8 de maio de 2017

Capítulo 7

Eu piquei cebolas
Com as mãos antes divinas
Você tem que comer

FAZER ALGO PRODUTIVO.
Eca.
É um conceito tão humano. Dá a entender que você tem tempo limitado (HAHAHA) e que precisa se esforçar para fazer alguma coisa acontecer (HAHAHA ao quadrado). Talvez, se você passasse anos escrevendo uma ópera sobre as glórias de Apolo, eu conseguiria compreender a utilidade de ser produtivo. Mas como alcançar a satisfação e a serenidade preparando comida? Isso não entrava na minha cabeça.
Mesmo no Acampamento Meio-Sangue, ninguém me pedia para fazer minha própria comida. Verdade, as salsichas eram questionáveis, e nunca descobri que cola era aquela que colocavam no refrigerante, mas pelo menos eu era servido por uma equipe de ninfas lindas.
Agora eu estava sendo obrigado a lavar alface, fatiar tomates e picar cebolas.
— De onde vem essa comida? — perguntei, piscando para afastar as lágrimas.
Não sou Deméter, mas até eu conseguia ver que aqueles alimentos eram frescos e recém-saídos da terra, provavelmente por causa do tempo que levei para limpá-los.
A lembrança de Deméter me fez pensar em Meg, o que podia ter me feito chorar mesmo se eu já não estivesse sofrendo com os vapores das cebolas.
Calipso jogou um cesto de cenouras enlameadas na minha frente.
— Emmie tem um jardim no telhado. Estufas. Dá para plantar o ano todo. Você devia ver as ervas: manjericão, tomilho, alecrim. É incrível.
Emmie sorriu.
— Obrigada, querida. Você entende bastante de jardinagem.
Ah, ótimo. Agora aquelas duas tinham virado amiguinhas. Em pouco tempo, eu ia assistir Emmie e Calipso discutindo técnicas de plantação de couve, e Leo e Josephine desfiando poesias sobre carburadores. Eu não tinha como vencer.
Leo entrou pela porta ao lado da despensa, segurando uma peça de queijo como se fosse a coroa de louros da vitória.
— HABEMUS CHEDDAR! — anunciou ele. — UM VIVA PARA OS CONQUISTADORES DO QUEIJO!
Josephine entrou rindo atrás dele, trazendo um balde de metal.
— As vacas gostaram do Leo.
— Ei, abuelita — disse Leo. — Todas as vacas amam o Leo. — Ele sorriu para mim. — E aquelas vacas são vermelhas, cara. Tipo... de um vermelho vivo.
Isso me deu vontade de chorar. Vacas vermelhas eram as minhas favoritas. Durante séculos, eu tive um rebanho de gado escarlate sagrado, antes de colecionar vacas ter saído de moda.
Josephine deve ter visto a expressão de infelicidade em meu rosto.
— Só usamos o leite — disse ela. — Não as matamos.
— Assim espero! — gritei. — Matar gado vermelho seria sacrilégio!
Josephine não pareceu adequadamente apavorada pela ideia.
— Ah, sim, claro. Mas na verdade Emmie me fez parar de comer carne faz vinte anos.
— É muito melhor para a saúde — repreendeu Emmie. — Você não é mais imortal, precisa se cuidar.
— Mas cheesebúrgueres... — murmurou Jo.
Leo colocou a peça de queijo na minha frente.
— Corte um pedaço disso, meu bom homem. Rapidinho!
Fiz cara feia para ele.
— Não me teste, Valdez. Quando eu for deus de novo, vou transformar você numa constelação, que vou chamar de Pequeno Latino em Explosão.
— Gostei!
Ele deu um tapinha no meu ombro, fazendo minha faca tremer.
Ninguém mais tinha medo da fúria dos deuses?
Enquanto Emmie assava pães, que, devo admitir, estavam com um cheiro incrível, fiz uma salada com cenouras, pepinos, cogumelos, tomates e todos os tipos de vegetais cultivados no telhado. Calipso usou limões frescos e cana de açúcar para fazer limonada enquanto cantarolava músicas do álbum da Beyoncé de mesmo nome. (Durante nossas viagens para o Oeste, eu assumi a tarefa de atualizar Calipso nos últimos três milênios de música pop.)
Leo ficou responsável pelo queijo. A peça de cheddar era bem vermelha por dentro e era deliciosa. Josephine fez a sobremesa, que disse ser sua especialidade. Naquele dia, foi frutas vermelhas frescas e pão de ló com creme vermelho doce e cobertura de merengue ligeiramente tostada com o maçarico.
Quanto ao fantasma, Agamedes, ele ficou pairando em um canto da cozinha, segurando a Bola 8 Mágica com desânimo, como se tivesse ficado em terceiro lugar numa competição com três pessoas.
Finalmente, nos sentamos para almoçar. Eu não tinha percebido como estava faminto. Fazia um tempo que tínhamos tomado café da manhã, e o serviço de bordo de Festus deixava muito a desejar. Devorei a comida enquanto Leo e Calipso contavam às nossas anfitriãs sobre nossa viagem para o Oeste. Entre mordidas de pão fresco com manteiga bem vermelha, eu fazia alguns comentários necessários, pois é claro que minha capacidade de contar histórias era muito superior.
Nós explicamos como minha antiga inimiga Píton retomou o local original de Delfos, interrompendo o acesso ao oráculo mais poderoso. Explicamos que o Triunvirato tinha sabotado todas as formas de comunicação usadas por semideuses: mensagens de Íris, pergaminhos mágicos, marionetes de ventríloquos, até a magia arcana do e-mail. Com a ajuda de Píton, os três imperadores do mal agora pretendiam controlar ou destruir todos os oráculos da Antiguidade, colocando assim o futuro do mundo em uma situação complicada.
— Nós libertamos o Bosque de Dodona — resumi. — Mas o oráculo de lá nos mandou para cá, para proteger a fonte seguinte de profecia: a Caverna de Trofônio.
Calipso apontou para a minha aljava, encostada no sofá ali perto.
— Apolo, mostre a elas sua flecha falante.
Os olhos de Emmie brilharam.
— Flecha falante?
Estremeci. A flecha que peguei das árvores sussurrantes de Dodona não tinha sido muito útil. Só eu conseguia ouvi-la, e sempre que pedia conselhos ela só falava coisas sem sentido em inglês arcaico, o que me deixava falando sozinho como um ator ruim de uma peça de Shakespeare durante horas. Calipso adorava.
— Não vou mostrar minha flecha falante — falei. — Mas vou compartilhar o limerique.
— Não! — disseram Calipso e Leo ao mesmo tempo.
Eles largaram os garfos e cobriram as orelhas.
Eu recitei:

Houve um deus, Apolo era chamado
Entrou em uma caverna azul acompanhado
Ele e mais dois montados
No cuspidor de fogo alado
A morte e loucura forçado

Ao redor da mesa, um silêncio desconfortável se espalhou.
Josephine me repreendeu.
— Nunca uma voz ousou proferir um limerique nesta casa, Apolo.
— E vamos torcer para que ninguém mais faça isso — retruquei. — Mas essa foi a profecia de Dodona que nos trouxe aqui.
A expressão de Emmie ficou tensa, afastando qualquer dúvida que pudesse haver de que era a mesma Hemiteia que imortalizei tantos séculos antes. Reconheci a intensidade nos olhos dela, a mesma determinação que a fez se jogar de um penhasco, confiando o destino aos deuses.
— “Uma caverna azul”... — disse ela. — É o Oráculo de Trofônio, sim. Fica nas cavernas Bluespring, uns cento e trinta quilômetros ao sul da cidade.
Leo sorriu enquanto mastigava, a boca revelando uma avalanche de partículas de comida cor de terra.
— Missão mais fácil do mundo, então. Pegamos Festus de volta, pesquisamos esse lugar no Google Maps e voamos até lá.
— Duvido muito — disse Josephine. — O imperador cercou o campo com proteção pesada. Não daria para se aproximar de Bluespring voando num dragão sem levar um tiro no céu. Mesmo que desse, as entradas das cavernas são pequenas demais para um dragão mergulhar e entrar.
Leo fez beicinho.
— Mas o limerique...
— Pode ser traiçoeiro — falei. — Afinal, é um limerique.
Calipso se remexeu na cadeira, chegando mais para a frente. Tinha enrolado um guardanapo de pano na mão antes quebrada (talvez porque ainda doesse, talvez porque estava nervosa). Aquilo me lembrou uma tocha, uma associação não muito feliz depois do meu último encontro com o imperador louco Nero.
— E a última linha? — perguntou ela. — Apolo vai ser “a morte e loucura forçado”.
Josephine ficou encarando o prato vazio. Emmie apertou a mão dela.
— O Oráculo de Trofônio é perigoso — disse Emmie. — Mesmo quando tínhamos acesso livre a ele, antes de o imperador chegar, nós só consultávamos o espírito em emergências extremas. — Ela se virou para mim. — Você deve se lembrar. Você era o deus da profecia.
Apesar da excelente limonada, minha garganta estava seca. Eu não gostava de ser lembrado do que era. Também não gostava de buracos gigantescos na memória, cheios de nada além de medo do desconhecido.
— Eu... eu lembro que a caverna era perigosa, sim — falei. — Mas não lembro por quê.
— Você não lembra. — A voz de Emmie assumiu um tom perigoso.
— Eu normalmente me concentrava no lado divino das coisas — expliquei. — Na qualidade dos sacrifícios. Que tipo de incenso os requerentes acendiam. Nos agradáveis hinos de louvor. Nunca perguntei por que tipo de provações os requerentes passavam.
— Você nunca perguntou.
Eu não estava gostando nada daquilo. Tive a sensação de que Emmie seria um coro grego ainda pior do que Calipso.
— Eu li algumas coisas no Acampamento Meio-Sangue — falei, na defensiva. — Não tinha muita coisa sobre Trofônio. E Quíron não pôde ajudar. Ele tinha se esquecido completamente da existência do oráculo. Supostamente, as profecias de Trofônio eram sombrias e assustadoras. Às vezes, enlouqueciam as pessoas. Talvez essa caverna fosse uma espécie de casa mal-assombrada com, hã, esqueletos pendurados, sacerdotisas pulando e gritando BU?
A expressão azeda de Emmie indicava que meu palpite estava muito errado.
— Também li uma coisa sobre os requerentes beberem de duas fontes especiais — persisti. — Achei que “a morte e loucura forçado” pudesse ser uma referência simbólica a isso. Licença poética e tal.
— Não — murmurou Josephine. — Não é licença poética. Aquela caverna literalmente enlouqueceu nossa filha.
Uma brisa gelada bateu no meu pescoço, como se a Estação Intermediária tivesse soltado um suspiro infeliz. Pensei no apocalipse que vi desenhado na parede do quarto abandonado da criança.
— O que aconteceu? — perguntei, embora não tivesse certeza de que queria saber a resposta, principalmente se fosse um presságio do que eu estava prestes a enfrentar.
Emmie amassou um pedaço da casca do pão, deixando as migalhas caírem.
— Quando o imperador chegou a Indianápolis... esse Novo Hércules...
Calipso abriu a boca para perguntar, mas Emmie levantou a mão.
— Por favor, querida, não me peça para dizer o nome dele. Não aqui. Não agora. Como tenho certeza de que você sabe, muitos deuses e monstros ouvem quando você diz o nome deles. Ele é pior do que a maioria.
— Por favor, continue — pediu Calipso.
— Primeiro nós não entendemos o que estava acontecendo — disse Emmie. — Nossos amigos e companheiros começaram a sumir. — Ela indicou a área ampla ao redor. — Éramos umas doze pessoas mais ou menos morando aqui. Agora... só sobramos nós.
Josephine se recostou na cadeira. Na luz do vitral, o cabelo emanava o mesmo brilho cinza-chumbo das ferramentas nos bolsos do macacão.
— O imperador estava nos procurando. Sabia sobre a Estação Intermediária. Queria nos destruir. Mas, como eu falei, este lugar não é fácil de encontrar, a não ser que você seja convidado por nós. Então as forças deles esperaram até nosso pessoal sair. Foram levando nossos amigos um a um.
— Levando? — perguntei. — Vivos?
— Ah, sim. — O tom sombrio de Josephine deu a impressão de que a morte seria preferível. — O imperador ama prisioneiros. Ele capturou nossos hóspedes, nossos grifos.
Uma fruta vermelha caiu dos dedos de Leo.
— Grifos? Hã... Hazel e Frank me contaram sobre eles. Lutaram com alguns no Alasca. Disseram que eram hienas com asas raivosas.
Josephine deu um sorrisinho.
— Os pequenos, os selvagens, podem ser, sim. Mas criamos os melhores grifos aqui. Ou, pelo menos... criávamos. Nosso último par de reprodutores desapareceu um mês atrás. Heloísa e Abelardo. Nós os deixamos sair para caçar, eles precisam fazer isso para ficarem saudáveis. Eles nunca voltaram. Para Georgina, isso foi a gota d’água.
Fui tomado por uma sensação ruim. Algo mais ameaçador do que o óbvio estamos falando sobre coisas sinistras que podem me matar. Os ninhos de grifos nas passarelas acima de nós. Uma lembrança distante sobre as seguidoras da minha irmã. Um comentário que Nero fez na minha visão: o Novo Hércules queria porque queria destruir a Casa das Redes, o que talvez fosse outro nome da Estação Intermediária... Parecia que a sombra de alguém estava surgindo na mesa de jantar, alguém que eu deveria conhecer, talvez alguém de quem devesse estar fugindo.
Calipso desenrolou o guardanapo da mão.
— Sua filha — disse ela. — O que aconteceu com ela?
Nem Josephine nem Emmie responderam. Agamedes fez uma leve reverência, a túnica sangrenta brilhando em vários tons de molhos de pimenta.
— É óbvio — falei. — A garota foi para a Caverna de Trofônio.
Emmie lançou um olhar incisivo para um ponto além de mim, para Agamedes.
— Georgina botou na cabeça que o único jeito de salvar a Estação Intermediária e encontrar os prisioneiros era consultando o oráculo. Ela sempre se sentiu atraída pelo lugar. Não tinha medo, como a maioria das pessoas. Uma noite, ela saiu escondida. Agamedes a ajudou. Não sabemos exatamente como eles chegaram lá...
O fantasma pegou a Bola 8 Mágica. Jogou para Emmie, que franziu a testa para a resposta que apareceu.
— “Foi uma ordem” — leu ela. — Não sei o que você quer dizer, seu velho morto idiota, mas ela era só uma criança. Sem o trono, você sabia o que aconteceria com ela!
— Trono? — perguntou Calipso.
Outra lembrança surgiu na superfície do meu cérebro de Bola 8.
— Ah, deuses — falei. — O trono.
Antes que eu pudesse continuar, o salão inteiro tremeu. Pratos e xícaras balançaram na mesa de jantar. Agamedes sumiu em um brilho alaranjado. No alto do teto abobadado, os painéis de vitral verde e marrom escureceram, como se uma nuvem tivesse bloqueado o sol.
Josephine se levantou.
— Estação Intermediária, o que está acontecendo no telhado?
Pelo que pude perceber, o prédio não respondeu. Nenhum tijolo pulou da parede. Nenhuma porta se abriu e fechou em código Morse.
Emmie colocou a Bola 8 Mágica na mesa.
— Vocês todos, fiquem aqui. Jo e eu vamos dar uma olhada.
Calipso franziu a testa.
— Mas...
— Foi uma ordem — disse Emmie. — Não vou perder mais hóspedes.
— Não pode ser Côm... — Josephine parou no meio da palavra. — Não pode ser ele. Será que Heloísa e Abelardo voltaram?
— Talvez. — Emmie não pareceu convencida. — Mas, só por garantia...
As duas mulheres correram até um armário de metal na cozinha. Emmie pegou seu arco e sua aljava. Josephine puxou uma metralhadora das antigas com carregador cilíndrico entre os dois cabos.
Leo quase engasgou com a sobremesa.
— Isso é uma pistola metralhadora?
Josephine deu um tapinha carinhoso na arma.
— Esta é a Pequena Bertha. Um lembrete da minha sórdida vida passada. Tenho certeza de que não há nada com que se preocupar. Fiquem todos quietinhos aí.
Com esse conselho reconfortante, nossas anfitriãs altamente armadas saíram para verificar o telhado.

18 comentários:

  1. Agora já sei quem é o imperador.

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  2. Acho que em algum cap o Agamedes vai poder se comunicar livremente, de um jeito melhor que a Bola 8

    -MrGoat

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    1. Ou o Leo vai dar um jeito na bola. Do jeito q é ele e capaz de conseguir..

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  3. Carlos Daniel Souza10 de maio de 2017 10:53

    Oráculo de Trofônio

    Mais animador que Dodona

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  4. Até agora eu nem faço idéia de quem seja esse imperador!

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  5. "— Não me teste, Valdez. Quando eu for deus de novo, vou transformar você numa constelação, que vou chamar de Pequeno Latino em Explosão.
    — Gostei!"
    Kkkkk

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  6. Já sei quem é o imperador romano,ele queria que as pessoas o adorassem e o chamassem de Hércules.

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  7. Mais alguém aí foi na Wikipedia pesquisar por "Côm..."???

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    1. eu, agr ja sei quem é

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    2. admito q eu fui no Google pesquisar feito uma louca e acho q sei qm é...

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  8. Hércules Romanus
    Nada melhor do que uma rápida pesquisa na Wikipédia para descobrir quem é o Imperador KkKkKkK

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  9. Se eu fosse chutar , diria que os imperadores sao nero , comodo e caligula

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    1. Estou na dúvida entre Clígula, Cláudio e Heliogábalo.... Mas pode ser Adriano tbm... mas dúvido pq Nero não ia querer trabalhar com o "Nero Bem Sucedido"

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  10. Fui pesquisar no Google sobre o possivel imperador é acho q já sei qm é, agora n sei pq mas eu desconfio q esse tal imperador tbm seja aquele Marcus... ( q apolo descreveu como ''parecido'' com nico di Angelo) só supondo msm..

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  11. "— Não me teste, Valdez. Quando eu for deus de novo, vou transformar você numa constelação, que vou chamar de Pequeno Latino em Explosão.
    — Gostei!"
    Leo é tão eu na vida, acha até o mais horrível divertido kkkkk

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Boa leitura :)