27 de maio de 2017

Capítulo 29 - Convicção

Roran encarou Horst.
Eles estavam no quarto de Baldor. Roran estava sentado e ereto na cama, ouvindo o que o ferreiro dizia:
— O que você esperava que eu fizesse? Não pudemos mais atacar depois que você desmaiou. Além do mais, os homens não estavam preparados para lutar. Também não podemos culpá-los. Quase cortei a minha língua com uma mordida quando vi aqueles monstros. — Horst sacudiu seu cabelo comprido e revolto. — Fomos enganados e caímos num velho conto, Roran, e não gosto nem um pouco disso. — O rapaz manteve sua expressão impassível. — Olha, você pode matar os soldados se quiser, mas precisa recuperar a sua força antes. Terá vários voluntários, as pessoas confiam na sua habilidade como guerreiro, especialmente depois que derrotou os soldados que estavam aqui na noite passada. — Como Roran permanecia em silêncio, Horst suspirou, bateu em seu ombro bom e saiu do quarto, fechando a porta.
Roran nem sequer piscou. Até agora, em toda a sua vida, ele só havia se importado verdadeiramente com três coisas: sua família, seu lar no vale Palancar e Katrina. Sua família fora aniquilada no ano passado. Sua fazenda havia sido destruída e incendiada, embora a terra ainda estivesse no lugar, o que realmente era importante.
Mas agora Katrina havia sumido.
Um soluço sufocado escapou pelo nó de ferro em sua garganta. Ele estava num dilema que dilacerava sua própria essência: a única maneira de resgatar Katrina seria perseguir os Ra’zac de algum modo e deixar o vale Palancar, contudo ele não podia abandonar Carvahall para os soldados. Nem poderia se esquecer de Katrina.
Meu coração ou meu lar, pensou amargamente. Um não valia nada sem o outro. Se ele matasse os soldados, só iria evitar que os Ra’zac — e talvez Katrina — voltassem. De qualquer maneira, a carnificina não faria o menor sentido se houvesse reforços por perto, pois a chegada desses reforços certamente sinalizaria o fim de Carvahall.
Roran apertou os dentes assim que uma nova explosão de dor emanou do seu ombro enfaixado. Fechou os olhos. Espero que Sloan seja devorado como Quimby. Nenhum destino poderia ser terrível demais para aquele traidor. Roran o amaldiçoou com as pragas mais negras que conhecia.
Mesmo se eu estivesse livre para deixar Carvahall, como poderia encontrar os Ra’zac? Quem saberia onde eles vivem? Quem ousaria dar alguma informação sobre os servos de Galbatorix? O desespero o assolava enquanto ele enfrentava o problema. Ele se imaginava numa das grandes cidades do Império, buscando vagamente, em meio a construções sujas e turbas de estranhos, uma pista, um vislumbre, uma evidência do seu amor. Era impossível.
Um rio de lágrimas veio em seguida, enquanto ele se curvava, sofria por causa da intensidade de sua agonia e de seu medo. Ele se balançava de um lado para o outro, cego para tudo exceto para a degradação do mundo.
Uma quantidade interminável de tempo reduziu os soluços de Roran a fracos suspiros de protesto. Esfregou os olhos e forçou-se a respirar longa e profundamente. E estremeceu. Seus pulmões pareciam cheios de cacos de vidro.
Tenho de pensar, disse a si próprio.
Recostou-se contra a parede e — por pura força de vontade — começou a dominar, gradualmente, cada uma das suas emoções turbulentas, vencendo-as a ponto de submetê-las à única coisa que poderia salvá-lo da insanidade: a razão. Seu pescoço e seus ombros tremiam por causa da violência do seu esforço.
Assim que recuperou o controle, Roran arrumou cuidadosamente seus pensamentos, como se fosse um mestre artesão organizando suas ferramentas numa ordem precisa. Deve haver uma solução escondida no meio da minha mente, se ao menos eu fosse criativo o bastante. Ele não podia rastrear os Ra’zac. Isso estava claro. Alguém teria de lhe dizer onde encontrá-los e, de todas as pessoas a que ele podia perguntar, os Varden eram os que mais poderiam saber. No entanto, encontrá-los seria uma tarefa tão árdua quanto achar os profanadores, e ele não podia perder tempo procurando os rebeldes. Embora... Uma vozinha em sua cabeça o fez lembrar dos rumores que ouvira dos caçadores e dos comerciantes de que Surda apoiava os Varden secretamente.
Surda. A região ficava ao sul do Império, ou pelo menos foi isso que Roran ouvira dizer, já que nunca vira um mapa da Alagaësia. Sob condições ideais, levaria várias semanas para chegar lá a cavalo, e muito mais se tivesse que se esquivar de soldados. Evidentemente, o meio de transporte mais rápido seria navegar pelo sul ao longo da costa, mas isso significaria ter de viajar por todo o rio Toark e depois se dirigir a Teirm para encontrar um navio. Seria uma jornada longa demais. E ainda poderia ser pego por soldados.
— Se, poderia, iria, deveria — murmurou ele, apertando repetidamente a mão esquerda. Ao norte de Teirm, o único porto que ele conhecia era o de Narda, mas para alcançá-lo, teria de cruzar toda a extensão da Espinha... Um feito ainda não realizado, nem mesmo por caçadores.
Roran praguejou em silêncio. A conjetura não fazia sentido. Eu devia estar tentando salvar Carvahall, não devia pensar em abandoná-la. O problema era que ele já havia concluído estar o vilarejo e todos que nele permanecessem condenados. Lágrimas se acumularam nos cantos dos seus olhos novamente. Todos que permanecessem...
E... e se todos em Carvahall me acompanhassem até Narda e depois até Surda? Ele realizaria ambos os seus desejos simultaneamente. A audácia da ideia o deixou estupefato.
Era uma heresia, uma blasfêmia, pensar que ele poderia convencer os fazendeiros a abandonarem seus campos e os comerciantes suas lojas... e contudo... e contudo qual era a alternativa além da escravidão ou da morte? Os Varden eram o único grupo capaz de acolher fugitivos do Império, e Roran tinha certeza de que os rebeldes ficariam felizes em ter todo um vilarejo de recrutas, especialmente aqueles que já haviam se mostrado capazes numa batalha. Além disso, ao lhes trazer os habitantes do vilarejo, ele ganharia a confiança dos Varden, de modo que lhe confidenciariam a localização dos Ra’zac. Talvez possam me explicar por que Galbatorix está tão desesperado para me capturar. Entretanto, se fosse para o plano dar certo, ele teria de ser implementado antes de as novas tropas alcançarem Carvahall, o que deixava apenas uns poucos dias — se muito — para organizar a partida de umas trezentas pessoas. Cogitar a logística era assustador. Roran sabia que a mera razão não poderia persuadir ninguém a partir, isso requereria um fervor messiânico para mexer com as emoções das pessoas, para fazê-las sentir, no fundo de seus corações, a necessidade de renunciar aos emblemas de suas identidades e vidas. Nem seria suficiente o simples instilar de medo — pois ele sabia que o medo normalmente fazia aqueles em perigo lutarem ainda mais. Em vez disso, Roran tinha queinstilar um senso de desígnio e de destino, para fazer os habitante do vilarejo acreditarem, assim como ele, que se unir aos Varden e resistir à tirania de Galbatorix era a ação mais nobre do mundo.Requereria uma paixão que não poderia ser intimidada pela privação dissuadida pelo sofrimento ou sufocada pela morte.
Em sua mente, Roran via Katrina em pé na sua frente, pálida e espectral com olhos solenes e âmbares. Ele se lembrava do calor da sua nele do aroma adocicado do seu cabelo, e de como era estar ao seu lado sob o manto da escuridão. Depois, numa longa fila atrás dela, apareciam sua família, amigos e todos que ele havia conhecido em Carvahall, mortos ou vivos. Se não fosse por Eragon... e por mim... os Ra’zac jamais teriam vindo aqui. Tenho de livrar o vilarejo do Império tão certamente quanto devo salvar Katrina daqueles profanadores.
Evocando a força de sua visão, Roran se levantou da cama, fazendo seu ombro ferido queimar e arder. Cambaleou e se recostou numa parede. Será que algum dia irei recuperar o uso do meu braço direito? Esperou a dor diminuir. Como não cedeu, Roran cerrou os dentes, tomando impulso, aprumou-se e saiu.
Elain estava dobrando toalhas no corredor. Ela gritou estupefata...
— Roran! O que você...
— Venha — murmurou ele, enquanto cambaleava.
Com uma expressão preocupada, Baldor apareceu em uma porta.
— Roran, você não devia estar andando por aí. Você perdeu muito sangue. Vou ajudar...
— Venha.
Roran ouviu-os segui-lo enquanto descia a escada em curva que dava na entrada da casa, onde Horst e Albriech estavam em pé conversando. Os dois levantaram os olhos, perplexos.
— Venham.
Ele ignorou as perguntas balbuciadas, abriu a porta da frente e saiu no meio da luz mortiça do crepúsculo da tarde. Acima deles havia uma coluna de nuvens imponente com manchas douradas e púrpura. Liderando o pequeno grupo, Roran foi andando a duros passos até o limite de Carvahall — repetindo sua mensagem monossilábica sempre que passava por um homem ou uma mulher —, pegou uma tocha que estava fixada numa estaca na lama, deu meia-volta e traçou novamente seu caminho até o centro da cidade. Lá ele cravou a estaca entre os seus pés, e depois levantou o braço esquerdo e berrou:
— VENHAM!
Sua voz ressoou pelo vilarejo. Continuou a convocar as pessoas enquanto saíam de suas casas e das passagens estreitas e sombrias e começavam a se aglomerar a seu redor. Muitas estavam curiosas, outras solidárias, algumas amedrontadas e algumas furiosas. Repetidamente, o canto de Roran ficou ecoando pelo vale. Loring chegou com seus filhos a reboque. Do lado oposto vieram Birgit, Delwin e Fisk com sua esposa, Isold. Morn e Tara deixaram a taverna juntos e se juntaram à multidão de espectadores.
Quando a maior parte de Carvahall estava em pé à sua frente, Roran se calou e apertou seu punho esquerdo até as unhas cortarem a palma da mão. Katrina. Ele levantou a mão, abriu-a e mostrou a todos as lágrimas vermelhas que pingavam pelo seu braço.
— Esta — disse ele — é a minha dor. Vejam bem, pois ela será de vocês a não ser que vençamos a maldição e o destino cruel que se abateu sobre nós. Seus amigos e familiares viverão acorrentados e estarão condenados à escravidão em terras estrangeiras ou serão assassinados diante de seus olhos, pelas espadas impiedosas dos soldados que rasgarão as carnes deles. Galbatorix semeará nossas terras com sal para que elas fiquem eternamente improdutivas. Isso eu já vi. Disso eu sei. — Ele andava como se fosse um lobo enjaulado, olhando furiosamente e balançando a cabeça. Tinha a atenção de todos. Agora tinha de atiçá-los para ficarem num furor comparável ao seu.
— Meu pai foi morto pelos profanadores. Meu primo fugiu. Minha fazenda foi destruída. E minha noiva foi raptada pelo seu próprio pai, que assassinou Byrd e nos traiu! Quimby foi devorado, o celeiro de feno foi queimado junto com as casas de Fisk e Delwin. Parr, Wyglif, Ged, Bardrick, Farold, Hale, Garner, Kelby, Melkolf, Albem e Elmund: todos assassinados. Muitos de vocês foram feridos, assim como eu, de modo que não têm mais como sustentar sua família. Já não chega de labutarmos cada dia de nossas vidas para tirarmos nosso sustento da terra e estarmos sujeitos aos caprichos da natureza? Já não chega sermos forçados a pagar os impostos cruéis de Galbatorix, e mesmo assim ter de passar por esses tormentos absurdos? — Roran ria como se fosse um maníaco, uivando para o céu e ouvindo a loucura em sua própria voz. Ninguém se mexeu na multidão. — Agora sei qual é a verdadeira natureza do Império e de Galbatorix, eles são malignos. Galbatorix é uma praga antinatural no mundo. Ele destruiu os Cavaleiros e acabou com a maior onda de paz e prosperidade que já tivemos. Seus servos são demônios hediondos nascidos em qual inferno ancestral. Mas será que Galbatorix está satisfeito por poder esmagar sob os seus calcanhares? Não! Ele pretende envenenar toda Alagaësia, nos sufocar com seu manto de desgraça. Nossas crianças e seus descendentes terão que viver sob a sombra das suas trevas até o fim dos tempos, reduzidos a escravos, bichos, vermes para que ele possa torturar a seu bel-prazer. A não ser...
Roran contemplou os olhos arregalados dos moradores do vilarejo, consciente do controle que tinha sobre eles. Ninguém jamais ousara dizer o que ele estava prestes a falar. Por isso, deixou que sua voz viesse rascante, bem do fundo de sua garganta:
— A não ser que tenhamos coragem para resistir ao mal. Já lutamos contra os soldados e os Ra’zac, mas isso não significará nada caso venhamos a morrer sozinhos e esquecidos... ou formos transportados para longe como se fôssemos coisas. Não podemos ficar aqui, e não permitirei que Galbatorix destrua tudo pelo qual vale a pena viver. Preferia ter meus olhos arrancados ou minhas mãos cortadas do que vê-lo triunfar! Opto por lutar! Prefiro me afastar do meu túmulo e deixar que meus inimigos sejam enterrados nele! Opto por deixar Carvahall.
Roran fez uma pausa e logo prosseguiu.
— Atravessarei a Espinha e pegarei um navio de Narda para Surda, onde me juntarei aos Varden, que têm lutado há décadas para nos livrar desta opressão. — A população parecia chocada com a ideia. — Mas não quero ir sozinho. Venham comigo. Venham comigo e agarrem essa chance de forjar uma vida melhor para vocês. Joguem fora as algemas que os prendem aqui. — Roran apontou para seus ouvintes, movendo o dedo de um alvo para o seguinte. — Daqui a cem anos, que nomes irão brotar dos lábios dos bardos? Horst... Birgit... Kiselt... Thane, eles irão recitar as nossas sagas. Cantarão “O Épico de Carvahall”, por termos sido o único vilarejo bravo o bastante para desafiar o Império.
Lágrimas de orgulho inundavam os olhos de Roran.
— O que poderia ser mais nobre do que varrer da Alagaësia a mancha deixada por Galbatorix? Não iríamos mais viver com medo de termos nossas fazendas destruídas, ou de sermos mortos e devorados. Os grãos que plantarmos serão nossos para guardar e economizar para alguma eventualidade que até poderíamos mandar de presente para o rei legítimo. Os rios e córregos estariam espessos de tanto ouro. Ficaríamos seguros, felizes e gordos!... É o nosso destino.
Roran ergueu a mão, colocou-a em frente ao rosto e lentamente fechou os dedos sobre as feridas que sangravam. Ficou arqueado sobre o seu braço ferido — crucificado por uma grande quantidade de olhares — esperando uma resposta para o seu discurso. Não veio nenhuma. Até que, finalmente, percebeu que eles queriam que continuasse, queriam ouvir mais sobre a causa e o futuro que ele havia descrito.
Katrina.
Então, enquanto a escuridão cercava a chama que brotava de sua tocha, Roran se ergueu e recomeçou o seu discurso. Não escondeu nada, só labutou para fazer a população entender seus pensamentos e sentimentos, a fim de que também pudesse partilhar da determinação que o compelia.
— Nossa era está no fim. Temos que dar um passo à frente e arriscar a nossa sorte com os Varden, se quisermos que nossos filhos vivam com liberdade. — Ele falou em tons furiosos e melífluos na mesma proporção, mas sempre com uma convicção fervorosa que manteve sua plateia arrebatada.
Quando seu estoque de imagens se exauriu, Roran olhou para os rostos de seus amigos e vizinhos e disse:
— Vou embora daqui a dois dias. Acompanhem-me se quiserem, mas eu irei de qualquer maneira. — Curvou a cabeça e saiu do meio da luz. Mais acima, a lua em quarto minguante brilhava por trás de uma massa de nuvens. Uma leve brisa soprava por Carvahall. Um cata-vento de ferro rangia sobre um telhado ao girar na direção da corrente.
Do meio da multidão, Birgit seguiu até onde estava a luz, segurando a barra de sua saia para não ter que dar passos curtos. Com uma expressão suave, ajeitou seu xale.
— Hoje nós vimos um... — Ela parou, balançou a cabeça, e riu de um jeito atrapalhado. — Acho difícil falar depois de Roran. Não gosto do seu plano, mas acredito que ele seja necessário, embora por uma razão diferente: eu iria caçar os Ra’zac e vingar a morte do meu marido. Irei com ele. E levarei os meus filhos. — Ela também se afastou da tocha.
Um minuto silencioso se passou até que Delwin e sua esposa, Lenna, avançaram abraçados. Lenna olhou para Birgit e disse:
— Entendo a sua necessidade, irmã. Também queremos a nossa vingança, mas mais do que isso, queremos que o resto das nossas crianças esteja seguro. Por esse motivo, nós também iremos. — Várias mulheres cujos maridos foram assassinados avançaram e concordaram com ela.
Os moradores do vilarejo murmuraram entre si, para depois ficarem em silêncio e parados. Ninguém parecia disposto a falar sobre a questão, muito grave. Roran entendeu. Ele mesmo ainda estava tentando digerir as consequências.
Finalmente, Horst andou até a tocha e olhou para a chama com o rosto cansado.
— Não vale mais a pena falar... Precisamos de tempo para pensar. Cada homem deve decidir por si só. Amanhã... amanhã será um outro dia. Talvez as coisas fiquem mais claras depois. — Ele balançou a cabeça e levantou a tocha, para depois colocá-la de cabeça para baixo e apagá-la no chão, deixando que todos encontrassem o caminho de casa usando apenas o luar.
Roran se juntou a Albriech e Baldor, que seguiram seus pais a uma distância prudente, dando-lhes privacidade para conversar. Nenhum dos dois irmãos ousou olhar para Roran. Inseguro por causa do silêncio deles, Roran perguntou:
— Vocês acham que mais alguém irá? Será que eu me saí bem?
Albriech soltou uma gargalhada em voz alta.
— Bem demais!
— Roran — disse Baldor num tom de voz estranho —, você poderia ter convencido um Urgal a se tornar fazendeiro hoje à noite.
— Não!
— Quando você terminou, eu estava pronto para pegar minha lança e me embrenhar na Espinha com você. Eu não estaria sozinho nisso. A questão não é quem irá, e sim quem não irá. O que você disse... nunca tinha ouvido algo assim antes.
Roran franziu a testa. Seu objetivo era persuadir as pessoas a aceitarem o seu plano, não que o seguissem por causa de sua eloquência. Se tiver que ser assim, que seja, pensou, encolhendo os ombros. Ainda assim, a perspectiva havia lhe pego de surpresa. Num momento anterior, aquilo o teria perturbado, mas agora se sentia simplesmente grato por qualquer coisa que pudesse ajudá-lo a resgatar Katrina e salvar os moradores do vilarejo.
Baldor se inclinou em direção ao seu irmão.
— Papai perderia a maior parte de suas ferramentas. — Albriech acenou solenemente com a cabeça.
Roran sabia que os ferreiros fabricavam o instrumento que fosse necessário para a tarefa à mão, e que estas ferramentas de uso prático formavam uma herança que era transmitida de pai para filho, ou de mestre para artífice. Uma das maneiras de se medir a riqueza e a habilidade de um ferreiro é ver o número de ferramentas que ele possui. O fato de Horst renunciar às suas significava... Não seria mais difícil do que aquilo que todos os outros terão de fazer, pensou Roran. Ele só lamentava que isso fosse impor a Albriech e Baldor a renúncia à sua herança de direito.
Quando chegaram em casa, Roran se retirou para o quarto de Baldor e caiu na cama. Pelas paredes, ele ainda podia ouvir o leve rumor da conversa de Horst com Elain. E pegou no sono imaginando discussões semelhantes ocorrendo em toda Carvahall, decidindo o seu destino — e o deles.

2 comentários:

  1. Aparece um dragão no cap anterior e os caras mudaram o cenário, já tinha até ficado zangado, mas que capitulo foda foi esse?! Roran ta mais foda q o próprio Eragon kk

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Boa leitura :)