22 de maio de 2017

Capítulo 46 - Um caminho revelado

Fatigados e cansados, mas com sorrisos triunfantes, sentaram em volta da fogueira, congratulando um ao outro. Saphira gritou jubilante, o que assustou os cavalos. Eragon olhou fixamente para as chamas. Estava orgulhoso por terem percorrido quase trezentos quilômetros em cinco dias. Era um feito impressionante, até mesmo para uma pessoa perita em montaria, que trocasse de cavalos com regularidade.
Estou fora do Império. Era um pensamento estranho. Ele nasceu no Império, viveu a vida toda sob o domínio de Galbatorix, perdeu seus amigos mais chegados e seus familiares para os servos do rei e quase morreu, várias vezes, sob o governo dele. Agora, Eragon estava livre. Ele e Saphira não precisariam mais se esquivar dos soldados, evitar cidades ou esconder quem eles eram. Era uma conquista agridoce, pois o custo foi a perda do mundo que ele tinha.
Eragon olhou para as estrelas no crepúsculo. E embora o sonho de estabelecer um lar na segurança do isolamento fosse algo que o agradasse, havia testemunhado coisas erradas em demasia, cometidas em nome de Galbatorix, desde assassinatos à escravidão, para dar as costas para o Império. Agora não era apenas o seu desejo de vingança, pela morte de Brom e de Garrow, que o incentivava. Como Cavaleiro, era dever dele ajudar aqueles que não tinham força para resistir à opressão de Galbatorix.
Com um suspiro, deixou seus pensamentos e passou a observar a elfa deitada ao lado de Saphira. A luz alaranjada do fogo deu uma aparência mais quente a seu semblante. Sombras delicadas dançavam sob as maçãs do rosto. Enquanto observava, uma ideia foi lhe ocorrendo lentamente.
Ele podia ouvir os pensamentos de pessoas e animais, e se comunicar com eles do modo que quisesse, mas isso era algo que não fazia sempre, com exceção de Saphira. Lembrou-se dos conselhos de Brom quanto a não violar a mente de alguém, a não ser que fosse absolutamente necessário. Exceto a vez em que tentou entrar na mente de Murtagh, evitava fazer isso.
Naquele momento, entretanto, ele pensava se seria possível fazer contato com a elfa em seu estado comatoso. Eu poderia descobrir nas memórias dela por que ela continua assim. Mas se ela se recuperar, será que vai me perdoar por tamanha intrusão? ... Não importa, eu devo tentar. Ela está neste estado há quase uma semana. Sem declarar suas intenções para Murtagh ou Saphira, ajoelhou-se ao lado da elfa e colocou a palma da mão em sua testa.
Eragon fechou os olhos e esticou um fio de pensamento, como um dedo sondador, em direção à mente da elfa. Ele a encontrou sem dificuldade. Ela não era confusa e repleta de dor, como ele antecipava, era lúcida e límpida, como uma nota de um sino de cristal. De repente, uma adaga gelada fincou-se na mente dele. A dor explodiu atrás de seus olhos, com uma profusão de cores. Retraiu-se por causa do ataque, mas notou que estava preso por uma mão de ferro, incapaz de fugir.
Eragon lutou o máximo que podia e usou todas as defesas que lembrava. A adaga entrou na mente dele de novo. Jogou suas próprias barreiras na frente dela, de modo frenético, bloqueando o ataque. A dor foi menos excruciante do que a da primeira vez, mas atrapalhou sua concentração. A elfa aproveitou a oportunidade para esmagar as defesas dele sem piedade.
Um cobertor sufocante apertava Eragon de todas as direções, abafando seus pensamentos. A força dominadora contraía-se lentamente, espremendo a vida para fora dele pouco a pouco, embora ele aguentasse, relutando em desistir.
A elfa apertou a mão de ferro ainda mais, como se quisesse apagá-lo como uma vela. Ele gritou desesperadamente na língua antiga:
— Eka aí fricai un Shur’tugal! Sou um Cavaleiro e amigo! — O abraço mortal não afrouxou seu aperto, mas a compressão parou e ela emanou surpresa.
Um segundo depois, surgiu a desconfiança, mas sabia que ela acreditaria; ele não poderia mentir na língua antiga. Contudo, embora tenha dito que era amigo, isso não significava que não quisesse fazer mal a ela. Pelo que constava a ela, Eragon acreditava ser seu amigo, fazendo aquela afirmação ser verdadeira para ele, embora ela pudesse não considerá-lo amigo. A língua antiga tem as suas limitações, pensou Eragon, esperando que a elfa ficasse curiosa o bastante para soltá-lo.
Ela ficou. A pressão diminuiu e as barreiras em volta da mente dela abaixaram-se de modo hesitante.
A elfa, apreensiva, deixou que seus pensamentos se tocassem, como dois animais selvagens que se encontravam pela primeira vez. Um calafrio correu pelo lado do corpo de Eragon. A mente dela era estranha. Parecia ser vasta e poderosa, contando com lembranças de anos inumeráveis. Pensamentos sombrios estavam fora do alcance e da vista, artefatos de sua raça fizeram-no se encolher de medo quando tocaram a mente dele. Apesar de tudo isso, as sensações brilhavam com uma melodia de beleza selvagem e pungente, que expressavam a identidade dela.
Qual é o seu nome?, perguntou ela falando na língua antiga. Sua voz tinha um tom preocupado e estava repleta de um desespero silencioso.
Eragon. E o seu? A mente dela o atraiu mais para perto, convidando-o a submergir no toque lírico de seu sangue. Ele resistiu à convocação com dificuldade, embora seu coração insistisse para aceitar. Pela primeira vez, entendeu a atração sobrenatural dos elfos. Eram criaturas mágicas, livres das leis mortais da terra, tão diferentes dos humanos quanto os dragões eram dos outros animais.
... Arya. Por que você fez contato comigo desta maneira? Ainda sou prisioneira do Império?
Não, você está livre!, respondeu Eragon. Embora não soubesse muitas palavras na língua antiga, ele conseguiu dizer: Eu estava preso em Gil’ead, como você, mas consegui fugir e a salvei. Nos cinco dias que se passaram desde então, atravessamos o deserto Hadarac e estamos acampados perto das montanhas Beor. Você não se mexeu e não disse uma palavra durante todo esse tempo.
Ah... Então era Gil’ead. Ela fez uma pausa. Eu sei que minhas feridas foram curadas. Na ocasião, não entendi o porquê. Estava certa que foi para me preparar para novas torturas. Agora sei que foi você. Ela acrescentou docemente: Mesmo assim, não acordei, e você está confuso.
Isso.
Durante o meu cativeiro, um veneno raro, Skilna Bragh, foi dado a mim, junto com a droga para suprimir meus poderes. Todas as manhãs, o antídoto para a dose do dia anterior me era dado à força embora eu me recusasse a tomá-lo. Sem ele, eu morreria em poucas horas. É por isso que permaneço neste transe, que atrasa o progresso do Skilna Bragh, embora não possa detê-lo... Eu pensei na possibilidade de acordar e acabar com a minha vida, negando Galbatorix, mas evitei fazer isso na esperança de que você pudesse ser um aliado... A voz dela definhou fracamente.
Por quanto tempo você pode ficar assim? Perguntou Eragon.
Durante várias semanas, mas temo que não tenho tanto tempo. Esta dormência não pode evitar a morte para sempre... Posso sentir o veneno nas minhas veias agora. A não ser que eu receba o antídoto, sucumbirei ao veneno em três ou quatro dias.
Onde o antídoto pode ser encontrado?
Ele existe em apenas dois lugares fora do Império: com o meu povo e com os Varden. Entretanto, meu lar está além do alcance de alguém montado em um dragão.
E quanto aos Varden? Poderíamos levá-la direto para eles, mas não sabemos onde estão.
Eu direi a você, se der sua palavra de que nunca revelará a localização deles para Galbatorix ou para qualquer pessoa que o sirva. Além disso, deve jurar que não vai me enganar de maneira alguma e que não pretende fazer mal aos elfos, aos anões, aos Varden ou à raça dos dragões.
O que Arya pediu teria sido muito simples se eles não estivessem conversando na língua antiga. Eragon sabia que ela queria juramentos mais comprometedores do que a vida em si. Uma vez feitos, nunca poderiam ser quebrados. Isso pesou grandemente nele enquanto, de modo solene, dava sua palavra, concordando com a promessa.
Entendido... Uma série de imagens estonteantes apareceram de repente na mente dele. Ele viu a si mesmo cavalgando ao longo das montanhas Beor, viajando muitos quilômetros rumo ao leste. Eragon fez o melhor possível para se lembrar da rota enquanto montanhas escarpadas e colinas passavam depressa.
Agora, rumava ao sul, ainda acompanhando as montanhas. Depois, tudo virou de repente, quando entrou em um vale estreito e sinuoso. Ele serpenteava entre as montanhas até a base de uma cachoeira espumante, que desaguava em um lago profundo. As imagens pararam.
É longe, disse Arya, mas não deixe que a distância o desanime. Quando você chegar ao lago Kóstha-mérna, no final do rio Dente-de-Urso, pegue uma pedra, bata no penhasco perto da cachoeira e grite: Aí Varden abr du Shur’tugals gata vanta. Você será admitido. Você será desafiado, mas não vacile, por mais perigoso que pareça.
O que eles devem dar a você como antídoto para o veneno?, perguntou ele. A voz dela tremeu, mas, depois, recuperou suas forças.
Diga a eles para me darem o néctar de Túnivor. Agora, você deve me deixar... Já gastei energia demais. Não fale comigo de novo a não ser que não haja esperança de chegar até os Varden. Se for o caso, há informações que devo passar a você para que os Varden possam sobreviver. Adeus, Eragon, Cavaleiro de Dragões... Minha vida está em suas mãos.
Arya rompeu o contato. A força sobrenatural que ecoava durante a ligação que eles mantiveram desapareceu. Eragon respirou fundo, tremendo, e fez força para abrir os olhos. Murtagh e Saphira estavam perto dele, um de cada lado, observando preocupados.
— Você está bem? — perguntou Murtagh. — Você está ajoelhado aí há quase quinze minutos.
— Estou? — perguntou Eragon piscando.
Está, e fazendo caretas como uma gárgula sentindo dor, comentou Saphira secamente.
Eragon ficou em pé, fazendo uma expressão de dor no rosto quando seus joelhos dormentes se esticaram.
— Eu falei com Arya! — Murtagh franziu o rosto, de modo inquisitivo, como se questionasse se Eragon tinha ficado maluco. Mas Eragon explicou. — A elfa! Esse é o nome dela.
E o que a está molestando?, perguntou Saphira impaciente.
Eragon contou a eles rapidamente a conversa que teve com a mulher.
— A que distância estão os Varden? — perguntou Murtagh.
— Não tenho muita certeza — confessou Eragon. — Pelo que ela me mostrou, acho que estão mais longe do que daqui até Gil’ead.
— E devemos cobrir essa distância em três ou quatro dias? — perguntou Murtagh zangado. — Levamos cinco longos dias para chegar aqui! O que você quer fazer, matar os cavalos? Eles estão extremamente exaustos.
— Mas se não fizermos nada, ela morrerá! Se for demais para os cavalos, Saphira pode voar comigo e com Arya, pelo menos chegaremos até os Varden a tempo. Você pode nos encontrar depois de alguns dias.
Murtagh resmungou e cruzou os braços.
— É claro, Murtagh, o burro de carga. Murtagh, o tratador de cavalos. Eu devia lembrar que, hoje em dia, só sirvo para isso. Ah, e não vamos esquecer que todos os soldados do Império estão me procurando porque você não conseguiu se defender, e eu tive de sair e salvar você! Isso, acho que seguirei suas instruções e vou levar os cavalos, atrás de você, como um bom servo obediente.
Eragon ficou surpreso com o veneno repentino na voz de Murtagh.
— O que há de errado com você? Sou grato pelo que fez. Não há motivo para ficar zangado comigo! Não pedi para você me acompanhar ou para ir me salvar em Gil’ead. A escolha foi sua. Não o forcei a fazer nada.
— Ah, abertamente, não. O que mais eu poderia fazer, além de ajudá-lo contra os Ra’zac? E, depois, em Gil’ead, como eu poderia abandoná-lo e ficar com a consciência tranquila? O seu problema — disse Murtagh cutucando o peito de Eragon — é que você é tão indefeso que força todo mundo a tomar conta de você!
As palavras feriram o orgulho de Eragon, que reconheceu um pouco de verdade nelas.
— Não toque em mim — disse entre os dentes.
Murtagh riu, havia um tom ríspido na voz dele:
— Se não, o quê? Vai me dar um soco? Você não conseguiria atingir nem uma parede de tijolos. — Ele empurrou Eragon de novo, mas Eragon agarrou o braço dele e o atingiu no estômago.
— Eu avisei, não me toque!
Murtagh se curvou, xingando. Depois, gritou e jogou-se para cima de Eragon. Caíram, embolando braços e pernas, socando um ao outro. Eragon deu um chute em direção ao lado direito do quadril de Murtagh, errou e acertou de leve na fogueira. Fagulhas e brasas incandescentes voaram pelos ares.
Lutaram no chão, um tentando ganhar vantagem sobre o outro. Eragon conseguiu colocar o pé embaixo do peito de Murtagh e empurrou-o com força. Murtagh voou por cima da cabeça de Eragon, caindo estatelado de costas, produzindo um forte baque.
A respiração de Murtagh falhou. Rolou com rigor e se pôs em pé, depois girou para ficar de frente para Eragon, ofegando muito. Partiram um para cima do outro mais uma vez. A cauda de Saphira chicoteou entre eles, acompanhada por um rugido ensurdecedor. Eragon ignorou-a e tentou pular por cima da cauda, mas uma pata cheia de garras o pegou em pleno ar e o jogou no chão.
Basta!
Ele, inutilmente, tentou tirar a musculosa pata de Saphira de cima do seu peito e viu que Murtagh estava preso da mesma maneira. Saphira rugiu de novo, estalando as mandíbulas. Jogou a cabeça para cima de Eragon e olhou fixamente para ele.
Logo você! Lutando como um cão faminto por um pedaço de carne. O que Brom diria?
Eragon sentiu seu rosto ficar vermelho e desviou seu olhar. Ele sabia o que Brom diria. Saphira manteve os dois no chão, esperando que se acalmassem, e disse para Eragon enfaticamente:
Agora, se não quiser passar a noite embaixo do meu pé, pergunte educadamente a Murtagh o que o está incomodando. Serpenteou sua cabeça até Murtagh e olhou para ele com seu olho azul impassível. E diga a ele que não tolerarei insultos de nenhum de vocês.
Você não vai nos deixar ficar em pé? Reclamou Eragon.
Não.
Relutante, Eragon virou a cabeça em direção a Murtagh, sentindo o gosto de sangue no canto da boca. Murtagh evitou o olhar dele e olhou para o céu.
— Então, ela vai nos soltar?
— Não, a não ser que conversemos... Ela quer que eu lhe pergunte qual é realmente o problema — disse Eragon sem jeito.
Saphira rosnou de modo afirmativo e continuou a olhar fixamente para Murtagh. Era impossível para ele escapar do olhar penetrante dela. Finalmente deu de ombros e balbuciou algo entre os dentes. As garras de Saphira apertaram o peito dele, e sua cauda assobiava no ar. Murtagh lançou para ela um olhar zangado e disse mais alto, relutante:
— Eu já disse antes: não quero ir até os Varden.
Eragon franziu o rosto.
Então, esse era o problema?
— Você não quer... Ou não pode ir?
Murtagh tentou se livrar da pata de Saphira com um empurrão, depois desistiu, xingando.
— Eu não quero! Eles vão esperar coisas de mim que não posso fazer.
— Você roubou algo deles?
— Queria que fosse tão simples assim.
Eragon girou os olhos, irritado.
— Então, o que houve? Você matou alguém importante ou dormiu com a mulher errada?
— Não, eu nasci — disse Murtagh, enigmaticamente. Ele empurrou Saphira de novo. Dessa vez, ela soltou os dois. Eles ficaram em pé, sob os olhares atentos dela, e limparam a terra das costas.
— Você está evitando a pergunta — disse Eragon tocando de leve seu lábio cortado.
— E daí? — disparou Murtagh enquanto andava pesadamente até os limites do acampamento. Depois de um minuto ele suspirou. — Não importa por que estou nessa situação delicada, mas posso dizer que os Varden não me dariam as boas-vindas, mesmo que eu chegasse com a cabeça do rei em uma bandeja. Eles até poderiam me cumprimentar e me deixar participar de um de seus conselhos, mas confiar em mim? Nunca. E se eu chegasse sob circunstâncias menos fortuitas, como as atuais, seria bem provável que eles me colocassem preso a ferros.
— Você não vai me contar o porquê disso tudo? — perguntou Eragon. — Eu também já fiz coisas das quais não me orgulho, então também não sei se passarei pelo julgamento deles.
Murtagh balançou a cabeça lentamente, seus olhos brilhavam.
— Não é nada disso. Não fiz nada que mereça tal tratamento, embora seria mais fácil se fosse assim. Não... meu único erro é existir, em primeiro lugar. — Parou e respirou fundo, trêmulo. — Sabe, meu pai...
Um sibilo abrupto de Saphira o interrompeu de repente:
Olhem!
Eles seguiram o olhar dela em direção ao oeste. O rosto de Murtagh ficou branco.
— Monstros acima e abaixo!
A uns cinco quilômetros ou mais de distância, paralela à cadeia de montanhas, havia uma fila de silhuetas marchando para o leste. A fileira de soldados, que contava com centenas de homens, esticava-se por quase dois quilômetros. A poeira subia dos seus calcanhares. Suas armas brilhavam na luz que enfraquecia. Um porta-estandarte ia à frente deles em uma carruagem negra, mantendo erguido um estandarte vermelho.
— É o Império — disse Eragon cansado. — Eles nos acharam... De alguma maneira.
Saphira esticou a cabeça acima do ombro dele e olhou fixamente para os soldados.
— É... Mas são Urgals, não são humanos — disse Murtagh.
— Como você sabe?
Murtagh apontou para o estandarte.
— A bandeira ostenta o símbolo pessoal de um líder Urgal. Ele é um bruto impiedoso, dado a atos violentos e à insanidade.
— Você já o encontrou?
Murtagh apertou os olhos.
— Uma vez, brevemente. Ainda tenho cicatrizes desse encontro. Esses Urgals podem não ter sido enviados aqui à nossa procura, mas tenho certeza de que já fomos avistados e de que eles nos seguirão. O líder não é do tipo que deixaria um dragão escapar das suas garras, especialmente se ele ouviu falar sobre o que aconteceu em Gil’ead.
Eragon correu até a fogueira e cobriu-a com terra.
— Precisamos fugir! Você não quer ir até os Varden, mas eu preciso levar Arya até eles antes que ela morra. Vamos firmar esse compromisso: venha comigo até chegarmos ao lago Kóstha-mérna, depois você seguirá o seu caminho. — Murtagh hesitou. Eragon acrescentou rapidamente: — Se você partir agora, estando ao alcance da vista dos monstros, eles vão segui-lo. E depois como você ficará? Vai enfrentá-los sozinho?
— Tudo bem — disse Murtagh jogando seus alforjes sobre os flancos de Tornac. — Mas quando chegarmos perto dos Varden, eu partirei.
Eragon queria interrogar Murtagh ainda mais, porém não com os Urgals tão perto. Juntou seus pertences e selou Fogo na Neve. Saphira bateu suas asas e decolou depressa, voando em círculos acima deles. Montou guarda sobre Murtagh e Eragon enquanto eles levantavam acampamento.
Para qual direção devo voar? Perguntou.
Para o leste, acompanhando as Beor.
Contendo as asas, Saphira subiu em uma corrente ascendente e flutuou em uma coluna de ar quente, pairando no céu acima dos cavalos.
Imagino por que os Urgals estão aqui. Talvez tenham sido enviados para atacar os Varden.
Então, devemos tentar alertá-los, disse ele guiando Fogo na Neve por entre obstáculos pouco visíveis.
Conforme a noite avançava, os Urgals desapareciam na penumbra atrás deles.

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