24 de junho de 2017

Capítulo 40 - Perguntas não respondidas

Eragon procurou no Domia abr Wyrda até encontrar a referência
a Kuthian, no capítulo doze. Mas, para sua desilusão, tudo o
que dizia era que Kuthian fora um dos primeiros Cavaleiros a
explorar a Ilha de Vroengard.
Depois, fechou o livro e ficou a olhá-lo, passando o dedo por
uma nervura ao longo da lombada. Solembum estava também em
silêncio, no catre.
— Achas que o Cofre das Almas contém espíritos? — perguntou
Eragon.
Os espíritos não são as almas dos mortos.
— Não, mas o que mais poderiam ser?
Solembum levantou-se de onde estivera sentado e espreguiçouse,
produzindo uma onda de movimento ao longo do dorso, desde
a cabeça à cauda.
Se souberes, eu gostaria que me contasses o que descobristes.
— Achas que Saphira e eu deveríamos lá ir?
Eu não posso dizer-te o que deves fazer. Se for uma armadilha,
significa que toda a minha raça foi dominada e escravizada sem o
saber. E que é preferível que os Varden se rendam agora, pois
nunca conseguirão ser mais espertos do que Galbatorix. Se não for,
poderá ser uma oportunidade de conseguirmos ajuda num local
onde nunca julgávamos poder obter. Não faço ideia. Tens de
decidir por ti se vale a pena aproveitar a oportunidade. No que me
diz respeito, já tenho que chegue desse mistério.
Saltou do catre e encaminhou-se para a abertura da tenda, onde
parou e olhou para Eragon. Há muitas forças estranhas em
Alagaësia, Matador de Espectros. Eu vi coisas em que é difícil
acreditar: redemoinhos de luz a girarem em cavernas, muitos metros
abaixo do chão, homens que rejuvenescem, pedras que falam e
sombras que se movem. Salas maiores por dentro do que por
fora... Galbatorix não é o único poder no mundo, e poderá nem
ser o maior. Usa o bom senso, Matador de Espectros, e se
decidires ir, vai com cuidado.
Dito isto, o menino-gato esgueirou-se para fora da tenda e
desapareceu na escuridão.
Eragon respirou fundo e recostou-se. Sabia o que tinha de fazer.
Tinha de ir a Vroengard, mas não podia tomar essa decisão sem
primeiro consultar Saphira.
Tocando-lhe levemente com a mente, acordou-a e, depois de
lhe assegurar que não se passava nada de errado, partilhou com ela
as memórias da visita de Solembum.
Ela ficou tão atónita quanto ele e quando Eragon terminou, disse:
Não me agrada a ideia de ser a marioneta de quem encantou os
meninos-gatos.
A mim também não, mas que alternativa temos? Se Galbatorix
estiver por trás disto, estaremos a entregar-nos às suas mãos, mas
se não formos será exatamente isso que estaremos a fazer, quando
chegarmos a Urû’baen.
A diferença é que teríamos os Varden e os Elfos connosco.
Isso é verdade.
Ficaram em silêncio, durante algum tempo, e depois Saphira
disse:
Concordo, concordo. Devemos ir. Precisamos de garras mais
longas e dentes mais aguçados, se quisermos vencer Galbatorix e
Shruikan, para além de Murtagh e Thorn. Por outro lado,
Galbatorix espera que partamos de imediato para Urû’baen, na
esperança de resgatar Nasuada e, se há coisa que me dá
comichões nas escamas, é fazer o que os nossos inimigos esperam.
Eragon acenou com a cabeça.
E se isto for uma armadilha?
Ouviu-se um rosnido suave do exterior da tenda.
Nesse caso, ensinaremos quem a planeou, assim como
ensinaremos a temer o nosso nome, mesmo que seja Galbatorix.
Eragon sorriu. Era a primeira vez que se sentia determinado a
agir, desde o rapto de Nasuada. Ali estava algo que poderiam fazer
— um meio através do qual seria possível alterar o desenrolar dos
acontecimentos, em vez de ficarem ali parados como observadores
passivos.
— Então está bem — murmurou ele.
Arya chegou à tenda escassos segundos depois de ele a
contactar. A rapidez intrigou-o, até ela lhe explicar que tinha estado
de guarda com Blödhgarm e os outros elfos, para o caso de
Murtagh e Thorn voltarem.
Depois, Eragon comunicou mentalmente com Glaedr,
persuadindo-o a reunir-se à conversa, embora o dragão estivesse
rabugento e pouco disposto a falar.
Logo que os quatro se uniram mentalmente — incluindo Saphira —
Eragon disse num tom arrebatado:
Eu sei onde fica o Rochedo de Kuthian!
Que rochedo é esse?, resmungou Glaedr, num tom amargo.
O nome não me é estranho, disse Arya, mas não consigo situálo.
Eragon franziu a sobrancelha, pois ambos já o tinham ouvido falar
do conselho de Solembum. Esquecê-lo não parecia próprio de
nenhum deles.
Ainda assim, Eragon repetiu a história do seu encontro com
Solembum em Teirm. Depois, transmitiu-lhes as mais recentes
revelações do menino-gato e leu-lhes a passagem do Domia abr
Wyrda.
Arya prendeu uma madeixa de cabelo por trás das orelhas
pontiagudas e disse, em simultâneo, com a mente e a voz:
— Diz lá outra vez como se chama o local?
— ... Pináculo de Moraeta ou Rochedo de Kuthian — respondeu
Eragon, hesitando, surpreendido com a pergunta dela. — É um
longo voo, mas...
... se Eragon e eu partirmos de imediato... disse Saphira.
... poderemos ir e vir...
... antes de os Varden chegarem a Urû’baen. Esta...
... é a única oportunidade que teremos de lá ir.
Não teremos tempo...
... de fazer a viagem mais tarde.
Mas para onde iriam voar?, perguntou Glaedr.
O que... o que queres dizer com isso?
Exatamente o que disse, rosnou o dragão, e o seu campo mental
ensombrou-se. Apesar de estares para aí a taraguelar, ainda não
nos disseste onde fica esse... local misterioso.
— Disse pois! — disse Eragon, estupefato. — Fica na Ilha de
Vroengard!
Finalmente, uma resposta direta...
Arya franziu a sobrancelha.
— Mas o que irias fazer a Vroengard?
— Não sei! — respondeu Eragon, cada vez mais irritado,
ponderando se deveria confrontar Glaedr pelos seus comentários.
O dragão parecia estar a provocar Eragon deliberadamente. —
Depende do que encontrarmos. Logo que lá chegarmos,
tentaremos abrir o Rochedo de Kuthian e descobrir os segredos
que contém. Se for uma armadilha... — encolheu os ombros —
lutaremos.
Arya tinha uma expressão cada vez mais apreensiva.
— O Rochedo de Kuthian... o nome parece carregado de
significado, mas não sei dizer porquê. Ecoa-me na mente como
uma canção que em tempos soube mas que acabei por esquecer. —
Abanou a cabeça e levou as mãos às têmporas. — Ah, agora perdime...
— E olhou para cima. — Desculpem, de que estávamos a
falar?
— Ir a Vroengard — disse Eragon, lentamente.
— Ah, sim... mas com que propósito? você és preciso aqui,
Eragon. De qualquer forma, já não há nada de valor em Vroengard.
Pois, disse Glaedr, é um local morto e abandonado. Depois da
destruição de Doru Araeba, os poucos dragões que escaparam,
voltaram lá para ver se encontravam algo de útil, mas os Renegados
já tinham limpado as ruínas.
Arya acenou com a cabeça.
— Antes de mais, quem é que te meteu essa ideia na cabeça?
Não entendo como é possível que aches sensato abandonar os
Varden agora que estão mais vulneráveis do que nunca. E para
quê? Para voar até aos confins de Alagaësia sem qualquer motivo
nem causa aparente? Tinha-te em melhor conta... Não podes partir
só porque te sentes desconfortável com a tua nova posição,
Eragon.
Eragon desligou a sua mente de Arya e de Glaedr, e fez sinal a
Saphira para que fizesse o mesmo.
Eles não se lembram!... Eles não conseguem lembrar-se!
É magia. Magia profunda, como o feitiço que oculta os nomes
dos dragões que traíram os Cavaleiros.
Mas você não te esqueceste do Rochedo de Kuthian, pois não?
Claro que não, responde Saphira, verde de ressentimento.
Como poderia esquecê-lo, estando nós tão intimamente ligados?
Uma sensação de vertigem apossou-se de Eragon, ao refletir nas
implicações daquilo.
Para ser eficaz, o feitiço teria de apagar as memórias de todos
os que soubessem da existência do rochedo e também as memórias
de qualquer um que ouvisse falar dele ou lesse sobre o assunto, o
que significa... que todos em Alagaësia estão sob o domínio deste
encantamento. Ninguém lhe pode escapar.
Exceto nós.
Excepto nós, anuiu Eragon, e os meninos-gatos.
E talvez Galbatorix.
Eragon estremeceu. Era como se tivesse aranhas de cristal a
rastejarem-lhe ao longo da espinha. A dimensão do logro
assombrava-o e fazia-o sentir-se pequeno e vulnerável. Confundir a
mente de Elfos, Anões, humanos e dragões, sem levantar a mínima
suspeita, era uma proeza tão difícil que ele duvidava que fosse fruto
do uso deliberado de magia. Só por instinto se conseguiria isso, na
medida em que o feitiço seria demasiado complicado de transpor
em palavras.
Ele tinha de saber quem manipulara todas as mentes em
Alagaësia e porquê. Se fosse Galbatorix, Solembum tinha razão e a
derrota dos Varden seria inevitável.
Achas que isto foi obra de dragões, tal como a Proibição dos
Nomes?, perguntou ele.
Saphira demorou algum tempo a responder:
Talvez. Mas como Solembum te disse, há muitos poderes em
Alagaësia. Enquanto não formos a Vroengard não teremos a
certeza, nem de uma coisa nem de outra.
Se é que alguma vez vamos ter.
Sim.
Eragon passou os dedos pelo cabelo e, de repente, sentiu-se
extraordinariamente cansado.
“Porque tem tudo de ser tão difícil?”, pensou ele.
Porque toda a gente quer comer, disse Saphira, mas ninguém
quer ser comido.
Eragon roncou, sorrindo amargamente.
Apesar da rapidez com que ele e Saphira conseguiam trocar
pensamentos, a conversa alongou-se tempo suficiente para que
Arya e Glaedr tivessem reparado.
— Porque te fechaste para nós? — perguntou Arya, desviando o
olhar para uma das paredes da tenda, a mais próxima do local onde
Saphira estava enroscada na escuridão. — Há algum problema?
Pareces perturbado, acrescentou Glaedr.
Eragon conteve uma gargalhada seca.
— Talvez esteja mesmo. — Arya olhou-o apreensiva, vendo-o
aproximar-se do catre, sentar-se junto deste e deixar cair os braços
entre as pernas.
Eragon ficou em silêncio por instantes, enquanto mudava da sua
língua nativa para a língua dos Elfos e da magia, e disse então:
— Confias em mim e em Saphira?
Felizmente, a pausa que se seguiu foi breve.
— Confio — respondeu Arya, também na língua antiga.
Eu também, disse Glaedr da mesma forma.
Digo eu ou dizes tu? perguntou Eragon a Saphira.
Se queres dizer-lhes, diz.
Eragon olhou para Arya, dirigindo-se depois a ambos ainda na
língua antiga:
— Solembum revelou-me o nome de um lugar em Vroengard
onde Saphira e eu poderemos encontrar alguém ou algo que nos
ajude a derrotar Galbatorix. Porém, o nome está encantado e
sempre que o digo, vocês esquecem-no pouco depois. — Arya
ficou com um ar ligeiramente incrédulo. — Acreditas em mim?
— Acredito — disse Arya, pausadamente.
Eu estou convencido de que acreditas no que você está a dizer,
rosnou Glaedr, mas isso não significa que as coisas sejam
exatamente como dizes.
— Que mais posso fazer para o provar? Se eu vos disser o nome
ou partilhar as minhas memórias convosco vocês vão esquecer.
Poderiam perguntar a Solembum, mas de que valeria?
De que valeria? Para começar, poderíamos comprovar que não
foste enganado por algo que parecia ser Solembum. Quanto ao
feitiço, deve haver uma forma de demonstrar que existe. Chama o
menino-gato e veremos o que se pode fazer.
Importas-te?, perguntou Eragon a Saphira, pois achava mais
provável que o menino-gato viesse se fosse ela a pedir-lhe.
Pouco depois, sentiu-a projetar a mente pelo acampamento e
passados alguns instantes apercebeu-se do toque da consciência de
Solembum na sua mente. Depois de uma breve comunicação
silenciosa entre ambos, Saphira anunciou:
Ele vem a caminho.
Esperaram em silêncio. Eragon olhava para as mãos, compilando
mentalmente a lista de provisões necessárias para a viagem a
Vroengard.
Quando Solembum afastou as palas da tenda e entrou, Eragon
ficou surpreendido ao ver que ele assumira a forma humana: tinha a
figura de um jovem insolente, de olhos escuros. O menino-gato
trazia uma perna de ganso assado na mão esquerda e estava a roêla.
Um anel de gordura cobria-lhe os lábios e o queixo, e tinha o
peito nu salpicado de molho.
Enquanto mastigava uma tira de carne, Solembum apontou com
o queixo pontiagudo para a extensão de terra onde estava
enterrado o coração dos corações de Glaedr:
O que queres, espirra-fogo? perguntou ele.
Quero saber se és quem pareces ser! disse Glaedr. A
consciência do dragão pareceu cercar Solembum, pressionando-o
como um amontoado de nuvens negras em torno de uma chama
brilhante, fustigada pelo vento. A força do dragão era imensa e
Eragon sabia, por experiência, que poucos conseguiam resistir-lhe.
Solembum cuspiu a carne com um uivo gutural e saltou para trás
como se tivesse pisado uma víbora. Depois ficou onde estava,
trémulo com o esforço, arreganhando os dentes aguçados com
tamanha fúria nos seus olhos amarelados, que Eragon levou a mão
ao punho de Brisingr, por precaução. A chama enfraqueceu mas
manteve-se, como um ponto incandescente de luz num mar revolto
de nuvens de trovoada.
Um minuto depois, a tempestade acalmou e as nuvens recuaram,
embora não desaparecessem por completo.
As minhas desculpas, menino-gato, disse Glaedr, mas tinha de
ter a certeza.
Solembum bufou e o cabelo eriçou-se, dando-lhe a aparência de
uma flor de cardo. Se ainda tivesses o corpo, ansião, cortava-te a
cauda por isto.
Tu, meu gatinho? Mal conseguirias arranhar-me.
Solembum voltou a bufar. Deu meia-volta e encaminhou-se
silenciosamente para a entrada da tenda, de ombros arqueados até
às orelhas.
Espera, disse Glaedr. Falaste a Eragon desse local em
Vroengard, esse local de segredos de quem ninguém se consegue
lembrar?
O menino-gato deteve-se e sacudiu a perna de ganso por cima
da cabeça, num gesto displicente de impaciência, dizendo sem se
virar:
Falei.
E falaste-lhe na página do Domia abr Wyrda na qual ele
descobriu onde ficava esse lugar?
É o que parece, mas eu não me lembro, e espero que o que lá
estiver te chamusque os bigodes e te queime as patas.
A pala da entrada ondulou ruidosamente, ao afastá-la, e o
pequeno corpo de Solembum diluiu-se nas sombras como se nunca
tivesse existido.
Eragon levantou-se e empurrou, com a biqueira da bota, um
pedaço de carne mastigada para fora da tenda.
— Não devias ter sido tão duro com ele — disse Arya.
Não tinha alternativa, disse Glaedr.
— Ah não? Podias ter-lhe pedido licença, antes.
E dar-lhe hipótese de se preparar? Não. Está feito. Deixa, Arya.
— Não posso. Ele ficou com o orgulho ferido. Deverias tentar
apaziguá-lo. É perigoso ter um menino-gato como nosso inimigo.
Mais perigoso é ter um dragão como inimigo. Deixa, jovem elfo.
Eragon trocou um olhar preocupado com Arya. O tom de
Glaedr incomodava-o — e a ela também, pelos vistos — mas não
sabia o que fazer em relação a isso.
Bom, Eragon, disse o dragão dourado, não te importas que eu
analise as memórias da tua conversa com Solembum?
— Se quiseres, mas... porquê? Vais acabar por esquecer tudo.
É possível. E daí talvez não. Veremos. Dirigindo-se a Arya,
Glaedr disse: separa a tua mente da nossa e não permitas que as
memórias de Eragon contaminem a tua consciência.
— Como queiras, Glaedr-elda. — Ao falar, a música na mente de
Arya foi ficando mais distante e, momentos depois, os misteriosos
cânticos cessaram.
Depois, Glaedr concentrou a sua atenção em Eragon.
Mostra-me, ordenou ele.
Ignorando a sua agitação, Eragon projetou a sua mente para o
momento em que Solembum chegara à tenda e saltara para cima do
catre, recordando cuidadosamente tudo o que acontecera entre
ambos, daí em diante. A consciência de Glaedr misturou-se com a
de Eragon, para que o dragão pudesse reviver as experiências
juntamente com ele. Era uma sensação inquietante, como se ele e o
dragão fossem duas imagens gravadas do mesmo lado de uma
moeda.
Quando terminou, Glaedr retirou-se parcialmente da mente de
Eragon, dizendo a Arya:
Quando eu me esquecer, se me esquecer, repete-me as
seguintes palavras: “Andumë e Fíronmas na colina das mágoas e a
sua carne como vidro”. Eu conheço esse local em Vroengard, ou
conheci em tempos. Era algo de importante, algo... Os
pensamentos do dragão toldaram-se por instantes, como se uma
camada de nevoeiro varresse as colinas e os vales do seu ser,
ocultando-as. Então? perguntou ele enfaticamente, recuperando a
anterior postura de brusquidão. Porque esperamos? Eragon,
mostra-me as tuas memórias.
— Já mostrei.
Quando o mau humor de Glaedr deu lugar à incredibilidade,
Arya disse:
— Glaedr, lembra-te: “Andumë e Fíronmas na colina das mágoas
e a sua carne como vidro”.
Como é que... começou Glaedr por dizer, rosnando tão
violentamente que Eragon quase esperou ouvir o som alto. Grrr.
Detesto feitiços que interferem com a memória. São a pior forma
de magia. Acabam sempre por gerar o caos e a confusão. Metade
das vezes, termina com membros da família a matarem-se uns aos
outros, sem darem por isso.
O que significa a frase que usaste? perguntou Saphira.
Nada, a não ser para mim e Oromis. Mas a ideia era essa;
ninguém perceber, a menos que eu explicasse.
Arya suspirou:
— Então o feitiço é real. Nesse caso, acho que terás de ir a
Vroengard. Seria uma loucura ignorar algo desta importância.
Precisamos, pelo menos, de saber quem é a aranha que está no
centro desta teia.
Eu também irei, disse Glaedr. Se alguém te quiser fazer mal,
talvez não espere ter de lutar com dois dragões em vez de apenas
um. Seja como for, vais precisar de um guia. Vroengard tornou-se
um local perigoso desde a destruição dos Cavaleiros e eu não
poderia permitir que caísses nas teias de um malefício esquecido.
Eragon hesitou, ao reparar numa certa ânsia no olhar de Arya, e
percebeu que ela também queria ir.
— Saphira voará mais depressa se tiver de transportar apenas
uma pessoa — disse ele, brandamente.
— Eu sei... Sempre desejei visitar o lar dos Cavaleiros.
— Tenho a certeza de que o visitarás, um dia.
Ela acenou com a cabeça.
— Um dia.
Eragon procurou reunir energias durante um momento e refletir
em tudo o que teria de fazer, antes de partir com Saphira e Glaedr.
Depois respirou fundo e levantou-se do catre.
— Capitão Garven! — chamou. — Importa-se de se reunir a nós?

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