22 de maio de 2017

Capítulo 5 - O despertar

O dragão não era maior do que seu antebraço, porém era magnífico e nobre. As escamas dele eram de um azul-safira forte, da mesma cor da pedra. E ele percebeu que não era uma pedra, era um ovo. O dragão bateu as asas. Eram elas que fizeram-no parecer tão distorcido. As asas eram muito mais compridas do que o corpo e guarnecidas de dedos finos, com ossos que se esticavam da borda dianteira da asa, formando uma linha de garras bem separadas. A cabeça do dragão era mais ou menos triangular. Duas pequenas presas brancas diminutas, curvadas para baixo, despontavam da sua mandíbula superior. Pareciam ser muito afiadas. Suas garras também eram muito brancas, como marfim polido e ligeiramente serrilhadas na curvatura interna. Uma fileira de pequenos espinhos descia pelas costas da criatura, desde a base da cabeça até a ponta da cauda. Uma depressão, onde seu pescoço e seus ombros se juntavam, criava um vão maior do que o normal entre os espinhos.
Eragon moveu-se um pouco, e a cabeça do dragão virou-se depressa. Firmes olhos azul-claros fixaram-se nele, que continuou imóvel. Aquele animal poderia ser um inimigo formidável se resolvesse atacar.
O dragão perdeu o interesse por Eragon e, desajeitado, explorou o quarto, gritando quando batia em uma parede ou em um móvel. Com um bater das asas, pulou em cima da cama e engatinhou até o travesseiro, chiando. A boca estava aberta de modo piedoso, como a de um pássaro jovem, exibindo carreiras de dentes pontudos. Eragon sentou-se cuidadosamente na beira da cama. O dragão cheirou a mão dele e mordiscou sua manga. Ele puxou o braço para trás.
Um sorriso tomou os lábios de Eragon enquanto olhava para a pequena criatura. Hesitante, esticou o braço e, com a mão direita, tocou o flanco do animal. Uma explosão de energia gelada entrou pela mão dele e correu pelo braço, queimando-lhe as veias como fogo líquido. Caiu para trás dando um forte grito. Um barulho metálico encheu seus ouvidos, e ele ouviu um silencioso grito de fúria. Todas as partes de seu corpo queimavam de dor. Fez força para se mover, mas não conseguiu. Depois do que pareceram ser horas, o calor voltou aos seus membros, deixando-os formigantes. Tremendo incontrolavelmente, fez força e pôs-se de pé. Sua mão estava dormente, e seus dedos, paralisados. Assustado, ele observava o meio da palma de sua mão brilhar e formar um desenho oval branco e difuso. A pele coçava e queimava como em uma mordida de aranha. Seu coração batia freneticamente.
Eragon piscou, tentando entender o que havia acontecido. Algo tocava sua consciência como um dedo passando em cima da pele. Sentiu novamente, mas, desta vez, tomou a forma de uma corrente de pensamentos, pela qual ele sentia uma curiosidade crescente. Era como se um muro invisível que cercava seus pensamentos tivesse caído e, agora, estivesse livre para explorar a sua mente. Temia que, sem nada para segurá-lo, pudesse flutuar para fora do corpo e ser incapaz de voltar, virando um espírito etéreo. Com medo, ele se afastou. Esse novo sentido desapareceu como se tivesse fechado os olhos. Lançou um olhar desconfiado para o dragão imóvel.
Uma perna escamosa raspou nele, e Eragon se afastou. Porém, a energia não deu outro choque. Confuso, acariciou a cabeça do dragão com a mão direita. Um formigamento leve subiu pelo braço. O dragão tocou-o com o nariz, arqueando as costas como um gato. Eragon passou um dedo por cima das finas membranas da asa dele. Pareciam um pergaminho velho, aveludadas e quentes, mas ainda estavam levemente úmidas. Centenas de veias finas pulsavam no meio delas.
Novamente, a corrente de pensamentos tocou a sua mente, mas, em vez de curiosidade, ele sentiu uma fome voraz, avassaladora. Levantou-se com um suspiro. Aquele era um animal perigoso, Eragon sabia disso. Entretanto, o dragão parecia tão indefeso engatinhando na sua cama, que ele não podia ver mal algum em ficar com o animal. O dragão chorou em tom fraco, como se pedisse comida. Eragon coçou a cabeça dele rapidamente para que o animal ficasse quietinho. Decidiu que pensaria nisso depois e saiu do quarto, fechando a porta cuidadosamente.
Ao voltar com dois pedaços de carne-seca, encontrou o dragão sentado no peitoril da janela, olhando a lua. Cortou a carne em pequenos quadrados e ofereceu um ao dragão. O animal cheirou o quadrado com cuidado e, depois, lançou a cabeça para a frente como uma cobra, arrancando o pedaço de carne dos dedos dele, engolindo-o inteiro com um movimento peculiar. O dragão procurou mais comida na mão de Eragon.
Alimentou o dragão, tendo o cuidado de não deixar os dedos no caminho. Quando restava apenas um pedaço de carne, a barriga do dragão estava enorme. Ele ofereceu a última porção, o dragão hesitou por um momento e, em seguida, preguiçosamente mordeu-a. Depois de comer, o animal engatinhou para o braço do rapaz e aninhou-se no peito dele. Por fim, bufou, e uma pequena nuvem de fumaça preta saiu de seu nariz. Eragon olhou maravilhado para aquilo.
Exatamente quando ele percebeu que o dragão havia adormecido, um zumbido baixo saiu da garganta do animal, que vibrava. Gentilmente, levou o animal para a cama e colocou-o perto do seu travesseiro. O dragão, de olhos fechados, passou a cauda em volta da cabeceira, satisfeito. Eragon deitou-se ao seu lado, esticando as mãos na escuridão.
Eragon se deparou com um difícil dilema: se criasse o dragão, poderia se tornar um Cavaleiro. Mitos e histórias sobre os Cavaleiros eram muito apreciados, e ser um deles o colocaria automaticamente entre essas lendas. Entretanto, se o Império descobrisse o dragão, ele e a sua família seriam mortos, a não ser que se juntasse ao rei. Ninguém podia, ou iria, ajudá-los. A solução mais simples seria matar o dragão, mas a ideia era repugnante, e ele a rejeitou. Respeitava demais os dragões para sequer considerar tal possibilidade.
Além disso, o que poderia nos entregar?, pensou ele. Moramos em uma área isolada e não fizemos nada para chamar a atenção.
O problema seria convencer Garrow e Roran a deixá-lo ficar com o dragão. Nenhum deles gostaria de ter um dragão por perto. Eu poderia criá-lo em segredo. Em um mês ou dois, o dragão estará grande o bastante para Garrow não poder se livrar dele, mas será que ele vai aceitá-lo? E mesmo que aceite, será que conseguirei arranjar comida bastante para alimentar o dragão enquanto estiver escondido? Ele não é maior do que um gatinho, mas comeu uma mão cheia de carne! Acho que ele será capaz de caçar um dia, mas quanto tempo isso levará? Será que ele conseguirá sobreviver ao frio lá fora? Ao mesmo tempo, Eragon queria o dragão. Quanto mais pensava nisso, mais certeza tinha. Não importava como as coisas ficariam com Garrow, Eragon ia fazer de tudo para proteger o animal. Determinado, adormeceu encostado ao dragão.


Quando a aurora chegou, o dragão estava sentado em cima da cabeceira da cama, como uma antiga sentinela dando as boas-vindas ao novo dia. Eragon maravilhou-se com a sua cor. Nunca havia visto um azul tão claro e firme. As escamas pareciam centenas de pequenas pedras preciosas. Notou que a marca oval na palma da sua mão, onde havia tocado o dragão, tinha um brilho prateado. Esperava manter aquilo escondido ao deixar as mãos sujas.
O dragão saltou da cama e planou até o chão. Eragon pegou-o com cuidado e saiu da casa silenciosa, parando para pegar carne, algumas tiras de couro e o máximo de panos velhos que podia carregar. A fria manhã estava bonita. Uma camada fresca de neve cobria a fazenda. Sorriu quando a criaturinha, na segurança dos seus braços, olhou em volta, interessada.
Atravessando os campos depressa, entrou silenciosamente na floresta escura, procurando um lugar seguro para deixar o dragão. Finalmente, achou uma sorveira, sozinha em uma pequena colina árida. Os galhos dela, dedos cinza cobertos de neve nas pontas, apontavam para o céu. Pôs o dragão perto da base do tronco e jogou o couro no chão.
Com alguns movimentos habilidosos, ele fez um laço corrediço e passou-o pela cabeça do dragão, enquanto o animal explorava os pequenos montes de neve que cercavam a árvore. O couro estava gasto, mas ia aguentar. Ele viu o dragão rastejando em volta da árvore, então soltou o laço corrediço do pescoço do animal e, para evitar que o animal se enforcasse, fez uma cinta improvisada para as pernas dele. Depois, juntou uma braçada de gravetos, fez uma pequena cabana rudimentar nos galhos cobrindo o interior com os panos velhos – e guardou a carne. Quando a árvore balançava, a neve caía em seu rosto. Pendurou mais alguns trapos na frente do abrigo para manter o calor lá dentro. Satisfeito, apreciou seu trabalho.
 Chegou a hora de apresentá-lo à sua nova casa  disse, e ergueu o dragão até os galhos. O animal se contorceu, querendo se soltar, entrou na cabana, onde comeu um pedaço de carne, enrolou-se e piscou envergonhadamente para ele.
 Você não terá problemas enquanto ficar aqui  explicou.
O dragão piscou de novo.
Certo de que o animal não o havia entendido, Eragon procurou em sua mente até sentir a consciência do dragão. Novamente, sentiu a terrível sensação de abertura, de um espaço tão grande que o pressionava como um pesado cobertor. Juntando suas forças, concentrou-se no dragão e tentou impor-lhe a ideia: Fique aqui. O dragão parou de se mexer e virou a cabeça para ele. Eragon tentou com mais força: Fique aqui. Uma sensação de entendimento sutil surgiu naquela ligação, mas Eragon tinha dúvidas se o dragão havia entendido a mensagem. Afinal, ele era apenas um animal. Desfez aquele contato com certo alívio, voltando a sentir a segurança de sua própria mente envolvendo-o.
Eragon deixou a árvore, olhando de vez em quando para trás. O dragão colocou a cabeça para fora do abrigo e observou, com seus olhos grandes, Eragon distanciar-se.
Depois de uma caminhada apressada para casa, entrou escondido no quarto para se livrar dos pedaços da casca do ovo. Tinha certeza de que Garrow e Roran não dariam falta do ovo, pois os dois tiraram-no da mente depois que souberam que não poderia ser vendido. Quando sua família acordou, Roran disse ter ouvido alguns barulhos à noite, mas, para o alívio de Eragon, não continuou no assunto.
O entusiasmo de Eragon fez o dia passar depressa. A marca em sua mão era fácil de ser escondida, então, não levou muito tempo para deixar de se preocupar com ela. Logo, voltou à árvore, levando salsichas que havia roubado no porão. Apreensivo, ele se aproximou da árvore. Será que o dragão conseguirá sobreviver ao inverno aqui fora?
Seu receio era infundado. O dragão estava empoleirado em um galho, mordiscando alguma coisa que estava entre suas patas dianteiras. Começou a chiar animadamente quando viu Eragon, que ficou feliz ao ver que o animal não havia saído da árvore, acima do alcance dos predadores maiores. Assim que Eragon colocou as salsichas na base do tronco, o dragão voou para baixo. Enquanto o animal devorava com voracidade a comida, Eragon examinou o abrigo. Toda a carne que ele havia deixado desapareceu, mas a cabaninha estava intacta e havia tufos de penas espalhados pelo chão. Que bom! Ele pode caçar a sua própria comida.
De repente, lembrou que não sabia se o dragão era ele ou ela. Eragon levantou o animal e virou-o de cabeça para baixo, ignorando os gritos de reprovação do animal. Mas Eragon não conseguiu encontrar nenhum sinal característico. Parece que ele não vai revelar seus segredos sem um pouco de resistência.
Eragon passou um longo tempo com o dragão. Ele soltou-o, colocou-o no ombro e foi explorar a floresta. As árvores carregadas de neve observavam-nos como os solenes pilares de uma grande catedral.
Naquele isolamento, Eragon mostrou ao dragão o que sabia sobre a floresta, sem se importar com o fato de o animal estar entendendo ou não. O que importava mesmo era o simples ato de compartilhar aquilo com o animal. Eragon falava com ele sem parar. O dragão olhava para baixo, para ele, com olhos brilhantes, absorvendo as palavras. Durante um tempo, Eragon apenas ficou sentado com o dragão pousado em seus braços, observando-o maravilhado, ainda impressionado com os eventos acontecidos recentemente. Eragon tomou o caminho de casa ao pôr-do-sol, consciente de que dois olhos azuis fulminavam suas costas, indignados por terem sido deixados para trás.
Naquela noite, pensou em todas as coisas que poderiam acontecer com um pequeno animal desprotegido. Pensamentos sobre tempestades de neve e animais malvados atormentavam-no. Demorou horas para cair no sono. Seus sonhos eram sobre raposas e lobos negros comendo o dragão com dentes sangrentos.
Como brilho do sol da manhã, Eragon saiu correndo de casa com comida e com pedaços de pano que serviriam de proteção extra para a pequena cabana. Encontrou o dragão acordado e a salvo, observando o sol nascer do alto da árvore. Agradeceu fervorosamente a todos os deuses, conhecidos e desconhecidos. O dragão desceu até o solo, quando Eragon se aproximou, e pulou nos braços dele, aconchegando-se ao peito do rapaz. O frio não havia feito mal ao bichinho, mas ele parecia assustado. Uma baforada de fumaça preta saiu de suas narinas. Eragon acariciou-o carinhosamente, sentou, encostando-se na árvore, e sussurrou baixinho. Ele ficou imóvel quando o dragão enfiou a cabeça embaixo do seu casaco. Depois de um tempo, saiu do abraço do rapaz e foi para o ombro dele. Eragon alimentou-o e então ajeitou os novos trapos em volta da cabana. Brincaram por um tempo, mas Eragon tinha de voltar logo para casa.


Uma rotina tranquila foi rapidamente estabelecida. Todas as manhãs, Eragon corria até a árvore e dava o café da manhã ao dragão antes de voltar correndo. Durante o dia, Eragon tentava acabar suas tarefas o mais rápido possível para poder visitar o dragão de novo. Tanto Garrow quanto Roran notaram seu comportamento e perguntaram por que ele passava tanto tempo fora de casa. Eragon deu de ombros e começou a se certificar de que não estava sendo seguido até a árvore.
Depois dos primeiros dias, ele parou de achar que algo ruim aconteceria com o dragão. O crescimento do animal era incrível. Logo, o animal estaria seguro contra quase todos os perigos. O dragão dobrou de tamanho na primeira semana. Quatro dias depois, o dragão já batia nos joelhos dele. Ele não cabia mais dentro da cabana armada na árvore, e Eragon foi forçado a construir um abrigo escondido no chão. Essa tarefa custou-lhe três dias.
Quando o dragão tinha duas semanas de idade, Eragon estava compelido a deixá-lo solto, pois ele precisava de muita comida. Na primeira vez em que Eragon desamarrou o animal, bastou usar a força da mente para evitar que o dragão o seguisse até a fazenda. Sempre que o animal tentava, Eragon o afastava com a mente, até o dragão aprender a evitar a casa e seus habitantes.
E ele incutia no dragão a importância de caçar somente na Espinha, onde havia menos chances de ser visto. Os fazendeiros notariam se animais começassem a desaparecer do vale Palancar. Quando o dragão estava longe, Eragon sentia-se, ao mesmo tempo, mais seguro e mais preocupado.
O contato mental que compartilhava com o dragão fortalecia-se a cada dia. Eragon descobriu que, embora o dragão não entendesse as palavras, ele podia comunicar-se com o animal através de imagens ou emoções. Entretanto, era um método impreciso, e, frequentemente, Eragon era interpretado erroneamente. A distância em que um podia alcançar o pensamento do outro aumentava rapidamente. Logo, Eragon podia fazer contato com o dragão em qualquer lugar em um raio de catorze quilômetros. Eragon sempre fazia contato, e o dragão, em resposta, tocava levemente a mente dele. Essas conversas mudas enchiam as horas de trabalho do rapaz. Sempre havia uma pequena parte dele conectada ao dragão, às vezes ignorada, mas nunca esquecida. Quando ele conversava com as pessoas, o contato podia distraí-lo, como uma mosca zumbindo no ouvido.
Conforme o dragão amadurecia, os guinchos foram engrossando e viraram um rugido. E o zumbido virou um ronco baixo, porém o dragão não cuspia fogo, o que o preocupava. Eragon tinha visto o dragão soltar fumaça quando estava triste, mas nunca houve sequer um sinal de chama.
Quando o mês terminou, o ombro do dragão já batia no cotovelo de Eragon. Naquele breve período de tempo, o dragão deixou de ser um animal pequeno e fraco e se transformou em uma poderosa fera. Suas duras escamas eram tão resistentes quanto uma armadura de ferro, e seus dentes pareciam adagas.
Eragon dava longas caminhadas à tarde com o dragão a seu lado. Quando encontravam uma clareira, ele se recostava em uma árvore e observava o dragão voar alto no céu. Eragon adorava vê-lo voar e lamentava o animal ainda não ser grande o bastante para levá-lo. Ele sempre se sentava ao lado do dragão e acariciava o pescoço dele, sentindo tendões e músculos se contraindo sob suas mãos.
Apesar dos esforços de Eragon, a floresta em volta da fazenda estava repleta de sinais da existência do dragão. Era impossível apagar na neve todas as pegadas fundas das enormes patas com quatro garras. E Eragon recusava-se a tentar esconder os gigantescos montes de estrume que se tornavam cada vez mais comuns. O dragão esfregava-se contra as árvores, arrancando a casca, e afiava as garras em pedaços de madeira, deixando sulcos com quase três centímetros de profundidade. Se Garrow ou Roran fossem um pouco além dos limites da fazenda, descobririam o dragão. Eragon não podia imaginar maneira pior para a verdade ser revelada, então decidiu se prevenir explicando tudo a eles.
Porém, queria fazer duas coisas primeiro: dar ao dragão um nome apropriado e aprender mais sobre sua espécie. Para isso, precisava falar com Brom, mestre das epopeias e lendas, os únicos locais onde o folclore sobre dragões havia sobrevivido.
Então, quando Roran foi levar uma talhadeira para ser consertada em Carvahall, Eragon se ofereceu para ir junto.


No anoitecer antes de partirem, Eragon foi a uma pequena clareira na floresta e chamou o dragão usando sua mente. Depois de um instante, viu uma mancha que se movia velozmente no céu quase escuro.
O dragão mergulhou em sua direção, subiu abruptamente e depois nivelou o voo acima das árvores. Ele ouviu um assovio baixo enquanto o vento passava por cima das asas do animal. O animal inclinou-se lentamente para a esquerda e foi descendo suavemente em espiral até o chão. Bateu as asas para trás, para se equilibrar, e pousou produzindo um baque grave e abafado: tum!
Eragon abriu a mente, ainda sentindo-se desconfortável com aquela sensação estranha, e disse ao dragão que ia partir. O animal bufou preocupado. Tentou acalmá-lo com uma imagem mental tranquila, mas o dragão chicoteava com a cauda, insatisfeito. Eragon colocou a mão no ombro do dragão e tentou irradiar paz e serenidade. As escamas levantavam-se sob os seus dedos quando as acariciava gentilmente.
Uma única palavra ressoou em sua cabeça, de modo intenso e claro.
Eragon.
Tinha um tom solene e melancólico, como se um pacto inquebrável estivesse sendo selado. Olhou fixamente para o dragão e um formigamento frio correu pelo seu braço.
Eragon.
Ele sentiu um forte aperto no estômago enquanto dois insondáveis olhos da cor de safira olhavam-no. Pela primeira vez, não pensou no dragão como um animal. Era algo mais, algo... Diferente. Eragon voltou correndo para casa, tentando fugir do dragão. O meu dragão.
Eragon.

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Boa leitura :)