10 de abril de 2017

Capítulo um



Remamos pela baía, passando por barcos balançantes com a ferrugem vazando das emendas dos cascos, por bandos de aves marinhas silenciosas amontoadas nas ruínas de docas afundadas e cobertas de cracas, por pescadores que baixavam as redes para nos encarar, estupefatos, sem saber se éramos reais ou imaginários — uma procissão de fantasmas flutuando na água ou de pessoas que em breve virariam fantasmas. Éramos dez crianças e uma ave em três pequenos barcos instáveis, remando em silêncio, com vontade, para alto-mar, deixando para trás rapidamente a única baía segura em quilômetros, que se exibia rochosa e mágica à luz azul-dourada do amanhecer. Nosso objetivo, a costa irregular do País de Gales, estava em algum lugar à frente, visível apenas como um borrão difuso, uma mancha de tinta ao longo do horizonte.
Passamos pelo velho farol, uma construção tranquila de longe, que ainda na noite anterior fora cenário de muitos traumas. Foi lá que, com bombas explodindo por todo lado, quase nos afogamos e quase fomos despedaçados por balas. Foi lá que peguei uma arma, puxei o gatilho e matei um homem, um ato ainda incompreensível para mim. Foi lá que perdemos a srta. Peregrine, para depois a recuperarmos das garras de aço de um submarino — embora ela tenha sido devolvida com um problema cuja solução não sabíamos como obter. Estava empoleirada na proa do mesmo barco que eu, vendo desaparecer o santuário que criara, perdendo-o um pouco mais a cada remada.
Finalmente, passamos do quebra-mar e alcançamos o oceano. A superfície espelhada da baía deu lugar a pequenas ondas que golpeavam as laterais dos barcos. Quando ouvi um avião costurando as nuvens, deixei os remos deslizarem e olhei para o alto, imaginando nossa pequena esquadra vista daquela altura: o mundo que eu escolhera, tudo o que eu tinha nele, nossas preciosas vidas peculiares, tudo contido em três lascas de madeira à deriva sobre o olho vasto e sempre aberto do mar.
Misericórdia.


* * *

Nossos barcos deslizavam pelas ondas sem grandes problemas, os três lado a lado, avançando na direção da costa com a ajuda de uma corrente. Remávamos em turnos, para adiar a exaustão, apesar de eu me sentir tão forte que passei quase uma hora me recusando a largar o posto. Eu me perdi no ritmo das remadas, os braços traçando longas elipses no ar, como se tentassem puxar algo que relutava em se aproximar. Hugh manejava os remos do outro lado, e Emma estava atrás dele, sentada na proa, os olhos ocultos pela aba larga do chapéu, debruçada sobre o mapa aberto nos joelhos. De vez em quando ela erguia a cabeça para conferir algo no horizonte. Só de olhar para seu rosto ao sol eu já sentia uma onda de energia que desconhecia em mim.
Sentia como se pudesse remar para sempre. Até que, gritando de um dos outros barcos, Horace perguntou quanto de oceano ainda nos separava da terra firme. Emma olhou para a ilha e depois para o mapa, medindo com dedos esticados, e respondeu, não muito segura:
— Sete quilômetros? — Millard, que também estava em nosso barco, murmurou algo no ouvido dela. Emma franziu o cenho, virou o mapa de lado, franziu o cenho de novo. — Quer dizer, oito e meio.
Ao ouvir essas palavras, me senti desanimar um pouco; e notei que todos tiveram a mesma reação.
Oito quilômetros e meio: uma viagem de uma hora na barca nauseante que me levara a Cairnholm semanas antes. Uma distância banal se pegássemos um barco a motor, de qualquer tamanho que fosse. Um quilômetro e meio a menos do que meus tios fora de forma percorriam em corridas beneficentes e apenas alguns a mais do que minha mãe se gabava de remar nos aparelhos da academia chique que frequentava. No entanto, a barca que ligava a ilha ao continente só passaria a existir trinta anos depois, e aparelhos de simulação de remo não levavam passageiros nem exigiam correções constantes de curso só para permanecerem na direção certa. Pior ainda: o canal que estávamos atravessando era traiçoeiro, um famoso destruidor de navios. Eram oito quilômetros e meio de mar imprevisível e instável, com o fundo coberto por destroços de naufrágios e ossos esverdeados de marinheiros mortos — e, à espreita, em algum lugar na escuridão de várias braças de profundidade, nossos inimigos.
Aqueles do grupo que se preocupavam com essas coisas achavam que os acólitos estavam por perto, em algum lugar abaixo de nós, esperando naquele submarino alemão. Se já não soubessem que tínhamos fugido da ilha, logo descobririam. Eles não tinham se dado a todo aquele trabalho para raptar a srta. Peregrine só para desistir depois de falharem uma vez. Por conta dos navios de guerra que se moviam ao longe como centopeias e dos aviões britânicos que faziam a patrulha nos céus, era muito perigoso para o submarino ir à tona em plena luz do dia, mas quando caísse a noite seríamos presa fácil. Eles iriam atrás de nós, levariam a srta. Peregrine e afundariam os barcos. Portanto, continuávamos remando: nossa única esperança era chegar ao continente antes que anoitecesse.

* * *

Remamos até os braços doerem e os ombros travarem. Remamos até acabar a brisa da manhã, o sol parecer brilhar através de uma lente de aumento e o suor se acumular no pescoço. Só então percebi que ninguém tinha se lembrado de trazer água e que o filtro solar dos anos 1940 era a sombra. Remamos até esfolar a palma das mãos, até termos certeza de que não conseguiríamos dar mais uma remada sequer, mas mesmo assim dávamos mais uma, depois outra e mais outra.
— Você está suando em bicas — comentou Emma. — Me deixe remar um pouco, antes que você derreta.
A voz dela me despertou de um transe. Aceitei a oferta, aliviado. Deixei que Emma ocupasse o assento do remo, mas vinte minutos depois pedi para voltar à tarefa. Não gostei dos pensamentos que tomaram minha mente enquanto meu corpo descansava. Fiquei imaginando meu pai acordando e descobrindo que eu sumira dos quartos em Cairnholm, a carta incompreensível de Emma em meu lugar, o pânico que tomaria conta dele depois. Flashes de lembranças traziam de volta coisas terríveis que eu testemunhara nos últimos tempos: um monstro me puxando para suas mandíbulas; meu ex-psiquiatra em uma queda fatal; um homem enterrado em um caixão de gelo, arrancado do outro mundo por um momento para falar ao meu ouvido com a voz rouca produzida pela meia garganta que lhe restava. Então remei, apesar da exaustão, apesar da impressão de que minha coluna nunca mais voltaria a ficar ereta, apesar das mãos em carne viva devido ao atrito, e tentei não pensar em nada. Aqueles remos eram ao mesmo tempo uma sentença de morte e um bote salva-vidas.
Bronwyn, aparentemente incansável, remava sozinha em um dos barcos. Olive, à frente dela, não ajudava, pois não conseguiria puxar os remos sem se empurrar para cima, e um vento mais forte a faria sair voando como uma pipa. Então Olive gritava palavras de estímulo enquanto Bronwyn fazia o trabalho de duas, três ou mesmo quatro pessoas, considerando que todas as malas e caixas aumentavam o peso do barco, cheio de roupas, comida, mapas, livros e um monte de objetos menos úteis — como vários jarros de corações de répteis em conserva, sacudindo na bolsa de lona de Enoch, ou a maçaneta arrancada da casa da srta. Peregrine, que Hugh encontrou na grama quando estávamos a caminho dos barcos e resolveu que não podia viver sem; o travesseiro enorme que Horace resgatara da casa em chamas (seu travesseiro da sorte, explicou ele, além de ser a única coisa que mantinha sob controle os pesadelos paralisantes).
Outros objetos eram tão preciosos que as crianças se agarravam a eles mesmo enquanto remavam. Fiona levava entre os joelhos um vaso de terra com minhocas do jardim; Millard riscara o rosto com pó de tijolos pulverizados pelas bombas, uma esquisitice que lembrava um ritual de luto. Apesar de parecerem estranhos os itens que guardavam e a que se agarravam, em parte eu simpatizava com aquilo: era tudo o que lhes restava da casa onde viveram. Só porque sabiam que estava perdida, não significava que soubessem como se desapegar dela.
Depois de três horas remando como escravos nas galés, a distância reduzira a ilha ao tamanho de uma mão aberta. Em nada lembrava a fortaleza agourenta cercada de penhascos em que eu pusera os olhos pela primeira vez algumas semanas antes. Dali, parecia frágil, um pedaço de rocha prestes a ser levado pelas ondas.
— Vejam! — gritou Enoch, ficando de pé no barco ao lado do nosso. — Está sumindo!
Um nevoeiro espectral encobria a ilha. Paramos de remar para vê-la desaparecer.
— Digam adeus à nossa ilha — falou Emma, levantando-se e tirando o chapelão. — Talvez a gente nunca mais volte a vê-la.
— Adeus, ilha — disse Hugh. — Você foi muito boa para nós.
Horace largou o remo e acenou.
— Adeus, casa. Vou sentir falta de todos os seus quartos e jardins, principalmente da minha cama.
— Adeus, fenda temporal. — Olive fungou. — Obrigada por ter nos protegido todos esses anos.
— Bons anos — completou Bronwyn. — Os melhores que eu vivi.
Também me despedi, em silêncio, de um lugar que me transformara para sempre, de um lugar que, mais que qualquer cemitério, guardaria para sempre a memória e o mistério de meu avô. Meu avô e aquela ilha estavam completamente interligados, e me perguntei, agora que os dois não existiam mais, se um dia eu entenderia o que tinha acontecido comigo: o que eu havia me tornado; o que estava me tornando. Eu tinha ido à ilha para solucionar o mistério que era meu avô e acabara solucionando meu próprio mistério. Ver Cairnholm desaparecer era como ver a última chave que restava para o mistério afundar sob as ondas escuras.
Então a ilha simplesmente sumiu, engolida por uma montanha de neblina.
Como se nunca tivesse existido.

* * *

Não demorou para a névoa nos alcançar. Aos poucos, nosso campo de visão foi diminuindo, o continente ao longe sumiu e o sol se reduziu a um pálido botão branco. Seguimos em círculos, movidos pela corrente, até perdermos todo o senso de direção. Por fim, paramos, guardamos os remos e esperamos na calmaria lúgubre, torcendo para que a névoa se dispersasse. Até que isso acontecesse, não adiantava avançar.
— Não estou gostando disso — comentou Bronwyn. — Se esperarmos demais, vai anoitecer, e aí vamos ter que nos preocupar com coisas piores do que o mau tempo.
Como se tivesse ouvido Bronwyn e resolvido nos colocar em nosso devido lugar, o clima ficou ruim de verdade. Um vento forte começou a soprar e em questão de segundos nosso mundo se transformou. Ao nosso redor, o mar começou a se crispar em ondas encapeladas de branco, que batiam contra os cascos e invadiam os barcos, molhando nossos pés com água gelada. Em seguida, começou a chover forte, as gotas perfurando nossa pele como balas de revólver. Começamos a ser atirados de um lado para o outro, como brinquedos de borracha numa banheira.
— Fiquem de frente para as ondas! — gritou Bronwyn, cortando a água com os remos. — Se elas pegarem o barco de lado, vamos virar!
Estávamos quase todos sem condições de remar em águas calmas, quanto mais em um mar revolto, e o restante tinha medo até de pegar nos remos. Por isso, em vez de remar, nos agarramos às bordas dos barcos como se nossa vida dependesse daquilo.
Uma parede de água veio direto na nossa direção. Os barcos subiram a onda gigantesca, ficando quase na vertical. Emma se agarrou a mim, enquanto eu agarrava a forqueta do remo. Atrás de nós, Hugh abraçou o assento. Descemos pelo outro lado da onda como em uma montanha-russa, o que fez meu estômago ir parar nos pés. Enquanto descíamos a toda, tudo que não estava preso ao barco — o mapa de Emma, a bolsa de Hugh, a mala vermelha de rodinhas que eu trouxera da Flórida — passou voando sobre nossas cabeças e caiu na água.
Não havia tempo para nos preocuparmos com o que havia sido perdido, já que nem dava para enxergar os outros barcos. Quando conseguimos nos reequilibrar, de joelhos, tentamos nos localizar em meio à confusão e gritamos por nossos amigos. Houve um terrível momento de silêncio, até que ouvimos vozes respondendo ao nosso chamado. O barco de Enoch surgiu da neblina, todos os quatro passageiros acenando para nós.
— Vocês estão bem? — gritei.
— Ali! — responderam os quatro. — Ali!
Só então me dei conta de que o aceno não era um cumprimento. Eles estavam tentando chamar nossa atenção para algo na água, a uns trinta metros de distância: o casco de um barco virado.
— É o barco de Bronwyn e Olive! — exclamou Emma.
Estava emborcado, com o fundo enferrujado para cima. Não havia sinal algum das meninas.
— Temos que chegar mais perto! — gritou Hugh.
Esquecendo a exaustão, pegamos novamente os remos e seguimos até lá, gritando os nomes delas ao vento.
Remamos contra uma corrente de roupas caídas das malas abertas, cada vestido ondulante por que passávamos parecendo uma menina afogada. Meu coração martelava no peito, e, apesar de eu estar tremendo e encharcado, mal sentia o frio. Alcançamos o casco virado ao mesmo tempo que o barco de Enoch. Olhamos em volta, à procura.
— Onde elas estão? — gemeu Horace. — Ah, se tivermos perdido as duas...
— Ali embaixo! — exclamou Emma, apontando. — Talvez estejam presas embaixo do barco!
Tirei um dos remos da forqueta e o bati no casco virado.
— Se estiverem aí, saiam! — gritei. — Vamos resgatar vocês.
Por um momento terrível, não tivemos resposta, e senti que se esvaía minha esperança de conseguirmos resgatá-las. Até que veio uma batida em resposta, seguida por um soco que arrebentou o fundo do casco, lançando lascas de madeira pelos ares. Todos pulamos de susto.
— É a Bronwyn! — gritou Emma. — Elas estão vivas.
Com mais alguns golpes, Bronwyn abriu um buraco da largura de uma pessoa. Estendi o remo; ela o pegou, e, com a ajuda de Hugh e Emma, conseguimos puxá-la da água agitada para o nosso barco, enquanto o dela afundava e era tragado pelas ondas. Bronwyn estava em pânico, histérica, gritando com o pouco fôlego que lhe restava. Gritava por Olive, que continuava desaparecida.
— Olive... Temos que achar Olive — balbuciou Bronwyn assim que entrou no barco. Ela tremia e cuspia água do mar. Então ficou de pé no barco, que balançava, e apontou para a tempestade. — Lá! — gritou. — Estão vendo?
Cobri os olhos para evitar a chuva forte e me virei na direção em que ela apontava, mas só vi nuvens e ondas.
— Não estou vendo nada!
— Ela está lá! — insistiu Bronwyn. — A corda!
Então eu vi: o que ela indicava na água não era uma menina se agitando, mas uma grossa corda de cânhamo trançado se erguendo do mar, quase invisível naquele caos; uma linha marrom que se estendia para o alto até desaparecer na bruma. Olive devia estar amarrada na outra ponta, por isso não a víamos.
Remamos até lá, e Bronwyn puxou a corda. Um instante depois, Olive apareceu lá no alto, no nevoeiro, amarrada à corda pela cintura. Os sapatos de chumbo tinham caído de seus pés, mas Bronwyn já a amarrara à corda da âncora, que repousava no fundo do mar. Se não fosse por isso, Olive sem dúvida estaria perdida nas nuvens.
Olive apertou Bronwyn em um abraço e gritou de alegria:
— Você me salvou! Você me salvou!
Ao ver as duas se abraçando, senti um nó na garganta.
— Ainda não estamos fora de perigo — disse Bronwyn. — Temos que chegar a terra firme antes do anoitecer, ou vai ser ainda pior.

* * *

A tempestade diminuiu um pouco e a força do mar abrandou, mas era inimaginável remar por muito mais tempo, mesmo em um mar completamente calmo. Não tínhamos percorrido nem metade do caminho até o continente e eu já estava desesperado de exaustão. Minhas mãos latejavam. Meus braços pesavam como troncos de árvore. Para completar, o balanço incessante e inclinado do barco começava a causar um incômodo inegável em meu estômago, e, a julgar pela cor esverdeada dos rostos à minha volta, eu não era o único.
— Vamos descansar um pouco — sugeriu Emma, tentando nos encorajar. — Vamos descansar e tirar a água dos barcos e esperar a neblina passar...
— Neblinas como essa têm vontade própria — retrucou Enoch. — Pode durar dias. Daqui a algumas horas já vai ser noite, aí vamos ter que torcer para sobreviver, para que os acólitos não encontrem a gente. Vamos ficar indefesos até amanhecer.
— E sem água — acrescentou Hugh.
— Nem comida — completou Millard.
Olive ergueu as mãos e declarou:
— Eu sei para que lado fica!
— Para que lado fica o quê? — indagou Emma.
— A terra firme. Vi quando estava lá no alto, na ponta daquela corda.
Olive explicou que havia ultrapassado a neblina e avistado a costa.
— Grande coisa — resmungou Enoch. — Ficamos um tempão remando em círculos enquanto você estava lá em cima.
— Então me deixem subir de novo.
— Tem certeza? — perguntou Emma. — É perigoso. E se um vento pegar você ou a corda arrebentar?
Olive assumiu uma expressão determinada.
— Me deixem subir.
— Quando ela cisma assim, não tem como discutir — comentou Emma. — Pegue a corda, Bronwyn.
— Você é a garotinha mais corajosa que já conheci — disse Bronwyn, e se pôs em ação.
Ela puxou a âncora para o interior do barco, e, com a extensão extra de corda que ganhamos com isso, amarramos os dois barcos um ao outro para que não se separassem mais, depois soltamos Olive, que foi flutuando neblina acima.
Enoch rompeu o silêncio:
— E aí? — perguntou o menino, impaciente.
— Estou vendo! — veio a resposta, um guincho em meio ao barulho de fundo das ondas. — Bem em frente!
— Pra mim já está ótimo! — exclamou Bronwyn.
Enquanto ainda apertávamos a barriga, sentados, sem condições de fazer nada, ela passou para o barco da frente e começou a remar, guiada apenas pela minúscula voz de Olive, um anjo invisível no céu.
— Esquerda... Mais para a esquerda... Não tanto!
Assim, seguimos lentamente rumo ao continente, a neblina sempre em nosso encalço; compridos ramos cinzentos que mais pareciam dedos fantasmagóricos de uma assombração, tentando nos puxar de volta.
Como se a própria ilha não estivesse muito disposta a nos deixar partir.

Um comentário:

  1. E nesse momento o Percy deveria aparecer pra acalmar o mar com os seus poderes de semideus e talz...

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Boa leitura :)