24 de junho de 2017

Capítulo 25 - Uma conversa franca

Glaedr forçou-os a lutar mais duas vezes. Cada duelo era mais
breve que o anterior e resultava, invariavelmente, num empate,
o que gerou uma maior frustração ao dragão dourado do que
propriamente a Eragon ou Arya.
Glaedr poderia tê-los forçado a lutar até que se tornasse
absolutamente claro quem era o melhor guerreiro mas, no final do
último duelo, estavam ambos tão cansados que se deixaram cair no
chão e ficaram deitados lado a lado, ofegantes. Até Glaedr teve de
admitir que seria contraproducente, senão francamente nocivo, que
prosseguissem.
Logo que recuperaram o suficiente para se levantar e andar,
Glaedr convocou-os à tenda de Eragon.
Primeiro curaram os ferimentos mais dolorosos com a energia de
Saphira, depois devolveram os escudos arruinados ao mestre de
armas dos Varden, Fredric, que lhes deu outros novos, embora
antes lhes tivesse dado um sermão sobre a necessidade de
cuidarem melhor do equipamento.
Quando chegaram à tenda, encontraram Nasuada à espera,
acompanhada da habitual comitiva de guardas.
— Já não era sem tempo — disse ela, num tom áspero. — Se já
desistiram de se desfazer um ao outro, temos de falar — e entrou na
tenda sem dizer nem mais uma palavra.
Blödhgarm e os seus colegas feiticeiros dispuseram-se num
amplo círculo, em torno da tenda, o que gerou algum desconforto
nos guardas de Nasuada.
Eragon e Arya seguiram Nasuada para o interior da tenda e,
depois, Saphira surpreendeu-os, enfiando o focinho por entre as
palas da entrada e impregnando de imediato o espaço exíguo com
um cheiro a fumaça e a carne queimada.
A súbita aparição do focinho escamoso de Saphira apanhou
Nasuada desprevenida, mas depressa se recompôs. Dirigindo-se a
Eragon, disse:
— Foi Glaedr que eu senti, não foi?
Ele olhou de relance para a parte da frente da tenda, esperando
que os guardas dela estivessem demasiado distantes para ouvir e
acenou com a cabeça.
— Sim.
— Ah, eu sabia! — exclamou ela, com um ar satisfeito. Depois
ficou com uma expressão hesitante. — Posso falar com ele? É...
permitido, ou ele só comunica com Elfos e Cavaleiros?
Eragon hesitou e olhou para Arya, à espera que esta o
orientasse.
— Não sei — respondeu ele. — Ele ainda não estava totalmente
recuperado. É possível que não queira...
Eu falo contigo, Nasuada, filha de Ajihad, disse Glaedr, fazendo
ecoar a voz nas suas mentes. Pergunta-me o que quiseres e depois
deixa-nos trabalhar; há ainda muito que fazer para preparar Eragon
para os desafios que o esperam.
Eragon nunca antes vira Nasuada intimidada, mas naquele
momento parecia-lhe estar.
— Onde? — disse ela, em silêncio, abrindo as mãos.
Eragon apontou para uma extensão de terra, junto da sua cama.
Nasuada arqueou as sobrancelhas, acenando depois com a
cabeça. A seguir levantou-se e cumprimentou Glaedr formalmente.
Seguiu-se uma troca de amabilidades durante a qual Nasuada
perguntou a Glaedr como estava de saúde, e se os Varden o
poderiam servir com alguma coisa. Em resposta à primeira pergunta
— que deixara Eragon nervoso — Glaedr replicou educadamente:
“Bem, obrigado”. No que toca à segunda disse que não precisava
de nada dos Varden, embora agradecesse a sua preocupação.
Eu já não como, disse, nem bebo, e também já não durmo da
forma que o concebem. Agora, o meu único prazer, a minha única
indulgência é pensar na forma de provocar a queda de Galbatorix.
— Isso entendo — disse Nasuada —, sinto o mesmo.
Depois ela perguntou a Glaedr se tinha algum conselho a dar-lhe
sobre a forma como os Varden poderiam tomar Dras-Leona, sem
que isso lhes custasse demasiados homens e material, e não os
forçasse a entregar Eragon e Saphira ao Império como “duas
galinhas prontas a ir ao forno” — segundo as suas próprias palavras.
Passou mais algum tempo a explicar a situação a Glaedr, com
uma maior especificidade, altura em que este disse, após alguma
reflexão:
Não tenho nenhuma solução fácil, Nasuada. Continuarei a
pensar no assunto, mas neste momento não vejo nenhuma saída
para os Varden. Se Murtagh e Thorn estivessem sozinhos, eu
conseguiria facilmente vencer as suas mentes, contudo Galbatorix
deu-lhes demasiados Eldunarí para que eu possa fazer isso. Mesmo
com Eragon, Saphira e os Elfos a ajudar, a vitória não seria certa.
Visivelmente desapontada, Nasuada ficou em silêncio por breves
instantes. Depois encostou a palma das mãos à parte da frente do
vestido, agradeceu a Glaedr o tempo que lhe dispensara, despediuse
deles e saiu, contornando cuidadosamente a cabeça de Saphira
para não lhe tocar.
Eragon descontraiu-se um pouco, sentando-se no catre e Arya
sentou-se num pequeno banco de três pernas. Eragon esfregou as
palmas das mãos nos joelhos das calças, pois sentia-as pegajosas,
tal como o resto corpo, oferecendo depois uma bebida a Arya do
seu cantil de pele, que ela aceitou, agradecida. Depois de ela
beber, ele bebeu também uns bons goles. O combate deixara-o
esfomeado e a água abafou os roncos no estômago, mas esperava
que Glaedr não os demorasse muito mais. O sol estava quase a
pôr-se e ele queria comer uma boa refeição dos cozinheiros dos
Varden antes que estes apagassem as fogueiras e se recolhessem
para dormir, de contrário acabaria a roer pão duro, a comer
pedaços de carne seca, queijo de cabra bolorento e uma ou duas
cebolas cruas, se tivesse sorte — o que não lhe parecia muito
apelativo.
Logo que ambos se instalaram, Glaedr começou a falar, fazendo
uma palestra a Eragon sobre os princípios do combate mental.
Embora Eragon já os conhecesse, escutou-o atentamente e, sempre
que o dragão dourado o mandava fazer algo, ele seguia as suas
instruções sem questionar nem protestar.
Depressa passaram dos aforismos à prática. Glaedr começou
por testar as defesas de Eragon com ataques de intensidade
crescente, o que os levou a iniciar combates intensivos, em que
cada um lutava para dominar os pensamentos do outro, mesmo que
por alguns momentos.
Enquanto lutavam, Eragon mantinha-se deitado de barriga para
cima, de olhos fechados, concentrando toda a energia na
tempestade furiosa entre si e Glaedr. Os esforços que desenvolvera
anteriormente tinham-no deixado fraco e embotado — enquanto que
o dragão dourado, estava fresco e bem repousado, para além de
ser imensamente poderoso — o que lhe dificultou a tarefa,
permitindo-lhe pouco mais do que defender-se dos ataques de
Glaedr. Apesar disso Eragon saiu-se razoavelmente bem,
consciente de que Glaedr teria, sem dúvida, vencido num combate
real. Felizmente, Glaedr fez algumas concessões, atendendo ao
estado em que Eragon se encontrava, embora lhe tivesse dito:
Tens de estar preparado para defender a parte mais profunda do
teu ser a qualquer momento, mesmo que estejas a dormir, pois é
bem provável que acabes por enfrentar Galbatorix ou Murtagh,
quando te sentires tão exausto como agora.
Depois de mais dois ataques, Glaedr recuou, assumindo o papel
de espetador — um espetador bastante crítico, aliás — e ordenando
a Arya que assumisse o seu lugar como adversária de Eragon. Arya
estava tão cansada quanto Eragon, mas este depressa percebeu
que ela era superior em combate de feiticeiros. Isso não o
surpreendeu, pois ela quase o matara da única vez que se tinham
digladiado mentalmente, numa altura em que Arya estava ainda
atordoada do seu cativeiro em Gil’ead. Glaedr tinha uma mente
focada e disciplinada, mas nem mesmo ele conseguia igualar o
controlo férreo que Arya exercia sobre a sua própria consciência.
Eragon já tinha reparado que o autocontrolo de Arya era um
traço comum entre os Elfos. O melhor nesse domínio fora Oromis.
O seu autocontrolo era de tal forma perfeito que ele nunca se
deixava afetar pela menor dúvida ou preocupação. Eragon
considerava a contenção dos Elfos uma faceta inata da sua raça,
bem como um resultado natural da rigorosa educação e uso da
língua antiga. Falar e pensar numa língua que impedia de mentir —
em que cada palavra poderia despoletar um feitiço — desencorajava
descuidos de pensamento e de discurso, e gerava aversão ao
descontrolo das emoções. Por isso os Elfos possuíam, em regra,
um maior autocontrolo que os membros de outras raças.
Eragon e Arya digladiaram-se mentalmente durante alguns
minutos — ele a tentar escapar ao seu domínio abrangente e ela a
tentar imobilizá-lo e aprisioná-lo para lhe poder impor mentalmente
a sua vontade. Apanhou-o várias vezes, mas ele conseguia sempre
escapar-se um ou dois segundos depois, embora soubesse que se
ela lhe quisesse fazer mal, teria sido tarde demais para se salvar.
Enquanto as suas mentes permaneciam em contato, Eragon
apercebeu-se dos fantásticos acordes musicais que flutuavam pelos
recantos mais sombrios da consciência de Arya. Incitavam-no a
abandonar o seu próprio corpo, ameaçando aprisioná-lo numa teia
de estranhas e sinistras melodias em nada iguais às canções
terrenas. Eragon ter-se-ia abandonado de bom grado ao encanto
da música, se não fossem os ataques de Arya a distraí-lo e o fato
de saber que os humanos raramente se davam bem quando se
deixavam fascinar demasiado pelos mecanismos da mente de um
elfo. Poderia escapar ileso — afinal de contas era um Cavaleiro —,
mas seria um risco que não estava disposto a correr, pelo menos
enquanto desse valor à sua sanidade. Ouvira dizer que Garven, o
guarda de Nasuada, se transformara para sempre num aluado, de
boca aberta, depois de sondar a mente de Blödhgarm.
Por isso ele resistiu à tentação, por muito difícil que fosse.
Depois Glaedr ordenou a Saphira que se juntasse à luta, umas
vezes em oposição a Eragon, outras vezes apoiando-o, dizendo:
Deves ser tão hábil nisto como Eragon, Escamas Brilhantes.
O fato de Saphira se reunir a eles, alterou substancialmente o
resultado dos combates mentais. Juntos, ela e Eragon, conseguiam
frequentemente — e até com uma certa facilidade — manter Arya à
distância. O seu poder combinado permitiu-lhes dominar Arya, em
duas ocasiões distintas. Contudo, quando Saphira se aliava a Arya,
ambas se sobrepunham a Eragon de tal forma que ele desistia de as
atacar. Tentava refugiar-se nas profundezas do seu ser, enrolado
num novelo como um animal ferido, enquanto recitava fragmentos
de versos e esperava que as ondas de energia mental, com que o
atacavam, abrandassem.
Por fim, Glaedr organizou-os em pares — reunindo-se a Arya e
juntando Eragon com Saphira — e combateram uma vez assim,
como duas parelhas de Cavaleiros que se tivessem encontrado em
combate. Ao fim de dois minutos extenuantes estavam
razoavelmente equilibrados, mas a força e a experiência de Glaedr,
combinada com a rigorosa competência de Arya, acabaram por se
revelar excessivas para Eragon e Saphira, pelo que eles não tiveram
outro remédio senão admitir a derrota.
Depois disso, Eragon sentiu algum descontentamento em Glaedr,
o que o magoou.
Amanhã faremos melhor, Mestre, disse ele.
O estado de espírito de Glaedr tornou-se mais sombrio. Mesmo
ele parecia cansado do treino.
Portaste-te bem, minha pequena. Não teria exigido mais de
ambos, se estivessem sob a minha alçada como aprendizes, em
Vroengard. Contudo, é impossível que aprendam tudo o que
precisam em dias ou semanas. O tempo escapa-se por entre os
nossos dentes como água e, em breve, irá esgotar-se por completo.
A arte do combate mental demora anos a dominar: anos, décadas,
séculos e, mesmo assim, há muito que aprender e descobrir sobre
nós mesmos, sobre o inimigo e sobre os próprios fundamentos do
mundo. Rugiu ferozmente e ficou em silêncio.
Então aprenderemos o que podermos e deixaremos que o
destino decida o resto, disse Eragon. Galbatorix pode ter tido cem
anos para treinar a mente, mas também já passaram cem anos
desde que o ensinaste. Certamente que, entretanto, se esqueceu de
alguma coisa. Eu sei que o conseguimos derrotar, contigo a ajudarnos.
Glaerd roncou.
Você está cada vez mais obsequioso, Eragon, Aniquilador de
Espetros. Contudo, Glaedr parecia satisfeito. Advertiu-os para que
comessem e descansarem, retirando-se depois das suas mentes e
não voltou a falar.
Eragon tinha a certeza que o dragão dourado ainda os estava a
observar, mas já não conseguia sentir a sua presença e foi invadido
por uma inesperada sensação de vazio.
Um arrepio percorreu-lhe os membros e ele estremeceu.
Eragon, Saphira e Arya ficaram sentados na tenda cada vez mais
escura, mas nenhum parecia querer falar. Depois, procurando
puxar por si mesmo, Eragon disse:
— Ele parece melhor. — Estava com uma voz de cana rachada
por já não falar há algum tempo e voltou a pegar no cantil de pele.
— Isto faz-lhe bem — disse Arya. — você fazes-lhe bem. A dor têlo-
ia matado se não houvesse nada que o motivasse. É
impressionante que tenha sobrevivido. Admiro-o por isso. Poucos
seres — fossem eles humanos, elfos, ou dragões — conseguiriam
continuar a funcionar racionalmente, depois de tamanha perda.
— Brom conseguiu.
— Porque era igualmente extraordinário.
Como acham que Glaedr vai reagir se matarmos Galbatorix e
Shruikan?, perguntou Saphira. Irá prosseguir, ou limitar-se-á a...
parar?
As pupilas de Arya refletiram uma centelha de luz, ao desviar os
olhos de Eragon para olhar para Saphira.
— Só o tempo o dirá. Espero que não, mas se triunfarmos em
Urû’baen, é bem possível que Glaedr sinta que não é capaz de
prosseguir sem Oromis.
— Não podemos simplesmente deixar que ele desista!
Concordo.
— Se ele decidir entrar no vazio, não nos compete impedi-lo de o
fazer — disse Arya, asperamente. — A escolha é dele e apenas dele.
— Sim, mas podemos argumentar com ele e tentar ajudá-lo a
perceber que ainda vale a pena viver.
Ela ficou imóvel por uns instantes, com uma expressão solene, e
depois disse:
— Eu não quero que ele morra. Nenhum elfo o deseja, contudo,
se todos os momentos em que acorda são um tormento para ele,
não será melhor procurar libertar-se?
Nem Eragon nem Saphira tinham resposta.
Continuaram os três a discutir os acontecimentos do dia, durante
mais algum tempo, e depois Saphira tirou a cabeça de dentro da
tenda e foi sentar-se na extensão de erva ao lado. Sinto-me como
uma raposa com a cabeça presa na toca de um coelho, protestou
ela. Não poder ver se alguém se está a aproximar de mim à
socapa, dá-me comichão nas escamas.
Eragon esperava que Arya também saísse, mas para sua
surpresa ela ficou, parecendo satisfeita por estar ali sentada a falar
com ele. Ele não desejava outra coisa. A fome que sentira
desaparecera durante as sessões de combate mental.
Independentemente disso, Eragon estava mais do que disposto a
abrir mão de uma refeição quente em troca do prazer da
companhia de Arya.
A noite caiu e o acampamento foi ficando mais silencioso, à
medida que os temas de conversa se sucediam. Eragon sentia-se
estonteado de cansaço e de excitação — como se tivesse bebido
demasiado hidromel — e reparou que Arya também parecia mais à
vontade do que o normal. Falaram de muitos assuntos: sobre
Glaedr e os seus combates; sobre cerco de Dras-Leona e o que
poderiam fazer em relação a isso; e sobre outros temas menos
importantes, como o grou que Arya vira a caçar entre os juncos, à
beira do lago, a escama que Saphira perdera no nariz e o fato da
estação estar a mudar e os dias estarem a ficar novamente mais
frios. Porém, voltavam sempre ao tema mais presente: Galbatorix e
o que iria acontecer em Urû’baen.
Enquanto especulavam — como tantas outras vezes — acerca do
tipo de armadilhas mágicas que Galbatorix lhes poderia ter
preparado e a melhor forma de as evitar, Eragon relembrou a
pergunta de Saphira acerca de Glaedr, e disse:
— Arya?
— Sim? — Ela arrastou a palavra, levantando e baixando a voz,
com uma entoação ligeiramente musical.
— O que pretendes fazer quando tudo isto acabar? Isto é, se
ainda estivermos vivos.
— O que pretendes você fazer?
Ele tocou com os dedos no pomo de Brisingr, ponderando na
pergunta.
— Não sei. Não tenho pensado muito no que irei fazer depois de
Urû’baen... Tudo depende do que ela quiser, mas creio que
Saphira e eu somos capazes de voltar para o Vale de Palancar. Eu
poderia construir uma casa num dos sopés das montanhas. É
possível que não passemos lá muito tempo, mas pelo menos
teríamos uma casa para onde voltar quando não andássemos a voar
de um lado para o outro, em Alagaësia. — Esboçou um meio
sorriso. — Tenho a certeza de que teremos muito com que nos
ocupar, mesmo que Galbatorix esteja morto. Mas ainda não
respondeste à minha pergunta: o que vais você fazer se ganharmos?
Deves fazer alguma ideia. Tiveste mais tempo do que eu para
pensar nisso.
Arya puxou uma perna para cima do banco, colocou os braços
à volta dela e apoiou o queixo sobre o joelho. No lusco-fusco da
tenda, o seu rosto parecia flutuar sobre um fundo negro e
indefinido, como uma aparição conjurada na noite.
— Passei mais tempo entre humanos e anões do que entre os
älfakyn — disse ela, utilizando o nome dos Elfos na língua antiga. —
Acostumei-me a isso pelo que não desejaria voltar para viver em
Ellesméra. Pouco acontece por lá, passam-se séculos sem nos
darmos conta, enquanto olhamos para as estrelas. Não, acho que
continuarei a servir a minha mãe como embaixatriz. Saí de Du
Weldenvarden porque queria ajudar a equilibrar o mundo. Como
disseste, haverá ainda muito que fazer, se conseguirmos derrubar
Galbatorix, muito que precisa de ser corrigido, e eu quero
participar nisso.
— Ah! — Não era exatamente o que Eragon esperava que ela
dissesse mas, pelo menos, oferecia-lhe a hipótese de não perderem
por completo o contato, depois de Urû’bean, e de poder
continuar a vê-la de vez em quando.
Talvez Arya se tivesse apercebido do seu descontentamento,
mas não deu sinais disso.
Falaram durante mais alguns minutos, depois Arya pediu licença
e levantou-se para sair.
Quando passou por ele, Eragon esticou o braço, como se a
fosse deter, mas rapidamente recolheu a mão.
— Espera! — disse, brandamente, sem saber com o que contar,
mas ainda assim esperava que algo acontecesse. O seu coração
começou a bater mais depressa, palpitando-lhe nos ouvidos, e as
suas faces ficaram quentes.
Arya parou à entrada da tenda, de costas viradas para ele.
— Boa noite, Eragon — disse ela. Depois, deslizou por entre as
palas da entrada e desapareceu na noite, deixando-o sentado
sozinho na escuridão.


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