22 de maio de 2017

Capítulo 21 - Daret

Daret ficava às margens do rio Ninor, e tinha de ser assim para que o lugar sobrevivesse. O vilarejo era pequeno e de aspecto selvagem, sem revelar nenhum sinal de seus habitantes. Eragon e Brom aproximaram-se com extremo cuidado. Saphira escondeu-se perto da cidade desta vez: se surgisse algum problema, ela estaria ao lado deles em poucos segundos.
Entraram em Daret montados em seus cavalos, esforçando-se para fazer silêncio. Brom segurou a espada com sua mão saudável, seus olhos examinavam todos os lugares. Eragon manteve seu arco parcialmente puxado quando eles passavam pelas casas silenciosas, olhando apreensivo para cada uma delas.
Isto não está me cheirando bem, disse Eragon para Saphira. Ela não respondeu, mas ele sentiu que se preparava para ir correndo até eles. Ele olhou para o chão e ficou mais tranquilo quando viu pegadas de crianças. Mas onde elas estavam?
Brom ficou tenso quando chegaram ao centro de Daret e viram o local vazio. O vento soprava na cidade erma, e pequenos redemoinhos de poeira passavam esporadicamente. Brom fez Fogo na Neve mudar de direção.
— Vamos sair daqui. Não estou gostando deste clima. — Usando as esporas, fez Fogo na Neve iniciar um galope. Eragon o seguiu, fazendo Cadoc ir avante.
Deram apenas alguns passos até que várias carroças saíram de trás das casas bloqueando o caminho. Cadoc bufou e fincou seus cascos no chão, indo parar ao lado de Fogo na Neve. Um homem moreno pulou por cima da carroça ficando em pé na frente deles. Havia uma grande espada pendurada em sua cintura e um arco retesado em suas mãos. Eragon ergueu seu próprio arco e apontou para o estranho, que ordenou:
— Alto! Abaixem as armas! Vocês estão cercados por sessenta arqueiros. Eles atirarão se vocês se mexerem.
Como se aquilo fosse uma ordem, uma coluna de homens se formou nos telhados das casas que os rodeavam.
Fique longe, Saphira! Gritou Eragon. Há muitos deles. Se aparecer, vão atirar em você ainda no céu. Fique longe!
Ela ouviu, mas ele não tinha certeza se ela iria obedecer. Preparou-se para usar magia. Eu terei de deter as flechas antes que elas atinjam a mim ou a Brom.
— O que vocês querem? — perguntou Brom calmamente.
— Por que vieram aqui? — inquiriu o homem.
— Para comprar suprimentos e saber das notícias. Nada mais. Estamos a caminho da casa do meu primo em Dras-Leona.
— Vocês estão fortemente armados.
— Vocês também — disse Brom. — Estamos vivendo tempos perigosos.
— De fato. — O homem olhou para eles cuidadosamente. — Não acho que queiram nos fazer mal, mas tivemos encontros demais com os Urgals e com vários bandidos para eu poder confiar apenas na sua palavra.
— Se o que falamos não vale nada, o que acontecerá agora? — contestou Brom. Os homens em cima das casas não se mexeram. Devido à imobilidade deles, Eragon estava certo de que eram extremamente disciplinados ou que estavam mortos de medo. Ele esperava que a última alternativa fosse a correta.
— Vocês dizem que querem apenas comprar suprimentos. Então, concordam em ficar aqui enquanto pegamos o que precisam, em pagar e partir imediatamente?
— Concordamos.
— Tudo bem — disse o homem, abaixando o arco, embora o mantivesse esticado. Ele fez um sinal para um dos arqueiros, que desceu até o chão e correu. — Digam a ele o que precisam.
Brom ditou uma pequena lista e acrescentou:
— E se você tiver um par de luvas que caibam no meu sobrinho, eu também gostaria de comprá-las. — O arqueiro consentiu com a cabeça e correu.
— Meu nome é Trevor — disse o homem que estava na frente deles. — Normalmente, eu apertaria a mão de vocês, mas sob essas circunstâncias, não me aproximarei. Diga, de onde você vem?
— Do norte — respondeu Brom. — Mas não vivi em lugar nenhum tempo o bastante para chamá-lo de lar. Os Urgals são os responsáveis por vocês tomarem essa medida?
— São — respondeu Trevor. — E outros inimigos piores. Vocês têm alguma notícia sobre as outras cidades? Raramente, sabemos das novidades sobre elas, mas ouvimos rumores de que também estão cercadas por suas tropas.
Brom ficou com uma expressão pesarosa no rosto.
— Eu não queria ser o arauto dessas notícias. Há quase duas semanas, passamos por Yazuac e a encontramos saqueada. Os aldeões foram mortos e empilhados. Nós tentaríamos dar a eles um enterro decente, mas fomos atacados por dois Urgals.
Chocado, Trevor deu um passo atrás e olhou para baixo, com lágrimas nos olhos.
— Infelizmente, este é de fato um dia triste. Ainda assim, não sei como dois Urgals poderiam dizimar toda a população de Yazuac. O povo de lá lutava bem, alguns eram meus amigos.
— Havia sinais de que um bando de Urgals atacou a cidade — explicou Brom. — Acho que os que encontramos eram desertores.
— Qual era o tamanho do grupo?
Brom mexeu em seu alforje durante um instante.
— Grande o bastante para aniquilar a cidade, mas pequeno o suficiente para não ser notado ao se deslocar pelo campo. Não deviam ser mais de cem ou menos do que cinquenta. Se não estou enganado, tal número seria fatal para vocês. — Trevor concordou, preocupado. — Vocês deviam considerar a possibilidade de deixar a cidade — continuou Brom. — Esta área tornou-se perigosa demais para qualquer pessoa viver em paz.
— Eu sei, mas o povo daqui se recusa a mudar. Aqui é o lar deles; é meu lar também, embora eu viva aqui há apenas alguns anos e eles põem o valor do local acima da vida. — Trevor olhou para Brom com seriedade. — Já expulsamos Urgals que vieram sozinhos, e isso deu ao povo uma confiança maior do que as habilidades deles. Temo que acordaremos um dia com a garganta cortada.
O arqueiro saiu correndo de uma casa com uma pilha de suprimentos nos braços. Ele pôs tudo perto dos cavalos, e Brom pagou a ele. Conforme o homem se afastava, Brom perguntou:
— Por que escolheram você para defender Daret?
Trevor deu de ombros.
— Eu servi no exército do rei durante alguns anos.
Brom examinou os itens, deu o par de luvas a Eragon e pôs o resto dos suprimentos em seus alforjes.
Eragon calçou as luvas, tendo o cuidado de deixar a palma virada para baixo, e flexionou as mãos. O couro era confortável e forte, embora estivesse gasto devido ao uso.
— Bem — disse Brom —, conforme prometemos, partiremos agora.
Trevor concordou com a cabeça.
— Quando chegarem a Dras-Leona, podem nos fazer um favor? Alertem o Império quanto ao nosso problema e das outras cidades. Se os relatos sobre esses fatos não chegaram ao rei até agora, este será mais um motivo para nos preocuparmos. Se chegaram, porém ele escolheu não fazer nada, isto também é causa de preocupação.
— Passaremos o seu recado. Que as suas espadas permaneçam afiadas — desejou Brom.
— E as suas.
As carroças foram tiradas do caminho, e eles saíram de Daret, indo acompanhar as árvores que margeavam o rio Ninor. Eragon enviou seus pensamentos para Saphira:
Estamos voltando. Tudo acabou bem.
A única resposta dela foi passar seus sentimentos de raiva contida.
Brom puxou a sua barba.
— O Império está em piores condições do que imaginei. Quando os mercadores visitaram Carvahall, passaram relatos de intranquilidade, mas nunca pensei que tal sentimento houvesse se espalhado tanto. Com todos esses Urgals por perto, parece que o próprio Império está sendo atacado, embora nenhuma tropa ou soldados tenham sido enviados. É como se o rei não quisesse defender seus domínios.
— Isso é estranho — concordou Eragon.
Brom se abaixou ao passar por um galho baixo.
— Você usou algum de seus poderes enquanto estávamos em Daret?
— Não havia motivo para isso.
— Errado — corrigiu-o Brom. — Você poderia ter pressentido as intenções de Trevor. Mesmo com as minhas habilidades limitadas, fui capaz de fazer isso. Se os aldeões tivessem a intenção de nos matar, eu não ficaria parado daquele jeito. Contudo, senti que havia uma grande chance de sairmos de lá argumentando com eles, e foi o que fiz.
— Como eu poderia saber o que Trevor estava pensando? — perguntou Ergon. — Devo ser capaz de ver dentro da mente das pessoas?
— Ora, ora — repreendeu Brom. — A esta altura, você já devia saber a resposta para esta pergunta. Poderia ter descoberto a intenção de Trevor da mesma maneira como se comunica com Cadoc ou Saphira. A mente dos homens não é muito diferente da mente de um dragão ou de um cavalo. É algo simples de se fazer, mas é um poder que deve ser usado raramente e com grande cautela. A mente de uma pessoa é o seu último santuário. Você nunca deve violá-la a não ser que as circunstâncias forcem-no a fazer tal coisa. Os Cavaleiros tinham regras muito rígidas quanto a isso. Se elas fossem desrespeitadas sem uma causa justa, a punição era severa.
— E você é capaz de fazer isso mesmo não sendo um Cavaleiro? — perguntou Eragon.
— Como já disse antes, com a instrução adequada, qualquer pessoa pode se comunicar mentalmente, mas com diferentes níveis de aproveitamento. Se isso é magia, é difícil dizer. Habilidades mágicas, certamente, despertarão este talento, ou estabelecer alguma ligação com um dragão, mas conheci muitas pessoas que aprenderam a fazer isso sozinhas. Pense bem: você pode se comunicar com qualquer ser sensitivo, embora o contato nem sempre seja bem claro. Você poderia passar o dia inteiro ouvindo os pensamentos de um pássaro ou analisando como uma minhoca se sente durante uma tempestade. Mas eu nunca achei os pássaros muito interessantes. Sugiro que comece com um gato. Eles têm personalidades incomuns.
Eragon apertou as rédeas de Cadoc nas mãos, considerando as implicações do que Brom havia dito.
— Mas se posso entrar na mente de uma pessoa, isso não significa que podem fazer o mesmo comigo? Como posso saber se há alguém invadindo a minha mente? Há uma maneira de evitar isso? — Como posso saber se Brom pode dizer em que estou pensando neste momento?
— Há, sim; Saphira já bloqueou o acesso à mente dela?
— Ocasionalmente — admitiu Eragon. — Quando Saphira me levou para a Espinha, eu não conseguia falar com ela. Não é que estivesse me ignorando, acho que ela não podia me ouvir. Havia muralhas em volta da mente dela impedindo o meu acesso.
Brom mexeu em sua atadura durante alguns instantes, posicionando-a mais alto no braço.
— Poucas pessoas podem notar que há alguém invadindo suas mentes, e destas só algumas podem evitar que tal invasão aconteça. É uma questão de treino e de como pensar do modo correto. Devido aos seus poderes mágicos, você sempre saberá se alguém estiver entrando em sua mente. Ao conseguir fazer isso, bloquear o acesso a ela será uma simples questão de se concentrar em um pensamento e excluir o resto. Por exemplo, se você pensar apenas em uma parede de tijolos, o inimigo verá só isso na sua mente. Entretanto, é preciso uma grande quantidade de energia e disciplina para bloquear por um tempo o acesso de uma pessoa. Se você for distraído pela menor coisa, a sua parede irá desmoronar, e o seu oponente se aproveitará da sua fraqueza.
— Como posso aprender a fazer isso? — quis saber Eragon.
— Só há um meio: treinando, treinando e treinando ainda mais. Imagine algo em sua mente e mantenha aquilo lá, excluindo todo o resto, pelo maior período de tempo que você puder. Essa é uma habilidade muito avançada, poucos conseguem dominá-la satisfatoriamente — respondeu Brom.
— Não preciso de perfeição, só de segurança. — Se eu puder entrar na mente de uma pessoa, poderei mudar a maneira dela pensar? Sempre que aprendo algo novo sobre magia, fico mais desconfiado com relação a ela.
Quando chegaram onde estava Saphira, ela os assustou ao jogar a cabeça na direção deles. Os cavalos recuaram nervosos. Saphira olhou para Eragon cuidadosamente e soltou um sibilo baixo. Seus olhos tinham um aspecto cruel. Eragon olhou preocupado para Brom. Ele nunca havia visto Saphira tão zangada daquele jeito. Então, perguntou:
Qual é o problema?
Você, rosnou ela. Você é o problema.
Eragon franziu o rosto e desceu de Cadoc. Assim que seus pés tocaram o chão, Saphira bateu em suas pernas com a cauda e segurou-o com as garras.
— O que você está fazendo? — gritou, lutando para se pôr em pé, mas ela era muito mais forte do que ele. Brom observava atentamente montado em Fogo na Neve.
Saphira baixou sua cabeça até Eragon, olhando-o olhos nos olhos. Ele se contorceu sob o olhar determinado dela.
Você! Sempre que você sai da minha vista, arranja problemas. Você parece até um filhote, enfiando o focinho em tudo. E o que acontecerá quando você encontrar algo que possa atacá-lo? Como poderá sobreviver? Não posso ajudá-lo quando estou a vários quilômetros de distância. Permaneci escondida para que ninguém me visse, mas acabou! Não farei isso quando você correr o risco de perder a vida.
Entendo sua inquietação, disse Eragon. Mas sou muito mais velho do que você e posso cuidar de mim. Pelo que sei, quem precisa de proteção é você.
Ela rangeu e bateu os dentes perto do ouvido dele.
Você realmente acredita nisso? Perguntou. Amanhã, você montará em mim e não naquele animal digno de pena que você chama de cavalo. Caso contrário, vou carregá-lo em minhas garras. Você é ou não é um dos Cavaleiros de Dragões? Você não liga para mim?
A pergunta ardeu em seu peito, e ele baixou o olhar. Eragon sabia que ela estava certa, mas ele tinha medo de montar nela. Os voos deles foram as maiores provações que já havia enfrentado.
— E então? — inquiriu Brom.
— Quer que eu monte nela amanhã — respondeu Eragon de maneira pouco convincente.
Brom pensou na possibilidade com um brilho nos olhos.
— Bem, você já tem a sela. Acho que se vocês dois ficarem fora de vista, não haverá problema algum.
Saphira dirigiu o olhar para ele e, depois, voltou-o para Eragon.
— Mas e se você for atacado ou se houver um acidente? Eu posso não chegar a tempo e...
Saphira apertou ainda mais o peito dele, fazendo-o parar de falar.
É exatamente o que estou tentando dizer, pequenino.
Brom parecia esconder um sorriso.
— Vale a pena correr o risco. E você precisa mesmo aprender a montá-la. Pense desta maneira: com você voando na minha frente, observando o chão, será capaz de ver com antecedência quaisquer armadilhas, emboscadas e outras surpresas desagradáveis.
Eragon voltou a olhar para Saphira e disse:
Tudo bem, farei isso. Mas me solte.
Pode me dar a sua palavra?
Isso é necessário? Questionou ele. Saphira piscou o olho. Tudo bem. Dou a minha palavra de que voarei com você amanhã. Satisfeita?
Estou.
Saphira deixou que ele ficasse em pé e, dando impulso com as pernas, decolou. Um tremor percorreu o corpo de Eragon quando ele a viu se contorcendo, ganhando altura em pleno ar. Resmungando, voltou para Cadoc e seguiu Brom.
O sol já estava quase se pondo quando acamparam. Como sempre, Eragon lutou com Brom antes do jantar. No meio da luta, Eragon desferiu um golpe tão forte que quebrou as duas varas que usavam, como se fossem dois gravetos. Os pedaços voaram por toda parte, produzindo uma nuvem de fragmentos. Brom jogou o que restava de sua vara na fogueira e disse:
— Chega de usar esses galhos. Jogue o seu também no fogo. Você aprendeu bem, mas já fizemos o máximo que podíamos usando galhos. Você não ganhará mais nada ao treinar só com eles. Chegou a hora de usar a espada. — Ele tirou Zar’roc da sacola de Eragon e entregou-lhe.
— Nós vamos fazer picadinho um do outro — reclamou Eragon.
— Nada disso. Novamente você se esqueceu da magia — disse Brom.
Ele levantou a sua espada e virou-a de modo que a luz do fogo refletisse na lâmina. Brom colocou um dedo em cada lado da arma e concentrou-se nela intensamente, tornando mais profundas as rugas em sua testa. Durante um momento, nada aconteceu. Depois, ele proferiu:
— Gëuloth du knífr! — E uma pequena fagulha vermelha apareceu entre seus dedos. Conforme ela crepitava para a frente e para trás, ele correu os dedos por toda a extensão da espada. Depois, ele a girou e fez a mesma coisa do outro lado. A fagulha desapareceu no momento em que seus dedos deixaram de tocar o metal.
Brom esticou a mão, com a palma virada para cima, e passou a lâmina com força. Eragon deu um pulo para a frente, mas não foi rápido o bastante para detê-lo. Ele ficou surpreso quando Brom, com um sorriso nos lábios, ergueu a mão intacta.
— O que você fez? — indagou Eragon.
— Sinta a lâmina — ordenou Brom.
Eragon a tocou e sentiu uma superfície invisível sob seus dedos. A barreira tinha uns seis milímetros de largura e era muito escorregadia.
— Agora, faça o mesmo em Zar’roc — instruiu-o Brom. — A sua barreira será um pouco diferente da minha, mas produzirá o mesmo efeito.
Ele ensinou Eragon a pronunciar as palavras e orientou-o quanto ao procedimento. Eragon fez várias tentativas, mas, logo, conseguiu proteger a lâmina de Zar’roc. Confiante, ele se pôs em posição para lutar.
Antes de começarem, Brom advertiu:
— Estas espadas não nos cortarão, mas elas ainda podem quebrar ossos. Eu gostaria de evitar que isso acontecesse, então não bata como você está acostumado. Um golpe no pescoço pode ser fatal.
Eragon concordou com a cabeça e atacou sem avisar. Fagulhas saíram de sua espada, e o som de metal se chocando encheu o ar do acampamento quando Brom desviou o golpe. Eragon sentia a espada lenta e pesada depois de ter treinado tanto tempo com varas. Sem conseguir mover Zar’roc rápido o bastante, recebeu uma pancada firme no joelho.
Os dois tinham grandes hematomas quando pararam. Eragon tinha muito mais do que Brom. Ele ficou maravilhado ao ver que Zar’roc não tinha nenhum arranhão ou amassado depois dos fortes golpes que recebeu.

Um comentário:

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Boa leitura :)