15 de março de 2017

Capítulo vinte e cinco

Mare

APESAR DO MEU TEMPO NO FURO ter sido marcado pela exaustão e pelo coração partido, ainda ocupa um lugar especial nas minhas memórias. Pela primeira vez, lembro mais vividamente das coisas boas do que das ruins. Os dias em que voltávamos com sanguenovos vivos, arrancados das garras da execução. Parecia um progresso. Cada rosto era uma prova de que eu não estava sozinha, de que eu podia salvar pessoas com a mesma facilidade que podia matá-las. Alguns dias, parecia simples. A coisa certa a fazer. Venho buscando essa sensação desde então.
A base de Piedmont tem suas próprias instalações de treinamento, tanto internas quanto ao ar livre. Algumas equipadas para prateados, o restante para soldados vermelhos. O coronel e seus homens, agora na casa dos milhares e aumentando dia a dia, reivindicaram o campo de tiro. Sanguenovos como Ada, com habilidades menos devastadoras, treinam com ele, aperfeiçoando a pontaria e as habilidades de combate.
Kilorn transita entre eles e os sanguenovos no campo de treino para prateados. Ele não pertence a nenhum grupo, mas sua presença é tranquilizadora. Kilorn é o completo oposto de uma ameaça e um rosto familiar. Ele não teme os sanguenovos, ao contrário de muitos dos soldados “verdadeiramente” vermelhos. Já passou tempo demais comigo para isso.
Meu amigo me acompanha agora, enquanto passamos por um prédio do tamanho de um hangar de jatos, mas sem pista de decolagem.
— O ginásio dos prateados — ele diz, apontando para a estrutura. — Tem todo tipo de coisa aí dentro. Pesos, pista com obstáculos, uma arena…
— Sei. — Aprendi a usar minhas habilidades num lugar como esse, cercada pelos olhares maldosos dos prateados que me matariam se vissem uma única gota do meu sangue. Pelo menos não tenho mais que me preocupar com isso. — Provavelmente eu não deveria treinar num lugar com teto ou lâmpadas.
Kilorn ri.
— Provavelmente não.
Uma das portas do ginásio bate ao abrir e uma figura sai, com uma toalha em volta do pescoço. Cal seca o suor do rosto ainda prateado pelo esforço. Levantamento de peso, presumo.
Ele estreita os olhos e se aproxima de nós o mais rápido que pode. Ainda ofegante, estende a mão e Kilorn a aperta com um sorriso largo.
— Kilorn — Cal acena com a cabeça. — Está levando Mare para conhecer tudo?
— Si… — começo a responder.
— Não, ela vai começar a treinar com os outros hoje — Kilorn me corta. Resisto à vontade de dar uma cotovelada na barriga dele.
— O quê?
Cal fica sério, soltando um longo suspiro.
— Pensei que você fosse dar um tempo.
Kilorn me pegou de surpresa no hospital, mas ele estava certo. Não posso ficar sem fazer nada. Me sinto inútil. A raiva fervendo sob minha pele me deixa inquieta. Eu não sou igual a Cameron. Não sou forte o suficiente para me afastar. As lâmpadas começaram a piscar sempre que entro numa sala. Preciso descarregar.
— Já faz alguns dias. — Coloco as mãos na cintura, esperando a inevitável réplica.
Sem perceber, Cal assume a postura oficial de quando discute comigo. Cruza os braços, franze a testa e finca os pés no chão. Com o sol atrás de mim, ele tem que franzir os olhos. Depois do treino, fede a suor.
Kilorn, o maldito covarde, dá alguns passos para trás.
— Vejo vocês quando tiverem terminado. — Ele lança um sorriso amarelo por cima do ombro, me deixando sozinha com Cal.
— Espera aí — eu chamo enquanto se afasta. Ele apenas acena, desaparecendo atrás do ginásio. — Que belo amigo ele é. Não que eu precise de apoio — acrescento rápido —, já que a decisão foi minha e só vou treinar. Não tem nada de mais nisso.
— Bem, parte da minha preocupação é com as pessoas no perímetro de uma possível explosão sua. E o resto… — Ele segura minha mão, me puxando para perto. Torço o nariz, brecando os pés no chão. Não que funcione. Deslizo pelo piso de qualquer forma.
— Você está todo suado.
Cal sorri, passando um braço pelas minhas costas e me deixando sem escapatória.
— Aham.
O cheiro não é completamente desagradável, ainda que devesse ser.
— Não vai brigar comigo?
— Como disse, a decisão é sua.
— Ótimo. Não tenho forças para brigar duas vezes em uma manhã só.
Ele me afasta gentilmente, para ver melhor meu rosto. O dedão dele roça meu queixo.
— Gisa?
— Gisa — bufo, tirando uma mecha de cabelo do rosto. Sem a Pedra Silenciosa, minha saúde melhorou, e minhas unhas e meu cabelo voltaram a crescer no ritmo normal. As pontas continuam cinza, no entanto. — Ela continua me perturbando com a história da realocação. Quer ir para Montfort. Deixar tudo para trás.
— E você disse que ela podia ir sozinha, não?
Fico escarlate de tão corada.
— Saiu sem querer! Às vezes… eu não penso antes de falar.
Ele ri.
— Sério que você faz isso?
— Minha mãe ficou do lado dela, claro, e meu pai não tomou partido, bancando o diplomata de sempre. É como… — minha respiração para — se nada tivesse mudado. Parece que estamos de volta à cozinha de Palafitas. Acho que isso não deveria me incomodar tanto. Considerando o quadro geral. — Envergonhada, me forço a olhar para Cal. Me sinto péssima por reclamar de questões familiares para ele. Mas foi Cal quem tocou no assunto. Então desabafei. Ele apenas me analisa, como se eu fosse um campo de batalha. — Mas não precisa ficar preocupado com isso. Não é importante.
Ele aperta minha mão antes que eu possa puxá-la. Cal sabe como funciono.
— Na verdade, eu estava pensando em todos os soldados com quem treinei. Em especial no campo de batalha. Vi alguns que voltaram bem fisicamente, mas com alguma coisa faltando. Uns não conseguiam dormir, outros não conseguiam comer. Às vezes, eram levados para o passado, quando a lembrança da batalha vinha com um som, um cheiro ou qualquer outra sensação.
Engulo em seco e passo os dedos tremendo em volta do pulso. Eu os aperto, lembrando das algemas. O toque me revira o estômago.
— Soa familiar.
— Sabe o que ajuda?
É claro que não, senão já teria feito. Balanço a cabeça.
— Normalidade. Rotina. Conversar. Sei que você não gosta muito do último item — ele acrescenta, abrindo um sorriso lentamente. — Mas sua família só quer que você esteja segura. Eles viveram um inferno enquanto estava… fora. — Cal ainda não encontrou uma palavra adequada para o que aconteceu comigo. Capturada ou presa não descrevem bem a gravidade. — Agora que voltou, estão fazendo o que qualquer um faria: tentam te proteger. Não a garota elétrica, não Mareena Titanos, mas você. Mare Barrow. A garota que conhecem e de que se lembram. É só isso.
— Está bem. — Aceno lentamente. — Obrigada por isso.
— E sobre aquela história de conversar…
— Sério? Vamos ter que fazer isso agora?
Cal gargalha, tensionando os músculos do abdômen contra meu corpo.
— Certo, mais tarde então. Depois do treino.
— Você deveria tomar um banho.
— Está brincando? Vou acompanhar você o tempo todo. Quer treinar? Então vai fazer isso direito. — Ele me empurra de leve, para que eu siga em frente. — Vamos.


Cal não se cansa, e corre de costas até que eu acompanhe seu ritmo. Passamos pela pista, pelo circuito externo de obstáculos e por um campo amplo com a grama bem aparada, sem contar vários círculos de terra para prática de combate corpo a corpo e de tiro em alvos a meio quilômetro de distância. Alguns sanguenovos correm pela pista e pelo circuito de obstáculos, enquanto outros praticam sozinhos no campo. Não os reconheço, mas reconheço suas habilidades. Um sanguenovo semelhante a um ninfoide forma colunas de água cristalina antes de deixá-las cair na grama, criando uma grande poça de lama. Uma teleportadora atravessa o circuito de obstáculos com facilidade. Ela aparece e desaparece em volta dos equipamentos, rindo dos outros que estão com dificuldade. Cada vez que salta, meu estômago se retorce com a lembrança de Shade.
As arenas de combate corpo a corpo me perturbam mais. Não luto com ninguém como treino desde Evangeline, vários meses atrás. Não é uma experiência que tenho vontade de repetir. Mas com certeza terei que passar por ela.
A voz de Cal me mantém alerta, atraindo meu foco de volta para a tarefa à frente.
— Vou incluir levantamento de peso na sua rotina a partir de amanhã, mas hoje podemos ir direto para teoria e prática de pontaria.
Prática eu compreendo.
— Teoria?
Paramos na beira de um campo de tiro, encarando a neblina que desaparece ao longe.
— Você começou a treinar mais ou menos uma década mais tarde do que deveria. Antes das nossas habilidades estarem prontas para a luta, passamos muito tempo estudando nossas vantagens e desvantagens e como usá-las.
— Como o fato de que ninfoides sempre vencem ardentes, porque é água contra fogo?
— Algo assim. Mas não tão simples. E se você fosse a ardente nessa situação? — Balanço a cabeça, e ele ri. — Viu? É complicado. A teoria exige capacidade de memorização e compreensão. Mas também se aprende na prática.
Esqueci que Cal foi preparado a vida inteira para isso. Ele é um peixe na água, tranquilo, sorridente. Ávido. É bom nisso, é sua especialidade, a área em que se sobressai. É sua âncora num mundo que nunca parece fazer sentido.
— É tarde demais para dizer que não quero mais treinar?
Cal apenas ri, jogando a cabeça para trás. Uma gota de suor escorre pelo seu pescoço.
— Você vai ter que me aguentar, Barrow. Agora, acerte o primeiro alvo. — Ele estende a mão, indicando um bloco quadrado de granito a dez metros de distância, pintado como um alvo. — Um raio. Bem no centro.
Sorrindo, faço o que ele pede. Não dá para errar a essa distância. Um único raio roxo e branco ondula pelo ar e chega ao destino. Com um barulho ressoante de rachadura, deixa uma marca preta no centro do alvo.
Antes que eu tenha tempo de sentir orgulho, Cal me empurra com o corpo.
Despreparada, cambaleio e quase caio.
— Ei!
Ele apenas se afasta e aponta.
— Próximo alvo. Vinte metros.
— Certo — bufo, voltando os olhos para o segundo bloco. Levanto o braço mais uma vez, pronta para atirar, então Cal me empurra de novo. Dessa vez meus pés reagem mais rápido, mas não o suficiente, e meu raio desvia, atingindo o chão.
— Isso não é nada profissional.
— Eu costumava treinar com alguém disparando balas de festim perto da minha cabeça. Quer tentar? — ele pergunta. Balanço a cabeça rapidamente. — Então acerte o alvo.
Normalmente, eu ficaria irritada, mas o sorriso dele se alarga, me fazendo corar.
Isso é treino, penso. Controle-se.
Dessa vez, quando vejo que Cal vai me empurrar, dou um passo para o lado e solto o raio, arrancando um pedaço do alvo de granito. A rotina se repete. Cal muda de tática, tentando atingir minhas pernas ou até lançando uma bola de fogo na minha frente. Na primeira vez que faz isso, caio no chão tão rápido que acabo comendo terra. “Acerte o alvo” se torna seu lema. Ele escolhe a pedra que devo mirar aleatoriamente, a distância variando. É muito difícil, bem mais do que a corrida, e o sol fica brutal conforme o dia avança.
— O alvo é um lépido. O que você faz? — ele pergunta.
Cerro os dentes, ofegante.
— Amplio o raio. Eu o pego enquanto desvia…
— Não fale, faça.
Com um grunhido, giro o braço como se usasse um machado em um movimento horizontal, lançando um jato de alta voltagem na direção do alvo. As faíscas são mais fracas, menos concentradas, mas suficientes para frear um lépido. Ao meu lado, Cal apenas acena com a cabeça, sua única indicação de que fiz algo certo. A sensação é boa.
— Trinta metros. Banshee.
Tampando os ouvidos com as mãos, forço a vista na direção do alvo, lançando um raio sem usar os dedos. Um relâmpago sai do meu corpo, curvando-se como um arco-íris. Erro o alvo, mas espalho eletricidade, fazendo as fagulhas explodirem em direções diferentes.
— Cinco metros. Silenciador.
Só de pensar em um Arven, entro em pânico. Tento focar. Minha mão busca uma arma que não está lá e finjo atirar no alvo.
Bang.
Cal solta uma risada.
— Essa não valeu, mas tudo bem. Cinco metros, magnetron.
Esse alvo eu conheço muito bem. Com toda a força que consigo reunir, lanço uma explosão de raios no alvo. Ele se racha em dois.
— Teoria? — uma voz suave fala atrás de nós.
Eu estava tão focada que nem percebi Julian parado ali, com Kilorn ao seu lado. Meu antigo professor oferece um sorriso discreto, mantendo as mãos atrás das costas como sempre. Nunca o vi com uma roupa tão informal, com uma camisa leve de algodão e bermuda, revelando suas pernas finas de frango. Cal deveria colocá-lo em uma rotina de levantamento de peso também.
— Teoria — Cal confirma. — Ou algo próximo disso. — Ele acena para que eu pare, me dando uma pequena trégua. Imediatamente sento na terra, esticando as pernas.
Apesar de ter que desviar o tempo todo, são os raios que me cansam. Sem a adrenalina da batalha ou uma ameaça de morte iminente, é notório que meu vigor diminui. Isso sem falar que estou há seis meses sem treinar. Com um movimento preciso, Kilorn se inclina e deixa uma garrafa de água gelada ao meu lado.
— Achei que fosse precisar disso — ele diz, com uma piscadela.
Sorrio para ele.
— Obrigada — consigo dizer antes de beber. — O que está fazendo por aqui, Julian?
— Eu estava a caminho dos arquivos, então parei pra ver o que era toda essa agitação. — Ele gesticula por cima do ombro. Me surpreendo ao ver umas dez pessoas ou mais reunidas na beirada do campo de tiro, todas nos encarando. Ou melhor: me encarando. — Você tem uma plateia.
Cerro os dentes. Ótimo.
Cal se move só um pouco, para me tirar de vista.
— Desculpe. Não queria tirar sua concentração.
— Está tudo bem — digo a ele, me forçando a levantar. Meus músculos gemem em protesto.
— Bem, vejo vocês dois mais tarde — Julian diz, olhando para mim e Cal.
Respondo rápido.
— Podemos ir com você…
Ele me corta com um sorriso familiar, gesticulando para a multidão de espectadores.
— Ah, acho que você ainda precisa ser apresentada a algumas pessoas. Kilorn, você se incomoda?
— De forma alguma. — Quero arrancar o sorrisinho da cara de Kilorn, e ele sabe disso. — Depois de você, Mare.
— Tudo bem — forço pela mandíbula cerrada.
Lutando contra meus instintos naturais de fugir da atenção, dou alguns passos na direção dos sanguenovos. Mais alguns. E mais outros. Até que os alcanço, com Cal e Kilorn ao meu lado. No Furo, eu não queria fazer amigos. É difícil dizer adeus para amigos. Isso não mudou, mas entendo o que Kilorn e Julian estão fazendo. Não posso mais me fechar para os outros. Forço um sorriso animado para as pessoas à minha volta
— Oi. Eu sou Mare. — Isso soa idiota e eu me sinto idiota.
Um dos sanguenovos, a teleportadora, balança a cabeça, concordando. Ela usa um uniforme verde de Montfort, tem braços e pernas longos e cabelo castanho cortado curtinho.
— Sim, nós sabemos. Sou Arezzo — ela diz, levantando a mão. — Saltei com você e Calore para fora de Archeon.
Não me admiro por não reconhecê-la. Os minutos depois da minha fuga ainda são um borrão de medo, adrenalina e alívio.
— É claro. Obrigada por isso. — Pisco tentando lembrar dela.
Os outros são tão amigáveis e abertos quanto Arezzo, tão felizes em conhecer mais uma sanguenova quanto eu. Todos no grupo são nascidos em Montfort ou em lugares aliados. Usam um uniforme verde com um triângulo branco no peito e insígnias em cada bíceps. Algumas são fáceis de decifrar: duas linhas onduladas para sanguenovos parecidos com ninfoides, três flechas para lépidos. Ninguém tem emblemas ou medalhas, contudo. Não há como dizer quem é oficial e quem não é. Todos têm treinamento militar. Eles se tratam pelo sobrenome e têm um aperto de mão firme, cada um deles nascido e criado como soldado ou transformado em um. A maioria reconhece Cal de imediato e acena para ele com a cabeça de maneira formal, enquanto Kilorn é tratado como um velho amigo.
— Onde está Ella? — Kilorn pergunta a um homem negro de cabelo espantosamente verde. Tingido, é claro. O nome dele é Rafe. — Mandei uma mensagem para vir conhecer Mare. Para Tyton também.
— A última vez que os vi, estavam praticando no topo da Colina da Tempestade. Onde, tecnicamente — ele olha para mim, quase se desculpando —, os eletricons deveriam treinar.
— O que é um eletricon? — pergunto, e de imediato me sinto idiota.
— Você.
Suspiro, acanhada.
— Certo. Dava pra imaginar.
Rafe mantém uma faísca flutuando na mão, deixando-a passear entre os dedos. Eu a sinto, mas não como meus próprios raios. A faísca verde obedece a Rafe e apenas a ele.— É uma palavra esquisita, mas somos criaturas esquisitas, não acha?
Eu o encaro, quase sem fôlego de tão animada.
— Você é… como eu?
Ele assente, indicando os raios nas suas mangas.
— Sim, eu e os outros.


A Colina da Tempestade é exatamente o que o nome diz. Desponta de uma leve inclinação no meio de um campo na outra ponta da base, o mais longe possível da pista de pouso. Assim há menos chances de um raio perdido atingir um jato. Tenho a sensação de que a colina é algo novo, a julgar pela terra solta conforme nos aproximamos do cume. A grama também foi plantada recentemente, por um verde ou seu equivalente sanguenovo. É mais viçosa do que a dos campos de treino. Mas o topo da colina é uma bagunça, terra batida chamuscada, coberta de rachaduras e com um cheiro distante de tempestade. Enquanto o resto da base aprecia o céu azul e brilhante, uma nuvem negra cobre a Colina da Tempestade, elevando-se a milhares de metros no céu como uma coluna de fumaça negra. Nunca vi nada parecido, tão controlado e contido.
A mulher de cabelo azul que vi em Archeon está de pé embaixo da nuvem, com os braços estendidos, as palmas apontadas para o trovão. Um homem de costas eretas, com cabelo branco bem penteado, está parado atrás dela, parecendo magro e esguio em seu uniforme verde. Ambos têm a insígnia do raio.
Fagulhas azuis dançam sobre as mãos da mulher, pequenas como vermes.
Rafe segue à nossa frente, e Cal, ao meu lado. Apesar de já ter lidado com mais raios do que gostaria, a nuvem negra o deixa nervoso. Ele continua olhando para cima, como se esperasse que explodisse. Algumas luzes azuis brilham fracas na escuridão, iluminadas por dentro. O trovão soa grave e constante como o ronronar de um gato, estremecendo meus ossos.
— Ella, Tyton — Cal chama, acenando com a mão.
Eles viram, e os lampejos param de forma abrupta. A mulher abaixa as mãos e a nuvem negra começa a se dissolver diante dos nossos olhos. Ela vem correndo, seguida pelo homem mais estoico.
— Estava me perguntado quando íamos te conhecer — a mulher diz, com a voz aguda e suave, combinando sua estatura graciosa. Sem aviso, ela pega minhas mãos e beija minhas bochechas. O toque dela é elétrico, e fagulhas saltam de sua pele para a minha. Não machuca e tem um efeito animador. — Eu sou Ella, e você é Mare, claro. Essa torre gigante é Tyton.
O homem em questão de fato é alto, com pele morena, sardas e o queixo afiado. Ele sacode a cabeça e joga o cabelo branco para o lado, deixando-o cair sobre o olho esquerdo. Dá uma piscadela com o direito. Imaginava que seria velho, pela cor do cabelo, mas não deve ter mais do que vinte e cinco anos.
— Olá — é tudo o que diz, com sua voz profunda e confiante.
— Oi. — Aceno para eles, dominada tanto por sua presença quanto pela minha inabilidade de agir de alguma forma próxima da normalidade. — Desculpem, isso é um pouco chocante.
Tyton revira os olhos, mas Ella explode em uma gargalhada. Um segundo depois, entendo e me encolho.
Cal ri ao meu lado.
— Que trocadilho horrível, Mare. — Cal encosta em meu braço da forma mais discreta possível, emanando uma onda de calor. É um conforto bem pequeno sob o calor de Piedmont.
— Mas entendemos o que quer dizer — Ella vem ao meu resgate. — É sempre intenso conhecer outro rubro, ainda mais três, com a mesma habilidade que você. Certo, garotos? — Ela dá uma cotovelada no peito de Tyton e ele praticamente não reage. Rafe apenas assente com a cabeça. Tenho a sensação de que a Ella é quem mais fala e, baseado no que lembro da tempestade de raios azuis em Archeon, quem mais luta no grupo. — Vocês dois me matam — Ella resmunga, sacudindo a cabeça para eles. — Mas tenho você agora, não é, Mare?
Sua natureza ansiosa e seu sorriso aberto me colocam na defensiva. Pessoas que parecem gentis demais estão sempre escondendo alguma coisa. Engulo minhas suspeitas para dar a ela o que espero que seja um sorriso genuíno.
— Obrigada por trazê-la — Ella acrescenta para Cal. A doce fada de cabelo azul de repente endireita a coluna e endurece a voz, transformando-se em um soldado diante dos meus olhos. — Acho que podemos assumir o treinamento a partir daqui.
Ele solta uma risada grave.
— Sozinhos? Está falando sério?
— Vi o seu “treino” — ela dispara. — Pequenas explosões em um campo de tiro dificilmente serão o bastante para maximizar as habilidades de Mare. Ou você sabe como extrair uma tempestade de dentro dela?
Pela forma como os lábios dele se contorcem, percebo que Cal quer dizer algo inapropriado. Eu intercedo antes que tenha a chance, segurando seu pulso.
— A formação militar de Cal…
— … é ótima para condicionamento — Ella me corta. — E perfeita para aprender a lutar contra prateados. Mas suas habilidades são mais amplas do que ele pode compreender. Há coisas que ele tem como te ensinar, coisas que você deve aprender da forma mais difícil, sozinha, ou da forma mais fácil: com a gente.
A lógica dela é sólida e perturbadora. Há coisas que Cal não pode me ensinar, coisas que ele não entende. Lembro de quando tentei treinar Cameron; não conhecia a habilidade dela da mesma forma que a minha. Era como falar uma língua diferente. Eu ainda era capaz de me comunicar, mas não com precisão.
— Vou ficar vendo, então — Cal fala, determinado. — Isso é aceitável?
Ella sorri, voltando a seu temperamento divertido.
— Claro. Mas é melhor se afastar e ficar alerta. Raios são como uma égua selvagem. Não importa o quanto você segure as rédeas, sempre tentam correr livres.
Cal me lança um último olhar e um sorriso solidário com uma pitada de sarcasmo antes de ir para longe, muito além das marcas de explosões. Quando chega lá, se joga no chão e se apoia nos braços, mantendo seus olhos treinados em mim.
— Ele é simpático. Para um príncipe — Ella comenta.
— E para um prateado — Rafe emenda.
Olho para ele, confusa.
— Não há prateados simpáticos em Montfort?
— Não saberia dizer. Nunca estive lá — ele responde. — Nasci no sul de Piedmont, nas ilhas Floridian. — Rafe faz pontinhos no ar com os dedos, ilustrando o arquipélago pantanoso. — Montfort me recrutou alguns meses atrás.
— E vocês dois? — Olho para Ella e Tyton.
Ela responde rapidamente.
— Prairie. Em Sandhills. Minha família vivia se mudando por causa de saqueadores. Montfort nos acolheu quase dez anos atrás. Foi quando conheci Tyton.
— Nasci em Montfort — ele diz apenas. Não é muito falante, provavelmente porque Ella fala o suficiente por todos. Ela me conduz para o centro do que só pode ser chamado de “área de explosões”, até que eu fique diretamente embaixo da nuvem de tempestade que ainda se dissipa.
— Bem, vamos ver com o que estamos lidando — Ella diz, me posicionando. Uma brisa balança o cabelo dela, jogando as mechas azuis e brilhantes para trás. Movendo-se em sincronia, os outros dois se posicionam ao meu redor, de modo que formamos um quadrado. — Comece pequeno.
— Por quê? Eu posso…
Tyton olha para cima.
— Ela quer verificar seu controle.
Ella assente.
Expiro. Embora esteja animada com meus companheiros eletricons, me sinto um pouco como uma criança com muitas babás.
— Tudo bem.
Faço conchas com as mãos e chamo a eletricidade, deixando faíscas irregulares roxas e brancas saltarem.
— Roxo? — Rafe diz, sorrindo. — Legal.
Passos os olhos pelas cores incomuns do cabelo deles, sorrindo. Verde, azul e branco.
— Não pretendo tingir o cabelo — aviso.


O verão atinge Piedmont com uma força escaldante, e Cal é a única pessoa que consegue suportar. Sem ar por causa da exaustão e do calor, eu empurro suas costelas para que role para o lado. O movimento é lento e preguiçoso — deve estar cochilando de novo. Ele vira demais e acaba caindo da cama, atingindo o chão duro de tacos. Isso o acorda. Ele dá um pulo, o cabelo preto espetado em várias direções, nu como um recém-nascido.
— Minhas cores — xinga, esfregando a cabeça.
Sua dor não me comove.
— Se não insistisse em dormir num armário de vassouras, isso não teria acontecido.
Até o teto, feito de gesso manchado, é deprimente. A única janela aberta não alivia o calor, especialmente no meio do dia. Não quero nem pensar em quão finas as paredes devem ser. Pelo menos ele não tem que dividir o quarto com outros soldados.
Ainda no chão, Cal resmunga.
— Gosto do quartel. — Ele tateia à procura da bermuda, e em seguida veste. Os fechos dos braceletes são complicados, mas Cal os prende como se fossem parte do seu corpo. — E você não precisa dividir o quarto com sua irmã.
Eu me viro e coloco a camiseta. O intervalo de almoço vai terminar em alguns minutos e preciso ir para a Colina da Tempestade em breve.
— Você tem razão. Só preciso superar o probleminha que tenho para dormir sozinha. — É claro que com “probleminha” me refiro ao trauma ainda debilitante. Tenho pesadelos terríveis se não há alguém no quarto comigo.
Cal para de vestir a camisa no meio. Ele puxa o ar e estremece.
— Não foi isso que eu quis dizer.
É minha vez de resmungar. Olho para os lençóis. Padrão militar, lavados tantas vezes que estão quase rasgando.
— Eu sei.
A cama se mexe e as molas rangem conforme Cal se inclina na minha direção. Seus lábios tocam minha cabeça.
— Teve mais pesadelos?
— Não — respondo tão rápido que ele ergue uma sobrancelha desconfiado, mas é verdade. — Com Gisa lá, não. Ela diz que não faço barulho algum. Minha irmã, por outro lado… Tinha esquecido que um ronco tão alto poderia vir de uma pessoa tão pequena. — Rio para mim mesma e encontro coragem para olhar nos olhos de Cal. — E você?
No Furo, dormíamos lado a lado. Na maioria das noites, ele se sacudia e se revirava, balbuciando durante o sono. Às vezes chorava.
Um músculo se repuxa no seu queixo.
— Só alguns. Talvez duas vezes por semana.
— Sobre?
— Meu pai, na maioria das vezes. Você. Como me senti lutando contra você, tentando te matar sem conseguir impedir isso. — Ele fecha as mãos com a lembrança. — E Maven. Quando era pequeno. Com seis ou sete anos.
O nome ainda me faz sentir como se tivesse ácido nos ossos, mesmo depois de um bom tempo desde a última vez que o vi. O rei fez várias transmissões e pronunciamentos desde então, mas me recusei a vê-los. Minhas lembranças já são aterrorizantes o suficiente. Cal sabe disso e, por respeito a mim, não fala absolutamente nada sobre o irmão. Até agora. Você perguntou, repreendo a mim mesma. Cerro os dentes com força para me impedir de vomitar todas as palavras que não tenho dito a Cal. Seria muito doloroso para ele. Não ajudaria nada saber que tipo de monstro o irmão foi forçado a se tornar.
Ele prossegue, com os olhos distantes, nas lembranças.
— Maven costumava ter medo do escuro, até que isso simplesmente desapareceu. Nos meus sonhos, ele está brincando no meu quarto. Andando por todo o lado, olhando meus livros. A escuridão o segue. Tento dizer a ele. Tento alertar meu irmão. Ele não se importa. Não liga. Não posso fazer nada. Ela o engole por inteiro. — Devagar, Cal passa a mão pelo rosto. — Não preciso ser um murmurador para saber o que isso significa.
— Elara está morta — sussurro, me mexendo para que a gente fique lado a lado. Como se isso fosse algum conforto.
— E ainda assim Maven pegou você. Ainda assim fez coisas horríveis. — Cal fixa os olhos no chão, incapaz de me encarar. — Eu simplesmente não consigo entender por quê.
Eu poderia ter ficado em silêncio. Poderia distraí-lo. Mas as palavras fervem furiosas na minha garganta. Cal merece a verdade. Relutante, pego sua mão.
— Ele se lembra do amor por você, pelo seu pai. Mas disse que Elara arrancou esse amor dele. Como um tumor. Ela tentou fazer o mesmo com os sentimentos por mim, e antes disso por Thomas, mas não funcionou. Alguns tipos de amor… — minha respiração fraqueja — ele diz que são mais difíceis de remover. Acho que a tentativa o transtornou ainda mais. Elara tornou impossível para Maven me abandonar. Tudo o que ele sentia por nós dois foi corrompido, transformado em algo pior. Por você, virou ódio. Por mim, obsessão. E não há nada que nenhum de nós possa fazer para mudar isso. Acho que nem ela poderia desfazer o próprio trabalho.
A única resposta de Cal é o silêncio, deixando a revelação pairar no ar. Sinto o coração partir pelo príncipe exilado. Dou o que acho que precisa. Minha mão, minha presença, minha paciência. Depois de uma pausa muito, muito longa, ele abre os olhos.
— Até onde sei, não há sanguenovos murmuradores — Cal fala. — Nunca vi ou ouvi falar de um. E fiz uma pesquisa bem extensa.
Por essa eu não esperava. Pisco, confusa.
— Sanguenovos são mais fortes que prateados. E Elara era apenas uma prateada. Se alguém pode… consertar ele, não vale a pena tentar?
— Não sei — é tudo o que posso responder. A ideia me paralisa, e não sei como me sentir. Se Maven pode ser curado, por assim dizer, seria o suficiente para redimi-lo? Com certeza não mudaria o que fez. Não só comigo e com Cal, mas com o pai, com centenas de outras pessoas. — Realmente não sei.
Mas isso dá esperanças a Cal. Vejo um pequeno brilho em seus olhos distantes.
Suspiro, alisando seus cabelos. Precisa de um corte, por mãos mais firmes que as dele.
— Se Evangeline pode mudar, talvez qualquer um possa.
A gargalhada repentina ecoa grave em seu peito.
— Ah, Evangeline é a mesma de sempre. Ela só tinha mais motivos para deixar você partir do que o contrário.
— Como você sabe?
— Sei quem disse a ela para te libertar.
— O quê? — pergunto com rispidez.
Com um suspiro, Cal se levanta e cruza o quarto. A parede oposta está toda tomada pelo armário, quase vazio. Ele não tem muitas posses além de roupas e alguns equipamentos táticos. Para minha surpresa, anda pra lá e pra cá. Isso me deixa no limite.
— A Guarda impediu todas as minhas tentativas de te trazer de volta — ele diz, as mãos se movendo tão depressa quanto sua fala. — Não enviava mensagens, não oferecia apoio para eu me infiltrar. Não havia espiões. Eu não ia ficar sentado naquela base congelante esperando alguém me dizer o que fazer. Então entrei em contato com alguém em quem confio.
A conclusão me atinge no estômago.
— Evangeline?
— Pelas minhas cores, não — ele se sobressalta. — Vovó Anabel, mãe do meu pai…
Anabel Lerolan. A antiga rainha.
— Você ainda a chama de vovó?
Ele fica prateado de vergonha. Meu coração para de bater por um segundo.
— Força do hábito — ele resmunga. — De qualquer forma, ela nunca ia à corte quando Elara estava lá, mas pensei que talvez não se importasse agora que ela está morta. Minha avó sabia como Elara era, e me conhece. Imaginei que teria enxergado as mentiras da rainha. Que teria compreendido o papel de Maven na morte do nosso pai.
Cal estava se comunicando com o inimigo. Príncipe de Norta ou não, o coronel e Farley dariam um tiro nele se soubessem.
— Eu estava desesperado. Em retrospecto, sei que foi realmente idiota — ele acrescenta. — Mas funcionou. Ela prometeu libertar você quando surgisse uma oportunidade. Deve ter apoiado Volo Samos em troca da sua fuga, e valeu a pena. Você está aqui agora por causa dela.
Falo devagar, porque preciso compreender tudo aquilo:
— Então ela sabia que o ataque em Archeon estava para acontecer?
Cal se volta para mim num piscar de olhos, ajoelhando para segurar ambas minhas mãos. Seus dedos ardem de tão quentes, mas me forço a não me afastar.
— Sim. Ela é mais aberta à comunicação com Montfort do que eu imaginava.
— Ela se comunicava com eles?
Cal pisca.
— Ainda se comunica.
Por um segundo, desejo ter cores pelas quais xingar.
— Como? Como isso é possível?
— Acho que você não espera uma explicação de como as radiotransmissões funcionam. — Ele sorri. Eu não. — Montfort está disposto a trabalhar com os prateados, em qualquer nível, para alcançar seus objetivos. É uma — ele procura a palavra certa — parceria. Ambos querem a mesma coisa.
Quase rio em descrença. A corte prateada trabalhando com Montfort… e a Guarda? Parece completamente ridículo.
— E o que eles querem?
— Maven fora do trono.
Um arrepio perpassa meu corpo apesar do calor do verão e da proximidade de Cal.
Lágrimas que não posso controlar escorrem.
— Mas eles ainda querem um rei.
— Não…
— Um rei prateado controlado por Montfort continuaria sendo um rei prateado. Os vermelhos ficariam na lama, como sempre.
— Juro a você que não se trata disso.
— Vida longa a Tiberias VII — sussurro. Ele se contrai. — Quando as Casas se rebelaram, Maven os interrogou. Todos morreram dizendo essas palavras.
O rosto dele desaba de tristeza.
— Nunca pedi por isso — Cal murmura. — Nunca quis isso.
O jovem ajoelhado diante de mim nasceu para a coroa. Querer não tem nada a ver com sua formação. Sua vontade foi arrancada dele logo cedo, substituída pela obrigação, a qual seu pai desgraçado disse que um rei deveria ter.
— Então o que você quer? — Quando Kilorn me fez essa mesma pergunta, descobri foco, propósito, um caminho claro diante da escuridão. — O que você quer, Cal?
Ele responde rápido, os olhos ardendo.
— Você. — Seus dedos apertam os meus, quentes mas estáveis. Ele está se segurando o máximo que pode. — Eu te amo e quero você mais do que qualquer coisa no mundo.
Amor não é uma palavra que usamos. Sentimos, pensamos, mas não falamos. Parece algo tão definitivo, uma declaração da qual não se pode voltar atrás. Sou uma ladra. Conheço minhas rotas de fuga. E fui uma prisioneira. Odeio portas trancadas. Mas seus olhos estão tão próximos, tão sedentos. E é o que eu sinto também. Mesmo que as palavras me apavorem, são verdadeiras. Não disse que ia começar a falar a verdade?
— Eu te amo — sussurro, me inclinando para apoiar a testa na dele. Sinto seus cílios rasparem minha pele de leve. — Prometa. Prometa que não vai me deixar. Prometa que não vai voltar. Prometa que não vai desfazer tudo pelo que meu irmão morreu.
Seu suspiro grave atinge meu rosto.
— Prometo.
— Lembra quando dissemos um pro outro que não íamos nos distrair?
— Sim. — Ele passa um dedo ardente pelos meus brincos, tocando um por vez.
— Me distraia agora.

30 comentários:

  1. Prevejo merda 😒 mau ele sabe que a vovozinha dele planeja pra ele o que ele acabou de prometer não fazer.

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  2. Muito bonito, mas eu tô sentindo que isso vai dar merda

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  3. a mare me irrita as vezes,muitas na verdade,ela pode ser rainha! aff

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    1. Correção: Ela pode ser uma boneca pela qual vai chegar a hora q ela quebrara, ela vai tarde ser cada de inimigos vai acabar fasendo como o maven, criando um trono de pedra silenciosa.

      Letícia.

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  4. Cal me distraia também!! 😏😈

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  5. Eu me pergunto se realmente o Cal não quer a coroa!

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  6. Que bela distração, hein?
    Tadinha da Mare ainda vai se decepcionar tanto...

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  7. Eu me viro e coloco a camiseta. O intervalo de almoço vai terminar em alguns minutos e preciso ir para a Colina da Tempestade em breve.

    No meio da tarde e no calor infernal ?

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    1. As tempestades são convocadas pelos electricons, não são naturais. Apesar de que deve ser difícil formá-las num céu limpo, né? Hauehaehaue

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    2. Eu acho que ela não estava falando sobre tempestades no calor infernal nesse sentido Karina.....

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    3. Quem nunca...tá perdendo
      Kkkkkk😜😉

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  8. Então a Mare ainda tem os brincos... fiquei me perguntando se o Maven não tinha pegado eles

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  9. Vai dar merda, vai dar merda, vaiii.......

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  10. KKKKKKKKKKKKKKKKKK.... MORRI COM OS COMENTARIOS

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  11. Caraca. .. Segundo round! ! Kkkkkkkkkk...

    Flavia

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  12. Que vai dar merda, tds ja perceberam kkkkk mas a princesa dentro de mim quer tanto que eles sejam rei e rainha e tenham filhos e SEJAM FELIZES! #naocustasonhar

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  13. Que linda declaração de amor <3

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  14. Eu quero um Cal para mim. O mundo é TÃO injusto! Pq eu n posso ter um Cal?!

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  15. — Cinco metros. Silenciador.
    Só de pensar em um Arven, entro em pânico. Tento focar. Minha mão busca uma arma que não está lá e finjo atirar no alvo.
    — Bang.
    Cal solta uma risada.
    — Essa não valeu, mas tudo bem. Cinco metros, magnetron. kkkkkk

    Gente, quando disseram Ella eu lembrei de Legados de Lorien.SDDS ~polly~

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  16. — Minhas cores — xinga, esfregando a cabeça.
    TRADUÇÃO:
    Put@ que me par#$%
    VAI DAR MERD@, VAI D...!
    com certeza vai ter alguma reviravolta nisso aí.
    E, MEU DEUS, que distração, hein? kkkkkkkkk
    ~polly~ a melhor parte são os comentários mds hahaha

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  17. Vai dar merdaaaaa. Tô chorando desde já
    Ass: Déborah A.

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  18. Mare dividida entre Cal e Mavem.
    Cal divivido entre Mare e a coroa.
    Aproveitemos a calmaria pq a tempestade tá chegando 😟

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Boa leitura :)