27 de maio de 2017

Capítulo 28 - Do passado

Eragon acordou ao amanhecer depois de uma noite bem dormida. Bateu de leve nas costelas de Saphira e ela levantou a asa. Depois de passar a mão no cabelo, andou até o precipício do quarto e se apoiou num dos lados, a casca de árvore bruta roçava o seu ombro. Lá embaixo, a floresta brilhava como um campo de diamantes enquanto cada árvore refletia a luz da manhã em milhares de quilômetros de gotas de orvalho.
Pulou surpreso quando Saphira passou por ele, retorcendo-se como uma broca na direção da copa da árvore, antes de alçar voo e dar uma volta no céu, rugindo de alegria.
Bom-dia, pequenino. Ele sorriu, feliz por ela estar feliz.
Eragon abriu a tela do seu quarto, onde encontrou duas bandejas de comida — principalmente frutas — que haviam sido colocadas perto da padieira durante a noite. Perto das bandejas havia uma trouxa de roupas com um bilhete. Eragon teve dificuldade para decifrar os manuscritos, já que não lia nada há mais de um mês e havia se esquecido de algumas letras, mas pelo menos entendeu o seu conteúdo:

Bem-vindos, Saphira Bjartskular e Eragon Matador de Espectros.
Eu, Bellaen da Casa Miolandra, venho a você, Saphira, para me desculpar pela refeição insatisfatória. Elfos não caçam e não é permitido servir carne em Ellesméra nem em nenhuma das nossas cidades. Se você quiser, pode fazer o que os dragões do passado tinham como costume, e capturar o que quiser em Du Weldenvarden. Só pedimos que você deixe suas presas na floresta para que nosso ar e nossa água não sejam maculados por sangue.
Eragon, estas roupas são suas. Foram costuradas por Niduen da Casa de Islanzadí e são seu presente para você.

Que a boa sorte impere sobre a sua vida,
Que a paz viva no seu coração,
E que as estrelas zelem por você.

Bellaen du Hljôdhr

Quando Eragon leu a mensagem para Saphira, ela disse: Isso não, não vou precisar comer por um bom tempo depois do banquete de ontem. No entanto ela comeu alguns bolos de sementes. Só para que eu não pareça descortês, explicou.
Depois que Eragon terminou o café da manhã, ele trouxe a trouxa A roupas para a sua cama e as estendeu cuidadosamente, encontrando duas túnicas avermelhadas de corpo inteiro, enfeitadas com framboesas verdes um jogo de perneiras cor de creme, para envolver suas panturrilhas e três pares de meias tão macias, que pareciam líquidas quando eram manuseadas. A qualidade dos tecidos envergonharia as costureiras em Carvahall, da mesma forma que punha no chinelo as roupas dos anões que ele estava usando naquele momento.
Eragon se sentiu grato pelo novo vestuário. Sua própria túnica e seus culotes já estavam gastos depois de tantas viagens e de ficarem expostos à chuva e ao sol desde Farthen Dûr. Depois que se despiu, pôs uma daquelas túnicas luxuosas, saboreando sua textura macia. Ele havia acabado de amarrar suas botas quando alguém bateu na tela do seu quarto.
— Entre — disse ele, enquanto pegava Zar’roc.
Orik enfiou sua cabeça para dentro e depois penetrou cautelosamente no recinto, testando o chão com seus pés. Ele olhou para o teto.
— Dê-me uma caverna qualquer dia desses em vez de um ninho de passarinho como este. Como você passou a noite, Eragon? Saphira?
— Muito bem. E você? — perguntou Eragon.
— Dormi como uma pedra. — O anão riu furtivamente da sua própria galhofa, então seu queixo afundou em sua barba e ele tocou os dedos na cabeça do seu machado. — Vejo que você já comeu, por isso lhe peço para que me acompanhe. Arya, a rainha e um bando de outros elfos o esperam na base da árvore. — Ele fitou Eragon como se estivesse impaciente. — Está acontecendo algo que eles não nos falaram. Não sei ao certo o que querem de você, mas é importante. Islanzadí estava tão tensa quanto um lobo encurralado... achei que devia avisá-lo de antemão.
Eragon o agradeceu e depois os dois desceram os degraus enquanto Saphira flutuou até o chão. Ambos foram recebidos na base da árvore por Islanzadí, vestida com um manto de penas de cisne franzidas, que parecia neve do inverno acumulada sobre o peito de um cardeal. Ela os cumprimentou e disse:
— Sigam-me.
O grupo se dirigiu para os arredores de Ellesméra, onde havia poucas construções e as trilhas eram indistintas por serem pouco percorridas. Na base de um outeiro arborizado, Islanzadí parou e disse num tom de voz terrível.
— Antes de seguirmos em frente, vocês três têm de jurar, na língua antiga, que jamais falarão para forasteiros do que estão prestes a ver, não sem a minha permissão, a da minha filha, ou de quem quer que venha a nos suceder no trono.
— Por que eu deveria me calar? — perguntou Orik.
De fato, por quê?, perguntou Saphira. Você não confia em nós?
— Não é uma questão de confiança, mas de segurança. Temos que proteger esse conhecimento a todo custo... é a nossa grande vantagem sobre Galbatorix... e se vocês estiverem comprometidos pela língua antiga, jamais revelarão nosso segredo de livre e espontânea vontade. Você veio para supervisionar o treinamento de Eragon, Orik-vodhr. A menos que me dê a sua palavra, vocês terão de voltar imediatamente para Farthen Dûr.
Finalmente, Orik afirmou:
— Acredito que você não deseje o mal para os anões ou para os Varden, caso contrário eu jamais concordaria com isso. E acredito, pela honra de sua dinastia e do seu clã, que isso não é uma manobra para nos enganar. Diga-me o que devo falar.
Enquanto a rainha ensinava a Orik a pronúncia correta da frase desejada, Eragon perguntou a Saphira: Será que eu devo fazer isso?
E temos escolha? Eragon se lembrou de que Arya havia feito a mesma pergunta no dia anterior, e ele começou a ter uma ideia do que ela quis dizer: a rainha não dava espaço para manobras.
Quando Orik terminou, Islanzadí olhou com um ar esperançoso para Eragon. Ele hesitou, mas depois proferiu o juramento, assim como Saphira.
— Obrigada — disse Islanzadí. — Agora podemos continuar.
No topo do outeiro, as árvores foram substituídas por um canteiro de trevos vermelhos que se alastrava por vários metros até a beira de um rochedo íngreme. O despenhadeiro se estendia por uma légua, em cada direção, e estava a uns trezentos metros acima da floresta lá embaixo, que aparentemente se prolongava até se fundir com o céu. Parecia que elesestavam na beira do mundo, olhando para uma interminável extensão de mata.
Conheço este lugar, percebeu Eragon, lembrando-se da sua visão de Togira Ikonoka.
Bum. O ar tremia devido à força do abalo. Bum. Outro golpe pesado fez com que os dentes de Eragon batessem.
Bum. Ele enfiou os dedos nas orelhas, tentando protegê-los das pontadas dolorosas devido à pressão Os elfos permaneciam parados. Bum. Os trevos se curvaram devido a uma súbita rajada de vento.
Bum. De debaixo da margem do precipício, ergueu-se um enorme dragão dourado com um Cavaleiro em suas costas.

4 comentários:

  1. OH MEU DEUS. POR ESSA EU NAO ESPERAVA.
    Esse livro é um tiro atras do outro

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  2. Aaahh esse livro MDS *-*

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Boa leitura :)