27 de maio de 2017

Capítulo 59 - Presentes

Eragon arrumou seus pertences em menos de cinco minutos. Pegou a sela que Oromis havia lhe dado, amarrou-a em Saphira, depois amarrou sua bagagem sobre as costas do dragão e a prendeu com uma fivela. Saphira jogou sua cabeça para cima, alargou as narinas e disse: Vou esperar por você no campo. Com um rugido, ela se jogou da casa da árvore, abriu suas asas azuis num ponto culminante do ar e saiu voando, deslizava sobre a cobertura da floresta.
Rápido como um elfo, Eragon correu para a mansão Tialdarí, onde encontrou Orik sentado no seu canto de costume, jogando runas. O anão o cumprimentou com um tapinha amigável no braço.
— Eragon! O que o traz aqui a essa hora da manhã? Achei que você estava batendo espadas com Vanir.
— Eu e Saphira estamos partindo — disse o Cavaleiro.
Orik parou com a boca aberta, depois estreitou os olhos, ficando sério.
— Você teve notícias?
— Falo sobre isso com você mais tarde. Você quer vir?
— Para Surda?
— Sim.
Um sorriso escancarado brotou no rosto peludo de Orik.
— Você teria que me prender com ferros antes que eu ficasse para trás. Não fiz nada em Ellesméra a não ser engordar e ficar indolente. Um pouco de agitação me fará bem. Quando partimos?
— O mais rápido possível. Junte as suas coisas e nos encontre no campo de duelos. Você poderia conseguir para nós provisões para uma semana?
— Uma semana? Mas isso não vai...
— Iremos voando sobre Saphira.
A pele acima da barba de Orik empalideceu.
— Nós, anões, não nos damos bem nas alturas, Eragon. Não mesmo. Seria melhor se pudéssemos seguir em cavalos, como fizemos para chegar até aqui.
Eragon balançou a cabeça.
— Isso levaria muito tempo. Além do mais, é fácil viajar sobre Saphira. Ela o pegará se você cair. — Orik resmungou, parecendo ao o tempo nauseado e hesitante. Ao deixar a mansão, Eragon correu meio à cidade rústica até se juntar novamente a Saphira, e depois voou até os rochedos de Tel’naeír.
Oromis estava sentado no braço dianteiro direito de Glaedr quando eles aterrissaram na clareira. As escamas do dragão douravam o cenário com incontáveis lascas de luz áurea. Nem ele nem o elfo se mexeram. Descendo das costas de Saphira, Eragon se curvou.
— Mestre Glaedr. Mestre Oromis.
Glaedr disse: Vocês resolveram que iriam voltar para os Varden, não?
Sim. respondeu Saphira.
A sensação de que foi traído superou o autocontrole de Eragon:
— Por que vocês nos esconderam a verdade? Estão tão determinados a nos deixarem aqui, que tiveram que lançar mão de um artifício desleal. Os Varden estão prestes a serem atacados e vocês nem sequer mencionaram isso!
Calmo como sempre, Oromis perguntou.
— Você quer saber por quê?
Muito, mestre, disse Saphira antes que Eragon pudesse responder. Em particular, ela o repreendeu, rosnando: Seja educado!
— Nós seguramos as novidades por dois motivos. O principal deles era que nós mesmos não soubemos de nada até nove dias depois que os Varden foram ameaçados, e o real tamanho, a localização e os movimentos das tropas do Império permaneceram escondidos de nós até três dias depois disso, quando o lorde Däthedr rompeu as barreiras mágicas que Galbatorix usou para bloquear a nossa cristalomancia.
— Isso ainda não explica por que você não nos disse nada. — vociferou Eragon, franzindo a testa. — Não é só isso, mas assim que vocês descobriram que os Varden estavam em perigo, por que Islanzadí não incitou os elfos a lutar? Não somos aliados?
— Ela incitou os elfos, Eragon. A floresta ecoa com o bater dos martelos, o ruído das botas blindadas e a tristeza daqueles que estão prestes a se separar. Pela primeira vez em um século, nossa raça está pronta para sair de Du Weldenvarden e desafiar nosso maior inimigo. Chegou a hora dos elfos mais uma vez saírem para andar livremente na Alagaësia. — Delicadamente, Oromis acrescentou: — Ultimamente você tem andado distraído, Eragon, e eu sei por quê. Agora você deve olhar além de si próprio. O mundo exige a sua atenção.
Envergonhado, tudo o que Eragon pôde dizer foi:
— Desculpe, mestre. — Ele se lembrou das palavras de Blagden e se permitiu um sorriso amargo. — Estou tão cego quanto um morcego.
— Nem tanto, Eragon. Você se saiu bem, considerando as enormes responsabilidades que pedimos para que assumisse. — Oromis o encarou com um ar solene. — Estamos para receber uma missiva de Nasuada nos próximos dias, pedindo ajuda a Islanzadí e que você se junte novamente aos Varden. Pretendia informá-lo da situação desagradável dos Varden então, quando você ainda teria tempo suficiente para chegar a Surda antes das espadas serem desembainhadas. Se eu tivesse lhe dito isso antes, você seria obrigado pela honra a abandonar o seu treinamento e correr para defender sua suserana. Foi por isso que eu e Islanzadí não abrimos as nossas bocas.
— Meu treinamento não irá significar nada se os Varden forem destruídos.
— Não. Mas você pode ser a única pessoa capaz de evitar que eles sejam destruídos, pois há uma chance, pequena porém terrível, de que Galbatorix esteja presente nessa batalha. Já está tarde demais para quem nossos guerreiros possam ajudar os Varden, o que significa que, se Galbatorix de fato estiver lá, você deverá enfrentá-lo sozinho, sem a proteção dos nossos feiticeiros. Sob essas circunstâncias, era vital que o seu treinamento se prolongasse pelo máximo de tempo possível.
Num instante, a raiva de Eragon se desfez e foi substituída por uma razão fria. dura e brutalmente prática enquanto ele entendia a necessidade do silêncio de Oromis. Sentimentos pessoais eram irrelevantes numa situação tão medonha quanto a deles. Com a voz firme, ele falou:
— Você tinha razão. Meu juramento de lealdade me força a garantir a segurança de Nasuada e dos Varden. No entanto, não estou pronto para enfrentar Galbatorix. Ainda não, pelo menos.
— Minha sugestão — disse Oromis — é que, caso Galbatorix se revele, você faça tudo que puder para distraí-lo dos Varden até que a batalha esteja decidida em favor do bem ou do mal e evite um confronto direto com ele. Antes que parta, gostaria de lhe pedir uma coisa: que você e Saphira, assim que os eventos permitam, jurem que voltarão aqui para completar o seu treinamento, pois vocês ainda têm muito a aprender.
Nós voltaremos, prometeu Saphira, comprometendo-se na língua antiga.
— Sim, voltaremos — repetiu Eragon, selando o seu destino.
Parecendo satisfeito, Oromis enfiou a mão atrás de si e pegou uma bolsa vermelha bordada que ele abriu com um puxão.
— Previ a sua partida, por isso juntei três presentes para você, Eragon. — De dentro da bolsa, ele tirou uma garrafa prateada. — Em primeiro lugar, um pouco de faelnirv ao qual acrescentei os meus próprios encantos. Essa poção poderá ajudá-lo quando tudo o mais falhar, e você provavelmente achará suas propriedades úteis em outras circunstâncias também. Beba-a com economia, pois eu só tive tempo de preparar um bocadinho.
Ele passou a garrafa para Eragon e depois tirou de dentro da bolsa um cinturão comprido, preto e azul, para pendurar espadas. O cinto parecia notadamente grosso e pesado quando o jovem o tateou. Era feito de fios de pano que, entrelaçados, mostravam uma liana em espiral. Orientado por Oromis, Eragon puxou uma espécie de borla na extremidade do cinto e ficou ofegante enquanto uma faixa em seu centro deslizava e exibia doze diamantes, cada um com dois centímetros e meio de diâmetro. Quatro diamantes eram brancos, quatro eram negros e os restantes tinham como cores o vermelho, o azul, o amarelo e o marrom. Eles resplandeciam frios e brilhantes, como gelo no amanhecer, projetavam um arco-íris de manchas multicoloridas sobre as mãos de Eragon.
— Mestre... — Eragon balançou a cabeça contido. — Será que é seguro dar isso para mim?
— Guarde isso muito bem para que ninguém fique tentado a roubá-lo. Esse é o cinto de Beloth, o Sábio – sobre quem você leu na sua história do Ano da Escuridão – e é um dos maiores tesouros dos Cavaleiros. Essas são as joias mais perfeitas que os Cavaleiros poderiam encontrar. Algumas delas conseguimos em trocas com os anões. Outras nós ganhamos em batalhas ou encontramos garimpando. As pedras não são exatamente mágicas, mas você pode usá-las como repositórios para o seu poder e recorrer a tal reserva quando for necessário. Isso, junto com o arranjo de rubis no botão do punho de Zar’roc, permitirá que você acumule uma reserva de energia para que não se sinta indevidamente exausto invocando feitiços numa batalha, ou mesmo quando estiver em confronto com adversários mágicos.
Por fim, Oromis trouxe um rolo de pergaminho fino protegido por um tubo de madeira decorado com um entalhe em baixo relevo da Menoa. Desenrolando o pergaminho, Eragon viu o poema que ele havia recitado durante o Agaetí Blödhren. Estava escrito na melhor caligrafia de Oromis e fora ilustrado com as pinturas detalhadas do elfo. Plantas e e animais se entrelaçavam dentro do contorno do primeiro glifo de cada quadra, e arabescos delicados delineavam as colunas de palavras e emolduravam as imagens.
— Pensei — disse Oromis — que você gostaria de ter uma cópia.
Eragon estava de pé com doze diamantes inestimáveis numa mão e com o pergaminho de Oromis na outra, e sabia que era este último que ele considerava mais precioso. O jovem Cavaleiro se curvou e, reduzido a linguagem mais simples pela profundidade de sua gratidão, disse:
— Obrigado, mestre.
Então Oromis surpreendeu Eragon ao iniciar o cumprimento tradicional dos elfos e, com isso, indicou o respeito que tinha pelo pupilo:
— Que a boa sorte esteja sobre você.
— Que as estrelas zelem por você.
— E que a paz viva em seu coração — concluiu o elfo de cabelos prateados. Ele repetiu a troca de cumprimentos com Saphira. — Agora vão e voem tão rápido quanto o vento norte, sabendo que vocês, Saphira Escamas Brilhantes e Eragon Matador de Espectros, levam a benção de Oromis, último descendente da casa Thrándurin, aquele que é, ao mesmo tempo, o Sábio Pesaroso e o Imperfeito Que E Perfeito.
E a minha também, acrescentou Glaedr. Estendendo seu pescoço, ele encostou a ponta do seu nariz no de Saphira, e seus olhos dourados brilhavam como se fossem poços de brasas. Lembre-se de manter o seu coração em segurança, Saphira. Ela respondeu com um zumbido.
Os dois partiram com despedidas formais. Saphira se ergueu sobre a floresta emaranhada enquanto Oromis e Glaedr iam ficando cada vez menores atrás deles, sozinhos nos rochedos. Apesar das privações de sua estada em Ellesméra, Eragon sentiria falta de estar entre os elfos, pois foi com eles que encontrou algo que se aproximava de um lar, desde que fugiu do vale Palancar.
Saio daqui como um novo homem, pensou e fechou os olhos, agarrado a Saphira.
Antes de encontrar Orik, os dois fizeram mais uma parada: mansão Tialdarí. Saphira aterrissou nos jardins anexos, cuidava para não danificar nenhuma das plantas com sua cauda ou garras. Sem esperar que ela se agachasse, Eragon deu um pulo e caiu no chão, um salto que antes o teria machucado.
Um elfo apareceu, tocou seus lábios com os dois primeiros dedos e perguntou se podia ajudá-los. Quando Eragon respondeu dizendo que queria pedir uma audiência com Islanzadí, o elfo disse:
— Por favor, espere aqui, Mão de Prata.
Não se passaram nem cinco minutos e a própria rainha emergiu das profundezas de madeira da mansão Tialdarí, e sua túnica vermelha parecia uma gota de sangue no meio dos lordes e damas elfas que a acompanhavam vestidos de branco. Depois que se observaram as formas apropriadas de cumprimentos, ela se pronunciou:
— Oromis me informou da sua intenção de nos deixar. Isso me desagrada bastante, mas não se pode resistir ao chamado do destino.
— Não, Vossa Majestade, não se pode. Viemos aqui apresentar nossos cumprimentos antes de partir. Vocês tiveram muita consideração para conosco e agradecemos a sua casa pelas nossas roupas, acomodações e alimentação. Estamos em dívida com vocês.
— Vocês jamais estarão endividados conosco, Cavaleiro. Nós apenas pagamos um pouco do que devemos a vocês e aos dragões por nosso terrível fracasso durante a Queda. No entanto, estou grata por vocês terem apreciado a nossa hospitalidade. — Ela fez uma pausa. — Quando chegarem em Surda, transmitam minhas saudações reais para lady Nasuada e para o rei Orrin e informe a eles que nossos guerreiros logo atacarão a metade norte do Império. Se a sorte nos sorrir, pegaremos Galbatorix desprevenido e. na ocasião propícia, dividiremos as suas tropas.
— Como quiser.
— Além disso, saiba que despachei doze dos nossos melhores feiticeiros para Surda. Se você ainda estiver vivo quando eles chegarem, saiba que eles ficarão sob o seu comando e farão o melhor que puderem para protegê-lo do perigo, seja noite ou seja dia.
— Obrigado, majestade.
Islanzadí estendeu uma de suas mãos e um dos lordes elfos lhe passou uma caixa de madeira rasa e simples.
— Oromis tinha presentes para lhe dar e eu tenho os meus. Deixe que eles o lembrem do tempo que passou conosco sob os pinheiros umbrosos. — Ela abriu a caixa, revelando um arco longo e escuro com orlas recurvadas e pontas onduladas acomodado numa base de veludo. Acessórios de prata com folhas de corniso entalhadas decoravam as abas o punho do arco. Do seu lado havia uma aljava com flechas novas com penas brancas de cisne. — Agora que você compartilha da nossa força, parece mais do que apropriado que tenha um dos nossos arcos. Eu mesma o fiz, a partir da madeira de um teixo. A corda jamais se partirá, enquanto usar essas flechas, você terá dificuldades para errar o alvo, mesmo se houver uma rajada de vento durante o seu arremesso.
Mais uma vez, Eragon foi desarmado pela generosidade dos elfos. Ele se curvou.
— O que posso dizer, minha lady? Você me honra por ter julgado justo me dar um trabalho feito com suas próprias mãos.
Islanzadí acenou com a cabeça, como se estivesse concordando depois, passando por ele, disse:
— Saphira, eu não lhe trouxe nenhum presente porque não consegui pensar em nada que você pudesse querer ou de que necessitasse, mas se há alguma coisa em nossos domínios que deseje, diga o que é que logo será sua.
Dragões, disse Saphira, não precisam de posses para serem felizes. Que necessidade temos de propriedades, quando nossas peles são mais magníficas do que qualquer tesouro que existe? Não, estou contente com a amabilidade com que vocês trataram Eragon.
Então, Islanzadí lhes desejou uma viagem segura. Andando com pompa e com a capa vermelha se erguendo sobre os seus ombros, ela fez menção de deixar os jardins, antes parou e disse:
— E, Eragon?
— Sim, Vossa Majestade?
— Quando você encontrar com Arya, por favor, expresse o meu afeto por ela e diga-lhe que está fazendo muita falta aqui em Ellesméra. — As palavras foram frias e formais. Sem esperar resposta, ela se afastou e desapareceu no meio dos troncos sombrios que protegiam o interior da mansão Tialdarí seguida pelos lordes e damas elficos.
Saphira levou menos de um minuto para voar ao campo de disputas, onde Orik estava sentado em sua saca volumosa, jogando seu machado de guerra de uma mão para a outra e franzindo a testa furiosamente.
— Você demorou — resmungou. Ele se levantou e enfiou o machado de volta no cinto. Eragon pediu desculpas pelo atraso, depois amarrou a bagagem de Orik na parte de trás de sua sela. O anão olhou para o ombro de Saphira, que se erguia bem acima dele. — E como é que eu, pela barba negra de Morgothal, vou conseguir subir aí em cima? Um penhasco tem mais pontos de apoio do que você Saphira.
Por aqui, disse ela. O dragão deitou sobre o seu estômago e empurrou sua perna traseira direita o máximo possível para a frente, formando uma rampa nodosa. Forçando-se ao subir em sua canela e xingando em voz alta, Orik escalou a perna do animal com as mãos e os joelhos. Uma pequena chama brotou das narinas de Saphira, enquanto ela resfolegava. Rápido, isso está coçando!
Orik fez uma pausa na beira das ancas de Saphira, depois colocou uma perna de cada lado da coluna do dragão e seguiu cuidadosamente pelas costas até o seu lugar em cima da sela. Ele deu um tapinha num dos espinhos de marfim que estavam entre suas pernas e disse:
— Essa é a melhor maneira de perder a masculinidade que eu já vi.
Eragon deu um sorriso.
— Não escorregue. — Quando Orik arriou na parte da frente da sela, Eragon montou em Saphira e se sentou atrás do anão. Para manter Orik lugar quando ela virava e revirava, Eragon deixou para lá as correias e supostamente deveriam segurar os seus braços e fez o anão enfiar suas pernas nelas.
Enquanto Saphira se levantava, Orik balançou e depois agarrou o espinho à sua frente.
— Aaargh! Eragon, não deixe que eu abra os meus olhos até chegarmos no céu, caso contrário temo que ficarei enjoado. Isso vai contra as leis da natureza, e como! Anões não foram feitos para andar em dragões. Isso nunca aconteceu antes.
— Nunca?
Orik balançou a cabeça sem responder.
Bandos de elfos saíam de Du Weldenvarden, se juntavam ao longo da beira do campo e, com expressões solenes, assistiam a Saphira levantar suas asas translúcidas preparando-se para decolar.
Eragon apertou as rédeas com mais força ao sentir os músculos poderosos da parceira se retesarem sob suas pernas. Acelerando, Saphira se lançou no céu azul-celeste, bateu as asas rapidamente e com força para se erguer acima das árvores gigantes. Ela girava por sobre a vasta floresta — subia numa espiral enquanto ganhava altitude — e depois se lançou para o sul, na direção do deserto Hadarac.
Embora o vento fizesse barulho nos ouvidos de Eragon, ele ouviu uma elfa em Ellesméra erguer sua voz límpida com uma canção, como acontecera quando chegaram. Ela cantava:

Longe, longe, você vai voar para longe,
Sobre os picos e vales
Para os mundos distantes.
Longe, longe, você vai voar para longe,
E jamais voltar para mim.

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