8 de maio de 2017

Capítulo 15

Conduzindo o trem
Mais rápido! Vamos lá!
Não me pega... Droga!

UMA FUGA EM CÂMERA lenta não era o que eu tinha em mente.
Nós dois corremos para o banco do condutor, que mal tinha espaço para um, e lutamos para ver quem ia assumir a direção enquanto apertávamos pedais e movíamos alavancas aleatórias.
— Já falei! Eu vou dirigir! — gritei. — Se consigo guiar o Sol, posso guiar isto aqui!
— Isto não é o Sol! — Calipso me deu uma cotovelada nas costelas. — É um trem de brinquedo.
Encontrei o interruptor da ignição. O trem começou a se mover. (A feiticeira vai alegar que foi ela quem encontrou. É uma mentira descarada.) Empurrei Calipso do banco. Como o trem estava andando a menos de um quilômetro por hora, ela simplesmente se levantou, ajeitou a saia e fez cara feia para mim.
— Essa é a velocidade máxima? — perguntou ela. — Não pode ser! Empurre mais alavancas!
Atrás de nós, de algum lugar embaixo dos destroços, veio um poderoso “BLARG!”. A hera tremeu quando Litierses tentou sair de debaixo do toldo.
Seis germânicos apareceram na plataforma. (Cômodo definitivamente estava comprando esses bárbaros no atacado.) Os guarda-costas olharam para a gritaria que emanava do toldo desabado e depois para a gente; nós nos afastávamos lentamente. Em vez de correrem em nossa direção, começaram a tirar vigas e plantas de cima do chefe. Considerando nossas habilidades de fuga, eles devem ter concluído que teriam bastante tempo para irem atrás da gente depois.
Calipso pulou no estribo e apontou para o painel de controle.
— Tente o pedal azul.
— O pedal azul nunca é o certo!
Então ela foi lá e pisou nele. O vagão disparou, agora com o triplo da velocidade anterior, o que significava que nossos inimigos teriam que fazer uma corrida moderada para nos alcançar.
Em um ponto do percurso os trilhos faziam uma curva, nossas rodas guinchando enquanto nos afastávamos da estação, que desapareceu atrás de uma fileira de árvores. À esquerda, o terreno se abriu, revelando as bundas majestosas de elefantes africanos que estavam remexendo em uma pilha de feno. O cuidador deles franziu a testa quando passamos.
— Ei! — gritou ele. — Ei!
Acenei.
— Bom dia!
E nós sumimos. Os vagões chacoalhavam perigosamente conforme pegávamos velocidade. Meus dentes batiam. Minha bexiga se agitava. À frente, praticamente escondida atrás de uma tela de bambu, uma bifurcação no trilho estava marcada com uma placa em latim: BONUM EFFERCIO.
— Ali! — gritei. — As coisas boas! Nós temos que virar à esquerda!
Calipso observou o console, perdida.
— Como?
— Deve ter um botão — falei. — Alguma coisa que opere a direção.
De repente, eu vi. Não no nosso painel de controle, mas à frente, na lateral da pista: uma alavanca velha. Não havia tempo de parar o trem, nem de sair do vagão e virar a alavanca.
— Calipso, segure isto!
Joguei os bolinhos para ela e peguei o arco. Encaixei a flecha nele.
Antigamente, faria aquilo com as mãos nas costas. Agora, era quase impossível: disparar de um trem em movimento, mirando no ponto exato em que o impacto da flecha faria a alavanca se mover.
Pensei em minha filha Kayla, no Acampamento Meio-Sangue. Imaginei a voz serena dela me guiando pelas frustrações da arquearia mortal. Eu me lembrei do apoio que os outros campistas me deram para lançar a flecha que derrubou o Colosso de Nero.
Disparei. A flecha acertou a alavanca e a forçou para trás. O trilho se moveu. Com um solavanco, entramos no ramal da esquerda.
— Abaixa! — gritou Calipso.
Adentramos um túnel com largura suficiente para o trem e apenas para o trem. Infelizmente, estávamos indo rápido demais. O vagão se inclinou para o lado e arrastou na parede, e fagulhas voaram. Ao sairmos do outro lado, perdemos totalmente o equilíbrio. O trem grunhiu e se inclinou, uma sensação que eu conhecia bem da época em que a carruagem do Sol tinha que desviar de um lançamento de ônibus espacial ou um dragão celestial chinês. (Aquilo era tão irritante.)
— Para fora! — gritei.
Puxei Calipso (sim, de novo) e pulei do trem no momento em que a fileira de vagões virou para a direita e descarrilou, fazendo tanto barulho que parecia um exército de bronze sendo esmagado por um punho gigante. (Eu talvez já tenha esmagado alguns exércitos assim antigamente.)
Quando dei por mim, estava de quatro, com a orelha encostada no chão, como se tentasse ouvir uma manada de búfalos se aproximando, embora eu não tivesse a mínima ideia do motivo.
— Apolo. — Calipso puxou a manga do meu casaco. — Se levante.
Minha cabeça latejante parecia várias vezes maior do que o habitual, mas eu não achava que tinha quebrado algum osso. O cabelo de Calipso havia se soltado; o casaco prateado estava sujo de areia e cascalho. Fora isso, ela parecia intacta. Talvez nossa antiga constituição divina nos tivesse protegido de danos maiores. Ou isso, ou tivemos sorte.
Nós tínhamos acabado no meio de uma arena circular. O trem estava caído de lado no cascalho como uma lagarta morta, a poucos metros de onde o trilho terminava. A área era cercada por jaulas de animais — paredes de vidro fosco com moldura de pedra. Mais acima, havia três fileiras de assentos. O anfiteatro era coberto por uma rede camuflada igual ao do hábitat dos orangotangos, embora eu desconfiasse que ali as redes servissem para impedir que os monstros alados saíssem voando.
Por toda a arena, correntes com algemas vazias estavam presas a pinos no chão. Não muito longe dali, havia estantes cheias de ferramentas bem tenebrosas: varas de gado, laçadores, chicotes, arpões.
Minha garganta deu um nó na mesma hora. Cogitei ter engolido um bolinho de grifo, mas o pacote ainda estava milagrosamente intacto nos braços de Calipso.
— É um local de treinamento — falei. — Já vi lugares assim. Esses animais estão sendo preparados para os jogos.
— Preparados? — Calipso olhou para as mesas com armas, confusa. — Como, exatamente?
— Eles são enfurecidos — expliquei. — Provocados. Passam fome. São treinados para matar qualquer coisa que se mova.
— Que selvageria. — Calipso se virou para a jaula mais próxima. — O que fizeram com esses pobres avestruzes?
Pela parede de vidro, quatro aves nos olhavam, a cabeça virando para os lados em uma série de movimentos agitados. Eram animais de aparência estranha por natureza, mas aqueles estavam equipados com coleiras com pinos de ferro no pescoço, capacetes de guerra com uma ponta de metal no estilo do Kaiser Guilherme, arame farpado enrolados nas patas. A ave mais próxima abriu o bico para mim, deixando à mostra os dentes de aço afiados.
— Os avestruzes de combate do imperador. — Senti como se um telhado estivesse desabando dentro do meu peito. O infortúnio daqueles animais me deprimia... mas pensar nas atitudes de Cômodo também. Os jogos nos quais ele se envolveu quando jovem imperador eram desagradáveis desde o começo, e tinham se transformado em uma coisa bem pior. — Ele gostava de usá-los para treinar sua pontaria. Com uma única flecha, decapitava uma ave correndo a toda velocidade. Quando isso já não era mais divertido... — Indiquei os pássaros incrementados.
O rosto de Calipso ficou amarelo-icterícia.
— Todos esses animais vão ser mortos?
Eu estava desanimado demais para responder. Tive lembranças do Coliseu durante o governo de Cômodo: a areia vermelha brilhante do piso do estádio coberta com as carcaças de milhares de animais exóticos, todos massacrados por esporte e espetáculo.
Fomos para a jaula seguinte. Um enorme touro vermelho andava de um lado para o outro com inquietação, os chifres e cascos brilhando em bronze.
— É um touro etíope — falei. — Nada consegue perfurar sua pele, nem armas de metal. É como o Leão de Nemeia, só que, hã... muito maior e vermelho.
Calipso passou por várias outras jaulas, com serpentes aladas árabes, um cavalo que deduzi ser do tipo carnívoro que cospe sangue. ( Já pensei em usá-los na carruagem do Sol, mas eles davam tanto trabalho.)
Quando chegou à jaula seguinte, a feiticeira ficou paralisada.
— Apolo, aqui.
Havia dois grifos lá dentro.
Emmie e Josephine estavam certas. Eram animais magníficos.
Ao longo dos séculos, com a diminuição gradual de seus hábitats naturais, os grifos selvagens se tornaram criaturas esquálidas, fracas e raquíticas. (Como o furão de três olhos ou o texugo flatulento gigante, em risco de extinção.) Poucos grifos permaneceram grandes o bastante para aguentar o peso de um humano.
Mas o macho e a fêmea diante de nós eram do tamanho de leões. O pelo castanho-claro cintilava como malha de cobre. As asas avermelhadas estavam majestosamente dobradas nas costas. As cabeças aquilinas brilhavam com a plumagem dourada e branca. Na Antiguidade, um rei grego pagaria um trirreme cheio de rubis por um par reprodutor daqueles.
Felizmente, não encontrei indícios de maus-tratos aos animais. No entanto, os dois estavam acorrentados pelas patas de trás. Grifos ficam muito enfurecidos quando são aprisionados ou amarrados de alguma forma. Assim que o macho, Abelardo, nos viu, ele mordeu e gritou, batendo as asas. Ele enfiou as garras na areia e lutou contra a corrente, tentando nos alcançar.
A fêmea recuou até as sombras, fazendo um som gorgolejado alto como o rosnado de um cachorro com medo. Andou de um lado para o outro, a barriga encostando no chão, como se...
— Ah, não. — Achei que meu coração mortal fosse explodir. — Não me admira Britomártis querer tanto esses dois de volta.
Calipso parecia enfeitiçada pelos animais, mas se esforçou para prestar atenção em mim.
— O que você quer dizer? — perguntou.
— A fêmea está com um ovo. Ela precisa fazer o ninho imediatamente. Se não a levarmos de volta para a Estação Intermediária...
A expressão de Calipso tornou-se severa e firme como os dentes de aço dos avestruzes.
— Heloísa vai conseguir sair voando daqui?
— Eu... eu acho que sim. Minha irmã entende mais de animais selvagens, mas acho que sim.
— Um grifo grávido consegue carregar uma pessoa?
— Não temos muita escolha, vamos ter que tentar. — Apontei para a rede acima da arena. — É a forma mais rápida de sair daqui, caso consigamos soltar os grifos e retirar a rede. O problema é que Heloísa e Abelardo não vão nos ver como amigos. Eles estão acorrentados. Enjaulados. Esperando um bebê. Vão fazer picadinho de nós se chegarmos perto.
Calipso cruzou os braços.
— Que tal música? A maioria dos animais gosta de música.
Lembrei que fiz isso para hipnotizar os myrmekos no Acampamento Meio-Sangue, mas não estava muito a fim de repetir a dose e cantar sobre todos os meus fracassos de novo, principalmente na frente da minha companheira.
Olhei para o túnel por onde viemos. Ainda não havia sinal de Litierses e seus homens, mas isso não queria dizer muita coisa. Eles certamente já deviam estar chegando...
— Temos que ir logo — falei.
O primeiro problema era o mais fácil: as jaulas. Devia haver um interruptor em algum lugar para abri-las e libertar os animais. Subi nas cadeiras de espectadores com a ajuda de uma escada chamada Calipso e encontrei um painel de controle ao lado do único assento acolchoado da arena, obviamente onde o imperador ficava quando ia ver suas feras em treinamento.
Cada alavanca tinha um rótulo conveniente feito com fita adesiva e marcador. Uma dizia GRIFOS.
— Está pronta? — gritei para Calipso.
Ela estava bem em frente à jaula dos grifos, as mãos esticadas como se estivesse se preparando para pegar uma bola.
— Como eu estaria pronta para uma situação dessas?
Apertei o interruptor. Com um estalo alto, a parede de vidro desapareceu em um vão no parapeito.
Eu me juntei a Calipso, que estava murmurando uma cantiga de ninar ou algo do tipo. Os dois grifos não estavam impressionados. Heloísa rosnou alto e recuou, encostando-se na parede dos fundos da jaula. Abelardo puxou a corrente com uma força descomunal, tentando chegar até nós e arrancar nossas caras com mordidas.
Calipso me entregou o saco de bolinhos e apontou com o queixo para a jaula.
— Você só pode estar brincando — falei. — Se eu me aproximar para dar comida, eles vão me comer.
Ela parou de cantar.
— Você não é o deus das armas de alcance? Jogue os bolinhos!
Levantei os olhos para o céu bloqueado pela rede, que, aliás, eu considerava uma metáfora grosseira e desnecessária para meu exílio do Olimpo.
— Calipso, você não sabe nada sobre esses animais? Para conquistar a confiança deles, você tem que dar a comida na boca. Isso enfatiza que a comida vem de você, como se fosse a ave-mãe.
— Ah. — Calipso mordeu o lábio inferior. — Entendi. Você seria uma péssima ave-mãe.
Abelardo deu um pulo e piou para mim. Eu não estava agradando.
Calipso assentiu, como se tivesse tomado uma decisão.
— Nós dois vamos ter que fazer isso juntos. Vamos cantar em dueto. Sua voz dá para o gasto.
— Minha voz dá...
Minha boca ficou paralisada pelo choque. Dizer para mim, o deus da música, que eu tinha uma voz que dava para o gasto era como dizer para Shaquille O’Neal que suas enterradas davam para o gasto, ou dizer para Serena Williams que seus saques davam para o gasto.
Por outro lado, eu não era Apolo. Era Lester Papadopoulos. No acampamento, desesperado por causa das habilidades mortais inferiores, fiz um juramento pelo Rio Estige de não usar arquearia e música até voltar a ser um deus. Violei imediatamente o juramento ao cantar para os myrmekos, mas foi por uma boa causa. Depois disso, eu tenho vivido apavorado, me perguntando quando e como o espírito do Estige me puniria. Talvez, em vez de um castigo grandioso, eu teria uma morte lenta decorrente de mil insultos. Com que frequência um deus da música ouvia que sua voz até que dava para o gasto antes de desmoronar em uma pilha de poeira de desprezo por si mesmo?
— Tudo bem. — Suspirei. — Que dueto vamos cantar? “Islands in the Stream”?
— Não sei essa.
— “I Got You, Babe”?
— Não.
— Pelos deuses, tenho certeza de que estudamos os anos 1970 nas suas aulas de cultura pop.
— Que tal aquela música que Zeus cantava?
Pisquei.
— Zeus... cantando?
Achei o conceito ligeiramente apavorante. Meu pai trovejava. Punia. Repreendia. Fazia a cara mais feia do mundo. Mas não cantava.
O rosto de Calipso estava com uma expressão sonhadora.
— No palácio do Monte Otris, quando ele era copeiro de Cronos, Zeus entretinha a corte com músicas.
Eu me remexi, inquieto.
— Eu... ainda não tinha nascido.
Calipso era mais velha do que eu, mas nunca pensei no que isso queria dizer. Quando os titãs mandavam no cosmos, antes de os deuses se rebelarem e Zeus se tornar rei, Calipso sem dúvida havia sido uma criança livre, cria do general Atlas, correndo pelo palácio e perturbando os criados etéreos. Deuses. Calipso era velha o bastante para ser minha babá!
— Você deve conhecer a música.
Ela começou a cantar.
Senti minha cabeça formigando. Eu conhecia a música. Fui tomado por uma lembrança antiga de Zeus e Leto cantando essa melodia quando ele visitava Ártemis e a mim quando éramos crianças em Delos. Meu pai e minha mãe, destinados a ficarem separados para sempre porque Zeus era um deus casado, cantavam esse dueto com alegria. Meus olhos se encheram de lágrimas. Fiquei com a parte mais grave da harmonia.
Era uma música mais velha do que os impérios, sobre dois amantes separados e loucos para se reencontrarem.
Calipso se aproximou dos grifos. Fui atrás dela, não porque tivesse medo de ir na frente, claro. Todo mundo sabe que, quando avançando para o perigo, o soprano vai primeiro. Eles são sua infantaria, enquanto os contratenores e os tenores são a cavalaria, e o baixo, a artilharia. Tentei explicar isso para Ares um milhão de vezes, mas ele não entende nada de arranjos vocais.
Abelardo parou de puxar a corrente. Ele nos observou, desconfiado, emitindo sons graves. A voz de Calipso era suplicante e cheia de melancolia. Percebi que ela sentia empatia pelos animais: enjaulados e acorrentados, desejando a liberdade. Talvez, pensei, só talvez o exílio de Calipso em Ogígia tivesse sido pior do que minha situação atual. Pelo menos eu tinha amigos com quem dividir meu sofrimento. Eu me senti culpado por não ter votado pela libertação dela da ilha mais cedo, mas de que adiantava pedir desculpas agora? Era tudo água do Estige por baixo dos portões de Érebo. Não tinha volta.
Calipso tocou a cabeça de Abelardo. Ele poderia facilmente ter cortado o braço dela fora, mas se agachou e se virou para pedir carinho, como um gato. Calipso se ajoelhou, tirou outro grampo e começou a mexer na algema do grifo.
Enquanto ela trabalhava, tentei chamar a atenção de Abelardo. Cantei do melhor jeito que consegui, canalizando minha dor e solidariedade nos versos, torcendo para Abelardo perceber que eu entendia seu sofrimento.
Calipso abriu a tranca. Com um estalo, a algema de ferro se soltou da pata de Abelardo. Calipso se moveu na direção de Heloísa, um gesto bem mais complicado, porque estava se aproximando de uma mãe grávida. A fêmea rosnou, apreensiva, mas não atacou.
Continuamos cantando, as vozes em afinação perfeita, se mesclando da forma como acontece com as melhores harmonias, criando algo maior do que a soma de duas vozes individuais.
Calipso libertou Heloísa. Deu um passo para trás e ficou ao meu lado enquanto terminávamos o último verso da música: Enquanto os deuses viverem, eu vou amar você.
Os grifos nos olharam. Pareciam mais intrigados do que com raiva.
— Bolinhos — aconselhou Calipso.
Virei metade do pacote nas mãos dela.
Eu não gostava da ideia de perder os braços. Eram anexos úteis. Ainda assim, estiquei a mão cheia de bolinhos de batata dourados para Abelardo. Ele se aproximou e farejou. Quando abriu o bico, eu enfiei a mão lá dentro e encostei os bolinhos na língua quente. Como um verdadeiro cavalheiro, ele esperou que eu tirasse a mão para engolir a guloseima.
Ele eriçou as penas do pescoço e se virou para piar para Heloísa. A comida está boa. Venha!
Calipso deu bolinhos para Heloísa. A fêmea encostou a cabeça na feiticeira em um sinal óbvio de afeição.
Por um momento, senti alívio. Euforia. Nós conseguimos. Mas, atrás de nós, bateram palmas.
De pé na entrada da jaula, sangrando e machucado, mas ainda muito vivo, estava Litierses, sozinho.
— Muito bem — disse o espadachim. — Vocês encontraram um lugar perfeito para morrer.

2 comentários:

  1. O trem grunhiu e se inclinou, uma sensação que eu conhecia bem da época em que a carruagem do Sol tinha que desviar de um lançamento de ônibus espacial ou um dragão celestial chinês. (Aquilo era tão irritante.)

    mitologia chinesa, será?

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  2. To começando a gostar de Calipso e Apolo juntos. Antes era cômico pela implicância de um contra o outro, mas também era algo enjoante. Depois dessa, minha imaginação fértil proporcionou-me algo bonito de se assistir, suspense misturado com uma cansão bela como essa deve ter sido foi algo muito bem memorável. Quem sabe o ex garotão do Olimpo e a filha exilada do chefão-titã possam se dar bem.

    P.S.: não, isso não significa que eu shippo eles. Apolo é irritante demais para chegar a namorar alguém e o ataque de raiva que ela deu pelo suposto acerto de contas de Litierses com Leo me fez achar Caleo algo mais aceitável.

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Boa leitura :)