o feiticeiro não saiba, ou se esqueceu que
deviam estar presentes, ou que decidiu seguir por um atalho para
conservar energia.
— Se é tão difícil, como é que Galbatorix consegue?
— Está a usar os Eldunarís.
— Todos eles?
Murtagh acenou com a cabeça.
— Eles fornecem-lhe a energia e os detalhes necessários, e ele
canaliza-os como muito bem entende.
— Então, as coisas que vejo são criadas a partir da memória de
dragões? — perguntou ela, ligeiramente assombrada.
Murtagh voltou a acenar com a cabeça.
— A partir das memórias deles e dos seus Cavaleiros, no caso
daqueles que tinham Cavaleiros.
Na manhã seguinte, Murtagh acordara-a com uma rápida
descarga mental, informando-a que Galbatorix estava prestes a
recomeçar. Depois disso, Nasuada foi assaltada for fantasmas e
ilusões de todo o tipo. Mas, à medida que o dia passava, ela
reparou que as visões — com raras e honrosas exceções, tal como a
ilusão de ela e de Murtagh na propriedade — tornavam-se cada vez
mais confusas e simples, como se Galbatorix e os Eldunarís
estivessem a ficar cansados.
Agora ela estava numa planície árida, a cantarolar uma canção
dos anões, enquanto era atacada por Kulls, Urgals e Ra’zac. Eles
apanharam-na, bateram-lhe e golpearam-na, e ela por vezes
gritava, desejando que a dor terminasse, mas nem uma única vez
pensou em ceder aos intentos de Galbatorix.
Depois a planície desapareceu, bem como uma boa parte do
sofrimento, e ela recordou a si mesma: “Isto só existe na minha
cabeça. Não vou ceder. Não sou um animal. Consigo superar as
fraquezas da carne.”
Uma caverna escura, iluminada por cogumelos verdes, surgiu em
seu redor e, durante alguns minutos, ouviu uma criatura gigantesca
farejar e caminhar silenciosamente pelas sombras, entre as
estalagmites. Depois sentiu o seu hálito quente na nuca e detetou
um odor a cadáver.
Desatou de novo a rir e assim continuou, mesmo enquanto
Galbatorix a confrontava com sucessivos horrores, na tentativa de
descobrir a combinação de dor e medo que a poderiam vergar. Ria
porque sabia que a sua vontade era mais forte do que a imaginação
dele e que podia contar com a ajuda de Murtagh. Tendo-o como
aliado, Nasuada não receava os pesadelos espetrais que Galbatorix
a fazia suportar, por muito terríveis que lhe parecessem na altura.

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