27 de maio de 2017

Capítulo 15 - Diamantes na noite

O Império violou o meu lar. Assim pensou Roran ao ouvir os gemidos angustiados dos homens feridos durante a batalha da noite anterior com os Ra’zac e os soldados. Roran estremeceu de medo e raiva até seu corpo inteiro ser consumido por calafrios febris que deixaram suas faces ardendo e sua respiração curta. E ele estava triste, muito triste... como se os feitos dos Ra’zac tivessem acabado com a inocência dos seus refúgios da infância.
Afastando-se da curandeira, Gertrude, que cuidava dos feridos, Roran continuou a seguir em direção à residência de Horst, reparando nas barreiras provisórias que preenchiam os espaços entre as casas: as tábuas, os barris, as pedras empilhadas e as armações estilhaçadas das duas carroças destruídas pelos explosivos dos Ra’zac. Tudo parecia dolorosamente frágil. As poucas pessoas que andavam por Carvahall tinham o olhar vidrado por causa do trauma, do sofrimento e da exaustão. Roran também estava cansado, mais do que nunca. Não dormia há duas noites, e seus braços e suas costas doíam por causa das lutas.
Ele entrou na casa de Horst e viu Elain em pé no vão da porta aberta para a sala de jantar, ouvindo a conversa inflamada lá dentro. Ela acenou para o jovem entrar.
Depois que frustraram o contra-ataque dos Ra’zac, os cidadãos proeminentes de Carvahall haviam se isolado numa tentativa de decidir qual atitude o vilarejo devia tomar e se Horst e seus aliados deviam ser punidos por iniciar a rebeldia. O grupo passou a maior parte da manhã tentando deliberar.
Roran deu uma olhada dentro da sala. Sentados em volta da mesa comprida estavam Birgit, Sloan, Loring, Gedric, Delwin, Fisk, Morn e muitos outros. Horst presidia a mesa, sentado à cabeceira.
— ...e eu digo que foi estúpido e precipitado! — exclamou Kiselt, tentando se levantar apoiado nos seus cotovelos magros. — Você não tem motivos para colocar em perigo...
Morn levantou a mão.
— Já falamos sobre isso antes. Se o que foi feito devia ter sido feito não está em questão. Por acaso, eu concordo. Quimby era tão meu amigo como de qualquer um aqui, e estremeço ao pensar no que esses monstros fariam com Roran, mas... mas o que eu quero saber é como iremos sair dessa situação desagradável.
— Fácil, matando os soldados — apregoou Sloan.
— E depois? Mais soldados virão até nos afogarmos num mar de túnicas vermelhas. Mesmo se entregarmos Roran, isso não adiantará nada, vocês ouviram o que os Ra’zac disseram: eles irão nos matar se protegermos Roran e nos escravizarão se não o fizermos. Vocês podem pensar diferente, mas, na minha opinião, eu prefiro morrer a passar minha vida como escravo. — Morn balançou a cabeça e sua boca se fechou numa linha reta e inflexível. — Não podemos sobreviver.
Fisk se inclinou para a frente.
— Podemos partir.
— Não há lugar para onde ir — retrucou Kiselt. — Estamos encurralados pela Espinha, os soldados bloquearam a estrada e mais além está o resto do Império.
— A culpa é toda sua — gritou Thane, apontando um dedo trêmulo para Horst. — Eles incendiarão as nossas casas e assassinarão as nossas crianças por sua causa. Por sua causa!
Horst se levantou tão rapidamente que sua cadeira caiu para trás. — Onde está a sua honra, homem? Você vai deixar que eles nos devorem sem reagir?
— Sim, mesmo que isso signifique uma outra forma de suicídio. — Thane olhou em volta da mesa e depois passou furioso ao lado de Roran. Seu rosto estava retorcido devido a um medo puro e natural.
Gedric avistou Roran então e acenou para que ele entrasse.
— Venha, venha, estávamos esperando por você.
Roran colocou as mãos nas costas enquanto inúmeros olhares severos o fuzilavam.
— Como posso ajudar?
— Acho — disse Gedric — que todos concordamos que não adiantaria nada entregarmos você para o Império a essa altura. Se iríamos fazê-lo, em outras circunstâncias, não é relevante. A única coisa que podemos fazer é nos prepararmos para outro ataque. Horst fará pontas de lança e outras armas se tiver tempo, e Fisk concordou em construir escudos. Felizmente, sua carpintaria não se incendiou. E alguém precisa supervisionar as nossas defesas. E gostaríamos que fosse você. Você terá bastante gente para ajudá-lo.
Roran acenou com a cabeça:
— Farei o melhor que puder.
Tara se levantou ao lado de Morn, seu marido. Era uma mulher grande, com cabelo escuro e grisalho e mãos fortes capazes de quebrar um pescoço de galinha e de separar dois homens briguentos. Ela disse:
— Não deixe de fazê-lo, Roran, caso contrário teremos mais funerais. — E depois se voltou para Horst. — Antes de seguir em frente, gostaria de lembrar que ainda temos alguns homens para enterrar. E há crianças que devem ser levadas para um lugar seguro, talvez para a fazenda de Cawley em Nost Creek. Você devia ir para lá também, Elain.
— Não deixarei Horst — disse Elain calmamente.
Tara se arrepiou.
— Este não é lugar para uma mulher com cinco meses de gravidez. Você perderá o bebê se ficar correndo de um lado para o outro como andou fazendo.
— Será pior para mim ficar preocupada, sem saber o que estará acontecendo, do que permanecer aqui. Já pari os meus filhos, ficarei como sei que você e todas as outras esposas em Carvahall o farão.
Horst deu a volta na mesa e, com uma expressão afetuosa, pegou a mão de Elain.
— Nem eu gostaria que você estivesse em algum outro lugar a não ser do meu lado. As crianças, no entanto, devem partir. Cawley irá cuidar bem delas, mas temos de nos certificar de que a estrada até a fazenda está segura.
— Não só isso — disse Loring com a voz rascante —, nenhum de nós pode se envolver com as famílias do outro lado do vale, com exceção de Cawley, é claro. Eles não podem nos ajudar, e não queremos que esses profanadores os perturbem.
Todos lhe deram razão. Em seguida, a reunião acabou e seus participantes se dispersaram por toda Carvahall. Logo, no entanto, se reuniram novamente — junto com a maior parte do vilarejo — no pequeno cemitério atrás da casa de Gertrude. Dez cadáveres envoltos em tecido branco foram colocados ao lado de suas sepulturas, com um galho de cicuta em cima de seus peitos frios e um amuleto prateado em volta de cada um de seus pescoços.
Gertrude deu um passo à frente e recitou os nomes dos homens:
— Parr, Wyglif, Ged, Bardrick, Farold, Hale, Garner, Kelby, Melkolf e Albem. — Ela colocou seixos negros sobre os seus olhos e depois ergueu os braços, levantou o rosto era direção ao céu, e começou a entoar a vibrátil canção fúnebre. Lágrimas brotaram dos cantos dos seus olhos fechados enquanto sua voz aumentava e diminuía de intensidade nas frases imemoriais, suspirando e se lamentando com a tristeza do vilarejo. Ela cantou a terra, a noite e o sofrimento antiquíssimo da humanidade do qual
ninguém escapa.
Depois que a última nota pesarosa silenciou-se, os membros das famílias exaltaram os feitos e as peculiaridades daqueles que haviam perdido. Depois os corpos foram enterrados.
Enquanto Roran escutava, seu olhar se voltou para o montículo anônimo onde os três soldados haviam sido enterrados. Um morto por Nolfavrell e dois por mim. Ele ainda conseguia sentir o choque visceral dos músculos e dos ossos cedendo... sendo esmigalhados... reduzindo-se à pasta sob o seu martelo. Sentiu-se enojado e teve de lutar para não vomitar na frente de todo o vilarejo. Fui eu que os destruí. Roran nunca esperara ou quisera matar, no entanto havia tirado mais vidas do que qualquer um em Carvahall. Parecia que sua testa estava marcada com sangue.
Ele partiu assim que foi possível — nem mesmo parou para falar com Katrina — e subiu até um ponto onde poderia vistoriar Carvahall e pensar na melhor maneira de protegê-la. Infelizmente, as casas estavam muito distantes umas das outras para que se formasse um perímetro defensivo apenas fortificando os espaços entre as edificações. Nem Roran considerou boa a ideia de ter soldados lutando encostados nos muros das
casas das pessoas e pisando em seus jardins. O rio Anora protege o nosso flanco a oeste, pensou ele, mas quanto ao resto de Carvahall, não poderíamos nem evitar que uma criança entrasse... O que podemos construir em algumas horas que possa se tornar uma barreira suficientemente forte?
Ele correu para o meio do vilarejo e gritou:
— Preciso de todos que estejam livres para ajudar a cortar árvores! — Um minuto depois, homens começaram a sair aos poucos de suas casas e logo tomaram as ruas. — Venham, mais! Todos precisamos trabalhar! — Roran ficou esperando enquanto o grupo em torno dele continuava a crescer. Um dos filhos de Loring, Darmmen, foi abrindo caminho até ficar ao lado do primo de Eragon.
— Qual é o seu plano?
Roran ergueu a voz para que todos pudessem ouvir.
— Precisamos de uma muralha em torno de Carvahall, quanto mais grossa, melhor. Imagino que se tivermos algumas árvores grandes, as colocarmos de lado e afiarmos seus galhos, os Ra’zac terão bastante dificuldade para superá-las.
— Quantas árvores você acha que serão necessárias? — perguntou Orval.
Roran hesitou, tentando medir o perímetro da circunferência de Carvahall.
— Pelo menos cinquenta. Talvez sessenta para fazer tudo apropriadamente. — Os homens praguejaram e começaram a discutir. — Esperem! — Roran contou o número de pessoas que havia na multidão. Somavam quarenta e oito. — Se cada um de vocês conseguir derrubar uma árvore na próxima hora, nossa tarefa estará quase terminada. Vocês são capazes de fazer isso?
— O que você está pensando de nós? — retrucou Orval. — A última vez em que levei uma hora para derrubar uma árvore eu tinha dez anos de idade!
Darmmen levantou a voz:
— E quanto aos arbustos espinhosos? Poderíamos espalhá-los sobre as árvores. Não conheço ninguém que seja capaz de subir no meio de um monte de videiras espinhentas.
Roran sorriu.
— Essa é uma ótima ideia. Além disso, aqueles que tiverem filhos, façam com que eles arreiem seus cavalos para que possamos arrastar as árvores para cá. — Os homens concordaram e se espalharam por Carvahall no intuito de recolher machados e serras para o serviço. Roran deteve Darmmen e disse: — Certifique-se de que as árvores tenham galhos por todo o tronco, caso contrário nosso truque não irá funcionar.
— Onde você estará? — perguntou Darmmen.
— Trabalhando em outra linha de defesa. — Roran o deixou e correu para a casa de Quimby, onde encontrou Birgit ocupada fechando as janelas com tábuas.
— Sim? — disse ela, olhando em sua direção.
Ele explicou rapidamente o seu plano das árvores.
— Quero que você cave uma trincheira no interior do anel de árvores, para retardar qualquer um que o ultrapasse. Poderíamos até botar estacas pontiagudas no fundo e...
— Onde você quer chegar, Roran?
— Gostaria que você juntasse todas as mulheres e crianças e todos os outros que puder reunir para cavar. E coisa demais para eu lidar sozinho e não temos muito tempo... — Roran olhou fundo nos seus olhos. — Por favor. Birgit franziu a testa.
— Por que está pedindo a mim?
— Porque, assim como eu, você odeia os Ra’zac, e sei que fará tudo o que for possível para detê-los.
— Claro — sussurrou Birgit, e depois bateu palmas energicamente. — Muito bem, como quiser. Mas jamais esquecerei, Roran Garrowson, que foram você e a sua família que condenaram o meu marido. — Ela se afastou antes de Roran poder responder.
O jovem aceitou sua animosidade serenamente, já era esperado, considerando sua perda. Teve sorte de Birgit não ter iniciado uma vendeta. Então se sacudiu e correu para o ponto em que a estrada principal entrava em Carvahall. Era o local mais vulnerável do vilarejo e tinha de ser duplamente protegido. Não posso permitir que os Ra’zac abram mais uma vez um caminho por aqui da mesma forma.
Roran recrutou Baldor e juntos os dois começaram a cavar uma trincheira no meio da estrada.
— Terei que partir em breve — avisou Baldor entre uma e outra estocada de sua picareta. — Papai precisa de mim na ferraria.
Roran grunhiu uma frase de concordância sem olhar para cima. Durante o trabalho, sua cabeça novamente se encheu de lembranças dos soldados: como o olhavam enquanto os atacava, e a sensação, a horrível sensação de destruir um corpo como se fosse uma tora podre. Ele fez uma pausa, nauseado, e notou a comoção que se espalhava por Carvahall enquanto as pessoas se preparavam para o próximo ataque.
Depois que Baldor saiu, Roran terminou de cavar sozinho a fossa que ia até a altura das coxas, para depois ir até a oficina de Fisk. Com a permissão do carpinteiro, pegou cinco toras do estoque de madeira e usou cavalos para puxá-las em direção à estrada principal. Lá, Roran inclinou a ponta dos troncos dentro da trincheira formando uma barreira que tornou Carvahall impenetrável.
Assim que ele socou bem a terra em volta dos troncos, Darmmen surgiu às pressas.
— Conseguimos as árvores. Nesse momento estão sendo colocadas no lugar. — Roran o acompanhou até a extremidade norte de Carvahall, onde doze homens lutavam para alinhar quatro pinheiros verdes e viçosos no momento em que um grupo de cavalos de tração, sob o chicote de um garoto, voltava para o contraforte. — Muitos de nós estão ajudando a descobrir as árvores apropriadas. Os outros ficaram inspirados, pareciam determinados a derrubar o resto da floresta quando saí.
— Ótimo, podemos usar a madeira adicional.
Darmmen apontou para uma pilha de arbustos espinhosos na beira do terreno de Kiselt.
— Cortei aqueles ao longo do Anora. Use-os como quiser. Vou tentar achar mais.
Roran deu um ligeiro tapa encorajador no braço de Darmmen e depois se virou para o lado leste de Carvahall, onde uma fileira longa e curva de mulheres, crianças e homens trabalhava no meio da lama. Ele foi ao encontro do grupo e viu Birgit ordenando como um general e distribuindo água para os cavadores. A trincheira já media um metro e meio de largura e uns sessenta centímetros de profundidade. Quando Birgit parou para respirar, ele disse:
— Estou impressionado.
Ela tirou uma mecha de cabelo do rosto sem olhar para Roran.
— Começamos arando a terra. Deixa as coisas mais fáceis.
— Você tem uma pá que eu possa usar? — perguntou ele. Birgit apontou para um monte de ferramentas na outra ponta da trincheira. Roran caminhou na direção indicada. Foi então que reparou no brilho de cobre nas mechas da parte de trás do cabelo de Katrina, no meio do rabo-de-cavalo. Ao seu lado, Sloan golpeava a argila mole com uma energia furiosa e obsessiva, como se tentasse rasgar a pele da terra, descascar sua cútis de barro e expor os músculos mais abaixo. Seu olhar era de alguém perturbado e seus dentes se revelavam numa careta obscura, apesar das manchas de lama e sujeira que borravam os seus lábios.
Roran estremeceu diante da expressão de Sloan e passou rapidamente, desviando seu rosto para não ter de fitar seus olhos injetados. Pegou uma pá e a enfiou imediatamente no solo, fazendo o melhor possível para se esquecer de suas preocupações no calor do esforço físico.
O dia foi passando numa torrente contínua de atividades, sem pausas para refeições ou períodos de descanso. A trincheira foi ficando mais longa e profunda, até se espalhar por dois terços do vilarejo e alcançar as margens do rio Anora. Toda a lama que sobrou foi empilhada no lado de dentro da trincheira, numa tentativa de impedir que alguém a pulasse... e de tornar mais difícil alguém sair de lá.
A barreira de árvores foi finalizada no começo da tarde. Roran parou de cavar para ajudar a afiar os inúmeros galhos — que estavam sobrepostos e entrelaçados tanto quanto possível — e afixar as armadilhas de arbustos espinhosos. De vez em quando, tinham de retirar uma árvore para que Ivor e outros fazendeiros tocassem seus animais domésticos para ficarem seguros em Carvahall.
Lá pela noite, as fortificações estavam mais resistentes e extensas do que Roran ousara esperar, embora ainda fossem exigir várias horas antes de o trabalho ser completado ao ponto de satisfazê-lo.
Ele se sentou no chão para mastigar um pedaço de pão fermentado e ficar olhando para as estrelas em meio a uma névoa de exaustão. Uma mão caiu sobre o seu ombro, ele olhou para cima e viu Albriech.
— Tome. — Albriech lhe passou um escudo tosco, feito de tábuas serradas e pregadas uma na outra, e uma lança com quase dois metros de comprimento. Roran os aceitou, agradecido, e Albriech prosseguiu distribuindo lanças e escudos para quem encontrasse.
Roran se levantou, pegou seu martelo na casa de Horst e, assim armado, foi até a entrada da estrada principal, onde Baldor e dois outros estavam de vigília.
— Acordem-me quando algum de vocês precisar descansar — disse Roran, para depois deitar na grama macia embaixo da aba do telhado de uma casa das redondezas. Ele posicionou suas armas de modo que pudesse encontrá-las na escuridão e fechou os olhos na ansiedade da expectativa.
— Roran.
O sussurro veio por seu ouvido direito.
— Katrina? — Ele se esforçou para manter-se sentado, pestanejando sem parar, enquanto observava a amada abrir uma lanterna, fazendo um feixe de luz iluminar a sua coxa. — Por que você veio aqui?
— Queria vê-lo. — Seus olhos, grandes e misteriosos, em contraste com suas faces pálidas, aumentavam com as sombras da noite. Ela pegou o braço de Roran e o levou para uma varanda deserta, longe do alcance do ouvido de Baldor e dos outros em guarda. Depois colocou as mãos em seu rosto e o beijou suavemente, mas ele estava muito cansado e preocupado para responder ao seu afeto. Ela se afastou e o estudou. — O que há de errado, Roran?
O jovem deixou escapar um riso agudo e amargo.
— O que há de errado? O mundo está errado, está tão torto quanto uma moldura amassada. — Ele apertou o punho contra a barriga. — E eu estou errado. Toda vez que me permito relaxar, vejo os soldados sangrando debaixo do meu martelo. Homens que eu matei, Katrina. E seus olhos... seus olhos! Eles sabiam que estavam prestes a morrer e não podiam fazer nada. — Ele tremeu na escuridão. — Eles sabiam... eu sabia... e eu ainda assim tinha de fazê-lo. Isso não podia... — As palavras lhe fugiram quando ele sentiu as lágrimas quentes escorrendo por seu rosto.
Katrina afagava a cabeça de Roran enquanto ele chorava por causa dos últimos dias. Ele chorou por Garrow e Eragon, chorou por Parr, Quimby e pelos outros mortos, chorou por si mesmo, e chorou pelo destino de Carvahall. Soluçou até suas emoções esgotarem-se e o deixarem tão seco e oco quanto uma casca de cevada.
Forçando-se a respirar fundo, Roran olhou para Katrina e notou as lágrimas no rosto da amada. Ele as limpou com o polegar, como se fossem diamantes na noite.
— Katrina... meu amor. — Ele repetiu a frase, saboreando as palavras: — Meu amor. Eu não tenho nada para lhe oferecer além do meu amor. Ainda assim... tenho de perguntar. Você quer casar comigo?
Sob a luz fraca da lanterna, ele viu uma expressão de pura alegria e surpresa brotar em seu rosto. Depois ela hesitou e surgiu uma dúvida inquietante. Era errado ele fazer o pedido, ou ela aceitar, sem a permissão de Sloan. Mas Roran não se importava mais, tinha de saber agora se ele e Katrina iriam passar suas vidas juntos.
Então ela disse suavemente:
— Sim, Roran, eu aceito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)