24 de junho de 2017

Capítulo 49 - Em meio às ruínas

A

s espessas nuvens cinzentas separaram-se e Eragon contemplou
o interior da ilha de Vroengard, de cima do dorso de Saphira.
Diante deles havia um grande vale em forma de taça,
rodeado das montanhas íngremes que tinham visto por cima das
nuvens. Uma densa floresta de espruces, pinheiros e abetos
cobriam a encosta das montanhas e os contrafortes nos sopés,
como um exército de soldados espinhosos a descer dos picos. As
árvores eram altas e lúgubres e, mesmo à distância, Eragon
conseguia distinguir as barbas de musgo e líquens suspensos nos
pesados ramos. Viam-se farrapos de névoa branca agarrados às
encostas das montanhas e, em certos pontos do vale, cortinas
difusas de chuva precipitavam-se do teto de nuvens.
Muito acima do solo do vale, Eragon distinguiu uma série de
estruturas de pedra por entre as árvores: entradas de cavernas
destruídas, cobertas de vegetação; o exterior de torres incendiadas;
grandes palácios com os telhados destruídos e alguns edifícios mais
pequenos que pareciam estar ainda habitáveis.
Mais de uma dúzia de rios fluíam das montanhas, serpenteando
pelo solo verdejante até desaguarem num grande lago parado,
perto do centro do vale. Em torno do lago havia os restos da
cidade dos Cavaleiros, Doru Araeba. Os edifícios eram imensos —
grandes palácios desertos de proporções tão gigantescas que
muitos poderiam alojar Carvalhall inteira. Cada porta era como a
entrada para uma vasta caverna inexplorada, cada janela era mais
alta e mais larga que o portão de um castelo e cada parede era
comparável a um penhasco escarpado.
Espessas esteiras de eras sufocavam os blocos de pedra e onde
não havia eras havia musgo, o que significava que os edifícios se
fundiam com a paisagem e pareciam ter nascido da própria terra. O
que restava de pedra tinha tendencialmente um tom pálido de ocre,
embora fossem visíveis extensões vermelhas, castanhas e em tons
de azul quase escuro.
Tal como todas as estruturas concebidas pelos Elfos, os edifícios
eram graciosos, com formas fluidas e menos acentuadas que os dos
Anões ou dos humanos, mas exibiam uma solidez e uma autoridade
que as casas das árvores de Ellesméra não tinham. Eragon
descobriu semelhanças com as casas do Vale de Palancar em
algumas delas e lembrou-se que os últimos Cavaleiros humanos
eram oriundos dessa região de Alagaësia. O resultado era um estilo
único de arquitetura, que não era inteiramente élfico nem humano.
Quase todos os edifícios estavam danificados, uns mais que
outros. Os estragos pareciam irradiar de fora, de um único ponto
perto do extremo sul da cidade, onde uma grande cratera se
afundava a mais de nove metros de profundidade. Um aglomerado
de bétulas criara raízes na depressão e as suas folhas prateadas
agitavam-se ao sabor de rajadas de vento sem direção.
As áreas abertas, dentro da cidade, estavam cobertas de ervas
daninhas e mato, e as pedras da calçada que pavimentavam as ruas
estavam orladas de erva. Nos locais onde os edifícios protegeram
os jardins dos Cavaleiros da explosão que devastara a cidade,
flores de cores pálidas cresciam em padrões artísticos, cuja forma
havia sido certamente mantida graças aos ditames de um feitiço há
muito esquecido.
No geral, o vale circular revelava um quadro sombrio.
Contemplem as ruínas do nosso orgulho e da nossa glória, disse
Glaedr, e depois acrescentou: Eragon, tens de lançar outro feitiço.
O fraseado é o seguinte... E proferiu várias frases na língua antiga.
Era um estranho feitiço, com um fraseado obscuro e complexo,
pelo que Eragon não conseguiu perceber o seu propósito.
Quando perguntou a Glaedr, o velho dragão respondeu:
Há aqui um veneno invisível, no ar que respiras, no solo em que
caminhas, nos alimentos que ingerires e na água que beberes. O
feitiço irá proteger-nos dele.
Que... veneno?, perguntou Saphira, com os pensamentos tão
lentos como o bater das suas asas.
Através de Glaedr, Eragon viu uma imagem da cratera junto da
cidade e o dragão disse:
Durante a batalha com os Renegados, um dos nossos, um elfo
chamado Thuviel, matou-se com magia. Nunca ficou claro se o fez
intencionalmente ou por acidente, mas o resultado é o que veem e o
que não veem, pois a área tornou-se imprópria para viver, em
consequência da explosão. Os que aqui ficaram depressa
desenvolveram lesões na pele e perderam o cabelo, e muitos
morreram depois disso.
Preocupado, Eragon lançou o feitiço — que exigia pouca energia
—, dizendo depois:
Como poderia alguém, fosse elfo ou não, provocar tantos
estragos? Mesmo que o dragão de Thuviel o ajudasse, não entendo
como foi possível. A não ser que o dragão fosse do tamanho de
uma montanha.
O dragão dele não o ajudou, disse Glaedr. O dragão dele tinha
morrido. Não, Thuviel semeou a destruição sozinho.
Mas como?
Da única forma possível: convertendo a sua carne em energia.
Transformou-se num espírito?
Não. A energia não tinha consciência nem forma e quando ele a
libertou, projetou-se para fora até se dispersar.
Não sabia que um só corpo podia conter tanta energia.
Não é do conhecimento geral, mas mesmo a mais pequena
partícula de matéria é equiparável a uma grande quantidade de
energia. A matéria, ao que parece, é energia congelada e se a
derreteres, libertarás uma enchente a que poucos resistem... Diz-se
que a explosão que aqui houve se ouviu em Teirm e que a nuvem
de fumaça que se seguiu ergueu-se mais alto que as Montanhas Beor.
Foi a explosão que matou Glaerun?, perguntou Eragon,
referindo-se ao membro dos Renegados que sabia ter morrido em
Vroengard.
Sim. Galbatorix e o resto dos Renegados tiveram um sinal de
alarme e, por isso, conseguiram proteger-se. Mas muitos dos
nossos não tiveram essa sorte e morreram.
Quando Saphira desceu da barriga das nuvens baixas, Glaedr
indicou-lhe para onde voar e ela alterou o rumo virando para
Noroeste do vale. Glaedr enunciou os nomes de cada uma das
montanhas por onde passaram: Ilthiaros, Fellsverd e Nammenmast,
assim como Huildrim e Tímadrim. Enunciou também os nomes de
muitas das fortalezas e torres desmoronadas, em baixo, e contou
parte da sua história a Eragon e Saphira, embora apenas Eragon
prestasse atenção à narrativa do velho dragão.
Eragon sentiu uma mágoa antiga despertar na consciência de
Glaedr. Não tanto pela destruição de Doru Araeba, mas pela morte
dos Cavaleiros, a extinção quase total dos dragões e a perda de
milhares de anos de conhecimento e sabedoria. A memória do
passado — o companheirismo que em tempos partilhara com os
outros membros da ordem — acentuava a solidão de Glaedr e isso,
associado à mágoa, criou uma atmosfera de desolação tal que
Eragon começou a sentir-se igualmente melancólico.
Desligou-se parcialmente de Glaedr, mesmo assim o vale
parecia-lhe sombrio e melancólico, como se a própria terra
chorasse a queda dos Cavaleiros.
Quanto mais baixo Saphira voava, maiores os edifícios
pareciam, e quando as suas verdadeiras dimensões se tornaram
evidentes, Eragon percebeu que o que lera no Domia abr Wyrda
não era um exagero: os maiores edifícios eram tão grandes que
Saphira poderia voar dentro deles.
Perto do extremo da cidade abandonada, ele começou a reparar
em pilhas de ossos brancos, no chão — esqueletos de dragões. O
cenário era repugnante, no entanto ele não conseguia olhar para
outro lado. O que mais o impressionava era o tamanho. Alguns dos
dragões eram mais pequenos que Saphira, mas a maioria era
bastante maior. O maior que viu era um esqueleto cujas costelas
deveriam ter pelo menos vinte cinco metros de comprimento e
quatro metros e meio de largura, na parte mais larga. Só o crânio —
enorme, de aspecto ameaçador e coberto de manchas de líquens,
como um rochedo áspero de pedra — era mais comprido e mais
alto que o dorso de Saphira. Mesmo Glaedr, quando vivo, teria
parecido diminuto ao lado do dragão morto.
Ali está Belgabad, o maior de todos nós, disse Glaedr, ao
reparar no objeto da atenção de Eragon.
Eragon lembrava-se vagamente do nome de uma das histórias
que lera em Ellesméra; o autor escrevera apenas que Belgabad
tinha estado presente na batalha e fora morto durante o combate,
tal como muitos outros.
Quem era o seu Cavaleiro?, perguntou ele.
Ele não tinha Cavaleiro. Era um dragão selvagem. Durante
séculos viveu sozinho nas regiões geladas do Norte. Mas quando
Galbatorix e os Renegados começaram a chacinar a nossa espécie,
ele veio em nosso auxílio.
Foi o maior dragão de sempre?
De sempre não, mas nessa altura, sim.
Como encontrava o suficiente que comer?
Naquela idade e com aquele tamanho, os dragões passam a
maior parte do tempo num transe letárgico, a sonhar com que o que
lhes vem à cabeça, seja a rotação das estrelas, a queda de
montanhas ao longo de eras, ou até mesmo algo tão insignificante
como o movimento das asas de uma borboleta. Eu já sinto o
fascínio dessa letargia, mas estou desperto e assim continuarei.
Conheceste... Belgabad?, perguntou Saphira, fatigada,
proferindo as palavras a custo.
Encontrei-o, mas não o conhecia. Em regra, os dragões
selvagens não convivem com os dragões ligados a Cavaleiros.
Olham-nos com desdém por sermos demasiado mansos e
obedientes, e nós olhamo-los com desdém por se deixarem levar
demasiado pelos instintos, embora por vezes os admiremos
exatamente por isso. Além de que, não te podes esquecer que eles
não tinham uma linguagem própria. Isso gerou mais diferenças entre
nós do que possas imaginar. A linguagem altera a tua mente de
formas difíceis de explicar. Os dragões selvagens conseguiam
comunicar tão eficazmente como um anão ou um elfo, claro; mas
faziam-no partilhando memórias, imagens e sensações, e não
palavras. Só os mais hábeis conseguiam aprender esta ou aquela
língua.
Glaedr fez uma pausa, acrescentando:
Se a memória não me engana Belgabad era um antepassado
distante de Raugnar, o Negro, e Raugnar, como creio que você está
recordada, Saphira, era pai do trisavô de tua mãe, Vervada.
Saphira estava tão exausta que reagia lentamente mas, por fim,
voltou a torcer o pescoço para olhar o enorme esqueleto.
Devia ser um bom caçador para ficar tão grande.
Era o melhor, disse Glaedr.
Nesse caso... fico feliz por ser do sangue dele.
Eragon ficou pasmado com o número de ossos espalhados pelo
chão. Até então, não se tinha apercebido bem da dimensão da
batalha, nem do número de dragões que outrora existiam. Ao ver
aquele cenário, o seu ódio por Galbatorix redobrou, e ele voltou a
jurar a si mesmo que mataria o rei.
Saphira mergulhou num banco de nevoeiro e névoa branca e
rodopiou em torno da ponta das suas asas, produzindo pequenos
redemoinhos no céu. De repente, um campo de erva revolta surgiu
diante de si e ela aterrou violentamente. A pata dianteira, direita,
cedeu, ela tombou para o lado e caiu sobre o peito e o flanco,
varrendo o chão com uma força tal que Eragon teria ficado
empalado no espinho da frente se não fossem as suas proteções.
Saphira ficou imóvel, atordoada com o impacto. Depois
levantou-se lentamente, recolheu as asas e agachou-se. Os arreios
da sela rangiam ao encaminhar e o som parecia estranhamente alto
naquela atmosfera silenciosa que impregnava o interior da ilha.
Eragon soltou as correias que tinha em torno das pernas e saltou
para o chão. Estava húmido e mole, e as suas botas enterraram-se
na terra húmida, fazendo-o cair sobre o joelho.
— Conseguimos — disse, impressionado. Aproximou-se da
cabeça de Saphira e, quando ela baixou o pescoço para o olhar
diretamente, ele colocou uma mão de cada lado da sua longa
cabeça e encostou a testa ao seu focinho.
Obrigado, disse ele.
Eragon ouviu o estalido das pálpebras e sentiu a cabeça dela
vibrar ao começar a ronronar.
Pouco depois largou-a e virou-se para olhar em redor. O campo
onde Saphira aterrara ficava nas imediações da cidade, a norte.
Havia pedaços de alvenaria rachada — alguns tão grandes como
Saphira —, espalhados pela erva. Eragon ficou aliviado por ela não
ter batido em nenhum.
O campo subia até ao contraforte da encosta mais próxima, que
estava coberto de árvores. No local onde o campo se unia com a
colina havia um grande largo pavimentado e, do lado oposto do
largo, erguia-se uma pilha maciça de blocos de pedra que se
prolongava cerca de um quilômetro e meio para norte. Intacto, o
edifício devia ser um dos maiores da ilha e, certamente, um dos
mais ornamentados, pois entre os blocos de pedra quadrados,
usados para erguer as paredes, Eragon viu dúzias de colunas
estriadas, bem como painéis esculpidos, representando vinhas e
flores e uma horda de estátuas. À maior parte faltava várias partes
do corpo, como se também tivessem participado na batalha.
Ali está a Grande Biblioteca, disse Glaedr, ou o que resta dela,
depois de Galbatorix a ter saqueado.
Eragon virou-se lentamente, inspecionando a área em redor. A
sul da biblioteca, viu linhas indistintas de caminhos abandonados,
sob o campo de erva revolta. Os caminhos iam da biblioteca até a
um pomar, que escondia o solo. Mas atrás das árvores erguia-se
uma grande formação irregular de pedra, com mais de sessenta
metros de altura, sobre a qual cresciam vários zimbros nodosos.
Eragon sentiu uma centelha de excitação crescer dentro de si.
Tinha a certeza, mas ainda assim perguntou:
É aquilo? Aquilo é o Rochedo de Kuthian?
Conseguia sentir Glaedr a observar a formação através dos seus
olhos. Depois o dragão disse:
Parece-me estranhamente familiar, mas não me lembro quando o
vi antes...
Eragon não precisava de qualquer outra confirmação.
— Vamos! — disse, abrindo caminho pela erva que lhe dava pela
cintura em direção ao carreiro mais próximo. Aí a erva não era tão
cerrada e ele conseguia sentir as pedras duras da calçada, debaixo
dos pés, em vez da terra ensopada pela chuva. Percorreu
apressadamente o caminho, seguido de perto por Saphira, e
entraram juntos no pomar mergulhado nas sombras. Caminhavam
cautelosamente, pois as árvores pareciam atentas e vigilantes, e
havia algo de sinistro na forma dos ramos. Era como se as árvores
estivessem à espera de os apanhar nas suas garras lascadas.
Eragon suspirou de alívio quando saíram do pomar.
O Rochedo de Kuthian erguia-se no extremo de uma grande
clareira com um emaranhado de rosas, cardos, framboesas e
abiotos. Atrás da saliência de pedra existiam fiadas e fiadas de
abetos, estendendo-se até à montanha, que se erguia muitos metros
acima. A tagarelice zangada dos esquilos ecoava por entre os
troncos das árvores, mas dos animais nem um bigode se via.
Em torno da clareira havia três bancos de pedra — meio
escondidos sob as camadas de raízes, trepadeiras e plantas
rasteiras — à mesma distância uns dos outros. De um lado havia um
salgueiro cujo tronco aberto, semelhante a uma treliça, servira em
tempos de caramanchão, onde os Cavaleiros se sentavam para
apreciar a paisagem. Porém, nos últimos cem anos, o tronco
tornara-se demasiado grosso para qualquer homem, elfo ou anão
passar através ele.
Eragon parou junto da clareira e olhou para o Rochedo de
Kuthian. Junto dele, Saphira bufou e deixou-se cair de barriga,
fazendo estremecer o chão, pelo que ele teve de dobrar os joelhos
para manter o equilíbrio. Esfregou-lhe o flanco e voltou a olhar para
a torre de pedra. Uma expetativa de ansiedade cresceu dentro
dele. Abrindo a mente, Eragon esquadrinhou a clareira e as árvores
para lá dela, verificando se não havia alguém escondido, à espera,
para os emboscar, mas os únicos seres vivos que detetou foram
plantas, insetos, toupeiras, ratos e cobras que viviam na vegetação
da clareira.
Depois começou a compor os feitiços que esperava que lhe
permitissem detetar quaisquer armadilhas mágicas naquela área.
Proferira apenas algumas palavras, quando Glaedr disse:
Para. você e Saphira estão demasiado cansados para fazerem isso,
agora. Primeiro descansem. Amanhã voltaremos para ver o que
descobrimos.
Mas...
Vocês não estão em condições de se defenderem se tivermos de
lutar. Seja o que for que procuremos, estará cá amanhã de manhã.
Eragon hesitou, mas desistiu do feitiço com relutância. Sabia que
Glaedr tinha razão, mas detestava ter de esperar, quando estavam
tão perto de concluir a sua demanda.
Muito bem, disse, e voltou a subir para o dorso de Saphira.
Bufando pesadamente, Saphira levantou-se, virou-se devagar, e
percorreu mais uma vez o pomar. O pesado impacto das suas
patas fez soltar algumas folhas secas das copas das árvores, uma
delas aterrou no colo de Eragon. Pegou nela e estava prestes a
deitá-la fora, quando reparou que a folha não tinha o formato que
era suposto ter: o recorte serrilhado era mais longo e mais largo do
que o de qualquer outra folha de macieira que ele tivesse visto
antes, e os veios formavam padrões aparentemente aleatórios em
vez da teia regular de linhas que imaginara ver.
Pegou noutra folha, esta ainda estava verde. Tal como a sua
parente ressequida, a folha verde tinha um serrilhado maior e um
confuso mapa de veios.
Desde a batalha que as coisas aqui deixaram de ser como antes,
disse Glaedr.
Eragon franziu a sobrancelha e deitou as folhas fora. Voltou a ouvir
a tagarelice dos esquilos e não conseguiu ver nenhum entre as
árvores, tão-pouco os conseguia sentir com a mente, o que o
preocupou.
Se eu tivesse escamas este sítio dar-me-ia comichões, disse ele a
Saphira.
Ela roncou divertida, libertando uma pequena baforada de fumaça
pelas narinas.
Do pomar, seguiram para Sul até alcançarem um dos muitos
ribeiros que fluíam para lá das montanhas: um estreito riacho,
branco, que borbulhava suavemente ao correr sobre o leito de
pedras. Saphira virou, seguindo o curso do ribeiro até a um prado
abrigado, perto dos limites da floresta de verdura perene.
Aqui, disse Saphira, deixando-se cair no chão.
Parecia um bom local para acampar e Saphira não estava em
condições de continuar, por isso Eragon concordou, desmontando.
Parou por instantes para apreciar a vista sobre o vale, depois tirou
a sela e os alforges de Saphira. Ela sacudiu a cabeça e mexeu os
flancos, torcendo a cabeça para mordiscar um local onde os arreios
lhe tinham esfolado a pele.
Depois, sem mais ruído, enroscou-se na erva, enfiou o focinho
debaixo da asa e enrolou a cauda em torno do corpo.
Não me acordem a não ser que algo nos esteja a tentar comer,
disse ela.
Eragon sorriu e bateu-lhe ao de leve na cauda, virando-se para
olhar de novo o vale. Ficou ali durante algum tempo, quase sem
pensar, contentando-se em observar e existir sem fazer qualquer
esforço para desvendar o significado daquele mundo em redor.
Por fim, foi buscar o cobertor, que estendeu ao lado de Saphira.
Ficas de guarda?, perguntou a Glaedr.
Eu fico de guarda. Descansa e não te preocupes.
Eragon acenou com a cabeça, mesmo sabendo que Glaedr não
o podia ver. Depois deitou-se no cobertor e entregou-se às suas
divagações.

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