31 de maio de 2017

Divulgação: O olho de jade



Sinopse: 
O destino de Eve é ser um oráculo, sempre foi. E apesar de dizerem que ela tinha uma escolha essa decisão nunca foi sua. Atormentada por suas visões ela quebra seu voto de ser virgem para sempre. Com medo de enfurecer a deusa a qual ela serve Eve foge numa jornada para escapar da própria loucura e da ira divina.
Enquanto isso Shae perdeu o pai e o irmão, viu os dois serem mortos em sua frente por ordem do rei, o homem que dizia-se amigo de sua família. Agora, anos depois, ela decide sair em busca de sua vingança e promete não descansar enquanto não a alcançar.
Eve tem visões aterrorizantes com uma garota em um trono, o sonho de Shae é conquista-lo. Eve pode mudar o destino que vê? Shae pode vingar a morte de seu pai? 

Categorias: Aventura, fantasia, ficção, história original 
Classificação: +16
Autora: xPrimrose
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Prólogo

lua já ia alta no céu quando Lady Charlotte chegou ao ponto marcado da floresta. As três velas estavam dispostas uma ao lado da outra, já acesas. Ela ouviu barulho de passos arrastados por entre as árvores, logo uma idosa apareceu. O bebê em seu colo se agitou, mas Charlotte o segurou mais firme contra o peito, protegendo-o do frio.
            Possuía cabelos brancos e a pele tão fina que evidenciava todos os ossos do corpo. Quando falou foi com uma voz mais grotesca que sua aparência.
            - Fez tudo o que lhe foi pedido?
             - Sim. – E ela realmente tinha feito. Por três meses não havia vestido a filha com nada que não fosse de seda pura, não a tinha alimentado com nada que não fosse o leite de seu próprio seio, não havia deixado que nenhum homem a tomasse no colo e não lhe dera um nome.
            - Dê-me a criança. – Não era a primeira vez que se encontravam, mas a voz daquela mulher nunca deixara de lhe causar arrepios.
            Por um momento Charlotte pensou em desistir, será que no fim estava condenando a filha a um destino cruel? Mas ela nada podia fazer, não deixaria que seus esforços tivessem sido em vão. No fundo ela sabia que fazia tudo aquilo para protege-la.
            A velha tomou sua filha nos braços e a embalou por um instante, sussurrando palavras em uma língua que ela não conhecia.
            E então soltou-a no chão. A criança ergueu os bracinhos enquanto chorava e Charlotte contemplou mais uma vez o quão linda era: tinha a pele tão alva quando a da mãe e os cabelos de fogo do pai, ainda que lhe fossem poucos. Além de olhos do mais vivo verde.
            A mulher a sua frente espalhava sementes de romã no chão formando desenhos que não faziam o menor sentido.
            - Cersey. – Ela gritou, e repetiu o nome mais outras duas vezes.
            O vento tinha cessado a muito tempo, mas mesmo assim duas das velas se apagaram, apenas a do meio tinha permanecido com sua chama mais viva do que nunca.
            Óleo de romã foi passado na cabeça do bebê, junto com palavras incompreendidas e então ela estava novamente no colo da mãe, adormecida.
            - Cersey a escolheu. – Dessa vez Charlotte não temeu a voz da senhora. - Ela irá prever o futuro para heróis dos quatro reinos, suas profecias serão tão certeiras quanto as flechas de Omir, servirá a Cersey de agora até a sua morte, se assim ainda desejar aos doze anos. Agora, qual o nome do oráculo?
            - Eve. Eve Castleroy. – Ela disse com uma convicção que não sabia de onde vinha.
            - Que assim seja. Eu nomeio Castleroy Eve como Nascida da Visão, o Oráculo de Cersey.
            Por um momento pareceu que as árvores se agitaram e o vento soprou uma canção só dele. Mas Charlotte não sabia se aquilo era verdade ou se apenas fruto de sua imaginação.
            - Obrigada. Obrigada. – Ela agradeceu.
            - Não tens que me agradecer, mulher tola. Não estou te fazendo favor algum e não pense que o está fazendo para sua filha.



Capítulo 1 - Eve


12  anos depois
                               O coração de Eve estava disparado, ela estava dividida sobre o que faria com sua vida: escolheria o que tinha vontade ou o que deveria? Se submeteria aos seus desejos ou aos de sua mãe?
                               Quando ainda era um feto na barriga de Lady Charlotte alguma vidente havia lhe dito que ela estava destinada a ser uma das videntes da deusa  Cercey e desde então ela acreditara cegamente nisso. Desde que respirara pela primeira vez o ar deste mundo fora preparada para esse destino, sem que ninguém nunca tivesse perguntado o que ela mesma achava de tudo isso.
                               Ainda com cinco anos era atormentada por visões perturbadoras do futuro, as quais ela não fazia a menor ideia de como interpretar. Nesses momentos tudo o que ela queria era correr para os braços da mãe e chorar.
                               - Você é o oráculo, suas visões fazem parte de você e deve aceita-las. Não lhe atormentarão mais se parar de agir feito criança. – Por vezes eram as únicas palavras de consolo que recebia, quando a mãe não se limitava a apenas lançar lhe um olhar frio.
                               Tivera uma guia que tentara ensinar a controlar o que ela chamava de “dom”. Mas a verdade é que Eve nunca fora muito boa com aquilo, sempre estava aterrorizada demais para prestar atenção ao que via e jamais tinha forças para relembrar a fim de chegar a alguma conclusão.
                               Agora tinha doze anos e, numa cerimônia aberta a todos do Segundo Reino que quisessem observar ela teria que decidir se serviria a Cersey pelo resto de sua vida ou não.
                               A vida como oráculo lhe garantiria aposentos no palácio e nos templos e respeito até mesmo do rei, ao passo que teria que desistir de sua família, do amor de qualquer homem, já que Cersey exigia a virgindade de seus oráculos, além disso jamais poderia provar novamente carne ou álcool. Para Eve, mesmo com apenas doze anos, parecia um destino solitário e cruel.
                               Ela não teria que desistir de nada disso se optasse por não seguir o caminho da deusa. Poderia voltar para casa agora mesmo, casar-se daqui a alguns anos, talvez ter filhos. Mas contava-se histórias terríveis de mulheres que rejeitaram Cersey, elas viviam amaldiçoadas, alguns diziam. Outros contavam que não passavam dos dezoito anos e que seus filhos morriam antes mesmo de saírem da barriga. Além disso Eve temia que a mãe nunca mais olhasse em sua cara se fizesse isso.
                               As portas do templo se abriram e Eve se deparou com uma multidão encarando-a. Havia rostos conhecidos, como os de seus vizinhos e amigos, e outros que ela nunca imaginara. Pessoas com vestes ricas se aperfilhavam no fim do grande salão enquanto outras mais maltrapilhas se apinhavam próximas a porta. O próprio rei estava sentado numa cadeira rodeado por seus quatro cavaleiros de honra.
                               Eve começou a andar pelo tapete dourado que cobria o chão criando um caminho até as estatuas. Eram três: Cersey e suas duas irmãs.
                               A da direita era da deusa Cerlys, sentada num trono de mármore com uma águia pousada em seus ombros. Usava uma armadura e seu rosto tinha uma expressão determinada, o cabelo curto diziam-se muitos que era escuro, mas na estátua estava amarelado como tudo o mais. Seu elmo de guerra em formato de águia repousava em seu colo assim como sua espada. Ela representava a sabedoria, a guerra, a justiça, o comércio, a caça, os estudos e o passado.
                               Do lado esquerdo estava Circe, majestosa em seu trono, um cajado na mão direita e flores na esquerda. Os cabelos compridos desciam em cascata embaixo de uma tiara. Sua expressão era mais suave, seu vestido era todo ornamentado com flores. Uma víbora enrolava-se afetuosamente em seu pescoço. Era ela quem representava a magia, a natureza, os sentimentos, as emoções, os sonhos, a música e o presente.
                               E no meio das duas, de pé, estava Cersey. A irmã mais velha, ainda que as três fossem trigêmeas, a rainha dos deuses. Sua coroa não deixava dúvidas disso, seus cabelos desciam em uma trança e estavam jogados por cima do ombro. Usava um manto e carregava sementes de romã em uma das mãos, uma corça estava deitada aos seus pés. Cersey representava a cura, a paz, as escolhas, a simplicidade, as estações e, acima de tudo, o futuro.
                               Era a esta última que Eve deveria se curvar, era a ela que deveria oferecer toda sua vida. Mas ela não parecia certa de querer isso, não tinha a mínima vontade.
                               Olhou para baixo, estava descalça, usava um vestido branco tão fino que tinha a impressão de estar nua e por vezes teve o ímpeto de cruzar os braços sobre si, mas sabia que isso seria tido por todos como uma falta de respeito para com as deusas. Seus cabelos, assim como os da estátua, estavam trançados. E todos haviam dito que ela estava muito bonita. Eve não se sentia bonita.
                               Enquanto adentrava cada vez mais o templo, uma harpa fazia a trilha sonora do momento mais importante de sua vida. Ela tentou não encarar a mãe, não suportaria ver a ansiedade nos seus olhos, tampouco olhou para o pai, sabia que ele estava frustrado por estar perdendo sua garotinha. Os irmãos olhavam para o chão, sem saber como agir, não queriam perder sua irmãzinha.
                               Eve preferiu observar o prédio. Era alto, mais alto do que qualquer prédio que ela já entrara, o teto era quase inteiramente feito de vidro e a luz do Sol que entrava banhava toda a cena num dourado hipnotizador. Grossas colunas brancas apareciam aqui e ali, enfeitadas com os animais sagrados das três deusas: a águia, a cobra e a corça. Principalmente com a corça, o que não era estranho já que esse era um templo de Cersey e não de suas irmãs. Mas elas nunca estavam sozinhas, o passado, o presente e o futuro não podiam ser separados, não completamente. 
                               Uma sacerdotisa de cabelos dourados estava parada à sua frente. Seus olhos azuis encararam os de Eve e por um momento ela se sentiu segura, mas só por um momento. Quando a garota falou, não havia um sorriso em seus lábios.
                               -  Eve Castleroy, você foi escolhida no nascimento para servir a deusa Cersey, a senhora do futuro, e dela recebeu o dom de espiar o futuro. Agora você deve se decidir: irá se juntar a nós, aceitará seu lugar como oráculo ou irá virar as costas a todas as oportunidades oferecidas a ti? Você aceita tornar-se o oráculo de Cersey?
                               Sua visão ficou turva, sua garganta se fechou e as lágrimas quase escaparam. Não, ela não queria. Era a última coisa que desejava no mundo. Mas apesar do que a sacerdotisa a sua frente dizia, Eve não tinha escolha, bastou uma leve olhada de relance para a mãe para ter certeza disso.      Passara a infância toda ouvindo seu pai dizer que deveria ser corajosa para enfrentar seus medos e suas visões. Agora ela seria.
                               - Eu, Eve Castleroy me liberto das correntes de minha família, renego a companhia romântica dos homens, dou adeus aos prazeres da carne e do álcool e me junto a Cersey, eu aceito suas visões e suas profecias tornando-me seus olhos, tornando-me seu oráculo. – Ela disse as falas ensaiadas mil vezes antes tentando, sem sucesso, fazer com que sua voz não denunciasse o nervosismo.
                               Contornou a jovem sacerdotisa e se colocou de joelhos perante a estátua, de frente para a corça. Repetiu alto a oração que haviam lhe ensinado para a ocasião. Mas ao mesmo tempo em que dizia as palavras sagradas fazia um pedido silencioso.
                               “Renegue-me. Diga que não sou digna de suas visões.”.
                                 Mas quando as palavras chegaram ao fim, ela sabia que tinha sido escolhida e que agora escolhera essa vida. Não havia volta.
                               “Então me de coragem, você e suas irmãs. Eu suplico. Ajudem-me, ou não aguentarei muitos anos sendo atormentada por essas visões.”, pediu, já se levantando e percebendo que a outra garota estava ao seu lado, provavelmente para receber da deusa o nome de Eve.
                               - Eu sou Ellie. Seja bem-vinda às seguidoras de Cersey. – A sacerdotisa finalmente se apresentou, num sussurro. Ela aproximou-se mais de uma pequena mesa de vidro que havia sido colocada ao seu lado enquanto Eve orava. Dela, pegou um manto. E voltou a falar de forma que todos no templo fossem capazes de escutar. – Este manto é para proteger-te da estação mais cruel de Cersey, como prova de que com ela você estará a salvo de todo e qualquer perigo.
                               Quando o manto branco foi colocado, Eve sentiu-se bem por ter algo mais do que aquele vestido sobre a sua pele.
                               - A tiara de prata, para que todos a reconheçam independente de onde estiver. – A tiara era feita de dois fios de prata com um pequeno olho desenhado sobre um delicado topázio azul no centro.
                               Azul, Eve sempre odiara essa cor, mas era a cor de Cersey. O vermelho e o roxo representavam Cerlys e Circe, respectivamente.
                               - E por último, o anel de prata para selar a aliança com a deusa. – O anel foi colocado em seu dedo indicador, por ser considerado, para alguns, o mais importante. – Pela voz de Cersey eu lhe nomeio, Eve Castleroy, como O olho de Jade.
                               Eve levou o anel aos lábios e o beijou, como tinha sido instruída a fazer.
                               E era isso, agora ela pertencia à uma divindade da qual se não fossem suas visões ela mesma duvidaria da existência. Virou-se para encarar a família e se deparou com todos ajoelhados e a encarando, olhou para o outro lado, até o rei tinha se abaixado.
                               - Vida longa ao Olho de Jade. – Proclamaram em uníssono.
                               Foi então que Eve caiu.
                               A princípio ela viu as estrelas, brilhantes e por um momento não entendeu o que estava acontecendo. Então sua visão foi puxada para baixo, uma cidade enorme acolhida pela escuridão da noite, ela acabava em um precipício, com um castelo na ponta. Assim que o viu, a visão mudou.
                               Eve observava uma grande cadeira cravejada de rubis que saia do chão de mármore, um trono, ela estava dentro do castelo. Sentada sobre o imenso acento estava uma garota, a pele morena, os olhos amendoados, o cabelo liso e castanho. Ela sorriu, por um instante olhando diretamente para Eve. E então uma espada surgiu em seu campo de visão, ela não conseguiu ver quem a manuseava, sombras atrapalhavam sua visão. Um corte rápido e a cabeça da menina rolou pelo trono. O sangue se espalhando pelo chão.
                               Eve tinha lágrimas nos olhos quando acordou, em algum quarto do templo.
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3 comentários:

  1. Quero mais :v 😍

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  2. Como posso divulgar minha fanfic aqui ?

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    1. É só me enviar por e-mail o primeiro cap, resumo, imagem ilustrativa e link. livroson-line@hotmail.com

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Boa leitura :)