27 de maio de 2017

Capítulo 4 - Roran

Roran subiu longa e penosamente a colina. Parou e olhou de soslaio para o sol por entre o seu cabelo desgrenhado. Serão cinco horas até o pôr do sol. Não poderei permanecer muito tempo. Com um suspiro, ele continuou seguindo ao longo da fileira de olmos, cada um deles plantado em meio a um matagal.
Esta era a primeira visita que fazia à fazenda desde que, com a ajuda de Horst e seis outros homens de Carvahall, tirara tudo que valia a pena salvar da casa destruída e do celeiro incendiado. Passaram quase cinco meses antes que ele pudesse considerar a possibilidade de retornar. Assim que chegou ao topo da colina, Roran parou e cruzou os braços.
A sua frente estendiam-se os restos do seu lar da infância. Um canto da casa ainda permanecia lá — arruinado e chamuscado —, mas o resto estava aplanado e coberto de grama e ervas daninhas. Não dava para ver mais nada do celeiro. Os poucos acres que eles haviam conseguido cultivar a cada ano agora estavam repletos de dentes-de-leão, mostarda-do-campo e mais grama. Aqui e acolá, beterrabas e nabos dispersos haviam sobrevivido, mas isso era tudo. Imediatamente depois da fazenda, um cinturão espesso de árvores ocultava o rio Anora.
Roran cerrou um dos punhos, trincava os maxilares dolorosamente enquanto tentava conter uma combinação de raiva e pesar. Permaneceu paralisado por longos minutos, e tremia sempre que uma lembrança agradável lhe ocorria. Este lugar fora sua vida inteira e muito mais. Fora seu passado... e seu futuro. Seu pai, Garrow, disse uma vez:
— A terra é especial. Cuide dela que ela cuidará de você. Não há muitas coisas na vida que farão isso. — Era exatamente o que Roran pretendera fazer, até o momento em que seu mundo desmoronou por causa de uma mensagem comedida de Baldor.
Com um gemido, ele se virou e voltou a passos largos em direção a estrada. O choque daquele momento ainda ressoava em seu interior. O fato de ter perdido todos a quem amava num instante foi uma experiência que revirou a sua alma e da qual ele jamais iria se recuperar. Aquilo havia se infiltrado em cada mínimo aspecto de seu comportamento e de suas perspectivas.
E também forçou Roran a pensar mais do que nunca. Era como se ele possuísse arreios em sua mente e estes tivessem se rompido, permitindo-lhe refletir sobre coisas antes inimagináveis. Como sobre o fato de que ele poderia não se tornar um fazendeiro ou que a justiça — o tema mais abordado em lendas e canções — pouco se escorava na realidade. Às vezes, tais pensamentos enchiam sua consciência ao ponto de ele mal conseguir se levantar de manhã, sentindo-se inchado com o peso deles.
Ao virar na estrada, ele seguiu para o Norte atravessando o vale Palancar, de volta à Carvahall. Os desfiladeiros estreitos dos dois lados estavam cheios de neve, não obstante o verde da primavera que havia se espalhado pelo vale nas últimas semanas. Mais acima, uma única nuvem cinzenta flutuava em direção aos picos.
Roran deslizou a mão pelo queixo, sentindo a barba curta. Eragon provocou tudo isso — ele e sua maldita curiosidade — ao trazer aquela pedra da Espinha. Roran havia levado semanas para chegar a essa conclusão. Ele ouviu os relatos de todos. Por diversas vezes, fez Gertrude, a curandeira da cidade, ler em voz alta a carta que Brom havia lhe deixado. E não havia outra explicação. Qualquer que fosse, aquela pedra, deve ter atraído os estranhos. Só por isso ele responsabilizou Eragon pela morte de Garrow, embora não com raiva, ele sabia que Eragon não tinha a intenção de ferir ninguém. Não, ficou furioso pelo fato de Eragon não ter enterrado o corpo de Garrow e ter fugido do vale Palancar, abandonando suas responsabilidades para sair a galope com o velho contador de histórias numa jornada imprudente sem importância. Como Eragon pôde ter tão pouca consideração por aqueles que deixou para trás? Será que fugiu porque se sentia culpado? Será que teve medo? Será que Brom o enganou com histórias de aventuras fantásticas? E por que Eragon iria ouvir coisas assim num momento como aquele?... Nem mesmo sei se ele está vivo ou morto agora.
Roran franziu a testa e agitou os braços, tentando arejar a mente. A carta de Brom... Ah! Ele jamais havia ouvido uma série tão ridícula de insinuações e indiretas agourentas. A única mensagem clara era a de evitar os estranhos, o que é senso comum. O velho era maluco, concluiu. Um movimento ligeiro fez Roran se virar e ver doze veados — incluindo um jovem macho com chifres aveludados — trotando de volta em direção às árvores. Ele teve o cuidado de observar sua localização para que pudesse encontrá-los no dia seguinte. Estava orgulhoso de poder caçar bem o suficiente para se manter na casa de Horst, embora nunca tivesse sido tão hábil quanto Eragon.
Enquanto andava, continuou a relembrar. Depois da morte de Garrow, Roran abandonou seu trabalho no moinho de Dempton em Therinsford e voltou para Carvahall. Horst concordara em hospedá-lo e, nos meses seguintes, lhe arrumou um trabalho na ferraria. A tristeza adiara as decisões de Roran sobre o futuro até dois dias atrás, quando ele finalmente decidiu por uma determinada linha de conduta.
Ele queria se casar com Katrina, a filha do açougueiro. O motivo de ele ter ido para Therinsford a princípio era ganhar dinheiro a fim de garantir um começo tranquilo para a sua vida a dois. Mas, agora, sem fazenda, lar ou meios de sustentá-la, Roran não podia em sã consciência pedir a mão de Katrina. Seu orgulho não permitiria isso. Nem Roran achava que Sloan, o pai dela, iria tolerar um pretendente com tais perspectivas parcas para o futuro.
Mesmo nas melhores circunstâncias, Roran esperava ter dificuldades em convencer Sloan a dar-lhe a permissão para desposar Katrina, os dois nunca foram muito amigos. E era impossível para Roran casar com Katrina sem o consentimento do pai, a não ser que ambos quisessem dividir a família da moça, enfurecer o vilarejo ao desafiar as tradições e, o que era mais provável, iniciar uma vendeta com Sloan.
Considerando a situação, parecia a Roran que a única opção disponível era reconstruir sua fazenda, mesmo que para isso tivesse de levantar a casa e o celeiro sozinho. Seria difícil começar do nada, mas, uma vez que sua situação econômica se estabilizasse, ele poderia se aproximar de Sloan com a cabeça erguida. O mais cedo que poderemos conversar será na próxima primavera, pensou Roran, fazendo uma careta. Ele sabia que Katrina esperaria — por algum tempo, pelo menos.
Continuou mantendo o passo firme até o anoitecer, quando o vilarejo surgiu no horizonte. Em meio ao pequeno amontoado de construções rústicas, havia roupa lavada pendurada em varais que iam de janela a janela. Homens seguiam em fila de volta para as casas nos campos que ficavam no entorno, repletos de trigo para o inverno. Atrás de Carvahall, as cataratas Igualda, com seus oitocentos metros de altura, brilhavam ao por do sol, enquanto caíam Espinha abaixo, dentro do Anora. A visão aqueceu Roran pelo fato de ser habitual. Nada era mais confortante do que ter tudo onde devia estar.
Ao deixar a estrada, ele subiu colina acima até a casa de Horst, onde havia uma bela vista da Espinha. A porta estava aberta. Roran entrou, seguindo o som da conversa que vinha da cozinha.
Horst estava lá, encostado numa mesa rústica que havia sido empurrada para um canto do cômodo, com os braços à mostra até a altura do cotovelo. Ao seu lado, sua esposa, Elain, grávida de quase cinco meses, estampava um sorriso satisfeito no rosto. Seus filhos, Albriech e Baldor, estavam em frente a eles.
Enquanto Roran entrava, Albriech dizia:
— ... e eu ainda não havia deixado a ferraria! Thane jura que me viu, mas eu estava do outro lado da cidade.
— O que está acontecendo? — perguntou Roran, largando a sua bagagem.
Elain trocou olhares com Horst.
— Venha cá, deixe eu lhe dar algo para comer. — Ela pôs pão e uma tigela de carne ensopada e fria na sua frente. Depois o encarou, como se estivesse buscando uma determinada expressão. — Como está a fazenda?
Roran encolheu os ombros.
— Toda a madeira ou queimou ou apodreceu... não há nada que valha a pena usar. O poço ainda está intacto, e isso é algo pelo qual devo agradecer. Terei de cortar madeira para a casa assim que for possível, se é que quero ter um teto sobre a minha cabeça durante o plantio. Agora me digam, o que aconteceu?
— Ah! — exclamou Horst. — Houve uma verdadeira confusão, e que confusão. Thane está dando por falta de uma foice e pensa que Albriech a pegou.
— Ele provavelmente a deixou cair na grama e se esqueceu de onde a deixou — disse Albriech, bufando.
— Provavelmente — concordou Horst, sorrindo. Roran deu uma mordida no pão. — Acusar você não faz sentido. Se você precisava de uma foice, poderia simplesmente forjar uma.
— Eu sei — disse Albriech, deixando-se cair numa cadeira —, mas em vez de procurar a sua, ele começa a se queixar de que viu alguém deixando o seu terreno e que o tal sujeito era muito parecido comigo... e como ninguém mais se parece comigo, eu tenho que ter roubado a foice.
Era verdade que ninguém se parecia com ele. Albriech havia herdado o tamanho do pai e o cabelo louro cor de mel de Elain, o que o tornava uma esquisitice em Carvahall, onde os cabelos castanhos eram predominantes. Por sua vez, Baldor era, ao mesmo tempo, mais magro e tinha o cabelo escuro.
— Estou certo de que vai aparecer — disse Baldor calmamente. — Tente, por enquanto, não ficar muito furioso por causa disso.
— É fácil para você falar.
No momento em que Roran terminava de comer o último pedaço de pão e começava a degustar o ensopado, resolveu fazer uma pergunta para Horst:
— Você vai precisar de mim para alguma coisa amanhã?
— Não para nada em especial. Vou trabalhar na carroça de Quimby. Ela ainda não está andando direito.
Roran acenou com a cabeça, satisfeito.
— Ótimo. Então vou tirar o dia para caçar. Ainda há alguns veados ao longo do vale e eles não me pareceram muito magros. Pelo menos não dava para ver suas costelas.
Baldor ficou subitamente animado.
— Você quer companhia?
— Claro. Podemos sair ao amanhecer.


Quando terminou de comer, Roran lavou o rosto e as mãos e depois deu uma saída para espairecer. Alongando-se descansadamente, andou até o centro da cidade.
No meio do caminho, o som de gente conversando do lado de fora do Sete Roldanas chamou a sua atenção. Ele se virou, curioso, e seguiu em direção à taverna, onde teve uma estranha visão. Um homem de meia-idade estava sentado na varanda, usando um casaco de couro feito de retalhos. Ao seu lado, havia um pacote adornado com mandíbulas de aço, armadilhas usuais dos caçadores. Algumas dezenas de moradores do vilarejo ouviam enquanto ele gesticulava de forma expansiva e dizia:
— Então, quando cheguei em Therinsford, fui até este homem, Neil. Um sujeito bom e honesto, ajudo nos seus campos durante a primavera e o verão.
Roran acenou com a cabeça. Os caçadores passavam o inverno entocados nas montanhas e voltavam na primavera para vender suas peles a curtidores como Gedric e depois trabalhar, quase sempre como agricultores. Como Carvahall era o vilarejo mais ao norte na Espinha, muitos caçadores passavam por lá, e isso era um dos motivos que levavam Carvahall a ter taverna, ferreiro e curtidor.
— Após algumas canecas de cerveja... para lubrificar a minha fala... vocês sabem como é, depois de meio ano sem falar uma única palavra, exceto talvez quando blasfemava o mundo e a tudo a minha volta ao perder uma armadilha para urso... eu vou até o Neil, com a espuma ainda fresca na minha barba, e começo a trocar fofocas. Enquanto nossa transação prossegue, eu lhe peço notícias do Império e do rei... que ele apodreça de gangrena e estomatite. Alguém nasceu, morreu ou foi banido que eu mereça saber? E sabe o que mais ocorreu da última vez? — Neil se inclinou para a frente, ficou todo sério e disse: — De Dras-Leona até Gil’ead, vêm circulando histórias dando conta de coisas estranhas que estão acontecendo aqui, lá e por toda a extensão da Alagaësia. Os Urgals desapareceram totalmente das terras civilizadas, e já vão tarde, mas nenhum homem é capaz de dizer por que ou para onde foram. Metade do comércio no Império deixou de fluir como resultado dos ataques e das emboscadas e, pelo que ouvi, isso não é trabalho de meros bandidos, pois os ataques estão muito espalhados, muito calculados. Nenhum bem foi roubado, apenas queimado ou desgraçado. Mas isso não é o fim de tudo, oh não, não mesmo, juro pela ponta dos fios de bigodes de sua abençoada avó.
O caçador balançou a cabeça e tomou um gole de seu odre de vinho antes de prosseguir:
— Há burburinhos sobre um Espectro que está assombrando os territórios ao norte. Ele tem sido visto ao longo dos limites da floresta de Du Weldenvarden e perto de Gil’ead. Dizem que seus dentes foram limados até ficarem afiados, seus olhos são vermelhos como vinho e seu cabelo é vermelho igual ao sangue que ele bebe. O pior de tudo é que algo parece ter deixado o nosso bom e louco monarca furioso, e deixou mesmo. Há cinco dias, um ilusionista do sul parou em Therinsford no seu caminho solitário até Ceunon, e disse que as tropas têm se movido e se reunido, embora para algo que estava além do seu alcance. — Ele encolheu os ombros. — Como me ensinou o meu pai quando eu ainda era amamentado, onde há fumaça, há fogo. Talvez sejam os Varden. Eles têm dado muita dor de cabeça ao velho Ossos de Ferro ao longo dos anos. Ou quem sabe Galbatorix finalmente tenha decidido que se cansou de tolerar Surda. Pelo menos ele sabe onde encontrá-la, ao contrário daqueles rebeldes. Ele irá esmagar Surda como um urso faz com uma formiga, ora se vai.
Roran pestanejou enquanto um monte de perguntas ininteligíveis explodiram em volta do caçador. Ele estava inclinado a duvidar dos relatos sobre um Espectro — aquilo parecia ser uma história que um lenhador bêbado poderia ter inventado — mas o resto soava ruim demais para ser verdade. Surda... Poucas informações sobre aquela região distante chegavam à Carvahall, mas Roran sabia, pelo menos, que embora Surda e o Império estivessem ostensivamente em paz, seus habitantes viviam num medo constante de que seu vizinho mais poderoso ao norte pudesse invadir seu território. Por esse motivo, dizia-se que Orrin, seu rei, apoiava os Varden. Se o caçador tivesse razão em relação a Galbatorix, então isso poderia significar que uma guerra hedionda estava reservada para o futuro, acompanhada pelas privações proporcionadas pelo aumento dos impostos e pelo recrutamento obrigatório. Eu preferiria viver numa era isenta de acontecimentos trágicos. A sublevação toma vidas que já são difíceis, como as nossas, quase impossíveis.
— E mais, ouvi histórias de... — Aqui o caçador fez uma pausa e, com uma expressão conhecida, bateu na lateral de seu nariz com o dedo indicador. — Histórias de um novo Cavaleiro na Alagaësia. — Ele então deu uma grande e vigorosa gargalhada, batia na barriga à medida que se inclinava para trás na varanda.
Roran também riu. Histórias de Cavaleiros apareciam de vez em quando. Elas provocaram o seu interesse umas duas ou três vezes, mas ele logo aprendeu que não deveria confiar nesses relatos, pois eles não davam em nada. Os rumores não passavam de uma ilusão criada por aqueles que ansiavam por um futuro mais auspicioso.
Ele estava prestes a se retirar quando notou Katrina sentada num canto da taverna, usava um vestido longo de burel, decorado com uma fita verde. Ela o encarou com a mesma intensidade com a qual ele o fez. Roran se aproximou, tocou em seu ombro e, juntos, se afastaram dali. Os dois andaram até os limites de Carvahall, lá ficaram olhando para as estrelas. O céu estava luminoso, com milhares de estrelas tremeluzindo. E, formando um arco acima deles, do norte ao sul, havia a magnífica faixa perolizada, que ia de horizonte a horizonte, como pó de diamante que jorrara de um cântaro. Sem olhar para ele, Katrina apoiou a cabeça no ombro de Roran e perguntou:
— Como foi o seu dia?
— Voltei à minha casa. — Ele percebeu que a parceira se retesava enquanto estava encostada.
— Como foi?
—Terrível. — Sua voz ficou abafada e ele caiu no silêncio enquanto a abraçava com força. O cheiro do cabelo acobreado da moça em seu rosto era como um elixir de vinho, pimenta e perfume. Aquilo se entranhou nele, cálido e agradável. — A casa, o celeiro, os campos, tudo foi completamente devastado... Eu não os teria encontrado se não soubesse onde procurar.
Ela finalmente se virou para encará-lo, estrelas brilhavam em seus olhos, havia tristeza em seu rosto.
— Oh, Roran. — Ela o beijou, seus lábios roçaram os dele por um breve instante. — Você sofreu tantas perdas e, contudo, jamais lhe faltaram forças. Você irá voltar para a sua fazenda agora?
— Claro. Tudo o que sei fazer é cuidar da terra.
— E o que será de mim?
Ele hesitou. Do momento em que começou a namorá-la, uma suposição tácita de que iriam se casar passou a existir entre os dois. Não havia necessidade de discutir suas intenções, elas eram tão claras quanto o dia era longo, por isso a pergunta dela o deixou inquieto. Também parecia inapropriado tratar da questão de uma maneira tão aberta quando ele não estava pronto para fazer uma proposta. Era a vez dele fazer um pedido — primeiro a Sloan e depois a Katrina —, não dela. Contudo, ele teria de lidar com a preocupação da amada, agora que tinha falado.
— Katrina... não posso me reportar ao seu pai como havia planejado. Ele iria rir de mim e com razão. Temos de esperar. Assim que eu tiver um lugar onde possamos morar e eu fizer minha primeira colheita, ele irá me ouvir.
Ela se voltou para o céu mais uma vez e sussurrou algo num tom tão baixo que ele não pôde decifrar.
— O quê?
— Eu perguntei se você está com medo dele.
— É claro que não! Eu...
— Então você tem de obter a sua permissão, amanhã, e marcar o noivado. Faça-o entender que, embora não tenha nada agora, você me dará um bom lar e será um genro do qual ele poderá se orgulhar. Não há razão para que desperdicemos nossos anos vivendo separados quando sentimos o que sentimos.
— Não posso fazer isso — disse ele em tom de desespero, querendo que ela entendesse. — Não posso sustentá-la, não posso...
— Você não entende! — Ela se afastou, sua voz se intensificou num tom urgente. — Eu amo você, Roran, e quero ficar ao seu lado, mas meu pai possui outros planos para mim. Há homens muito mais qualificados do que você e, quanto mais você demorar, mais ele irá me pressionar para consentir em me casar com alguém de sua aprovação. Ele teme que eu vá virar uma solteirona, e eu também temo isso. Eu não tenho muito tempo ou escolhas aqui em Carvahall... Se eu tiver que desposar um outro, o farei.
As lágrimas começaram a cintilar em seus olhos enquanto ela o fitava de um jeito inquisidor, esperando pela sua resposta, até que suspendeu um pouco a barra de seu vestido e correu de volta para a região das casas.
Roran ficou ali parado, imóvel por causa do choque. A ausência de Katrina lhe era mais aguda do que o fato de ter perdido a casa — o mundo subitamente ficou frio e hostil. Era como se uma parte dele houvesse sido arrancada.
Passaram-se horas antes que ele conseguisse voltar à casa de Horst e cair na cama.

Um comentário:

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