3 de março de 2017

Capítulo treze

O PRÓXIMO PROFESSOR ME AGUARDA NUMA SALA abarrotada do chão ao teto com livros. Mais publicações do que já vi na vida, mais do que pensei existir. Parecem antigos e inestimáveis.
Apesar da minha aversão a escolas e livros em geral, sou atraída por eles. Mas os títulos e as páginas estão escritos numa língua que não entendo, um amontoado de símbolos que não tenho qualquer esperança de decifrar.
Tão intrigantes quanto os livros são os mapas espalhados pelas paredes: do reino e de outros países, novos e antigos. Emoldurado na parede oposta à porta, protegido por um vidro, há um mapa enorme e colorido montado a partir de diferentes folhas. Com pelo menos duas vezes meu tamanho, sua presença domina a sala. Desbotado e rasgado, trata-se de um emaranhado de linhas vermelhas, costas azuis, florestas verdes e cidades amarelas. É o velho mundo, o mundo de antes, com seus nomes e fronteiras que já não têm qualquer serventia.
— É estranho olhar para o mundo como era antes — diz o professor, saindo de trás das pilhas de livros. Sua túnica amarela, manchada e desbotada pelo tempo, dá a ele a aparência de uma folha de papel humana. — Consegue adivinhar onde estamos?
A imensidão do mapa me faz engolir em seco, mas, como sempre, tenho certeza de que é um teste.
— Posso tentar.
Norta fica a noroeste. Palafitas fica à beira do rio Capital, e o rio deságua no mar.
Após um minuto de sofrida procura, finalmente encontro o rio e a enseada perto do meu vilarejo.
— Aqui — respondo com o dedo apontado um pouco mais ao norte, onde imagino que fique Summerton.
Ele assente, feliz por eu não ser uma burra completa.
— Reconhece mais algum lugar?
No entanto, o mapa também está escrito numa língua desconhecida.
— Não consigo ler.
— Não perguntei se consegue ler — responde ele, ainda simpático. — Além disso, as palavras mentem de vez em quando. Veja além delas.
Dou de ombros e me forço a olhar de novo. Nunca fui boa aluna na escola, o homem logo vai descobrir. Para minha surpresa, porém, até gosto do jogo: examinar o mapa, procurar lugares conhecidos.
— Aqui talvez seja Harbor Bay — balbucio afinal, circulando com o dedo a área em torno de um cabo recurvado.
— Correto — ele confirma, abrindo um sorriso. As rugas ao redor dos olhos ficam mais evidentes e transparecem sua idade. — Aqui é Delphie — acrescenta, apontando para uma cidade bem ao sul. — E Archeon é aqui.
Ele põe o dedo sobre o rio Capital num ponto a poucos quilômetros daquela que parece ser a maior cidade do mapa, do país do mundo de antes. As Ruínas. Já ouvi esse nome sussurrado pelos garotos mais velhos e pelos lábios do meu irmão Shade. A Cidade Cinzentaos Escombros. Sinto um calafrio só de pensar no lugar, ainda coberto por fumaça e sombras por causa de uma guerra ocorrida há mais de mil anos. Será que nosso país vai ficar assim se a guerra não acabar?
O professor recua um pouco e me deixa pensar. Sua ideia de ensinar é bem estranha: provavelmente vai acabar num jogo em que fico na parede analisando mapas por quatro horas.
É então que, de repente, o rumor no quarto me deixa alerta. Quer dizer, a falta de rumor. Senti o peso elétrico das câmeras ao longo do dia todo, tanto que até parei de me importar. Até agora, quando não sinto nada. Foi embora. Ainda posso sentir a eletricidade das luzes, mas nada de câmeras. Nada de olhos. Elara não pode me ver aqui.
— Por que ninguém nos observa?
Ele apenas pisca para mim.
— Há uma diferença na minha aula — ele murmura. Não sei o que quer dizer, e isso me deixa furiosa.
— O quê?
— Mare, estou aqui para ensinar sua história, para ensiná-la a ser prateada e ser, hum, útil — diz, com uma expressão amarga. — Mas também vou tentar compreender exatamente como você existe e como seus poderes funcionam.
Encaro o professor, meio confusa.
— Meus poderes funcionam porque... porque sou prateada. Os poderes dos meus pais se misturaram: meu pai era oblívio e minha mãe tempestuosa — gaguejo a explicação que Elara me ensinou. — Sou prateada, senhor — finalizo, tentando fazê-lo entender.
Para meu horror, ele balança a cabeça.
— Não, você não é, Mare Barrow, e jamais pode esquecer isso.
Ele sabe. Estou arruinada. Acabou. Tenho que implorar a ele para guardar segredo, mas as palavras entalam na garganta. O fim está próximo e sequer consigo abrir a boca para impedir.
— Isso não é necessário — ele continua ao perceber meu medo. — Não tenho planos de avisar ninguém sobre sua ascendência.
Sinto um breve alívio que logo se transforma em outro tipo de medo.
— Por quê? O que quer de mim?
— Sou, acima de tudo, um homem curioso. Você entrou na Prova Real como uma criada vermelha e saiu como uma nobre prateada perdida. Tenho que dizer que fiquei bastante curioso.
— É por isso que não há câmeras aqui? — disparo enquanto me afasto dele. Cerro os punhos e desejo que o trovão venha me proteger deste homem. — Para que não existam registros de você me examinando?
— Não há câmeras aqui porque tenho o poder de desligá-las.
Uma centelha de esperança brilha na escuridão absoluta em mim.
— E que poder é esse? — pergunto, trêmula. Talvez ele seja como eu.
— Mare, quando um prateado diz “poder”, quer dizer “autoridade”. Embora poder também tenha a ver com todas essas bobagens que fazemos.
Bobagens. Como partir um homem em dois ou afogar alguém na praça.
— O que quero dizer — ele prossegue — é que minha irmã já foi rainha, e que isso ainda tem algum valor por aqui.
— Lady Blonos não me ensinou isso.
Ele ri sozinho.
— Isso é porque Lady Blonos está lhe ensinando baboseiras. Jamais farei isso.
— Então, se a rainha era sua irmã, você é...
— Julian Jacos, ao seu dispor — ele faz uma reverência cômica. — Chefe da Casa Jacos, herdeiro de nada além de um punhado de livros velhos. Minha irmã era a falecida rainha Coriane, e o príncipe Tiberias VII, que chamamos de Cal, é meu sobrinho.
Agora que diz, dá para notar a semelhança. A cor de Cal veio do pai, mas o rosto calmo e a ternura dos olhos só podem ter vindo da mãe.
— Então você não vai me transformar em alguma experiência científica esquisita para a rainha? — pergunto, ainda receosa.
Em vez de ficar ofendido, Julian gargalha alto.
— Minha cara, a única coisa que a rainha quer é que você desapareça. Descobrir o que você é e ajudá-la a entender é a última coisa em que ela pensa.
— Mas você vai fazer isso mesmo assim?
Algo brilha em seus olhos, algo como ódio.
— A influência da rainha não é tão abrangente como ela quer que você pense. Quero saber o que você é, e tenho certeza de que você deseja o mesmo.
Meu interesse agora é tão grande quanto meu medo era instantes atrás.
— Sim.
— Foi o que pensei — diz, sorrindo. — Sinto muito em informar, porém, que terei de fazer o que me pediram: prepará-la para o dia da sua apresentação ao mundo.
Fico pasma. Lembro-me do que Cal disse na sala do trono: “A campeã dos plebeus. Uma prateada de sangue, mas vermelha de criação”.
— Eles querem me usar para acabar com a rebelião. De algum jeito.
— Sim. Meu caro cunhado e sua rainha creem que você pode fazer isso, se usada adequadamente — ele confirma amargurado.
— É uma ideia idiota e impossível. Não serei capaz de fazer nada e então... — minha voz desaparece. Então vão me matar.
Julian segue minha linha de raciocínio.
— Está errada, Mare. Não compreende o poder que possui agora, quantas coisas pode controlar.
Ele faz uma pausa para levar as mãos atrás das costas de um jeito estranho.
— A Guarda Escarlate — retoma — é drástica demais, muito, muito rápida. Mas você é a mudança controlada, do tipo em que as pessoas podem confiar. Você é a chama lenta que pode dissipar uma revolução com um punhado de discursos e sorrisos. Você pode falar aos vermelhos, dizer-lhes quão nobres, benevolentes e corretos são os prateados. Você pode convencer seu povo a voltar para os grilhões. Mesmo os prateados que questionam o rei, aqueles que têm dúvidas, podem ser convencidos por você. E o mundo permanecerá igual.
Para minha surpresa, a perspectiva parece desanimar Julian.
— E você não quer isso? — sem as câmeras barulhentas, acabo me soltando e fazendo cara de desdém. — Você é prateado. Tem que odiar a Guarda e... me odiar.
— Pensar que todos os prateados são maus é tão errado quanto pensar que todos os vermelhos são inferiores — ele rebate com a voz grave. — O que meu povo vem fazendo com você e seu povo é uma ofensa aos fundamentos da humanidade. Oprimir e aprisionar os vermelhos num círculo perpétuo de pobreza e morte, apenas por pensarmos que vocês são diferentes de nós? Não é certo. E como todos que conhecem história podem lhe contar, termina em desastre.
— Mas somos diferentes — respondi. Um dia no mundo prateado já me ensinou isso. — Não somos iguais.
Julian se inclina para mim e lança um olhar penetrante.
— Estou diante da prova de que você está errada.
Você está diante de uma aberração, Julian.
— Vai deixar que eu prove que está errada, Mare?
— Pra quê? Nada vai mudar.
Julian suspira enfadado. Passa a mão pelos cabelos castanhos e escassos.
— Por centenas de anos os prateados caminharam sobre a terra como deuses de carne e osso, ao passo que os vermelhos não passam de escravos sob seus pés. Até você aparecer. Se isso não é uma mudança, não sei o que é.
Ele pode me ajudar a sobreviver. Melhor ainda: talvez até me ajude a viver.
— E o que fazemos, então?


Meus dias são ritmados, sempre com a mesma programação. Protocolo de manhã, aulas à tarde. No meio-tempo, Elara me faz desfilar em almoços e jantares. Aparentemente, Sonya e Pantera ainda desconfiam de mim, mas não disseram mais nada desde nosso primeiro encontro. A ajuda de Maven parece ter funcionado, por mais que odeie admitir.
No evento seguinte com mais pessoas — na sala de jantar particular da rainha —, as Iral ignoram completamente minha presença. Apesar das aulas de protocolo, o almoço ainda é perturbador; passo o tempo todo tentando lembrar o que me ensinaram. Osanos, ninfoides, azul e verde. Welle, verdes, verde e dourado. Lerolan, oblívios, laranja e vermelho. Rhambos e Tyros e Nornus e Iral e muitos outros nomes. Nunca vou entender como alguém consegue gravar tudo isso.
Como sempre, meu lugar fica ao lado de Evangeline. É doloroso ter a consciência de que todos os utensílios de metal na mesa são armas letais em suas mãos cruéis. Cada vez que ela levanta a faca para cortar a comida, meu corpo fica tenso à espera do golpe. Elara, como de costume, sabe o que estou pensando, mas continua a refeição com um sorriso. Talvez pior que a tortura de Evangeline seja saber que a rainha se diverte ao assistir à nossa guerra silenciosa.
— E o que achou do Palacete do Sol, Lady Titanos? — pergunta a garota à minha frente.
Atara, Casa Viper, verde e preto. Foi ela quem matou os pombos. Ela acrescenta:
— Suponho que não haja comparação com o vilarejo onde você morava antes.
Ela pronuncia a palavra “vilarejo” como se fosse uma maldição, e não deixo passar seu sorriso malicioso.
As mulheres riem com ela. Umas poucas cochicham como que escandalizadas.
Levo um tempo para abrir a boca, esperando o sangue esfriar.
— O Palacete e Summerton são muito diferentes do lugar a que estou acostumada — forço a resposta.
— Óbvio — diz outra mulher, que se inclina para entrar na conversa. Uma Welle, a julgar pela túnica verde e dourada. — Fiz um passeio pelo vale do rio Capital uma vez e devo dizer que os vilarejos vermelhos são simplesmente deploráveis. Não têm sequer estradas adequadas.
Mal conseguimos comer, quanto mais asfaltar estradas. Cerro a mandíbula quase ao ponto de rachar os dentes. Tento sorrir, mas o que sai é uma careta. Enquanto isso, as outras concordam com a Welle.
— E os vermelhos... Bom, acho que aquilo é o melhor que podem fazer com o que têm — ela continua, torcendo o nariz. — São feitos para aquele tipo de vida.
— Não temos culpa de terem nascido para servir — uma Rhambos de vestido marrom diz, leviana, como se falasse do tempo ou da comida. — É simplesmente sua natureza.
O ódio cresce dentro de mim, mas o olhar da rainha me diz para aguentar e cumprir meu dever. Preciso mentir.
— Sim, de fato. — Ouço as palavras saírem da minha boca. Debaixo da mesa, cerro os punhos e sinto meu coração se partir.
Por toda a mesa, as mulheres escutam com atenção. Muitas sorriem e a maioria concorda com a cabeça diante da minha defesa às suas crenças terríveis sobre meu povo. Seus rostos me dão vontade de gritar.
— Claro — continuo, incapaz de me conter —, qualquer um forçado a levar uma vida assim, sem descanso, férias e escapatória, acabaria como servo.
Os poucos sorrisos desaparecem e se contorcem espantados.
— Lady Titanos terá os melhores tutores e toda a ajuda necessária para adequar-se à nova vida — Elara me interrompe rapidamente. — Já começou as aulas com Lady Blonos.
As mulheres murmuram em aprovação ao passo que as garotas fazem caretas. Isso me dá tempo suficiente para recuperar o autocontrole necessário para sobreviver à refeição.
— O que sua majestade real pretende fazer com os rebeldes? — pergunta uma mulher com rispidez. A indagação produz um choque de silêncio na mesa e desvia o foco de mim.
Todos os olhos se voltam para a questionadora: uma mulher de uniforme militar. Outras mulheres também usam farda, mas a dela brilha com mais medalhas e fitas. A feia cicatriz que rasga seu rosto sardento indica que talvez as tenha merecido. Aqui no palácio é fácil esquecer que há uma guerra acontecendo, mas seu olhar assombrado diz que ela não vai, não pode, esquecer.
A rainha Elara baixa a colher com elegância ensaiada e abre um sorriso, igualmente ensaiado.
— Coronel Macanthos, dificilmente podemos chamá-los de rebeldes...
— E esse foi o único atentado que assumiram — rebate a coronel, interrompendo a rainha. — E a explosão em Harbor Bay? E, já que estamos nisso, a base aérea de Delphie? Dois jatos destruídos e outro roubado de uma das nossas próprias bases!
Arregalo os olhos e, como outras presentes, não consigo conter a surpresa. Mais ataques? Só que, enquanto as outras parecem assustadas e levam a mão à boca, tenho que segurar a vontade de sorrir. Farley tem andado ocupada.
— Você é engenheira, coronel? — a voz de Elara soa aguda, fria e definitiva. Não dá a Macanthos a chance de negar com a cabeça. — Então não é capaz de entender que foi um vazamento de gás que causou a explosão em Harbor. E, por favor, refresque minha memória: você comanda as tropas aéreas? Ah, não. Sua especialidade são as forças terrestres. O incidente na base aérea foi uma manobra de treinamento supervisionada pelo próprio general Lord Laris. Ele garantiu pessoalmente à sua majestade que a base de Delphie é segura.
Numa luta justa, Macanthos provavelmente deixaria a rainha em pedaços com as próprias mãos. Em vez disso, Elara a partiu no meio com nada além de palavras. E ela sequer terminou.
O comentário de Julian ecoa em minha cabeça: as palavras mentem de vez em quando.
— O objetivo deles é ferir civis inocentes, prateados e vermelhos, para incitar medo e histeria. São poucos, restritos e covardes. Escondem-se da justiça do meu marido. Considerar toda desgraça ou infortúnio deste reino obra desse mal apenas colabora com seus esforços de aterrorizar o resto da população. Não dê a esses monstros a satisfação que desejam.
Algumas mulheres aplaudem e inclinam a cabeça em concordância com a mentira deslavada da rainha. Evangeline segue o exemplo e o gesto rapidamente se espalha, até que apenas a coronel e eu permanecemos em silêncio. Dá para notar que ela não acredita em nada do que a rainha diz, mas não há como chamá-la de mentirosa. Não aqui, não na casa dela.
Por mais que queira continuar sem fazer nada, sei que não posso. Meu nome é Mareena, não Mare, tenho que apoiar minha rainha e suas palavras desgraçadas. Minhas mãos juntam-se num aplauso à mentira de Elara ao passo que a coronel inclina a cabeça, repreendida.


Embora eu esteja constantemente rodeada de criados e prateados, sinto-me só. Não vejo Cal com frequência graças à sua agenda ocupada com treinamento, treinamento e mais treinamento. Ele às vezes sai do Palacete para falar às tropas de uma base aqui perto ou acompanhar o pai em negócios de Estado. Imagino que possa conversar com Maven, com seus olhos azuis e meios sorrisos, mas ainda não confio muito nele. Por sorte, nunca somos deixados a sós de verdade. Trata-se de uma tradição boba da corte: evitar que rapazes e moças da nobreza se sintam tentados, nas palavras de Lady Blonos. Duvido que isso se aplique ao meu caso.
Para ser sincera, passo a metade do tempo sem me lembrar de que um dia terei que casar com ele. A ideia de Maven como meu marido não parece real. Não somos sequer amigos, quanto mais parceiros. Por mais simpático que ele seja, meus instintos me dizem para não confiar demais no filho de Elara. Ele esconde alguma coisa. O que é, não sei.
Os ensinamentos de Julian tornam as coisas mais suportáveis. A educação que eu antes lamentava agora é uma luz no mar de trevas. Sem as câmeras ou os olhos de Elara, podemos passar o tempo descobrindo o que sou de verdade. Mas as coisas caminham devagar, e ambos estamos frustrados.
— Acho que sei qual é o problema — diz Julian ao fim da minha primeira semana.
Ouço essas palavras de pé, com os braços estendidos do jeito idiota de sempre. Um estranho dispositivo elétrico está preso em meus pés e de vez em quando solta faíscas. Julian quer testá-lo, mas de novo falhei em produzir os raios que me botaram nesta bagunça.
— Talvez eu precise correr um risco mortal — digo bufando. — Que tal pedir a arma de Lucas emprestada?
Julian geralmente ri das minhas piadas, mas agora está ocupado demais pensando.
— Você é como uma criança — ele finalmente afirma. Torço o nariz, ofendida, mas ele continua mesmo assim. — É assim que as crianças são no começo: não conseguem controlar seus poderes. Eles só se manifestam em situações de estresse ou medo, até a pessoa aprender a domar as emoções e usá-las em benefício próprio. Existe um gatilho, e você precisa encontrar o seu.
Lembro de como me senti no Jardim Espiral ao cair em direção à minha aparente morte. Não sentia medo nas minhas veias quando colidi com o escudo elétrico; sentia paz. Sabia que meu fim tinha chegado e aceitava que não havia nada a fazer para mudar isso. Deixei-me ir.
— Vale a pena ao menos tentar — provoca Julian.
Resmungando, volto-me para a parede mais uma vez. Julian enfileirou umas estantes de pedra, todas vazias, para que eu tivesse onde mirar. Pelo canto do olho consigo ver o professor se afastar, mas sem deixar de me observar.
Solte-se. Deixe-se ir, sussurra a voz em minha cabeça. Meus olhos fecham levemente enquanto me concentro. Meus próprios pensamentos desaparecem para que minha mente busque a eletricidade que tanto deseja. As ondas de energia, vivas sob minha pele, agitam-se em mim mais uma vez, até vibrar em cada músculo e nervo. Geralmente o processo termina aí, mas não desta vez. Em vez de segurar, vou ao encontro dessa força, me deixo levar. Mergulho em algo que sou incapaz de explicar, uma sensação que é tudo e nada, luz e trevas, calor e frio, vida e morte. Logo, o poder é a única coisa na minha cabeça, ofuscando todos os meus fantasmas e lembranças. Mesmo Julian e os livros deixam de existir. Minha mente está limpa, como um vazio negro a ressoar força. Agora, me concentro na força e ela não desaparece; na verdade, se move pelo meu corpo, dos olhos à ponta dos dedos. À minha esquerda, Julian deixa escapar uma interjeição de espanto.
Abro os olhos. Um feixe de faíscas lilás salta do dispositivo até meus dedos, como em fios elétricos.
Pela primeira vez, Julian fica sem palavras. E eu também.
Não quero me mexer. Tenho medo de que a menor mudança faça os raios desaparecerem. Mas eles não desaparecem. Continuam, saltando e se contorcendo em minhas mãos. Parecem brincar, inofensivos, como um gatinho e seu novelo. Lembro então do que quase fiz com Evangeline. Este poder é destrutivo se eu quiser.
— Tente movê-lo — Julian fala baixinho enquanto me observa entusiasmado.
Algo me diz que o raio vai obedecer meus desejos. É parte de mim, um pedaço da minha alma vivo no mundo.
Aperto o punho, e as faíscas reagem aos músculos tensos; ficam maiores, mais brilhantes e mais velozes. Expandem-se até a manga da minha camisa, e em segundos consomem o tecido.
Como uma criança que vai arremessar uma bola, chacoalho o braço na direção das estantes de pedra e abro a mão no último instante. O raio voa pelos ares numa bola de centelhas brilhantes e colide com o alvo.
O estrondo da explosão me faz gritar e cair para trás sobre uma pilha de livros. Meu coração dispara. Durante a queda, vejo a estante de pedra sólida se desfazer numa nuvem grossa de pó. As faíscas reluzem por um segundo sobre os escombros antes de desaparecer, deixando apenas ruínas.
— Desculpe pela estante — digo. A manga da minha camisa ainda faísca, convertida num chumaço de fios soltos. Mas isso nem se compara aos tremores na mão. Meus nervos parecem cantar, latejar de poder. E a sensação é boa.
A silhueta de Julian se aproxima através das nuvens de pó. Rindo a plenos pulmões, ele examina a obra. Seus dentes alvos brilham através da poeira.
— Vamos precisar de uma sala de aula maior.


Ele não está enganado. A cada dia somos obrigados a encontrar salas novas e maiores para praticar até finalmente descobrir um lugar adequado no andar subterrâneo. As paredes são de concreto e metal, bem mais resistentes que a pedra decorativa e a madeira dos andares superiores. Minha mira é decepcionante, para dizer o mínimo, de modo que Julian precisa tomar muito cuidado ao se posicionar nos treinos. Em todo caso, é cada vez mais fácil invocar os raios.
Julian toma notas o tempo inteiro, registrando tudo, desde os meus batimentos cardíacos até a temperatura de um cálice recém-eletrizado. Cada anotação nova faz surgir em seu rosto um sorriso confuso, mas feliz, embora ele não me diga o motivo de tanta alegria. Duvido que entendesse mesmo que ele explicasse.
— Fascinante — murmura ao ler algum valor de um dispositivo de metal cujo nome não sei. Ele diz que o aparelho mede energia elétrica, mas não entendo como.
Esfrego as mãos para “desenergizá-las”, como Julian diz. As mangas da minha camisa permanecem intactas desta vez, graças à minha roupa nova. É feita de tecido à prova de fogo, como o que Cal e Maven usam, embora eu ache que a minha deveria ser à prova de choque.
— O que é fascinante? — pergunto.
Ele hesita, como se não quisesse contar, como se não devesse contar, mas finalmente dá de ombros e diz:
— Antes de você se energizar e fritar aquela pobre estátua — ele aponta para o monte de entulho fumegante que uma vez fora o busto de algum rei —, medi a quantidade de eletricidade nesta sala: luzes, fiação, esse tipo de coisa. E agora acabo de medir você.
— E?
— Deu o dobro do registrado antes — ele anuncia orgulhoso, mas não sei por que isso é tão importante afinal.
Com um gesto breve, Julian desliga a “caixa de faíscas” — nome que dei ao aparelho. Sinto sua eletricidade morrer.
— Tente outra vez.
Respiro fundo e me concentro novamente. Depois de um tempo, a eletricidade volta, tão forte quanto antes. Mas, desta vez, vem de dentro de mim.
O sorriso de Julian vai de orelha à orelha.
— E então...?
— Então isso confirma minhas suspeitas.
Às vezes esqueço que Julian é um cientista e estudioso. Mas ele não demora muito para refrescar minha memória.
— Você gerou energia elétrica.
Agora fico confusa de vez.
— Certo. É meu poder, Julian.
— Não, pensei que seu poder fosse manipular, não criar eletricidade — ele diz em tom grave. — Ninguém consegue criar, Mare.
— Mas isso não faz sentido. Os ninfoides...
— Manipulam água. Não podem usar o que não está por perto.
— Bom, mas e Cal? Maven? Não vejo muitas labaredas por aí para eles brincarem.
Julian sorri e balança a cabeça.
— Você já viu as pulseiras, certo?
— Eles usam sempre.
— As pulseiras produzem centelhas, chamas minúsculas que os rapazes controlam. Sem algum recurso para iniciar o fogo, ambos ficam impotentes. O princípio é sempre o mesmo: os prateados manipulam algo. Nossa força depende do ambiente. Mas você é diferente, Mare.
Sou diferente. Diferente de todos.
— E o que isso quer dizer?
— Não tenho certeza. Você é algo completamente novo. Nem vermelho, nem prateado. Algo novo. Algo mais.
— Algo diferente.
Esperava que os testes de Julian me aproximassem de alguma resposta. Em vez disso, apenas levantaram mais perguntas.
— O que eu sou, Julian? O que há de errado comigo?
De repente, sinto um nó na garganta. Meus olhos marejam. Preciso piscar várias vezes na tentativa de conter as lágrimas quentes. Acho que tudo se acumulou: protocolo, aulas, a desconfiança de todos, um lugar onde nem posso ser eu mesma. É sufocante. Quero gritar, mas sei que não posso.
— Não há nada de errado em ser diferente — ouço Julian falar, mas suas palavras são apenas um eco. O som é abafado pelas lembranças de Gisa e Kilorn.
— Mare?
Julian dá um passo em minha direção; seu rosto é a própria imagem da gentileza. Mas ele para a um braço de distância de mim. Não pelo meu bem, mas pelo seu. Para se proteger de mim. Também me assusto quando percebo que os raios voltaram. Eles avançam sobre meus braços e ameaçam se transformar numa tempestade de luzes e fúria.
— Mare, concentre-se em mim. Mare, controle.
Sua voz é suave e tranquila, mas firme. Parece até que Julian está com medo de mim.
— Controle, Mare.
Mas sou incapaz de controlar qualquer coisa. Nem meu futuro, nem meus pensamentos, nem este poder que é a raiz de todos os meus males.
Há pelo menos uma coisa que ainda consigo controlar por ora: meus pés.
Como a covarde que sou, corro.
Avanço pelos corredores vazios sob o peso de mil câmeras invisíveis. Não tenho muito tempo até que Lucas ou, pior, os sentinelas me encontrem. Só preciso respirar. Só preciso olhar para cima e ver o céu, não o vidro.
Passo dez segundos de pé na sacada antes de perceber a chuva, que extingue o calor da minha raiva. Os raios se foram; deram lugar a lágrimas vergonhosas e ardentes que escorrem pelo meu rosto. Um trovão retumba em algum lugar distante. Ar quente, sem umidade. O calor diminuiu. O verão acabará logo. O tempo passa. A vida mudou, não importa o quanto eu deseje que volte ao que era.
Uma mão forte se fecha em torno do meu braço e quase solto um grito. Dois sentinelas estão ao meu lado, com seus olhos sombrios debaixo das máscaras. Ambos têm o dobro do meu tamanho. Insensíveis, tentam me arrastar de volta para aquela prisão.
— Senhora — rosna um deles, sem qualquer aparência de respeito.
— Me deixa — a ordem sai fraca, quase um suspiro. Começo a perder o fôlego como se estivesse me afogando. — Apenas mais uns minutos, por favor...
Só que não sou mestre deles. Não respondem a mim. Ninguém responde.
— Vocês ouviram minha noiva — diz outra voz. As palavras vêm firmes e duras, no tom da realeza. Maven. — Deixem-na ir.
Não posso deixar de sentir um alívio ao ver o príncipe pisar na sacada. Os sentinelas aprumam o corpo em sua presença e inclinam a cabeça em sua direção. Aquele que me segura fala:
— Devemos assegurar que Lady Titanos cumpra a programação. São ordens, senhor — explica ao mesmo tempo que relaxa um pouco a mão.
— Pois agora vocês têm novas ordens — replica Maven, a voz fria como gelo. — Eu acompanharei Mareena de volta à aula.
— Muito bem, senhor — dizem os sentinelas em uníssono, impossibilitados de desobedecer um príncipe.
Assim que batem em retirada com suas capas flamejantes pingando água da chuva, solto um suspiro alto. Só então percebo que minhas mãos tremem, de modo que preciso cerrar o punho para esconder a agitação. Mas Maven é educado acima de tudo e finge não notar.
— Os chuveiros lá dentro funcionam bem, sabia?
Esfrego as mãos nos olhos, apesar de minhas lágrimas já terem se perdido na chuva faz tempo. Restaram apenas um vergonhoso nariz escorrendo e manchas pretas da maquiagem. Felizmente o pó prateado aguentou firme. O negócio é mais resistente à água do que eu.
— Primeira chuva da estação — me esforço para falar, tentando reproduzir uma voz normal. — Precisava ver pessoalmente.
— Certo — ele diz, chegando mais perto.
Viro o rosto para o outro lado na esperança de esconder as lágrimas mais um pouco.
— Entendo, sabe? — acrescenta Maven.
Entende mesmo, príncipe? Entende como é ser arrancada de tudo o que ama, forçada a ser outra pessoa? Mentir a cada minuto de cada dia pelo resto da vida? Saber que há algo errado com você?
Não tenho forças para aguentar seus sorrisos de complacência.
— Pode parar de fingir que sabe alguma coisa sobre os meus sentimentos.
Seu rosto se enche de amargura com o tom da minha voz, e seus lábios se contorcem.
— Acha que não sei quão difícil é estar aqui? Com essas pessoas?
A essas palavras, ele lança um olhar por sobre o ombro, preocupado que alguém possa ouvir. Mas ninguém ouve; apenas a chuva e os trovões estão presentes.
— Não posso dizer o que quero, fazer o que quero — Maven prossegue. — Com minha mãe por perto, mal posso pensar o que quero. E meu irmão...
— O que tem seu irmão?
As palavras entalam na garganta. Não quer pronunciá-las, mas as sente mesmo assim.
— Ele é forte, talentoso, poderoso... Sou sua sombra. A sombra da chama.
Aos poucos ele relaxa. Então me dou conta de que o ar ao nosso redor estava estranhamente quente.
— Desculpe — acrescenta, dando um passo para trás a fim de que o ar esfrie. Diante dos meus olhos, Maven dilui-se novamente na figura do príncipe prateado, mais afeito a banquetes e uniformes. — Eu não devia ter dito isso.
— Tudo bem — sussurro. — É bom saber que não sou só eu que me sinto deslocada.
— Isso é algo que você devia saber sobre nós, os prateados. Estamos sempre sozinhos. Aqui — ele aponta para a cabeça — e aqui — conclui, apontando para o coração. — Isso nos torna fortes.
Um relâmpago rasga os céus e ilumina seus olhos azuis, que parecem brilhar.
— Isso é burrice — digo a ele, que solta uma risada sombria.
— É melhor você esconder esse seu coração, Lady Titanos. Ele não vai levá-la a nenhum dos lugares a que deseja chegar.
As palavras me dão calafrios. Por fim, lembro-me da chuva e de como minha aparência deve estar lamentável.
— Preciso voltar à aula — balbucio.
A intenção era simplesmente abandoná-lo na sacada. Maven, porém, agarra meu braço.
— Acho que posso ajudar a resolver seu problema.
Ergo as sobrancelhas, desconfiada.
— Que problema?
— Você não parece do tipo que chora por qualquer besteira. Está com saudades de casa.
Antes de eu dizer qualquer palavra de protesto, ele levanta a mão e dispara:
— Posso dar um jeito nisso.

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  1. Não dá pra deixar de perceber... quase todas as personagens femininas são tidas como insuportáveis, enquanto os caras, mesmo os inimigos, tem algum ponto positivo bem explícito. Acho que é o único defeito do livro.

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    1. Verdade, como se tivesse "forçando" o leitor a gostar de certa forma dos inimigos

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    2. Percebi a mesma coisa.

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    3. Estamos vendo pelo ponto de vista dela. Pode não ser o que aparenta,mas é como ela os vê à primeira vista.

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  2. Estou amando
    Pra quem gosta de A Seleção e super poderes rsrs

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  3. Mistura de A seleção, Jogos vorazes, The flash kkkkkkkklkk

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  4. Acho que essa rainha Coriane que é a rainha vermelha.Ou pelo menos mestiça

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  5. Ta na pobreza reclama e chora, ta no palacio reclama e chora. Ta dificil entender kkkkkk

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    1. hahahahhahahaahahah de certa forma é verdade.

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  6. Meu Deus.
    Esse capítulo é muito A Seleção.
    Choquei.

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    1. tbm achei kkk foi tipo Maxon deixando a Mari sair no jardim na primeira vez que se viram <3

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    2. Tipo quando eles ficaram na chuva, só que no caso teve beijo 😐😐

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  7. To gostando muito desse personagem(maven)parece o único decente nesse palácio nem mesmo cal è tão gentil com ela

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  8. — Senhora — rosna um deles, sem qualquer aparência de respeito.
    — Me deixa — a ordem sai fraca, quase um suspiro. Começo a perder o fôlego como se estivesse me afogando. — Apenas mais uns minutos, por favor...
    Só que não sou mestre deles. Não respondem a mim. Ninguém responde.
    — Vocês ouviram minha noiva — diz outra voz. As palavras vêm firmes e duras, no tom da realeza. Maven. — Deixem-na ir.

    ME LEMBREI DO MAXON E DA AMÉRICA, QUALQUER SEMELHANÇA E MERA COINCIDÊNCIA.

    ASS; ABELINHAATAREFADA

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  9. Eu tô adorando o livro, e AMO a Seleção mas algumas partes tão parecidas de mais pro meu gosto.
    Eles são​ uns fofos , mas ainda shippo ela com o Cal

    Ass: Apaixonada por livros



    Ass

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  10. "A ideia de Maven como meu marido não parece real. Não somos sequer amigos, quanto mais parceiros. Por mais simpático que ele seja, meus instintos me dizem para não confiar demais no filho de Elara. Ele esconde alguma coisa. O que é, não sei."

    Tbm acho Mare!!! Ele é bem filho da mãe dele..... Rs

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  11. Senhora — rosna um deles, sem qualquer aparência de respeito.
    — Me deixa — a ordem sai fraca, quase um suspiro. Começo a perder o fôlego como se estivesse me afogando. — Apenas mais uns minutos, por favor...
    Só que não sou mestre deles. Não respondem a mim. Ninguém responde.
    — Vocês ouviram minha noiva — diz outra voz. As palavras vêm firmes e duras, no tom da realeza. Maven. — Deixem-na ir.
    Isso com certeza foi tirado de A seleção, não tem como não ter sido

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  12. Ela copiou muitoooo isso de a Seleção, não tem nem como negar
    Camila

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  13. cara, a Mare (Mareena) é muito reclamona, céus! fica se lastimando quando está na pobreza, e se lastimando mais ainda quanto está na riqueza... QUE

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  14. "Esperava que os testes de Julian me aproximassem de alguma resposta. Em vez disso, apenas levantaram mais perguntas.
    — O que eu sou, Julian?"
    Vc é Divergente

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    1. kkkkkkkkkk Vdd Mare vc é uma divergente

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    2. Kkkkjk😂 bem isso

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  15. 😂😂😂 ben isso leh!! 😂😂😂😂
    Anna!!!

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  16. Nathy_louca dos livros13 de julho de 2017 15:47

    Isto é muito A Seleção, Jogos Vorazes e Divergente. Parece que a autora anda plagando alguns livros en... kkk eu sou a unica que pensa no Maven como Maxon. Ele é simpatico e tambem tem sentimentos como o principe da Seleção. E Cal é Aspen. Eu só não consigo imagina-lo como Maxon.

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    1. Nossa, pra mim foi o contrário. Quando li, relacionei mais o Cal com o Maxon

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  17. Respostas
    1. Eu tb amo esses dois😍😍❤

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  18. To amando o livro😍😍😍

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  19. "Você é a chama lenta que pode dissipar uma revolução..."
    Só eu que lembrei da Katniss (jogos vorazes) nessa hora? Jkk ��❤

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  20. Gente, socorro!!
    Eu to me apaixonando por esse ser! Eu sei que nao posso, mas, ele é muito fofo com ela!

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  21. Só eu que lembro da saga do tigre quando apareceu esses dois príncipes? Um triângulo amoroso. Dois irmaos que sao príncipes e ainda por cima tem a cor dos olhos do Ren e Kishan.
    Que coincidência.

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Boa leitura :)