22 de maio de 2017

Capítulo 7 - Um nome poderoso

No caminho para casa, Roran disse:
 Havia um estranho de Therinsford lá na ferraria do Horst hoje.
 Qual era o nome dele?  perguntou Eragon. Ele evitou um pedaço de gelo que estava no caminho e continuou a andar com um passo apressado. Suas bochechas e os olhos queimavam por causa do trio.
 Dempton. Ele veio até aqui para Horst forjar algumas bases metálicas  disse Roran. Suas pernas fortes abriam caminho na neve, abrindo passagem para Eragon.
 Mas Therinsford não tem o seu próprio ferreiro?
 Tem  respondeu Roran.  Mas ele não é hábil o bastante.  Roran olhou para Eragon. Dando os ombros, ele acrescentou:  Dempton precisa das bases metálicas para o moinho dele. Ele está expandindo e me ofereceu um emprego. Se eu aceitar, terei de partir com ele quando for pegar as peças prontas.
Os moleiros trabalhavam o ano todo. Durante o inverno, moíam qualquer coisa que as pessoas levassem, mas na temporada da colheita, compravam grãos e vendiam como farinha. Era um trabalho duro e perigoso. Os operários frequentemente perdiam dedos, ou mãos, nas mós gigantes.
 Você vai contar isso a Garrow?  perguntou Eragon.
 Vou.  Um sorriso preocupante surgiu no rosto de Roran.
 Por quê? Você sabe a opinião dele sobre nós irmos embora. Se você disser algo, só vai nos arranjar encrenca. Esqueça isso para podermos jantar hoje em paz.
 Não posso. Vou aceitar o emprego.
Eragon parou de andar.
 Por quê?
Eles ficaram um de frente para o outro, a respiração deles era visível no ar.
 Sei que não é fácil ganhar dinheiro, mas sempre conseguimos dar um jeito para sobreviver. Você não precisa ir embora.
 Não preciso. Mas o dinheiro será para mim.  Roran tentou recomeçar a caminhada, mas Eragon se recusou a sair do lugar.
 Para que você precisa de dinheiro?  perguntou.
Os ombros de Roran se aprumaram levemente.
 Eu quero casar.
Perplexidade e surpresa tomaram conta de Eragon. Ele lembrou ter visto Katrina e Roran se beijando durante a visita dos mercadores, mas casamento?
 Katrina?  perguntou baixinho, só para confirmar. Roran concordou com a cabeça.  Você já pediu a mão dela?
 Ainda não, mas na primavera, quando eu puder construir uma casa, pedirei.
 Há trabalho demais na fazenda para você partir agora  protestou Eragon.  Espere até estarmos preparados para o plantio.
 Não  respondeu Roran, rindo levemente.  Vocês precisarão mais de mim na primavera. O solo terá de ser lavrado e semeado. Teremos de tirar as ervas daninhas das plantações e sem falar em todas as outras tarefas. Não, esta é a melhor época para eu sair, pois o que fazemos na realidade é ficar esperando pela mudança da estação. Você e Garrow podem se virar sem mim. Se tudo der certo, logo estarei trabalhando na fazenda com uma esposa.
Relutante, Eragon reconheceu que o que Roran falou fazia sentido.
Ele balançou a cabeça, mas não sabia se foi por surpresa ou raiva.
 Eu só posso lhe desejar toda a sorte do mundo. Mas Garrow pode não aceitar muito bem essa história.
 É o que veremos.
Recomeçaram a caminhada; havia uma barreira de silêncio entre os dois. O coração de Eragon estava perturbado. Ainda levaria algum tempo para que ele se conformasse de modo favorável com essa história. Quando chegaram em casa, Roran não contou seus planos a Garrow, mas Eragon tinha certeza de que ele logo contaria.
Eragon foi ver o dragão pela primeira vez desde que o animal havia falado com ele. Eragon aproximou-se apreensivo, agora estando consciente de que eles eram iguais.
Eragon.
 Você só sabe falar isso?  perguntou Eragon depressa.
Só.
Ele arregalou os olhos por causa da resposta inesperada e sentou-se de qualquer maneira. Agora, ele até tem senso de humor. O que ainda está por vir?
Impulsivamente, quebrou um galho morto com o pé. O comunicado de Roran deixou-o de mau humor. Um pensamento questionador veio do dragão, e Eragon contou o que havia acontecido. Conforme falava, o tom da voz dele ia aumentando até que ele começou a gritar sem motivo para o alto. Ele reclamou até extravasar as suas emoções, depois, socou o chão em vão.
 Eu não quero que ele vá, é só isso  disse, triste.
O dragão olhava tudo de modo impassível, ouvindo e aprendendo. Eragon resmungou, xingando baixinho, e esfregou os olhos. Ele olhou para o dragão, pensativo.
 Você precisa de um nome. Ouvi alguns nomes interessantes hoje. Talvez, você goste de algum deles.  Mentalmente, ele repassou a lista de nomes que Brom havia dito até achar dois que pareciam ser heróicos, nobres e que agradavam aos ouvidos.  O que você acha de Vanilor? Ou do sucessor dele, Eridor? Os dois foram grandes dragões.
Não. Disse o dragão. O animal parecia estar encantado com os esforços do rapaz. Eragon.
 Esse é o meu nome, você não pode se chamar assim  disse, coçando o queixo.  Bem, se você não gostou desses, há outros.
Ele continuou a repassar a lista, mas o dragão recusava todos os nomes que ele sugeria. O dragão parecia rir de algo que Eragon não entendia, mas o rapaz ignorou e continuou a sugerir nomes.
 Havia Ingothold, que matou a...  Uma revelação fez que ele parasse.  Já sei qual é o problema! Eu só falei nomes masculinos e você é um dragão fêmea!
Isso. O dragão dobrou as asas, satisfeito.
Agora que sabia o que procurar, Eragon pensou em mais uma meia dúzia de nomes. Ele pensou em Miremel, mas não ficou bom, pois, afinal, esse era o nome de um dragão marrom. Otelia e Lenora também foram descartados. Ele já estava prestes a desistir quando se lembrou do último nome que Brom havia sussurrado. Eragon gostou, mas será que o dragão gostaria?
Ele perguntou:
 Você é Saphira?  Ela olhou para ele com olhos inteligentes. No fundo da mente, sentiu a satisfação dela.
Sou. Algo disparou em sua mente, e a voz dela ecoou, como se viesse de uma grande distância. Ele deu um sorriso largo como resposta.
Saphira começou a zumbir.

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Boa leitura :)