22 de maio de 2017

Capítulo 35 - A vingança dos Ra’zac

Um latejar dolorido acordou Eragon. Sempre que o sangue pulsava em sua cabeça, surgia uma nova onda de dor. Fez força para abrir os olhos e apertou-os. Lágrimas encheram-nos quando olhou diretamente para uma lanterna brilhante. Piscou e desviou o olhar. Quando tentou se sentar, percebeu que suas mãos estavam amarradas por trás de suas costas.
Virou-se de modo letárgico e viu os braços de Brom. Eragon ficou aliviado ao ver que eles estavam amarrados juntos. Por que fizeram isso? Esforçou-se para imaginar, até que um pensamento subitamente lhe ocorreu: Eles não amarrariam um homem morto! Mas quem eram “eles”? Virou a cabeça ainda mais e parou quando um par de botas pretas entrou em seu campo de visão.
Eragon olhou para cima, diretamente para o rosto encapuzado de um Ra’zac. O medo percorreu as suas veias. Tentou recorrer à magia e começou a pronunciar uma palavra que mataria os Ra’zac, mas, então, parou, intrigado. Eragon não conseguia se lembrar da palavra. Frustrado, tentou de novo, só para senti-la ficar longe de seu domínio.
Acima dele, o Ra’zac ria satisfeito.
— A droga está agindo, não essstá? Acho que você não nos incomodará maisss.
Havia um chacoalhar à esquerda, e Eragon ficou horrorizado ao ver o segundo Ra’zac colocar uma focinheira em Saphira. Suas asas estavam presas ao lado do corpo por correntes negras. Havia grilhões em suas patas. Eragon tentou contatá-la, mas não sentiu nada.
— Ela começou a cooperar bastante quando ameaçamos matar você — disse o Ra’zac sibilando. Agachado perto da lanterna, ele remexia as bolsas de Eragon, examinando e rejeitando vários itens até encontrar Zar’roc. — Mas que coisa linda para alguém tão... Insignificante. Acho que vou guardá-la. — Ele inclinou-se para mais perto dele e olhou com desprezo. — Ou, talvez, se você se comportar, nosso mestre vai deixar você lustrá-la. — O hálito molhado tinha cheiro de carne podre.
Então virou a espada em suas mãos e deu um grito agudo quando viu o símbolo na bainha. Seu amigo aproximou-se correndo. Ficaram parados na frente da espada, sibilando e soltando pequenos estalos.
Finalmente eles se viraram para Eragon.
— Você servirá muito bem ao nosso mestre, com certezzza.
Eragon forçou sua língua grossa a formar algumas palavras.
— Se eu fizer isso, matarei vocês.
Eles sorriram friamente.
— Oh, não. Somos valiosos demais. Mas você... Você é dispensável. — Um rugido baixo saiu de Saphira, um pouco de fumaça subiu de suas narinas. Parecia que os Ra’zac não se importavam com aquilo.
A atenção deles foi desviada quando Brom gemeu e rolou para o lado. Um dos Ra’zac agarrou a camisa dele e levantou-o, sem fazer muita força, para o alto.
— Essstá passssando.
— Dê mais a ele.
— Vamosss matá-lo — disse o Ra’zac mais baixo. — Ele já nos causou muita dor.
O mais alto correu os dedos pela espada.
— É um bom plano, mas lembre que as instruções do rei foram para capturá-los vivos.
— Podemosss dizer que ele morreu quando foi capturado.
— E quanto a essste aqui? — perguntou Ra’zac, apontando a espada para Eragon. — E ssse ele falar?
Seu companheiro riu e sacou uma adaga assustadora.
— Ele não ousaria.
Houve um longo silêncio e um deles disse:
— Concordo.
Arrastaram Brom para o centro do acampamento e jogaram-no de jeito que ficasse ajoelhado. Brom caiu para um lado. Eragon via aquilo tudo com um medo que não parava de aumentar. Eu preciso me libertar! Ele forçava as cordas, mas eram fortes demais para serem arrebentadas.
— Agora, não — disse o Ra’zac mais alto, cutucando-o com uma espada. Ele levantou o nariz para o alto e farejou o ar. Parecia que algo o incomodava.
O outro Ra’zac rosnou, puxou a cabeça de Brom para trás e levou a adaga na direção da garganta exposta do ancião. Naquele momento, um zumbido baixo foi ouvido, seguido pelo uivo do Ra’zac. Uma flecha atravessou o ombro dele. O Ra’zac mais próximo de Eragon caiu no chão, quase não conseguindo se desviar da segunda flecha. Correu rapidamente em direção a seu companheiro ferido, e olharam fixamente para a escuridão, sibilando raivosamente. Não fizeram nenhum movimento para deter Brom, que se colocava em pé cambaleante.
— Abaixe-se! — berrou Eragon.
Brom cambaleou e foi em direção a Eragon. Conforme mais flechas entravam zumbindo no acampamento, vindas dos agressores invisíveis, os Ra’zac rolaram, escondendo-se atrás de grandes pedras.
Houve uma calmaria, depois flechas vieram da direção oposta. Pegos de surpresa, os Ra’zac reagiram lentamente. Seus mantos estavam furados em vários pontos, e uma flecha quebrada foi fincada no braço de um deles.
Com um grito selvagem, o Ra’zac menor fugiu para a estrada, chutando o lado do corpo de Eragon violentamente quando passou. Seu companheiro hesitou, depois pegou a adaga do chão e foi correndo atrás. Quando ia saindo do acampamento, jogou a faca na direção de Eragon.
Uma luz estranha, de repente, surgiu nos olhos de Brom. Jogou-se na frente de Eragon, sua boca estava aberta em um murmúrio sem som. A adaga o atingiu, produzindo um baque seco, e ele caiu pesadamente em cima de seu ombro. A cabeça dele repousou como se estivesse sem vida.
— Não! — gritou Eragon, embora estivesse se contorcendo de dor. Ouviu passos, seus olhos fecharam-se e não soube de mais nada.

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Boa leitura :)