3 de junho de 2017

Capítulo 1 - Os Portões da Morte

Eragon olhava fixamente para a torre escura de pedra onde estavam escondidos os monstros que tinham assassinado seu tio, Garrow.
Estava deitado de bruços por trás da borda de um morro arenoso, pontilhado com raras folhas de capim, arbustos espinhosos e pequenos cactos parecidos com botões de rosa. As hastes quebradiças da folhagem do ano anterior picavam as palmas de suas mãos enquanto ele avançava pouco a pouco, para conseguir uma visão melhor de Helgrind, que avultava acima das terras ao redor, como uma adaga negra que se projetava a partir das entranhas da terra.
O sol poente riscava os montes baixos com sombras compridas e estreitas e – ao longe, no oeste – iluminava a superfície do lago Leona, de modo que o horizonte parecesse uma barra de ouro ondulante.
À sua esquerda, Eragon ouvia a respiração compassada de seu primo, Roran, estendido a seu lado. O fluxo de ar normalmente inaudível parecia ter uma altura sobrenatural para Eragon, com sua audição apurada, uma das muitas mudanças resultantes de sua experiência durante o Agaetí Blödhren, a Celebração de Juramento ao Sangue dos elfos.
Ele prestou pouca atenção a isso agora que observava uma fila de pessoas se aproximando devagar da base de Helgrind, aparentemente vindas a pé da cidade de Dras-Leona, a alguns quilômetros de distância. Um contingente de vinte e quatro homens e mulheres, trajados em grossas vestes de couro, encabeçava a coluna. Esse grupo se movimentava em desalinho: mancavam, arrastavam os pés, corcoveavam e se remexiam; balançavam-se em muletas ou usavam os braços para avançar sobre pernas estranhamente curtas – contorções necessárias porque, como Eragon percebeu, a cada um dos vinte e quatro faltava um braço, uma perna ou alguma combinação desses membros. Numa liteira carregada por seis escravos ungidos, seu líder estava sentado empertigado, postura que Eragon considerou um feito espantoso, levando-se em conta que o homem ou mulher – ele não sabia dizer – possuía nada mais do que o torso e a cabeça, sobre cuja testa se equilibrava um cocar de couro enfeitado, com uns noventa centímetros de altura.
— Os sacerdotes de Helgrind — sussurrou ele para Roran.
— Eles sabem usar magia?
— É possível que sim. Só vou me aventurar a explorar Helgrind com minha mente quando eles tiverem ido embora, pois, se qualquer um deles for mágico, perceberá meu contato, por mais sutil que seja, e nossa presença será revelada.
Atrás dos sacerdotes, seguia pesadamente uma coluna dupla de rapazes envoltos em tecido dourado. Cada um carregava uma estrutura retangular de metal, subdividida em doze barras horizontais, das quais estavam suspensos sinos de ferro do tamanho de nabos de inverno. Metade dos rapazes agitava com vigor seus retângulos quando avançava com o pé direito, produzindo uma cacofonia lancinante, enquanto a outra metade chocalhava os seus quando avançava com o pé esquerdo, fazendo com que badalos de ferro colidissem com paredes também de ferro e emitissem um clamor pesaroso que reverberava pelos montes. Os acólitos acompanhavam o pulsar dos sinos com seus próprios gritos, gemendo e berrando num êxtase apaixonado.
Atrás da procissão grotesca vinha, cansada, uma leva de moradores de Dras-Leona: nobres, mercadores, comerciantes, alguns comandantes militares de alta patente e uma mistura dos menos afortunados, como operários, mendigos e soldados de infantaria. Eragon se perguntou se o governador de Dras-Leona, Marcus Tábor, estaria em algum lugar no meio deles.
Parando à beira da escarpa de cascalho que cercava Helgrind, os sacerdotes se reuniram dos dois lados de um rochedo da cor de ferrugem, cujo topo era polido.
Quando a coluna inteira estava imóvel diante do altar tosco, a criatura na liteira se mexeu e começou a cantar numa voz tão dissonante quanto o lamento dos sinos. Rajadas de vento truncavam a todo momento as declamações do xamã, mas Eragon captou trechos da língua antiga – estranhamente deturpada e mal pronunciada – entremeados com palavras da língua dos anões e dos Urgals, todas unidas por um dialeto arcaico da língua do próprio Eragon. O que ele entendeu lhe causou calafrios, pois o sermão falava de coisas que seria melhor não saber: de um ódio malévolo que tinha se inflamado por séculos nas cavernas sombrias do coração das pessoas antes de ter permissão para vicejar com a ausência dos Cavaleiros, de sangue e loucura, e de rituais repulsivos cumpridos sob uma lua negra.
Ao final desse discurso depravado, dois dos sacerdotes inferiores avançaram às pressas e levantaram seu mestre – ou mestra, conforme fosse – da liteira e o puseram sobre o altar. Então, o Sumo Sacerdote deu uma breve ordem. Lâminas gêmeas de aço piscaram como estrelas quando subiram e caíram. Um pequeno riacho de sangue brotou de cada um dos ombros do Sumo Sacerdote, escorreu pelo torso em seu estojo de couro e então começou a formar poças sobre a rocha até transbordar para o cascalho ali embaixo.
Outros dois sacerdotes deram um salto à frente para apanhar o líquido vermelho em taças que, quando estavam totalmente cheias, foram distribuídas entre os membros da congregação, que beberam sofregamente.
— Eca! — disse Roran, reprimindo a voz. — Você não me disse que esses vagabundos traficantes de carne, esses adoradores de idiotas, esses transtornados manchados de sangue eram canibais.
— Não é bem assim. Eles não consomem a carne.
Quando todos os participantes tinham molhado a garganta, os noviços servis devolveram o Sumo Sacerdote para a liteira e ataram os ombros da criatura com faixas de linho branco. Borrões molhados mancharam imediatamente o tecido até então imaculado. Os ferimentos pareceram não ter efeito algum sobre o Sumo Sacerdote, pois a criatura desprovida de membros girou de volta para os devotos, que tinham os lábios vermelhos como framboesa.
— Agora sois realmente meus Irmãos e Irmãs, por terem provado a seiva de minhas veias aqui à sombra do grande poder de Helgrind. O sangue chama o sangue, e se um dia vossa família necessitar de ajuda, fazei então o que puderdes pela Igreja e por outros que reconheçam o poder de nosso Medonho Senhor... Para afirmar e confirmar nossa lealdade ao Triunvirato, recitai comigo os Nove Votos... Por Gorm, Ilda e pelo cruel Angvara, juramos render homenagem pelo menos três vezes por mês, na hora anterior ao anoitecer, e então fazer uma oferenda de nós mesmos para aplacar a fome eterna de nosso Grande e Terrível Senhor... Juramos respeitar as regras do livro de Tosk... Juramos sempre trazer junto ao corpo nosso Bregnir e para sempre nos abstermos dos doze dos dozes e do contato de uma corda com muitos nós, para que não se corrompa...
O vento aumentou de repente, obscurecendo o resto da lista do Sumo Sacerdote. E então Eragon viu que os ouvintes sacavam uma faca pequena e curva, e, cada um por sua vez, se cortavam na dobra do cotovelo para ungir o altar com um filete do seu próprio sangue. Depois de alguns minutos, a brisa raivosa diminuiu, e Eragon voltou a ouvir o sacerdote.
— ... e aquelas coisas que desejais e pelas quais ansiais vos serão concedidas como prêmio por vossa obediência... Nosso culto está completo. Entretanto, se algum dentre vós tiver coragem suficiente para demonstrar a verdadeira profundidade de sua fé, que se apresente!
A congregação se enrijeceu e se inclinou para a frente, com expressões de enlevo. Parecia que era por isso que todos esperavam.
Houve um intervalo longo e silencioso, que deu a impressão de que eles se decepcionariam, mas um dos acólitos se afastou do lugar na fileira, aos gritos.
— Eu quero!
Com um rugido de prazer, seus irmãos começaram a agitar os sinos num ritmo acelerado e selvagem, instigando a congregação a um desvario tal que todos pulavam e gritavam como se tivessem perdido o juízo. A música tosca acendeu uma centelha de empolgação no coração de Eragon – apesar de sua repulsa diante dos ritos – despertando alguma parte primitiva e brutal dentro dele.
Despindo seus trajes dourados para ficar coberto apenas com uma tanga de couro, o jovem de cabelos escuros saltou para cima do altar. Respingos da cor de rubi surgiram dos dois lados de seus pés. Ele encarou Helgrind e começou a estremecer e se sacudir como se estivesse sofrendo um ataque convulsivo, no compasso das badaladas dos cruéis sinos de ferro. Sua cabeça girava frouxa no pescoço, espuma se juntava nos cantos da boca, os braços se debatiam como serpentes. O suor untava seus músculos até que o rapaz refulgisse como uma estátua de bronze ao sol poente. Os sinos atingiram um ritmo alucinado em que uma nota discordava da outra, e a essa altura o rapaz esticou a mão para trás. Nela, um sacerdote depositou o punho de um utensílio estranhíssimo: uma arma de um gume, uns setenta centímetros de comprimento, com espiga completa, cabo com escamas, vestígios de um guarda-mão e uma lâmina plana de base larga, e perto da extremidade apresentava recortes arredondados, um formato que lembrava uma asa de dragão. Era uma ferramenta projetada para uma única finalidade: cortar armaduras, ossos e tendões com a mesma facilidade com que perfuraria um volumoso odre de água.
O jovem ergueu a arma para que ela se voltasse na direção do pico culminante de Helgrind. Caiu então de joelhos e, com um grito incoerente, fez a lâmina descer atravessando seu pulso direito. O sangue jorrou borrifando as pedras por trás do altar.
Eragon recuou e desviou o olhar, embora não conseguisse escapar dos gritos penetrantes do rapaz. Não era nada que Eragon não tivesse visto em combate, mas parecia errado mutilar-se deliberadamente quando era tão fácil ser desfigurado no dia-a-dia. Folhinhas de grama rasparam umas nas outras quando Roran mudou de posição. Ele resmungou alguma maldição, que se perdeu na sua barba, e voltou a se calar.
Enquanto um sacerdote cuidava do ferimento do rapaz – estancando o sangue com um encantamento – um acólito soltou dois escravos da liteira do Sumo Sacerdote, só para acorrentá-los pelos tornozelos a uma argola de ferro embutida no altar. E então os acólitos se desfizeram de numerosos embrulhos que traziam por baixo das vestes e os empilharam no chão, fora do alcance dos escravos.
Encerradas as cerimônias, os sacerdotes e seu séquito deixaram Helgrind em direção a Dras-Leona, lamentando-se e repicando sinos pelo caminho. O fanático agora maneta seguia trôpego logo atrás do Sumo Sacerdote. Um sorriso de beatitude adornava seu rosto.
— Bem — disse Eragon, liberando a respiração presa quando a coluna desapareceu por trás de um morro distante.
— Bem, o quê?
— Já viajei entre anões e elfos, e nada que eles fizeram jamais chegou a ser tão estranho quanto o que essas pessoas, esses humanos, fazem.
— Eles são tão monstruosos como os Ra’zac. — Roran levantou o queixo na direção de Helgrind. — Agora dá para você descobrir se Katrina está lá dentro?
— Vou tentar. Mas prepare-se para fugir.
Fechando os olhos, Eragon foi aos poucos ampliando sua consciência, passando da mente de um ser vivo para a de outro, como filetes de água se infiltrando na areia. Ele tocou cidades lotadas de insetos, que se apressavam aflitos a cuidar de seus assuntos, lagartos e serpentes escondidos entre pedras mornas, diversas espécies de aves canoras e inúmeros pequenos mamíferos. Os insetos e os animais também estavam em plena atividade enquanto se preparavam para a noite que vinha chegando veloz, fosse recolhendo-se para suas várias tocas, fosse, no caso daqueles voltados para atividades noturnas, bocejando, espreguiçando-se e se preparando de outros modos para a caça e a procura de alimento.
Da mesma forma que ocorria com seus outros sentidos, a capacidade de Eragon para tocar os pensamentos de outro ser diminuía com a distância. Quando sua sonda psíquica chegou por fim aos pés de Helgrind, ele conseguia perceber somente os animais maiores, e mesmo esses apenas de leve.
Ele avançava com cautela, pronto para se retirar a qualquer instante se por acaso roçasse na mente dos seres que caçava: os Ra’zac e seus pais e montarias, os gigantescos Lethrblaka. Eragon se expôs dessa maneira somente porque nenhum da linhagem dos Ra’zac conseguia usar magia, e ele não acreditava que eles fossem violadores de mentes – aqueles treinados para lutar com telepatia sem serem mágicos. Os Ra’zac e os Lethrblaka não necessitavam de truques desse tipo, pois, sozinho, seu bafo conseguia causar um estupor mesmo nos maiores homens. E, apesar de correr o risco de ser descoberto em razão dessa investigação fantasma, Eragon, assim como Roran e Saphira, precisam saber se os Ra’zac tinham encarcerado Katrina – a noiva de Roran – em Helgrind, porque essa resposta determinaria se sua missão seria de resgate ou de captura e interrogatório.
Eragon pesquisou muito e por muito tempo. Quando voltou a si, Roran o observava com a expressão de um lobo esfaimado. Seus olhos cinzentos ardiam com uma mistura de raiva, esperança e desespero tão forte que dava a impressão de que suas emoções poderiam explodir e incinerar tudo o que estivesse ao alcance da sua visão, num incêndio de intensidade inimaginável, que derreteria as próprias rochas.
Isso Eragon compreendia. O pai de Katrina, o açougueiro Sloan, tinha denunciado Roran para os Ra’zac. Quando não conseguiram capturá-lo, em seu lugar, os Ra’zac levaram Katrina do quarto de Roran e desapareceram com ela do vale Palancar, deixando os moradores de Carvahall para serem mortos e escravizados pelos soldados do rei Galbatorix.
Impossibilitado de ir atrás de Katrina, Roran convenceu – bem a tempo – os aldeões a abandonar suas casas e acompanhá-lo na travessia da Espinha para depois seguir para o sul ao longo do litoral da Alagaësia, onde juntaram forças com os rebeldes, os Varden.
As agruras suportadas em consequência tinham sido numerosas e terríveis. Mas, mesmo tortuoso, seu percurso acabara por reunir Roran e Eragon, que conhecia a localização do covil dos Ra’zac e prometeu ajudar a salvar Katrina.
Roran obtivera êxito, conto explicou mais tarde, somente porque a força de sua paixão o levava a extremos que outros temiam e evitavam, e assim ele conseguia desnortear seus inimigos.
Um fervor semelhante agora dominava Eragon. Ele se dispunha a enfrentar qualquer risco sem se preocupar com a própria segurança, se alguém querido estivesse correndo perigo. Amava Roran como um irmão; e, como Roran ia se casar com Katrina, Eragon tinha ampliado sua definição de família para incluí-la também. Esse conceito parecia ainda mais importante porque Eragon havia renunciado a toda e qualquer ligação com seu irmão de sangue, Murtagh, e os únicos parentes restantes eram ele, Roran e agora Katrina.
Nobres sentimentos de parentesco não eram a única força a impelir a dupla. Outro objetivo também os obcecava: vingança! Mesmo enquanto tramavam arrancar Katrina das garras dos Ra’zac, os dois guerreiros – homem mortal e Cavaleiro de Dragão irmanados – estavam tentando matar os servos desnaturados do rei Galbatorix pela tortura e assassínio de Garrow, que era o pai de Roran e tinha sido como um pai para Eragon. Portanto, as informações colhidas por Eragon eram tão importantes para ele quanto para Roran.
— Acho que a percebi — disse ele. — E difícil ter certeza porque estamos muito longe de Helgrind, e eu nunca toquei na mente de Katrina, mas acho que ela está naquele pico deserto, escondida em algum lugar perto do cume.
— Ela está doente? Está ferida? Droga, Eragon, não me esconda nada. Eles a machucaram?
— Ela não está sentindo dor no momento. Mais do que isso, não posso dizer, porque recorri a todas as minhas forças só para conseguir distinguir sua consciência. Não consegui me comunicar com ela. — Eragon deixou de mencionar, porém, que tinha detectado uma segunda pessoa também, uma pessoa cuja identidade ele adivinhava e cuja presença, se confirmada, o preocupava imensamente. — O que não encontrei foram os Ra’zac, nem os Lethrblaka. Mesmo que eu de algum modo pudesse ter deixado de perceber os Ra’zac, seus genitores são tão grandes que sua força vital deveria brilhar como mil lanternas, exatamente como a de Saphira. Além de Katrina e outros pontos de luz fraca, Helgrind está em trevas, trevas, trevas.
Roran franziu o cenho, cerrou o punho esquerdo e olhou com raiva para a montanha de pedra, que estava desaparecendo em meio ao crepúsculo enquanto sombras roxas a envolviam.
— Não faz diferença se você estiver certo ou errado — disse numa voz baixa e neutra, como se estivesse falando consigo.
— Como assim?
— Não ousaremos atacar nesta noite. A noite é quando os Ra’zac estão mais fortes. E, se estiverem por perto, não seria inteligente lutar com eles enquanto estivermos em desvantagem. Certo?
— Certo.
— Vamos então esperar o dia amanhecer. — Roran fez um gesto indicando os escravos acorrentados ao altar sangrento. — Se amanhã aqueles pobres desgraçados tiverem desaparecido, saberemos que os Ra’zac estão aqui e agiremos como planejamos. Se não, amaldiçoamos nossa falta de sorte por eles terem escapado, libertamos os escravos, salvamos Katrina e fugimos de volta para os Varden antes que Murtagh venha em nosso encalço. Seja como for, duvido que os Ra’zac deixem Katrina sem vigilância por muito tempo, não se Galbatorix quiser que ela sobreviva para poder usá-la como uma arma contra mim.
Eragon concordou. Tinha vontade de soltar os escravos naquela hora, mas agir assim poderia avisar aos inimigos que alguma coisa errada estava acontecendo. Se os Ra’zac viessem recolher seu jantar, nem mesmo ele e Saphira poderiam intervir antes que os escravos fossem levados dali. Uma batalha a céu aberto entre um dragão e criaturas como os Lethrblaka atrairia a atenção de cada homem, mulher e criança num raio de quilômetros. E Eragon acreditava que ele, Saphira e Roran não poderiam sobreviver se Galbatorix descobrisse que estavam sozinhos no seu Império.
Ele desviou o olhar dos homens acorrentados. Para o bem deles, espero que os Ra’zac estejam do outro lado da Alagaësia ou, pelo menos, que os Ra’zac não estejam com fome nesta noite. Num acordo tácito, Eragon e Roran recuaram agachados do topo do morro baixo, atrás do qual estavam escondidos. Lá embaixo, levantaram-se um pouco e, ainda curvados, seguiram correndo em um vale. A depressão rasa foi aos poucos se aprofundando numa ravina estreita, erodida pelo escoamento de águas, revestida com lajes fragmentadas de xisto. Desviando-se dos zimbros retorcidos que cobriam a ravina, Eragon olhou para o alto e, através de punhados de acúleos, viu as primeiras constelações a adornar o céu de veludo. Pareciam frias e penetrantes, como estilhaços brilhantes de gelo. Depois, concentrou-se em não se desequilibrar enquanto ele e Roran seguiam a passo acelerado para seu acampamento, mais ao sul.

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Boa leitura :)