3 de março de 2017

Capítulo sete

RETORNO À PLATAFORMA DA CRIADAGEM com um buraco no estômago. Qualquer felicidade que experimentei antes acabou. Não tenho coragem de olhar para trás e vê-lo ali, com suas roupas finas, carregado de fitas e medalhas e do ar de realeza que odeio. Como Walsh, ele possui uma insígnia da coroa ardente, mas em âmbar, diamante e rubi. Ela cintila sobre o preto do uniforme. Longe dos trajes surrados que vestiu na noite passada, usados para se misturar a plebeus como eu. Agora ele parece o futuro rei em cada centímetro, prateado até os ossos. E pensar que confiei nele.
Os outros criados abrem passagem para que eu volte ao fim da fila. Minha cabeça está a mil. Ele me arranjou este emprego, ele me salvou, salvou minha família — e é um deles. Pior que um deles. Um príncipe. príncipe. A pessoa que todos neste monstruoso espiral de pedra vieram ver.
— Todos os senhores vieram honrar meu filho e o reino, então honro os senhores — irrompe o rei Tiberias, enquanto meus pensamentos desaparecem como fumaça. Ele ergue os braços e saúda os muitos camarotes. Embora eu tente ao máximo manter os olhos no rei, não resisto um olhar para Cal. O sorriso em seus lábios não se reflete em seus olhos.
— Honro vosso direito de governar. O futuro rei, filho de meu filho, terá vosso sangue prata tanto quanto eu. Quem atribuirá para si esse direito?
O patriarca de cabelos prateados urra em resposta:
— Eu quero a Prova Real!
Por toda a espiral, os líderes das diversas Casas gritam em uníssono:
— Eu quero a Prova Real!
Os brados ecoam de acordo com alguma tradição que não compreendo.
Tiberias sorri e acena com a cabeça.
— Que comece. Lord Provos, tenha a bondade.
O rei encara o camarote que penso ser o da Casa Provos. O resto da espiral acompanha seu olhar, e todos fixam-se na família vestida de dourado com listras pretas. Um ancião de cabelo grisalho dá um passo à frente. Os trajes estranhos lhe dão a aparência de uma vespa prestes a dar uma ferroada. Ele faz um gesto com a mão, e não sei o que esperar.
De repente, a plataforma treme e se move para o lado. Dou um pulo, por reflexo, e quase trombo no criado ao meu lado quando começamos a deslizar. Meu coração salta à boca quando vejo o resto do Jardim Espiral girar. Lord Provos é um telec e movimenta a estrutura por caminhos projetados pelo poder da mente.
A estrutura inteira gira sob seu comando e a área do jardim se amplia, formando um imenso círculo. Os níveis inferiores recuam e se alinham com os superiores, de modo que a espiral se transforma num enorme cilindro a céu aberto. À medida que os níveis se movem, o chão afunda até quase seis metros abaixo do camarote mais baixo. As fontes convertem-se em cachoeiras jorrando do alto do cilindro até o centro, enchendo piscinas profundas e estreitas. Nossa plataforma plana para sobre o camarote real, o que nos dá uma vista perfeita de tudo, inclusive do centro lá embaixo. Tudo isso leva menos de um minuto. Lord Provos transformou o Jardim Espiral em um lugar muito mais sinistro.
Ele retoma seu assento, mas as mudanças ainda não estão completas. O zumbido da eletricidade eleva-se até ressoar por toda parte, arrepiando os pelos do meu braço. Uma luz lilás esbranquiçada cintila perto do solo do jardim; faíscas elétricas saltam das pedras de pontos minúsculos, quase invisíveis. Nenhum prateado levanta para controlar o processo.
Entendo por quê. Isso não é obra de prateados, mas uma maravilha tecnológica: eletricidade.
Raios sem trovões. Os feixes de luz se entrelaçam e interceptam, tecendo assim uma rede brilhante a ponto de cegar. A simples visão daquilo faz meus olhos doerem e sinto pontadas agudas de dor na cabeça. Não faço ideia de como os outros aguentam.
Os prateados parecem impressionados, intrigados com algo que não conseguem controlar. Enquanto isso, nós vermelhos ficamos de queixo caído, em total admiração.
A rede se cristaliza à medida que a eletricidade se expande e ramifica. E, então, tão repentino quanto surgiu, o ruído cessa. A eletricidade se detém, solidifica-se em pleno ar na forma de um escudo roxo entre o público e o chão. Entre nós e seja lá o quê vai aparecer lá embaixo.
Minha mente começa a viajar imaginando o que poderia necessitar de um escudo elétrico. Não seria um urso ou uma alcateia ou qualquer uma das feras raras da floresta. Mesmo criaturas míticas, como grandes felinos, tubarões ou dragões não representariam perigo para os muitos prateados aqui. E por que botariam feras na Prova Real? É a cerimônia de escolha da rainha, não um combate com monstros.
Como em resposta, o solo sob o círculo de estátuas — agora o pequeno centro do cilindro — se abre. Sem pensar, dou um pulo à frente na esperança de ter uma visão melhor. O resto dos criados aglomera-se ao meu redor, também querendo ver com os próprios olhos o que sairá daquela câmara.
A menor garota que já vi na vida emerge da escuridão.
Os gritos de apoio ressoam pelo Jardim Espiral: uma Casa vestida de marrom e joias vermelhas aplaude a filha.
— Rohr, da Casa Rhambos — grita a família para apresentá-la ao mundo.
A garota, que não deve ter mais que catorze anos, sorri para a família. Ela é minúscula em comparação com as estátuas, mas suas mãos são estranhamente grandes. Já o resto do corpo parece capaz de sair voando com uma brisa mais forte. Ela se vira para as estátuas, sempre sorrindo de cabeça erguida. Seu olhar vai até Cal, quer dizer, o príncipe, na tentativa de seduzi-lo com o olhar ou com o balançar ocasional dos cabelos cor de mel. Em suma, ela parece meio idiota. Até se aproximar de uma estátua de pedra maciça e arrancar sua cabeça com um único e simples tapa.
A Casa Rhambos grita novamente:
— Forçadora.
Sob nós, a pequena Rohr destrói tudo num turbilhão, reduzindo estátuas a pilhas de pó ao mesmo tempo que racha o solo sob seus pés. É como um terremoto em forma de um minúsculo ser humano, destruindo tudo pelo caminho.
Então estamos num concurso de talentos.
Um concurso de talentos violentos, cuja intenção é servir de vitrine para a beleza, o esplendor e... a força. A filha mais talentosa. É uma demonstração de poder para que o príncipe se una à garota mais poderosa, de modo que seus filhos sejam os mais poderosos de todos. E acontece há centenas de anos.
Estremeço só de pensar na força que Cal tem no mindinho.
Ele aplaude educadamente o fim da destruição organizada da menina. A Casa Rhambos grita mais incentivos enquanto a garota desce pela plataforma de onde veio.
Em seguida vem Heron, da Casa Welle, filha do governador da minha região. Alta, com cara de pássaro. A terra destruída remexe em torno dela, voltando ao normal.
— Verde! — canta a família.
Verde. Às suas ordens, árvores crescem num piscar de olhos, tão altas que as copas encostam na cúpula elétrica. Faíscas incendeiam as folhas verdes. A próxima garota, uma ninfoide da Casa Osanos, aproveita a oportunidade. Usando as fontes transformadas em cachoeiras, transforma a floresta num turbilhão de corredeiras; sobram apenas árvores chamuscadas e terra arrasada.
O espetáculo prossegue assim por horas. As garotas sucedem-se para demonstrar seu valor, e cada uma delas encontra a arena mais destruída que a anterior. São treinadas para lidar com qualquer coisa. Variam na idade e na aparência, mas são todas estonteantes. Uma delas — de uns doze anos — explode tudo o que toca como uma bomba ambulante.
— Oblívio! — grita a família para descrever seu poder.
O escudo elétrico aguenta firme enquanto a jovem destrói as últimas estátuas brancas. O som agudo das explosões ecoa nos meus ouvidos.
A eletricidade, os prateados e os berros se misturam na minha cabeça enquanto assisto a verdes, lépidas, forçadoras, telecs e aparentemente uma centena de outros tipos de prateadas exibirem-se sob o escudo. Coisas que nunca sonhei serem possíveis acontecem diante dos meus olhos: garotas que transformam a própria pele em pedra ou soltam gritos capazes de esfacelar muralhas de vidro. Os prateados são maiores e mais fortes do que temia; têm poderes que nem sabia que existiam. Como podem ser de verdade?
Fiz todo esse trajeto e de repente estou de volta à arena para assistir aos prateados demonstrarem tudo o que não somos.
Quase fico maravilhada quando uma animos, com o poder de controlar os animais, convoca mil pombas do céu. Quando os pássaros mergulham de cabeça contra o escudo elétrico e explodem em nuvenzinhas de sangue e penas, minha admiração vira repulsa. O escudo faísca e queima os restos dos animais até brilhar como novo. Quase vomito ao som dos aplausos quando a animos de sangue frio submerge de volta.
Outra garota — espero que a última — surge na arena que está reduzida a pó.
— Evangeline, da Casa Samos — grita o patriarca da família de cabelo prateado. Ele fala sozinho, e sua voz ecoa pelo Jardim Espiral.
Do meu lugar privilegiado, percebo o rei e a rainha endireitarem-se nos assentos. Evangeline já tem a atenção deles. Em claro contraste, Cal baixa a cabeça e olha para as próprias mãos.
Enquanto as outras garotas usavam vestidos de seda e umas poucas trajavam estranhas armaduras douradas, Evangeline aparece com uma roupa de couro preto. Jaqueta, calça, botas: tudo cravejado de prata maciça. Não, não é prata. Ferro. Prata não é tão fosca ou dura. Sua Casa torce por ela, todos de pé. Ela pertence à família de Ptolemus e do patriarca. Mas outras famílias também torcem. Querem-na como rainha. Ela é a favorita. Evangeline saúda a todos levando dois dedos à fronte, primeiro para sua família e depois para a família real. O rei e a rainha devolvem o cumprimento, favorecendo descaradamente a garota.
Talvez isso seja mais parecido com os shows do que eu pensava. A diferença é que em vez de mostrar para os vermelhos seu lugar, aqui o rei mostra aos seus súditos — não importa quão poderosos sejam — o lugar delesUma hierarquia dentro da hierarquia.
Presto tanta atenção às provas que quase não noto quando é minha vez de servir novamente. Antes de alguém me dar um cutucão para mostrar o caminho, parto para o camarote certo. Mal escuto o patriarca dos Samos falar mais uma vez. Acho que disse “magnetron”, mas não faço ideia do que significa.
Desço pelos estreitos corredores — antes amplas passarelas — até os prateados que solicitaram um criado. O camarote fica na parte de baixo, mas sou rápida e chego lá num piscar de olhos. Me deparo então com um clã especialmente gordo, vestido em amarelo berrante e penas horríveis, degustando um bolo enorme. Pratos e taças vazios emporcalham o ambiente. Ponho-me a trabalhar para limpar tudo com minhas mãos rápidas e treinadas. Um monitor de vídeo dentro do camarote exibe Evangeline, que parece imóvel na arena.
— Que farsa é essa? — um dos pássaros gordos e amarelos resmunga enquanto enche a boca. — A menina dos Samos já ganhou.
Estranho. Ela parece a mais fraca de todas.
Empilho os pratos, mas mantenho os olhos na tela para assistir às proezas dela naquele cenário arrasado. Não parece dispor de nada com que trabalhar, com que mostrar o que pode fazer, mas não dá a impressão de estar incomodada. Seu sorrisinho é terrível, como se estivesse plenamente convencida da própria glória. Não vejo qualquer glória nela.
As peças de ferro na sua jaqueta se mexem. Flutuam no ar, como balas de metal. E então, como disparos de uma arma, explodem para longe de Evangeline, perfurando o pó, as paredes e mesmo o escudo elétrico.
Ela consegue controlar metais.
Vários camarotes aplaudem, mas ela está longe de ter terminado. Rangidos e chiados ecoam até nós vindos de algum lugar subterrâneo do Jardim Espiral. Mesmo a família gorda para de comer e observa ao redor, perplexa. Todos ficam confusos e intrigados, e consigo sentir a vibração bem abaixo dos pés. Tenho medo.
Com um estrondo arrasador, canos de metal rompem o chão do Jardim, erguendo-se desde as profundezas. Atravessam as paredes e cercam Evangeline na forma de uma coroa cinzenta de metal retorcido. Ela parece rir, mas o baque ensurdecedor do metal abafa qualquer som. O escudo elétrico faísca, mas Evangeline se protege sob a sucata. Ela nem sequer suou. Por fim, deixa o metal cair num barulho horrível e olha para o céu, para os camarotes acima. A boca escancarada. Ela parece faminta.
Começa devagar, uma leve mudança no equilíbrio, até que o camarote inteiro é tomado. Pratos estilhaçam-se no chão e taças de vidro rolam para a frente, esbarram no parapeito e se despedaçam contra o escudo elétrico. Evangeline está arrancando nosso camarote, inclinando-o para a frente para cairmos. Os prateados ao meu redor guincham e se agitam; os aplausos viram pânico. Eles não são os únicos: todos os camarotes da nossa fileira vão com o nosso.
Lá embaixo, Evangeline — o cenho franzido de concentração — controla tudo com apenas uma das mãos. Como os lutadores prateados nas arenas, quer mostrar ao mundo do que é capaz.
É isso que penso quando uma bola amarela de pele e penachos bate contra mim, lançando-me por cima do parapeito com o resto dos talheres.
Tudo fica roxo durante a queda; vejo apenas o escudo se aproximar. A eletricidade silva, queima o ar. Mal tenho tempo de entender, mas sei que aquela cúpula tramada em roxo vai me cozinhar viva, me eletrocutar com uniforme vermelho e tudo. Aposto que a única preocupação dos prateados será quem vai limpar a sujeira.
Minha cabeça bate contra o escudo. Vejo estrelas. Não, não são estrelas. Faíscas. O escudo cumpre sua função: frita-me com raios elétricos. O uniforme queima, fica chamuscado, tostado. Aguardo o momento em que minha pele vai ficar assim também. Meu cadáver vai ter um cheiro ótimo. Mas, por algum motivo, não sinto nada. Devo estar com tanta dor que não sinto.
Mas... então posso sentir. Sinto o calor das faíscas subindo e descendo pelo meu corpo, incendiando cada nervo. A sensação não é ruim, porém. Na verdade, me sinto viva. Como se tivesse sido cega a vida inteira e agora pudesse enxergar. Alguma coisa se move sob minha pele, mas não são as faíscas. Olho minhas mãos e meus braços, admirada com a eletricidade que paira sobre mim. A roupa continua a queimar, abrasada pelo calor, mas minha pele não muda. O escudo continua a tentar me matar, mas não consegue.
Está tudo errado.
Estou viva.
O escudo solta uma fumaça preta e começa a ceder e se estilhaçar. As faíscas ficam mais brilhantes, mais ferozes, mas vão enfraquecendo. Tento me ajeitar, ficar de pé, mas o escudo se esfacela sob meus pés. Caio novamente para a frente.
Consigo, não sei como, cair numa pilha de pó sem pontas do metal. Músculos fracos, arranhões pelo corpo, mas ainda inteira. Já meu uniforme não teve tanta sorte... Está em frangalhos, todo queimado.
Levanto a muito custo, e mais pedaços do meu uniforme se desfazem. Murmúrios e interjeições ecoam pelo Jardim Espiral. Posso sentir todos os olhos sobre mim, a vermelha queimada. O para-raios humano.
Evangeline me encara com olhos arregalados. Furiosa, confusa... e com medo.
De mim. Por algum motivo, ela tem medo de mim.
— Oi — digo, feito uma idiota.
Evangeline responde com uma rajada de cacos de ferro afiados e mortais, que cortam o ar em direção ao meu coração.
Sem pensar, ergo as mãos na tentativa de me proteger do pior. Em vez de aparar uma dúzia de lâminas na palma da mão, sinto algo bem diferente. Como com as faíscas, meus nervos cantam, reanimados por uma espécie de fogo interior. Ele se agita dentro de mim, atrás dos olhos, debaixo da pele, até que me sinto mais eu mesma. E, então, emana de mim puro poder e energia.
O facho de luz, ou melhor, de relâmpagos, irrompe das minhas mãos e arde através do metal. Os fragmentos rangem e esquentam, explodindo com o calor. Caem inofensivos no chão enquanto o relâmpago atinge a parede. Produz um rombo fumegante de quase dois metros e por pouco não acerta Evangeline.
Seu queixo cai em choque. Tenho certeza de que olho minhas mãos com a mesma expressão, perguntando-me o que teria acontecido comigo. Lá no alto, uma centena dos mais poderosos prateados se pergunta a mesma coisa. Levanto a cabeça e me deparo com todos me encarando.
Até o rei se inclina sobre a beirada do camarote; a coroa flamejante desenha-se contra o céu. Cal está bem ao seu lado, encarando-me com olhos arregalados.
— Sentinelas.
A voz do rei é incisiva como uma navalha, ameaçadora. De repente o uniforme alaranjado dos sentinelas desponta em todos os camarotes. A guarda de elite espera mais uma palavra, mais uma ordem.
Sou uma boa ladra porque sei quando correr. Agora é um bom momento.
Antes de o rei conseguir falar, disparo. Ultrapasso a atônita Evangeline e deslizo até a passagem no chão antes que ela se feche.
— Peguem-na!
As palavras ecoam atrás de mim enquanto caio no lusco-fusco da câmara subterrânea. Os metais voadores de Evangeline abriram buracos no teto, de modo que ainda posso ver o Jardim Espiral. Para meu desespero, a estrutura parece rachar conforme os sentinelas saltam dos camarotes, todos em minha direção.
Sem tempo para pensar, apenas corro.
A antecâmara debaixo do Jardim está ligada a um corredor escuro e vazio. Câmeras de segurança pretas e quadradas me observam correr a toda velocidade, fazendo uma curva depois da outra. Posso sentir sua presença, me perseguindo como os sentinelas não muito distantes de mim. Corre, repito mentalmente. Corre, corre, corre.
Preciso encontrar uma porta, uma janela, alguma luz no fim do túnel. Se conseguir sair, quem sabe chegar até o mercado, talvez tenha uma chance. Talvez.
O primeiro lance de escadas conduz a um corredor longo cheio de espelhos. Mas as câmeras também estão lá, pendendo do teto como insetos grandes e pretos.
Uma bala passa perto da minha cabeça, e sou forçada a me jogar no chão. Dois sentinelas em seus uniformes cor de fogo saem de trás de um espelho e vêm na minha direção. São iguais aos agentes. Apenas agentes desastrados que não conhecem você. Não sabem do que é capaz.
Nem eu sei do que sou capaz.
Eles esperam que eu corra, então faço o contrário: salto na direção deles. Suas armas são grandes e potentes, mas complicadas. Antes que consigam levantá-las para atirar, me assustar ou as duas coisas, fico de joelhos no chão de mármore liso e escorrego entre os dois gigantes.
Um deles grita comigo, e sua voz faz outro espelho explodir numa tempestade de vidro.
Quando por fim conseguem dar meia-volta, já estou longe e retomo a corrida.
A janela que finalmente encontro acaba sendo uma alegria e uma tristeza. Estou parada diante de uma gigantesca vidraça de diamante que dá para a vasta floresta. Está bem ali, logo do outro lado, atrás de uma muralha impenetrável.
Certo, mãos, agora seria um bom momento para vocês fazerem algo.
Nada acontece, claro. Nada acontece quando preciso.
Uma onda de calor me toma de surpresa. Olho para trás e vejo uma muralha vermelha e laranja se aproximar. Tenho certeza: os sentinelas me encontraram. Só que a muralha é quente, cintilante, quase sólida. Fogo. E vem para cima de mim.
Minha voz sai frouxa, fraca e derrotada quando tento rir da situação.
— Ah, que ótimo.
Quero correr, mas acabo colidindo com um largo tecido preto. Braços fortes fecham-se ao meu redor e me seguram quando tento escapar. Dê um choque nele, solte um raio, grito mentalmente. Mas nada acontece. O milagre não vai me salvar de novo.
O calor aumenta quase ao ponto de queimar o ar nos meus pulmões. Sobrevivi à eletricidade hoje, não quero tentar a sorte com o fogo.
Mas é a fumaça que vai me matar. Grossa, negra, forte e sufocante. Minha vista fica turva e as pálpebras, pesadas. Ouço passos, gritos e o crepitar do fogo à medida que o mundo escurece.
— Sinto muito. — É a voz de Cal.
Acho que estou sonhando.

15 comentários:

  1. Isso é parece uma mistura de A Seleção, Legados de Lórien e X-Men todos juntos kkkk
    Adorando!
    ~polly~

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    1. Pensei a mesma coisa sobre a seleção kkkkk

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    2. Esqueceu de citar jogos vorazes ... kkkk

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    3. Ever eu tô com medo dessa Evangeline ela vai dar muito trabalho pro nossa casal certeza!😣

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    4. Né que essa mistura tá dando certo!!! LOOOOVE IT!!!

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    5. Rei de fogo ta parecendo trono de vidro.

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  2. Ja gostei do casal fogo e eletricidade senti um romance eletrizante

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  3. Como assim produção!!
    Isso vai dar muita treta *O*

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  4. interessante o poder dela, visto que norta é uma grande pais por causa da eletricidade. muito bom esse livro ate agora

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  5. È uma mistura de jogos vorazes e a seleção , um jogos vorazes romântico!

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  6. Eu estava tentano achar um livro parecidos com os legados de lorien a dias,agorádio achei tá muito massa😱

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  7. Caraaaaaa que capítulo foi esseeeee. Uaaaau. O livro tá ficando cada vez mais interessante. Karina te amo kk sempre me apresentando livros que eu acabo amando <3
    Ass: Déborah Alana.

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  8. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

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  9. NOSSA!!!! QUE TOP !!!! eu sabia que era eletricidade por causa de que quando ela leu a carta de Shade a energia acabou, ela ouvia zumbidos de eletricidade, sentia ela nos nervos e quando deu aquele problema no négocio de energia ela só topou e a energia voltou.
    Querm mais provas????

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  10. Eu sou a única do contra que já está shippando ela com o outro irmão?

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Boa leitura :)