8 de maio de 2017

Capítulo 24

Eba! Vamos jogar
Produtos químicos tóxicos
Em qualquer lugar

GEORGINA SEGUROU MEU PUNHO, provocando um arrepio desagradável pelo meu antebraço.
— Umas mortes.
Na lista de coisas que me apavoravam, garotinhas de sete anos que riam quando o assunto era morte estavam bem no topo, junto com répteis e armas falantes.
Eu me lembrei do limerique profético que indicou que devíamos vir para o Oeste, o aviso de que eu seria a morte e loucura forçado. Claramente, Georgina tinha encontrado esses horrores na Caverna de Trofônio. Eu não gostaria de seguir o exemplo dela. Para começo de conversa, não tenho a menor habilidade para pintura na parede com gororoba de prisão.
— Isso — falei, concordando. — Podemos conversar mais sobre morte quando tivermos levado você para casa. Vim aqui a pedido de Emmie e Josephine, para buscar você.
— Casa. — Georgina falou a palavra como se fosse um termo difícil em uma língua estrangeira.
Leo ficou impaciente. Entrou na cela e andou até ela.
— Oi, Georgie. Sou Leo. Que mala legal. Posso ver?
Georgina inclinou a cabeça.
— Minha roupa.
— Ah, hã... é. — Leo passou a mão no nome escrito no macacão emprestado. — Me desculpe pelas manchas de esgoto e pelo cheiro de queimado. Vou mandar lavar.
— O calor queimando — disse Georgie. — Você. Tudo.
— Certo... — Leo deu um sorriso inseguro. — As moças costumam dizer que sou ardente. Mas não se preocupe. Não vou botar fogo em você nem nada.
Estendi a mão para Georgie.
— Aqui, menina. Nós vamos levar você para casa.
Ela ficou satisfeita com a minha ajuda. Assim que ficou de pé, Leo correu até a mala de bronze e começou a paparicá-la.
— Ah, amigão, me desculpa — murmurou ele. — Eu nunca devia ter deixado você para trás. Vou levar você para a Estação Intermediária, para um bom ajuste. E depois você pode comer todo o molho tabasco e óleo de motor que quiser.
A mala não respondeu. Leo conseguiu ativar as rodinhas e a alça para poder puxá-la para fora da cela. Georgina permaneceu dócil até ver Meg. Então, a garotinha teve uma explosão de força digna de mim.
— Não! — Ela se soltou da minha mão e voltou para a cela. Tentei acalmá-la, mas ela continuou a uivar e olhar para Meg horrorizada. — NERO! NERO!
Foi aí que Meg adotou seu jeito costumeiro de esconder todas as emoções: seu rosto mudou, tornando-se tão expressivo quanto um bloco de cimento, os olhos sombrios.
Hunter Kowalski correu para ajudar Georgie.
— Ei. Ei, ei, ei. — Ela acariciou o cabelo nojento da menina. — Está tudo bem. Nós somos amigos.
— Nero! — gritou Georgie de novo.
Franzindo a testa, Hunter olhou para Meg.
— Do que ela está falando?
Meg estava concentrada nos tênis de cano alto.
— Eu posso ir embora.
— Todos nós vamos embora — insisti. — Georgie, essa é Meg. Ela fugiu do Nero, é verdade. Mas está do nosso lado.
Decidi não acrescentar Exceto pela vez em que me entregou ao padrasto e eu quase morri. Não queria complicar as coisas.
No abraço gentil de Hunter, Georgie se acalmou. Os olhos arregalados e o corpo trêmulo me lembraram um pássaro assustado e frágil que precisa de muitos cuidados.
— Você e morte e fogo. — De repente, ela riu. — A cadeira! A cadeira, a cadeira.
— Ah, caramba — falei. — Ela está certa. Ainda precisamos da cadeira.
O Alto, Bonito & Sensual Jamie apareceu à minha esquerda, uma presença que parecia assomar como uma tempestade que se aproxima no horizonte.
— Que cadeira é essa?
— Um trono — respondi. — Mágico. Precisamos dele para curar Georgie.
Pelos olhares inexpressivos dos prisioneiros, vi que nada do que falei fez sentido para eles. Também me dei conta de que não podia pedir ao grupo todo para sair batendo perna pelo palácio em busca de uma peça de mobília, em especial aos garotos esfomeados e à dracaena (que nem perna tinha). Também não parecia que Georgie iria a qualquer lugar com Meg, ao menos não sem gritar muito.
— Vamos ter que nos separar — decidi. — Leo, você sabe o caminho de volta ao túnel do esgoto. Vá com nossos novos amigos. Vamos torcer para os guardas ainda estarem ocupados. Meg e eu vamos procurar o trono.
Leo olhou para a amada mala de dragão, depois para Meg e para mim, depois para os prisioneiros.
— Só você e Meg?
— Vão — disse Meg, evitando o olhar de Georgie. — Nós vamos ficar bem.
— E se os guardas não estiverem ocupados? — perguntou Leo. — Ou se tivermos que lutar com aquela cobra bizarra de novo?
— Cobra bizarra? — perguntou Jamie.
— Eu me resssssinto da sssssua essssscolha de palavrasssss — disse Sssssarah.
Leo suspirou.
— Não estou falando de você. É uma... Bem, você vai ver. Talvez possa conversar com ela e convencê-la a nos deixar passar. — Ele se virou para Jamie. — Se isso não rolar, acho que o monstro é do tamanho certo para você usá-lo como cinto.
Sssssarah sibilou de reprovação.
Hunter Kowalski passou o braço em torno de Georgie de forma protetora.
— Vamos levar você a um lugar seguro — prometeu ela. — Apolo, Meg, obrigada. Se vocês encontrarem o imperador, mandem-no para o Tártaro por mim.
— Vai ser um prazer — falei.
No corredor, alarmes começaram a soar.
Leo levou nossos novos amigos de volta pelo caminho de onde tínhamos vindo. Hunter foi segurando a mão de Georgina enquanto Jamie e Sssssarah ajudavam os garotos da greve de fome.
Quando o grupo desapareceu em uma esquina, Meg andou até seu pequeno canteiro de chia. Fechou os olhos, concentrada. Antes que desse para dizer ch-ch-ch-chia, os brotos se multiplicaram e se espalharam pelo corredor, um manto verde se expandindo cada vez mais rápido. Brotos se entrelaçaram do teto ao chão, de uma parede a outra, até o corredor estar bloqueado por uma cortina intransponível de plantas.
— Impressionante — falei, embora também estivesse pensando Bem, nós não vamos sair por ali.
Meg assentiu.
— Vai segurar um pouco qualquer um que tente ir atrás dos nossos amigos. Venha. A cadeira está por aqui.
— Como você sabe?
Em vez de responder, Meg saiu correndo. Como era ela quem tinha todos os poderes legais, decidi ir atrás.
Alarmes continuaram soando, o barulho perfurando meus tímpanos como espetos quentes. Luzes vermelhas brilhavam nos corredores, deixando as lâminas de Meg da cor de sangue.
Espiamos dentro da GALERIA CÔMODO DE ARTE ROUBADA, do CAFÉ IMPERIAL CÔMODO e da ENFERMARIA CÔMODO. Não vimos ninguém e não encontramos trono mágico algum.
Finalmente, Meg parou em frente a uma porta de aço. Pelo menos achei que fosse uma porta. Não tinha maçaneta, tranca nem dobradiças visíveis, era só um retângulo de metal sem nada na parede.
— Está aí dentro — disse ela.
— Como você sabe?
Ela me lançou o olhar dela de ai-ai-ai, o tipo de expressão que faria sua mãe dizer: Se você fizer essa cara e um vento bater, vai ficar assim para sempre. (Eu sempre levei essa ameaça a sério, pois mães divinas não brincam em serviço.)
— É que nem com as árvores, burrinho.
Pisquei.
— Você está falando de como nos levou até o Bosque de Dodona?
— É.
— Você consegue sentir o Trono de Mnemosine... porque é feito de madeira mágica?
— Sei lá. Acho que sim.
Pareceu um pouco forçado, mesmo para uma filha poderosa de Deméter. Eu não sabia como o Trono de Mnemosine fora criado. De fato, podia ter sido entalhado de alguma árvore especial de uma floresta sagrada. Os deuses adoravam esse tipo de coisa. Se fosse o caso, Meg talvez pudesse sentir a cadeira. Eu me perguntei se ela conseguiria me arranjar uma mesa de jantar mágica quando eu voltasse ao Olimpo. Eu precisava de uma bem grande para acomodar as Nove Musas no jantar de Ação de Graças.
Meg tentou fazer com a porta o mesmo que tinha feito com o vidro das celas. As espadas nem arranharam o metal. Ela tentou enfiar as lâminas entre a porta e a moldura. Nada.
Deu um passo para trás e franziu a testa para mim.
— Abra.
— Eu? — Tinha certeza de que Meg estava implicando comigo, porque eu era seu único deusescravo. — Não sou Hermes! Nem Valdez!
— Tente.
Como se fosse um pedido simples! Tentei todos os métodos óbvios. Empurrei a porta. Chutei. Tentei enfiar as pontas dos dedos nas beiradas para forçar a abertura. Abri os braços e gritei as palavras mágicas padrão: ABRACADABRA! SHAZAM! VILA SÉSAMO! Nada funcionou. Finalmente tentei um dos meus maiores trunfos. Cantei “Love Is an Open Door”, da trilha sonora de Frozen. Até isso falhou.
— Impossível! — gritei. — Essa porta não tem gosto musical!
— Seja mais divino — sugeriu Meg.
Se pudesse ser mais divino, quis gritar, eu não estaria aqui!
Fiz mentalmente uma lista das coisas de que eu era deus: arquearia, poesia, paquera, luz do sol, música, medicina, profecia, paquera. Nenhuma dessas coisas abriria uma porta de aço inoxidável.
Espere aí...
Pensei no último aposento que espiamos, a enfermaria Cômodo.
— Materiais médicos.
Meg me observou, cética por trás das lentes de gatinho sujas.
— Você vai curar a porta?
— Não é bem isso. Venha comigo.
Na enfermaria, remexi nos armários e enchi uma pequena caixa de papelão com itens que poderiam ser úteis: esparadrapo, seringas, bisturis, amônia, água destilada, bicarbonato de sódio. E, finalmente...
— Ahá! — Triunfante, exibi um vidro com H2SO4 no rótulo. — Óleo de vitríolo.
Meg se afastou.
— O que é isso?
— Você vai ver. — Peguei equipamentos de segurança: luvas, máscara, óculos, o tipo de coisa para o qual não daria a menor bola se ainda fosse deus. — Vamos, Garota Chia!
— Soou melhor quando Leo falou — reclamou ela, mas me seguiu.
Na porta de aço, preparei duas seringas: uma com vitríolo e outra com água.
— Meg, para trás.
— Eu... Tudo bem. — Ela apertou o nariz por causa do fedor do óleo de vitríolo que esguichei em volta da porta. Filetes de vapor surgiram nos cantos. — O que é essa coisa?
— Na época medieval, usávamos óleo de vitríolo por suas propriedades curativas. Deve ser por isso que Cômodo tem na enfermaria dele. Atualmente, chamamos de ácido sulfúrico.
Meg se encolheu.
— Isso não é perigoso?
— Muito.
— E vocês curavam com isso?
— Era a Idade Média. A gente era bem louco naquela época.
Peguei a segunda seringa, a que estava cheia de água.
— Meg, o que eu vou fazer... nunca, nunca tente isso sozinha.
Eu me senti meio bobo dando esse conselho para uma garota que lutava regularmente com monstros usando espadas douradas, mas tinha prometido a Bill Nye, the Science Guy, que sempre divulgaria práticas laboratoriais seguras.
— O que vai acontecer? — perguntou ela.
Dei um passo para trás e injetei água nos cantos da porta. Na mesma hora, o ácido começou a borbulhar e cuspir de forma mais agressiva do que a Serpente Cartaginense. Para acelerar o processo, cantei uma música sobre calor e corrosão. Escolhi Frank Ocean, pois era tão intenso e emocionante que conseguia amolecer até as substâncias mais duras.
A porta gemeu e rangeu. Finalmente desabou para dentro, deixando um contorno fumegante de névoa ao redor.
— Nossa — disse Meg, o que devia ser o maior elogio que ela já tinha me feito.
Apontei para a caixa de papelão perto dos pés dela.
— Pode me passar o bicarbonato de sódio?
Salpiquei bastante pó em volta da porta para neutralizar o ácido. Não consegui deixar de dar um sorrisinho pela minha própria genialidade. Eu esperava que Atena estivesse olhando, porque SABEDORIA, BABY! E eu fiz com bem mais estilo do que os filhinhos dela.
Eu me curvei para Meg com um floreio.
— Você primeiro, Garota Chia.
— Finalmente você fez alguma coisa que preste — comentou ela.
— Você tinha que estragar meu momento.
Lá dentro, encontramos uma área de armazenamento de uns dois metros quadrados com apenas um item. O Trono de Mnemosine mal merecia ser chamado de trono. Era uma cadeira de bétula lixada de costas retas, sem decoração nenhuma exceto a silhueta de uma montanha entalhada no encosto. Argh, Mnemosine! Prefiro um trono propriamente dito, dourado e incrustado de rubis que nunca param de flamejar! Mas nem todas as deidades sabem se exibir.
Ainda assim, a simplicidade da cadeira me deixou nervoso. Eu sabia que itens terríveis e poderosos muitas vezes não tinham uma aparência muito impressionante. Os raios de Zeus? Só parecem ameaçadores depois que meu pai os lança. O tridente de Poseidon? Por favor. Ele nunca limpa as algas e o musgo daquela coisa... sem comentários. E o vestido de noiva que Helena de Troia usou para se casar com Menelau? Ah, deuses, era tão sem graça. Eu falei para ela: “Garota, você só pode estar brincando. Esse decote não valoriza você!” Mas quando Helena o vestiu... uau.
— Qual é a montanha do desenho? — Meg me arrancou do meu devaneio. — O Olimpo?
— Na verdade, não. Estou supondo que seja o Monte Piero, onde a deusa Mnemosine deu à luz as Nove Musas.
Meg franziu o rosto.
— Todas as nove de uma vez? Deve ter doído.
Eu nunca tinha pensado nisso. Como Mnemosine era a deusa da memória, com cada detalhe de sua existência eterna gravado no cérebro, parecia estranho ela querer um lembrete de como foi o trabalho de parto entalhado em seu trono.
— Seja qual for o caso — falei —, nós já estamos demorando demais. Vamos tirar a cadeira daqui.
Usei meu rolo de esparadrapo para fazer tiras para os ombros, transformando a cadeira em uma mochila improvisada. Quem disse que Leo era o único do grupo que levava jeito para essas coisas?
— Meg, enquanto estou fazendo isso, encha aquelas seringas com amônia.
— Por quê?
— Só para emergências. Por favor.
Esparadrapo é uma coisa maravilhosa. Em pouco tempo, Meg e eu estávamos com bandoleiras cheias de seringas com amônia, e eu carregava uma cadeira nas costas. O trono era uma peça de mobília leve, o que era ótimo, pois ficava batendo no meu ukulele, no meu arco e na minha aljava. Acrescentei alguns bisturis na minha bandoleira só por diversão. Agora, só precisava de um bumbo e de uns pinos de malabarismo e estaria pronto para ser um artista hippie itinerante.
Ao chegarmos no corredor, hesitei. Em uma direção, o corredor seguia por trinta metros e virava para a esquerda. Os alarmes tinham parado de soar, mas daquela esquina vinha um rugido que ecoava e parecia com grandes ondas do mar ou com os gritos de uma plateia. Luzes multicoloridas piscavam na parede. Fiquei nervoso só de olhar naquela direção.
Nossa única outra opção nos levaria de volta à Muralha da Chia de Meg McCaffrey.
— É melhor pegar a saída mais rápida — falei. — Talvez a gente tenha que voltar pelo caminho que veio.
Meg estava fascinada, a cabeça inclinada na direção do rugido distante.
— Tem... alguma coisa lá. Precisamos ir ver.
— Por favor, não — implorei. — Nós salvamos os prisioneiros. Encontramos Festus. Arranjamos um móvel lindo. Qualquer herói consideraria isso um belo dia de trabalho!
Meg se empertigou.
— É alguma coisa importante — insistiu.
Ela conjurou as espadas e seguiu na direção das estranhas luzes ao longe.
— Odeio você — murmurei.
Então ajeitei a cadeira mágica nas costas e corri atrás dela, dobrando a esquina para dar de cara com uma arena enorme e cheia de holofotes.

16 comentários:

  1. Carlos Daniel Souza10 de maio de 2017 17:47

    To começando a achar que a Meg ainda não caiu na real

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  2. Droga pirralha, de novo não né

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  3. quantos comodos devem ter nesse lugar?

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    1. Putz
      Tremenda forçada

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    2. Ola só parece que temos um Tiozão do churrasco aqui 👀❤
      Zuera trocadilho legal 👍

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  4. Não sabia que Apolo também manjava de química

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    1. Medicina é quimica! Mais até do que biologia, farmacologia é uma das matérias que mais estudamos afinal como vamos tratar alguém se não soubermos pelo que ela foi intoxicada, ou quando de X medicamento ela precisa?! Quimica é um dos pilares para qualquer médico '-'

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  5. Teseu son of poseidon22 de junho de 2017 23:59

    Shazam kkk

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  6. Cantei “Love Is an Open Door”, da trilha sonora de Frozen. Até isso falhou.
    Frozen 😂❤ (Deveria ter cantado o Let's go 😂😂😂)

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  7. Esse foi o capitulo em q Apolo foi mais útil ate agora

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  8. "Na porta de aço, preparei duas seringas: uma com vitríolo e outra com água.
    — Meg, para trás.
    — Eu... Tudo bem. — Ela apertou o nariz por causa do fedor do óleo de vitríolo que esguichei em volta da porta. Filetes de vapor surgiram nos cantos. — O que é essa coisa?
    — Na época medieval, usávamos óleo de vitríolo por suas propriedades curativas. Deve ser por isso que Cômodo tem na enfermaria dele. Atualmente, chamamos de ácido sulfúrico.
    Meg se encolheu.
    — Isso não é perigoso?
    — Muito.
    — E vocês curavam com isso?
    — Era a Idade Média. A gente era bem louco naquela época."

    E não continuam sendo?

    "Eu esperava que Atena estivesse olhando, porque SABEDORIA, BABY!"

    KKKK Ai Apolo

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    1. Evelin chase, filha d Atena caçadora d sombras selecionada20 de outubro de 2017 22:17

      Mds Luísa

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Boa leitura :)