22 de maio de 2017

Capítulo 49 - Os dois lados de um dilema

Eragon ficou emudecido. A surpresa rugia em sua mente enquanto tentava rejeitar as palavras de Murtagh. Os Renegados nunca tiveram filhos, muito menos Morzan. Morzan! O homem que entregou os Cavaleiros para Galbatorix e que foi o servo favorito do rei pelo resto da vida. Será que isso é verdade?
O choque de Saphira o atingiu um segundo depois. Ela bateu nas árvores e arbustos quando veio correndo do rio para ficar do lado dele, exibindo as presas e com a cauda erguida de modo ameaçador.
Esteja preparado para qualquer coisa, alertou ela. Ele pode ser capaz de usar a magia.
— Você é herdeiro dele? — perguntou Eragon de modo furtivo, pondo a mão em Zar’roc. O que ele pode estar querendo comigo? Será que ele está trabalhando para o rei?
— Eu não escolhi ser assim! — gritou Murtagh. A angústia atormentava o seu rosto. Ele rasgou as roupas, com um ar de desespero no rosto, arrancando a túnica e a camisa, expondo o tronco. — Olhe! — Ele pediu e virou de costas para Eragon.
Inseguro, Eragon inclinou-se para a frente, forçando os olhos na escuridão. Lá, em cima da pele bronzeada e musculosa de Murtagh, havia uma cicatriz esbranquiçada que se estendia do seu ombro direito até o lado esquerdo de sua cintura, um testamento de uma agonia terrível.
— Está vendo isso? — perguntou Murtagh amargamente. Ele começou a falar mais depressa, como se estivesse aliviado por seu segredo ter sido finalmente revelado. — Eu tinha apenas três anos quando ganhei isso. Durante um de seus vários ataques de raiva enquanto estava embriagado, Morzan jogou sua espada na minha direção quando passei correndo. Minhas costas foram abertas por essa espada que você hoje carrega, a única coisa que eu esperava receber como herança, até que Brom a roubou do cadáver do meu pai. Tive sorte, suponho, pois havia um curandeiro por perto que evitou que eu morresse. Você precisa entender, eu não amo o Império ou o rei. Não devo submissão a eles e não desejo fazer mal nenhum a você! — Os apelos dele eram quase frenéticos.
Eragon, ainda inseguro, tirou a mão do cabo de Zar’roc.
— Então, o seu pai — ele disse com uma voz hesitante — foi morto por...
— Isso, por Brom — disse Murtagh. Ele voltou a vestir a túnica com um ar desinteressado.
Uma trombeta soou atrás deles, fazendo Eragon gritar:
— Vamos, corra comigo. — Murtagh bateu as rédeas dos cavalos, forçando-os a iniciar um trote exaustivo, seus olhos estavam fixos, olhando para a frente, enquanto Arya sacudia de modo letárgico na sela de Fogo na Neve. Saphira ficou ao lado de Eragon, acompanhando facilmente o ritmo da corrida com suas pernas longas.
Você poderia andar mais facilmente no leito do rio, disse ele quando ela forçou passagem, quebrando vários galhos que impediam seu caminho.
Não vou deixar você com ele.
Eragon ficou satisfeito com a proteção dela.
— O filho de Morzan! — Disse ele entre passos largos. — É difícil acreditar na sua história. Como vou saber que você não está mentindo?
— Por que eu mentiria?
— Você poderia estar...
Murtagh o interrompeu rapidamente:
— Não posso provar nada a você agora. Guarde suas dúvidas até chegarmos aos Varden. Eles me reconhecerão rapidamente.
— Eu preciso saber — pressionou Eragon. — Você serve ao Império?
— Não. E se servisse, o que eu ganharia viajando com você? Se eu estivesse tentando capturá-lo ou matá-lo, o teria deixado na prisão.
Murtagh tropeçou ao pular um tronco caído.
— Você pode estar levando os Urgals até os Varden.
— Então — disse Murtagh rapidamente —, por que ainda estou com você? Agora já sei onde os Varden estão. Que razão eu teria para me entregar a eles? Se nós fôssemos atacá-los, eu daria a volta e me juntaria aos Urgals.
— Talvez você seja um assassino — afirmou Eragon de modo categórico.
— Pode ser. Mas você não pode ter certeza, não é?
Saphira? Perguntou Eragon simplesmente.
Sua cauda passou zunindo acima da cabeça dele.
Se ele quisesse fazer mal a você, já poderia ter feito há muito tempo.
Um galho chicoteou o pescoço de Eragon, fazendo uma linha de sangue aparecer em sua pele. O barulho da cachoeira ficava mais alto.
Quero que você observe Murtagh atentamente quando chegarmos aos Varden. Ele pode fazer alguma besteira, e não quero que seja morto por acidente.
Farei o melhor que puder, disse ela enquanto abria caminho com os ombros entre duas árvores, arrancando pedaços das cascas dos troncos.
A trombeta soou atrás deles novamente. Eragon olhou de relance por cima do ombro, esperando ver os Urgals surgindo na escuridão. A cachoeira agitava-se vagarosamente à frente deles, afogando os sons da noite.
A floresta acabou, e Murtagh fez os cavalos pararem. Estavam em uma margem repleta de pedras, diretamente à esquerda da foz do rio Dente-de-Urso. O profundo lago Kóstha-mérna enchia o vale, bloqueando o caminho. A água resplandecia com o fraco brilho das estrelas. As encostas das montanhas restringiam a passagem em volta do Kóstha-mérna a estreitas faixas de praias em cada um dos lados do lago, ambas com não mais do que alguns centímetros de largura. Na parte posterior do lago, uma larga cortina de água caía do alto de um precipício escuro, formando uma densa espuma que parecia fervilhar.
— Nós vamos até a cachoeira? — perguntou Murtagh tenso.
— Vamos. — Eragon tomou a frente e começou a caminhar pelo lado esquerdo do lago. As pedras embaixo dos pés deles estavam molhadas e cobertas de musgo. Quase não havia espaço para Saphira entre a íngreme encosta da montanha e o lago, ela tinha de andar com duas patas dentro da água.
Eles já haviam percorrido meio caminho até o final da cachoeira quando Murtagh alertou:
— Urgals!
Eragon virou-se depressa, pedras voaram debaixo de seus calcanhares. Às margens do Kóstha-mérna, onde eles estavam há apenas alguns minutos, figuras gigantescas surgiram da floresta. Os Urgals se reuniram diante do lago. Um deles apontou para Saphira. Palavras guturais pairaram sobre a água.
Imediatamente, a horda dividiu-se e começou a dar a volta em ambos os lados do lago, deixando Eragon e Murtagh sem uma rota de fuga. As margens estreitas fizeram os corpulentos Kull marcharem em fila única.
— Corram! — gritou Murtagh desembainhando sua espada e dando tapas nos flancos dos cavalos. Saphira decolou sem dar aviso e voltou-se em direção aos Urgals.
— Não! — berrou Eragon, gritando com a mente: Volte! Mas ela continuou, sem levar em consideração os apelos dele. Com um esforço agonizante, desviou o olhar dela e se jogou para a frente, arrancando Zar’roc de sua bainha.
Saphira mergulhou para cima dos Urgals, rosnando de modo assustador. Eles tentaram correr, mas estavam presos contra as paredes das montanhas. Ela pegou um dos monstros com as garras e levou o Urgal que gritava para o alto, cortando-o com suas presas. O corpo silencioso caiu no lago um instante depois, faltando um braço e uma perna.
Os Kull continuaram contornando o lago Kóstha-mérna. Com fumaça saindo das narinas, Saphira mergulhou para cima deles novamente. Ela virou e girou quando uma nuvem de flechas negras foi disparada contra ela. A maior parte dos projéteis ricocheteou em suas escamas laterais, produzindo apenas alguns arranhões, mas ela rugiu quando as outras furaram suas asas.
Os braços de Eragon doeram, compartilhando sua dor, e ele teve de se conter para não voltar correndo para tentar defendê-la. O medo encheu suas veias quando ele viu a fila de Urgals se aproximando deles. Tentou correr mais rápido, mas seus músculos estavam cansados demais, e as rochas eram muito escorregadias.
Depois, com uma grande pancada na água, Saphira mergulhou de cabeça no Kóstha-mérna. Ela submergiu completamente, produzindo ondas por todo o lago. Os Urgals ficaram olhando nervosamente para as águas escuras que cobriam seus pés. Um rosnou algo indecifrável e enfiou sua lança dentro do lago.
A água explodiu quando Saphira saiu das profundezas. As mandíbulas dela agarraram a lança, quebrando-a como um graveto, ao arrancá-la das mãos do Kull com uma torção violenta. Antes que ela pudesse pegar o monstro, os companheiros dele lançaram suas flechas nela, sangrando seu nariz.
Saphira se jogou para trás e sibilou zangada, batendo na água com sua cauda. Mantendo a lança apontada para ela, o líder do bando tentou passar para a frente, mas foi detido quando ela agarrou as pernas dele. A fila dos Urgals foi forçada a parar enquanto ela o detinha. Enquanto isso, os Kull do outro lado do lago ainda corriam em direção à cachoeira.
Eu os prendi, disse ela a Eragon de forma sucinta, mas ande depressa, não posso segurá-los por muito tempo.
Os arqueiros na margem já miravam nela. Eragon concentrou-se em andar mais rápido, mas uma pedra cedeu embaixo do pé dele, fazendo-o tropeçar. O braço forte de Murtagh o manteve de pé, e agarrando um o antebraço do outro, gritaram fazendo os cavalos avançar.
Estavam quase chegando à cachoeira. O barulho era ensurdecedor, como o de uma avalanche. Uma parede branca de água jorrava do penhasco, atingindo furiosamente as pedras embaixo e produzindo uma névoa de gotas d’água, que enchiam o ar e escorriam pelo rosto deles. A quatro metros da cortina trovejante, a praia alargava-se, dando a eles espaço para manobrar.
Saphira rugiu quando a lança de um Urgal arranhou seu quadril e voltou a mergulhar. Com sua retirada, os Kull começaram a avançar a passos largos. Eles estavam a apenas algumas centenas de metros de distância.
— O que faremos agora? — perguntou Murtagh friamente.
— Eu não sei! Deixe-me pensar! — gritou Eragon tentando lembrar das instruções dadas pelas memórias de Arya. Examinou o solo até achar uma pedra do tamanho de uma maçã. Ele a pegou e bateu no penhasco perto da cachoeira gritando: — Aí Varden abr du Shur’tugals gata vanta!
Nada aconteceu.
Ele tentou de novo, gritando mais alto do que antes, mas só conseguiu machucar a mão. Virou-se, em desespero, para Murtagh.
— Estamos presos... — As palavras dele foram interrompidas quando Saphira pulou para fora do lago, espirrando água gelada em cima deles. Ela pousou na praia e se agachou, pronta para lutar.
Os cavalos recuaram nervosos, tentando fugir. Eragon fez contato mental para tentar acalmá-los.
Atrás de você! Gritou Saphira. Ele virou-se e viu o líder dos Urgals correndo em sua direção, com uma pesada lança em punho. De perto, o Kull era tão alto quanto um pequeno gigante, com pernas e braços tão grossos como troncos de árvores.
Murtagh jogou o braço para trás e atirou sua espada com uma velocidade incrível. A longa arma girou uma vez, atingindo o Kull em cheio no peito, produzindo um barulho abafado de algo sendo quebrado. O grande Urgal tombou no chão soltando uma golfada sufocada. Antes que outro daqueles monstros pudesse atacar, Murtagh correu para a frente e arrancou sua espada do corpo.
Eragon ergueu sua mão, gritando:
— Jierda theirra kalfis! — Estalos agudos soaram no penhasco. Vinte dos Urgals que atacavam caíram no Kóstha-mérna, uivando e agarrando suas pernas, de onde se projetavam pedaços de ossos. Sem diminuir o passo, os outros Urgals avançaram, passando por cima de seus companheiros caídos. Eragon lutou contra a sua exaustão, colocando uma das mãos em Saphira para obter apoio.
Uma nuvem de flechas, impossível de se ver na escuridão, passou sobre eles, batendo no penhasco. Eragon e Murtagh se abaixaram, cobrindo a cabeça. Soltando um pequeno rosnado, Saphira pulou, ficando na frente deles, para que as laterais guarnecidas de seu corpo os protegessem e aos cavalos. Um coro de tinidos foi ouvido quando a segunda bateria de flechas ricocheteou em suas escamas.
— E agora? — gritou Murtagh. Ainda não havia abertura nenhuma no penhasco. — Não podemos ficar aqui!
Eragon ouviu Saphira gemer quando uma flecha perfurou a ponta de sua asa, cortando a membrana fina. Ele olhou nervosamente em volta, tentando entender por que as instruções de Arya não tinham dado certo.
— Eu não sei! A abertura devia estar aqui!
— Por que não pergunta a Arya para ter certeza? — exigiu Murtagh.
Ele soltou a espada, pegando depressa o arco nas bolsas que estavam em Tornac, e com um movimento rápido, ele disparou uma flecha entre os espinhos das costas de Saphira. Um momento depois, um Urgal caiu na água.
— Agora? Ela está morrendo! Como vai achar energia para dizer alguma coisa?
— Eu não sei — gritou Murtagh. — Mas é melhor você pensar em alguma coisa, pois não podemos enfrentar um exército sozinhos!
Eragon, rosnou Saphira de modo insistente.
O que foi?
Estamos no lado errado do lago! Eu vi as memórias de Arya através de você e acabei de perceber que não estamos no lugar certo. Ela encostou a cabeça no peito quando outra nuvem de flechas veio na direção deles. A cauda se agitou de dor quando elas a atingiram. Não posso mais suportar isso! Eles estão me fazendo em pedaços!
Eragon enfiou Zar’roc com força dentro de sua bainha e gritou:
— Os Varden estão do outro lado do lago! Precisamos passar pela cachoeira! — Notou, sentindo medo, que os Urgals, que se encontravam às margens do Kóstha-mérna, estavam chegando à queda-d’água. Os olhos de Murtagh estavam fixos na violenta inundação que bloqueava a passagem deles.
— Nunca conseguiremos passar com os cavalos por ali, mesmo se conseguirmos nos manter em pé.
— Vou convencê-los a nos seguir — disse Eragon depressa. — E Saphira pode levar Arya. — Os gritos e berros dos Urgals fizeram Fogo na Neve bufar de modo zangado. A elfa estava relaxada em suas costas, ignorando o perigo.
Murtagh deu de ombros.
— É melhor do que apanharmos até morrer. — Ele, de modo ágil, cortou as cordas que prendiam Arya na sela de Fogo na Neve, e Eragon pegou a elfa enquanto ela deslizava até o chão.
Estou pronta, disse Saphira levantando-se, ficando meio agachada. Os Urgals que se aproximavam hesitaram, incertos quanto às intenções dela.
— Agora! — gritou Eragon.
Ele e Murtagh jogaram Arya em cima de Saphira e prenderam as pernas dela na sela. No mesmo segundo em que eles terminaram, Saphira abriu suas asas e alçou voo para cima do lago. Os Urgals que estavam atrás dela uivaram quando viram que ela ia escapar. Flechas ricochetearam em sua barriga. Os Kull do outro lado aceleraram o passo, querendo chegar à cachoeira antes de ela pousar.
Eragon usou seu poder mental para entrar nas mentes assustadas dos cavalos. Usando a língua antiga, ele disse a eles que, a não ser que atravessassem a cachoeira nadando, seriam mortos e devorados pelos Urgals. Embora eles não tenham entendido tudo que ele disse, o significado de suas palavras era extremamente claro.
Fogo na Neve e Tornac jogaram a cabeça para a frente e correram rumo à cortina de água que caía, relinchando quando a corrente bateu nas costas deles. Eles se debatiam, lutando para não ficar embaixo d’água. Murtagh embainhou sua espada e pulou atrás deles; sua cabeça desapareceu no meio da espuma de bolhas antes de voltar à superfície, jogando água pela boca.
Os Urgals estavam bem atrás de Eragon, ele podia ouvir os pés deles quebrando os cascalhos. Com um ardente grito de guerra, ele pulou atrás de Murtagh, fechando os olhos um segundo antes que a água gelada o atingisse.
O tremendo peso da queda-d’água o atingiu nos ombros com uma força capaz de quebrar os ossos. O rugido entorpecedor da água encheu seus ouvidos. Ele foi jogado para o fundo, onde seus joelhos bateram no leito do lago. Ele deu um impulso para cima com todas as suas forças e conseguiu sair parcialmente da água. Antes que pudesse respirar, a cascata voltou a jogá-lo com toda a força para baixo. Tudo que ele pôde ver foi uma mancha branca conforme a espuma se formava em volta dele. Eragon tentou emergir de modo frenético para aliviar seus pulmões, que ardiam, mas conseguiu emergir apenas alguns centímetros antes de o dilúvio deter sua subida. Ele entrou em pânico, batendo seus pés e braços, lutando com a água. Devido ao peso de Zar’roc e de suas roupas molhadas, voltou para o fundo do lago, incapaz de pronunciar as palavras da língua antiga que poderiam salvá-lo.
De repente, uma mão forte agarrou a parte de trás de sua túnica e arrastou-o pela água. Seu salvador rasgava o lago com braçadas rápidas e curtas. Eragon esperava que fosse Murtagh e não um Urgal.
Emergiram e saíram cambaleantes em uma praia repleta de seixos. Eragon tremia violentamente, o corpo dele todo agitava-se de modo involuntário.
Sons de combate surgiram à direita, e ele virou-se na direção deles, esperando um ataque dos Urgals. Os monstros do lado oposto da margem, onde ele estava momentos antes, caíam devido a uma chuva de flechas, que eram disparadas de fendas que pontilhavam a parede do penhasco. Um grande número de Urgals já flutuava de barriga para cima na água, cravados de flechas. Os que estavam na margem de Eragon estavam acuados de modo similar. Nenhum dos dois grupos podia recuar de suas posições expostas, pois fileiras de guerreiros apareceram de alguma forma atrás deles, onde o lago encontrava as encostas das montanhas. A única coisa que evitava que os Kull mais próximos atacassem Eragon era a chuva constante de flechas, os arqueiros escondidos pareciam estar determinados a manter os Urgals afastados.
Uma voz rouca perto de Eragon disse:
— Akh Guntéraz dorzâda! O que eles estavam pensando? Você teria se afogado!
Eragon jogou-se para trás, assustado. Não era Murtagh que estava ao lado dele, mas um homem diminuto, que não passava da altura do cotovelo dele.
O anão estava ocupado torcendo a água de sua longa barba trançada. O peito dele era troncudo, e ele usava um colete feito de elos de ferro, cortado na altura dos ombros, o que revelava seus braços musculosos. Um machado de guerra pendia de uma larga tira de couro presa em volta de sua cintura. Um chapéu, com cobertura de ferro, ostentando um símbolo composto por um martelo cercado por doze estrelas, estava firme em sua cabeça. Mesmo com o chapéu, ele mal chegava a um metro e vinte de altura. Olhou de modo ansioso para a luta e disse:
— Barzûl, mas eu desejava poder me juntar a eles!
Um anão! Eragon desembainhou Zar’roc e procurou Saphira e Murtagh. Duas portas de pedras com quase quatro metros de espessura abriram-se no penhasco, revelando um túnel largo, com perto de nove metros de altura, que abria caminho para a profundeza da montanha. Uma fileira de lampiões sem chamas enchia a passagem com uma fraca luz cor de safira que se derramava no lago.
Saphira e Murtagh estavam em pé na frente do túnel, cercados por uma mistura de homens e anões. Ao lado de Murtagh estava um homem calvo e sem barba, vestindo uma túnica roxa e dourada. Ele era mais alto do que todos os outros humanos e segurava uma adaga encostada ao pescoço de Murtagh.
Eragon tentou usar seu poder, mas o homem da túnica disse com uma voz aguda e ameaçadora:
— Pare! Se você usar a magia, matarei seu querido amigo, que teve a delicadeza de dizer que você é um Cavaleiro. Não pense que não saberei se você recorrer à magia. Você não pode esconder nada de mim. — Eragon tentou argumentar, mas o homem rangeu os dentes e apertou ainda mais a adaga contra a garganta de Murtagh. — Basta! Se você disser ou fizer algo que eu não tenha mandado, ele morrerá. Agora, todos para dentro. — Ele foi para o túnel, puxando Murtagh com ele e mantendo os olhos em Eragon.
Saphira, o que devo jazer?, perguntou Eragon rapidamente enquanto os homens e os anões seguiam o captor de Murtagh, levando os cavalos com eles.
Vá com eles, aconselhou ela. E torça para que fiquemos vivos. Ela entrou no túnel também, extraindo olhares nervosos daqueles que a cercavam.
Relutante, Eragon a seguiu, consciente de que os olhos dos guerreiros estavam em cima dele. Seu salvador, o anão, andava ao lado dele, mantendo uma de suas mãos no cabo de seu machado de guerra. Completamente exausto, Eragon entrou cambaleante na montanha. As portas de pedra fecharam-se atrás deles produzindo apenas um leve som. Olhou para trás e viu uma parede sem nenhuma emenda onde havia estado a abertura. Eles estavam presos lá dentro. Mas será que estavam mais seguros?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)