24 de junho de 2017

Capítulo 31 - O badalar do sino

E

Eragon abanou-se como se estivesse a acordar de um pesadelo.
Agora que já não tinha de combater o sumo-sacerdote,
apercebia-se lentamente de que o sino do priorado estava a
tocar — um ruído alto e insistente que lhe lembrava a altura em que
os Ra’zac o tinham perseguido desde a catedral, durante a sua
primeira visita a Dras-Leona, com Brom.
“Murtagh e Thorn estarão aqui em breve”, pensou. “Temos de
partir antes.”
Embainhou Tinido Mortal e entregou-a a Angela.
— Toma — disse. — Acho que vais precisar disto. — Depois
afastou os cadáveres dos noviços até encontrar Brisingr. Ao fechar
a mão em torno do punho, foi percorrido por uma sensação de
alívio. Embora a espada da herbolária fosse boa e perigosa, não
era a sua espada. Sem Brisingr Eragon sentia-se exposto,
vulnerável — tal como quando Saphira e ele se separavam.
Teve de procurar mais alguns minutos para encontrar o anel, que
rebolara para debaixo de um dos bancos, e o colar estava enrolado
à volta de um dos punhos da padiola. Descobriu também a espada
de Arya, por entre o amontoado de corpos, e ela ficou satisfeita
por a recuperar. Mas não viu quaisquer sinais do cinto, o cinto de
Beloth, o Sábio.
Eragon procurou debaixo dos bancos mais próximos. Voltou a
correr até ao altar, inspecionando a área em redor.
— Não está aqui — disse, finalmente, desesperado. E virou-se
para a parede isolada que escondia a entrada para as câmaras
subterrâneas. — Devem-no ter deixado nos túneis. — Olhou na
direção do priorado. — Ou talvez... — E hesitou, sentindo-se
dividido entre as duas possibilidades.
Murmurando as palavras entredentes, lançou um feitiço
destinado a localizar e a guiá-lo até ao cinto, mas o único resultado
que obteve foi uma imagem de um vazio cinzento e uniforme. Tal
como receava, o cinto tinha encantamentos que o protegiam da
observação ou interferência mágica, à semelhança de Brisingr.
Eragon franziu a sobrancelha e deu meio passo em direção à
parede isolada.
O sino repicava mais alto do que nunca.
— Eragon — gritou Arya, do outro lado da catedral, passando o
noviço inconsciente de um ombro para o outro. — Temos de ir
embora.
— Mas...
— Oromis iria entender. A culpa não é tua.
— Mas...
— Deixa isso! O cinto já desapareceu antes. Voltaremos a
encontrá-lo, mas agora temos de fugir. Despacha-te!
Eragon praguejou, deu meia-volta e correu ao encontro de Arya,
Angela e Solembum, que estavam na parte da frente da catedral.
De tudo o que poderia perder... Parecia-lhe quase um sacrilégio
abandonar o cinto quando tantas criaturas tinham morrido para o
carregar de energia. Além disso, ele tinha uma terrível sensação de
que poderia precisar dessa energia antes do dia terminar.
Ao mesmo tempo que ele e a herbolária abriam as portas
pesadas que conduziam ao exterior da catedral, Eragon procurou
mentalmente Saphira, pois sabia que ela deveria estar a voar em
círculos sobre a cidade, à espera que ele a contactasse. O
momento de ser discreto há muito que passara, pelo que Eragon já
não se importava que Murtagh ou qualquer outro feiticeiro se
apercebesse da sua presença.
Depressa sentiu o toque familiar da consciência de Saphira e,
quando os seus pensamentos de fundiram mais uma vez, parte do
aperto que Eragon sentia no peito desapareceu.
Porque demoraste tanto tempo? exclamou Saphira. Eragon
sentia a sua preocupação e sabia que ela pensara em descer sobre
Dras-Leona, desfazendo a cidade em pedaços à procura dele.
Eragon transmitiu-lhe as suas memórias, partilhando com ela
tudo o que lhe acontecera desde que tinham partido. O processo
demorou alguns segundos e, quando terminou, Eragon, Arya,
Angela e o menino-gato já tinham saído da catedral e desciam a
correr os degraus da frente.
Sem se deter para dar uma oportunidade a Saphira de entender
aquele amontoado de recordações confusas, Eragon disse:
Precisamos de uma distração... imediatamente!
Saphira confirmou a informação e Eragon sentiu-a inclinar-se
num voo picado.
Diz também a Nasuada que inicie o ataque. Estaremos no portão
sul dentro de alguns minutos. Se os Varden não estiverem lá

quando o abrirmos, não sei como iremos escapar.

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