22 de maio de 2017

Capítulo 27 - Leituras e tramas

Brom rabiscou uma runa em um pergaminho com um pedaço de carvão e mostrou a Eragon.
— Esta é a letra “a” — ensinou ele. — Aprenda.
Assim, Eragon iniciou a tarefa de se tornar alfabetizado. Foi difícil e estranho, exigiu o máximo de sua inteligência, mas gostou. Sem mais nada para fazer e tendo um bom, mas às vezes impaciente professor, ele progrediu rapidamente.
Logo uma rotina foi estabelecida. Todos os dias, Eragon levantava, comia na cozinha e ia à sala de leitura para ter suas lições, onde aprendia a relacionar os sons com as letras e as regras de gramática.
Mergulhou tão fundo nisso que, quando fechava os olhos, as letras e palavras dançavam em sua mente. Quase não pensou em outra coisa durante esse tempo.
Antes do jantar, ele e Brom iam para os fundos da casa de Jeod treinar esgrima. Os criados, junto com um pequeno grupo de crianças curiosas, iam assistir. Se sobrasse tempo depois de tudo isso, Eragon praticava magia em seu quarto, com as cortinas bem fechadas.
Sua única preocupação era Saphira. Ele a visitava todas as tardes, mas isso não era suficiente para nenhum dos dois. Durante o dia, Saphira passava o tempo a muitos quilômetros de distância, procurando comida. Ela não podia caçar perto de Teirm sem levantar suspeitas. Eragon fazia o que podia para ajudá-la, mas sabia que a única solução tanto para a fome dela quanto para sua solidão era deixar a cidade bem longe.
Todos os dias, mais notícias sombrias chegavam a Teirm. Comerciantes relatavam ataques terríveis ao longo da costa. Havia relatos de pessoas poderosas desaparecendo de suas casas à noite e de seus cadáveres mutilados descobertos pela manhã.
Eragon sempre ouvia Brom e Jeod falando sobre tais eventos à meia voz, mas paravam quando ele se aproximava.
Os dias passavam rapidamente, e logo uma semana se foi. As habilidades de Eragon eram rudimentares, mas agora ele já podia ler páginas inteiras sem pedir ajuda a Brom. Lia devagar, mas sabia que a velocidade viria com o tempo. Brom o encorajava:
— Não importa, você está bom o bastante para fazer o que planejei.
Foi durante uma tarde quando Brom chamou Jeod e Eragon para a sala de leitura. Brom apontou para Eragon:
— Agora que você pode nos ajudar, acho que é hora de irmos em frente.
— O que você tem em mente? — perguntou Eragon.
Um sorriso cruel dançou no rosto de Brom. Jeod suspirou:
— Conheço este olhar. Foi o que nos meteu em encrencas na primeira vez.
— Você está exagerando um pouco — disse Brom. — Mas não é injustificável. Muito bem, eis o que faremos...


Nós partiremos hoje à noite ou amanhã, Eragon falou com Saphira de dentro do seu quarto.
Isso é inesperado. Você estará em segurança durante essa aventura?
Eragon deu de ombros.
Não sei. Podemos ter de fugir de Teirm com os soldados no nosso encalço. Ele sentiu a preocupação dela e tentou acalmá-la. Vai dar tudo certo. Brom e eu podemos fazer magia e somos bons lutadores.
Deitou na cama e olhou para o teto. Suas mãos tremiam levemente e havia um bolo em sua garganta. Quando o sono tomava conta dele, seus pensamentos ficavam confusos. Eu não quero sair de Teirm, percebeu de repente. O tempo que passei aqui foi... Quase normal. O que eu não daria para não ficar pulando de um lugar para o outro? Ficar aqui e ser normal como todo mundo seria algo maravilhoso. Depois, outro pensamento ardia: Mas eu nunca poderei jazer isso enquanto Saphira estiver por perto. Nunca.
Os sonhos dominaram sua consciência, levando-o à beira do que podia ser considerado são. Às vezes, tremia de medo. Em outras, ria de prazer. Depois, algo ficou diferente. Foi como se os seus olhos tivessem se aberto pela primeira vez, e o sonho tornou-se mais claro do que qualquer outro.
Viu uma jovem mulher, curvada devido à aflição, acorrentada em uma cela fria e opressiva. Um raio de luar entrava por uma janela fechada por barras no alto da parede e caía em seu rosto. Uma única lágrima escorria pelo rosto dela, parecendo diamante líquido.
Eragon levantou-se espantado e viu que estava chorando de modo descontrolado antes de voltar a cair em um sono intermitente.

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Boa leitura :)