24 de agosto de 2017

Divulgação: Ao sul de Guadarrama


Sinopse:
    Romance ambientado na Córdoba do século X, durante a dinastia Omíada. Entre personagens históricos como Al-Mansur, e a Sultuna Subh ou Aurora no seu nome latino, se misturam personagens fictícios entrelaçados com os fatos históricos, vivendo amores, traições, emoções  e os perigos de uma época de esplendor muçulmano durante a conquista islâmica da Hispânia no século X. Duas tramas correm em paralelo; a primeira envolvendo a tentativa de resgatar o poder para Hisham II, ofuscado pela ambição de Al-Mansur e a segunda nos meandros da famosa Biblioteca do Palácio de  Al-Zahara, quando a descoberta de um manuscrito do Alcorão pode mudar os destinos do islamismo e seus fiéis. 
    A serra de Guadarrama é uma cadeia montanhosa do Sistema Central (sistema montanhoso do centro da península Ibérica) e era ao sul dessa cadeia de montanhas que se situavam os domínios muçulmanos, baseados em Córdoba.
Categorias: ficção, romance, mistério, história original
Autor: Mário Sérgio Porto
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Prólogo - Perigosamente Muladis[1]

       Adil, sua esposa Amina e sua filha Jalila, professavam o islamismo para consumo público, enquanto no lar mantinham suas práticas cristãs. Eram descendentes de uma antiga e zelosa família do norte que imigrara para o sul, junto com outros ramos de ancestrais, cerca de três gerações anteriores e a conversão dissimulada tinha sido uma penosa decisão efetivada na geração anterior. Os nomes árabes eram uma escolha necessária em decorrência da conversão ao islamismo e significavam, respectivamente, honesto, em segurança e exaltada.
       Adil mantinha um pequeno mercado de frutas, uma tradição familiar antiga. A residência era pequena, mas como também o núcleo não era grande, os dois cômodos e a sala permitiam a privacidade necessária ao casal e à filha. Sua esposa cuidava da casa e ajudava o marido no negócio.
       Jalila, contava então 21 anos; formas graciosas, longos cabelos pretos que sempre costumavam tocar levemente o róseo de seus ombros. O belo tronco harmonizava com o colo e o conjunto modelava aquele tipo de silhueta que produz sobre os homens eflúvios que oscilam do divino ao mefistofélico. Mas era o rosto que dominava a impressão inicial, marcada pelos olhos com sua cor tipicamente basca ─ usando uma figura semelhante em  Al-Mahad D’Azzis[2], um conhecido poeta popular de Córdoba ─ imaginem dois topázios nadando em leite. Umas dessas mulheres que aparentam a fragilidade do gesso, mas que são determinadas e resistentes como diamante. Conseguira alfabetizar-se em árabe em uma das inúmeras escolas agregadas às bibliotecas de Córdoba e aprendera a língua basca no convívio familiar. O exercício de orar em árabe, na mesquita, e o uso da língua materna durante o credo cristão praticado em casa, era um exemplo de como a família administrava essa situação de alto risco. Evitavam exposição reduzindo a vida social. Era perigoso, além de desconcentrar a constante atenção que precisavam manter.
       Eventualmente, Jalila colaborava no negócio da família, mas estava naquele momento empenhada em obter uma vaga no séquito da Sultana Subh, esposa do Califa, que acabara de anunciar uma nova rodada de seleção de camareiras.
       Este emprego se enquadrava dentro de um plano de estratégia de vingança urdida pela família e que já vinha sendo planejado por várias gerações. Visando essa meta, Jalila era poupada de todo o tipo de serviço que pudesse comprometer a maciez de suas mãos e pele, a sedução de seus cabelos, ou que enfim, comprometesse a sua beleza. Era uma linda mulher, que se destacava mesmo usando vestimentas que não podiam competir com os maravilhosos vestidos e joias que as camareiras do palácio portavam. Mas a família a supria com o melhor que podia.
       Seus ancestrais cristãos haviam sido destroçados pelos acontecimentos conhecidos como os "Mártires de Córdoba", no qual 48 acusados foram levados à morte por decapitação.
       O líder desse movimento suicida foi um monge, de nome Eulogo, que pertencia a uma antiga família e era célebre pelo seu zelo cristão. Um dos antepassados de Jalila, seu Tio-trisavô, havia sido condenado à morte no episódio e sua família guardava desde então um ódio latente aos dominadores muçulmanos, sem nunca desistir de promover a vingança. Era um plano sem data de execução. A oportunidade ditaria o momento. Por quatro gerações, a intenção de vingança era alimentada de pais para filhos, nos moldes do juramento-promessa que Aníbal havia prestado para seu pai contra os romanos.
       Não muito longe da residência de Adil, residia um ramo distante da sua família, onde um primo de Jalila, de nome Amal, estava sendo preparado para o mesmo desígnio de vingança. Amal era um pouco mais velho, contando com 28 anos e também preparado nas letras no mesmo tipo de escola, além disso, era estudioso de manuscritos árabes. Sua opção quanto ao propósito de obter acesso à corte consistia em disputar uma posição entre os quase 500 bibliotecários da famosa biblioteca de Al-Hakam, no palácio de Al-Zahara, uma colocação para a qual tinha plenas qualificações. A família de Amal usava o mesmo expediente de conversão dissimulada e os contatos entre as duas famílias eram limitados por questões de segurança. Mesmo assim, mancomunavam seu objetivo comum.
       Vingança e ódio não eram sentimentos que se conciliavam com Jalila, mas ela seguia, sem contestações, os desígnios da família e não deixava transparecer qualquer conflito, embora no seu íntimo não emprestasse a mesma seriedade que seus pais. Possuía uma agenda oculta, pois enxergava na oportunidade de se juntar à corte, uma maneira de desfrutar uma vida glamourosa e talvez chegar à descoberta do amor. Tinha conhecimento do ambiente de luxo e riqueza que a esperava e sonhava todos os dias com essa perspectiva.
       Já Amal era mais fervoroso e abraçava convicto a causa paterna. Julgava-se preparado para incumbir-se do papel que se esperava dele. Nos seus estudos, sempre buscava uma maneira de pesquisar a história dos mártires, camuflando seu interesse e pesquisas como se estivesse reverenciando os protagonistas islâmicos do famoso episódio.
       Jalila tentara sentir o envolvimento de Amal, em uma das poucas vezes em que se encontravam, mas o resultado da conversa deixou-a ciente de que não deveria retomar o tema da maneira como abordou. Acabou sendo muito direta ao indagar sobre a posição de Amal, que não entendeu o questionamento.
       — Amal, perguntou Jalila, como você vê toda essa questão envolvendo esse projeto de vingança familiar?
       — Como assim Jalila? O que você quer dizer? Esse é o objetivo maior da família alimentado por quatro gerações. Como eu vejo? Eu sinto que estamos mais próximos do que nunca de sermos os executores desse plano. Preparei-me a vida toda para isso, falta pouco, acho que vamos conseguir as colocações. Você é linda, culta e eu venho me preparando com estudos e pesquisas para ocupar uma posição na biblioteca. Vamos conseguir. Você não se sente preparada? Por que a pergunta?
       — Não, não é isso, é que está sendo depositada muita responsabilidade sobre nossas cabeças e isso me assusta. Sequer estabelecemos um plano, isso não é uma brincadeira de crianças, respondeu Jalila, surpresa com a reação de Amal.
       — Não se preocupe, é por isso que torço para que consigamos entrar no palácio juntos. Assim, estaremos mais fortes e seguros e seremos dois a buscar a oportunidade exata. Tão logo ingressarmos na corte, poderemos começar a elaborar algum tipo de plano. O que importa é darmos fim a este sofrimento com o martírio daqueles que nos desgraçaram, nem que seja o último de nossos atos.
       Jalila preferiu não levar adiante aquela conversa concordando incontinenti, mas mudando de assunto e indagando sobre a saúde do pai de Amal que estava adoentado. Daquele dia em diante resolveu não mais levantar qualquer dúvida sobre o plano, procurando lutar sozinha com seus conflitos interiores, na busca de se convencer de que esse era seu destino.
       A seleção para o séquito da Sultana estava mais movimentada do que a busca por novos bibliotecários e Jalila já havia comparecido a duas rodadas de classificação com eunucos de Subh e esperava ansiosa o dia em que seria apresentada, pela primeira vez, à própria Sultana.
       Quanto mais essa possibilidade se avizinhava, mais ela era retirada pelos pais de qualquer trabalho e com ajuda da mãe dedicava-se a cuidar da pele e de seus cabelos e a buscar as melhores vestimentas que pudessem pagar. Ela sabia que se fosse escolhida ganharia um novo guarda-roupa, mas para a seleção era fundamental que estivesse usando bons costumes. Ao mesmo tempo, procurara se inteirar sobre a Sultana, seus gostos, suas preferências literárias, pois era sabido o gosto da Sultana pelas artes poéticas, demonstrada nos inúmeros concursos que promovia em Córdoba.
       Jalila, para todos os efeitos externos era muçulmana. Assim, os cuidados de limpeza precisavam seguir os preceitos do Islã, que eram muito mais rígidos com relação à higiene pessoal do que aqueles dos cristãos. Segundo o profeta Maomé "Allah é belo e Ele ama a beleza". Os muçulmanos faziam sabão através da mistura de óleo (na maioria das vezes de azeite) com al-Qali (um sal como substância). De acordo com manuscritos, esta mistura era fervida até atingir a consistência adequada, ou seja, até endurecer, e então era utilizada nos banhos turcos ou saunas.
       Na Córdoba do século X os cosméticos já eram utilizados. Vários produtos já eram de uso da aristocracia desde há mil anos, tais como embelezamento do cabelo e da pele, clareamento dos dentes, e fortalecimento da gengiva, creme para as mãos, desodorizador de ambientes, trabalhados e prensados em moldes especiais, incluindo até depiladores e bronzeadores, bem como tinturas para cabelo que transformava cabelo loiro em preto e loções para alisar cabelos crespos ou cacheados, tudo regulado dentro dos limites do Islã.
       Embora Jalila e sua família não tivessem condição econômica para usar esta gama de produtos, isso não preocupava muito, pois as demais candidatas também não tinham e, portanto, a beleza natural prevaleceria na escolha final.
       Finalmente o grande dia de conhecer a Sultana chegou. Uma primeira impressão era fundamental. Jalila e sua família trabalharam o melhor que puderam na preparação e seguiram para o palácio com confiança de que Deus estava do lado deles e não poderia faltar quando eles começavam a empreender uma missão arriscada para referendar a fé cristã. Uma atitude às cegas sem qualquer planejamento e sentido, movida pela convicção de que deviam uma resposta aos seus antepassados.
       Eram doze as moças que haviam chegado à parte final da seleção. Um processo que envolvia além de avaliação física, conversas com os administradores-eunucos de confiança da Sultana. Todas jovens, belas e almejando o conforto e a riqueza proporcionada pela vida de serviços ao palácio, mas nenhuma delas tinha uma pauta oculta como Jalila e apenas três seriam selecionadas.
       Colocadas em um imenso salão, com amplas portas de entrada, aguardavam a Sultana que iria ocupar um divã previamente disposto ao fundo, rodeado por mesinhas, onde se espalhavam bandejas de prata, jarras e copos de cristal, que recebiam um sortimento de frutas frescas de todas as espécies, incluindo tâmaras, além de castanhas, sucos diversos e água fresca. Subh seria apresentada a cada uma das candidatas, que ao ocupar um divã semelhante colocado ao seu lado teria a oportunidade de conversar e ser avaliada pela Sultana. Ao final, seriam dispensadas sendo encaminhadas para outro aposento, onde aguardariam o resultado final.
       Ao entrar, Subh cumprimentou todas as jovens, felicitando-as por alcançarem a fase final da escolha. Logo em seguida, todas elas foram deslocadas para uma pequena sala contígua de onde começaram a ser chamadas, uma de cada vez.
       Jalila foi a quinta a ser chamada. Seu encantamento com a beleza e o porte da Sultana ficou evidente em seu semblante. Teve o cuidado de se manter o mais natural possível e respondeu com tranquilidade todas as questões sobre suas preferências pessoais relativas a vestimentas, perfumes, alimentos, maternidade, literatura e poesia.
       Sim poesia. Como admiradora da arte poética Subh solicitou a Jalila que recitasse algo de sua preferência. Sem hesitar, Jalila declamou parte de um poema de Ziryab[3],, conhecido poeta patrocinado pela Sultana:
Dos teus olhos doces nesta triste hora da despedida
Caíram lágrimas quentes: que banharam sua face,
Que deitaram sobre o seu amantíssimo pescoço um círculo de pérolas além de qualquer preço.
Não sei como sobrevivi à chama feroz daquele sofrimento atroz do qual logrei não ser consumido.
Loucura, eu indago,
Onde está a luz da minha vida?
Único tesouro do meu coração, onde?
Todavia, na verdade, há onde não te espreitam! Sim, lá no fundo do meu coração,
Onde tu estarás sempre, estrela polar da minha vida.
       Ao terminar, não pode deixar de notar um leve sorriso nos lábios da Sultana, ela nada disse, apenas despediu-se ostentando um semblante radioso que deixava claro ter gostado da escolha, o que renovou as esperanças de Jalila em conseguir a tão almejada vaga, uma sensação que a inundou enquanto se dirigia e permaneceu ao aposento em que as outras candidatas esperavam.
       Foram 5 horas de espera até que todas as moças tivessem sido entrevistadas e os eunucos divulgassem o resultado da seleção. Tempo em que foram muito bem tratadas e com as mesmas iguarias que desfrutavam durante a entrevista.
       Jalila foi uma das três escolhidas.
       Deveria voltar para casa despedir-se da família e se apresentar ao palácio no dia seguinte, apenas com a roupa do corpo, com permissão de portar apenas objetos pessoais mais apegados, pois a partir dessa data sua vida seria dedicada à Sultana. Seu guarda-roupa seria renovado e receberia instruções específicas sobre suas novas funções, rotinas e condutas no palácio.
       A família exultava de felicidade. A primeira parte de um plano centenário começava a se concretizar. Não teriam nem muito tempo de despedir-se de Jalila, mas isso pouco importava. Ela estaria bem e no caminho que desejavam.
       Amal esteve com Jalila em sua casa. Ainda na busca por seu objetivo na biblioteca congratulava-se com Jalila, garantindo que muito em breve se juntaria a ela.
       — Estou muito feliz que tenha conseguido, eu tinha certeza. Não levará muito tempo para que eu me junte a você no palácio. Estou confiante, só não fui escolhido ainda, porque o processo não está sendo tocado pelos administradores da biblioteca. Al-Hakam está preocupado com problemas na Mauritânia e enquanto o general Ghalib não resolver essa questão militar ele não terá cabeça para voltar para seus amados livros.
       — Tenha paciência, você vai chegar lá. Quantas são as vagas?
       — Segundo meus informantes são pelo menos dez.
       — Não há como você não conseguir a sua.
       — Também acho, parece que em todas as últimas seleções nunca conseguiram preencher todas as vagas, mas o que me preocupa é que existem resistências internas sobre aumentar o número de bibliotecários. Vamos orar para que tudo se resolva.
       — Vai dar certo, disse Jalila, se afastando para procurar seus pais evitando assim continuar a conversa por alimentar receios de que ela pudesse se orientar para os planos de vingança, um tema que já não se sentia confortável para discutir com Amal. No fundo de seu ser queria que ele obtivesse a vaga na biblioteca, mas esperava ter um tempo de ambientação no palácio antes que ele lá chegasse. Tentava com insistência afastar esse pensamento, porque ele não só a assustava, como confundia seus sentimentos.
       De seus pais Jalila ouvia os últimos conselhos, pois embora felizes preocupavam-se com o destino da filha, com cuja convivência amiúde não poderiam mais contar. No fundo, temiam o ambiente do palácio, que era conhecido por encerrar ameaças escondidas atrás de cada coluna. Perigos políticos, perigos morais, enfim toda a série de percalços que exigia força moral para conviver e driblar, sem contar que a missão de Jalila encerraria por si só, perigos mortais. Não tinham a mínima ideia sequer, de que na mente de sua filha transitavam dúvidas sobre a missão familiar.
       Jalila mal conduziu dormir aquela noite, seu sono só lhe visitou quase no fim da madrugada. Pensava como naqueles anos, se preparando para servir a Sultana, já gostava dela e como o contato de hoje revigorara esse sentimento. Ela era uma mulher cujo porte e presença impressionava e não seria difícil servi-la, e agora, com certeza, na esteira de suas atribuições, ela cresceria culturalmente.
       Não conseguia acreditar nos comentários que circulavam em relação ao comportamento al-liwàt al-akbar[4], de Al-Hakam, que apenas teria se permitido relacionar-se com uma mulher pela necessidade de um herdeiro, após arranjo estabelecido e forçado pela corte. Custava crer que Subh precisara se disfarçar com roupas e corte de cabelos masculinos para seduzi-lo. Mas por certo ele se rendeu à sua enorme beleza e se não cessou de todo, deve ao menos ter diminuído suas incursões no harém masculino. Jalila não entendia a tolerância incomum daqueles tempos no Califado e como na sua origem era uma cristã, também repudiava oliwàt
       Que ambiente maravilhoso ela presenciara em poucas horas no palácio. Quanto luxo e quanto glamour. Era exatamente o que desejava. Não imaginava nem de leve o que presenciou naquele dia, pois as primeiras fases da seleção não tinham ocorrido no palácio. Amanhã sua vida tomaria um novo rumo. É bem verdade, que seus pais esperavam retribuição, alguma coisa sobre a qual ela ainda não entendia inteiramente, mas não ia deixar que isso a perturbasse, pelo menos enquanto não ocupasse, efetivamente, o lugar que planejava dentro da sua verdadeira agenda: ser amiga e confidente da Sultana.
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[1] Cristão que abandonava o cristianismo converte-se ao Islão e vive entre muçulmanos
[2] Para não quebrar o ambiente medieval e mesmo assim não deixar de referenciar o autor da metáfora, que na realidade é da autoria de Machado de Assis e utilizada no Conto Miss Dollar, com a diferença de que eram “esmeraldas nadando em leite” foi inventado um fictício poeta de Córdoba, com um nome “árabe” parodiando o de Machado. A ideia foi do leitor e também escritor Rodrigo C. Pereira.
[3] Poeta conhecido na época
[4] Grande sodomia perpetrada entre dois homens. O termo homossexualidade é contemporâneo, criado no século 20 e não existia no século X. Os relacionamentos entre homens na arábia hispânia eram denominados pelo termo liwàt. Que significava atos dos filhos de Lot.
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