22 de maio de 2017

Capítulo 41 - Lutando com Espectros

Estava escuro na cela de Eragon quando ele acordou de repente e sentou-se eletrizado. A situação mudou! Sentiu a magia à beira de sua mente durante horas, mas sempre que tentava usá-la, nada acontecia.
Com olhos brilhantes devido a uma energia nervosa, fechou as mãos com força e disse:
— Nagz reisa! — Tremulando, o cobertor que estava em cima do catre voou para o alto, se enrolou, ganhando a forma de uma bola, do tamanho do punho dele, e caiu no chão produzindo um barulho suave.
Muito animado, Eragon pôs-se de pé. Estava fraco devido ao jejum forçado, mas a emoção superou a sua fome. Agora, o teste de verdade. Concentrou seu pensamento e sentiu a fechadura na porta. Em vez de tentar arrombá-la ou quebrá-la, simplesmente empurrou seu mecanismo interno até a posição de destrancada. Dando um clique, a porta abriu-se rangendo para dentro.
Quando usou a magia pela primeira vez em Yazuac para matar os Urgals, ela consumiu quase todas as suas forças, mas ele ficou muito mais forte desde então. O que, anteriormente, o teria deixado exausto, agora apenas o cansou levemente.
Ele saiu para o corredor cuidadosamente. Preciso achar Zar’roc e a elfa. Ela deve estar em uma dessas celas, mas não tenho tempo para olhar em todas. Quanto a Zar’roc, o Espectro deve estar com ela.
Percebeu que seu pensamento ainda estava confuso. Por que estou aqui fora? Eu poderia fugir agora se voltasse para a cela e abrisse a janela usando magia. Mas assim eu não conseguiria resgatar a elfa... Saphira, onde está você? Preciso da sua ajuda. Ele, silenciosamente, repreendeu a si mesmo por não ter feito contato com ela antes. Essa deveria ter sido a primeira coisa a ser feita depois de recuperar suas forças.
A resposta chegou com uma clareza surpreendente.
Eragon! Estou sobre Gil’ead. Não faça nada. Murtagh está a caminho.
O quê... Passos interromperam-no. Virou depressa, se abaixando no momento em que um grupo de seis soldados entrou marchando no corredor. Eles pararam de repente, seus olhos piscavam admirados entre Eragon e a porta aberta da cela. O sangue sumiu de seus rostos. Ótimo, eles sabem quem eu sou. Talvez eu possa assustá-los e espantá-los e assim não teremos de lutar.
— Atacar! — gritou um dos soldados, correndo para a frente. Os outros homens sacaram suas espadas e começaram a correr.
Seria loucura lutar contra seis homens desarmado e fraco, mas a lembrança da elfa o manteve no lugar. Ele não poderia abandoná-la. Sem ter certeza se o esforço o deixaria continuar em pé, ele invocou seu poder e ergueu a mão, a gëdwey ignasia brilhava. O medo ficou claro nos olhos dos homens, mas eram guerreiros experientes e não diminuíram o passo. Conforme Eragon abria a boca para pronunciar as palavras fatais, ouviu um zumbido baixo, um movimento sutil. Um dos homens caiu com uma flecha cravada nas costas. Mais dois foram atingidos antes que pudessem entender o que estava acontecendo.
No final do corredor, por onde os soldados tinham entrado, estava em pé um homem maltrapilho, barbado, com um arco nas mãos. No chão, perto dos pés deles, havia uma muleta caída, que aparentemente não era necessária, pois ele estava em pé ereto e firme.
Os três soldados restantes viraram-se para encarar a nova ameaça. Eragon aproveitou-se da confusão.
— Thrysta! — gritou ele. Um dos homens agarrou seu peito com força e caiu. Eragon cambaleou quando a magia cobrou seu preço. Outro soldado caiu depois de ter o pescoço atravessado por outra flecha.
— Não o mate! — berrou Eragon, vendo seu salvador mirando no último soldado. O homem barbado abaixou seu arco.
Eragon concentrou-se no soldado na frente dele. O homem estava ofegante, a parte branca de seus olhos aparecia em destaque. Ele parecia entender que sua vida tinha sido poupada.
— Você já viu o que posso fazer — disse Eragon, bruscamente. — Se não responder às minhas perguntas, você passará o resto da sua vida em extrema agonia e tormento. Onde está a minha espada? A bainha e a lâmina são vermelhas. E em que cela está a elfa?
O homem fechou a boca com força.
A palma da mão de Eragon brilhou de forma ameaçadora quando ele recorreu à magia.
— Esta é a resposta errada — disse ele depressa. — Você sabe quanta dor um grão de areia pode proporcionar quando ele fica fervendo dentro da sua barriga? Especialmente quando ele não esfriar nem um pouco nos próximos vinte anos e começar a descer queimando lentamente até os dedos dos seus pés? Você já será um velho. — Ele fez uma pausa para dar mais ênfase. — Nada disso acontecerá se me disser o que quero saber.
Os olhos do soldado arregalaram-se, mas permaneceu em silêncio. Eragon pegou um pouco de terra do chão de pedra e o observou calmamente.
— Isto é um pouco mais do que um montinho de areia, mas não se preocupe, pois vai descer queimando mais rápido. Porém, vai deixar um buraco maior quando sair. — Ao falar isso, a terra começou a brilhar em um tom cereja, mas não queimava a mão de Eragon.
— Tudo bem! Não coloque isso em mim! — disse o soldado depressa. — A elfa está na última cela à esquerda! Não sei da sua espada, mas deve estar, provavelmente, na sala da guarda lá em cima. Todas as armas ficam lá.
Eragon concordou com a cabeça e sussurrou:
— Slytha. — Os olhos do soldado rolaram para cima e ele caiu desmaiado.
— Você o matou?
Eragon olhou para o estranho, que agora estava a apenas poucos passos de distância. Ele apertou os olhos, tentando ver além da barba.
— Murtagh! É você? — exclamou ele.
— Sou eu — respondeu Murtagh, tirando a barba falsa do seu rosto barbeado. — Não quero que vejam o meu rosto. Você o matou?
— Não, ele só está dormindo. Como você conseguiu entrar aqui?
— Não há tempo para explicar. Precisamos ir para o próximo andar antes que alguém nos ache. Haverá uma rota de fuga para nós em poucos minutos. Não podemos perdê-la.
— Você não ouviu o que eu disse? — perguntou Eragon, apontando para o soldado inconsciente. — Há uma elfa na prisão. Eu vi! Precisamos salvá-la. Precisarei da sua ajuda.
— Um elfo...! — Murtagh atravessou o corredor apressado e resmungando. — Isso é um erro. Devíamos fugir enquanto há chance. — Ele parou na frente da cela que o guarda havia indicado e pegou um monte de chaves debaixo de seu manto surrado. — Peguei de um dos guardas — explicou ele.
Eragon esticou a mão para pegar as chaves. Murtagh deu de ombros e as entregou. Eragon achou a chave certa e abriu a porta. Apenas um raio de luar entrava inclinado pela janela, iluminando o rosto da bela criatura com um tom frio de prata.
Ela olhou para ele, tensa e retraída, pronta para o que quer que acontecesse depois. Ela manteve a cabeça erguida, com uma atitude de rainha. Seus olhos, verde-escuros, quase negros e levemente amendoados como os de uma gata, encontraram os de Eragon. Calafrios percorreram o corpo dele. Mantiveram seus olhares fixos um no outro durante alguns momentos, depois a mulher tremeu e caiu de repente. Eragon quase não conseguiu pegá-la antes que ela batesse no chão. Era surpreendentemente leve. O aroma de pinho recém-quebrado a cercava.
Murtagh entrou na cela:
— Ela é linda!
— Mas está ferida.
— Podemos cuidar dela depois. Você está com forças o bastante para carregá-la? — Eragon negou balançando a cabeça. — Então, eu a carregarei — disse Murtagh enquanto jogava a bela criatura sobre seus ombros. — Agora, para cima! — Ele deu uma adaga a Eragon, depois voltou correndo para o corredor repleto de corpos de soldados caídos.
Com passos largos, Murtagh levou Eragon para uma escadaria de pedra no final do corredor.
Enquanto subiam, Eragon perguntou:
— Como vamos sair sem sermos notados?
— Não seremos — resmungou Murtagh.
Isso não aplacou os medos de Eragon. Ele ouvia com atenção, ansioso, para saber se havia algum soldado ou alguma pessoa por perto, temendo o que poderia acontecer se encontrassem o Espectro. No final das escadas havia um salão de banquetes repleto de mesas grandes de madeira. Havia escudos enfileirados nas paredes e o teto de madeira era sustentado por vigas curvas. Murtagh pôs a mulher em uma mesa e olhou preocupado para o teto.
— Você pode fazer contato com Saphira para mim?
— Posso.
— Diga a ela para esperar mais cinco minutos.
Havia gritos ao longe. Soldados passaram marchando na entrada do salão de banquetes. Eragon fechou a boca com força, devido à tensão reprimida.
— Seja lá o que você esteja planejando, acho que não temos muito tempo.
— Apenas diga isso a ela e fique fora de vista — disse Murtagh de repente e correu. Quando Eragon transmitiu o recado, ficou alarmado ao ouvir soldados subindo as escadas. Lutando contra a fome e a exaustão, tirou a elfa de cima da mesa e a escondeu embaixo dela. Agachou-se ao lado, prendendo a respiração e agarrando a adaga com firmeza.
Dez soldados entraram no salão. Revistaram o cômodo apressadamente, olhando embaixo de apenas algumas mesas, e continuaram em seu caminho. Eragon recostou-se contra uma das pernas da mesa e suspirou. O alívio o fez lembrar de repente de seu estômago que roncava e de sua garganta ressecada. Uma grande caneca e um prato com restos de comida, que estavam do outro lado do salão, chamaram sua atenção.
Eragon saiu correndo de seu esconderijo, pegou a comida depressa e voltou velozmente para baixo da mesa. Havia cerveja na caneca, a qual bebeu em dois grandes goles. Uma sensação de alívio correu por todo o seu corpo quando o liquido frio desceu em sua garganta, aliviando o tecido irritado. Suprimiu um arroto antes de comer desesperadamente um pedaço de pão.
Murtagh voltou carregando Zar’roc, um arco estranho e uma elegante espada sem bainha. Murtagh deu Zar’roc para Eragon.
— Encontrei a outra espada e o arco na sala da guarda. Nunca vi armas como estas antes, então presumi que fossem dela.
— Vamos descobrir — disse Eragon, com a boca cheia de pão. A espada, fina e leve, com uma proteção curvada no punho, cujas pontas eram estreitas e afiadas, encaixou-se perfeitamente na bainha que estava na cintura da mulher. Não havia como dizer se o arco era dela, mas sua forma era tão graciosa que ele duvidava que aquilo fosse de outra pessoa.
— E agora? — perguntou ele, enfiando outro pedaço de pão na boca. — Não podemos ficar aqui para sempre. Mais cedo ou mais tarde, os soldados vão nos achar.
— Agora — disse Murtagh, pegando seu próprio arco, preparando uma flecha para ser disparada — nós esperamos. Como eu disse, nossa fuga já foi planejada.
— Você não entende. Há um Espectro aqui! Se formos encontrados, estaremos perdidos!
— Um Espectro! — exclamou Murtagh. — Nesse caso, mande Saphira vir imediatamente. Íamos esperar até a troca da guarda, mas demorar tanto tempo passou a ser muito mais perigoso agora. — Eragon passou o recado sucintamente, evitando distrair Saphira com perguntas. — Você estragou meus planos ao fugir sozinho — queixou-se Murtagh, olhando a entrada do salão atentamente para ver se nenhum soldado apareceria.
Eragon sorriu.
— Nesse caso, talvez, eu devesse ter esperado. Mas você escolheu o momento perfeito. Eu não seria capaz nem de engatinhar se tivesse abatido todos aqueles soldados usando magia.
— É bom saber que fui útil — comentou Murtagh. Ele parou de repente ao ouvir soldados correndo por perto. — Vamos torcer para o Espectro não nos localizar.
Uma risada fria encheu o salão.
— Temo que seja tarde demais para isso.
Murtagh e Eragon viraram-se. O Espectro estava sozinho no final do salão. Em sua mão havia uma espada fosca, com um arranhão fino na lâmina. Soltou o broche que prendia a sua capa, deixando o traje cair no chão. O corpo dele era como o de um corredor, magro e compacto, mas Eragon lembrou-se do aviso de Brom e sabia que a aparência daquela criatura era enganadora, que era muitas vezes mais forte do que qualquer humano normal.
— Então, meu jovem Cavaleiro, você quer testar suas habilidades contra as minhas? — perguntou o Espectro com desdém. — Eu não devia ter acreditado no capitão quando ele disse que você havia ingerido toda a comida. Mas não cometerei o mesmo erro novamente.
— Eu cuidarei dele — disse Murtagh baixinho, baixando seu arco e desembainhando a espada.
— Não — disse Eragon entre os dentes. — Ele me quer vivo, você não. Eu posso detê-lo por algum tempo, mas então é melhor que você tenha uma fuga preparada para nós.
— Tudo bem, vá — disse Murtagh. — Você não terá de segurá-lo por muito tempo.
— Espero que não — disse Eragon, de modo assustador. Sacou Zar’roc e avançou lentamente. A lâmina vermelha brilhava com as luzes das tochas na parede.
Os olhos castanho-avermelhados do Espectro brilhavam como carvões. Ele sorriu levemente.
— Você acha mesmo que pode me derrotar, Du Súndavar Freohr? Que nome deplorável. Eu esperava algo mais astuto da sua parte, mas suponho que você só seja capaz disso.
Eragon recusou-se a deixar ser levado à ação. Olhou fixamente para o Espectro, esperando um piscar de olhos ou um movimento de lábio, qualquer coisa que pudesse trair sua próxima investida. Não posso usar magia, pois eu o provocaria a fazer o mesmo. Ele tem de pensar que pode vencer sem recorrer a ela, o que, provavelmente, deve ser verdade.
Antes que algum deles se movesse, houve um estrondo no teto e ele balançou. Poeira caiu dele e deixou o ar cinzento enquanto pedaços de madeira caíam em volta deles, batendo no chão. E do teto também vinham sons de gritos e de metal batendo. Com medo de ser atingido na cabeça pela madeira que caía, Eragon olhou de relance para cima. O Espectro aproveitou-se dessa distração e atacou.
Eragon mal teve tempo de erguer Zar’roc para bloquear um golpe que vinha em direção a suas costelas. As espadas se encontraram, produzindo um som agudo que estremeceu seus dentes e deixou seu braço dormente. Pelos céus! Ele é forte! Eragon segurou Zar’roc com as duas mãos e lançou-a com toda a sua força em direção à cabeça do Espectro, que bloqueou o golpe com facilidade, girando sua espada no ar mais rápido do que Eragon achava ser possível.
Rangidos horríveis soavam acima deles, como cravos de ferro sendo enfiados na rocha. Três grandes rachaduras dividiram o teto. Pedaços das telhas de pedra caíam pelas aberturas. Eragon os ignorou, mesmo quando um deles se espatifou no chão perto dele. Embora tivesse treinado com um mestre das armas, Brom, e com Murtagh, que também era um exímio espadachim, nunca havia se encontrado em uma situação de tanta desvantagem. O Espectro estava brincando com ele.
Eragon recuou em direção a Murtagh, seus braços tremiam por causa do bloqueio que fazia dos golpes do Espectro. Cada investida parecia ser mais forte do que a última. Eragon não estava mais forte o bastante para invocar sua magia mesmo se quisesse. Então, com um movimento desdenhoso do punho, o Espectro arrancou Zar’roc da mão de Eragon. A força do golpe o fez cair de joelhos, ali, prostrado, permaneceu ofegante. O som dos rangidos estava mais alto do que nunca. Seja lá o que fosse que estivesse acontecendo, estava ficando mais próximo.
O Espectro olhou para baixo, para ele, de modo arrogante:
— Você pode ser uma peça importante no jogo que está se desenrolando, mas estou decepcionado se isso é o melhor que você pode fazer. Se os outros Cavaleiros eram tão fracos assim, devem ter controlado o Império apenas por serem em maior número.
Eragon levantou o olhar e balançou a cabeça. Ele já havia percebido qual era o plano de Murtagh.
Saphira, agora seria uma boa hora.
— Não, você esqueceu de uma coisa.
— E qual seria essa coisa? — perguntou o Espectro, com uma voz de desprezo.
Houve uma reverberação estrondosa quando um pedaço do teto foi arrancado, revelando o céu noturno.
— Os dragões! — gritou Eragon mais alto do que o barulho e se atirou para longe do alcance do Espectro, que rosnou de raiva, balançando sua espada ferozmente. Ele errou e se jogou depressa para a frente. A surpresa tomou conta do rosto dele quando uma das flechas de Murtagh atingiu-o no ombro.
O Espectro riu e quebrou facilmente a flecha com dois dedos.
— Você terá de fazer muito mais do que isso se quiser me deter. — A próxima flecha acertou-o entre os olhos. O Espectro deu um grito de agonia e contorceu-se de dor, cobrindo o rosto. A pele ficou cinza. Uma névoa formou-se no ar em volta dele, escondendo sua figura. Houve um grito ensurdecedor, e a nuvem desapareceu.
Nada restou onde o Espectro estava, com exceção de sua capa e de uma pilha de roupas.
— Você o matou! — exclamou Eragon. Ele sabia que apenas dois heróis lendários haviam sobrevivido ao ataque de um Espectro, conseguindo matá-lo.
— Não tenho certeza — disse Murtagh.
Um homem gritou:
— É isso mesmo! Ele falhou. Entrem e peguem-nos! — Soldados com redes e lanças entraram no salão por ambos os lados. Eragon e Murtagh recuaram, encostando-se na parede, arrastando a elfa com eles. Os homens formaram um meio círculo ameaçador em volta deles. Foi então que Saphira enfiou a cabeça no buraco no teto e rugiu. Agarrou a extremidade da abertura com suas garras poderosas e arrancou outro grande pedaço do teto. Três soldados viraram-se e correram, mas os outros mantiveram suas posições.
Com um estrondo bem alto, a viga central do teto quebrou, fazendo chover pesadas telhas. A confusão espalhou os soldados, que tentavam se livrar do forte bombardeio. Eragon e Murtagh se espremeram contra a parede, evitando os destroços que caíam. Saphira rugiu de novo, e os soldados fugiram, alguns sendo esmagados enquanto corriam.
Com um esforço titânico final, Saphira arrancou o resto do teto antes de pular para dentro do salão com as asas fechadas. Seu peso quebrou uma das mesas, produzindo um alto estalo. Gritando de alívio, Eragon correu para abraçá-la. Ela soltou um zumbido baixo de satisfação.
Senti a sua falta, pequenino.
Eu também. Há mais uma pessoa conosco. Você aguenta com nós três?
Claro, respondeu ela chutando telhas e mesas do caminho para que pudesse decolar. Murtagh e Eragon tiraram a mulher de seu esconderijo. Saphira soltou um zumbido, surpresa, quando a viu. Uma elfa!
Sim, é a mulher que eu via nos meus sonhos, confirmou Eragon pegando Zar’roc. Ele ajudou Murtagh a prender a mulher na sela, e os dois montaram em Saphira.
Ouvi luta no teto. Ainda há homens lá em cima?
Havia, mas não há mais. Estão prontos?
Estamos.
Saphira pulou para fora do salão, até o telhado da fortaleza, onde estavam caídos os corpos das sentinelas.
— Olhe! — disse Murtagh, apontando. Uma fileira de arqueiros enchia uma torre do outro lado do salão destelhado.
— Saphira, você tem de decolar. Agora! — alertou Eragon.
Ela abriu as asas, correu em direção à beira do prédio e lançou-se para o alto com suas patas fortes.
O peso extra em suas costas a fez cair abruptamente. Enquanto ela lutava para ganhar altitude, Eragon ouviu o som de arcos disparando.
Flechas passavam zumbindo por eles no escuro. Saphira rugiu de dor quando foi atingida e se jogou velozmente para a esquerda para evitar as próximas flechas. Mais setas perfuraram o céu, no entanto a noite os protegia da picada fatal dos projéteis. Aflito, Eragon curvou-se em cima do pescoço de Saphira.
Você está ferida?
Minhas asas foram perfuradas... Mas uma das flechas não atravessou. Ainda está presa.
A respiração dela estava ofegante e pesada.
Até onde você pode nos levar?
Longe o bastante.
Eragon agarrou a mulher com força enquanto eles sobrevoavam Gil’ead, deixavam a cidade para trás e seguiam rumo ao leste, voando alto no meio da noite.

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