3 de junho de 2017

Capítulo 42 - Punição

Roran estava sentado totalmente empertigado e olhava para além de Nasuada, com os olhos fixos numa ruga na lateral do pavilhão da cor de carmim.
Sentia que ela o examinava, mas se recusava a encará-la. Durante o silêncio prolongado e monótono que os envolveu, considerou uma quantidade de possibilidades medonhas, e suas têmporas latejavam com uma intensidade febril. Sentia vontade de poder sair do pavilhão sufocante para respirar o ar fresco lá fora.
— O que hei de fazer com você, Roran? — disse Nasuada por fim.
— O que a senhora quiser, minha lady — respondeu Roran, empertigando-se ainda mais.
— Resposta admirável, Martelo Forte, mas que de modo algum soluciona meu impasse. — Nasuada bebericou um pouco de vinho de uma taça. — Por duas vezes, você desafiou uma ordem direta do capitão Edric; e, no entanto, se não tivesse desobedecido, nem ele, nem você, nem os demais do seu grupo poderiam ter sobrevivido para contar a história. Contudo, seu sucesso não anula a sua desobediência. Por seu próprio relato, você cometeu a insubordinação conscientemente, e preciso puni-lo se quiser manter a disciplina entre os Varden.
— Sim, minha lady.
A expressão de Nasuada se toldou.
— Que inferno, Martelo Forte. Se você fosse qualquer outra pessoa que não o primo de Eragon; e se seu estratagema tivesse sido um pouquinho menos eficaz, eu teria mandado enforcá-lo por má conduta.
Roran engoliu em seco enquanto imaginava um laço apertando seu pescoço. Com o dedo médio da mão direita, Nasuada batia no braço da sua cadeira de espaldar alto com velocidade crescente até que parou para fazer uma pergunta.
— Você quer continuar a lutar ao lado dos Varden, Roran?
— Sim, minha lady — respondeu ele, sem hesitar.
— O que está disposto a suportar para permanecer no meu exército?
Roran não se permitiu refletir muito sobre as consequências.
— O que for preciso, minha lady.
A tensão no rosto de Nasuada se abrandou, e ela concordou em silêncio, parecendo satisfeita.
— Esperava que você dissesse isso. A tradição e os precedentes estabelecidos me permitem apenas três opções. A primeira, posso enforcá-lo, mas não o farei... por uma infinidade de motivos. A segunda, posso sentenciá-lo a trinta chibatadas e depois dispensá-lo das nossas fileiras. Ou, a terceira, posso lhe dar cinquenta chibatadas e mantê-lo sob meu comando.
Cinquenta chibatadas não são muito mais do que trinta, pensou Roran, tentando reunir coragem. Ele umedeceu os lábios.
— Eu seria açoitado onde todos pudessem ver?
As sobrancelhas de Nasuada se ergueram um centímetro se tanto.
— Seu orgulho não tem nenhum papel nisso, Martelo Forte. A punição deve ser severa para que outros não se sintam tentados a seguir seu exemplo. E é preciso que seja em público para que os Varden como um todo tirem proveito da lição. Se tiver a metade da inteligência que parece ter, você saberia, ao desafiar as ordens de Edric, que sua decisão teria consequências e que essas consequências teriam grande probabilidade de ser desagradáveis. A escolha que deve fazer agora é simples: vai querer permanecer com os Varden ou vai abandonar seus amigos e sua família para seguir seu próprio caminho?
Roran ergueu o queixo, com raiva por Nasuada questionar sua palavra.
— Não irei embora, lady Nasuada. Por maior que seja o número de chibatadas que a senhora designar, elas não poderão doer mais do que a perda da minha casa e do meu pai.
— Não — disse Nasuada, baixinho. — Não poderiam mesmo... Um dos mágicos da Du Vrangr Gata irá supervisionar seu açoitamento e cuidará de você ao final, para se certificar de que o açoite não lhe cause lesões permanentes. No entanto, ele não vai curar totalmente os ferimentos, nem você poderá procurar um mágico por conta própria que cure suas costas.
— Entendi.
— Seu açoitamento vai se realizar assim que Jörmundur conseguir reunir a tropa. Até esse momento, você deverá permanecer sob custódia numa tenda junto ao pelourinho.
Roran ficou aliviado por não ter de esperar muito. Não queria ser forçado a penar dias a fio com a preocupação do que o aguardava.
— Minha lady. — Ele fez uma reverência, e ela o dispensou com o movimento de um dedo.
Girando nos calcanhares, Roran saiu marchando do pavilhão. Dois guardas assumiram posição de cada lado quando surgiu. Sem olhá-lo nem falar com ele, atravessaram o acampamento conduzindo-o até que chegaram a uma pequena tenda vazia, perto do pelourinho enegrecido, que ficava numa pequena elevação pouco adiante dos limites do acampamento.
Era uma coluna de uns dois metros de altura com uma grossa viga transversal perto do topo, à qual eram amarrados os pulsos dos prisioneiros. Filas de arranhões das unhas dos homens açoitados cobriam essa viga. Roran se forçou a olhar para outro lado e então se abaixou para entrar na tenda.
O único móvel ali dentro era um banco de madeira muito gasto. Sentou e se concentrou na respiração, determinado a manter a calma. Com a passagem dos minutos, começou a ouvir o som das botas contra o chão e o retinir das cotas de malha à medida que os Varden se reuniam em torno do pelourinho. Roran imaginou os milhares de homens e mulheres com os olhos fixos nele, até mesmo os moradores de Carvahall. Seu pulso se acelerou, e o suor brotou na sua fronte.
Após cerca de meia hora, a feiticeira Trianna entrou na tenda e fez com que se despisse até estar apenas com as calças, o que deixou Roran embaraçado, se bem que a mulher parecesse não perceber. Trianna o examinou por inteiro e chegou a lançar um encantamento adicional de cura no seu ombro esquerdo, onde o soldado lhe cravara a flecha de uma besta. Depois, ela o declarou apto a continuar e lhe deu uma camisa de aniagem para usar no lugar da antiga.
Roran tinha acabado de vestir a camisa pela cabeça quando Katrina entrou na tenda abrindo caminho à força. Quando a viu, Roran se sentiu dominado pela alegria e pelo pavor, em doses iguais. Katrina relanceou o olhar entre ele e Trianna, e então fez uma mesura para a feiticeira.
— Posso falar com meu marido a sós, por favor?
— Sem dúvida. Vou esperar do lado de fora.
Assim que Trianna saiu, Katrina correu para Roran e se jogou em seus braços. Ele a abraçou com a mesma ferocidade com que ela o abraçava, pois não a via desde que voltara para os Varden.
— Ah, como senti sua falta — sussurrou Katrina no seu ouvido.
— E eu a sua — murmurou ele.
Afastaram-se apenas o suficiente para poderem se olhar nos olhos. E então Katrina franziu o cenho.
— Está errado! Procurei Nasuada e lhe implorei que o perdoasse, ou pelo menos reduzisse a quantidade de chibatadas, mas ela se recusou a atender ao meu pedido.
— Eu preferia que você não tivesse feito isso — disse ele, passando as mãos para cima e para baixo nas costas de Katrina.
— Por quê?
— Porque eu disse a ela que queria ficar com os Varden e não quero voltar atrás na palavra dada.
— Mas está errado! — repetiu Katrina, agarrando-o pelos ombros. — Carn me contou o que você fez, Roran, você matou duzentos soldados sozinho; e, se não fosse pelo seu heroísmo, nenhum dos homens com vocês teria sobrevivido. Nasuada deveria estar lhe dando presentes e louvores, não mandar que seja punido como um criminoso qualquer!
— Não importa se isso é certo ou errado — disse ele. — É necessário. Se estivesse no lugar de Nasuada, eu mesmo teria dado essa ordem.
Katrina estremeceu.
— Mas cinquenta chibatadas... Por que tantas? Homens já morreram por serem açoitados tantas vezes.
— Só se tinham o coração fraco. Não se preocupe. Vai ser preciso mais do que isso para me matar.
Um sorriso fraco passou rápido pelos lábios de Katrina. Então, um soluço lhe escapou, e ela grudou o rosto no peito do marido. Ele a aconchegou nos braços, afagando seus cabelos e tentando tranquilizá-la da melhor forma possível, mesmo que não se sentisse nem um pouco melhor do que ela.
Depois de alguns minutos, Roran ouviu uma corneta soar do lado de fora da tenda e soube que seu tempo juntos estava se encerrando.
— Quero que você faça uma coisa por mim — disse ele, soltando-se do abraço de Katrina.
— O quê? — perguntou ela, enxugando as lágrimas.
— Volte para nossa tenda e só saia depois que o açoitamento terminar.
Katrina pareceu chocada com o pedido.
— Não! Não vou sair do seu lado... não agora.
— Por favor, Katrina, você não deveria ver isso.
— E você não deveria ter de se submeter a isso — retrucou ela.
— Deixe para lá. Sei que você quer ficar ao meu lado, mas vou poder suportar isso melhor se souber que você não está aqui, assistindo... Eu provoquei esse castigo, Katrina, e não quero que também você sofra por causa dele.
— Saber o que está acontecendo com você vai me doer de qualquer modo, não importa onde eu esteja — disse ela, com a expressão tensa. — Mesmo assim, vou fazer o que me pede, mas só porque vai ajudá-lo a atravessar essa tortura... Você sabe que eu preferiria que o meu corpo recebesse o açoite em vez do seu, se isso fosse possível.
— E você sabe — e ele beijou-a nas bochechas — que eu não permitiria que você assumisse meu lugar.
Com os olhos cheios de lágrimas novamente, Katrina puxou Roran mais para perto e o abraçou com tanta força que ele teve dificuldade para respirar. Os dois ainda estavam abraçados quando a aba da tenda se abriu e Jörmundur entrou, com dois Falcões da Noite. Katrina se afastou de Roran, fez uma mesura para Jörmundur e então, sem uma palavra, saiu discretamente da tenda.
— Chegou a hora — disse Jörmundur, estendendo a mão para Roran.
Concordando em silêncio, Roran se levantou e permitiu que Jörmundur e os guardas o escoltassem até o pelourinho do lado de fora. Fileiras e mais fileiras de Varden se acotovelavam na área em torno do pelourinho, cada homem, mulher, anão e Urgal em pé, com a coluna ereta e os ombros aprumados.
Depois de um primeiro olhar para o exército reunido, Roran voltou os olhos para o horizonte distante e fez o que pôde para ignorar os circunstantes. Os dois guardas levantaram os braços de Roran acima da cabeça e prenderam seus pulsos à viga do pelourinho. Enquanto faziam isso, Jörmundur deu a volta para passar diante do tronco e estendeu um tarugo forrado de couro.
— Tome, morda isso — disse ele, em voz baixa. — Vai evitar que você se machuque.
Grato, Roran abriu a boca e deixou que Jörmundur encaixasse o tarugo entre seus dentes. O couro curtido tinha um gosto amargo, como o de frutos de carvalho.
Ouviu-se então uma cometa e um rufar de tambor. Jörmundur leu em voz alta as acusações contra Roran, e os guardas cortaram a camisa de aniagem que ele usava. Roran estremeceu quando o ar frio envolveu seu torso nu. Um instante antes de ser atingido, Roran ouviu o açoite zunindo pelo ar. A sensação era a de que uma vara de metal incandescente havia sido aplicada de um lado a outro das suas costas. Ele arqueou as costas e mordeu o tarugo. Um gemido involuntário escapou-lhe, se bem que o tarugo abafasse o som tanto que achou que ninguém mais ouviu.
— Um — disse o homem que brandia o açoite.
O choque do segundo golpe fez com que ele gemesse de novo, daí em diante, porém, permaneceu em silêncio, determinado a não aparentar fraqueza diante de todos os Varden.
O açoitamento era mais doloroso que os inúmeros ferimentos que Roran havia sofrido nos últimos meses. Mas, depois de cerca de doze golpes, ele desistiu de lutar contra a dor e, se entregando a ela, entrou num transe enevoado. Seu campo de visão se estreitou até que a única coisa que via era a madeira gasta à sua frente. Por vezes, sua visão falhava e tudo desaparecia quando ele caía em breves ataques de inconsciência. Depois do que pareceu um tempo interminável, Roran ouviu a voz distante e apagada entoar “Trinta”, e o desespero o dominou enquanto se perguntava: Como suportarei mais vinte chibatadas? Pensou então em Katrina e no filho por vir, e esse pensamento lhe deu torças.


Roran acordou para se descobrir deitado de bruços no catre da tenda que ele e Katrina dividiam. Ela estava ajoelhada ao seu lado, afagando seus cabelos e murmurando no seu ouvido, enquanto alguém besuntava as listras nas suas costas com uma substância fria e grudenta. Ele se encolheu e se enrijeceu quando a pessoa anônima tocou num ponto especialmente sensível.
— Não é assim que eu trataria um paciente meu. — Ele ouviu Trianna dizer, num tom arrogante.
— Se você tratar todos os seus pacientes como estava tratando Roran — respondeu outra mulher —, ficarei surpresa de qualquer um ter sobrevivido aos seus cuidados. — Depois de um instante, Roran reconheceu a segunda voz: era Angela, a herbolária estranha, de olhos brilhantes.
— Como?! — exclamou Trianna. — Não vou ficar aqui parada para ser insultada por uma vidente insignificante que luta até mesmo para lançar o mais simples dos encantamentos.
— Sente-se, então, se quiser. Mas esteja você sentada ou em pé, continuarei a insultá-la até admitir que o músculo das costas se prende aqui e não lá. — Roran sentiu um dedo tocá-lo em dois lugares diferentes, a pouco mais de um centímetro um do outro.
— Ora! — E Trianna saiu da tenda.
Katrina sorriu para o marido; e pela primeira vez ele percebeu as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
— Roran, você está me entendendo? — perguntou ela. — Está acordado?
— Acho... acho que sim — respondeu ele, com a voz rouca.
Seu maxilar doía de ter mordido o tarugo com tanta força por tanto tempo. Ele tossiu e então fez uma careta quando cada uma das cinquenta listras nas suas costas latejou.
— Pronto — disse Angela. — Terminei.
— É espantoso. Eu não esperava que você e Trianna ajudassem tanto — disse Katrina.
— Por ordem de Nasuada.
— Nasuada?... Por que ela ia...
— Você vai ter de perguntar a ela. Diga a ele que não se deite de costas se puder evitar. E ele deveria ter cuidado ao se virar de um lado para outro, para não abrir as cascas das feridas.
— Obrigado — murmurou Roran.
Atrás dele, Angela deu uma risada.
— Nem pense nisso, Roran. Ou melhor, pense um pouco nisso, sim, mas não lhe dê importância excessiva. Além do mais, acho engraçado eu ter cuidado de ferimentos tanto nas suas costas como nas de Eragon. Muito bem, já vou indo. Cuidado com furões!
Quando a herbolária foi embora, Roran fechou os olhos de novo. Os dedos suaves de Katrina afagaram sua testa.
— Você teve muita coragem — disse ela.
— Tive?
— Teve. Jörmundur e todos os outros me disseram que você em nenhum momento gritou, nem pediu que a punição parasse.
— Que bom. — Ele queria saber até que ponto seus ferimentos eram graves, mas relutava em forçar Katrina a descrever as lesões nas suas costas.
Ela, porém, pareceu perceber esse seu desejo.
— Angela acredita que, com um pouco de sorte, você não ficará com cicatrizes muito feias. Seja como for, assim que estiver completamente curado, Eragon ou outro mágico poderá removê-las das suas costas, e você ficará como se não tivesse sido açoitado.
— Hum. Quer beber alguma coisa? — ofereceu ela. — Estou com um bule de chá de milefólio quase pronto.
— Quero, sim, por favor. Quando Katrina se levantou, Roran ouviu outra pessoa entrar na tenda. Abriu um olho e ficou surpreso ao ver Nasuada em pé ao lado do poste da entrada.
— Minha lady — disse Katrina, com a voz afiada como uma navalha.
Apesar das fisgadas de dor nas costas, Roran conseguiu se erguer parcialmente e, com a ajuda de Katrina, girou para ficar sentado. Apoiando-se na esposa, ele começou a se levantar, mas Nasuada fez um gesto.
— Por favor, não se levante. Não quero lhe causar mais nenhuma aflição além da que já causei.
— Por que a senhora veio aqui, lady Nasuada? — quis saber Katrina. — Roran precisa repousar para se recuperar, não passar o tempo conversando quando não é necessário.
Roran pôs a mão no ombro esquerdo de Katrina.
— Posso falar se for preciso — disse ele.
Adentrando a tenda, Nasuada levantou a barra do seu vestido verde e se sentou no pequeno baú de pertences que Katrina havia trazido de Carvahall.
— Tenho outra missão para você, Roran — ela começou a dizer, depois de arrumar as pregas da saia. — Um pequeno ataque surpresa semelhante àqueles dos quais você participou.
— E quando vou partir? — perguntou ele, confuso por Nasuada ter se dado ao trabalho de vir informá-lo em pessoa de uma missão tão simples. — Amanhã.
Katrina arregalou os olhos.
— A senhora enlouqueceu?
— Katrina... — murmurou Roran, procurando acalmá-la, mas ela se livrou da sua mão. — A última missão em que a senhora o enviou quase o matou; e agora ele acaba de ser açoitado a um ponto em que por um triz não perdeu a vida! A senhora não pode lhe ordenar que volte ao combate tão cedo. Ele não duraria mais que um minuto contra os soldados de Galbatorix.
— Posso e devo! — respondeu Nasuada, com tanta autoridade na voz, que Katrina se calou e esperou ouvir a explicação da líder, apesar de Roran poder ver que sua raiva não havia diminuído. Olhando para ele, intensamente, Nasuada prosseguiu: — Roran, como você pode estar a par ou não, nossa aliança com os Urgals está à beira de um colapso. Um dos nossos assassinou três Urgals enquanto você estava a serviço do capitão Edric, que, talvez seja do seu agrado saber, não é mais capitão. Seja como for, mandei enforcar o pobre desgraçado que matou os Urgals; mas desde então nossas relações com os guerreiros de Garzhvog se tornaram cada vez mais precárias.
— E o que isso tem a ver com Roran? — quis saber Katrina.
Nasuada crispou os lábios antes de responder.
— Preciso convencer os Varden a aceitar a presença dos Urgals sem mais derramamento de sangue. E a melhor forma de fazer isso é mostrando aos Varden que nossas duas raças podem trabalhar juntas na busca pacífica de um objetivo comum. Para esse fim, o grupo com o qual você viajará conterá humanos e Urgals, em números iguais.
— Mas isso ainda não... — Katrina começou a dizer.
— E estou pondo todos eles sob seu comando, Martelo Forte.
— Meu comando? — perguntou Roran, pasmo. — Por quê?
— Porque você — explicou ela, com um sorriso sem alegria — fará o que tiver de fazer para proteger seus amigos e família. Nisso, você é como eu, apesar de minha família ser maior que a sua, pois considero todos os Varden meus parentes. Além disso, por ser primo de Eragon, não posso permitir que volte a cometer insubordinação, pois se isso acontecer não terei escolha a não ser executá-lo ou expulsá-lo dos Varden. E não desejo nenhum desses acontecimentos.
“Portanto, estou lhe dando seu próprio batalhão para que não tenha superior ao qual possa desobedecer, com exceção de mim. Se desconsiderar minhas ordens, é melhor que seja para matar Galbatorix. Nenhum outro motivo o salvará de destino pior do que as chibatadas que recebeu hoje. E estou lhe dando esse comando, porque você já provou ser capaz de convencer outros a segui-lo, mesmo diante das circunstâncias mais difíceis. Mais do que ninguém você tem condições de manter o controle sobre um grupo de Urgals e humanos. Eu mandaria Eragon se pudesse; mas, como ele não está aqui, a responsabilidade será sua. Quando os Varden souberem que o próprio primo de Eragon, Roran Martelo Forte, aquele que matou quase duzentos soldados sozinho, seguiu numa missão com Urgals e que a missão foi um sucesso, poderemos ainda manter os Urgals como nossos aliados durante toda esta guerra. Foi por isso que mandei Angela e Trianna curarem suas lesões mais do que seria costumeiro. Não para poupá-lo da punição, mas porque preciso de você em condições para comandar. Agora, o que me diz, Martelo Forte? Posso contar com você?”
Roran olhou para Katrina. Sabia que ela desejava desesperadamente que dissesse a Nasuada que se sentia incapaz de comandar um ataque surpresa. Baixando os olhos para não precisar ver a aflição da esposa, Roran pensou no imenso exército que os Varden enfrentavam e então respondeu, num murmúrio rouco:
— Pode contar comigo, lady Nasuada.

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