3 de junho de 2017

Capítulo 41 - Palavras de sabedoria

[Em revisão]

S
into muito — disse Eragon, ao trombar com a bacia.
Nasuada franziu o cenho, seu rosto encolhendo e alongando à medida que uma sequência de ondulações percorria a superfície da água na bacia.
— Por qual motivo? — perguntou ela. — Eu imagino que as congratulações sejam adequadas. Realizou com êxito tudo o que mandei você fazer e ainda mais. — Não, eu... — Eragon parou ao perceber que ela não estava vendo as ondulações na água. O encanto fora preparado de modo que o espelho de Nasuada pudesse proporcionar-lhe uma visão desobstruída dele e de Saphira e não dos objetos que estivessem mirando. — Eu bati com a mão na bacia, é só isso. — Oh. Nesse caso, deixe-me parabenizá-lo formalmente, Eragon. Ao garantir que Orik se tornasse rei... — Mesmo que tenha sido pelo ataque que sofri? Nasuada sorriu. — Sim, mesmo que tenha sido pelo ataque que sofreu, ainda assim você preservou nossa aliança com os anões, e isso deverá significar a diferença entre vitória e derrota. A questão agora é: quanto tempo levará até o resto do exército dos anões conseguir se juntar a nós? Orik já ordenou que os guerreiros se preparassem para a partida — disse Eragon. — Provavelmente os clãs levarão alguns dias para juntar suas forças, mas, uma vez reunidos, marcharão imediatamente. — Isso também é bom. Podemos usar seu apoio assim que for possível. O que me lembra o seguinte: para quando está prevista sua volta? Daqui a três, quatro dias? Saphira balançou as asas, sua respiração quente na nuca de Eragon. Ele olhou-a de relance, e então, escolhendo suas palavras com cuidado, disse: — Isso dependerá de uma questão. A senhora se lembra do que discutimos antes de eu partir? Nasuada mordeu os lábios.
— Claro que me lembro, Eragon. Eu... — Ela desviou o olhar para o lado da imagem e ouviu quando um homem dirigiu-lhe a palavra, sua voz um murmúrio ininteligível para Eragon e Saphira. Retornando sua atenção para os dois, Nasuada disse: — O pelotão do capitão Edric acaba de voltar. Parece que sofreram muitas baixas, mas nossos sentinelas dizem que Roran sobreviveu. — Ele está ferido? — quis saber Eragon. — Você saberá assim que eu descobrir. Mas eu não me preocuparia muito. Roran tem a sorte de um... — Mais uma vez, a voz de uma pessoa oculta distraiu Nasuada, e ela desapareceu de vista. Eragon se inquietou enquanto esperava. — Minhas desculpas — disse Nasuada, seu semblante reaparecendo na bacia. — Estamos nos aproximando de Feinster, e estamos tendo de combater grupos de soldados desordeiros que lady Lorana envia da cidade para nos atacar... Eragon, Saphira, precisamos de vocês para essa batalha. Se o povo de Feinster só enxergar homens, anões e Urgals reunidos do lado de fora de seus muros, poderão acreditar que têm uma chance de manter a cidade, e lutarão com muito mais afinco por causa disso. Eles não podem manter Feinster, é claro, mas ainda necessitam perceber isso. Entretanto, se virem um dragão e um Cavaleiro liderando os ataques, perderão a vontade de lutar. — Mas... Nasuada ergueu a mão, cortando a fala de Eragon. — Existem também outras razões para vocês retornarem. Em decorrência de meus ferimentos no Desafio das Facas Longas, não posso cavalgar na batalha com os Varden, como costumava fazer. Preciso que você tome o meu lugar, Eragon, para garantir que meus comandos sejam obedecidos a contento e também para amparar os espíritos de nossos guerreiros. E mais, boatos de sua ausência já estão circulando pelo acampamento, apesar de todos os nossos esforços para evitá-los. Se Murtagh e Thorn nos atacarem diretamente em consequência disso, ou se Galbatorix os enviar para reforçar Feinster... bem, mesmo com os elfos ao nosso lado, duvido que possamos resistir a eles. Sinto muito, Eragon, mas não posso permitir que volte para Ellesméra agora. É muito perigoso. Eragon pressionou suas mãos contra a borda da fria mesa de pedra sobre a qual estava a bacia. — Por favor, Nasuada. Se não agora, então quando?
— Breve. Você precisa ter paciência.
— Breve. — Ele respirou fundo, apertando a mesa com mais força ainda. — Mas quando exatamente? Nasuada franziu o cenho. — Você não pode esperar que eu saiba quando. Primeiro devemos tomar Feinster, depois assegurar o campo, e então... — E então a senhora pretende marchar em direção a Belatona ou Dras-Leona, e então a Urû’baen — interrompeu Eragon. Nasuada tentou responder, mas ele não lhe deu uma oportunidade. — E quanto mais próximo chegar de Galbatorix, mais provável será que Murtagh e Thorn a ataquem, ou quem sabe o próprio rei, e a senhora ficará mais relutante ainda de nos deixar ir... Nasuada, Saphira e eu não possuímos a habilidade, o conhecimento nem a força para matar Galbatorix. A senhora sabe disso! Galbatorix poderia encerrar essa guerra a qualquer momento se estivesse disposto a sair de seu castelo e enfrentar os Varden diretamente. Nós ternos de conversar novamente com nossos mestres. Eles podem nos dizer de onde vem o poder de Galbatorix, e talvez sejam capazes de nos mostrar um ou dois truques que nos permitam derrotá-lo. Nasuada olhou para baixo, estudando as mãos. — Thorn e Murtagh poderiam nos destruir enquanto vocês estivessem longe. — E se nós não formos, Galbatorix nos destruirá quando chegarmos a Urû’baen... A senhora não poderia esperar alguns dias antes de atacar Feinster? — Nós poderíamos, mas quanto mais dias ficarmos acampados fora da cidade, mais vidas perderemos. — Nasuada esfregou as têmporas com as mãos. — Você está pedindo muito em troca de uma recompensa incerta, Eragon. — A recompensa pode ser incerta — disse ele —, mas nossa destruição é inevitável a menos que tentemos isso.
— Será? Não estou tão certa disso. Ainda assim... — Por um tempo desconfortavelmente longo, Nasuada ficou em silêncio, olhando para a borda da imagem. Então, balançou uma vez a cabeça, como se confirmando algo para si mesma: — Posso adiar nossa chegada a Feinster por dois ou três dias. Há diversas cidades na área que podemos tomar antes. Assim que chegarmos lá, poderei passar outros dois ou três dias mandando os Varden construírem os equipamentos para o sítio e prepararem fortificações. Ninguém achará estranho. Depois disso, porém, terei de seguir para Feinster, porque simplesmente precisaremos de suprimentos. Um exército parado em território
inimigo é um exército que passa fome. Posso lhe dar no máximo seis dias, mas talvez somente quatro. À medida que ela falava, Eragon fazia vários cálculos rápidos. — Quatro dias não serão suficiente — retrucou ele — e seis talvez também não sejam. Saphira levou três dias para voar até Farthen Dûr, e isso sem parar para dormir e sem carregar meu peso. Se os mapas que tenho são confiáveis, é pelo menos tão distante daqui a Ellesméra, talvez mais distante ainda, e mais ou menos a mesma distância de Ellesméra até Feinster. E comigo nas costas, Saphira não será capaz de cobrir a distância com tanta rapidez. Não, não serei capaz, Saphira disse a ele. Eragon prosseguiu: — Mesmo nas circunstâncias mais favoráveis, levaríamos uma semana para alcançá-la em Feinster, e isso se não permanecêssemos nem um segundo em Ellesméra. Uma expressão de profunda exaustão atravessou o rosto de Nasuada. — Vocês têm de voar mesmo até Ellesméra? Não seria suficiente uma cristalomancia com seus mentores uma vez que tenham ultrapassado as proteções ao longo da borda de Du Weldenvarden? O tempo que ganhariam poderia ser crucial. — Não sei. Podemos tentar. Nasuada fechou os olhos por um momento. Com uma voz rouca, ponderou: — Talvez eu possa adiar nossa chegada a Feinster por quatro dias... Vá para Ellesméra ou não vá; deixo a decisão para você. Se for, então fique o tempo que for necessário. Você está certo; a menos que encontre um meio de derrotar Galbatorix, não temos nenhuma esperança de vitória. Mesmo assim, não se esqueça do tremendo risco que assumiremos, das vidas dos Varden que sacrificarei para ganhar esse tempo para você e de quantos Varden morrerão se sitiarmos Feinster sem você. Soturno, Eragon assentiu com a cabeça. — Não me esquecerei.
Espero que não. Agora vá! Não perca mais tempo! Voe! Voe! Voe mais rápido do que um falcão mergulhando, Saphira, e não deixe nada atrapalhar você. — Nasuada tocou as pontas dos dedos nos lábios e então pressionou a superfície invisível do espelho, onde ele sabia que ela estava vendo a imagem
móvel dele e de Saphira. — Sorte em sua jornada, Eragon. Saphira. Se nos encontrarmos novamente, temo que será no campo de batalha. Então, ela saiu de vista às pressas, e Eragon liberou seu encanto e a água na bacia clareou.

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Boa leitura :)