3 de junho de 2017

Capítulo 34 - Glûmra

Centenas de metros abaixo de Tronjheim, a pedra se abria numa caverna de alguns quilômetros de comprimento, com um lago negro de águas paradas e profundidade desconhecida, ao longo de um lado, e uma praia de mármore, do outro. Estalactites marrons e cor de marfim gotejavam do teto, estalagmites subiam agressivas do chão, e em alguns lugares as duas se juntavam formando colunas volumosas de circunferência maior do que a das maiores árvores em Du Weldenvarden.
Espalhados entre as colunas havia montes de estéreo juncados de cogumelos, bem como vinte e três cabanas baixas de pedra. Uma lanterna sem chamas refulgia como ferro em brasa junto de cada porta. Fora do alcance das lanternas, as sombras predominavam. Dentro de uma cabana, Eragon estava sentado em uma cadeira pequena demais, a uma mesa de granito não mais alta que seus joelhos. O cheiro de queijo macio de cabra, cogumelos fatiados, levedura, ensopado, ovos de pomba e poeira de carvão impregnava o ar.
Diante dele, Glûmra, uma anã da Família de Mord, ela que era a mãe de Kvîstor, o membro da guarda de Eragon que fora morto, se lamuriava, puxava o cabelo e batia no peito com os punhos cerrados. Trilhas reluzentes marcavam o caminho das lágrimas no rosto gorducho. Os dois estavam sozinhos na cabana. Os quatro guardas de Eragon – número completado por Thrand, um guerreiro do séquito de Orik – estavam esperando do lado de fora, junto com Hûndfast, o tradutor que Eragon havia dispensado da cabana assim que soube que Glûmra falava sua língua.
Depois do atentado contra sua vida, o Cavaleiro entrara em contato mental com Orik, que nesse momento insistira para que Eragon corresse à maior velocidade possível para os aposentos do Ingeitum, onde estaria a salvo de quaisquer outros assassinos. Ele obedecera e lá permanecera enquanto Orik forçava o conselho de clãs a entrar em recesso até a manhã do dia seguinte, com a desculpa de uma emergência interna no clã que exigia sua atenção imediata.
Com seus guerreiros mais robustos e seu feiticeiro mais experiente, Orik seguiu então para o local da emboscada, que examinaram e registraram por meios tanto mágicos como leigos. Uma vez satisfeito de que tinham descoberto tudo o que era possível, Orik voltou às pressas para seus aposentos, onde conversou com Eragon.
— Temos muito a fazer em pouco tempo. Antes que o conselho de clãs reinicie os trabalhos na terceira hora da manhã de amanhã, precisamos tentar estabelecer, sem a menor sombra de dúvida, quem ordenou o ataque. Se conseguirmos, teremos uma vantagem a usar contra eles. Se não conseguirmos, estaremos nos debatendo no escuro, sem saber quem são nossos inimigos. Podemos manter o ataque em segredo até o conselho de clãs, mas só até esse momento. Knurlan terão ouvido ecos da luta por toda parte nos túneis abaixo de Tronjheim; e, mesmo agora, sei que devem estar procurando a causa da perturbação, por recearem que possa ter ocorrido um desmoronamento ou catástrofe semelhante que abalasse as fundações da cidade mais acima. — Orik bateu os pés e amaldiçoou os antepassados de quem quer que enviara os assassinos. Então, pôs os punhos nos quadris e prosseguiu: — Uma guerra entre clãs já nos ameaçava, mas agora ela está aqui, à nossa porta. Precisamos agir rápido se quisermos evitar esse destino medonho. Há knurlan a encontrar, perguntas a formular, ameaças a fazer, suborno a oferecer e pergaminhos a roubar... tudo isso antes que amanheça.
— E eu? — perguntou Eragon.
— Você deve permanecer aqui até descobrirmos se Az Sweldn rak Anhûin ou algum outro clã tem uma força ainda maior reunida em outro lugar para matá-lo. Além disso, quanto mais tempo pudermos esconder dos agressores se você está vivo, morto ou ferido, mais tempo teremos para mantê-los inseguros quanto à solidez do chão onde pisam.
De início, Eragon concordou com a proposta de Orik, mas, enquanto observava o anão se alvoroçar dando ordens, começou a se sentir cada vez mais inquieto e indefeso. Por fim, pegou Orik pelo braço.
— Se eu tiver de ficar aqui sentado olhando para a parede enquanto você procura os bandidos que me atacaram, vou ranger os dentes até não restar nenhum. Deve haver alguma coisa que eu possa fazer para ajudar... E Kvîstor? Alguém de sua família mora em Tronjheim? Alguém já lhes comunicou sua morte? Porque, se isso ainda não ocorreu, eu gostaria de ser o mensageiro da notícia, pois foi a mim que ele estava defendendo quando morreu.
Orik perguntou aos guardas; e com eles descobriu que Kvîstor de fato tinha família em Tronjheim ou, de modo mais preciso, nos subterrâneos de Tronjheim. Quando ouviu a informação, Orik franziu o cenho e resmungou uma palavra estranha na língua dos anões.
— São moradores das profundezas — disse ele —, knurlan que abandonaram a superfície da terra em troca do mundo subterrâneo, a não ser por uma ou outra incursão mais acima. É maior o número deles que mora aqui, abaixo de Tronjheim e Farthen Dûr, do que de qualquer outro local, porque podem sair em Farthen Dûr e não se sentir como se estivessem realmente do lado de fora, sensação que a maioria deles não consegue tolerar por estarem tão acostumados a espaços confinados. Eu não sabia que Kvîstor pertencia a eles.
— Você se importaria se eu fosse visitar a família? — perguntou Eragon. — Entre esses aposentos há escadas que levam para baixo, certo? Nós poderíamos sair sem que ninguém desse conta.
Orik pensou um pouco e então concordou.
— Você tem razão. O caminho é bastante seguro, e ninguém pensaria em procurar por você entre os moradores das profundezas. Viriam aqui primeiro, e aqui iriam encontrá-lo se você não for... Vá então e não volte enquanto eu não mandar um mensageiro chamá-lo, mesmo que a família de Mord lhe feche a porta e você precise se sentar numa estalagmite para esperar o amanhecer. Mas, Eragon, trate de ser cauteloso. Os moradores das profundezas são muito reservados em sua maioria. E são extremamente suscetíveis em questões de honra, além de terem costumes estranhos só deles. Pise com cuidado, como se estivesse andando num piso podre.
E assim, com Thrand se somando aos seus guardas, e Hûndfast como companhia e com uma espada curta dos anões presa num cinto – Eragon foi até a escada de descida mais próxima e, seguindo por ela, desceu mais fundo nas entranhas da terra do que jamais fizera. E com o tempo encontrou Glûmra e a informou do falecimento de Kvîstor. E agora ele estava ali, sentado, ouvindo enquanto ela chorava a morte do filho, alternando entre uivos sem palavras e fragmentos na língua dos anões entoados num obsessivo tom dissonante.
Constrangido pela violência da tristeza de Glûmra, Eragon desviou o olhar do seu rosto. Olhou para o fogão de pedra-sabão verde que estava encostado numa parede e para os entalhes desgastados de desenho geométrico que adornavam suas bordas. Examinou o tapete verde e marrom estendido diante da lareira, a batedeira de manteiga num canto e os mantimentos suspensos das vigas do teto. Contemplou também o tear de madeira pesada que ficava abaixo de uma janela redonda com vidraças lilás. Depois, no auge das lamúrias, Glûmra atraiu o olhar de Eragon quando se levantou da mesa, foi até o balcão e pôs a mão esquerda na tábua de cortar carne. Antes que Eragon pudesse impedi-la, ela apanhou uma faca de trinchar e decepou a primeira articulação do dedo mínimo. Deu um gemido e se dobrou ao meio.
Eragon deu um meio salto, com uma exclamação involuntária. Perguntava-se que loucura tinha dominado a anã e se ele deveria tentar refreá-la para que ela não se ferisse outra vez. Abriu a boca para perguntar se ela queria que ele curasse o ferimento, mas pensou bem, lembrando-se das advertências de Orik a respeito dos estranhos costumes dos moradores das profundezas e de seu forte senso de honra. Ela poderia considerar o oferecimento um insulto.
Fechando a boca, sentou-se de volta na pequena cadeira. Daí a um minuto, Glûmra saiu da posição encurvada e se esticou, respirou fundo e então, em silêncio e com calma, lavou com conhaque a ponta ferida do dedo, besuntou-a com um unguento amarelo e envolveu o ferimento com um curativo. Com o rosto de lua ainda pálido com o choque, ela se deixou sentar na cadeira diante de Eragon.
— Sou-lhe grata, Matador de Espectros, por me trazer em pessoa notícias do destino do meu filho. Fico feliz por saber que ele morreu de modo admirável, como um guerreiro deveria morrer.
— Ele foi de uma bravura imensa — disse Eragon. — Podia ver que nossos inimigos eram velozes como elfos e, ainda assim, saltou à frente para me proteger. Seu sacrifício me concedeu tempo para fugir das espadas e também revelou o perigo dos sortilégios que foram lançados nas armas do inimigo. Se não fosse por seus atos, duvido que eu estivesse aqui agora.
Glûmra assentiu em silêncio, com os olhos baixos, e alisou a frente do vestido.
— Você sabe quem foi o responsável pelo ataque ao nosso clã, Matador de Espectros?
— Temos somente suspeitas. Neste exato momento, grimstborith Orik está tentando determinar a verdade.
— Será que foi Az Sweldn rak Anhûin? — perguntou Glûmra, surpreendendo Eragon com a sagacidade do palpite. Ele fez o maior esforço para disfarçar sua reação. Como permaneceu calado, ela prosseguiu: — Todos nós sabemos da hostilidade profunda deles contra você, Argetlam. Todo knurla nestas montanhas sabe. Alguns de nós encararam com aprovação a oposição deles a você; mas, se pensaram em chegar a matá-lo, avaliaram a situação de um ponto de vista totalmente equivocado e com isso se condenaram.
— Se condenaram? Como? — Eragon ergueu uma sobrancelha, interessado.
— Foi você, Matador de Espectros, que matou Durza e assim nos permitiu salvar Tronjheim e as habitações subterrâneas das garras de Galbatorix. Nossa raça jamais se esquecerá disso enquanto Tronjheim continuar de pé. Além disso, chegou um rumor pelos túneis de que seu dragão vai consertar Isidar Mithrim?
Eragon confirmou.
— É uma bela atitude, Matador de Espectros. Você fez muito pela nossa raça; e não importa qual tenha sido o clã que o atacou, nós nos voltaremos contra eles e nos vingaremos.
— Jurei diante de testemunhas — disse Eragon — e juro também diante de você que hei de punir quem quer que tenha mandado aqueles assassinos traiçoeiros e que farei com que desejem nunca ter pensado num ato tão imundo. Contudo...
— Obrigada, Matador de Espectros.
Eragon hesitou e então inclinou a cabeça.
— Contudo, não devemos fazer nada que possa detonar uma guerra entre os clãs. Não agora. Se formos usar a força, grimstborith Orik deveria decidir quando e onde sacaremos a espada, você não concorda?
— Vou pensar no que você disse, Matador de Espectros — respondeu Glûmra. — Orik é... — O que quer que ela fosse dizer em seguida ficou preso na boca. Suas pálpebras pesadas caíram, e ela se inclinou para a frente por um instante, apertando a mão mutilada no abdome. Passada a crise, ela se endireitou, levou o dorso da mão à bochecha oposta e balançou de um lado para outro, gemendo. — Ai, meu filho... meu lindo filho.
Em pé, ela cambaleou em torno da mesa, dirigindo-se para uma pequena coleção de espadas e machados exposta na parede atrás de Eragon, junto de um nicho coberto por uma cortina de seda vermelha. Receando que ela pretendesse causar mais ferimentos em si mesma, Eragon ficou em pé, de um salto, derrubando com a pressa a cadeira de carvalho. Ele estendeu o braço para segurá-la e então viu que ela estava se encaminhando para o nicho cortinado, não para as armas, e recolheu seu braço antes que a ofendesse de algum modo.
As argolas de latão costuradas no alto do cortinado de seda soaram ruidosas quando Glûmra afastou o tecido de lado e expôs uma prateleira funda e sombreada, entalhada com runas e formas em detalhes tão fantásticos que Eragon poderia ficar horas olhando para elas e ainda assim não poderia captá-las por inteiro. Na prateleira de baixo, estavam estátuas dos seis deuses principais dos anões bem como de outras nove entidades, com as quais Eragon não estava familiarizado, todas esculpidas com posturas e feições exageradas para melhor transmitir a personalidade do ser retratado.
Glûmra retirou de dentro do corpete um amuleto de ouro e prata, que beijou e depois encostou na reentrância do pescoço enquanto se ajoelhava diante do nicho. Com a voz subindo e descendo nas estranhas melodias da música dos anões, ela começou a entoar um canto fúnebre na sua língua materna. A melodia encheu os olhos de Eragon de lágrimas. Por alguns minutos, Glûmra cantou e depois se calou, continuando a contemplar as imagens; e, enquanto olhava, as linhas do seu rosto devastado pela dor se abrandaram. E sua fisionomia assumiu um ar de aceitação tranquila – na qual antes Eragon vira apenas raiva, consternação e desesperança – de serenidade e de uma transcendência sublime. Um leve clarão parecia emanar das suas feições. Tão completa foi a transformação de Glûmra que Eragon quase não a reconheceu.
— Nesta noite, Kvîstor há de cear no palácio de Morgothal. Isso eu sei. — Ela beijou mais uma vez o amuleto. — Quem dera eu pudesse compartilhar do pão com ele, junto com meu marido, Bauden, mas não chegou minha hora de dormir nas catacumbas de Tronjheim, e Morgothal nega acesso ao palácio àqueles que apressam sua chegada. Mas com o tempo nossa família voltará a se reunir, com todos os nossos antepassados desde que Gûntera criou o mundo a partir das trevas. Isso eu sei.
— Como você sabe isso? — perguntou Eragon, com a voz rouca, ajoelhando-se ao seu lado.
— Sei porque é assim que é. — Com movimentos vagarosos e respeitosos, Glûmra tocou os pés esculpidos de cada um dos deuses com a ponta dos dedos. — Como poderia ser diferente? Como o mundo não poderia ter criado a si mesmo tal qual uma espada ou um elmo também não poderia, e como os únicos seres necessários para dar forma à terra e aos céus são os que possuem o poder divino, é aos deuses que precisamos recorrer em busca de respostas. Confio neles para que garantam a correção do mundo e por minha confiança me livro do peso da minha carne.
Ela falava com tanta convicção que Eragon sentiu um desejo repentino de compartilhar da sua crença. Ansiava por deixar de lado suas dúvidas e temores e saber que, por mais terrível que o mundo pudesse parecer às vezes, a vida não era mera confusão. Desejou ter certeza de que não iria terminar sua vida se uma espada o decapitasse e que um dia voltaria a se encontrar com Brom, Garrow e todas as outras pessoas de quem gostava e que havia perdido.
Um anseio desesperado por esperança e por consolo o dominou, o confundiu, o deixou trôpego na superfície da terra. E ainda assim..
Parte dele se retraía e não permitia que ele se dedicasse aos deuses dos anões e vinculasse sua identidade e sua sensação de bem-estar a alguma coisa que ele não entendia. Também tinha dificuldade para acreditar que, se de fato existiam deuses, os dos anões fossem os únicos. Eragon tinha certeza de que, se perguntasse a Nar Garzhvog ou a um membro das tribos nômades, ou mesmo aos tenebrosos sacerdotes de Helgrind, se seus deuses eram verdadeiros, todos sustentariam a supremacia das suas divindades exatamente com o mesmo vigor com que Glûmra sustentava as dela.
Como se espera que eu saiba que religião é a verdadeira religião?, perguntou-se ele. Só porque alguém segue uma determinada crença isso não significa que esse seja o caminho certo... Talvez nenhuma religião contenha toda a verdade do mundo. Talvez cada religião contenha fragmentos da verdade, e caiba a nós a responsabilidade de identificar esses fragmentos e os reunir com coerência. Ou talvez os elfos tenham razão e não existam deuses. Mas como vou saber?
Com um longo suspiro, Glûmra murmurou uma frase na língua dos anões. Levantou-se então e fechou a cortina de seda diante do nicho. Eragon também se pôs de pé, encolhendo-se quando estendeu os músculos doloridos do combate, e a acompanhou até a mesa, onde voltou à sua cadeira.
De um armário de pedra embutido na parede, a anã tirou dois canecos de estanho. Apanhou o odre cheio de vinho de onde estava pendurado do teto e serviu a bebida para Eragon e para si mesma. Ergueu o caneco, proferiu um brinde na língua dos anões, que Eragon se esforçou por imitar, e os dois beberam.
— É bom — disse Glûmra — saber que Kvîstor ainda vive, saber que neste momento ele está trajando vestes dignas de um rei enquanto participa do banquete da noite no palácio de Morgothal. Que ele conquiste muita honra a serviço dos deuses! — E tomou mais um gole.
Assim que esvaziou seu caneco, Eragon fez menção de se despedir de Glûmra, mas ela o interrompeu com um gesto.
— Você tem onde ficar, Matador de Espectros, a salvo dos que o querem morto? — Em resposta, Eragon lhe disse que tinha ordens de permanecer escondido nos subterrâneos de Tronjheim até Orik mandar um mensageiro buscá-lo. Glûmra assentiu com um movimento curto e decidido do queixo e prosseguiu: — Então você e seus companheiros devem esperar aqui pela chegada do mensageiro, Matador de Espectros. Eu faço questão. — Eragon começou a protestar, mas ela abanou a cabeça. — Eu não poderia permitir que os homens que lutaram ao lado do meu filho ficassem largados na umidade e na escuridão das cavernas enquanto eu ainda tiver vida em mim. Chame seus companheiros, e tratemos de comer e nos divertir nesta noite sombria.
Eragon percebeu que não poderia sair sem contrariar Glûmra. Por isso, chamou os guardas e o tradutor. Juntos, ajudaram Glûmra a preparar um jantar de pão, carne e torta. E, quando tudo estava pronto, comeram, beberam e conversaram pela noite adentro. Glûmra estava especialmente animada. Foi quem mais bebeu, quem riu mais alto, e era sempre a primeira a fazer um comentário espirituoso. De início, Eragon ficou chocado com seu comportamento, mas logo percebeu que seus sorrisos nunca chegavam aos olhos e que, quando ela pensava que ninguém a estava olhando, a alegria se esvaía do seu rosto, e sua expressão se tornava de uma serenidade melancólica. Diverti-los, concluiu ele, era seu modo de honrar a memória do filho e de rechaçar a dor pela morte de Kvîstor.
Nunca encontrei ninguém como você, pensou ele enquanto a observava.
Muito depois da meia-noite, alguém bateu à porta da cabana. Hûndfast fez entrar um anão trajado em armadura completa e com aparência de estar nervoso e constrangido. Ele não parava de olhar para as portas, janelas e cantos sombreados. Com uma série de frases na língua antiga, ele convenceu Eragon de que era o mensageiro de Orik e então falou:
— Sou Farn, filho de Flosi... Argetlam, Orik ordena que você volte com a rapidez possível. Ele tem notícias importantíssimas referentes aos acontecimentos de hoje.
Na soleira da porta, Glûmra agarrou o antebraço de Eragon com dedos de aço e falou, quando ele contemplou seus olhos de chumbo:
— Não se esqueça do seu juramento, Matador de Espectros, e não deixe os assassinos do meu filho escaparem sem punição!
— Garanto que não deixarei — prometeu ele.

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