22 de maio de 2017

Capítulo 13 - A loucura da vida

Estava escuro quando Eragon acordou de repente, assustado e ofegante, sentando na cama. O quarto estava frio, sentiu arrepios nos braços e nos ombros. Faltavam algumas horas para o amanhecer. Era aquela hora em que nada se move, em que a vida espera pelos primeiros toques quentes da luz do sol.
Seu coração batia forte por causa da terrível premonição que lhe tomou conta. Parecia que um manto havia coberto o mundo e o lugar mais escuro era o seu quarto. Levantou-se da cama silenciosamente e vestiu-se. Apreensivo, atravessou o corredor. O pavor tomou conta dele ao ver a porta do quarto de Garrow aberta e várias pessoas amontoadas lá dentro.
Garrow estava deitado pacificamente na cama. Ele estava vestido com roupas claras, o cabelo estava penteado para trás, e o rosto estava calmo. Poderia estar dormindo se não fosse pelo amuleto de prata amarrado em volta de seu pescoço e pelo ramo seco de cicuta-da-europa em seu peito, que eram os últimos presentes dos vivos para os mortos.
Katrina estava ao lado da cama, com o rosto pálido e os olhos baixos.
Ele a ouviu sussurrando:
— Eu esperava chamá-lo de pai um dia...
Chamá-lo de pai, pensou ele amargamente. Um direito que nem eu tinha.
Ele se sentia como um fantasma, exaurido de toda vitalidade. Tudo perdeu o sentido, exceto o rosto de Garrow. As lágrimas inundaram a face de Eragon. Ele ficou parado, com os ombros tremendo, mas chorava sem fazer nenhum ruído. Mãe, tia, tio – perdeu todos. O peso de sua dor era esmagador, uma força monstruosa que o fez cambalear. Alguém o conduziu de volta para o quarto, falando palavras de consolo.
Ele caiu na cama, cobriu a cabeça com os braços e soluçou convulsivamente.
Eragon sentiu Saphira fazendo contato, mas a ignorou e se deixou levar pelo pesar. Ele não podia aceitar que Garrow houvesse partido. Se aceitasse, não restaria mais nada em que acreditar. Apenas um mundo implacável, impiedoso, que apagava as vidas como a chama de uma vela ao vento. Frustrado e apavorado, virou seu rosto encharcado pelas lágrimas em direção ao céu e gritou:
— Que deus faria isso? Mostre-se! — Ele ouviu pessoas correndo para o quarto dele, mas nenhuma resposta veio lá de cima. — Ele não merecia isso!
Mãos confortantes tocaram-no, e ele viu que Elain estava sentada a seu lado. Ela o abraçou enquanto ele chorava e, finalmente, por pura exaustão, relutantemente, adormeceu.

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Boa leitura :)